A Associação Meditar é uma sociedade civil sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne as 4ª feiras - 20 h - e aos sábados - 8 h - para meditar e estudar na Academia Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Agenda de Atividades


Queridos amigos, irmãos e irmãs no caminho da paz,

destacamos abaixo agenda de atividades da Associação Meditar de Cuiabá. Informamos que a programação é gratuita e aberta a todos os interessados. Sejam muito bem-vindos.

3a feira
20 h - Meditação e estudo

5a feira
20 h - Estudo sistematizado

Sábado
08 h - Meditação e estudo

Segundo Sábado do mês
"Meditação no Parque: paz a cada passo" - 08 h
Local: Parque Mãe Bonifácia (entrada principal - estacionamento de pedrinhas)

Domingo
"Um Vazio, dois pipoca, três estouros... e uma bacia de contentamento"
Sessão Pipoca Zen - data informada no site (préviamente)

Informações:
(65) 9202-9925 - Ivan
(65) 3052-6634 - Ligia

Local: Academia Ligia Prieto Rua Ministro João Alberto, nº 137 - Araés
(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O que nos aproxima, salta aos olhos


Por Ivan Deus Ribas

O ano começa e recebo com indescritível alegria a informação de que sua Santidade o Dalai Lama confirmou sua presença no mês de setembro em nosso país. Independentemente de credo, a figura sorridente do maior representante de uma das maiores religiões do mundo, considerada a quinta em número de praticantes, sem dúvida alguma é marcante e inspiradora.

Recentemente li em uma pesquisa feita pelo IBOPE, que 18% dos brasileiros que se dizem pertencentes a uma religião afirmam possuir simpatia pelo Budismo. Tal percentual é considerável se pensarmos que existem cerca de 250 mil praticantes e o resultado demonstrar que 20 milhões de pessoas se declaram simpatizantes por esta religião no Brasil.

O Buda, como foi chamado Sidarta Gautama após alcançar a iluminação, afirmava não ter criado nenhum conhecimento novo mas, apenas, ter percebido algo que já existia. Sempre quando questionado sobre qual o melhor caminho a ser seguido, essa ou aquela religião, dizia que devemos seguir nossos corações. Assim igualmente, Jesus Cristo, que jamais afirmou pertencer a uma religião ou mesmo ser fundador, ensinou com profunda sabedoria o caminho do amar.
.
Se analisarmos a origem da palavra religião, veremos que sua raiz deriva do latim religare que, por sua vez, significa religar, re-conectar a algo, a Deus, ao Divino. Assim, percebemos que reside nesta palavra o papel, a função, que deve possuir qualquer instituição que assim se denomine, qual seja, o de atuar como condutora, auxiliando os indivíduos a se re-conectarem com o legítimo existente dentro de si e em todo o universo.

Neste sentido, pertencer a essa ou aquela religião não deve representar um fim, mas o meio pelo qual exercito o amor e os valores essenciais e tão prementes nos dias de hoje, capazes de transformar o mundo.

Para tanto, seja qual for o caminho que escolhermos professar é importante que prestemos a atenção em nossos corações. Seja através de Jesus, Buda, Krishna, Maomé e tantos outros Mestres, nas palavras de um amigo, “o que nos é comum, que nos aproxima, salta aos olhos”*.

Ivan Deus Ribas é bacharel em direito, integrante da Associação Meditar, poeta, músico e compositor, além de amigo de todos os seres!

*Trecho final retirado do livro Autoencontro, Vida em Pleno Contentamento, autor Ênio Burgos, editora Bodigaya.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Dalai Lama: Entrevista para a Globo News

Mente vazia mente tranquila

Por Monja Coen

Alguns dizem que é preciso esvaziar a mente. Eu pergunto: como esvaziar o que já está vazio?

Há uma história Zen muito interessante. Certo dia um jovem aspirante pediu ao Mestre Zen que aquietasse sua mente. O Mestre disse:

—“Traga sua mente aqui, entregue-a a mim e eu a aquietarei.”

O jovem saiu procurando pela mente. Onde estaria? Seria pensamentos, memórias? Seria silëncios e quietude? Seria sonhos e pesadelos? Seria feita de palavras, conceitos? Seria apenas a massa encefálica, a matéria? O jovem pensava e não pensava. Cada vez que acreditava ter apanhado a mente, percebia que ela fugia, que já estava em outro pensamento, em outra idéia. Que o próprio conceito se desfazia. Cansado, voltou a procurar o Mestre e disse:

—“Senhor, é impossível apanhar a mente.”

O Mestre disse com alegria:

—“Pois então, já está aquietada.”

O jovem se reverenciou em profunda gratidão, pois pela primeira vez compreendia, que a mente não é algo fixo e constante, mas flui com o fluir da vida, sem que possa jamais se fixar quer em inquietude ou em silêncio, quer em alegria ou tisteza, quer em iluminação ou delusão.

Outra história do século VII na China foi a seguinte: o abade de um grande mosteiro pediu a seus monges que fizessem um poema no qual expressassem sua compreensão dos ensinamentos de Buda. O Chefe dos Monges, muito querido e respeitado pelos seus mais de mil companheiros, escreveu solenemente:

“O corpo é a árvore Bodhi*,
A mente é como um espelho brilhante
Cuide para mante-la sempre limpa
Não permitindo que o pó se assente”

Um jovem semi-alfabetizado, que ajudava separando a palha do arroz viu o poema na parede, pediu que alguém o lessse e exclamou:

—“Não é isso”

e pediu a um monge letrado que escrevesse seu poema:

“O corpo não é a árvore Bodhi
A mente não é como um espelho brilhante
Se não há nada desde o princípio
Onde o pó se assenta?”

Este segundo poema reflete a essência dos ensinamentos do Sexto Ancestral da China, o Venerável Mestre Hui-neng e do Zen.

A prática da meditação do Zazen não é para polir o espírito, não é para limpar a mente, não é para esvaziar nada. É tornar-se uno com nosssa essência verdadeira, com aquele Eu imenso que contem todos os sentimentos, emoções, percepções, formações mentais, consciência e a forma física.

Retornar à verdade e ao caminho é retornar à vida. Assim falamos em renascer. Deixar morrer idéias abstratas e fantasiosas sobre estar separado do tudo e dos outros e perceber a sabedoria suprema presente em todos os seres, vivenciá-la, tornar-se uno com todos os Budas e Ancestrais do Darma.

Basta perceber que nada é fixo, nada permanente – isto é o vazio. A mente vazia é aberta e flexível. Chora e ri. Pensa e não pensa. Não precisa ser esvaziada – já é vazia. Sendo vazia é clara e iluminada, em constante atividade e transformação.

Apenas escolha com o que alimentá-la. Você mesma(o) é o programa e o programador, o computador e seus acessórios. Cuide-se bem.

Mãos em prece
Monja Coen

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Retiro de Meditação - Associação Meditar/RS


"Compreendendo e Transformando o Carma"
Segundo a Visão do Budismo Theravada, a escola dos mais antigos mestres budistas

Orientação:
Rev. Bhante Sunantho, monge da Escola Theravada (Tailândia e Malásia - a mais próxima dos ensinamentos originais do Buda), autor de vários artigos da Revista Bodigaya e tradutor do livro "Dhammapada - O Nobre Caminho do Darma do Buda".

Participação especial: Dr. Enio Burgos, médico, físico, escritor, criador e fundador da Editora Bodigaya e da Associação Meditar.

Breve Sumário dos Temas:
1) O que é, e como funciona, o Carma.
2) Carma pessoal e coletivo.
3) Dominando o Carma, a mente e a vida.
4) Os Seis Reinos da Existência (A Roda da Vida).
5) Inciação ao Budismo Theravada e a Tomada de Refúgio nas Três Jóias.

Data: 19 e 20 de março de 2011. Sábado e Domingo.
As atividades inciam às 09h de sábado e encerram às 18h do domingo.
Local: Casa de Retiros Nossa Senhora Divina Providência
Endereço: Rodovia Coronel Martins Acrisio Prates, 215 - Bairro Fiúza - Viamão/RS
Investimento: R$200,00 por pessoa (até 10 de março, após R$ 250,00). Valor já inclui alimentação e hospedagem.

Incrições podem ser feitas através do email: bodigaya@bodigaya.com.br

Obs.: Vagas Limitadas.
1. Não é necessário requisito prévio. Levar almofada e tapete para meditação. As pessoas que não puderem sentar em almofadas, poderão sentar em cadeiras.
2. O tema 5 é facultativo. Aqueles que assim desejarem se tornarão formalmente praticantes budistas, discípulos/alunos membros da Sangha Theravada do Brasil sob orientação contínua do Rev. Bhante Sunantho.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

EU MAIOR - entrevista com Kaká Werá

Grupo de estudo dos ensinamentos do budismo

Associação Meditar de Cuiabá

Queridos amigos, informamos a todos que estaremos promovendo um grupo de estudo dos ensinamentos do budismo. O estudo abordará conceitos essenciais, como: as Quatro Nobres Verdades, o Nobre Caminho Óctuplo, além do Sutra Sobre os Quatro Estabelecimentos da Mente Atenta (Satipatthana Sutra).

Os encontros ocorrerão sempre as quintas-feiras, as 20:00, com duração de 1:30 h (uma hora e trinta minutos), distribuídos em meditação e leitura. O início do primeiro módulo está programado para o dia 17 de fevereiro de 2011.

O objetivo de formar esse grupo de estudo sistematizado, é para que possamos aprofundar a prática da meditação, bem como da plena atenção no aqui e agora.

Todos os amigos e amigas da Associação Meditar, bem como todos os interessados estão convidados à participar!
As inscrição poderão ser feitas através dos emails abaixo, por telefone ou pessoalmente na Academia Ligia Prieto.

Maiores informações:
Ligia - (65)3052.6634
email: ligiaprieto@ig.com.br
Ivan - (65)9202.9925
email: ivandeusribas@brturbo.com.br

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

"Meditação no Parque: paz a cada passo" - 12.02 (Sábado)


Queridos amigos,

neste sábado, 12.02.2011, haverá prática de meditação andando no parque Mãe Bonifácia. O início da caminhada será as 08 h (pontualmente), com previsão de término as 09 h.

Local: Parque Mãe Bonifácia
Horário: 08:00 (pontualmente)
Ponto de encontro: entrada principal (estacionamento de pedrinhas)
Percurso: trilha interativa - 40 min.
Atenção: Se chover, haverá prática normalmente. Então, recomendamos que levem guarda-chuva!

** A atividade é gratuita e aberta a todos os interessados! Sejam bem vindos!

Muita paz.

Informações:
Ligia - (65) 3052-6634
Ivan - (65) 9202-9925

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Aceite a si mesmo


Palestra proferida por Phap Dung, monge sênior de Thich Nhat Hanh


Manifestações

Buda disse que sofrimento é uma Nobre Verdade. É algo nobre. E temos tanto medo de sofrer, estamos desejando tanto ser feliz, porque não nos conhecemos, desconhecemos nossa alegria, desconhecemos nossa tristeza. Temos somente idéias sobre elas, não as conhecemos realmente. Você apenas tem idéias sobre si mesmo; você não se conhece realmente. Você pode dizer que infelicidade, sofrimento, é também um tipo de felicidade, pois tem a capacidade de lhe ensinar, de lhe ajudar a compreender o verdadeiro valor da vida, o verdadeiro valor da felicidade, o verdadeiro valor do amor, o verdadeiro valor da paciência, o seu verdadeiro valor. Se não consegue sentar-se com o seu sofrimento, você ainda não conhece a si mesmo. Você não sabe quem você é. Você não sabe quem você é. Você ainda não compreendeu a primeira Nobre Verdade ensinada por Buda, nosso professor.

Eu gostaria de desenhar nossa mente [Desenha um círculo] Esta é a nossa mente. Sabemos que a nossa mente tem, pelo menos, dois níveis. [Ele divide o círculo em dois níveis: superior e inferior] Então sua mente tem dois níveis. Um nível é o nível das manifestações e um nível nós o chamamos de nível raiz ou consciência raiz, mulavijñana, a consciência raiz. E neste nível, você tem muitos tipos de sementes. A semente da raiva, a semente do amor, a semente da depressão, a semente da esperança, a semente da alegria, a semente das mágoas, a semente da felicidade - felicidade é uma semente - a semente da infelicidade, a semente da dúvida. Isto é o seu eu. Você tem tudo. Você tem tudo.

E de tempos em tempos a semente se manifesta neste nível como uma flor, como por exemplo, o sentimento de alegria. O amor pode se manifestar. A raiva pode se manifestar. Praticar é ser capaz de reconhecer estas manifestações, que as chamamos de formações mentais... Quando um sentimento feliz está presente no nível superior o chamamos de formação mental. Quando retorna, o chamamos de semente.

Onde você pode se encontrar? Você pode se encontrar nas suas formações mentais. O erro que cometemos é pensar “eu conheço minhas formações mentais”, “eu conheço minha raiva”. De fato, sua raiva quando está se manifestando no nível superior é sempre uma nova manifestação. Não se esqueça disto. Algumas pessoas dizem “nunca mais vou ficar com raiva; agora estou praticando muito bem e nunca mais ficarei com raiva”. Eu penso que estas pessoas não são boas praticantes. Não acho que sejam bons praticantes. É melhor dizer “toda vez que a minha raiva está se manifestando eu consigo reconhecê-la”. É muito melhor! Soa muito melhor, porque você não vive em ignorância.

Não pense que raiva é algo negativo. Quando a pessoa diz “nunca mais ficarei enervado”, isso mostra que àquela pessoa acredita que a raiva é algo negativo. “Eu pratico tão bem, então sorrio todo dia, sou muito feliz. Nunca estou furioso, portanto sou um bom praticante.” Isto é uma idéia que você tem de si mesmo. O seu eu não é assim. Você é uma manifestação, e sua raiva é uma manifestação. Sua raiva só é destrutiva, só é perigosa quando você não a enxerga. Ela só consegue ser destrutiva quando você não compreende sua raiva e não se compreende. Você não enxerga sua raiva porque você não se aceita, não se conhece. Você não tem compreensão de si mesmo. Você quer excluir a raiva de dentro de si.

Desta forma, você não quer que aquilo esteja ali. [Ele apaga o desenho da flor representando a raiva] Mas o que você desconhece é que ela está sempre lá embaixo, quer você queira ou não. Ela sempre está lá na sua consciência raiz, você não consegue excluí-la do nível da consciência raiz. Normalmente as pessoas, não praticantes, pensam em si mesmas como sendo apenas este nível [o superior] e fazem uma discriminação: “Ok, eu quero amor, quero esperança; eu não quero raiva, depressão.” Elas excluem a outra metade delas mesmas. Porque pensam “isto sou eu, e quero excluir o que é negativo e manter o que é positivo.”

Então, mesmo que seu amigo diga “você está furiosa”, você diz “não estou furiosa”, porque não quer aceitar aquilo. Pois acredita que consegue excluir a raiva. O fato, a verdade é que você não consegue excluí-la. Você pode ignorar a manifestação, mas não consegue excluí-la. E se você ignora uma manifestação, isto não é inteligente. Não é inteligente. Quando você ignora uma manifestação, ignora a si mesmo, e vive em ignorância. Você não se vê. Você também está se discriminando. É muito doloroso discriminar-se. Você sabe o quão doloroso é quando as pessoas lhe discriminam? Mas a dor mais profunda ocorre quando você discrimina a si mesmo.

Esta é a sua maior dor. Este é o seu maior sofrimento, quando discrimina a si mesmo. Fazemos isto por acreditar que podemos excluir as manifestações. Isto não é verdade. Você não quer olhar para ela, mas ela ainda está lá. Você não quer que se manifeste, mas ela continua se manifestando - quer você queira ou não, ela continua se manifestando, pois esta lá como semente na consciência raiz.

Portanto, o primeiro erro que cometemos é discriminarmos nós mesmos, por acreditar que somos apenas a consciência manifesta. Somos mais do que a consciência manifesta. Somos também a consciência raiz. Quando você cuida bem da flor, você cuida bem da terra. Quando você cuida bem da terra, você cuida bem da flor. Quando a raiva está se manifestando ela está lhe dizendo algo. Cuidar bem da sua raiva, cuidar bem da flor é remover a sua tendência de discriminar a si mesmo.

E você aceita e diz: “estou furioso e sofro; o sofrimento está se manifestando”. Sentimento desagradável e alegre está se manifestando com sua raiva... tudo bem, estar ali... e, ao mesmo tempo, com a sua raiva. E você consegue reconhecer sua raiva e consegue reconhecer seu sentimento de infelicidade. Não pense que você já se conhece. Não pense isto. Você reconhece isto e aprende a compreendê-lo. A primeira Nobre Verdade é sofrimento, e não pense que é negativa, porque é uma Nobre Verdade. Se fosse negativa como poderia ser chamada de “nobre”?

A segunda Nobre Verdade costumávamos dizer que é a causa do sofrimento, a causa do seu sofrimento. Eu gostaria de chamar a segunda Nobre Verdade “a raiz do sofrimento”; a raiz. Estudando a primeira Nobre Verdade, reconhecendo, aceitando, aprendendo com a raiva, você consegue ver a raiz; e pode entender seu sofrimento. Você consegue compreendê-lo. O primeiro passo, portanto, é reconhecer. O segundo passo é compreender. Quando você reconhece algo tem a chance de compreender aquilo. Você pode entender muitas coisas a partir da sua raiva. Pode ver que ela tem suas raízes lá em baixo. Assim você pára de se culpar. É apenas uma manifestação. Isso é tudo. E mais ainda: é uma bela manifestação.

Sentimento de infelicidade é apenas uma manifestação. É só isso. Mas, além disso, é uma linda manifestação. O que nós também podemos compreender estudando as manifestações e suas raízes é que a discriminação entre muitos tipos de energias só é possível no nível superior; não é possível no nível inferior, no nível raiz. No nível raiz você não consegue distinguir as coisas nitidamente assim, de forma imediata, como está desenhado. Quando cuidamos bem do sentimento de infelicidade, e quando este retorna ao nível raiz, ele tem a capacidade de nutrir o sentimento feliz e retornar de novo na forma de sentimento feliz.

O erro que cometemos é acreditar que quando a energia da raiva está se manifestando e volta a ser semente, ela fica como semente de raiva para sempre. Este é um erro que costumamos cometer – algo do tipo. Isto é produto da nossa discriminação. Neste nível [inferior] as coisas trabalham juntas. Apóiam-se mutuamente. Quando você cuida bem da sua raiva, está cuidando bem também do seu amor. A partir da sua raiva você pode aprofundar o seu amor. Então neste nível, no nível raiz, com compreensão, você vê as coisas trabalhando umas com as outras. Raiva e amor se apóiam, eles trabalham um para o outro. Cuidar bem da sua infelicidade também é cuidar bem da sua felicidade.

Então não é inteligente ignorar o que você chama de manifestações negativas. Se ignorar sua raiva, você se ignora. Se ignorar a sua raiva você ignora o seu amor. Então, onde você pode se achar? Você pode se encontrar na sua consciência, na sua consciência raiz. Você é como uma mãe que consegue abraçar todos os filhos dela, e olha para a manifestação no momento em que ela vem da consciência raiz. É uma manifestação que vem da sua consciência raiz. Mesmo que seja sua raiva, que seja o seu sofrimento, ela é ainda uma manifestação da minha consciência raiz. Ainda sou eu.

Onde você pode se encontrar? Você pode se encontrar na sua consciência raiz. Na consciência raiz você é extremamente rico. Você é muito encantador. [Sino] Se você se conhece, sente-se em casa consigo mesmo, dentro de si. Sentindo-se em casa, você não mais buscará por outra coisa externa que você não tem, porque na consciência raiz você é a Mãe Terra. Você tem tudo. E de tempos em tempos a Mãe Terra lhe oferece lindas manifestações.

Você é uma linda manifestação. Toda manhã, ao se acordar, não se esqueça de se olhar no espelho para se deleitar consigo mesmo. Você é uma linda manifestação. Você continua manifesto até o último instante da sua vida. Todo instante é uma linda manifestação. Mesmo se tiver algum sofrimento, você continua sendo uma linda manifestação da consciência raiz. Todos os seus filhos são lindas manifestações suas. Se você ouve a minha palestra de Dharma e olha mais profundamente, vê que esta é uma nova manifestação de Thây e é uma manifestação totalmente nova. É uma manifestação totalmente nova. Não é a mesma, mas vem da raiz. E você também é uma manifestação de Thây.

Você tem tudo dentro de si. Tudo o que você reconhece em Thây pode reconhecer em você. Isto significa se encontrar na consciência raiz. E nunca pense “somente Thây tem isso, eu não tenho”. Porque pratico, sei que também tenho, e sei que meus irmãos e irmãs também têm. As manifestações deles são apenas outras formas de manifestações. Mas esta é a beleza da vida. Você é uma linda manifestação. Todo dia você se torna uma pessoa inteiramente nova. Aprenda a se conhecer, volte para dentro de si e se descubra, descubra o seu verdadeiro lar, descubra o paraíso dentro de si. Existe um paraíso dentro de você. Mesmo se você encontrar a manifestação do sofrimento, da raiva, este ainda é um paraíso.

De fato, um paraíso só é paraíso quando tem sofrimento, infelicidade e raiva dentro dele. Pare de se discriminar. Esta é a dor mais profunda que você pode experimentar: discriminar-se. Discriminação contra si mesmo é a base para você discriminar outras pessoas. No momento em que você para de discriminar-se, neste momento você para de discriminar as outras pessoas que realmente lhe entristecem. Existe um lar verdadeiro dentro de você, um lar verdadeiro. Feche todas as outras portas. Praticar é deixar só uma porta aberta: a porta que lhe ajuda a voltar-se para dentro de si, para se conhecer.

Você experimenta um tipo profundo de felicidade dentro de si. E ninguém pode fazer isto por você, só você pode. Ninguém pode ajudá-lo a atingir a iluminação. A iluminação precisa ser realizada por você. “Ser iluminado” significa saber quem você é; saber o seu verdadeiro valor. Ser iluminado também significa saber o valor das pessoas que vivem conosco, saber o valor da vida, ver a beleza da vida. Isto é ser iluminado: ver a beleza da vida. Ver quão bela a vida é. A vida é bela para nós desfrutarmos cada instante, em tempos bons e também em tempos ruins. Abra somente uma porta. Feche todas as demais. Abra somente uma porta, a porta que lhe guia no caminho de descobrir quem você é; até você encontrar um lar verdadeiro dentro de si, onde você possa se sentir em casa. Existe um lindo lar, um lar maravilhoso dentro de você esperando que você retorne para desfrutá-lo. Mas só você pode fazer isto. Às vezes você não precisa de nenhuma técnica. Volte para descobrir quão belo, quão maravilhoso você é. Este é o nosso convite. Obrigado.

(Palestra proferida pelo Mestre Pháp Dung, no dia 18 de dezembro de 2008 em Upper Hamlet, Plum Village)
(Traduzido por Maria Goretti)

Caso queira obter esse texto em formato Word
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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ensinamentos: Bondade e Compaixão


Esta noite, gostaria de falar a vocês sobre a importância da bondade e da compaixão. Ao discutir esses temas, não me vejo como budista, Dalai Lama ou tibetano, mas sim como um ser humano e espero que vocês, no auditório, pensem em si mesmos dessa maneira. Não como americanos, ocidentais ou membros de um determinado grupo, pois essas condições são secundárias. Se interagirmos como seres humanos, podemos chegar a esse nível. Caso eu diga "sou monge" ou "sou budista", as afirmações serão, em comparação com a minha natureza de ser humano, temporárias. Ser humano é básico. Uma vez nascido assim, não se poderá mudar até a morte. Outras condições, ser ou não instruído, rico ou pobre, são secundárias.

Hoje, enfrentamos muitos problemas. Alguns são criados essencialmente por nós mesmos, com base em diferenças de ideologia, religião, raça, situação econômica ou outros fatores. Chegou, portanto, o momento de pensarmos em níveis mais profundos. Em nível humano, condição essa que deveremos apreciar e respeitar em todos os que nos cercam. Devemos construir relacionamentos baseados na confiança mútua, na compreensão, no respeito e na solidariedade, independentemente de diferenças culturais, filosóficas ou religiosas.

Todos os seres humanos são iguais. Feitos de carne, ossos e sangue. Todos queremos a felicidade e evitar o sofrimento e temos direito a isso. Em outras palavras, é importante compreender a nossa igualdade. Pertencemos todos a uma família humana. O fato de brigarmos uns com os outros deve-se a razões secundárias, e todas essas discussões são inúteis. Infelizmente, durante muitos séculos, os seres humanos usaram todos os métodos para ferir uns aos outros. Muitas coisas terríveis aconteceram, resultando em mais problemas, mais sofrimento e desconfiança. E, consequentemente, em mais divisões.

O mundo hoje está cada vez menor em vários aspectos, particularmente o econômico. Os países estão mais próximos e interdependentes e, nesse quadro, torna-se necessário, pensar mais em nível humano do que em termos do que nos divide. Assim, falo a vocês apenas como um ser humano e espero, sinceramente, que vocês estejam escutando com o pensamento: "Sou um ser humano e estou ouvindo outro ser humano falar".

Todos queremos a felicidade; nas cidades, no campo, mesmo em lugares remotos, as pessoas trabalham com o objetivo de alcançá-la, entretanto, devemos ter em mente que viver a vida superficialmente não solucionará os problemas maiores.

Há muitas crises e medos à nossa volta. Por meio do grande desenvolvimento da ciência e da tecnologia, atingimos um estado avançado de progresso material, que é necessário. Não podemos, no entanto, comparar o progresso externo com nosso progresso interior. As pessoas queixam-se do declínio da moralidade e do aumento da criminalidade, mas esses problemas não serão resolvidos, se não procurarmos desenvolver nosso interior.

No passado remoto, se houvesse uma guerra, os efeitos seriam geograficamente limitados, porém hoje, em função do progresso, o potencial de destruição ultrapassou o concebível. No ano passado estive em Hiroshima, no Japão. Mesmo tendo informações a respeito da explosão nuclear lá ocorrida, era muito diferente estar no local, ver com meus próprios olhos e encontrar pessoas que realmente sofreram com aqueles acontecimentos. Fiquei profundamente emocionado. Uma arma terrível tinha sido usada. Embora possamos considerar alguém como inimigo, temos de levar em conta que essa pessoa é um ser humano e que tem direito a ser feliz. Olhando para Hiroshima e refletindo a respeito, fiquei ainda mais convencido de que a raiva e o ódio não são meios para solucionar problemas.

A raiva não pode ser superada pela raiva. Quando uma pessoa tiver um comportamento agressivo com você e a sua reação for semelhante, o resultado será desastroso. Ao contrário, se você puder se controlar e tomar atitudes opostas "compaixão, tolerância e paciência", não só se manterá em paz, como a raiva do outro diminuirá gradativamente. Do mesmo modo, problemas mundiais não podem ser solucionados pela raiva ou pelo ódio. Sentimentos como esses devem ser enfrentados com amor, compaixão e pura bondade.

Pensem em todas as terríveis armas que existem, mas que, por si mesmas, não podem iniciar uma guerra. Por trás do gatilho há um dedo, movido pelo pensamento, não por sua própria força. A responsabilidade permanece em nossa mente, de onde se comandam as ações. Portanto, controlar em primeiro lugar a mente é muito importante. Não estou falando de meditação profunda, mas apenas de cultivar menos raiva e mais respeito aos direitos do outro. Ter uma compreensão mais clara da nossa igualdade como seres humanos.

Ninguém quer a raiva, ninguém quer a intranqüilidade, mas por causa da ignorância somos acometidos por sentimentos como esses. A raiva nos faz perder uma das melhores qualidades humanas, o poder de discernimento. Temos um cérebro bem desenvolvido, coisa que outros mamíferos não têm. Esse órgão nos permite julgar o que é certo e o que é errado. Não apenas em termos atuais, mas em projeções para daqui dez, vinte ou mesmo cem anos. Sem nenhum tipo de pré-cognição, podemos utilizar nosso bom senso para determinar o certo e o errado. Imaginar as causas e seus possíveis efeitos. Contudo, se nossa mente estiver ocupada pela raiva, perderemos o poder de discernimento e nos tornaremos mentalmente incompletos. Devemos salvaguardar essa capacidade e, para tanto, temos de criar uma companhia de seguros interna: autodisciplina, autoconsciência e uma clara compreensão das desvantagens da raiva e dos efeitos positivos da bondade. Se refletirmos a respeito dessas questões com freqüência, podemos incorporar a idéia e, então, controlar a mente.

Por exemplo: pode ser que você seja uma pessoa que se irrita facilmente com pequenas coisas. Com desenvolvida compreensão e conscientização, isso pode ser controlado. Se você fica geralmente zangado por dez minutos, tente reduzi-los para oito. Na semana seguinte, reduza para cinco e, no próximo mês, para dois. Depois, passe para zero. É assim que desenvolvemos e treinamos nossa mente. É o que penso e também o que pratico.

É perfeitamente claro que todos necessitam de paz interior, que só pode ser alcançada por meio da bondade, do amor e da compaixão. O resultado é uma família em paz, felicidade entre pais e filhos, menos brigas entre casais. Em uma nação, essa atitude pode criar unidade, harmonia e cooperação com saudável motivação. Em nível internacional, precisamos de confiança e respeito mútuos, discussões francas e amistosas, com motivações sinceras e um esforço conjunto no sentido de resolver problemas. Tudo isso é possível.

Precisamos, porém, mudar interiormente. Nossos líderes têm feito o melhor que podem para resolver nossos problemas, mas, quando um é resolvido, surge outro. Tenta-se solucionar este, surge mais um em outro lugar. Chegou o momento então de tentar uma abordagem diferente.

É certamente difícil realizar um movimento mundial pela paz de espírito, mas é a única alternativa. Caso houvesse outro método mais fácil e prático, seria melhor, porém não há. Se com armas pudéssemos chegar à paz duradoura, muito bem. Transformaríamos todas as fábricas em produtoras de armamentos. Gastaríamos todos os dólares necessários, se conseguíssemos a definitiva paz, mas tal é impossível.

As armas não permanecem empilhadas. Uma vez desenvolvidas, alguém irá usá-las. O resultado é a morte de criaturas inocentes. Portanto, a única maneira de atingirmos uma paz mundial duradoura é por meio da transformação interior. E, mesmo que essa transformação não ocorra durante esta vida, a tentativa terá sido válida. Outros seres humanos virão; a próxima geração e as seguintes. E o progresso pode continuar. Sinto que, apesar das dificuldades práticas, e, mesmo correndo o risco de que tal visão seja considerada pouco realista, vale a pena o esforço. Assim, aonde quer que eu vá, expresso essas idéias e sinto-me muito motivado porque mais pessoas têm sido receptivas a elas.

Cada um de nós é responsável por toda a humanidade. Chegou a hora de pensarmos nas outras pessoas como verdadeiros irmãos e irmãs e nos preocuparmos com seu bem-estar. Mesmo que você não possa se sacrificar inteiramente, não deverá esquecer-se das dificuldades dos outros. Temos de pensar mais sobre o futuro em benefício de toda a humanidade. Se você tentar dominar seus sentimentos egoístas e desenvolver mais bondade e compaixão, em última análise, você é quem irá sair beneficiado. É o que chamo de egoísmo sábio. Pessoas egoístas tolas só pensam em si mesmas, e o resultado é negativo. Egoístas sábios pensam nos outros, ajudam da melhor forma e também colhem os benefícios. Essa é minha simples religião. Não há necessidade de templos ou de filosofias complicadas. Nosso próprio cérebro, nosso coração são nossos templos. A filosofia é a bondade.

(Texto extraído da obra A Policy of Kindness, Snow Lion Publications, 1990.)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Poema Zen


Por Hozumi Gensho Rôshi
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Hino sobre a Vida

A paz não é feita através da teoria.
Muitas pessoas morreram na guerra.
Este pesar, esta dor, ainda podem ser sentidos.
Não importa o quão alto se chore,
Deste modo a paz não pode ser alcançada.
As flores do campo e os pequenos insetos têm vida.
Cada vida tem de ser respeitada,
De onde mais viria a paz?