A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

(Atenção!!! - Em Julho, no período de recesso, estaremos com outro local de prática! O endereço é na Rua Professora Neuza Lula Rodrigues, n. 150, Casa 11 - Resid. Canachuê - B. Jardim Santa Amália.) Sempre aos sábados, das 07h às 08h! Informações: (65) 9.8143-4379 - Ivan.

domingo, 28 de outubro de 2012

domingo, 21 de outubro de 2012

Meditação muda a estrutura do cérebro


Estudo de Harvard mostra, pela primeira vez, que a prática pode aumentar a concentração de massa cinzenta

Ressonância magnética exibiu variações em áreas ligadas a estresse, aprendizagem e à regulação de emoções

De olhos fechados, em silêncio e, de preferência, sentados, os praticantes da meditação de atenção plena devem se concentrar em apenas uma coisa: a respiração.

A técnica é antiga, da tradição budista, mas começou a ser mais difundida depois de ter sido usada em um curso não religioso de redução de estresse, criado em 1979 por Jon Kabat-Zinn, professor da Escola Médica da Universidade de Massachussets.

Os benefícios da técnica, conhecida também como "mindfulness", já foram relatados em vários estudos.
A lista vai da melhora de sintomas de esclerose múltipla (como diz estudo publicado na "Neurology") à prevenção de novos episódios de depressão (demonstrada em artigo na "Archives of General Psychiatry").

Mas, agora, um estudo mostra, pela primeira vez, os efeitos provocados por essa meditação no cérebro.
A pesquisa, publicada hoje na "Psychiatry Research: Neuroimaging", foi feita pela Harvard Medical School, nos EUA, em conjunto com um instituto de neuroimagem da Alemanha e a Universidade de Massachussets.
E o mais importante: as mudanças ocorreram em apenas oito semanas de meditação em praticantes adultos iniciantes.

As conclusões foram feitas após comparações entre as ressonâncias magnéticas dos que praticaram a meditação e de um grupo-controle que não fez as aulas.

Outros estudos já haviam sugerido que a meditação causa mudanças no cérebro. Mas eles não excluíam a possibilidade de haver diferenças preexistentes entre os grupos de meditadores experientes e não meditadores.

Ou seja, não era possível afirmar se os efeitos eram causados pela prática.

MENOS ESTRESSE

Todos os 16 participantes da pesquisa, com idades de 25 a 55 anos, deveriam obedecer a um critério: não ter feito nenhuma aula de meditação "mindfulness" nos últimos seis meses ou mais de dez aulas em toda a vida.

Eles frequentaram oito encontros semanais, com duração de duas horas e meia.

Também foram instruídos a fazer 45 minutos de exercícios diários e a praticar os ensinamentos da meditação em atividades do dia a dia, como andar, comer e tomar banho.

Para avaliar as mudanças, todos os participantes e o grupo-controle fizeram ressonâncias magnéticas antes e depois do período de aulas.

Os exames iniciais não indicaram diferenças entre grupos, mas as ressonâncias feitas após o curso mostraram um aumento na concentração de massa cinzenta no hipocampo esquerdo naqueles que haviam meditado.

Análises do cérebro todo revelaram mais quatro aumentos de massa cinzenta: no córtex cingulado posterior, na junção temporo-parietal e mais dois no cerebelo.

BENEFÍCIOS
O aumento da massa cinzenta no hipocampo é benéfico porque ali há uma maior concentração de neurônios, afirma Sonia Brucki, do departamento científico de neurologia cognitiva e do envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia.

"Antes, acreditava-se que a pessoa só perdia neurônios durante a vida. Agora, vemos que podem brotar em qualquer fase da vida, e determinadas atividades fazem a estrutura do cérebro mudar."

Isso significa que o cérebro adulto também é plástico, capaz de ser moldado.

No ano passado, um estudo dos mesmos pesquisadores já mostrava redução da massa cinzenta na amígdala cerebral, uma região relacionada à ansiedade e ao estresse, em pessoas que fizeram meditação por oito semanas.

Mas qualquer um que começar a meditar amanhã terá esses mesmos efeitos benéficos em algumas semanas?
"Provavelmente sim", diz a neurologista Sonia Brucki.

Ela ressalta, no entanto, que a idade média dos participantes da pesquisa é baixa e, por isso, não dá para afirmar com certeza que isso acontecerá com pessoas de todas as idades.

Agora, a pesquisadora Britta Hölzel quer entender como essas mudanças no cérebro estão relacionadas diretamente à melhora da vidas das pessoas.

"Essa é uma área nova, e pouco se sabe sobre o cérebro e os mecanismos psicológicos relacionados a ele. Mas os resultados até agora são animadores."

Extraído do jornal Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd3001201101.htm

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Aviso - AMeditar/RS

Clique na imagem para ampliar.

Informe - Agenda Semanal


Queridos amigos e amigas,

informamos que estaremos suspendento temporariamente a prática realizada aos sábados.

Em razão disso, nossos encontros ocorrerão apenas às terças-feiras, sempre no mesmo horário (20h). 

Destacamos ainda que as atividades são gratuitas e abertas aos interessados.

Assim, sejam todos bem vindos, bienvenidos, welcome, namastê!

Muita paz.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Mendigos de Buda

Sem-teto por 4 dias

Sem dinheiro, alimentos ou objetos pessoais, zen-budistas e simpatizantes participam de retiro de rua em São Paulo, experiência que inclui dormir no chão, dividir refeições com desabrigados e aprender a pedir.


Primeira concentração dos participantes do retiro, que só podem levar uma mochila (serve de travesseiro), a roupa do corpo, uma capa de chuva, uma garrafa de água e remédios de uso contínuo, se for o caso.

Por Alessandra Kormann
Colaboração para a Folha

Feriado de Sete de Setembro. Sol, céu azul, mais de 30°C. Dois milhões de carros deixam a capital. Um grupo de 23 pessoas, entre empresários, estudantes e profissionais liberais, começa outra viagem, bem diferente. O destino deles é o centro de São Paulo, em cujas ruas vão morar por quatro dias e três noites, dividindo o espaço com os sem-teto da região.

"Já viajei muito, já estive no Japão, na Índia, no Nepal, mas esse é o lugar mais longe para onde já fui", afirma a artista plástica Leonor Fridman, 49, horas antes de o retiro de rua começar.

Criado pelo mestre budista Bernie Glassman, fundador da ordem Zen Peacemakers (leia à pág.6), o evento acontece há 17 anos em cidades como Nova York, Boston, Denver, Paris e Zurique. No ano passado, foi realizado o primeiro da América Latina, em São Paulo, onde é organizado pela Comunidade Zen Budista do Brasil.

De acordo com o mestre Genro Gauntt, um dos coordenadores, o propósito é "despertar para a inteireza e a unidade da vida". Numa livre tentativa de tradução, a ideia é perceber que todos estão conectados, que um depende do outro no mundo.

"Não é um passeio. É uma experiência de estar na rua, olhando os invisíveis", diz a designer Adriana Muniz Retamal, 40, que saiu de Uberlândia para fazer o retiro. "Espero com isso ter uma compreensão maior da realidade. É mais seguro nos fecharmos em casa e no trabalho, sem contato com esse lado mais punk da vida."

A preparação começa meses antes, com a primeira lição prática de humildade: pedir doações para passagens e hospedagem dos mestres que coordenarão o retiro. Cada participante deve arrecadar R$ 400, que não podem vir de recursos pessoais. O que sobra vai para os sem-teto.

Não é permitido levar quase nada nesse exercício: só a roupa do corpo, em camadas que podem ser retiradas ou sobrepostas; remédios de uso contínuo, se for o caso; capa de chuva; uma garrafa de água, para reabastecer onde for possível; uma mochila; e o bilhete de metrô para a volta. Nada de celular ou escova de dente. Para se misturar mais facilmente aos sem-teto, os participantes são orientados a ficar dias sem lavar o cabelo e sem se barbear.

CASTANHAS E DAMASCOS

"Como sou vegetariana e faço uma dieta com micronutrientes, eu tinha colocado na mochila uvas-passas, castanhas-do-pará e damascos, com medo de ter hipoglicemia. Enquadrei esses alimentos na categoria de remédio (é permitido levar). Também tinha álcool em gel", conta Leonor. "Mas aí me dei conta de que eu iria ficar muito confortável, então tirei tudo."

O grupo não tem um roteiro predefinido, só algumas práticas diárias de meditação e rodas de conselho em que todos trocam experiências.

O lugar para dormir é a rua propriamente dita. Nada de albergues, para não tirar o lugar dos mendigos "reais".

A alimentação deve vir de doações (em dinheiro ou espécie) ou ser obtida nos projetos públicos e de organizações sociais e religiosas que atendem a população de rua.

A empresária Mônica Toledo Silva, que não revela a idade ("Ainda não me desapeguei do medo de envelhecer"), diz estar ansiosa.

"Parece que estou indo a um reality show, desses em que a pessoa fica um tempo no mato ou numa ilha comendo lesmas. Sendo sincera, o que me moveu não foi a espiritualidade, mas sim a curiosidade, a aventura de viver na rua. Tinha até um casamento para ir em Ibiza no feriado, mas nem pensei em desistir."

Durante o retiro, o marido de Mônica, o médico Jorge Ethel Filho, 64, andava pelas ruas do centro na esperança de encontrá-la -em vão. "Estou preocupado se eles vão achar banheiro, como vão se arranjar. Mas vai ser uma experiência e tanto para ela."

PLAYBOYS DE PAPELÃO

O grupo dormiu as três noites no centro antigo de São Paulo, ao relento, sobre papelão. Todos bem juntos, para fugir do frio.

Alguns sem-teto resistiram à nova companhia. "Nos chamaram de 'playboys de papelão'", disse a designer Adriana Muniz. Outro xingou: "Vocês são um bando de fracassados, mais fracassados do que nós", contou ela. Mas, segundo essa participante, surgiram também muitos solidários: "Foram luzes no nosso caminho. Um dos que nos chamou de 'playboys' acabou nos levando comida".

Na volta da experiência, vários participantes relataram que alguns moradores de rua cederam ao grupo zen a própria comida e os melhores lugares para dormir.

"Nunca me senti tão protegida, tão livre. A rua é abundante, nada faltou. Todos os meus medos ruíram. Comi muito bem, frutas, saladas. Nunca me imaginei comendo sob um viaduto; um dia provei ali o feijão mais delicioso da vida. Numa noite, um morador de rua nos trouxe salada fresquinha, paçoquinhas, sanduíches", conta Leonor.

"Senti muito forte a interdependência de todas as coisas. Tenho gratidão por ter tido o privilégio de estar ali e não em uma praia ou qualquer resort do mundo."

A empresária Mônica teve sensação parecida. "Quando eu estava lá, não era mais um reality show, não era mais uma aventura. Era estar igual a todo o resto, sem pena, sem culpa. Com a força da sangha [grupo], despertei uma parte de mim que não enxerga 'eu e os outros', mas sim o todo."

Para Duda Groisman, 42, que há três anos era vice-presidente de multinacional e largou tudo para tocar projetos sociais, o retiro serviu para confirmar o acerto da sua escolha: "Hoje ninguém compra o meu tempo por dinheiro nenhum. É preciso respeitar o tempo em que as coisas acontecem, e o presente é sempre o melhor lugar em que eu posso estar".

O músico Léo Rodrigues, 28, concorda. "Moradores de rua nos dão a presença: você fala, eles escutam com atenção, olham no olho. Na rua, é preciso pensar em uma coisa de cada vez, onde achar comida, papelão para dormir etc. É algo que a sociedade não costuma dar, estamos sempre fazendo várias coisas ao mesmo tempo. É muito libertador viver o presente."

A dificuldade para dormir que ele teve foi aprendizado, diz. "O chão é frio, duro. Não tinha nada para usar de travesseiro. Acordei torto. A noite ficou muito mais longa. Mas, por mais longa que fosse, uma hora amanhecia. Isso deu mais paz para esperar. Não importa o tamanho do desespero, uma hora acaba."

SERVIÇO

O próximo retiro de rua está previsto para 7/9/2013.

INFORMAÇÕES
zendobrasil@gmail.com ou pelos sites http://zendobrasil.org.br e www.monjacoen.com.br.