A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

(Atenção!!! - Em Julho, no período de recesso, estaremos com outro local de prática! O endereço é na Rua Professora Neuza Lula Rodrigues, n. 150, Casa 11 - Resid. Canachuê - B. Jardim Santa Amália.) Sempre aos sábados, das 07h às 08h! Informações: (65) 9.8143-4379 - Ivan.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dalai Lama visita o Brasil e destaca valores universais



Dalai Lama visita o Brasil e destaca a prática de valores universais

Por Ivan Deus Ribas

Em mais uma visita ao Brasil, SS o Dalai Lama tratou de temas atuais e diversos, como: diálogo inter-religioso, ciência, estados da consciência e valores universais, como pilares fundamentais para uma vida mais feliz.

Foram três dias de atividades na cidade de São Paulo, que reuniram empresários, admiradores, praticantes e religiosos do Budismo e de outras denominações. Logo no primeiro dia, 15.09, discorreu sobre o tema “Nova Consciência nos Negócios – Valores para um Mundo Sustentável – Um movimento de transformação”, falando para um público composto por líderes de várias empresas do país. Mesmo tendo chegado com duas horas de atraso, em razão do tráfego aéreo, o Prêmio Nobel da Paz foi aguardado com entusiasmo por representantes do empresariado.

Em sua fala destacou o cultivo do altruísmo e da ética moral como remédios para diminuir o abismo existente entre ricos e pobres, assinalando a responsabilidade que recai em especial sobre a iniciativa privada, que ao agir dentro destes valores pode inclusive se beneficiar, uma vez que gera confiança e respeito de toda comunidade.

No segundo dia de sua estada, palestrou diante de uma platéia de mais de cinco mil pessoas no “Simpósio Estados de Consciência: Encontro entre o Saber Tradicional e o Científico”, onde estiveram presentes cientistas de universidades renomadas no cenário mundial em pesquisas sobre neurociência, como Cambridge e a University of Liége, da Bélgica, além do reitor da Universidade de São Paulo (USP) e o presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, que conduziram o encontro.

Durante todo o simpósio foram apresentados resultados de recentes pesquisas na área da neurociência que evidenciam, por exemplo, que pacientes tidos em estado vegetativo podem apresentar “respostas”, diante de estímulos detectados por meio de ressonância magnética. Estes resultados, ainda bastante preliminares, estão longe de dizer se o paciente tem real percepção sobre o seu estado, se sente dor, se reconhece a voz de um parente ou se é capaz de conjecturar sobre o futuro ou mesmo as circunstancias sob as quais se encontra, mas indicam que, apesar da inércia física, há certo grau de consciência, diferentemente do que se imaginava.

Segundo o cientista Dr. Adrian Owen, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, ao serem sugestionados para imaginar jogando tênis, por exemplo, imediatamente observa-se que a área responsável pelo movimento do corpo entra em operação; ao mesmo tempo, quando solicitados a imaginar erguendo o braço direito, igualmente, há uma resposta a nível neural, o que evidencia possuírem, ao menos os pacientes pesquisados, uma percepção ou consciência do mundo a sua volta, muito embora estejam totalmente imóveis do ponto de vista motor.

O Dalai Lama acompanhou todos os trabalhos que se desenvolveram ao longo do dia, interferindo pontualmente com perguntas sobre os dados apresentados, a fim de compreender melhor os detalhes da pesquisa. Perguntado sobre o tema a partir da visão budista, ponderou inicialmente que não deve haver conflito entre o saber tradicional e o científico, entre espiritualidade e a razão, inferindo que ambos são igualmente importantes, pois devolvem o individuo para o conhecimento de si e o reconhecimento do mundo, a ética, o respeito e todos os demais valores próprios de uma condição humana, que devem ser a força motriz para se chegar a um bem maior. A humanidade avançou muito em termos tecnológicos, a própria energia nuclear é algo extraordinário, mas perde sua capacidade de promover o bem quando é mal empregada, destacou.

Dentro das diversas questões levantadas ao longo do dia, os cientistas relataram que é muito difícil trabalhar em uma pesquisa como essa, em razão da condição em que se encontra o paciente, os familiares, além do custo para isso. Ressaltaram ainda que existem coisas mais importantes, emergenciais, como a recuperação deste indivíduo, do que ficar perguntando sobre isso ou aquilo, mas que aos poucos estão avançando e obtendo resultados cada vez mais promissores.

Dois outros pesquisadores demonstraram a partir de seus estudos que a Mente Atenta e a Compaixão, respectivamente, são capazes de auxiliar no tratamento de distúrbios mentais e outras doenças, como a depressão. Genshe Lobsang Tenzin Negi, monge tibetano, professor e fundador da Emory University, abordou o trabalho que vem desenvolvendo sobre os efeitos da meditação da compaixão sobre pacientes com depressão, demonstrando que há uma curva extremamente significativa nos indivíduos que praticam e aqueles que não realizaram o processo meditativo. A Dra. Tamara Russel, Doutora em Psicologia Clínica, com mestrado em neurociência e especialização em intervenção com base em Atenção Plena (Mente Atenta) para população psiquiátrica e saudáveis, relatou casos clínicos onde pacientes considerados em estado severo apresentaram melhora significativa apenas desenvolvendo este método de mente atenta, que consiste em tomar consciência dos próprios pensamentos, sem se envolver com eles, além de focar a atenção no momento presente, ou seja, sem dar seguimento a quaisquer dramas mentais experienciados, enfatizou.

Por fim, formou-se uma mesa de debate entre os próprios participantes que trocaram impressões, destacando ou enfatizando pontos relacionados aos dados trazidos a baila durante todo o dia. Terminado as discussões, encerraram-se os trabalhos do segundo dia, que teve o aplauso de todos os presentes no simpósio.

Na manhã do terceiro e último dia, o local escolhido para penúltima palestra foi o Centro de Convenções do Anhambi, que contou com a presença de um número superior a seis mil e quinhentas pessoas, para ouvirem o líder budista falar sobre Convivência Responsável e Solidária.

O prêmio Nobel da Paz iniciou a sua explanação falando que pertence a uma geração do século passado e que está se despedindo, que está chegando a hora de ir embora, entretanto, se você tem entre 20 ou 30 anos, significa que pertence ao século XXI, o que representa a responsabilidade de trabalhar pela paz. Mas, para isso é preciso ter em mente dois pontos: o primeiro, a visão, uma perspectiva ampla, global, do mundo todo; e, o segundo, da educação, que é um instrumento, o saber, e que pode ser construtiva ou destrutiva, dependendo do tipo e da qualidade de motivação que possuímos em nosso coração. É muito importante prestar a atenção nos valores internos. Pois se você cultiva o calor em seu coração, se ele está cálido, certamente será mais feliz.

Sua Santidade destacou ainda que para desenvolver uma mente sadia e, conseqüentemente, a motivação correta, existem três caminhos, a saber: através das religiões teístas, que acreditam em um Deus criador, que oferecem um instrumento extremamente poderoso contra o egoísmo, contra nossa arrogância; as não teístas, que não propõem a idéia de um criador, dentre estas o budismo, e que ensinam em sua maioria a lei da causalidade, onde uma ação praticada contra o outro produz uma reação equivalente, ou seja, se for boa trará o bem, ensinando assim o respeito, a compaixão; e, por último, o caminho ateísta, que não se atem a qualquer visão religiosa.

Destacou ainda, que é fundamental que respeitemos a escolha de cada um, por se tratar de um assunto de foro íntimo. Ressaltou que independente do caminho que escolhermos seguir, os valores como: amor, perdão, respeito e tolerância, são universais, não religiosos, podendo ser praticados por todos, que seguramente conduzirá a um mundo pacífico e solidário.

Em sua última palestra, na tarde do dia 17.09, ocorrida no WTC – World Trade Center –sobre o tema “Cultivando Emoções Construtivas”, enfatizou que todos os mamíferos possuem a noção de felicidade e se organizam em comunidade, não apenas o ser humano. Nós, desde que nascemos, crescemos cercados pelo afeto de nossas mães, ao passo que pessoas que não receberam, tendem a sentir mais medo da vida, desconfiança, insegurança. Neste sentido, podemos dizer que as experiências vividas por um indivíduo até certo ponto podem contribuir para o tipo e a qualidade das suas emoções. Estudos recentes, promovidos por cientistas, demonstram que os pensamentos influenciam no funcionamento do cérebro, interferindo, assim, na própria saúde e estados de contentamento.

Concomitantemente, nossa sociedade, vem percebendo cada vez mais que mesmo que tenhamos bens materiais, isto representa apenas uma parte do que realmente é necessário para sermos felizes. A prática da ética moral, do altruísmo, neste ponto são essenciais e determinantes para que consigamos cultivar a sanidade e, por conseguinte, a felicidade que almejamos. Estes valores, não apenas representam a superação dos conflitos vividos no passado, como dão outra percepção destas experiências. O perdão, a compaixão, o respeito, são indispensáveis para termos a base correta para o cultivo das emoções construtivas.

Ao término de sua fala, aplaudido de pé, recebeu o agradecimento dos organizadores do evento, que externaram o anseio do seu retorno em 2012, o que foi comemorado efusivamente por todos os presentes.

* Ivan Deus Ribas é integrante da Associação Meditar de Cuiabá.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

IV Visita de SS o Dalai Lama ao Brasil - 2011


Sua Santidade o Dalai Lama conclui sua visita à América Latina
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Setembro 18, 2011
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São Paulo, Brasil, 17 de Setembro - No último dia de sua visita de dez dias pela América Latina, Sua Santidade o Dalai Lama deu uma palestra pública sobre "Convivência Responsável e Solidária" para mais de 6.500 pessoas no Pavilhão do Parque das Convenções do Anhembi. Este evento foi co-organizado pelo gabinete do prefeito de São Paulo.
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Assim que sua comitiva chegou ao Centro de Convenções, Sua Santidade foi recebido pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pelo arcebispo Odilo Dom Scherer e o Sr. João Grandino Rodas, reitor da Universidade de São Paulo e Secretário de Segurança. Depois de um breve encontro privado com eles, Sua Santidade seguiu para o palco, onde o prefeito Gilberto Kassab, recebeu e apresentou a Sua Santidade para o público.
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Sua Santidade disse à multidão que o conceito de guerra e uso da força está ficando para trás. Ele disse que na sociedade de outrora, que viviam de certa forma isoladas uma das outras, isso representava conquista, o domínio, a sobrevivência. Mas hoje, disse ele, nós vivemos em um mundo muito interligado, onde a destruição de seu vizinho é a destruição de si mesmo. A fim de tornar a vida no século 21 mais pacífico, harmonioso e estável, continua, temos de aprender a resolver todas as diferenças e os problemas através do diálogo e, mais, para que os jovens, que são uma parte muito importante do século 21, dêem mais atenção aos valores internos, a ética secular, aprendendo a respeitar os outros, mesmo que existam diferenças consideráveis em relação aos sistemas de crença e ideologia. Depois que ele terminou seu discurso, Sua Santidade também respondeu a muitas perguntas do público.
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Na parte da tarde, Sua Santidade deu orientações e ensinamentos sobre o cultivo de emoções construtivas e positivas. Ele sugeriu ao público que prestasse mais atenção ao estudo, ao invés de meramente se prender a rituais. Ele disse que o conhecimento e a prática devem caminhar lado a lado.
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No final do evento a Profa. Lia Diskin, co-fundador da Associação Palas Athena e organizadora da visita de Sua Santidade o Dalai Lama ao Brasil, agradeceu em nome do povo brasileiro pela visita amiga e por compartilhar sua sabedoria com todos. A Profa. Lia Diskin, pediu para que Sua Santidade retorne ao Brasil no próximo ano e, quanto ela pronunciou estas palavras, a multidão deu uma ovação de pé, tomada de emoção e alegria pela possbilidade.
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Sua Santidade o Dalai Lama partiu para Frankfurt, logo em seguida ao término do último evento em São Paulo, Brasil.
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Extraído do site: http://www.dalailama.org.br/home/

IV Visita de SS o Dalai Lama ao Brasil - 2011


Sua Santidade o Dalai Lama participa de painel de discussão com neurocientistas

São Paulo, Brasil, 16 de setembro de 2011 - Hoje, Sua Santidade o Dalai Lama participou de um simpósio de um dia inteiro sobre "Estados de Consciência: Encontro entre o saber Tradicional e o Científico", realizado no Salão Ouro do World Trade Center em São Paulo, Brasil. O simpósio foi co-organizado pela Universidade Federal de São Paulo e Centro de Pesquisa Hospital Albert Einstein.
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Antes de participar do simpósio, Sua Santidade se encontrou reservadamente com Dr. Walter Manna Albertone, reitor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Claudio Lottenberg, presidente do Instituto de Pesquisa Albert Einstein, assim como com os outros palestrantes, Dr. Luiz Eugênio de Mello, Prof. Edson Amaro, Profa. Elisa H. Kozasa, Dr. Caroline Schnakers, Dr. Adrian Owen, Dra. Tamara Russell e Geshe Lobsang Tenzin.
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Dr. Luiz Eugênio A. Mello, ex-reitor da Universidade Federal de São Paulo, abriu o simpósio, dando um breve histórico do Programa de Parceria UNIFESP-Tibet, relatando que começaram durante a visita de Sua Santidade a São Paulo em abril de 2006.
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Dr. Walter Manna Albertone, reitor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Claudio Lottenberg, Presidente do Instituto de Pesquisa Albert Einstein, destacou a importância do simpósio e saudou os palestrantes do simpósio, bem como todo público.
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A sessão da manhã do simpósio ficou focado em um painel de discussão sobre os Estados Mínima e incomuns de consciência. Na sessão, Dra. Caroline Schnakers, da Universidade de Liegue, Bélgica, fez uma apresentação sobre Mínima Consciência: estados-clínicos e suas implicações; Dr. Andrian Owen, Canada Research Chair - Excelência em Neurociência Cognitiva e Imagem da Universidade de Western Ontario, falou sobre mínima consciência: resultados da pesquisa de neuroimagem; e Geshe Lobsang Tenzin Negi da Universidade Emory, em Atlanta falou sobre a Consciência do ponto de vista budista. Após houve a apresentação de Sua Santidade o Dalai Lama, com breves observações. Este foi seguido por debate entre os painelistas. Esta sessão foi moderada pelo Dr. Luiz Eugenio AM Mello.
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Na parte da tarde, Sua Santidade o Dalai Lama tinha uma reunião de imprensa com a mídia brasileira. Ao atender a imprensa Sua Santidade disse que muita atenção está sendo dado para um nível secundário de diferença entre as pessoas e negligenciado a unidade básica dos seres humanos. Da mesma forma, disse ele, não só no passado, mas ainda hoje há conflitos na sociedade com base em tradições religiosas. Portanto, ele disse, faz um esforço para destacar esses valores e da unidade dos seres humanos, bem como promover a harmonia entre as diversas tradições religiosas. Ele disse que a mídia também tem responsabilidade igual de divulgar informações sobre estas coisas.
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Como o Brasil é uma economia emergente e está crescendo rapidamente, disse ele, pode haver possibilidade de que algumas pessoas quererem se aproveitar e explorar a situação. Como tal, ele disse, é importante para a mídia estar alerta e comunicar objetivamente sobre as práticas saudáveis na sociedade.
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Ao comentar a questão sobre o progresso em matéria de protecção ecológica e de desenvolvimento social desde a Cúpula Mundial do Meio Ambiente em 1992, ocorrida no Rio de Janeiro, Sua Santidade disse que, em geral, há mais consciência sobre a questão ecológica e mais entusiasmo entre os governos para restabelecer o equilíbrio ecológico, que demonstram sinais positivos, avanços, muito embora alguns governos ainda coloquem o interesse de sua nação antes do interesse global, o que, ele pensa, não é uma boa abordagem.
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Após atender a imprensa, Sua Santidade foi para o Salão de Ouro do World Trade Center para participar da segunda sessão do Simpósio aberta sobre "Estados de Consciência: Encontro do saber Tradicional e Científico. A segunda sessão do simpósio focado em painéis de discussão sobre Plasticidade Cerebral e Prática Contemplativa. Durante a sessão, Dr. Adison Amaro da Universidade de São Paulo e Diretor do Centro Cerebral de São Paulo com sede no Albert Einstein Research Hospital, deu a sua apresentação sobre as implicações plasticidade cerebral na cognição e emoções; Dr Tamara Russell do College London King, falou sobre aplicações clínicas de práticas contemplativas e Geshe Lobsang Tenzin Negi da Emory University falou sobre a plasticidade do cérebro e da prática contemplativa. Após as apresentações, Sua Santidade fez um breve comentário e este foi seguido por discussões acaloradas entre os participantes. Mais tarde, Sua Santidade também respondeu algumas perguntas da platéia. A sessão foi moderada pela Dra. Elisa H. Kozasa.
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Extraído do site: http://www.dalailama.org.br/home/

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Semana da Paz e Direitos Humanos

*Clique na imagem para ampliar
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Cuiabá, setembro de 2011
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21 de Setembro Dia Internacional da Paz.
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Fórum Permanente pela Paz
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Carta às comunidades, entidades e denominações religiosas de Cuiabá,
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O Dia 21 de Setembro foi proclamado pela ONU como Dia Internacional da Paz, e está dedicado a comemorar e fortalecer os ideais da paz em cada nação, cada povo e entre os povos.
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O Fórum Permanente pela Paz de Mato Grosso tem uma programação em vista desta data, envolvendo as escolas, poder público e sociedade civil.
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Ante às diferentes formas de violência crescente em nosso Estado, no país e no mundo, que atenta aos direitos fundamentais do ser humano e da terra, deixando Mato Grosso entre os Estados mais violentos do Brasil, queremos mobilizar Cuiabá, chamar sua atenção para a necessidade urgente de construir uma cultura de paz e não-violência.
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Entendemos que, como bem afirma o teólogo alemão Hans Küng, não haverá paz no mundo sem o diálogo entre as religiões.
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Nós, imbuídos deste espírito, convocamos todas as comunidade, entidades e denominações religiosas a tomar parte conosco nas atividades do Fórum, em especial esta semana que chamamos de ‘Semana da Paz e Direitos Humanos’, para que as celebrações, cultos e encontros no terceiro fim de semana de setembro sejam voltados para a afirmação de valores constitutivos de uma cultura de paz. Se cada grupo social ou cidadão perceber a violência como uma prática que pode ser superada a partir das nossas escolhas cotidianas, estaremos semeando alternativas que nos ajudarão a vencer a paralisia motivada pelo medo, e a recusar a banalização da vida e da morte.
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Convidamos também a participar conosco das demais atividades previstas no programa anexo, bem como, ajudar-nos na divulgação e mobilização.
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Na poostagem abaixo, pequeno subsidio com o intuito de ajudar nas reflexões e orações para a construção da cultura de paz em nós, entre nós e em nossa amada terra.
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‘Seja você a mudança que quer para o mundo’
Gandhi
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Fraternalmente,
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Cleofa Marlisa Flach e Maria Dulce de Resende
p/ Fórum Permanente pela Paz
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Para celebrarmos e agradecermos pelo trabalho conjunto, nos confraternizaremos no dia 23.09, a partir das 18h, com moradores da Rua da Paz, bairro Pedregal, Cuiabá.

Semana da Paz e Direitos Humanos


Fórum Permanente pela Paz

O que é Cultura de Paz?

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU): “Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, modos de comportamento e de vida que rejeitam a violência, e que apostam no diálogo e na negociação para prevenir e solucionar conflitos, agindo sobre suas causas".

Enquanto movimento, a Cultura de Paz iniciou-se oficialmente pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 1999 e empenha-se em prevenir situações que possam ameaçar a paz e a segurança – como o desrespeito aos direitos humanos, discriminação e intolerância, exclusão social, pobreza extrema e degradação ambiental – utilizando com principais ferramentas a conscientização, a educação e a prevenção.

De acordo com a UNESCO, a cultura de Paz “está intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não-violenta de conflitos” e fundamenta-se nos princípios de tolerância, solidariedade, respeito à vida, aos direitos individuais e ao pluralismo.
Nas palavras de Hamilton José Barreto de Faria (2002):
“Entendemos como cultura de paz a consciência permanente de valores da não-violência social. A cultura da paz vai mais longe do que construir a paz. Cultura da paz não é simplesmente ausência de guerra. É diferente também da passividade e da resignação. A cultura da paz não elimina oposições ou conflitos, mas pressupõe a resolução pacífica dos conflitos. E resolver os conflitos sociais de forma pacífica é uma mudança radical nos paradigmas que dão sustentação ao atual modelo civilizatório.”
Já quanto à base da Cultura de Paz e seu ponto de partida, afirma:

“Rejeitar a violência é a base da cultura da paz. (...) A cultura da paz rejeita a violência física, sexual, étnica, psicológica, de classe, das palavras e ações. (...) O ponto de partida desta cultura é a cooperação com a comunidade dos seres vivos e o desenvolvimento interior das pessoas.”
Em relação a sua origem, apesar do movimento de Cultura de Paz ter sido iniciado com a fundação da UNESCO em 1945 (ADAMS, 2003), o termo foi cunhado oficialmente pela primeira vez em 1989 através da Declaração de Yamoussoukro, elaborada durante a Conferência Internacional sobre a Paz na Mente dos Homens, na Costa do Marfim.
Em 1995 a Cultura de Paz foi adotada como Programa da UNESCO, sendo o ano 2000 proclamado como o Ano Internacional pela Cultura de Paz e o período de 2001-2010 como a Década Internacional pela Cultura de Paz e Não-Violência para as crianças do Mundo.
De acordo com David Adams, um dos ícones da Cultura de Paz no mundo, a Cultura de Paz tem como base 8 pilares:

1. Educação para uma Cultura de Paz;
2. Tolerância e Solidariedade;
3. Participação Democrática;
4. Livre fluxo de Informações;
5. Desarmamento;
6. Direitos Humanos;
7. Desenvolvimento Sustentável;
8. Igualdade entre gêneros.

sábado, 10 de setembro de 2011

Fórum do Comitê da Cultura de Paz



91º Fórum do Comitê da Cultura de Paz
parceria UNESCO – Palas Athena
em adesão ao Dia Internacional da Paz

O QUE NOS FAZ HUMANOS?
— bases biológicas e culturais da convivência —

a cargo do Dr. José Romão Trigo de Aguiar e do Poeta e Prof. Hamilton Faria

Toda vida no planeta Terra acontece em um contexto de relações – ligações íntimas entre átomos, células, órgãos e seres que viabilizam a renovação e atualização permanente do vivo. O organismo humano, por exemplo, é um conjunto de mais de 100 trilhões de células vivas, organizadas em estruturas diferentes que convivem em estado de equilíbrio.

Refletir como isto foi e é possível, refletir sobre esse impulso biológico em direção à parceria e à convivência, pode nos ajudar a escolher os caminhos que queremos trilhar. Nossos vínculos com a natureza, com o outro e conosco constituem um grande desafio, mas também são o espaço privilegiado onde construímos o mundo, cuja saúde depende da qualidade desse vínculo e do repertório de prioridades que sustentam as partes envolvidas na relação. O que nos faz humanos? A pergunta é instigante e central nos tempos de hoje, marcados pela cultura consumista, a racionalidade fria, a visão antropocêntrica de mundo e todas as suas consequências: a violência sociocultural, institucional, intrafamiliar e cotidiana.

André Breton, poeta surrealista, contribui de maneira reveladora ao afirmar: "Será preciso começar por tirar da guerra todos os seus títulos de nobreza! ". Então Mahatma Gandhi traz a ideia de que “tudo que vive é teu próximo” e abrem-se novos horizontes para a convivência. É certo que o caminho será longo, íngreme e desafiador para que um novo modo de conviver se torne cultura, na qual não mais seremos os “donos” da natureza, nem imporemos um único repertório de valores à diversidade das culturas, mas poderemos compor com elas a maravilhosa teia da vida.

José Romão Trigo de Aguiar é médico homeopata e psicoterapeuta. É professor da Associação Palas Athena. Fundador da Sociedade Universitária Médica de Estímulo à Pesquisa (SUMEP). Membro da Diretoria do Instituto de Cultura Homeopática – Escola de Homeopatia. Coordenador do projeto social Agentes de Cidadania – IAKAP. Co-autor do livro Homeopatia, publicado pela Editora Abril.

Hamilton Faria é poeta, professor da Faculdade de Artes Plásticas da FAAP, especialista em políticas de cultura e desenvolvimento cultural. Mestre em Sociologia. Coordenador de cultura do Instituto Pólis e do Pontão de Convivência e Cultura de Paz. Criador ou co-fundador de centros culturais e casas de cultura, associações de trabalhadores, cooperativas literárias, redes de artistas, alianças de solidariedade, entre outros. Participou no comitê de elaboração da Carta das Responsabilidades Humanas, contribuindo com a inclusão da Cultura de Paz como um dos princípios norteadores. Autor de literatura e cultura.

ENTRADA FRANCA

13 de setembro de 2011 ▪ terça-feira ▪ 19 horas
Auditório do MASP ▪ Museu de Arte de São Paulo
Av. Paulista, 1578 - São Paulo/SP - Estação Trianon-Masp do metrô

Não é necessário fazer inscrição antecipada

Realização: Comitê da Cultura de Paz

www.palasathena.org.br
www.comitepaz.org.br - www.comitedaculturadepaz.blogspot.com

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tomar conte de nós mesmos


Por Thich Nhat Hanh

Temos que aprender como tomar conta de nós mesmos ao longo do dia enquanto caminhamos, sentamos, comemos ou escovamos nossos dentes. Nosso lar é composto pelo nosso corpo, sentimentos, emoções, percepções e consciência. O território de nosso lar é largo e somos o monarca responsável por ele. Deveríamos saber como retornar ao lar e tomar conta do nosso corpo e mente. Plena atenção pode ajudar.

Suponha que tenhamos dor, tensão e estresse no nosso corpo. O primeiro passo é voltar a ele e tomar conta. Podemos fazer isso tomando um momento para ficarmos imóveis e dizer:

Inspirando, estou consciente do meu corpo inteiro.

Expirando, deixo ir embora todas as tensões no meu corpo.

Depois de sabermos como tomar conta de nosso corpo, aprendemos como tomar conta de nossos sentimentos e nossas emoções. Com plena atenção podemos trazer a tona sentimentos de alegria e felicidade. Quando uma emoção forte surge, deveríamos saber como tomar conta dela. Podemos repetir este pequeno poema, chamado gatha, para nos ajudar a cuidar dessas emoções.

Inspirando, estou consciente do sentimento doloroso em mim.

Expirando, estou abraçando este sentimento com ternura.

Não tente cobrir este sentimento através do consumo. Muitos de nós tentaríamos evitar nossa dor, afogando o sentimento com filmes, internet, livros, álcool, comida, compras e conversas de forma que não tenhamos que sentir o nosso sofrimento. No final, isso apenas torna a situação pior.

O Buda disse que nada pode sobreviver sem comida. Se nossa dor, tristeza e medos ainda estão presentes, é porque continuamos a alimentá-los. Uma vez que tenhamos reconhecido e abraçado nossa dor, tristeza, medo e encontrarmos algum alívio, podemos continuar a praticar o olhar em profundidade para a natureza da nossa dor de forma a reconhecer suas raízes. Podemos reconhecer que tipos de nutrientes trouxeram nosso mal-estar, medo e depressão.

Se sofremos de depressão, significa que temos vivido e consumido de tal forma que torna a depressão possível. O Buda disse que se olharmos profundamente no que veio a ser, nominalmente nosso mal-estar, e reconhecer a fonte do nutriente que a trouxe a tona, já estamos no caminho da emancipação.

Nossos filhos podem consumir muita violência, medo e desejo. Quando eles vêem televisão, testemunham milhares de atos de violência que fazem as sementes de violência, desejo e medo neles crescer. Agora há muita violência nos jovens e eles não sabem como lidar com suas emoções e sofrimento. Nós, pais e educadores, deveríamos ser capazes de ajudá-los a lidar com seus medos, raiva e violência.

A população da França não é muito grande, mas mesmo assim a cada ano doze mil jovens cometem suicídio. Eles são vítimas de emoções fortes como raiva, medo e desespero. Na escola não ensinam a eles como lidar com essas emoções fortes. É muito importante que nós, pais e professores, possamos aprender como lidar com as nossas emoções de forma que possamos ajudar aos jovens em casa e na sala de aula a fazer o mesmo.

Consumimos de tal forma que nosso medo, raiva e desespero cresceram e ficaram grandes, portanto o consumo consciente é a resposta e é nossa prática. Deveríamos consumir de tal forma que previna que os elementos negativos em nós sejam nutridos.

Amor também não pode sobreviver sem comida. Se não alimentarmos nosso amor, ele irá morrer algum dia. É por isso que é muito importante reconhecer que tipo de alimentos precisamos para nutrir as coisas boas em nós. Podemos consumir apenas essas coisas que desenvolvem nosso entendimento, nossa compaixão e nosso amor.

Aqui estão práticas que você pode aplicar em sua vida diária para fortalecer a energia da plena atenção, reduzir a tensão e nutrir a alegria. Você pode começar devagar, aplicando apenas uma prática na sua vida diária e gradualmente aumentando o número. Você não precisa praticar a plena atenção perfeitamente antes que possa compartilhar com as crianças. Quando você começar a praticar já começa a se transformar, e o fruto da sua transformação – mesmo que seja bem pequeno, irá beneficiar seus filhos, seus alunos ou os jovens com os quais você trabalha.

Primeira prática: Estabelecer uma rotina diária de plena atenção

É muito útil separar cinco a dez minutos a cada dia para a respiração consciente, durante a manhã ou à noite. Tente praticar na mesma hora todo dia em um lugar que apóie sua calma e concentração. Você pode sentar em uma cadeira ou numa almofada no chão. Sente-se confortavelmente,com suas costas retas, mas relaxadas. Você pode fechar seus olhos ou mantê-los semi-cerrados. Simplesmente siga sua inspiração e expiração, dando atenção a sua inspiração e expiração do início ao fim. Você pode também usar a meditação guiada abaixo.

Segunda prática: Meditação guiada

Esta meditação guiada pode ser praticada na posição sentada, durante a caminhada ou deitado na cama antes de dormir. Pratique cada exercício por pelo menos dez inspirações e expirações, usando as palavras chave que sumarizam cada exercício. Se sua mente vaguear, apenas gentilmente traga-a de volta para a respiração e para as palavras-chave.

1. Inspirando, sei que estou inspirando
INSPIRANDO

Expirando, sei que estou expirando
EXPIRANDO

2. Inspirando, minha respiração fica mais profunda
PROFUNDO

Expirando, minha respiração fica lenta
LENTO

3. Consciente de meu corpo, eu inspiro
CONSCIENTE DO CORPO

Relaxando meu corpo, eu expiro
RELAXANDO O CORPO

4. Acalmando meu corpo, eu inspiro
ACALMANDO O CORPO

Cuidando de meu corpo, eu expiro
CUIDANDO DO CORPO

5. Sorrindo para meu corpo, eu inspiro
SORRINDO PARA O CORPO

Tranquilizando meu corpo, eu expiro
TRANQUILIZANDO O CORPO

6. Sorrindo para o meu corpo, eu inspiro
SORRINDO PARA O CORPO

Soltando as tensões no meu corpo, eu expiro
SOLTANDO TENSÃO

7.Sentindo alegre por estar vivo, eu sorrio
SENTINDO ALEGRE

Sentindo feliz, eu expiro
SENTINDO FELIZ

8.Habitando no momento presente, eu inspiro
ESTANDO PRESENTE

Desfrutando do momento presente, eu expiro
DESFRUTANDO

9.Consciente da minha postura estável, eu inspiro
POSTURA ESTÁVEL
Desfrutando a estabilidade, eu expiro
DESFRUTANDO

Terceira Prática: Uma ação em plena atenção

Em adição a praticar a respiração consciente diariamente, você pode escolher ficar totalmente consciente de uma ação todo dia. Cada vez que eu subo escadas, eu desfruto de cada passo. Inspirando, eu dou meu passo e sorrio. Expirando, eu desfruto. Eu fiz um tratado com as escadas de meu eremitério que se eu esquecer de desfrutar um passo, se eu der um passo sem plena atenção, então eu volto e tento novamente! Se você gostar, pode assinar um tratado de paz com suas escadas, com uma parte da rota de sua casa ao ponto de ônibus, ou de seu trabalho até o seu carro.

Você pode escolher outras atividades para desfrutar profundamente: talvez escovar os dentes em total atenção, abrir e fechar portas, ligar a luz ou dirigir. Seja quando for que você fizer essas atividades, não permita que sua mente esteja em outro lugar perdida no seu pensamento; traga cem por cento de sua atenção para o ato e faça dele uma meditação.

Quarta Prática: Poemas para respiração

Gathas são pequenos poemas de plena atenção que podemos usar para trazer mais despertar à nossa vida diária. Podemos recitar uma linha com nossa inspiração e a seguinte com nossa expiração. Seja criativo e faça seus próprios poemas para as atividades que você quer mais atenção da mente. Abaixo o Gatha recitado ao acordar.

Acordando nesta manhã, eu sorrio
Vinte e quatro horas novinhas em folha estão diante de mim
Eu prometo vivê-las plenamente atento
E olhar para todos os seres com olhos de compaixão

Quinta prática: meditação do sorriso

É importante não esquecer do nosso sorriso e do poder que tem. Nosso sorriso pode trazer muita alegria e relaxamento para nós e para os outros ao nosso redor ao mesmo tempo. Sorrir é um tipo de yoga da boca. Quando sorrimos, relaxa a tensão na nossa face. Outros notam isto, mesmo estranhos e provavelmente vão sorrir de volta. Ao sorrir, iniciamos uma maravilhosa reação em cadeia, tocando a alegria em cada um que encontramos. Um sorriso é um embaixador da boa vontade. Ao sorrir, tome algumas inspirações e expirações.

Inspirando, eu sorrio
Expirando, eu relaxo e toco a alegria

Sexta Prática: Dia do Ócio

Em todos os centros de prática de Plum Village ao redor do mundo, há um Dia do Ócio uma vez por semana onde não há nenhuma atividade programada exceto as refeições. Quando sabemos como viver profundamente, nosso Dia do Ócio pode ser o dia mais delicioso da semana. Ficar ocioso não significa que não praticamos, mas simplesmente que praticamos por nossa conta. Não há sinos chamando para as atividades, não há agenda, e todos estão livres para fazerem o que quiserem, incluindo dormir ou ler.

O Dia do Ócio é um dia muito sagrado, similar ao Sabath em outras tradições. No Dia do Ócio tentamos ficar o mais ocioso possível. Não é fácil ficar ocioso porque temos o hábito de sempre fazermos alguma coisa.

Se quisermos podemos descansar em uma rede. Podemos praticar meditação caminhando por nossa conta ou podemos organizar um piquenique. Podemos desligar o celular e o computador e dar a nós mesmos tempo e espaço para fazer outras coisas que não podemos fazer nos outros dias, como dar uma longa caminhada, escrever um poema, fazer uma xícara de chá e bebê-la lentamente enquanto contemplamos o céu, ou convidar um amigo para sentar silenciosamente conosco em quanto desfrutamos da sua companhia. Seja o que for que fizermos, fazemos com plena atenção, porque é a melhor maneira de desfrutar profundamente.

Não fazer nada, apenas desfrutar de nós mesmos e o que quer que esteja ao nosso redor é uma prática muito profunda porque todos temos uma energia dentro de nós que nos empurra constantemente a fazer isto ou aquilo. Não podemos sentar ou deitar parados e desfrutar de nós mesmos ou do bonito céu azul. Se não estivermos fazendo algo, não podemos suportar. Temos que praticar de forma a transformar este tipo de energia de hábito que está sempre nos empurrando a fazer ou dizer algo.

Se formos capazes de fazer isso, nosso Dia do Ócio será recompensador. Se não pudermos pegar um dia inteiro, podemos dispor de meio dia ou algumas horas por semana. Cada Dia do Ócio pode nos oferecer diferentes coisas a fazer – não exatamente a fazer, mas a ser.

Do livro “Planting Seeds” – Thich Nhat Hanh)
(Traduzido por Leonardo Dobbin)