A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

(Atenção!!! - Em Julho, no período de recesso, estaremos com outro local de prática! O endereço é na Rua Professora Neuza Lula Rodrigues, n. 150, Casa 11 - Resid. Canachuê - B. Jardim Santa Amália.) Sempre aos sábados, das 07h às 08h! Informações: (65) 9.8143-4379 - Ivan.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Prática Semanal


Queridos amigos (as), irmãos e irmãs no darma,


lembramos a todos que amanhã, 01.06.10 (terça-feira), haverá nossa prática de meditação e Thai Chi Chuan, na Academia Ligia Prieto.


Thai Chi Chuan - 19:00


Meditação - 20:00


Recomendamos roupas leves.


Informações: (65)3052-6634 # 9202-9925

domingo, 30 de maio de 2010

Poema Zen



No instante de um pensamento,

Minha mente turbulenta chegou a um descanso.

O interior e o exterior,

Os sentidos e seus objetos,

São completamente lúcidos.

Em uma volta completa,

Esmaguei a grande vacuidade.

As dez mil manifestações

Surgem e desaparecem

Sem qualquer razão.

— Han-shan

As Seis Portas da Ação (Paramitas)


Thich Nhat Hanh

Opening the Heart of the Cosmos - Parte IV Opening The Doors Of Action, Cap. 29 "The Six Paramitas"

(Tradução: Samuel Cavalcante)

Em um dos cantos recitados pelos monges e monjas durante os rituais da manhã, existe a expressão "abrindo as portas da ação". Isto se refere a entrar na dimensão da ação através da prática das seis Paramitas (1). As seis Paramitas são chamadas de portas para a ação porque são a base do caminho do bodhisattva. Não é apenas Sadaribhuta, Avalokiteshvara, Samantabhadra e outros grandes bodhisattvas que encontramos na páginas do Sutra do Lótus, mas sou eu, é você e cada um que pode ser um discípulo e amigo de Buda e servir como bodhisattva para ajudar a trazer paz, alegria e estabilidade ao mundo.
O termo sânscrito "paramita" é usualmente traduzido em inglês ( e em português, por extensão NT) por "perfection" (perfeição, NT), mas na literatura Budista Chinesa é transcrito como um ideograma que se traduz literalmente por "atravessando para a outra margem". As seis Paramitas são meios muito concretos para cruzarmos o mar de sofrimento rumo à margem da liberdade do apego, raiva, inveja, desespero e ilusão. Através do cultivo e do aperfeiçoamento destas seis maneiras de ser, podemos atingir a outra margem rapidamente - poderá levar apenas alguns segundos para cruzar o mar de sofrimento e chegar na margem do bem estar. Nós poderíamos pensar que levaria muitos anos de prática para se tornar livre das aflições, mas se soubermos como cultivar e manifestar estas seis qualidades, poderemos cruzar esse mar aqui e agora.
A primeira Paramita, a primeira porta da ação é Dana , doação e generosidade. A segunda porta da ação é Shila , os preceitos, os treinamentos da plena consciência, as linhas gerais do comportamento ético. A terceira porta é Kshanti, inclusividade que a tudo abraça. A quarta porta da ação é Virya, diligência, energia, esforço e firmeza na prática. A quinta é Dhyana, meditação, a prática de parar, acalmar-se e olhar profundamente. E a sexta é Prajña, sabedoria e compreensão.
Nós já vimos essas qualidades manifestadas nos bodhisattvas do Sutra do Lótus. O Bodhisattva-Que-Nunca-Despreza e Purna exemplificam a perfeição da inclusividade, Manjushri é um exemplo da completa realização da grande sabedoria. O voto do Bodhisattva Tesouro-da-Terra (Kshitgarbha) de não descansar até que todos os seres sejam libertados dos infernos do sofrimento é um exemplo da perfeição da diligência.
Todos os grandes bodhisattvas manifestam as qualidades das seis Paramitas de várias maneiras, e cada uma dessas portas da ação existem em interdependência umas das outras. Em qualquer uma das seis qualidades você poderá ver as outras cinco. Esta é a postura que sempre devemos tomar quando estudamos e praticamos o Budismo, porque o principal fundamento da sabedoria Budista é o interser - o um contém o todo.

É muito importante que entendamos a natureza de interser das seis Paramitas. Pela prática de Shila, os treinamentos da plena consciência, você também pratica a doação. Quando você sabe como viver com plena consciência, você está oferecendo algo muito significativo para o mundo. A prática da inclusividade também é a prática da doação. Quando você aceita completamente as pessoas, abraça-as e toma conta delas, é um grande presente. Pela prática da aceitação e do cuidado com os outros você ajuda a trazer mais paz e estabilidade para a sua família e para a sua comunidade. As práticas da diligência e da meditação também trazem muita alegria, estabilidade, transformação e cura não somente para si mesmo mas, também, para todos à sua volta. E a prática de Prajña, oferece o tipo de entendimento e sabedoria que nos ajuda a todos a cruzar o rio do sofrimento para a margem da libertação.
As seis paramitas são uma prática essencial do caminho do bodhisattva. Para nos manifestarmos na dimensão da ação e servir mais efetivamente como os braços e mãos dos Budas e bodhisattvas no mundo, praticamos e aperfeiçoamos estas seis qualidades em nós mesmos. No momento em que virmos a presença de todas as Paramitas em cada Paramita começaremos a compreender e viver verdadeiramente a prática.

Fonte: Blog Interser
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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mahaprajapati


Mahaprajapati
Mahaprajapati deve ter amamentado, educado, trocado fraldas e embalado o pequeno Buda.
Mãe de Buda. Mãe de criação. Mãe que formou a personalidade.
Maha significa grande.

Mestra de uma grande assembléia. Líder de um grande grupo ou grande líder de um grande grupo.
Esse o significado de seu nome.
Mahaprajapati foi a primeira monja histórica.
A mãe biológica do Buda Histórico, Xaquiamuni, foi a rainha Maia. Morreu uma semana depois do nascimento de seu primeiro e único filho.
A mãe espiritual de todos os Budas é Prajna – sabedoria.
A grande mãe, geradora de vida, incessantemente gerando, alimentando, nutrindo, protegendo, abençoando e dando liberdade para que cada pessoa encontre sua plenitude.
Na Índia encontrei-me com a Grande Mãe do abraço, em Kerala. No ashram com mais de três mil residentes, todos vestidos de branco, pude receber o abraço da Mãe – Ama, Mama. O arquétipo da grande mãe se manifestando naquela senhora macia. Empoderamento. Mães devem ser capazes de dar poder a seus filhos. Poder de decisão. Poder de escolha. O poder do amor incondicional.
Hoje, quando ficamos alarmadas e surpresas com inúmeras histórias de mães e pais que maltratam os filhos, alguns os matam, outros os abandonam, estupram, vendem, fico pensando na Grande Mãe. Teriam perdido o poder do amor? Teriam perdido o poder do bem? Em que espelho perderam suas faces?
Teria sido a dor, o abandono, os abusos, a loucura?
O que os fez assim tão maus?
A maldade embutida, enrustida, se revela e nos percebemos todos monstros frios, monstros quentes.

“Fiquei com a cabeça quente e matei o menino” disse um padrasto recentemente. Cabeça quente. Cabeça fria.

Perdeu a cabeça. Perdeu a razão. Perdeu a vida.

Quem mata morre junto com quem morreu. Em cada morte, tantas mortes.
O famoso poema das esmolas: quem dá, quem recebe e o que é dado – os três são vazios de uma entidade fixa e os três estão inter-relacionados.
Tudo está interligado.
Grande sabedoria suprema.
Maha prajna paramita.
Invoco que a Grande Sabedoria Suprema nutra todos nós seres humanos.
Invoco que Maha Prajna Paramita seja nossa mãe verdadeira, iluminando a Terra com a capacidade de alcançarmos a Terra Pura.
Invoco Mahaprajapati Gotami que seja nossa mãe nutrindo nossos pequenos anseios de ternura e cuidado com o leite da verdade e do bem.
Que nasçam todos e todas as Budas. Que sejam nutridos.
Que cresçam fortes. Que governem o mundo.
Que a Terra fique repleta de seres sábios e iluminados.
Capazes da paciência e do amor incondicional.
Capazes de cuidar do ar e do vento, da terra e das ervas, da hera e das árvores imensas, do mar e dos rios, dos açudes e dos lagos. Para que não haja crianças jogadas fora.
Precisamos de cada uma e todas elas. Nossas filhas e nossos filhos. Precisamos das crianças do mundo. Felizes, brincando, chorando, pedindo, errando, aprendendo, nos ensinando a ser criança de novo. Inocente, descobrindo que vale a pena viver.
Minha homenagem a Isabella Nardoni. Princesa celestial.
Que esteja em paz. Que esteja tranqüila. Onde ninguém mais a pode maltratar. Pequenina. Faltou-lhe um beijo, faltou-lhe um afago, um carinho terno que a pudesse ninar.
On ka ka kabi san ma e sowa ka
Dharani de Jizo Bodisatva – prece mágica, mantra do protetor da Terra. Protetor das crianças, protetor dos mortos.
Abençoe e proteja nossa menina Isabella, símbolo de todas as crianças maltratadas, mortas, abusadas.
Para que possamos reaprender o amor e o cuidado.
Não chore mais, menina amada.
Agora nós todos a amamos e invocamos aos seres celestiais e benfazejos que a acolham em suas asas suaves e ternamente a transportem para a eterna idade. Sem dores e sem rancores.
Mãos em prece
Monja Coen

VídeoFórum: "As Religiões do Mundo e a Ética Global"


4º ENCONTRO Religiões Chinesas - Maravilhosa China nos ensina caminho para 'esvaziamento' e reconciliação com a terra

Cenas da lindíssima “Dança dos Leões”, milenar tradição oriental que tem o significado de trazer uma chuva de boa sorte, abriu o vídeo sobre as Religiões Chinesas, apresentado na quinta-feira 27 de maio, dentro do videofórum “As religiões do mundo e a ética global”. Em meio a essa China de paisagens deslumbrantes, de imensas dimensões geográficas, que mistura o tradicional ao contemporâneo, foram mostrados o confucionismo, o taoísmo, o budismo e o cristianismo de raiz chinesa.

O teólogo Luiz Augusto Passos, professor da Universidade Federal de Mato Grosso, lembrou ainda, em sua palestra, do xintoísmo, que não aparece no vídeo, e de várias outras crenças chinesas que também não foram abordadas.

Guardando as peculiaridades de cada uma das grandes religiões apresentadas, o ponto em comum entre elas é a proposta de esvaziamento, da meditação, do om. Então, para os orientais e em especial os chineses, esquecer-se de si mesmo é fundamental para ser iluminado por tudo o que existe, ocorrendo a conexão do indivíduo com o cosmo ou com o senhor nas alturas, um nome que significa algo como Deus. Essa proposta remete inclusive à passagem bíblica, por exemplo, quando Jesus Cristo se afastou para meditar e purificar a mente de possíveis tentações da rotina deste mundo. Então, disse o palestrante, Jesus também se esvaziou.

A religião, o Estado, a cultura, a saúde física e mental. Tudo isso se mistura na China de Hans Küng, teólogo alemão, autor dos vídeos, que motivaram este videofórum, com a proposta de disseminação da cultura da paz. Küng acredita que só haverá paz no mundo se houver diálogo entre as religiões. E para isso, conhecê-las é fundamental.

Para Passos, porém, não é possível conceber tais religiões chinesas com olhos ocidentais. Foi um pecado cometido por Hans Küng, na opinião do palestrante. Segundo ele, o vídeo distorce, por exemplo, a lei do tao, quando aborda o Yin e Yang, que significa a forma como tudo se organiza e a interdependência entre tudo que existe, homem mulher, escuro claro, vida e morte, alegria e tristeza.

Passos tratou ainda, rapidamente, sobre a revolução popular comunista de Mao Tsé Tung, em 1949, que, na opinião do palestrante, se perdeu no autoritarismo e no fechamento da China. Esse autoritarismo teria trazido prejuízos às religiões chinesas, por conta do ateísmo marxista.

A China agora, grande potência mundial, não só se reencontra com sua forte espiritualidade, como também está aberta ao mundo, já que a muralha não serve mais ao seu propósito inicial e sim como patrimônio público, para visitação e reflexões.

Ainda para Luiz Augusto Passos, o que a China tem a nos ensinar no campo da espiritualidade é, essencialmente, o caminho para nossa conciliação com a terra e as coisas da terra. Além da valorização da sabedoria dos idosos e a forte união familiar.

Exibições e debates às quintas feitas no Colégio Isaac Newton (CIN), bairro Baú, das 19h às 21 horas, com entrada franca. Emissão de certificado pela UNISINOS/RS. Critério: 75% de presença.

Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e Justiça

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Prática Semanal


Queridos irmãos e amigos(as) no darma,


lembramos a todos que haverá prática de meditação no próximo sábado, 29.05.10, as 08:00, na Acadêmia Ligia Prieto. Término previsto para as 09:00. Aos iniciantes, sugerimos roupas leves.

Mãos unidas em prece.


Paz e sanidade.


Gasshô.

Informações: (65)3052-6634 # 9202-9925

Videofórum “As religiões do mundo e a ética global”


3º ENCONTRO Islamismo – Subserviência rigorosa a Deus

Uma religião rigorosa na subserviência a Deus. Assim o sheikh egípcio Amer Hikal mostrou o Islamismo, numa palestra em árabe, sendo traduzido pelo cirurgião dentista muçulmano, brasileiro, que trabalha em Cuiabá, Omar Hussein Hallak, no terceiro encontro do videofórum “As religiões do mundo e a ética global”.

O videofórum, organizado pelo Centro Burnier Fé e Justiça (CBFJ), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) e os movimentos Círculo da Paz e Um Grito pela Paz, está exibindo documentários sobre as religiões do mundo, seguidas de debate, desde 6 de maio, sempre às quintas-feiras, no colégio CIN, com entrada aberta. Os documentários são do teólogo alemão Hans Küng e fazem parte de uma campanha internacional pela paz. O teólogo acredita que só haverá paz no mundo através do diálogo entre as religiões. O próximo documentário será sobre Religiões Chinesas, dia 27 de maio. Debatedor: Luiz Augusto Passos.

O egípcio Amer Hikal é o líder islamita em Mato Grosso. Segundo ele, a regra geral do islamismo é seguir a riscas o Alcorão, livro sagrado do Islamismo, herança do profeta Maomé ou, conforme correção feita na palestra, profeta Mohamed. “É seguir as regras ou não a pessoa não é muçulmana”.

A ameaça do inferno está presente em várias falas do líder, ou seja, ir para o inferno como punição para os que não cumprem as verdadeiras leis de Deus que constam no Alcorão.
Além disso, ele destacou ainda que o Estado, nas principais regiões muçulmanas, é teocrático. “Quem governa é Deus. E tudo mais quem faz é Deus. Nós somos instrumentos apenas. Por exemplo, Deus iluminou vocês a fazerem essa palestra aqui hoje, mas quem fez esse evento foi Deus”.

Sobre a associação do Islã com o terrorismo, o sheikh destacou que fazer guerra ou mesmo guerra santa não é um dos cinco pilares do Islã e quem fez guerra santa foi a Igreja Católica. Os cinco pilares que constam no Alcorão - aponta ele - são dar o testemunho, orar, fazer caridade, jejuar e peregrinar à Meca, que é o “coração do Islamismo”. Sobre os grupos extremistas, considerados terroristas, como por exemplo o ETA (separatistas bascos), o Hizbolhah (libanês), o Hamas (palestino) e o talibã (movimento afegão), ele disse que não são essencialmente muçulmanos, embora haja muçulmanos envolvidos. Todos esses movimentos são tratados como sendo de resistência islâmica. Porém, coisa que poucas pessoas sabem é que, além do braço armado, alguns deles têm também fortes ações sociais e políticas, além, é claro, da religiosa. O sheikh questionou ainda como pode ser de guerra uma religião cujo nome vem de palavra “Salam”, que significa paz?

Sobre o diálogo com outras crenças, o líder islâmico informou que no Alcorão não há restrição às outras religiões. Ele avisou que o profeta Maomé ou Mohamed previu que o Judaísmo irá se dividir em 71 grupos; o Cristianismo em 72; e o Islã, em 73, mas apenas um grupo irá resistir, e este será o dono da verdade espiritual de Deus.

Uma das 73 divisões do islã é justamente os sufismo, corrente mística e contemplativa, que usa música, cânticos e danças na aproximação com o divino. Formas proibitivas, que, para o islamismo conservador e tradicional, exibem a sexualidade e tiram o foco do islã.

A mulher no islã também é uma questão que toca nos direitos humanos internacionais. O sheikh, no entanto, garantiu que há igualdade entre homens e mulheres muçulmanas. E que ambos são subservientes sim, mas a Deus. O lenço na cabeça, obrigação feminina, não se trata, segundo eles, de julgo perante a sociedade machista, mas sim ao criador. Ele disse que as mulheres no Islã votaram pela primeira vez em 1342 e que isso denota essa igualdade de gênero. Questionado então por que as mulheres não freqüentam as mesquistas nos mesmos locais que os homens, não houve resposta. Mas é para não distrair da oração. Também não houve resposta para uma pergunta que desafia o Islã no mundo contemporâneo. A miss Mundo é norte-americana e se diz muçulmana. No entanto, desfilou de maiô e seus sonhos atendem à lógica da estética física, já que deseja ser a mulher mais bonita do planeta. Pergunta que também ficou sem resposta.

O sheikh afirmou que o Islamismo é a religião que mais cresce no mundo. São de 15% a 16% fiéis a mais por ano. Marca de um projeto espiritual que arregimenta 1 bilhão e 500 milhões, que não vacila em seus rigorosos propósitos.

É claro que uma noite só não dá contra de dirimir todas as dúvidas sobre essa controversa religião, culturalmente bastante distante do Brasil, onde existem somente 30 mil seguidores. O sheikh convidou a todos e todas para uma visita à mesquista de Cuiabá, onde poderá esclarecer mais sobre o Islamismo.

Mais informações: (65) 3023-2959.
Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e Jusiça
(65) 9922-9445.

VideoFórum "As religiões do mundo e a ética global"


2º ENCONTRO Cristianismo – Movimentos humanos orientados por Jesus

O cristianismo não é igual a igrejas e nem a uma moral, mas sim é um movimento humano muito mais amplo, orientado por Jesus Cristo, um Jesus nem tanto Deus, mas sim bastante homem. Com isso, o padre espanhol José Cobo, mestre em Teologia, abriu ontem, 13.05, o segundo encontro do videofórum “As religiões do mundo e a ética global”. Antes disso, os participantes assistiram ao documentário sobre o Cristianismo, produzido pelo alemão Hans Küng.

O documentário alinhavou a história do cristianismo, desde o primitivo, praticado na época de Jesus, ao praticado atualmente. Mostrou o cristianismo conservador europeu, forte em ritos e vestimentas, focando a Igreja Ortodoxa Russa. Expôs ainda o cristianismo questionado, por volta do ano 1520, pelo monge alemão Martin Lutero, considerado pai do Protestantismo e reformista da Igreja Católica. Lutero questionou, especialmente, as indulgências, ou seja, o perdão comprado da igreja pelos fiéis. E também falou do cristianismo atual e social, como o praticado na América Latina, que busca resgatar a figura de um Jesus Cristo de pés descalços ao lado dos pobres.

O padre Cobo citou Mateus, capítulo 25, para falar sobre um Jesus vivo e presente e de mão dadas com aqueles que mais necessitam. “Acredito nas conversões junto com o povo; não naqueles que estão com o povo até que conseguem o posto que queriam e aí acabou-se”, ironizou o padre.

Respondendo a uma pergunta da platéia, Cobo avaliou que ser católico ou cristão na América Latina, hoje, é fácil. “Basta não ter medo de sujar os pés e entrar no barro das periferias para escutar as pessoas, se irmanar a elas”.
Antes da fé, diz o padre, é preciso que todos tenham alimento, casa, saúde, educação, isso para a humanidade inteira. “Primo vivere. Primeiro a vida. Isso é importante. Acontece que um grupinho de 10% tesoura todos os nossos bens e não quer abrir mão disso”, critica.

Como o Espiritismo não é citado no documentário sobre o Cristianismo, o padre disse, questionado pela platéia, que, pelo que sabe, trata-se de uma irmandade cuja essência é a caridade e a solidariedade entre irmãos.

Mas destacou que não podemos ser omissos com as “autênticas traições” cometidas pelas igrejas, registradas ao longo da história e ainda hoje. “Não podemos aceitar gato por lebre. Temos que ser muito rigorosos contra isso”, orienta. Sobre a reencarnação, por exemplo, ele questionou as provas. Alertou também para a falsa idéia passada por algumas religiões, de que aqueles que ganham mais dinheiro terão acesso garantido ao céu. “A maior piada que já ouvi foi. Milagre às quartas-feiras, das 15h às 17h. Isso não pode, não pode, é propaganda enganosa”, reagiu. “Deus não é um negociante, então não se pode fazer negócio com ele”.

Ao encerrar a palestra, padre José Cobo se comoveu ao afirmar que “Deus é pai. Nunca podemos aceitar um carrasco”.

O videofórum “As religiões do mundo e a ética global” está dentro da perspectiva do ecumenismo e da campanha mundial pela paz e irá exibir, às quintas-feiras, até 8 de julho, em Cuiabá, documentários sobre nove religiões, seguidos de debate, com a participação de representantes das religiões que serão abordadas. As exibições e os debates serão no Colégio Isaac Newton (CIN), do bairro Baú, das 19h às 21 horas, com entrada franca. Emissão de certificado pela UNISINOS/RS. Critério: 75% de presença.

O videofórum é articulado pelo Centro Burnier Fé e Justiça (CBFJ), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) e os movimentos Círculo da Paz e Um Grito pela Paz.

Mais informações e inscrições:
http://www.centroburnier.com.br/2010/03abr/16_video_forum_religioes_mundo.html

Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e Justiça

terça-feira, 25 de maio de 2010

Prática semanal com novo dia

Queridos amigos e amigas da sangha,

lembramos a todos que a partir desta semana, 23.05.2010, nosso dia de prática mudou para 3 Feira (terça-feira). Além dessa mudança, a amiga Ligia Prieto estará ministrando aula de Tai Chi Chua no primeiro horário que antecede a prática de meditação, sendo aberto a todos os interessados. Aos iniciantes, recomendamos roupas leves.
19:00 - Tai Chi Chuan

20:00 - Meditação e estudo

Mãos unidas em prece.

Gasshô.
Informações: (65) 3052-6634 # 9202-9925

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Sessão Ameditar de cinema, pipoca e suco!


Queridos amig@s da sangha,

haverá sessão pipoca neste domingo, 23.05.2010, as 17:00, na Academia Ligia Prieto. Será exibido um vídeo sobre a Roda do Dharma, ministrado pelo Lama Santem. Convidem amigos, vizinhos e familiares! Aguardamos todos!!!

Muita paz.

Mãos unidas em prece.

Gasshô.
Informações: (65)3052-6634 # 9202-9925

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Prática - Sábado


Queridos irmãos e amigos(as) no darma,


lembramos a todos que haverá prática de meditação no sábado, 22.05.10, as 08:00, na Acadêmia Ligia Prieto. Termino previsto para as 09:00. Aos iniciantes, sugerimos roupas leves.


Mãos unidas em prece.


Paz e sanidade.


Gasshô.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Agenda da Semana


4ªFeira - (20:00) - 19.05.2010

Prática de meditação e estudo, a partir das 20:00, na Acadêmia Ligia Prieto.


Sábado - (08:00) - 22.05.2010

Prática de meditação e estudo, a partir das 08:00, na Acadêmia Ligia Prieto.


Domingo - (17:00) - 23.05.2010

Sessão Pipoca Ameditar!!!
Filme: A Roda da Vida; palestra Lama Santem

Gasshô.

Ivan.

Informações: Ligia (65)3052-6634 # Ivan (65) 9202-9925

www.cienciameditativa.com


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Um lugar seguro



Trecho do Livro de Thich Nhat Hanh “Keeping the Peace – Mindfulness and Public Service”, capítulo 8 - A Safe Place.

Tradução: Samuel Cavalcante



Em Plum Village, temos centenas de monges, monjas e leigos praticando juntos como um organismo. Nós temos um código de comportamento chamado de Treinamentos da Plena Consciência. Este código é tão antigo quanto o Buda e tem sido passado adiante por milhares de anos, mas não é imposto a nós por ninguém. É algo com o qual temos que concordar para a nossa própria felicidade.
Como um indivíduo, você tem que ter um código de comportamento para proteger a si mesmo. De maneira similar, sua família e seu local de trabalho também têm que ter algumas práticas de comum acordo para se protegerem enquanto família ou comunidade. Talvez vocês concordem em se sentarem juntos calmamente antes das refeições ou se sentar sozinho quando estiverem com raiva, antes de conversar com alguém. Esses acordos mútuos podem proteger e nutrir vocês mesmos, suas famílias ou sua comunidade de trabalho.
Para funcionar como um organismo, é necessário haver um comportamento que seja aceitável e desejável por todos. Você não pode apenas usar a autoridade de pai ou mãe para obrigar um filho a fazer alguma coisa. Se eles estão fazendo algo que está ferindo sua família, você tem que explicar isso com bondade. Você não pode simplesmente escrever algumas leis: tipo "Não volte para casa depois de tal e tal hora"; "você pode gastar somente esse tanto de dinheiro"; ou "quando eu falar com você, você tem que escutar e não replicar". Todas essas coisas podem ser de ajuda, mas não são suficientes. O código de comportamento tem que ser criado e praticado de tal modo que a comunicação entre todos na família seja possível e proveitosa.
É a mesma coisa no ambiente de trabalho. Só por que você supervisiona as pessoas no trabalho, dar ordens e forçá-las a obedecer não vai funcionar. Como professor, eu não uso a minha autoridade para forçar os meus estudantes a fazer o que eu quero. Não funciona. Ao invés disso, eu sento com meus estudantes e mostro a eles que seu comportamento ou ação negativa não está trazendo felicidade nem pra eles e nem pra comunidade.
Muitos de nós somos professores. A escola devia ser um lugar onde a prática da plena consciência pode ser um agente de proteção e cura. Muitos estudantes vêm de família e situações difíceis. Muitos professores têm suas próprias dificuldades e as levam para a sala de aula. Frequentemente, tanto os estudantes quanto os professores trazem os seus próprios problemas para a escola e aumentam o sofrimento uns dos outros. Para praticar a plena consciência é preciso ter um código de ética que crie um lugar seguro para a energia coletiva da plena consciência possa abraçar aqueles que estão sofrendo. É preciso muita paciência para aceitá-los e dar-lhes a chance de se transformarem.
Para mim, compreensão é o próprio fundamento do amor. Se você não compreender as dificuldades dos outros, seu sofrimento, dor e suas aspirações profundas, você não poderá cuidar deles e fazê-los feliz. É por isso que compreensão é amor. Você tem tempo para observar e compreender? Você compreende a si mesmo? Você compreende as raízes de seu próprio sofrimento, de sua própria tristeza e dor? Você sabe lidar consigo mesmo com solidariedade? Se você não souber lidar consigo mesmo com solidariedade, como poderá se relacionar com os outros com compreensão e solidariedade? Este é o tipo de prática que pode promover um código de comportamento que fará o ambiente de trabalho harmonioso, feliz e cheio de paz.
Por isso, professores, policiais, assistentes sociais e todos nós que estamos frequentemente em contato com pessoas que estão sofrendo, precisamos aprender a lidar com nossas próprias frustrações e raiva. Podemos dizer: "Inspirando, eu sei que a raiva está em mim. Expirando, abraço a minha raiva com carinho. Não devo fazer meus alunos ou clientes sofrer por causa da minha raiva, mesmo se alguns deles se comportarem de maneira violenta".
Mais Acordo, Menos Autoridade
Quando um jovem policial diz "Eu adoro ser tira", pode ser que ele simplesmente goste de seu trabalho como policial e queira ajudar as pessoas. Mas pode ser também que ele goste da autoridade que possui. As pessoas o respeitam como policial e ele usufrui dessa situação. Mas se ele não praticar, mais tarde ele irá sofrer. O treinamento de um policial deveria incluir um treinamento sobre como não identificar-se, o seu ego, com o poder a ele conferido. Isto é muito importante.
Se você estiver treinando policiais, professores ou qualquer outra pessoa em posição de autoridade, você deveria deixar claro, desde o início, que a autoridade não está aí para ser motivo de abuso.
Especialmente nos países budistas, os monges são tratados com muita reverência e respeito. Se não praticarmos a compreensão de que não somos nossos trajes, que não somos autoridades, cairemos vítimas de nossos egos e faremos sofrer a nós e a nossa comunidade. Teremos falhado em nossas vidas como monges. O traje de um monge representa o Dharma. Quando você se torna um monge, você toma os votos de incorporar em si o Dharma, de fazer do Dharma o objeto absoluto de sua vida. Se alguém reverencia você, se alguma pessoa demonstra por você um extremo respeito, não pense que ela está venerando você, o seu ego. Se você pensar assim, você estará perdido. Às vezes, milhares de pessoas se inclinam com extrema reverência a mim. Por causa da plena consciência, eu sei que eles estão reverenciando o Dharma. Eles estão reverenciando o bom, o belo e o verdadeiro. Não estão reverenciando o meu ego. Assim eu permaneço livre. Eu me protejo com a energia da plena consciência. Se eu for pego em orgulho, se eu tiver um pensamento errôneo, uma compreensão errônea, uma percepção errônea de sua veneração, eu morrerei enquanto monge.
Cada vez que um jovem se torna monge ou monja é dado a ele ou ela um traje para vestir - imediatamente eu digo para que ele ou ela pratiquem o ato de soltar-se do ego. Se você se veste em trajes de monge, você será objeto de veneração e respeito para muitas pessoas. Não pense que eles estão mostrando respeito e veneração ao seu ego. Não. Você pode ter ainda muita raiva, ignorância e aversão em você. Eles não estão reverenciando seu ego, mas o símbolo de verdade e beleza que você representa. Mas não diga "Não, não sou digno de seu respeito". Você não tem direito de dizer isso porque você está trajando vestes de monge. Assim, a única coisa que você pode fazer é se sentar muito calmamente, inspirando e expirando, e percebendo que eles estão reverenciando a verdade, a beleza e o Dharma e você estará a salvo.
Quando você veste uma roupa de monge, torna-se um símbolo do Dharma, assim como quando você põe uma farda de policial se transforma em um símbolo da lei, ou quando você se senta atrás de um birô de professor você se transforma em um símbolo de autoridade. Isto pode ser um perigo, mas também dá a você a chance de pensar um modo de trabalhar com as pessoas para criar um código de ética em uma comunidade.
Se vocês estiverem treinando policiais, professores, médicos ou assistentes sociais, por favor, digam de antemão que se as outras pessoas demonstram muito respeito e temor, na verdade demonstram isso para a lei, para a medicina, para a educação. Eles estão demonstrando respeito a um código de conduta e não a você como um indivíduo. Se você sente que as pessoas demonstram deferência, mas você aprecia da maneira errada, você sofrerá mais tarde e o sofrimento poderá se espalhar pelo seu departamento ou pela sua família.
Isso não significa que você não possa apreciar o fato de ser uma pessoa que serve à sociedade. O poder foi conferido a você para que você possa ser útil. Você pode ajudar a proteger as pessoas, oferecer a elas segurança e ajudá-las a curar a violência nelas mesmas, de modo que elas não a usarão para atacar. Aquela pessoa que carrega uma arma e está prestes a dar um tiro é também objeto de seu serviço. Se você puder evitar que ela ou ele atire estará fazendo um bom serviço. E você o faz com solidariedade. Você não os considera seus inimigos. Se você os considerar seus inimigos, isto não estará na linha do pensamento correto. Você não serve apenas aos cidadãos pacíficos, mas também aos criminosos em potencial. Seu trabalho é evitar a violência.
Se você se engajar numa disputa de poder com aqueles os quais você serve, jamais poderá undi-los de maneira feliz, enquanto comunidade. Se você deixar de lado esta necessidade de autoridade, tornar-se-á possível para policiais, professores, agentes prisionais, viverem felizes enquanto escola, departamente, comunidade e apreciar a compreensão e o apoio das pessoas de fora.
Como criar um código de ética mútuo com aqueles aos quais você serve? Deveria haver um tempo para professores e estudantes sentarem juntos para conversar sobre suas dificuldades e sofrimento. A compreensão mútua removerá a raiva e a aversão - e professores e estudantes se comportarão como membros de uma mesma família. Transformação e cura poderão ser possíveis na escola, pois a escola se tornou o lugar para uma segunda chance, uma segunda família. Se professores e alunos tiverem sucesso, serão capazes de levar a cura para casa e para a suas famílias.
Isto é mais difícil de fazer em profissões do tipo policial, mas é possível. Imagino que o departamento de polícia pode organizar sessões de casa aberta e convidar as pessoas da sua área para vir e se encontrar como seres humanos, capazes de dançar, cantar, ser gentis e felizes. As revistas dos departamentos de polícia deviam ser cheias de artigos positivos, estórias e poemas para que a compreensão mútua surja entre os policiais e as pessoas às quais servem. E acho que nós, como civis, deveríamos organizar, de vez em quando, uma festa e convidar nossos policiais a vir e apreciar um concerto, música, dança, para que possamos ver a humanidade do policial. Isto é muito importante.
Não é impossível. Uma vez que os tenhamos visto enquanto seres humanos, poderemos perceber que compartilhamos objetivos, esperança e ética.

domingo, 16 de maio de 2010

Angulimala Sutta


Angulimala Sutta
Traduzido do Pali para o inglês originalmente por Bhikkhu Nanamoli, editado e revisado por Bhikkhu Boddhi

Somente para distribuição gratuita como um presente do Dhamma
1. Assim ouvi. Em certa ocasião o Abençoado estava vivendo em Savathi, no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika.
2. Agora, naquela ocasião havia no reino do rei Pasenadi de Kosala um bandido chamado Angulimala que era um assassino, com as mãos tingidas de sangue, habituado a golpes e violência, impiedoso com os seres vivos. Vilarejos, cidades e distritos haviam sido destruídos por ele. Ele estava constantemente matando pessoas e usava os dedos delas em um colar.
3. Então, quando havia amanhecido, o Abençoado se vestiu e tomando a sua tigela e manto externo, foi para Savathi para a coleta de alimentos. Depois de haver perambulado em Savathi coletando alimentos ele retornou e após a sua refeição arrumou o seu local de descanso e tomando a tigela e o manto externo saiu pela estrada que levava para onde estava Angulimala. Pastores e camponeses que passavam vendo que o Abençoado caminhava na direção que levava para onde estava Angulimala lhe diziam: "Não siga por essa estrada recluso. Nessa estrada se encontra o bandido Angulimala que é um assassino, com as mãos tingidas de sangue, habituado a golpes e violência, impiedoso com os seres vivos. Vilarejos, cidades e distritos foram destruídos por ele. Ele está constantemente matando pessoas e usa os dedos delas em um colar. Homens em grupos de dez, vinte, trinta e até quarenta seguiram por esta estrada e assim mesmo foram vítimas de Angulimala". Quando isso havia sido dito, o Abençoado seguiu em silêncio.
Por uma segunda vez...Por uma terceira vez os pastores e camponeses disseram isso ao Abençoado, mas ainda assim o Abençoado seguiu em silêncio.
4. O bandido Angulimala viu o Abençoado se aproximando à distância. Quando ele o viu, pensou: "É fantástico, é maravilhoso! Pessoas em grupos de dez, vinte, trinta e até quarenta seguiram por esta estrada e assim mesmo foram minhas vítimas. E agora esse recluso vem sozinho, sem companhia, como se empurrado pela fé. Porque eu não deveria matar esse recluso?" Angulimala então tomou a sua espada e escudo, afivelou o seu arco e a aljava e seguiu o Abençoado de perto.
5. Então o Abençoado realizou tamanha façanha com os seus poderes paranormais que o bandido Angulimala, embora caminhasse tão rápido quanto pudesse, não conseguia alcançar o Abençoado que caminhava em seu passo normal. Então o bandido Angulimala pensou: "É fantástico, é maravilhoso! Antes eu conseguia alcançar e agarrar até mesmo o elefante mais rápido; eu conseguia alcançar e agarrar até mesmo o cavalo mais rápido; eu conseguia alcançar e agarrar até mesmo a carruagem mais rápida; eu conseguia alcançar e agarrar até mesmo o cervo mais rápido; mas agora, embora esteja caminhando o mais rápido que possa, não consigo alcançar esse recluso que está caminhando em seu passo normal!" Ele parou e chamou o Abençoado: "Pare, recluso! Pare, recluso!"
"Eu parei, Angulimala, pare você também."
Então o bandido Angulimala pensou: "Esses reclusos, filhos dos Sakyas, falam a verdade, afirmam a verdade; mas embora esse recluso ainda esteja caminhando, ele diz: 'Eu parei, Angulimala, pare você também.' E se eu questionasse esse recluso."
6. Então o bandido Angulimala se dirigiu ao Abençoado em versos da seguinte forma:

"Enquanto caminha, recluso, você diz que parou;
Mas agora, quando eu parei, você diz que não parei.
Eu lhe pergunto agora, Ó recluso, qual o significado:
Como pode ser que você tenha parado e eu não tenha?"

"Angulimala, eu parei para sempre,
Eu me abstenho da violência para com os seres vivos;
Mas você não tem nenhum refreamento em relação àquilo que tem vida:
Essa é a razão porque eu parei e você não."

"Ó, até que enfim este recluso, um sábio venerado,
Veio para esta grande floresta por minha razão.
Ouvindo os seus versos com o ensinamento do Dhamma,
Eu de fato renunciarei ao mal para sempre".

Assim dizendo, o bandido tomou a sua espada e armas
E as arremessou em uma cova num abismo;
O bandido venerou os pés do Abençoado,
E depois ali pediu sua admissão na vida santa.

O Iluminado, o Sábio da Grande Compaixão,
O Mestre do mundo com [todos] os seus deuses,
Dirigiu-se a ele com estas palavras, "Venha, bhikkhu".
E assim foi como ele se tornou um bhikkhu.

7. Então o Abençoado iniciou a caminhada de regresso a Savathi com Angulimala como seu acompanhante. Caminhando em etapas eles acabaram por chegar em Savathi e lá se estabeleceram no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika.
8. Agora naquela ocasião uma grande multidão havia se aglomerado nos portões do palácio do rei Pasenadi, barulhenta e ruidosa, gritando: "Senhor, o bandido Angulimala encontra-se no seu reino; ele é um assassino, com as mãos tingidas de sangue, habituado a golpes e violência, impiedoso com os seres vivos. Vilarejos, cidades e distritos foram destruídos por ele. Ele está constantemente matando pessoas e usa os dedos delas em um colar! O rei precisa acabar com ele!"
9. Então no meio do dia o rei Pasenadi de Kosala saiu de Savathi com um grupo de 500 cavaleiros em direção ao parque. Ele foi até onde a estrada permitia ir com a sua carruagem e depois desmontou e seguiu a pé até onde estava o Abençoado. Depois de saudar o Abençoado ele sentou-se a um lado e o Abençoado lhe disse: "O que há, grande rei? O rei Seniya Bimbisara de Magadha o estará atacando ou os Licchavis de Vesali ou outros reis hostis?"
10. "Venerável senhor, o rei Seniya Bimbisara de Magadha ou os Licchavis de Vesali ou outros reis hostis não estão me atacando. Mas há um bandido no meu reino chamado Angulimala, ele é um assassino, com as mãos tingidas de sangue, habituado a golpes e violência, impiedoso com os seres vivos. Vilarejos, cidades e distritos foram destruídos por ele. Ele está constantemente matando pessoas e usa os dedos delas em um colar. Eu nunca serei capaz de acabar com ele, venerável senhor."
11. "Grande rei, suponha que você visse que Angulimala raspou o seu cabelo e barba, vestiu os mantos amarelos e seguiu a vida santa; que ele está se abstendo de matar seres vivos, de tomar aquilo que não é dado e da linguagem falsa; que ele se abstém de comer à noite, come somente uma vez ao dia, é celibatário, virtuoso, com bom caráter. Se você o visse assim, como o trataria?"
"Venerável senhor, nós o homenagearíamos, ou nos levantaríamos, ou o convidaríamos para que ele se sentasse; ou o convidaríamos para que aceitasse mantos, alimentos, um lugar para descanso ou medicamentos; ou nós lhe proveríamos guarda, defesa e proteção sob a lei. Mas, venerável senhor, ele é um homem sem moral, mau caráter. Como poderia ter tal virtude e contenção?"
12. Agora, naquela ocasião o venerável Angulimala estava sentado não muito distante do Abençoado. Então o Abençoado estendeu o seu braço direito e disse ao rei Pasenadi de Kosala: "Grande rei, este é Angulimala."
Então o rei Pasenadi ficou com medo, alarmado e aterrorizado. Sabendo disso, o Abençoado lhe disse: "Não tema, grande rei, não tema. Não há nada a temer da parte dele."
Então o medo, alarme e terror do rei diminuiram. Ele foi até o venerável Angulimala e lhe disse: "Venerável senhor, você é realmente Angulimala?"
Sim, grande rei."
"Venerável senhor, de que família é o seu pai? De que família é a sua mãe?"
"Meu pai é um Gagga, grande rei; minha mãe é uma Mantani."
"Que o nobre senhor Gagga Mantaniputta descanse satisfeito. Eu irei prover mantos, alimentos, um lugar para descanso e medicamentos para o nobre senhor Gagga Mantaniputta."
13. Agora naquela ocasião o venerável Angulimala vivia na floresta, coletava alimentos, vestia mantos feitos com trapos e se restringia a três mantos. Ele respondeu; "Já é o suficiente, grande rei, meus três mantos estão completos.'
O rei Pasenadi então voltou para o Abençoado e após saudá-lo, sentou-se a um lado e disse: "É fantástico, venerável senhor, é maravilhoso como o Abençoado doma os indomados, traz paz para os perturbados e conduz ao Nibbana aqueles que ainda não alcançaram o Nibbana. Venerável senhor, nós mesmos não pudemos domá-lo com a força e armas e no entanto o Abençoado o domou sem força e sem armas. E agora, venerável senhor, nós partiremos. Estamos muito ocupados e temos muito que fazer."
"Agora é o momento, grande rei, para fazer o que você considera ser adequado."
Então o rei Pasenadi de Kosala levantou-se do seu assento e após homenagear o Abençoado, mantendo-o à sua direita, partiu.
14. Então, quando havia amanhecido, o venerável Angulimala se vestiu e tomando a sua tigela e manto externo, foi para Savathi para a coleta de alimentos. Enquanto ele perambulava de casa em casa em Savathi, ele viu uma certa mulher dando a luz a uma criança deformada. Vendo isso, ele pensou: "Como os seres sofrem! De fato, como os seres sofrem!"
Depois de haver perambulado em Savathi coletando alimentos ele retornou e após a sua refeição ele foi até o Abençoado e depois de homenageá-lo ele sentou-se a um lado e disse: "Venerável senhor, pela manhã me vesti e tomando a minha tigela e manto externo, fui para Savathi para a coleta de alimentos. Enquanto perambulava de casa em casa em Savathi, vi uma certa mulher dar à luz a uma criança defeituosa. Vendo isso, pensei: "Como os seres sofrem! De fato, como os seres sofrem!"
15. "Nesse caso, Angulimala, vá para Savathi e diga para aquela mulher: "Irmã, desde que nasci, não me recordo de intencionalmente haver privado da vida um ser vivo. Por essa verdade, que você fique bem e a sua criança fique bem!"
"Venerável senhor, não estaria eu contando uma mentira deliberada, pois intencionalmente privei da vida muitos seres vivos?"
"Então, Agulimala, vá para Savathi e diga para aquela mulher: "Irmã, desde que nasci com o nobre nascimento, não me recordo de intencionalmente haver privado da vida um ser vivo. Por essa verdade, que você fique bem e a sua criança fique bem!"
"Sim, venerável senhor", o venerável Angulimala respondeu e tendo ido até Savathi disse para aquela mulher: "Irmã, desde quando nasci com o nobre nascimento, não me recordo de intencionalmente haver privado da vida um ser vivo. Por essa verdade, que você fique bem e a sua criança fique bem!" Então a mulher e a criança melhoraram.
16. Depois de não muito tempo, permanecendo só, retirado, diligente, ardente e decidido, o venerável Angulimala, realizando por si mesmo com o conhecimento direto, aqui e agora entrou e permaneceu no que é o objetivo supremo da vida santa pelo qual com razão membros de um clã adotam a vida santa. Ele soube que:"O nascimento está destruído, a vida santa foi vivida, o que devia ser feito foi feito, não há mais vir a ser em nenhum estado". E o venerável Angulimala se converteu em um dos arahants.
17. Então, quando havia amanhecido, o venerável Angulimala se vestiu e tomando a sua tigela e manto externo, foi para Savathi para a coleta de alimentos. Agora naquela ocasião alguém jogou um torrão de terra e atingiu o corpo do venerável Angulimala, outra pessoa jogou um pau e atingiu o seu corpo e outra pessoa jogou um pedaço de cerâmica e atingiu o seu corpo. Então, com o sangue jorrando da sua cabeça cortada, com a sua tigela quebrada e com o seu manto externo rasgado, o venerável Angulimala foi atá o Abençoado. O Abençoado o viu chegando à distância e lhe disse: "Agüente, brâmane! Agüente, brâmane! Você está experimentando aqui e agora o resultado de ações pelas quais você poderia ser torturado no inferno durante muitos anos, por muitas centenas de anos, por muitos milhares de anos."
18. Então, enquanto o venerável Angulimala estava sozinho em retiro, experimentando o prazer da libertação, ele pronunciou o seguinte:

"Quem antes vivia em negligência
e depois não é mais negligente,
Ele ilumina o mundo
Tal como a lua liberta das nuvens.

Quem inspeciona as más ações que cometeu
Praticando ações benéficas no seu lugar,
Ele ilumina o mundo
Tal como a lua liberta das nuvens.

O jovem bhikkhu que dedica
O seu esforço aos ensinamentos do Buda,
Ele ilumina o mundo
Tal como a lua liberta das nuvens.

Que meus inimigos ouçam um discurso do Dhamma,
Que eles se dediquem aos ensinamentos do Buda,
Que meus inimigos cuidem dessas pessoas de bem
Que conduzem outras a aceitarem o Dhamma.

Que meus inimigos prestem atenção ocasionalmente
E ouçam o Dhamma daqueles que pregam a tolerância,
Daqueles que também falam em favor da bondade,
E que eles sigam esse Dhamma com ações bondosas.

Pois então com certeza , eles não irão desejar causar dano a mim,
Nem pensarão em causar dano a outros seres,
Portanto, aqueles que protegem a todos, fracos ou fortes,
Que eles alcançem a paz insuperável.

Aqueles que fazem canais, conduzem a água,
Arqueiros endireitam as flechas,
Carpinteiros endireitam a madeira,
Mas os homens sábios buscam domar a si mesmos.

Existem alguns que são domados com surras,
Alguns com grilhões e alguns com chicotes;
Mas eu fui domado por alguém só
Que não possui vara ou nenhuma arma.

'Inofensivo' é o nome que tenho,
Embora eu tenha sido perigoso no passado.
O nome que tenho hoje é verdadeiro:
Eu não machuco nenhum ser vivo.

Embora tenha vivido no passado como um bandido
Com o nome de 'Colar de Dedos',
Aquele arrastado pela grande correnteza,
Eu procurei refúgio no Buda.

Embora tivesse no passado as mãos tingidas de sangue
Com o nome de 'Colar de Dedos',
Veja o refúgio que encontrei:
O grilhão de ser/existir foi partido.

Enquanto que muitas ações que pratiquei conduzem
Ao renascimento no inferno,
No entanto o seu resultado já me atingiu agora,
E assim, me alimento livre das minhas dívidas.

Eles são tolos e não possuem noção,
Aqueles que se entregam à negligência,
Mas aqueles com sabedoria protegem a diligência
E a tratam como seu maior bem.

Não abram caminho para a negligência
Nem busquem prazer nos prazeres sensuais,
Mas meditem com diligência
De forma a alcançar a felicidade perfeita.

Dessa forma sejam bem vindos à escolha que fiz
E que ela permaneça assim, pois não foi mal feita;
De todos os Dhammas que são conhecidos
Eu encontrei o melhor.

Dessa forma sejam bem vindos à escolha que fiz
E que ela permaneça assim, pois não foi mal feita;
Eu alcancei o conhecimento tríplice
E fiz tudo o que o Buda ensina."

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Meditação no Parque: paz a cada passo


Queridos amigos e amigas,


Lembramos a todos que neste sábado, 15.05.2010, no Parque Mãe Bonifácia, as 08:00 h da manhã, haverá a prática de meditação andando - "Meditação no Parque: paz a cada passo". Contamos com a presença de todos!


O que?

Meditação no Parque: paz a cada passo.

Onde?

Parque Mãe Bonifácia.

Quando?

15.05.2010, as 08:00 da manhã.

Ponto de Encontro?

Entrada principal, no estacionamento alternativo (de pedrinhas)

Informações com Ligia ou Ivan.

Tel. 3052-6634 # 9202-9925

terça-feira, 11 de maio de 2010

Agenda da Semana


4ªFeira - (20:00)

Prática de meditação e estudo, a partir das 20:00, no Espaço Ligia Prieto.


Sábado - 15.05.2010 - "Meditação no Parque: paz a cada passo" - 08:00 h

Neste final de semana, 3º sábado do mês, acontecerá a meditação caminhando, no parque Mãe Bonifácia. Assim, convidamos a todos, indistintamente.
Será um dia especial para firmarmos os nossos mais sinceros votos de autoencontro com toda a vida que reside em nós e em todo universo.
Destacamos, que quanto mais participantes melhor!, convidem vizinhos, amigos, familiares, para que possamos, juntos, dar um passo presente no aqui e agora e um abraço carinhoso na nossa Grande Mãe Terra.

Mãos unidas em prece.

Gasshô.

Ivan.

Informações: Ligia (65)3052-6634 # Ivan (65) 9202-9925

O Lenhador


Havia um lenhador que procurava pela árvore da paz. Ele a procurava nos lugares mais remotos, onde ser humano ainda não houvesse trilhado. Escalava as montanhas mais altas, pendurava-se à beira de grandes abismos. Há anos viajava o lenhador, passando por vários países, pedindo informações. Houve quem disse:


— Meu avô me contou que seu avô lhe contara que havia uma árvore assim. Era imensa, frondosa. As pessoas se sentavam à sua sombra e descansavam felizes, tranqüilas, em paz.


O lenhador experimentava várias árvores. Sentava-se à sua sombra, mas surgiam pensamentos, sons, imagens, nevoeiros. Surgiam guerras, massacres, dores, mortes, grandes desastres. Cabisbaixo se afastava e noutra região procurava.Foram se passando os anos. Seus cabelos embranqueceram. Suas sobrancelhas também.
Suas pernas já não eram tão fortes. O machado fora trocado por um cajado. Mas não desistira da empreitada. Por toda a Terra caminhava, perguntando a toda gente, esperando que alguém, que alguma coisa lhe levasse à árvore tão almejada.
Um certo dia parou, cansado e pensativo. Será que era fantasia, que na verdade não existia essa árvore da Paz? Encostou-se num tronco qualquer, apoiando-se no braço para que os passantes não vissem que chorava de cansaço. As lágrimas foram caindo no terreno seco e árido. Soluçava nosso amigo, da procura de uma vida. Mesmo se a encontrasse agora como poderia levar suas sementes a tantas e tantas gentes?
Correra o mundo, é verdade. Estava a poucos passos da cidade de onde saíra, jovem e bem disposto, confiante que encontraria a legendária árvore que tudo transformaria. Tinha se tornado impossível viver como todos viviam. Roubavam e mentiam, medrosos se escondiam dos mais fortes, temerosos. Alguns ricaços gorduchos, panças inchadas de tanto luxo. Outros magros, arqueados, de fome morrendo dobrados. Havia os roncos medonhos de aviões tenebrosos, lançando bombas que em sangue marcavam o território. Havia a disputa mesquinha, que levava ao preconceito e à discriminação. Crianças eram abusadas, maltratadas, empregadas a pedir esmolas por jogar algumas bolas nas esquinas de quem tinha muito para dar e nada dava.
Ele era um lenhador, saído dos contos de fadas, das histórias mais antigas de aventuras e justiça, de verdades que são ditas e transformam realidades. Crescera sonhando um dia poder tudo revirar para que a paz retornasse ao seu lar e a de seus amigos, vizinhos, conhecidos e até mesmo de estranhos que estranhamente se comportavam...
Caminhara e caminhara. Ouvira histórias fantásticas, daquele homem da Índia que conseguira mudanças sem guerras, sem violências, no respeito e na decência. Mahatma Gandhi. Bom demais pensou quando menino lendo de sua história. Foi colocando na sacola os livros, os sonhos, a esperança. Na Índia também houvera o Buda Sagrado, que predissera que um dia tudo se transformaria. As pessoas confiavam que se seguissem seus ensinamentos haveria compaixão e sabedoria suprema. Logo a ternura se espalharia e todos se ajudariam como bons irmãos.
Cada lágrima dos olhos do ancião fazia brotar na terra um verde inesperado.
Teria sido por tudo e por todos, abandonado?
Mas de dentro dele surgiu uma força incomensurável. “Nada é impossível. Haverei de conseguir encontrar o fruto dessa árvore de paz, a semente da verdade.”
Ainda de olhos molhados, sentou-se ofegante. Tocou a terra coberta de grama nova, macia. Encostou-se no tronco forte e sem perceber, meditava.
No que se seguia lembrou-se do próprio Buda, que vivera na Índia por volta do século VI antes de Cristo, e a todos amavelmente sorria. Monges e monjas, pessoas de todas classes, castas, feições, cores, etnias. A todos Buda pregava dizendo dos venenos perigosos que matam a paz, a felicidade, a alegria.
O primeiro é a ganância. Quero e quero sem parar. Por mais que tenha sempre quero mais. Seja amor de minha mãe, atenção do professor, seja doce, sejam roupas, sejam carinhos, sejam diversões. Seja dinheiro, seja fama, seja luxo, sejam armas, seja amor. Dessa ganância vão surgindo ciúmes, ressentimentos, más ações e pensamentos. Logo faz algo errado, perde a paz, a tranqüilidade. Vive sedento de tudo e nada traz felicidade. Só o que cura esse mal é a doação, o entregar-se, o dar invés de cobrar.
O segundo é a raiva, danada de se conter. Enfurece por amor, por ódio e até por prazer. Parece que a pessoa passa a achar bonito quem fica furioso. Chega até a dizer que é “personalidade forte”. Na verdade são seres para serem apiedados, pois não conseguem, coitados, transformar a indignação em suave compaixão.
Compaixão significa saber o que o outro sente, compartilhar das tristezas, das dores das amarguras e fazer trabalho lindo de recuperar as criaturas. Porque sente com. Porque sente junto. Nós não rimos quando alguém conta uma coisa engraçada? Não choramos com filmes, histórias, foto, situações? Quando sabemos de alguém sofrendo queremos ajudar. A compaixão é natural, se formos naturais.
O terceiro veneno é a ignorância. Ignorância significa afastar-se da verdade. Estar dividido, partido, sem saber mais que somos uma só vida em movimento. Somos um só corpo universal se transformando constantemente. No que mexemos aqui, lá do outro lado repercute. Essa ignorância não é apenas falta de estudos. É falta de contato com o Sagrado, com a Essência de tudo.
Seu antídoto infalível é a Sabedoria Completa. O resultado de tudo é a árvore da Paz florindo e cobrindo o mundo.

Monja Coen Shingetsu

domingo, 9 de maio de 2010

Compaixão e Ideologia



Um problema surge do conflito de ideologias, políticas ou religiosas, quando as pessoas lutam entre si por suas crenças, perdendo de vista a ideia de humanidade básica que nos une como uma única família humana. Devemos lembrar que essas diferentes religiões, ideologias e sistemas políticos no mundo surgiram para ajudar os seres humanos a alcançar felicidade. Não devemos perder de vista essa meta fundamental. Em nenhum momento deveríamos pôr os meios acima dos fins: devemos sempre manter a supremacia da compaixão sobre a ideologia.


- Dalai Lama (Do livro "Como saber quem você é")

sábado, 8 de maio de 2010

Videofórum "As religiões do mundo e a ética global"


ABERTURA Judaísmo - A primeira religião monoteísta do mundo
Mais de 60 pessoas compareceram à abertura do videofórum “As religiões do mundo e a ética global” dia 6 de maio. O vídeo sobre o Judaísmo, a primeira religião monoteísta do mundo, abriu a série de encontros, que vai até 8 de julho, sempre às quintas-feiras, às 19h, na sala 8 do Colégio Isaac Newton (CIN), prédio do bairro Baú.

Ainda serão exibidos vídeos sobre cristianismo, islamismo, religiões chinesas, budismo, hinduísmo, religiões tribais, religiões afro-brasileiras e religiões indígenas de Mato Grosso.

Os vídeos foram produzidos pelo professor suíço Hans Küng, que viajou o mundo estudando as religiões.

O projeto está dentro da perspectiva do ecumenismo e inserido na campanha mundial pela paz. Tanto é que para a abertura do videofórum foi exibido um slide, cantado por Marisa Monte e Gilberto Gil, sobre as diversificadas formas de denominar Deus e seres iluminados por várias crenças.

O videofórum, de entrada franca, é articulado pelo Centro Burnier Fé e Justiça (CBFJ), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) e os movimentos Círculo da Paz e Um Grito pela Paz.

Roberto Rossi, do CBFJ, deu as boas vindas e avisou que 75% de presença nos encontros vai garantir o certificado da UNISINOS aos inscritos. Quem não fez inscrição ainda pode fazer pelo site http://www.centroburnier.com.br/.

Na abertura do videofórum, o cirurgião Jairo Lew, de Várzea Grande, falou sobre o Judaísmo. E respondeu a perguntas da platéia.

A comunidade judaica em Cuiabá e Mato Grosso é muito pequena. “Eu tentei identificar os judeus aqui uma vez e consegui reunir 12 famílias, todas misturadas, a começar pela minha. Sou casado com uma nissei. Quando resolvemos nos casar, era a minha mãe chorando de um lado porque ela é nissei e a mãe da noiva chorando de outro porque eu não sou japonês”, contou Lew.

Essa posição de minoria se repete pelo mundo, mas, conforme Hans Küng, em contrapartida, os judeus, embora formem um povo sem terra e vitima do preconceito étnico, são, para além disso, uma potência cultural e espiritual. O Judaísmo é dos tripés que uni esse povo. Os outros dois são o povo de Israel e a terra de Israel.

O vídeo deixou claro que para o Judaísmo há três figuras proféticas: Abrãao, Moisés e Davi. Jesus tem menor importância, embora seja reconhecido, conforme Lew, como um ser com “poderes anormais”. E Deus, para o judaísmo, não é o déspota que aparece no Velho Testamento, mas um Deus salvador e libertador.

Também ficou clara, entre os judeus, a marca do holocausto na vida dos judeus. Alguns inclusive pautam a religiosidade nesse marco histórico.

No judaísmo, as mulheres não devem rezar junto com os homens, para não despertar desejo. Porém, segundo Lew, diante de Deus, somos todos iguais, independente do gênero.

Para ele, não haverá paz no mundo se não houve paz entre as religiões e identifica os extremos como problema para que esse projeto seja realidade.


Mais informações e inscrições:

http://www.centroburnier.com.br/2010/03abr/16_video_forum_religioes_mundo.html
Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e Justiça.
(65) 9922-9445

quarta-feira, 5 de maio de 2010

VideoFórum: "As religiões do mundo e a ética global


“As religiões do mundo e a ética global”. Tratar desse tema é a proposta do videofórum que, dentro da perspectiva do ecumenismo e da campanha mundial pela paz, irá exibir, às quintas-feiras, de 6 de maio a 8 de julho, em Cuiabá, documentários sobre nove religiões, seguidos de debate, com a participação de representantes das religiões que serão abordadas. As exibições e os debates serão no Colégio Isaac Newton (CIN), do bairro Baú, das 19h às 21 horas, com entrada franca. Emissão de certificado pela UNISINOS/RS. Critério: 75% de presença. O videofórum está sendo organizado pelo Centro Burnier Fé e Justiça (CBFJ), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil em Mato Grosso (Conic-MT), o Centro de Estudos Bíblicos em Mato Grosso (CEBI-MT), além dos movimentos Círculo da Paz e Um Grito pela Paz. O projeto nasceu em Tübingen, na Alemanha, a partir da obra "Projeto de ética mundial", de 1990, de autoria do teólogo suíço Hans Küng, um dos mais renomados professores universitários da cena intelectual alemã. Os documentários a serem exibidos são de autoria dele, exceto dois sobre Religiões afro-brasileiras e Religiões indígenas de Mato Grosso, porque esses temas foram acrescentados à programação, para complementá-la com abordagens também regionais. O videofórum está em sintonia com o programa da Fundação Ética Mundial no Brasil, do Instituto Humanitas-Unisinos e da Fundação Ética Mundial (Stiftung Weltethos, no alemão), cujo um dos objetivos é a promoção de eventos voltados ao diálogo intercultural, inter-religioso e interconfessional, além de atividades formativas e de encontro intercultural e inter-religioso. A base programática do trabalho da Fundação é a Declaração sobre ética universal, assinada pelos membros do Parlamento das Religiões do Mundo, em 1993, em Chicago, Estados Unidos. Por meio da declaração, representantes de todas as religiões alcançaram um acordo sobre princípios para uma ética global e se comprometeram com quatro diretrizes irrevogáveis, que se concretizam por meio de:

• Compromisso com uma cultura da não-violência e do respeito à vida
• Compromisso com uma cultura da solidariedade e uma ordem econômica justa
• Compromisso com uma cultura da tolerância e uma vida de autenticidade
• Compromisso com uma cultura da igualdade de direitos e do companheirismo entre homens e mulheres
Programação
06 de maio - exibição do documentário: Judaísmo, de Hans Küng.
13 de maio - exibição do documentário: Cristianismo, de Hans Küng.
20 de maio - exibição do documentário: Islamismo, de Hans Küng.
27 de maio - exibição do documentário: Religiões chinesas, de Hans Küng.
10 de junho - exibição do documentário: Budismo, de Hans Küng.
17 de junho - exibição do documentário: Hinduísmo, de Hans Küng.
24 de junho - exibição do documentário: Religiões tribais, de Hans Küng.
01 de julho - exibição do documentário: Religiões afro-brasileiras.
08 de julho - exibição do documentário: Religiões indígenas - Mato Grosso. -

terça-feira, 4 de maio de 2010

Agenda Mensal


4ª Feira - 20:00 (Zazen)

Sábado - 08:00 (Zazen)

3º Sábado do mês - "Meditação no Parque: paz a cada passo" - Local: Parque Mãe Bonifácia - 08:00 *meditação caminhando*

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sabedoria e compaixão: pilares do Budismo


A língua que toca o céu da boca, ligando a terra com o céu. Os polegares que se unem como se houvesse uma finíssima folha de seda entre eles, para concentrar as energias.
Foi com um pequeno momento de meditação que a Monja Coen, ordenada em 1983, no Japão, depois de iniciar seus estudos budistas no Zen Center of Los Angeles, iniciou a oficina “Sem Deus, o caminho de Buda”, dentro da programação do X Simpósio Internacional IHU: Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. Possibilidades e impossibilidades”, na tarde desta segunda-feira.
Fundadora da Comunidade Zen Budista, em São Paulo, e primeira mulher de origem não japonesa a presidir a Federação das Seitas Budistas do Brasil, Coen iniciou sua fala questionando o conceito de Deus que temos. No Budismo, afirmou, a relação é do eu com o próprio eu.
“As práticas meditativas não são para se encontrar com o outro, mas para se encontrar com a ‘Natureza Buda’”, explicou. Nesse vazio – “não há nada fixo nem permanente” -, nesse silêncio, disse a monja, é onde podemos ouvir o sagrado.
Contando alguns trechos da vida de Buda, um jovem príncipe e pensador livre, Coen abordou a relação do Budismo com o sofrimento e a dor e a relação destes com o eu.
“Se há dor no mundo, é também minha dor”, disse.
Nossa relação com a vida do universo também foi um dos pontos sobre os quais a Monja Coen procurou refletir a partir da visão do Budismo. Segundo ela, “não somos parte do todo, mas o todo se manifesta nessa forma” humana, animal, vegetal etc.
Buda, contou a monja, também passou pela “noite escura”, sofreu tentações, como a principal delas, a “última” tentação: achar-se melhor do que os outros. Porém, com o surgimento da “estrela da manhã”, compreendeu: “Eu e a terra, todos os seres, nos tornamos o caminho”, contou Coen. “Cada um de nós contém toda a vida do universo”.
A “causa primeira” dessa vida, para o Budismo, não está em “Deus”. Segundo a monja, o Budismo entende que não há “uma” causa de origem. Quando Buda foi questionado a respeito dessa causa, ele manteve silêncio, contou Coen. Para o Budismo, há sim “causas e condições”, que permitem a existência das coisas.
Há, segundo ela, um “cossurgir interdependente e simultâneo” que permite que tudo exista.
Nesse sentido, explicou, a idéia de um Criador separado da criação não existe no Budismo. “O ‘eu’ é feito de tudo o que é não ‘eu’. Essa é a essência do Budismo”, disse Coen.
Monja Coen disse ainda que a meditação não é cessar ou matar a mente. Como no mar, podemos ficar na borda, contemplando a marola, ou penetrar nas suas profundidades. Assim também é com os nossos pensamentos e a nossa mente, defendeu Coen. “O encontro com o questionar nos faz encontrar, e esse encontro nos faz questionar. Ou, como dizia um bispo católico, o encontro é a procura, e a procura é o encontro”, afirmou.
Assim, defendeu um neologismo que expressa essa idéia do “uno”: interser, ou seja: somos em relação a tudo o que existe e que nos afeta. “Somos corresponsáveis pela realidade em que vivemos. O que fazemos, pensamos e dizemos altera a nossa realidade”, afirma Monja Coen.
Para ela, muito se fala sobre religião a partir de sua raiz “religar”. Mas também seria frutífero pensar a religião a partir de “reler”, ou seja, fazer uma releitura de toda a nossa história e tradição religiosas, de nossos textos sagrados. E aqui Coen defendeu a importância do questionamento: “Não cesse de perguntar. Formule melhor a sua pergunta. Não se acomode”, propôs. “E se Deus estiver falando com você, e só com você, cuidado!”, brincou.
Pois, como visto no ambiente criado pela monja, o “uno” se manifesta como oportunidade. “O que chegar a mim é oportunidade de prática” zen, afirmou Coen. E se sabedoria e compaixão são os pilares do Budismo, como afirmou a monja, esse singelo encontro de poucas horas deixou transparecer que essa “oportunidade” foi muito bem aproveitada pela monja para revelar, na teoria e na prática, tudo o que o zen budismo pode oferecer.
(por Moisés Sbardelotto)

sábado, 1 de maio de 2010

Qual o compromisso da minha religião com a paz?


Monja Coen Roshi

Nirvana é Paz.

Todos os seres podem atingir Nirvana.
No Budismo Mahayana o voto principal é de auxiliar todos os outros seres a encontrar Nirvana, antes de pensar em si mesmo.
A tradição Zen Budista Soto Shu tem três prioridades: Paz mundial, Direitos Humanos e a Ecologia. Esses três pilares interagem criando seres responsáveis e atuantes na comunidade.
A Paz não pode ser obtida através de guerras, lutas, vitórias nem derrotas.
A Paz, este estado de Nirvana é a própria prática do Caminho Correto. Somos aquilo que fazemos, falamos e pensamos. Somos paz quando falamos, pensamos e fazemos a paz conosco e com tudo que nos cerca, propiciando condições de paz para todos os seres.
O Nirvana, a Paz, faz parte da interdependência da vida. Causas e condições favoráveis e se manifesta. Causas e condições adversas e não se manifesta. Criamos, com nossas vidas, com nossas palavras, gestos, pensamentos, causas e condições para a Paz. Dentro e fora de nós.
Quantos mais átomos de paz houver no mundo, mais este mundo como um todo poderá encontrar maneiras de compreensão, compaixão, ajuda, cuidado mutuo e reconciliação. Temos de nos reconciliar com nós mesmos e com Buda, o Ser Iluminado. Temos de nos reconciliar com os outros humanos, com a grande natureza iluminada. Temos de nos reconciliar com a paz. Nunca lutar pela paz. Nem pessoas, nem grupos nem paises podem ser considerados inimigos. O ser humano sofre basicamente de três males: ganância, raiva e ignorância. Seus antídotos são a doação, a compaixão e a sabedoria iluminada.
Mais do que a simples tolerância, temos de desenvolver a capacidade de ouvir, entender, compreender e querer o bem a todos os seres. Isto inclui as águas, as terras, os céus e todas as formas de vida. Cuidar respeitosamente, inclusivamente, de tudo que inter existe.
Chamamos Buda o Ser Desperto, aquele que Acordou, o Iluminado.Há tantos Budas quanto grãos de areia no Ganges, dizia nosso fundador histórico. Nossa prece é para que todos Budas se tornem Budas, transmitindo a maravilhosa mente de Nirvana, de Paz.