A Associação Meditar é uma sociedade civil sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne as 4ª feiras - 20 h - e aos sábados - 8 h - para meditar e estudar na Academia Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Então, bom Natal!


Há uma mudança de energia mental, os povos ficam mais sensíveis e fraternos independente da opção religiosa

Luiz Fernando Vieira
Da Redação

O Brasil, como uma terra de muitas raças, é também um grande caldeirão de religiões. Apesar de representar a orientação religiosa da maior parte da população, o catolicismo é apenas uma das que são seguidas no país. O Natal, por conta de uma difusão maior do modo de celebrar dos católicos, acabou se tornando uma das mais esperadas e importantes festas dentro do calendário brasileiro. Porém, há muitas pessoas que não encaram da mesma forma, como as Testemunhas de Jeová, os espíritas, os muçulmanos, os budistas e muitos outros.

Até mesmo entre as religiões católicas há diferenças. Por exemplo, os fiéis da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, também chamados de católicos ortodoxos, celebram seu Natal no dia 7 de janeiro - eles seguem o calendário juliano, enquanto o catolicismo segue o gregoriano. Ainda que seja uma ocasião de grande importância para eles, a data não é tão relevante quanto a Páscoa.

É como pensam também as Testemunhas de Jeová. O cinegrafista Belmiro Dias dos Santos diz que, para eles, a celebração mais importante é o período pascal, pois representa a morte e ressurreição de Jesus Cristo, quando deu sua vida para a salvação da humanidade. Além do mais, informa ele, não há precedente bíblico para a escolha do dia 25 de dezembro, que seria uma referência às festividades romanas pagãs que eram realizadas por volta do solstício de inverno no Hemisfério Norte. "Para nós é um dia comum, não participamos dessa comemoração, não trocamos presentes". Belmiro frisa que o clima de alegria, as manifestações de generosidade e o meditar são bem-vindos. Porém, as Testemunhas de Jeová entendem que deve ser algo que esteja sempre presente no dia-a-dia das pessoas. Não somente no Natal.

O psicólogo Lacordaire Abrahão Faiad, que é membro da Federação Espírita de Mato Grosso, reforça essa necessidade. Ressalta que neste período há uma mudança de energia mental, os povos ficam mais sensíveis, com foco em questões como fraternidade, cooperação. É uma prova de que é possível fazê-lo no restante do ano, só depende de cada um de nós, é uma mudança dentro para fora, diz. Os espíritas, segundo ele, não têm o Natal como uma data ritualística, mas consideram que o momento merece todo o respeito. É uma oportunidade de lembrar de Jesus Cristo, considerado por eles modelo e guia da humanidade.

Membro da Associação Meditar de Cuiabá e seguidor dos ensinamentos budistas, Ivan Deus Ribas explica que o Natal, assim como os outros dias, é uma oportunidade de celebrar uma continuidade da vida, de festejar o aqui e agora, de meditar. Cada dia, prossegue, é único, uma dádiva de Deus que precisamos valorizar, o verdadeiro milagre. Uma época que traz esse sentimento com mais força e reafirma a importância da prática da fraternidade, da caridade, da busca pela paz. Ivan destaca que é preciso ter plena consciência das coisas e das pessoas à nossa volta, que precisamos parar e pensar sobre o que queremos para nossas vidas.

É interessante notar que entre os judeus, o povo de Jesus Cristo, não há referência a essa comemoração. Eles, obviamente, reconhecem o nascimento de Jesus, mas dizem que a data não tem o mesmo significado que para os católicos. Os judeus não crêem nele como um messias. O que acontece no caso da tradição judaica é a comemoração do "Chanukah", que em Israel se inicia normalmente no final do mês do calendário hebraico "Kislev", que correspondente a dezembro. É uma referência à restauração da soberania do povo judeu, que expulsou os gregos e recuperou o templo de Jerusalém.

Na cultura dos muçulmanos não existe o Natal. Eles possuem comemorações que se assemelham, mas não tem o mesmo significado. Por exemplo, o ato de dar presentes ajudaria a "levar a maldade embora", segundo os ensinamentos de Maomé, o projeta maior de acordo com a religião muçulmana. Para eles também não existe Deus e sim Alá. A religião islâmica tem, sim, duas festas, uma que celebra a existência ou a chegada do Alcorão (que seria a bíblia islâmica) e a festa do sacrifício.

E celebrações parecidas ocorrem também com os Hindus, que têm o seu "Diwalli" (festa em que as famílias se reúnem), os chineses, os ciganos. Em todas essas festas é interessante notar que as pessoas se reúnem para reverenciar suas divindades ou guias espirituais, celebrar a união e confraternizarem-se entre familiares e amigos. Enfim, têm o mesmo espírito do Natal. O desejo de crer em algo superior é em que devemos nos espelhar para sermos pessoas melhores.
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Texto publicado no jornal A Gazeta em 25.12.2010:

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Reconciliação


Por Thich Nhat Hanh


Sabemos que a transformação e cura que procuramos é obtida através do insight e entendimento. Graças ao entendimento e compaixão, soltar se torna possível. O Buda disse que nossas aflições – medo, tristeza e dor – nascem da falta de entendimento. É por isso que a prática de olhar em profundidade é tão importante para ganhar insight. No budismo, salvação e emancipação são realizadas através do entendimento. Olhar em profundidade nos ajuda a entender a natureza do nosso sofrimento e também a natureza do sofrimento da pessoa a quem acreditamos ser a causa de nossa tristeza.

Cerca de quinze anos atrás, um garoto suíço de quinze anos costumava vir e ficar em Plum Village. Todos os verões, ele vinha com sua irmã mais nova e praticava conosco. Este garoto não gostava de seu pai. Ele tinha muita raiva porque seu pai não falava amavelmente. Se o garoto caía quando estava brincando, ao invés de ajudá-lo e confortá-lo, seu pai sempre gritava: “Você é estúpido! Porque você fez isso?” O garoto achava que seu pai deveria ajudá-lo com palavras educadas. Ele tinha dificuldade em entender seu pai e prometeu que se comportaria diferentemente quando fosse adulto. Se seu filho caísse algum dia e se ferisse, ele o ajudaria e o confortaria.

Um dia, este garoto estava sentado em Lower Hamlet observando sua irmã brincar em uma rede com outra menina. Elas estavam balançando e de repente a rede virou e ambas caíram no chão. Sua irmã cortou a testa. Quando o garoto viu sua irmã sangrando, ficou furioso e estava quase gritando com ela “Você é estúpida! Porque você se feriu assim?” Mas como conhecia a prática, ele voltou para sua respiração e decidiu fazer uma meditação caminhando. Durante sua meditação caminhando, descobriu algo maravilhoso: ele era exatamente como o pai. Ele tinha o mesmo tipo de energia, como ele a chamou, estupidez. Quando seus amados estão sofrendo, você deveria ser amoroso, suave e prestativo e não gritar com eles com raiva. Ele viu que estava se comportando exatamente como seu pai. Aquilo era seu insight. Imagine um garoto de 14 anos praticando assim. Ele percebeu que era a continuação de seu pai e tinha o mesmo tipo de energia, a mesma semente negativa.

Continuando a meditação caminhando, ele descobriu que não poderia transformar sua raiva sem prática e se não praticasse, transmitiria a mesma energia de hábito para seus filhos. Eu acho notável para um menino de 14 anos ter esse sucesso na meditação. Ele obteve estes dois insights em menos de quinze minutos de meditação caminhando.

Seu terceiro e último insight foi que ele deveria voltar a Suíça e conversar sobre suas descobertas com seu pai. Ele decidiu convidar seu pai para praticar com ele de forma que ambos pudessem transformar sua energia. Com esse terceiro insight, sua raiva de seu pai desapareceu porque ele entendeu que seu pai era também vítima da transmissão de uma semente negativa. Seu pai poderia ter obtido essa semente de seu próprio pai. Eu fiquei espantado com esse terceiro insight porque significava que o jovem garoto era capaz de entender que seu pai era uma vítima da transmissão.

Muitos de nós sofreram por causa de nossos pais. Muitos de nós têm uma criança ferida dentro de si. Alguns dizem: “Eu não quero ter nada a ver com meus pais.” Isto não é possível porque somos a continuação deles; nós somos nossos pais. Não há forma de escapar disso. O único caminho é buscar reconciliação conosco mesmo e com os nossos pais internos. Não há outra maneira. O caminho é claro. Fomos vítimas de comportamentos negativos, sementes negativas, mas através da prática profunda, percebemos que a outra pessoa pode também ser vítima da transmissão dessa semente. Ele nunca conheceu um professor e uma sangha e a semente não foi transformada. Depois, ela nos foi transmitida. Quando você vê seus pais como vítimas da transmissão, sua raiva desaparece. Esta prática de olhar em profundidade para ganhar entendimento e liberdade da sua raiva é muito importante.

Uma vez, todos que estavam em Upper Hamlet em Plum Village foram convidados a escrever uma carta de amor ao seu pai. Um jovem praticante dos Estados Unidos disse que nunca seria capaz de escrever essa carta. Apenas pensar sobre seu pai o fazia ficar com raiva e causava a ele muito sofrimento. Seu pai havia, na verdade, morrido, e mesmo assim não havia reconciliação entre eles. Eu propus que ele fizesse o seguinte exercício por uma semana: “Inspirando, me vejo como um garoto de cinco anos. Expirando, eu sorrio para mim mesmo como um garoto de cinco anos.” Inspirando, eu pedi que ele se visualizasse como um garoto de cinco anos muito vulnerável. Quando ele viu o quanto era vulnerável, ficou fácil para ele ter compaixão pela criança que tinha sido.

Expirando, ele sorriu para si mesmo como uma criança de cinco anos. Com cinco anos, ele já tinha experimentado problemas e sofrimentos com seu pai. Talvez ele tenha tentado dizer a seu pai alguma coisa, mas não pode encontrar as palavras. Enquanto estava procurando, seu pai, que poderia estar de mau humor, pode ter gritado, “Fique quieto!” Isto pode ter criado uma ferida no jovem coração do garoto e o fez ter medo de tentar de novo. Ele nunca foi capaz de dizer a seu pai sobre seu sofrimento e dificuldades porque não era encorajado a isso. Seu pai não tinha paciência para ouvir. Quando ele expirava, usou a compaixão que havia nascido nele para abraçar o garoto de cinco anos. “Inspirando, me vejo como um garoto de cinco anos. Expirando, sorrio para mim mesmo como um garoto de cinco anos.”

Na semana seguinte, eu dei a ele um novo exercício: “Inspirando, vejo meu pai como um garoto de cinco anos. Expirando, sorrio para meu pai como um garoto de cinco anos.” Talvez você nunca tenha pensado em seu pai como um garoto vulnerável de cinco anos. Se você puder vê-lo assim, o entenderá. Como você, ele pode ter sido uma vítima e carregou uma criança ferida dentro dele.

Você pode pedir uma foto de seu pai quando era um pequeno menino. O jovem americano pediu uma e colocou-a na sua mesa. Cada vez que saía ou entrava no seu quarto, ele parava, olhava seu pai nos olhos e praticava inspirar e expirar conscientemente três vezes. Ao mesmo tempo, ele praticava visualizar seu pai como um menino de cinco anos. Finalmente, ele descobriu que seu pai era também uma vítima que não teve a chance de praticar e realizar uma transformação. Quando foi capaz de ver seu pai como uma vítima, sua raiva começou a se dissolver. Uma noite, ele sentou e escreveu uma carta de amor para seu pai: “Papai, sei que você sofreu também muito quando era criança, e que não sabia como transformar seu sofrimento, portanto você o transmitiu para mim.” Depois de escrever a carta, ele estava transformado e sabia que a reconciliação era possível.

Quando tomamos uma ducha ou um banho temos a chance de praticar olhar em profundidade para nosso corpo. O Buda nos convida a olhar para a natureza de cada elemento e achar seu vazio de transmissão ou sua natureza interser. Os três elementos são um e interdependentes e não podem existir como entidades separadas neles mesmos. Os três elementos na transmissão são: aquele que transmite, o objeto transmitido e o recebedor da transmissão. O Buda nos convida a olhar para a natureza de cada coisa e achar o vazio da transmissão. Perguntamos: O que meu pai transmitiu para mim? A resposta é: ele transmitiu ele mesmo a mim. O objeto transmitido não é menos que ele mesmo, e eu realmente sou a continuação de meu pai. Eu sou meu pai. O objeto da transmissão é uno com o transmissor. Então perguntamos: Quem é o recebedor da transmissão? É uma entidade separada? Não. O recebedor da transmissão é o objeto da transmissão e também o transmissor.

Quando você penetra nesta verdade, a realidade do vazio da transmissão, não pode mais dizer, “Eu não quero ter nada a ver com meu pai. Eu estou com muita raiva.” Na verdade, você percebe que você é seu pai. Você é a continuação dele e a única coisa que pode fazer é se reconciliar com ele. Ele não está fora, está dentro de você. A paz é possível somente com conhecimento e reconciliação.

Se reconhecermos algo como positivo, saudável e bonito, então desenvolveremos e preservaremos isso. Se reconhecermos algo como negativo e destrutivo, então abraçaremos e a transformaremos. Quando somos capazes de adquirir essa transformação, fazemos isso não apenas por nós mesmos, mas por nossos pais, mães e nossos ancestrais. É por isso que quando eu pratico inspirar e acalmar, e expirar e sorrir, eu estou liberando meu pai, minha mãe e meus ancestrais. Estou também liberando meus filhos e seus filhos. Cada vez que dou um passo em paz e feliz, faço isso por todos os meus ancestrais. Esta prática nos ajuda a transformar e curar. Fazemos isso por todos ao mesmo tempo. Apenas através da prática que a reconciliação verdadeira é possível.

A reconciliação acontece dentro de nós, não precisamos sentar com a outra pessoa para alcançar a reconciliação. Alguém uma vez me escreveu: “Thay, sei que fiz muitos erros no passado e agora quero me reconciliar com minha filha. Mas cada vez que escrevo para ela a fim de encontrá-la, ela recusa. O que posso fazer?” Você pode acreditar que a reconciliação só é possível encontrando e falando com a outra pessoa. Isto acontece porque você não alcançou a reconciliação dentro de si mesmo e é difícil visualizá-la com outra pessoa. A verdadeira reconciliação é feita através do insight e compaixão. Quando você tem insight e compaixão, ajudar a outra pessoa se torna mais fácil. Quando a reconciliação é interna, paz e amor se tornam possíveis. Se você incorporar paz e amor, pode mudar a situação mais facilmente.

Pergunta: Não entendi como minha prática no presente – me tornar mais pacífico, calmo e viver com mais bondade e compaixão – pode ajudar meus ancestrais, mau avô, minha avó e tio. Como isso pode tornar a vida deles mais bonita quando eles morreram em campos de concentração? Eu não entendo como nossa prática se aplica aos horrores como o genocídio.

Thay: Há aflição e sofrimento dentro de nós. Nosso sofrimento representa o sofrimento individual e o sofrimento de nossos ancestrais, pais e da sociedade. Cada vez que praticamos a respiração consciente e tomamos cuidado de nossos corpos e sentimentos, aliviamos parte de nosso sofrimento. Temos o benefício da transformação e cura e nossos ancestrais e a sociedade também obtêm esse benefício. Qualquer sorriso que produzimos afetará a sociedade. Podemos tocar a sociedade dentro de nós. Cada passo que damos em plena consciência que nos traz um pouco mais de solidez, liberdade e alegria também beneficia a sociedade e nossos ancestrais.

Não pense que o que você faz para você mesmo não afeta o resto da sociedade e o mundo. Paz e liberdade sempre começam com nossa própria prática. Sabemos que o indivíduo contém o todo. A emancipação do indivíduo é também a emancipação da sociedade, do elemento coletivo em nós.

A vitória de Sidarta aos pés da árvore de Bodhi não foi a de um indivíduo sozinho. Foi para a paz, alegria e emancipação de muitos, muitos seres vivos. Se a transformação acontece em nós, ao mesmo tempo, acontece no mundo. Mesmo se você não vê, a transformação acontece. Se a paz está em você, a paz se torna possível em cada lugar do cosmos. Quando você tem paz interior, você olha para o mundo e ele é diferente. Acho que muitos de nós já tiveram essa experiência.

(Traduzido do livro “The Path of Emancipation” – Thich Nhat Hanh – por Leonardo Dobbin)
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"Meditação no Parque: paz a cada passo" - 18.12 (Sábado)


Queridos amigos,

nestes sábado, 18.12.2010, haverá a prática de meditação andando no parque Mãe Bonifácia. Um momento para abraçarmos a vida que reside em nós e em tudo que nos rodeia. Venha participar!

Local: Parque Mãe Bonifácia
Horário: 08:00 (pontualmente)
Ponto de encontro: entrada principal (estacionamento de pedrinhas)
Percurso: trilha interativa - 40 min.

** A atividade é gratuita e aberta a todos os interessados! Sejam bem vindos!

Muita paz.

Informações:
Ligia - (65) 3052-6634
Ivan - (65) 9202-9925

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sessão Pipoca Zen!!! - 12.12 (domingo)


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"Um Vazio, dois pipoca, três estouros...e uma bacia de contentamento"

Sessão Pipoca Zen!!! e Confraternização de Final de Ano!


Queridos amigos, em razão de problemas técnicos tivemos que alterar o filme à ser assistido. Aproveitamos a oportunidade para convidar todos os interessados. A entrada é gratuita! Após, haverá a confraternização de final de ano! Quem puder, traga quitute para compartilharmos! Muita paz!

Dia: 12.12.10
Horário: 16:30
Filme: Kundun
Sinopse: Em 1933, morre o décimo-terceiro Dalai Lama. Quatro anos depois, em uma remota área do Tibet, encontrado um menino de dois anos, que identificado como a reencarnação de Dalai Lama, o "Buda da Compaixão". Dois anos mais tarde, o garoto levado para Lhasa, onde educado como um monge e preparado para se tornar um chefe de estado. Quando tem 14 anos passa a enfrentar problemas com a China, que pretende tomar posse do Tibet.
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Local: Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, nº 137 - Araés
(próximo a TVCA, ao lado da Escola Jardim Moitará)

Informações:
Ivan - 9202-9925
Ligia - 3052-6634

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Agenda de Atividades de Final de Ano


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

é com grande alegria e satisfação que convidamos a todos para participarem das atividades de final de ano. Destaque para a Confraternização que acontecerá no dia 12.12 (domingo), logo após a Sessão Pipoca Zen. Fica combinado, para quem puder, levar um quitute para compartilharmos. Informamos ainda, que haverá recesso do dia 20.12 a 22.01.2011. Veja abaixo detalhes da programação. Participe.

11 de dezembro (Sábado)
prática de meditação - 8 h

12 de dezembro (Domingo)
Sessão Pipoca Zen! e Confraternização de final de ano!
Filme: Samsara
Horário: 16:30 h
Após o filme, haverá a festinha de encerramento do ano!
Queridos, vamos combinar assim, quem puder, leve um quitute ou uma guloseima para compartilharmos em nossa festa de confraternização!

14 de dezembro (terça-feira)
tai chi chuan - 19 h
meditação - 20h

18 de dezembro
"Meditação no Parque: paz a cada passo"
Local: Parque Mãe Bonifácia - 08h
Ponto de encontro: entrada principal (estacionamento de pedrinhas!)

Informações:
Ivan - 9202-9925
Ligia - 3052-6634

Sessão Pipoca Zen!!! - 12.12 (Domingo)


" ..Um Vazio, dois pipoca, três estouros...e uma bacia de contentamento!"
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Confraternização de encerramento do Ano e Sessão Pipoca Zen!!!

Dia 12 de dezembro de 2010
Horário: 16:30 h
Filme: Kundun
Local: Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, nº 137 - Araés
(próximo a TVCA, ao lado da Escola Jardim Moitará)
Entrada gratuita e aberta a todos os interessados! Sejam bem vindos!!!
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Informações:
Ivan - 9202-9925
Ligia - 3052-6634

Ouvir a voz do vale


Por Shundo Aoyama Rôshi


A água do rio flui sempre, sem cessar. Flui rápida, não pára um só instante e se vai. Seu murmúrio evoca em mim o eco do tempo.
A água do tempo brilha no leito do Universo, sempre correndo, fluindo. Pedras, árvores, casas e cidades também fluem vagarosamente nesta correnteza, assim como os seres. Tudo isso pode parecer imutável, mas na verdade essa idéia não passa de uma ilusão.
Apenas nós, seres humanos, acreditamos erroneamente que tudo é imutável. Esforçamo-nos para não sermos levados pela correnteza e lamentamos por tudo que se vai. No entanto, mesmo sofrendo e desdobrando-nos, caindo sete vezes e nos levantando oito, não há como parar o fluir, que envolve também nossa dor e nossa luta.
Ao invés disso, é melhor ver as coisas como são e nos juntarmos a essa correnteza, com suavidade. Apenas assim poderemos encontrar prazer na fugacidade das coisas, uma vez que é justamente essa fugacidade que tece as mais diversas figuras na tapeçaria da vida.
Quando o shijo [três toques do sino] anuncia o início do zazen [meditação sentada] e tudo está em silêncio, a voz do rio é alta e clara. Durante a caminhada kin'hin [meditação andando], seu som se atenua. E ao final da meditação, ao som do chukai [sinal do término da meditação], a voz do vale desaparece completamente. É muito interessante. Por que será? O som do rio do vale aumenta, diminui, desaparece, mas não é o rio que muda. Quando as ondas de nossa mente se acalmam, podemos ouvir o sermão sem palavras da água, das gotas, da erva, das árvores, dos seixos e das montanhas nos ensinando a transitoriedade de todas as coisas. Quando surgem pensamentos, todos se calam. Na verdade, eles não deixam de falar; nós é que perdemos a capacidade de ouvi-los.
O que acontece com nossos ouvidos também acontece com nossos olhos. Quando o olhar da mente é límpido, vemos tudo como realmente é, de modo natural. Mas assim que os olhos se distraem com objetos externos, não vemos mais. Perdemos a capacidade de ver corretamente. Sons e imagens nos atacam, nos arrastam, nos puxam. Coisas que deveríamos ver, não vemos. Coisas que deveríamos ouvir, não ouvimos. Não é assim?
Se escutarmos o rio sem atenção, a água que corre parece ter um ritmo constante e ininterrupto. Entretanto, nenhuma gota d'água passa duas vezes sobre a mesma pedra. Não é nunca a mesma gota que forma o leito do rio ou o murmúrio da correnteza. A imutabilidade é apenas uma ilusão dos olhos e dos ouvidos humanos. Uma vez que tenha passado, a água não corre nunca mais no mesmo ponto do rio.
A vida humana não é diferente. Acreditar que ontem é igual a hoje é resultado de nossa ignorância e insensibilidade. Não nossas mentes e nossos olhos deludidos que vêem o passado igual ao presente. Os olhos iluminados vêem claramente a imagem das coisas em eterno movimento e reconhecem que um instante é diferente de qualquer outro.

Escrito durante a participação no Nehan Sesshin (retiro em memória à morte de Shakyamuni Buddha, realizado todos os anos em fevereiro) no Mosteiro Sede de Eihei-ji, em Fukui-ken.
(Shundo Aoyama Rôshi. Para uma pessoa bonita: Contos de uma mestra zen. Prefácio da MonjaCoen, traduzido por Tomoko Ueno. São Paulo: Palas Athena / Zen do Brasil, 2002. Pág. 17-18.)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Agenda de Atividades - Participe!!!


Queridos amigos,


destacamos abaixo agenda de atividades da Associação Meditar de Cuiabá. Informamos que a programação é gratuita e aberta a todos os interessados. Sejam muito bem-vindos.


Paz a cada passo!

3a feira - 19 h - Tai Chi Chuan - 20 h - Meditação e estudo

Sábado - 08 h - Meditação e estudo

Segundo Sábado do mês - "Meditação no Parque: paz a cada passo" - 08 h

Domingo - Sessão Pipoca Zen - data informada no site (préviamente)

Informações:

(65) 9202-9925 - Ivan

(65) 3052-6634 - Ligia

Local: Academia Ligia Prieto Rua Ministro João Alberto, nº 137 - Araés
(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Nova inteligência na gestão e ação no mundo - 5/5


Por Lama Padma Samten


Visão é essencial à gestão, por isso precisamos de uma nova inteligência. As dificuldades que enfrentamos hoje vêm do fato de que a formação dos gestores leva-os a uma visão imprópria da realidade. Leva-os a uma circunstância onde os obstáculos e sinais não auspiciosos se multiplicam em todas as áreas. A economia e a gestão evidentemente atuam dentro de um ambiente sutil volátil e não em um mundo fixo e matemático. É um mundo onde sentimentos, emoções, impulsos, sonhos e medos têm o poder de criar realidades e definir as ações a serem tomadas. Hoje percebe-se a importância de trazer aos gestores uma abordagem mais ampla onde se possa compreender melhor os fatores imponderáveis que teimam em flutuar diante dos olhos, afetando planejamentos e sonhos aparentemente tão bem estruturados. Niels Bohr, Prêmio Nobel de Física, formulador da abordagem filosófica da física quântica, a teoria da complementaridade, enfrentou dificuldades semelhantes na física do mundo microscópico, onde o comportamento da matéria parecia demasiado estranho e imprevisível. Devemos a ele especialmente a reintrodução da importância do papel do observador na constituição da realidade, que parece algo externo ao observador. Niels Bohr evidenciou de modo acadêmico que a não inclusão da influência do observador no que parece ser um mundo externo desconsiderava uma variável do problema, e isso produzia ambiguidades na compreensão dos universos de estudo considerados. Numa linguagem budista, as coisas são sempre definidas em nível sutil, construímos mundos que parecem externos e ficamos presos a eles. Sua Santidade o Dalai Lama, Prêmio Nobel da Paz de 1989, diz que a mente é livre e luminosa, pode sonhar coisas positivas e negativas. Quando cria o que é positivo, isso resulta em felicidade e equilíbrio; quando cria negatividades, isso resulta em sofrimentos e dificuldades. William James, assim como Ludwig Wittgenstein, desde o final do século XIX já apontava de modo minucioso a importância da compreensão do papel do observador no tratamento da realidade. Essencialmente, nossa visão fica limitada ao espaço abstrato das possibilidades que sonhamos. A realidade como a sonhamos – trata-se de um sonho que vemos mesmo quando despertos – delimita as possibilidades do que pode ser visto e do que não será visto. Estamos presos aos mundos, referenciais, opções e sonhos que construímos. Compreendendo o poder decisivo desse elemento, não somos mais vítimas de realidades externas, mas entendemos que temos o recurso de sonhar mundos mais positivos. Quando entendemos isso, novas palavras ganham sentido: inseparatividade, coemergência, impermanência, sofrimento, sustentabilidade, complexidade, complementaridade, mandala. Essa complexidade permite ações eficientes, que consideram as variáveis verdadeiramente presentes. A solidez da realidade vem de dentro dos sonhos, dessa região sutil surge o referencial das nossas ações e não de uma aparente realidade rígida e externa. Somos desafiados a sonhar na direção correta. É o exercício de uma liberdade para a qual talvez nunca tenhamos sido treinados pelo sistema de ensino, não importa por quantos anos o tenhamos percorrido. De Sua Santidade o Dalai Lama vem o conselho do bom senso: nossas ações deveriam ter por objetivo causar felicidade e não causar sofrimento. É simples na forma, profundamente desafiador na ação. E essencial como motivação básica, como eixo para todas as nossas ações. É evidente que a ação dos cientistas deveria resultar em felicidade e não em sofrimento, assim como as ações dos administradores, economistas, engenheiros, médicos, políticos, produtores rurais, professores, pais e mães. Isso é apenas bom senso. Na visão budista, nossa existência no mundo se dá através de processos de relação; portanto, nossas ações deveriam ter como meta produzir melhores relações de nós conosco mesmo, com as outras pessoas, com as autoridades locais e com a natureza. É evidente que relações negativas conosco mesmo, com os outros, com as autoridades e com a natureza vão causar problemas. Nesse ponto há um componente adicional mágico da realidade: observamos que, ao agir segundo esses referenciais, surge em nós a experiência de uma energia natural e positiva, e também de felicidade. Observamos que, se esse referencial não está presente, mesmo que estejamos brilhando em meio a vitórias e desafios, não há felicidade e nossa energia flui com esforço. Na ausência de uma motivação positiva, nossa vida parece carecer de sentido e eventualmente dá a sensação de um fardo pesado. A falta de referenciais positivos está na raiz dos desequilíbrios sociais e individuais que têm se manifestado como uma epidemia. Vivemos um novo gulag. Uma cultura impõe sobre nós sentidos e significados aparentemente fixos, externos, reais, mas as consequências negativas na forma de desequilíbrios são diagnosticadas como fragilidades individuais. Assim, as vítimas dos referenciais dessa cultura são punidas por seu comportamento e, quando esgotadas, são tratadas individualmente como doentes físicos e mentais. Questões amplas são reduzidas a questões individuais. Como resultado não há progresso na repressão às agressões a nós, aos outros, às lideranças locais e à natureza, e tampouco no que diz respeito ao equilíbrio interno e à felicidade. Na perspectiva budista, precisamos avançar para uma visão que abarque todos os componentes da realidade. Ao assumir os recursos da visão mais ampla, nossas ações se tornam naturalmente positivas, sem a necessidade de regras e repressão. Além disso, surge progressiva tranquilidade e felicidade, e reconhecemos a preciosidade da vida humana que temos. Surge a experiência da mandala da lucidez. A mandala é do que precisamos desde sempre, individual e coletivamente. Nossa necessidade pode ser resumida em uma palavra

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mandala da Cultura de Paz - 4/5


Por Lama Padma Samten
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Em nossa ação no mundo, nosso objetivo maior não será o indivíduo, mas a sociedade. Em vez de nascimentos individuais dentro da Mandala da Cultura de Paz, vamos trabalhar para dar o nascimento de grupos na mandala. O processo social é mais importante do que o individual. Quando a cultura de paz se estabelece socialmente, ou seja, um número significativo de pessoas se relaciona, estabelece uma linguagem e cria uma visão, essa visão é a geradora natural de várias ações positivas. Surgem as iniciativas práticas, projetos, construções, treinamentos etc. A energia positiva está presente e dá vida a tudo.
A partir da mandala, o trabalho social deixa de ser uma forma de treinamento em aptidões práticas. Torna-se um processo no qual o eixo, o fio, o referencial básico é que o outro nasça para visões mais elevadas, e naturalmente, em algum momento, para as visões da perfeição da sabedoria. O objetivo é que as diversas etapas sejam um trajeto nessa direção.
O treinamento para criar habilidades de geração de renda é importante, mas a motivação deveria ser elevada, e não apenas a de acessar mais intensamente um processo hedonista. Se as pessoas gerarem renda dentro de um processo de lucidez, perfeito. A renda pode ser muito útil. Mas tomarmos a geração de renda como um objetivo em si é um engano. Apenas mantém o processo hedonista atual que nos coloca na dependência das situações externas, que nos limita a percebermos o mundo através das sensações do gostar e não gostar, à mercê das configurações flutuantes, incertas e frustrantes do mundo.
É natural que, a partir da visão hedonista, busquemos poder; entre estes o poder econômico. A formulação teórica do hedonismo converge para a visão econômica da realidade. Tudo se resume a economia. Com recursos econômicos, podemos dispor de muitas pessoas para atender nossos desejos; contratamos pessoas para que manipulem as aparências por nós.
Mesmo algumas abordagens da cultura de paz podem ficar limitadas a projetos de geração de renda, meios econômicos de manipular a realidade externa. As pessoas imaginam que, tendo dinheiro, vão obter paz e felicidade. Isso é um equívoco.
Para produzir paz, é necessário ampliar a visão, alcançar a mandala, abandonar as visões menores. Precisamos olhar as pessoas e dizer: "Sim, ela pode estar dentro da mandala!". Olhar para os nossos filhos e dizer: "Ele está dentro da mandala!". Mas isso não é muito fácil. Quando olhamos para os nossos filhos, na cultura em que estamos, pensamos: "Ele precisa ser um engenheiro, um profissional competente em alguma área, para ganhar dinheiro. Só assim ele será feliz". Mesmo com nossos filhos não conseguimos ter uma visão de mandala; tampouco conosco mesmos.
Muitas vezes, nossa prática espiritual está atrelada à visão econômica: "Para ter sucesso econômico, preciso estar estável. Assim terei condições de competir melhor, galgar posições e ganhar mais dinheiro". Com essa motivação não meditamos para atingir a liberação, mas para ficar mais lúcidos, mais saudáveis, para obter os resultados comuns do mundo. Essa é a perda da visão da mandala. Não chegaremos a lugar algum com isso.
A visão da mandala é essencial. Sem a visão correta, a própria noção de cultura de paz perde o sentido e deixa de ser uma solução. A partir da noção de mandala temos uma linguagem para trabalhar de uma forma integrada, sem precisarmos nos isolar do mundo. Surge um caminho gradual, um fio que se constitui no referencial profundo para as ações aparentemente externas no mundo.

sábado, 27 de novembro de 2010

Todo mundo na mesma mandala - 3/5


Por Lama Padma Samten


Somos inseparáveis das mandalas em que vivemos. Podemos até não saber em que mandala vivemos, mas todos nós vivemos dentro de uma mandala. Apesar de estarmos todos no mesmo lugar, de certa forma não estamos. Cada um vê a sua experiência de um certo jeito. No budismo, classifica-se a experiência da realidade em seis reinos – dos deuses, semideuses, humanos, animais, seres famintos e seres dos infernos. Todos coabitam as mesmas regiões enquanto aparência. No aspecto sutil, porém, cada um vive em um lugar.
E onde vivem os budas que andam pelo mundo? Vivem no tatagatagarba, a mandala dos tatagatas. Tatagatas são os budas que andam no mundo. O tatagata caminha pelos mesmos lugares que os seres dos seis reinos, mas vê o que os demais não conseguem: a natural perfeição de tudo. Os tatagatas têm uma visão pura do mundo. Essa é a experiência do tatagatagarba. E essa é a diferença entre qualquer ser dos seis reinos e um buda. O buda vive no tatagatagarba, e os demais seres vivem nos seus âmbitos particulares.
Os budas são aqueles que entram na mandala da lucidez. E, na Mandala da Perfeição da Sabedoria, da lucidez, os budas vêem todos os seres com a natureza de buda, com a natureza livre. Quando os budas vêem dessa forma, é como se todos os seres estivessem no mundo de perfeição, manifestando as qualidades da natureza última – e estão! Essa é a visão dos budas, e é por isso que são budas.
Quando os budas entram no tatagartabada, não entram individualmente; eles e todos os seres entram no mesmo instante. Para entrar no tatagatagarba, os budas precisam reconhecer que todos os seres têm a natureza de buda. Essa é uma experiência maravilhosa, extraordinária. Não é possível entrar sozinho, ninguém atinge a iluminação sozinho!
Quando um buda atinge a iluminação, ele desenvolve a visão pura que permite que todos os seres sejam vistos como budas ao mesmo tempo. Se alguém afirmar que atingiu a iluminação, mas deixou seres do lado de fora porque não podiam ou não mereciam entrar, alguma coisa está errada. Os budas olham tudo a partir da Mandala da Perfeição da Sabedoria, de onde reconhecem todos os seres vivendo além da vida e da morte. É um espaço além do espaço e do tempo.
Quando não temos a visão ampla, quando nossa visão é parcial, acreditamos que apenas alguns têm a natureza de buda, que apenas alguns são budas. Isso é uma falha da nossa visão, uma limitação. Se a visão se ampliar mais um pouco, veremos que outros seres serão incluídos na lista. Quanto mais ampla for a nossa visão, maior será a nossa lista. A inclusão é, portanto, o referencial que baliza nosso progresso. No momento em que incluímos o outro, ele está conosco dentro da mandala. Do mesmo modo, no momento em que o excluímos, sem perceber também saímos da mandala.
Se alguém estiver fora, é porque nós também não entramos ainda. Assim, vemos que a impossibilidade do outro estar na mandala é, na prática, nossa própria exclusão. Nossa exclusão e a exclusão do outro são a mesma coisa. Ao achar que certas pessoas estão dentro da mandala e outras não, estamos dando preferência a alguém. Dar preferência é excluir. Exclusão e preferência são a mesma coisa. A impossibilidade de ver a natureza de buda no outro é a impossibilidade de manifestar as qualidades de um buda. Isso é a compreensão da unidade, a inseparatividade da mandala.
Ao contemplarmos nossas dificuldades, é importante termos paciência. Não podemos cobrar de nós mais do que podemos oferecer – esse é um lembrete que devemos guardar com muito cuidado. Temos dificuldades. Enquanto não conseguirmos olhar para as nossas dificuldades e liberá-las, seguiremos com elas.
Liberamos as fixações quando ultrapassamos a mandala particular pela experiência da liberdade mais ampla de construir outras mandalas. Ao entrarmos em uma mandala mais ampla, olhamos as mandalas particulares e a realidade convencional como construções menores que não mais nos sentimos obrigados a habitar.
Vamos tomar como exemplo uma pessoa que torce por um time de futebol. Mesmo que não reconheça, ela não está presa ao time. Por mais que esteja envolvida no processo, tem a liberdade de torcer por outro time, ou por todos ao mesmo tempo. Isso é liberdade em meio à forma.
Não nos liberamos porque nos viramos contra o que fazíamos, mas porque olhamos de uma posição mais ampla e reconhecemos que temos liberdade de ação. Esse é o ponto: nos liberamos porque nossa mandala se amplia; nossa visão fica mais ampla.
Se pudermos olhar nossas dificuldades com lucidez, também poderemos fazê-lo com as dificuldades dos outros seres. O olhar lúcido para as dificuldades dos outros seres é o olhar de Chenrezig, o Buda da Compaixão. Com o olhar de Chenrezig, perdoamos além do perdão e do não-perdão. Trata-se de um perdão que cura todas as manifestações de amargor e ressentimento. Não há mais a visão de oposição, culpa ou penalidade em relação ao outro.
Pela perspectiva da mandala, não nos empenhamos em mudar nosso comportamento, não é esse o método de avançar. A ideia é mudar a mandala, porque, quando mudamos a mandala, como decorrência mudamos o comportamento, mas sem esforço. Se fizermos o caminho oposto, se tentarmos mudar o comportamento sem mudar a mandala, o resultado parecerá torto, desajeitado, artificial.
Ao avançarmos para mandalas mais amplas, morremos a cada avanço. Morremos nas limitações e renascemos de forma mais ampla. Em termos práticos, vamos perceber ou até mesmo treinar essa ampliação de nossa forma de existência no mundo em etapas. Não conseguimos fazer de um salto.
Como treinamento, podemos começar, por exemplo, com as quatro qualidades incomensuráveis – compaixão, amor,alegria e equanimidade. Treinamos uma visão na qual as quatro qualidades incomensuráveis sejam algo natural. Contemplamos então a mandala comum, ou seja, a visão convencional do mundo, na qual a compaixão, o amor, a alegria e a equanimidade não parecem possíveis. Trocamos de mandala e passamos a olhar as mesmas coisas sem mudar nada, sem tirar nada do lugar. Mudamos os olhos e a mandala, é assim que começamos a treinar. Perguntamos: "É possível compaixão, amor, alegria e equanimidade?". E vemos que é possível – tornou-se possível.
Temos tendência a acreditar que são nossos esforços que fazem as transformações, mas na abordagem da mandala o esforço se dá apenas no sentido da troca de mandala, e não propriamente da troca de ação. Esforços para trocar de ação nunca resultam em algo verdadeiramente estável. A grande mandala permite a manifestação natural, física, de todas as qualidades positivas e dá sustentação a elas sem esforço.
Na realidade convencional, nossa energia move-se a partir do gostar e do não gostar, aproximando-nos do que gostamos e afastando-nos do que não gostamos. Nossa inteligência, nossa visão, é binária. Sentimos atração ou repulsa pelas experiências. Dentro da visão binária, existe o hedonismo: "Eu quero o que é bom e pronto. É muito simples; eu já sei o que eu quero da vida: o que é bom!".
O hedonismo não produz nenhum resultado estável. Ao buscar simplesmente o que achamos positivo, estamos perdendo tempo. Tão logo encontramos coisas positivas, elas começam a mudar. O que de início achávamos positivo com o passar do tempo torna-se negativo.
Por exemplo: uma pessoa começa a torcer por um time de futebol que está indo muito bem, vencendo campeonatos. Isso naturalmente a deixa muito feliz, mas logo aquilo gira, e o time perde. A pessoa passa a sofrer pela mesma razão que antes lhe trazia alegria: torcer por aquele time. O mesmo acontece com as relações, empregos e todas as escolhas que fazemos na vida.
De modo geral, fazemos uma opção hedonista, o que não significa que obtemos uma felicidade hedonista ou pecaminosa que seja. Achamos que tudo o que é proibido e pecaminoso deve esconder um sabor realmente fantástico. Assim, atiramo-nos naquela direção, como se fôssemos encontrar alguma coisa extraordinária ali. Mas não há nada, não encontramos a felicidade.
O hedonismo é um engano. Ainda assim, não precisamos nos colocar contra o hedonismo. O que precisamos é apenas olhar tudo de forma mais ampla. Quando conseguimos avistar a mandala e ver esses referenciais que utilizamos de forma não-lúcida, percebemos que não estamos indo a lugar algum. Nosso objetivo é a felicidade, mas o hedonismo não é um bom caminho. A partir dessa compreensão, tentamos um caminho gradual que nos conduza à mandala. Esse caminho é uma visão mais elevada. Vamos ampliando nossa visão, e por isso avançamos. Olhando da perspectiva da mandala, nosso objetivo é ter um nascimento dentro das visões mais elevadas, assim como dar nascimento aos outros dentro dessas mesmas visões. Essa é a mandala.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sintonia entre visão e ação - 2/5


Por Lama Padma Samten

A noção de mandala vem da compreensão de que construímos as realidades que nos circundam e que, quando construímos as realidades, nos construímos junto. Vemos que se trata de um processo inseparável, coemergente.
Ao construirmos mundos favoráveis e manifestações de sabedoria, nossa ação positiva se torna natural, desobstruída, compassiva e amorosa. A partir disso, o caminho espiritual com foco no controle das ações de corpo, fala e mente é substituído pela compreensão de que devemos observar e dirigir a forma pela qual nos construímos junto com os mundos. Construindo o mundo a partir da lucidez, teremos o corpo, a fala e a mente lúcidos.
Se construirmos o mundo a partir da ignorância, os impulsos de corpo, fala e mente surgirão dessa visão de mundo equivocada que desenvolvemos. Podemos ouvir as palavras de mestres espirituais e tentar seguir seus conselhos de como utilizar o corpo, a fala e a mente, mas tudo vai parecer muito artificial. Isso porque a sabedoria natural que estaremos usando vai brotar da compreensão que temos do mundo. Da compreensão equivocada de mundo não brota nada além de impulsos equivocados.
Mesmo cientes de que os mestres estão corretos, se não desenvolvermos a visão dos mestres, a nossa ação será contraditória e não veremos solução, nunca teremos descanso, estaremos sempre em conflito interno, nunca teremos um comportamento não-repressivo. Estaremos sempre fazendo esforços para seguir os conselhos dos mestres.
O aspecto do esforço é dramático. De tanto nos esforçarmos, um dia cansamos; quando chegamos nesse ponto, a queda é rápida, e dizemos: "Desisto. Se a espiritualidade fosse natural, eu andaria de forma naturalmente lúcida e válida. No entanto, tudo isso me parece artificial". Parece artificial porque precisamos de esforço constante, nunca encontramos um ponto de equilíbrio, precisamos constantemente relembrar o que ouvimos. De tanto esforço, terminamos desistindo.
Equivocadamente, podemos acreditar que a realidade convencional é muito poderosa, muito abrangente. Podemos pensar que, mesmo construindo uma realidade mais elevada, o que existe mesmo é a realidade convencional de dificuldades e sofrimento. Acabamos por desistir de tentar melhorar a nós mesmos e o mundo.
O caminho de tentar alterar o comportamento pode ser muito penoso, muito lento e, principalmente, de resultados incertos. Se a pessoa alterar o comportamento sem alterar a visão, é certo que mais adiante cairá novamente. O aspecto cíclico é um processo natural da vida, passamos por altos e baixos. Apenas a partir das mandalas de sabedoria teremos efetivamente a visão que permite a ação sem esforço. A visão surge sem esforço porque dentro de uma mandala de sabedoria não lutamos contra nós mesmos, mas vemos e agimos naturalmente. O caminho espiritual se manifesta sem conflitos internos.
Ao se começar pelo treinamento e pelo enquadramento a regras, compromissos e ações, surgem a repressão interna e a disciplina externa. O conflito torna-se inevitável, e o esforço será incessante, desgastante. Temos ações coerentes com nossa visão. Se formos treinados para ações que não estão harmonizadas com nossa visão de mundo, essas ações não terão força.
Eu pude observar meninos que aprendem a tocar violino em instituições para menores infratores. Aprender música é maravilhoso. Mas, quando os meninos saem da instituição, o violino torna-se inútil para eles. Muito frequentemente eles retornam à visão que os levou a praticar as ações que os conduziram à instituição. Mesmo tocando violino, as visões que eles têm do mundo, da família e do bairro não mudaram. Dentro da sua realidade, dentro de sua forma de olhar o mundo, dentro de sua mandala limitada, vender drogas naturalmente faz muito mais sentido do que tocar violino.
Assim, é essencial gerarmos uma visão de mundo para que as ações surjam de forma natural, sem esforço e sem contradições. As visões de mundo, que podem ser geradas individual e socialmente, potencializam as ações.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Budismo e cultura de paz - 1/5

Por Lama Padma Samten

Sua Santidade o Dalai Lama costuma resumir a filosofia budista em uma frase: "Faça o bem sempre que possível; se não puder fazer o bem, tente não fazer o mal". Uma das especialidades do budismo é a noção de que o mundo que nos circunda é inseparável de nós mesmos. Assim, se fazemos o bem para os demais seres e para o ambiente, estamos cuidando de nosso próprio bem. Se causamos mal aos outros e ao ambiente, estamos causando mal a nós mesmos. Todos estão ligados uns aos outros, todos dependem uns dos outros.
O conceito de interdependência budista também sustenta que nós – e tudo o que nos circunda – não temos a solidez que julgamos possuir. Atribuímos identidades e qualidades a tudo e a todos (inclusive a nós mesmos) a partir de uma visão limitada por um padrão binário de gostar e não gostar, querer e não querer.
A palavra para os mundos que surgem inseparáveis das nossas mentes é "mandala". Mandala não se refere apenas a um mundo material, mas à experiência desse mundo, ao observador, aos limites cognitivos, às energias de ação, às emoções e ao corpo.
Cada mandala surge inseparável de um tipo correspondente de inteligência viva e ativa. Essas inteligências são transcendentes, não pessoais, não corruptíveis e livres do tempo. Incessantemente disponíveis, podem ser reconhecidas e acessadas sem esforço ou luta a qualquer momento. A meta budista é sair das mandalas limitadas e chegar às mandalas de sabedoria, isentas do padrão binário de gostar e não gostar.
Todos os seres aspiram felicidade e proteção frente ao sofrimento. Nossos pais nos ensinam habilidades para nos aproximarmos da felicidade e nos protegermos. Nossos pais, professores e mestres nos ensinam também a disciplina, e com isso ampliamos nossa capacidade de atingir metas difíceis, atravessar ambientes perturbadores e exigentes e suportar as adversidades momentâneas na busca de realizações maiores.
O budismo nos ensina a capacidade de reconhecer mundos puros e inteligências puras, de tal modo que, instalados na experiência desses ambientes puros, as ações positivas sejam naturalmente realizadas sem esforço e sem contradição. Esses mundos puros são as mandalas de sabedoria.
Quando nos inserimos em uma mandala de sabedoria, adquirimos condições de realmente fazer o que é melhor para nós, para os outros, para a humanidade e o ambiente. Somos capazes de viver o amor e a compaixão com alegria e equanimidade, sem nos deixarmos abater pelas dificuldades que apareçam. O mundo ao nosso redor continua o mesmo, mas nós mudamos nosso olhar, e isso muda tudo. Quanto mais pura e mais ampla a mandala, maior a nossa liberdade e capacidade de gerar o bem. Além da inserção pessoal em mandalas de sabedoria, nós, como agentes da cultura de paz, vamos trabalhar para que os outros também possam fazer o mesmo, possam migrar para mandalas mais amplas.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Poema: Vazio


Por Lilian Kushi

Presencio,
sem querer,
os últimos momentos
de uma libélula
que entrou por minha janela...

Primeiro a vejo
voando pra cá e pra lá,
procurando não sei o quê;
depois a encontro
irremediavelmente
desacordada
no tapete da sala...

Suas asas tão transparentes,
antes tão agitadas,
agora dormem para sempre...

E algo em mim
se move no lugar
dela.

Algo que vai além da minha mente.
Algo de imenso valor,
de imensa importância,
chamado simplesmente
Vida:

sinônimo de
mudança,
de Inconstância!

Nunca saberei
quanto tempo ainda terei...
Nem quanto tempo
terão os que eu amo,
os que me cercam...
pequenos ou
grandes,
velhos ou jovens,
belos,
saudáveis-ou não...

Quem partirá primeiro?
Como, por quê, pra onde???

E é o Vazio que, inteiro,
me responde!!!

O Vazio silencioso
que ronda tudo e todos...

O Vazio do qual tento me esconder;
que tento,
em vão,
preencher-com milhares de coisas
que invento que tenho pra fazer...

O Vazio em que não consigo
sequer me olhar, me ver,
me adentrar,
me reconhecer,
me perder e
me encontrar...

O Vazio repleto de espaço
que se encontra dentro de mim
e em meu entorno;
dentro e ao redor de cada célula que me compõe...
o Vazio sem nenhum significado,
sem nenhuma forma,
idéia ou identidade:

o Vazio que eu chamo de Infinito e de Eternidade!

O Vazio no qual me crio!
No qual me deito,
me deixo,
me desfaço-
e recrio de novo,
e desfaço de novo,
continuamente...todos os dias.

E no qual se cria minha alma,
bem junto da poesia.

O Vazio da Divina Presença,
do Divino Presente,
do Divino Poeta,
do Divino Sem Começo
e Sem Fim-
Do Divino Eu Sou-
do Divino Aqui e Agora
sem mim.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os Sinos da Plena Consciência


Thich Nhat Hanh
(Capítulo do livro de Thich Nhat Hanh "The World We Have",tradução de Samuel Cavalcante)

Os sinos da plena consciência estão soando. Em toda a Terra, estamos experimentando inundações, secas e grandes incêndios naturais. O gelo está derretendo no Ártico e os furacões e ondas de calor estão matando milhares. As florestas estão desaparacendo rapidamente, os desertos estão se expandindo, espécies estão se extinguindo todos os dias e, mesmo assim, continuamos a consumir ignorando esses sinos que estão soando.

Todos nós sabemos que o nosso lindo planeta verde está em perigo. Nossa maneira de caminhar na Terra exerce uma grande influência nos animais e nas plantas. Mesmo assim, agimos como se nossas vidas cotidianas não tivessem nada a ver com as condições do mundo. Estamos como sonâmbulos, sem saber o que estamos fazendo ou para onde estamos indo. Se podemos acordar ou não vai depender de podermos caminhar com plena consciência sobre nossa Mãe Terra. O futuro de toda a vida, incluindo a nossa própria depende dos nossos passos vigilantes. Temos que ouvir os sinos da plena consciência que estão soando por toda a terra. Temos que começar a aprender a viver de um modo que o futuro seja possível para nossos filhos e netos.

Tenho sentado com o Buda por um longo tempo e o tenho consultado sobre o aquecimento global, e o seu ensinamento é bastante claro. Se continuarmos a viver como temos vivido até agora, consumindo sem pensar no futuro, destruindo nossas florestas e emitindo quantidades perigosas de dióxido de carbono, então mudanças climáticas devastadoras serão inevitáveis. Muito do nosso ecossistema será destruido. O nível do mar se elevará e cidades costeiras serão inundadas, forçando a saída de milhões de refugiados, criando guerras e epidemias de doenças doenças infecciosas.

Precisamos de um tipo de despertar coletivo. Entre nós, existem homens e mulheres que estão atentos, mas isso não é o suficiente; a maioria das pessoas está dormindo. Construímos um sistema que não podemos controlar. Ele se impôs a nós e nos tornamos seus escravos e vítimas. Para a maioria de nós que deseja ter uma casa, um carro, uma geladeira, uma televisão etc, precisamos sacrificar, em troca, nosso tempo e nossas vidas. Vivemos sob constante pressão do tempo. Antigamente, poderiamos dedicar três horas para tomar uma xícara de chá, desfrutando da companhia dos amigos em uma atmosfera serena e espiritual. Podíamos organizar festas para celebrar o desabrochar de uma orquídea em nosso jardim. Mas hoje não podemos mais fazer tais coisas. Dizemos que tempo é dinheiro. Criamos uma sociedade na qual os ricos se tornam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e na qual ficamos tão emaranhados em nossos próprios problemas imediatos que não temos mais condições de estar atentos ao que está acontecendo com o resto da família humana em nosso planeta terra. Na minha mente eu vejo um grupo de galinhas numa gaiola disputando um punhado de grãos, sem se darem conta de que em poucas horas irão todas ser mortas.

Os povos da China, Índia, Vietnã e outros países em desenvolvimento ainda estão sonhando o “sonho americano”, como se esse sonho fosse o objetivo absoluto da humanidade – todo mundo tem que ter um carro, uma conta bancária, um celular, uma televisão, só para si. Em vinte e cinco anos a população da China será de 1,5 bilhões de pessoas e se cada uma quiser dirigir seu próprio carro, ela precisará de 99 milhões de barris de petróleo por dia. Mas o mudo só produz 84 milhões de barris por dia. Então, o sonho americano não é possível para os povos da China, Índia ou Vietnã. O sonho americano não é mais possível nem mesmo para os próprios americanos. Não podemos continuar a viver dessa maneira. Não é uma economia sustentável.

Temos que ter um outro sonho, o sonho da fraternidade, da bondade amorosa e da solidariedade. Este sonho é possível aqui e agora. Temos o Dharma, temos os meios e temos sabedoria suficiente para sermos capazes de vivermos esse sonho. A plena consciência é o coração do despertar, da iluminação. Praticamos a respiração consciente para sermos capazes de estar aqui no momento presente de modo a reconhecer o que está acontecendo em nós e em torno de nós. Se o que está acontecendo dentro de nós é desespero, temos que reconhecê-lo e agir imediatamente. Talvez a gente não queira se confrontar com essa formação mental, mas é uma realidade, e temos que reconhecê-la para podermos transformá-la.

Não precisamos afundar no desespero por causa do aquecimento global; podemos agir. Só assinarmos uma petição, um abaixo-assinado, não vai ajudar muito. Ação urgente tem que ser feita nos níveis individual e coletivo. Todos nós temos um grande desejo de sermos capazes de viver em paz e em uma sociedade ambientalmente sustentável. O que a maioria de nós ainda não tem são maneiras concretas de fazer do nosso compromisso de viver de forma sustentável uma realidade de nossa vida no dia-a-dia. Não nos organizamos para tal. Não podemos apenas culpar os governos e as corporações da indústria química que poluem nossa água de beber, pela violência em nossos bairros, pela guerra que destrói tantas vidas. Já é tempo de cada um de nós acordar e tomar uma atitude em nossas próprias vidas.

Nós testemunhamos a violência, a corrupção e a destruição à nossa volta. Todos sabemos que as leis que temos não são fortes o bastante para controlar a superstição, a crueldade e os abusos de poder que vemos diariamente. Somente a fé e a determinação podem impedir que caiamos em um profundo desespero.

O budismo é a mais forte forma de humanismo que temos. Ele nos ajuda a aprender a viver com responsabilidade, solidariedade e amor. Cada praticante budista deveria ser um protetor do meio ambiente. Temos o poder de decidir o destino de nosso planeta. Se acordamos para nossa situação, haverá uma mudança na nossa consciência coletiva. Temos que fazer algo para despertar as pessoas. Temos que ajudar o Buda a despertar as pessoas que estão vivendo em um sonho.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Agenda Mensal


Queridos amigos, irmãos e irmãs no caminho da vida,

destacamos abaixo a agenda de atividades da Associação Meditar de Cuiabá. Informamos que a programação é gratuita e aberta a todos os interessados. Sejam muito bem-vindos. Paz a cada passo!

3a feira - 19 h - Tai Chi Chuan - 20 h - Meditação e estudo

Sábado - 08 h - Meditação e estudo

Segundo Sábado do mês - "Meditação no Parque: paz a cada passo" - 08 h
Domingo - Sessão Pipoca Zen - data informada no site (préviamente)

Informações:
(65) 3052-6634 - Ligia
(65) 9202-9925 - Ivan

Local: Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, nº 137 - Araés
(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Para descansar a alma


Monja Coen Sensei

Arranje um cantinho sossegado e uma almofada gostosa. Acenda um incenso de sândalo. Sente-se com as costas bem retas. Coloque as mãos sobre os joelhos, com as palmas para cima e balance o corpo lentamente da esquerda para a direita, de movimentos maiores a movimentos menores, como um pêndulo, até encontrar o centro de equilíbrio do corpo.
Pare aí. Inspire profundamente e solte o ar lenta e completamente pela boca. Relaxe os ombros. Inspire novamente e solte o ar pela boca. Então cerre os lábios, coloque a ponta da língua no céu da boca e respire pelas narinas. Mantenha os olhos entreabertos, apenas pousados a sua frente.
Ouça todos os sons. Sinta todas as fragrâncias. Perceba o ar, a temperatura em sua pele. Você está pensando? Ou não está pensando? Verifique sua postura. Costas eretas. Cabeça como se um fio puxasse para o céu. Pernas firmes pela força da gravidade. Não julgue. Nem certo nem errado, nem bonito nem feio. Seja. Apenas sentar. Intersendo com tudo que existe. Que bom estar viva. Este instante aqui e agora é o céu e a terra. Isso é tudo. Tudo é nada.

sábado, 13 de novembro de 2010

Sangha de Estudos do Zen em Joinville/SC


Medicina Interior
Palestra e prática com Ênio Burgos
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Dia 20.11 - "Mente, Corpo e Saúde"
Horário: 15:30 às 18:00
Aberta ao público
Colaboração sugerida - R$10,00 (dez reais)
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Dia 21.11 - "Medicina Interior"
Horário: 07:00 às 17:00
Aberta aos inscritos previamente no sábado (20.11)
Informações e inscrições: zenjoinville@gmail.com
Valor R$50,00 (cinquenta reais)
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*Toda contribuição será doada à Associação Meditar para construção do Centro Meditar Montanha da Borboleta Azul.
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Facilitador: Dr. Ênio Burgos, médico, físico, escritor e tradutor do Mestre zen Thich Nhat Hanh no Brasil. É fundador da Associação Meditar e da Editora Bodigaya.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Meditação no Parque: paz a cada passo - 13.11 (Sáb)


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

convidamos a todos para participarem no próximo sábado, 13.11, da prática de meditação andando - "Meditação no Parque: paz a cada passo", apartir das 8 h(pontualmente), no parque Mãe Bonifácia.

Ponto de encontro: Entrada principal (estacionamento de pedrinhas)
Percurso: Trilha interativa (40min.)
Recomendação: Levem água!

Destacamos que esta atividade é gratuita e aberta a todos os interessados!

** Atenção: Se estiver chovendo, meditaremos normalmente. Sugerimos que levem guarda-chuva!

Muita paz!

Que todos os seres possam se beneficiar!

Informações:
Ivan - (65)9202-9925
Ligia - (65)3052-6634

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Prática Semanal - 09.11 (terça-feira)

Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

lembramos a todos que amanhã, 09.11.10 (terça-feira), haverá prática de meditação e Thai Chi Chuan, na Academia Ligia Prieto. Destacamos que as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados. Assim, sejam todos bem-vindos, bienvenidos, welcome, namastê, haribool, gasshô! Muita paz e sanidade!

Thai Chi Chuan - 19:00
Meditação - 20:00
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Recomendamos roupas leves.
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Informações:
(65)3052-6634 - Ligia
(65)9202-9925 - Ivan

ViaZen de Porto Alegre/RS


Desenvolvimento de Liderança pelo Autoconhecimento

Evento especial com a Monja Coen Sensei
Dia: 25/11
Das 08h às 12h
Local:
Auditório do Banco Central do Brasil (BCB)
Rua Sete de Setembro, 586 - Centro de Porto Alegre/RS
Estacionamento: ao lado por R$ 10,00

domingo, 7 de novembro de 2010

Budismo e Ciência


Thich Nhat Hanh


Um dia um grupo de jovens de Kalama veio visitar o Buda enquanto ele estava naquela área. Eles perguntaram, “Querido professor, muitos professores vieram aqui e cada um deles defende que seu ensinamento é a verdade, é o absoluto. Cada um diz que deveríamos segui-los e não seguir a outro professor. Qual é a sua idéia?” O Buda disse: “Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso disse. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo.”

O que o Buda disse é verdadeiramente científico. O budismo não pode ser descrito como ciência, mas tem o espírito científico.

Como cientista, depois de algum tempo pesquisando e fazendo vários experimentos, você descobre algo. Feita a descoberta, você tem que publicar o que descobriu, porque acredita que descobriu a verdade, uma verdade científica. Depois de ter publicado seu achado em uma revista científica, outras pessoas irão olhar para ele e haverá um número muito pequeno de especialistas no seu campo de pesquisa que irão determinar se seu achado é verdade ou não. Para fazer isso, eles irão testar por eles mesmos. Eles não podem apenas dizer que o que você disse é verdade porque eles são especialistas naquele campo. Eles têm que provar com sua própria experiência. A grande maioria das pessoas que não é especialista no campo, apenas acredita, porque não temos meios de testar a descoberta de forma a verificar a verdade. Temos que acreditar em um número muito pequeno de cientistas daquele campo de atuação.

No domínio da ciência há muitas crenças. Acreditamos no que os especialistas dizem sem testarmos por nós mesmos. Mesmo assim, tendo sido provado que era a verdade, dez ou vinte anos depois uma nova verdade é considerada superior, mais profunda, mais verdadeira que a verdade anterior. E novamente haverá um punhado de especialistas que tentarão confirmar e nós, a maioria, vamos seguir. Neste caminho nos comportamos como pessoas religiosas, mesmo no domínio da ciência.

E sobre a prática do budismo? No budismo, o objeto de nossos estudos é a mente e como ela se relaciona com o sofrimento e a felicidade. Não estamos tão preocupados com a mesa ou a nuvem, com o átomo ou as estrelas. Mas estamos preocupados com o sofrimento e felicidade. Não somos filósofos. Não especulamos sobre felicidade e sofrimento. Queremos realmente observar nosso sofrimento, observar nossa felicidade. Queremos achar uma solução. Queremos nos liberar do sofrimento. Queremos trazer felicidade verdadeira. E esse é o trabalho real que não pode ser feito apenas falando.

Quando você senta em meditação, segue sua respiração e gera a energia da plena consciência e concentração, tem os instrumentos para trabalhar. Pode reconhecer e abraçar seu sofrimento. Pode cultivar o tipo de sabedoria que pode ajudar a desintegrar o sofrimento. Você pode fazer isso no espírito empírico – você realmente entra nele, e não apenas fala sobre ele. Seu sofrimento é a realidade e você o reconhece. Você entra nele, analisa e usa sua plena consciência, concentração e insight de forma a transformá-lo. É como um cientista usando seus instrumentos de forma a olhar profundamente na natureza do que está lá. E depois de usar o método de transformação e cura, você pode querer compartilhar isso com seus alunos ou amigos.

Há bons praticantes de meditação que tem mais ou menos o mesmo tipo de experiências. Eles tentam verificar e experimentar o mesmo tipo de coisa. Se eles forem bem sucedidos, podem dizer: “O que você nos disse é verdade. Eu tive a mesma experiência.” Mas muitas pessoas em volta apenas acreditam, sem ter a experiência. Portanto não há grande diferença entre ciência e budismo. Muitos budistas apenas acreditam. Há apenas um punhado de nós que podem testemunhar a verdade que foi descoberta.

Budismo às vezes descreve a mente e às vezes o mundo, mas essa descrição não é pelo prazer da descrição. A descrição objetiva a prática. Se você aprender sobre a mente é porque quer praticar bem. Não é porque quer uma bela doutrina sobre a mente. Se você falar sobre impermanência e não-eu não é pelo prazer de descrever a realidade como sendo impermanente e livre de um eu separado. Essa descrição é um instrumento que o ajuda a se liberar, porque a verdade da impermanência e não-eu podem te ajudar a superar seu desespero, seu medo e assim por diante. Portanto há uma diferença.

Quando um cientista estuda uma partícula, tem que usar instrumentos, aceleradores de partícula e outros, mas ele tem que usar a mente também. A maioria dos cientistas fica fora da partícula como um observador, e a partícula se torna o objeto da observação. Mas na experimentação dos praticantes budistas, você não fica fora como um observador. Não pode se estabelecer como observador. Tem que se tornar participante, porque o bloco de sofrimento que você experimenta não é o objeto de sua observação. É você. Você é o bloco de sofrimento. É por isso que o Buda disse para se praticar a contemplação do corpo no corpo, contemplação dos sentimentos nos sentimentos. Não é possível ficar de fora, em pé, observando. Você tem que se tornar uno com o objeto que observa. Esta é a diferença entre ciência e budismo, e os cientistas modernos começaram a ver isso.

O físico britânico David Bohm disse que de forma a realmente entender o átomo você teria que parar de ser apenas um observador. Deveria começar a ser um participante. Isto é muito próximo da disciplina da meditação.

A esquerda política acredita na ciência, no liberalismo, na razão. Eles lutam com todas as forças contra o fundamentalismo e o dogmatismo, mas ainda sofrem muito. Eles não têm força suficiente. Politicamente falando eles perderam a eleição. Como eles apóiam a ciência e a liberdade de pensamento, são anti-dogmáticos, sim, mas isto ainda não é suficiente. Eles não estão aptos a trazer a dimensão espiritual para dentro das suas vida. É possível ter dimensão espiritual na nossa vida diária, na nossa política, na nossa vida econômica, sem sermos capturados pelo fundamentalismo?

O Buda provou que era liberal, mas ele era profundamente espiritual. É por isso que ao falar em evolução biológica você tem que falar em evolução cultural, evolução espiritual, que tem o poder de nos liberar do dogmatismo e do fundamentalismo. A questão é como a ciência e a meditação podem dar as mãos de forma a ir em frente ao futuro, para nossa liberação. Esta é uma questão de nosso tempo.

Em agosto de 2006, teremos um retiro sobre a Mente e a Neurociência, e teremos uma chance de tocar nesse problema. Budismo às vezes parece uma religião, mas não é verdadeiramente uma religião. Às vezes parece ciência, mas não é ciência, por que estamos preocupados com a realidade última. Nós gostamos de fazer perguntas, mas também queremos nos transformar, nos curar. Há dentro do budismo uma tremenda fonte de sabedoria e experiência passada pelo Buda através de muitas gerações de praticantes. Podemos aprender muito de suas experiências de forma que possamos por nossa vez nos transformar e ajudar a curar e transformar o mundo.

(Transcrito de um Dharma Talk de Thich Nhat Hanh em um retiro para cientistas em 17 de novembro de 2005 em Plum Village)
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nada a fazer, nenhum lugar para ir


Thich Nhat Hanh

Pergunta: Eu me sinto culpado quando não estou ocupado. Está tudo bem em não fazer nada?

Thay: Na nossa sociedade, estamos inclinados a ver o “fazer nada” como algo negativo, mesmo maligno. Mas quando nos perdemos de nós mesmos em atividades, diminuímos a qualidade do nosso ser. Fazemos a nós mesmos um desserviço. É importante nos preservar para manter o nosso frescor, bom humor, nossa alegria e compaixão. No budismo cultivamos a “falta de objetivos” e de fato na tradição budista a pessoa ideal, ou arhat ou um bodisatva, é uma pessoa sem negócios (businessless), alguém que não tem lugar para ir nem nada a fazer.

As pessoas deveriam aprender como apenas estar presente, não fazendo nada. Tente passar um dia fazendo nada; chamamos isto um “dia da preguiça”. Para muitos de nós que estamos acostumados a correr disto para aquilo, um dia da preguiça é na verdade um trabalho muito difícil! Não é fácil apenas estar. Se você pode estar feliz, relaxado e sorrindo quando não está fazendo nada, você é muito forte. Não fazer nada resulta em qualidade de ser, o que é muito importante. Portanto não fazer nada, na verdade é fazer algo. Por favor, escreva e exiba em sua casa: Não fazer nada é fazer algo.

Pergunta: Meu desejo por conquistas levou a muito sofrimento. Não importa o que eu faça, nunca sinto que é suficiente. Como posso fazer as pazes comigo mesmo?

Thay: A qualidade da sua ação depende da qualidade de seu ser. Suponha que você está desejoso por oferecer felicidade, fazer alguém feliz. Esta é uma coisa boa a fazer. Mas se você não está feliz, então não pode fazer isso. Para fazer outra pessoa feliz, você tem que estar feliz. Portanto há uma ligação entre fazer e ser. Se você não for bem sucedido em ser, não pode ser bem sucedido no fazer. Se você não sente que está no caminho certo, a felicidade não será possível. Isto é verdade para todos; se você não sabe onde está indo, você sofre. É muito importante perceber seu caminho e ver seu verdadeiro modo de ser.

Felicidade significa sentir que você está no verdadeiro caminho a cada momento. Não precisa chegar ao fim do caminho para ser feliz. O caminho correto se refere a modos muito concretos de você viver sua vida a cada momento. No budismo, falamos do Nobre Caminho Óctuplo: Visão Correta, Pensamento Correto, Fala Correta, Ação Correta, Modo de Vida Correto, Esforço Correto, Atenção Plena Correta e Concentração Correta. É possível para nós viver o Nobre Caminho Óctuplo a cada momento de nossas vidas diárias. Isto não apenas nos faz feliz, mas também àqueles ao nosso redor. Se você praticar o caminho, se tornará muito agradável, com muito frescor e muito compassivo.

Olhe para a árvore no quintal da frente. A árvore parece não estar fazendo nada. Fica parada ali, vigorosa, fresca e bonita e todos se beneficiam disto. Isto é um milagre do ser. Se uma árvore fosse menos que uma árvore, todos nós estaríamos com problemas. Mas se uma árvore é apenas uma árvore real, então há esperança e alegria. É por isso que se você puder ser você mesmo, isto já é uma ação. Ação é baseada na não-ação; ação é ser.

Há pessoas que fazem muito, mas que causam muitos problemas. Quanto mais tentam ajudar, mais problemas criam mesmo se têm as melhores intenções. Elas não são pacíficas, elas não são felizes. É melhor não tentar tão duramente, mas apenas “ser”. Então a paz e a compaixão serão possíveis em cada momento. Com base nisso, tudo que você disser ou fizer somente poderão ser úteis.

Se você pode fazer alguém sofrer menos, se você pode fazê-los felizes, se sentirá recompensado e receberá muita felicidade. Sentir que você é útil, que pode ajudar à sociedade: isto é felicidade. Quando você tem um caminho e você desfruta de cada passo no seu caminho, já é alguém, não precisa se tornar outra pessoa.

No budismo, temos a prática de apranihita, não ter objetivos. Se você põe em sua frente um objetivo, estará correndo por toda a sua vida e a felicidade nunca será possível. Felicidade é possível apenas quando você para de correr e desfruta do momento presente e de quem você é. Não é necessário ser outra pessoa; você já é uma maravilha da vida.

Pergunta: Quando estou fazendo uma coisa, minha mente vagueia para a próxima coisa ou volta para a última coisa. O que posso fazer para parar de sempre pensar sobre o caminho não tomado?

Quando você recebe muitas cartas, tem que decidir qual ler primeiro. Talvez haja duas cartas que você queira ler que perecem igualmente importantes. Mesmo assim, você tem que tomar uma decisão; tem que escolher uma para pegar primeiro. Depois de tomar a decisão fique com ela.

Quando você está cruzando uma ponte, não pense na ponte que você não está cruzando. Você no futuro terá que cruzá-la, mas somente depois de cruzar esta primeiro. Esta é nossa prática. O advogado pensa apenas no cliente que ele está no momento, não o cliente que está vindo em seguida. O médico apenas pensa no paciente a sua frente. Isto é concentração, plena atenção, uma mente que aponta para um só lugar. Se você não treinou sua capacidade de trazer toda a sua atenção para apenas um objeto, então haverá dispersão e perturbação. Você tem que estar cem por cento no aqui e agora.

Pergunta: Como posso incorporar a prática da plena atenção e viver no momento presente e ao mesmo tempo fazer planos para minha vida?

Thay: A prática da plena atenção não nos proíbe de planejar nosso futuro. É melhor não nos perdermos na incerteza e medo sobre o futuro, mas se estamos verdadeiramente estabelecidos no momento presente, podemos trazer o futuro para o aqui e agora e fazer planos.

Não estamos perdendo o momento presente quando pensamos sobre o futuro. Na verdade, o momento presente contém ambos o passado e o futuro. O único material de que o futuro é feito é do presente. Se você sabe como lidar com o presente da melhor maneira que pode, isto é tudo que pode fazer pelo futuro. Lidar com o momento presente com toda a sua atenção, toda sua inteligência já é construir o futuro.

Pergunta: Como podemos praticar consistentemente a plena consciência em um mundo que parece exigir corrida e pressa aonde quer que vamos? É possível ser plenamente consciente de estar ocupado e plenamente consciente de estar com pressa?

Thay: Iniciantes acham a plena atenção fácil quando eles a fazem lentamente. Mas se sua plena consciência é mais avançada, você pode fazer as coisas mais rapidamente. Apenas tenha certeza que você está sendo consciente. Você pode andar conscientemente, mas também pode correr conscientemente. É uma questão de planejamento. Deveria se tornar um hábito planejar de tal modo que tenhamos muito tempo para fazer cada coisa e não tenhamos que correr.

Suponha que você tenha que estar no aeroporto às 10 horas. Tente planejar de forma que você tenha muito tempo. Se possível adicione outra hora de forma a ter o prazer de fazer meditação caminhando no aeroporto. Quando dirigir, ao invés de pensar sobre seu destino, aproveite cada momento enquanto dirige. Quando fizer seu café da manhã, transforme a sua preparação em uma sessão de meditação, uma prática de plena consciência. Tente não pensar sobre o que você vai fazer depois do café da manhã. Aproveite cada momento e você trará alegria para toda a família. O segredo é habitar no aqui e agora e ser feliz a cada momento.

É claro, todos temos muito a fazer. Mesmo monges e monjas têm muitas coisas a fazer. Mas aprendemos a fazê-las com alegria e a não considerar as coisas que fazemos como trabalho. Esta é uma arte para ser cultivada e cada um de nós pode fazer isto. Se soubermos como consumir menos, não teremos que trabalhar tão duramente, não precisaremos de um salário maior e um carro mais caro para sermos felizes. Se soubermos a arte de viver de forma simples, então teremos muito mais tempo para viver nossas vidas de forma feliz e ajudar outras pessoas.

(Thich Nhat Hanh – do livro “Answers from the heart”)
(Traduzido por Leonardo Dobbin)
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Passageiro


Despido das vestes que não escolhi
Dos gestos que não são meus
Tento ser o que de essencial existe em mim
Sou todos e nem um
Sou o vazio que persiste
sou o discurso sem palavras ou intenções
o abraço eterno entre a origem e o fim

sou a verdade que de tão incerta
vive procurando razão
no que sempre será vivo enigma
ou obscuro objeto
que nunca estará seguro
entre os dedos da mão

sou o que vai aos extremos
para descobrir o repouso
que sempre esteve no meio do caminho
sou a certeza de que tudo passa
as obras, as intenções, Romas, Manhattans
e outras Babilônias.

(Autor: Paulo Wagner Moura de Oliveira)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

56a Feira do Livro de Porto Alegre/RS


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

informamos que a editora Bodigaya estará presente na 56a Feira do Livro de Porto Alegre -RS.

Especialmente no dia 06.11, às 14:00, haverá a palestra:
"O Dhammapada, O Nobre Caminho do Darma do Buda"; ed. Bodigaya.
Participantes: Reverendo Sunan Bhante Sunantho e Ênio Burgos
Local: Sala dos Jacarandás - Memorial do RS - Área Geral
Lançamanento do livro - 15:30.

Estão todos convidados!

Informações:

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Agenda de Atividades! Participe!!!

Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

destacamos abaixo a agenda de atividades da Associação Meditar de Cuiabá.

3a feira
- 19h - Tai Chi Chuan
- 20h - Meditação e estudo

Sábado - 08h - Meditação e estudo
.
Segundo Sábado do mês - "Meditação no Parque: paz a cada passo" - 8h
(local: Parque Mãe Bonifácia; entrada principal, estacionamento de pedrinhas!)

Domingo - Sessão Pipoca Zen - data préviamente informada no blog

Destacamos ainda que as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados.

Local:
Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, n. 137 - Araés
(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

Informações:
Ivan - 9202-9925
Ligia - 3052-6634

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Importância da Meditação


Se nós enquanto membros da raça humana praticarmos meditação, poderemos transcender nosso medo, desespero e esquecimento. Meditação não é uma escapatória. É a coragem de olhar para a realidade com plena consciência e concentração. Meditação é essencial para nossa sobrevivência, nossa paz, nossa proteção.


- Thich Nhat Hanh (Do livro "The World We Have")