A Associação Meditar é uma sociedade civil sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne as 4ª feiras - 20 h - e aos sábados - 8 h - para meditar e estudar na Academia Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

sábado, 26 de março de 2011

Plena Atenção na Alimentação


Por Thich Nhat Hanh

Os Quatro Nutrientes

O Buda falou dos quarto tipos de nutrientes – alimentos, impressões sensoriais, volição e consciência. O primeiro tipo, alimento, é o que você come ou bebe. É responsável por seu bem estar ou mal estar físico e mental. Diferentes comidas contêm diferentes toxinas e certos tipos de comida podem ser inapropriadas para seu corpo. É por isso que temos que olhar na natureza de nosso corpo e da comida que ingerimos para ver se eles são compatíveis. Inspirando e expirando em plena consciência, perguntamos, “Essa comida é compatível com meu corpo e minha consciência?” Seguindo a prescrição da plena consciência você saberá o que consumir.

O primeiro nutriente: alimento

Nos ensinamentos de minha tradição, quando começamos a comer, meditamos nas Cinco Contemplações. As duas primeiras contemplações são: “Este alimento é presente de todo Universo, ele veio da terra, do céu, de numerosos seres vivos e de muito trabalho árduo. Que possamos comê-lo em plena consciência e com gratidão a fim de sermos dignos de recebê-lo.” Para ser digno de receber nossa comida, temos que comer em plena consciência. Se não comermos em plena consciência, não sentiremos gratidão e poderemos estragar nosso corpo e consciência. Se comermos nossa comida com gratidão e plena consciência, somos dignos dela.

A terceira contemplação é ser consciente de nossas formações mentais negativas, especialmente nossa tendência de comer sem moderação. O Buda sempre lembra a seus discípulos para comer moderadamente. A quarta contemplação é ver se a comida que você está ingerindo é saudável e manterá seu corpo saudável. Comida é um tipo de remédio. Deveria ser equilibrada em termos de yin e yang. Olhando profundamente e em plena consciência para sua comida, você saberá que tipos de comida pode comer e o que você deve abster de comer. A quinta contemplação é: “Aceitamos este alimento para que possamos nutrir e fortalecer nossa Sangha e cultivar nosso ideal de servir a todos os seres.”

Alguns de nós têm um sentimento de vazio, nervosismo e mal-estar por dentro. Não sabemos como lidar com esses sentimentos desagradáveis, e por isso há sempre algo na geladeira. Comemos e bebemos para esquecer a dor. Muitos de nós fazem isso. Os monásticos nos avisam para sempre comermos com nossa Sangha, a menos que estejamos doentes. Esta prática ajuda muito. Você pode fazer isso com sua família, que é também sua Sangha. Na hora do jantar, quando todos os membros da família estiverem sentados em volta da mesa, podemos praticar as Cinco Contemplações. Podemos convidar as crianças para dizer em voz alta as Contemplações. Cada um de nós pode olhar profundamente para sua comida para ver se é apropriada. Deste modo podemos criar uma energia coletiva na família que nos ajuda a comer apropriadamente e a não contaminar nossos corpos.

O Buda usava a seguinte imagem para ilustrar o primeiro nutriente. Um casal começou uma viagem através do deserto com seu pequeno filho. No meio do caminho no deserto, eles perceberam que as provisões tinham acabado. Eles sabiam que iam morrer antes de terminarem a travessia. Depois de uma dolorosa discussão, o casal decidiu matar o pequeno menino. Cada dia eles comeram um pouco da carne do pequeno menino enquanto continuavam a caminhar pelo deserto. Finalmente, eles conseguiram sair do deserto vivos. O Buda perguntou aos monges, “Querido amigos, vocês acham que o casal gostou de comer a carne do próprio filho?” Os monges responderam, “não.” Se não comermos apropriadamente, se destruirmos a nossa saúde, se comermos e bebermos de tal modo que seja tirada dos outros seres vivos a chance de viver, então estaremos comendo a carne de nossos pais e filhos em nós e ao nosso redor.

O segundo nutriente: impressões sensoriais

O segundo tipo de nutriente são as impressões sensoriais. Consumimos comida através de nossos olhos, nariz, ouvidos e corpo. Quando dirigimos pela cidade, ouvimos sons, vemos imagens e sentimos odores, todos estes considerados comida. Quando vemos um filme, estamos consumindo certo tipo de comida. Muitos dos itens que consumimos contêm toxinas. Um programa de TV ou novela podem ser altamente tóxicos. As notícias que lemos no jornal podem trazer toxinas para nossa consciência. Nosso medo, stress e desespero são nutridos por tais notícias, informações, visões e sons. Propaganda também promete que se você comprar certo produto será mais feliz. “Felicidade é fácil – apenas compre isso.” As visões e sons usados para capturar nossa atenção e que nos são empurrados contêm toxinas. Temos que nos proteger e guardar nossos seis sentidos contra essas toxinas enquanto dirigimos pela cidade.

O Buda disse que os olhos são um oceano profundo – ele falava como um poeta – com ondas escondidas e monstros marinhos sob a superfície. Se você não é plenamente consciente e não sabe como proteger e guardar as portas dos seus sentidos, afundará no oceano das formas – às vezes várias vezes ao dia. Com o barco da plena consciência, navegamos através do oceano das formas e nos seguraremos firmemente para que nosso barco não afunde. O Buda também disse que o ouvido é um oceano profundo com muitas ondas escondidas e monstros marinhos. Se você não está plenamente consciente, pode afundar no oceano dos sons.

Depressão também é nutrida pelas visões e sons. Não acontece sozinha. É criada e nutrida diariamente pelo nosso modo de consumir. Andando conscientemente através do aeroporto de Paris, vi muitos anúncios de perfumes chamados “Samsara”, “Scorpion” (Escorpião) e “Poison” (Veneno). Eles ousam chamá-los por seus verdadeiros nomes. Sabemos que perfume é um item de consumo e uma isca. Em uma isca há o anzol, e nos somos os peixes inocentes. Os produtos são anunciados, tão habilmente e a isca é tão atrativa que com uma mordida, somos pegos. O que temos para nos defendermos? Nada exceto a nossa plena consciência.

Plena consciência é o único agente que pode guardar a porta dos nossos seis sentidos e nos proteger. Os Cinco Treinamentos de Plena Consciência são insights daqueles que praticam plena consciência. Eles são prescrições concretas para nossa proteção diária. Se vivermos baseados nos Cinco Treinamentos nos protegeremos, e também nossas famílias e nossa sociedade. Os Cinco Treinamentos não foram criados por um deus ou são impostos a nós. Eles são fruto da nossa visão profunda. Estando conscientes do sofrimento causado pelo consumo não consciente, estamos determinados a não consumir itens que tragam toxinas, desarmonia, dor e tristeza para dentro de nós, destruindo nosso bem-estar físico e mental. Os Cinco Treinamentos não são um conjunto de regras, mas guias para prática de plena consciência. Precisamos nos treinar para viver de acordo. Esta é a sabedoria da auto-proteção.

O Buda usou a imagem de uma vaca com doença que destruiu a maioria da sua pele para representar o segundo tipo de nutriente: impressões sensoriais. Se a vaca ficar perto de uma parede velha ou árvore velha, todos os insetos da parede ou árvore sairão e se fixarão no seu corpo e sugarão seu sangue. Sem plena consciência, as impressões sensoriais a que somos expostos, nos destruirão um pouco a cada dia e as toxinas penetrarão no nosso corpo e consciência. Assim como a vaca precisa de uma pele saudável para se proteger, precisamos da prática da plena consciência para guardar nossos seis sentidos.

O terceiro nutriente: volição

O terceiro tipo de nutriente é a volição – nosso desejo mais profundo. Este tipo de energia nos empurra para fazermos as coisas em nossa vida diária. Temos que olhar profundamente para dentro de nós para ver que tipo de energia motiva nossas ações diárias. Estamos constantemente trabalhando duro de forma a ir a algum lugar ou fazer algo. Qual é o objetivo deste tipo de atividade? O terceiro nutriente nos motiva e pode nos trazer muita felicidade ou sofrimento.

Que tipo de energia Madre Teresa tinha em sua vida diária? Ela tinha o desejo de ajudar as pessoas pobres, sem recursos, apoio ou proteção. O desejo de aliviar o sofrimento de muitas pessoas é uma tremenda fonte de energia. Se você tem a mesma intenção – volição – dentro de você, sua vida será preenchida com felicidade. Quando compaixão – o desejo de aliviar o sofrimento dos outros – está dentro de você e te motiva, você pode se relacionar com as pessoas facilmente e ter uma vida simples. O alívio e felicidade que você leva para as pessoas pode ser sua recompensa. Quando você pode fazer uma pessoa sorrir, se sente maravilhoso. Não quer a recompensa, mas ela chega a você de qualquer forma. Há pessoas cheias de ódio que querem viver de forma a punir a pessoa que odeiam. Tal pessoa não pode ser feliz por que sua única intenção e fonte de energia é o ódio. Se estivermos motivados por uma energia negativa, nossa vida será cheia de sofrimento.

Sidarta Gautama tinha uma fonte vital de energia dentro dele. É por isso que durante 45 anos ele trabalhou diligentemente e ajudou muitas pessoas – reis, ministros, mendigos e prostitutas. Ele ajudou a todos porque era motivado pelo desejo de aliviar o sofrimento deles. Todos nós precisamos estar conscientes da natureza da nossa fonte de energia, porque ela determina a qualidade de nossa vida. Se esta energia é somente desejo – por fama, riqueza ou sexo – então ela nos fará sofrer.

O Buda usou a seguinte imagem para ilustrar o terceiro tipo de nutriente. Ele descreveu uma pessoa que quer viver e não quer sofrer, mas que é carregada por dois homens fortes e jogada em uma fogueira. Os dois homens fortes representam a volição, uma energia que nos empurra em direção ao sofrimento e morte. Como meditadores, devemos gastar tempo sentando e olhando para dentro de nós mesmos diariamente para identificar a fonte de energia que nos está empurrando e a direção em que estamos indo. Devemos ver se nossa intenção está nos trazendo sofrimento e desespero. Se for assim, devemos liberá-la e achar outra fonte de energia.

O quarto nutriente: consciência

O quarto tipo de nutriente é a consciência, a base para a manifestação de nosso corpo, nossos estados mentais e nosso ambiente. A consciência representa a soma de todas as ações que foram feitas: pensamentos, falas e atos do corpo. A maturidade da consciência traz a tona a manifestação do nosso corpo atual, nossos estados mentais atuais, e nosso ambiente atual. A consciência aqui é descrita em termos da mente iludida, a mente caracterizada por visões errôneas e aflições que resultam de volições não saudáveis. O sofrimento dos três reinos (desejo, forma e não forma) é a retribuição de nossas ações que determina a natureza e qualidade de nossa consciência. Se a consciência se alimenta de um tipo de comida saudável (Visão Correta, Pensamento Correto, Plena Consciência Correta, Fala Correta, Concentração Correta, etc.) ela experimentará transformação e se tornará mente verdadeira, que servirá como base para manifestação de um corpo saudável, estados mentais felizes e benéficos e um ambiente são e bonito.

O Buda usou a seguinte imagem para ilustrar o quarto nutriente. Um criminoso foi preso. O rei deu a ordem de esfaqueá-lo com cem facadas. O criminoso não morreu. A mesma punição foi repetida ao meio dia e a tarde. Ainda assim ele não morreu. A punição foi repetida no dia seguinte e no próximo.

Permitimos que nossa consciência seja alimentada todo dia com o veneno da ignorância, ganância, fala não benéfica e desejos não saudáveis. Nossa consciência continua a crescer na direção da mente iludida e traz a tona muito sofrimento. Poderíamos mudar o alimento de nossa consciência e ajudá-la a crescer na direção oposta, a direção da mente verdadeira. À luz dos ensinamentos relativos aos Doze Elos da Origem Interdependente, consciência resulta da ignorância e dos impulsos não benéficos.

Sabemos que entendimento e compaixão são fontes de energia que podem trazer às pessoas à nossa volta muita felicidade, de forma que praticamos o seu cultivo. O Buda disse, “se você olhar para dentro do mal-estar e identificar a origem do nutriente que o trouxe até você, já estará no caminho da emancipação.” Você já começou a ser liberado. Precisa apenas de cortar a fonte desses nutrientes para se libertar deles. Poucas semanas depois, você notará a diferença. Nada pode sobreviver sem comida; se você cortar a sua fonte, sua depressão, tristeza ou desespero irão morrer.

Identificando a origem dos nutrientes, você percebe a Segunda Nobre Verdade: samudaya, a criação do mal-estar. Você sabe que o oposto de samudaya – bem-estar – é possível. Sabe que para alcançar bem-estar, precisa cortar a origem dos nutrientes errados e achar os corretos – Visão Correta, Entendimento Correto, Fala Correta, Modo de Vida Correto, Concentração Correta e assim por diante. O Nobre Caminho Óctuplo pode trazer bem-estar e por fim ao mal-estar. O outro caminho é o ignóbil caminho do consumo sem plena consciência. Das Quatro Nobres Verdades, duas falam do mal-estar e da sua criação, enquanto que as outras duas falam do bem-estar e o caminho que leva à restauração. Este é o conteúdo da primeira palestra de Dharma que o recém iluminado Buda ofereceu a cinco monges em Deer Park.

(Do livro “The Path of Emancipation” – Thich Nhat Hanh – traduzido por Leonardo Dobbin)

Vídeo Oficial da Hora do Planeta 2011



A Hora do Planeta, conhecida globalmente como Earth Hour, é uma iniciativa global da Rede WWF para enfrentar as mudanças climáticas.

Durante a Hora do Planeta, pessoas, empresas, comunidades e governo são convidados a apagar suas luzes pelo período de uma hora para mostrar seu apoio ao combate ao aquecimento global.

Em 26 de março de 2011, as 20:30, junte-se a uma comunidade global em uma única voz para deter as mudanças climáticas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Poema Portal


Por Paulo Wagner Moura

Num horizonte aberto
Faço meu vôo solitário
em meio a tanta gente
que povoa meu coração

nesse horizonte aberto
posso sentir o sabor da brisa
as montanhas, os objetos e o ar
são meu próprio corpo
eu estou neles e eles em mim

e assim, me essencializo
na dança sem fim dos ciclos
para ser toda pedra e toda gente
o igual e o diferente

domingo, 20 de março de 2011

Prática Semanal


Queridos amigos, irmãos e irmãs,

lembramos a todos que nesta semana haverá prática de meditação na Academia Ligia Prieto. Destacamos que as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados. Assim, sejam todos bem-vindos, bienvenidos, welcome, namastê, haribool, gasshô!

3ª feira - Meditação e leitura - 20:00

5ª feira - Grupo de Estudo Sistematizado dos Ensinamentos do Budismo - 20:00

Sábado - Meditação e leitura - 08:00

Recomendamos roupas leves.

Informações:
(65)3052-6634 - Ligia
(65)9202-9925 - Ivan

sábado, 19 de março de 2011

HOME O Mundo é nossa casa (Trailer)



Primeiro filme - 19.03 - VideoFórum Ecologia

Promovido pelo Centro Burnier Fé e Justiça

Informações e inscrição: http://www.centroburnier.com.br/

VIDEOFORUM - A CRISE ECOLÓGICA e o CINEMA


Caos ambiental é foco de filmes que serão exibidos gratuitamente em vídeofórum


PARTICIPE!

O Centro Burnier Fé e Justiça (CBFJ) está promovendo em Cuiabá, com entrada franca, o vídeofórum “Crise Ecológica e Cinema”. Os filmes serão exibidos, gratuitamente, em dois locais e em datas diferentes. Na Igreja de São Benedito, serão cinco sessões, sempre aos sábados, de 19 de março a 16 de abril, às 17 horas. Na paróquia do CPA 1, os filmes serão exibidos durante uma semana corrida, de 21 a 26 de março, às 19 horas. Os filmes tratam, com excelência, da questão ambiental, um problema que se agrava nas cidades e no mundo. Após cada sessão, haverá um debate, orientado por um convidado.


“Surpreende a qualidade dos filmes, que são muito bons”, avalia o padre João Inácio, coordenador do Centro Burnier.


Este videofórum está dentro da proposta dos jesuítas do Centro Burnier de formação para o exercício crítico da cidadania. Ano passado, o mesmo videofórum foi realizado em Várzea Grande. Confira a programação aqui.


O videofórum começa no próximo sábado, com o filme “Home, o mundo é nossa casa”. Também serão exibidos os filmes “A Era da Estupidez”, “Mudanças de Clima, Mudanças de Vida”, “A Carne é Fraca” e “Avatar”.


Aos participantes, será expedido certificado de participação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), de Porto Alegre (RS).


Se você escolhe participar do videofórum que acontecerá na Paróquia Nossa Senhora do Rosário e São Benedito - Centro, faça a sua inscrição clicando aqui.


Se você escolhe particicipar do videofórum que acontecerá na Paróquia Divino Espírito Santo- CPA1, faça a sua inscrição clicando aqui.


Mais informações (65) 3023-2959.

sexta-feira, 18 de março de 2011

O Que é Mente Atenta


Por Thich Nhat Hanh

Nós praticamos mente atenta para realizarmos a liberação, paz e alegria na vida cotidiana. Liberação e felicidade estão ligadas entre si; se há liberação, há felicidade, e quanto maior a liberação, maior a felicidade. Se há liberação, paz e alegria existem no momento presente. Não precisamos esperar quinze anos para realizá-las. Elas estão disponíveis assim que iniciamos a prática. Por mais que estes elementos possam ser modestos, eles formam a base para maior liberação, paz e alegria no futuro.
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Praticar meditação é olhar profundamente a fim de enxergar profundamente a essência das coisas. Com percepção e compreensão, podemos realizar nossa liberação, paz e alegria. A nossa raiva, ansioedade e medo são as cordas que nos amarram ao sofrimento. Se queremos nos libertar delas, devemos observar sua natureza, que é a ignorância, a falta de uma clara compreensão. Quando interpretamos equivocadamente um amigo, podemos sentir raiva dele e, por causa disso, podemos sofrer. Quando olhamos mais profundamente, entretanto, para o que aconteceu, podemos esclarecer a incompreensão. Quando compreendemos a outra pessoa e sua situação, o nosso sofrimento desaparece e a paz e a alegria afloram. O primeiro passo é a consciência do objeto e, o segundo passo é olhar profundamento para o objeto colocado sob a luz. Por consequinte, mente atenta significa consciência e tambám significa olhar profundamente.
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A palavra Pali sati (sânscrito: smrti) significa “parar e manter consciência do objeto” . A palavra Pali vipassana (Sânscrito: vipashyana) significa “penetrar no objeto para observá-lo”. Enquanto estamos completamente cônscios e observando profundamente um objeto, a ligação entre o sujeito que observa e o objeto observado, gradualmente, dissolve-se: sujeito e objeto tornam-se um. Está é a essência da meditação. Somente quando penetramos um objeto e nos tronamos um com ele é que podemos compreender. Não é suficiente ficar do lado de fora e observar o objeto. É por isso que o Sutra Sobre os Quatro Estabelecimentos da Mente Atenta lembra-nos de estarmos conscientes “do corpo no corpo”, “das sensações nas sensações”, “da mente na mente” e “dos objetos da mente nos objetos da mente”.
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O Buda proferiu o Sutra Sobre os Quatro Estabelecimentos da Mente Atenta para uma audiência de monges e monjas. Isso não quer dizer, contudo, que a prática de mente atenta no âmbito dos quatro estabelecimentos seja limita a monjas e monges. Qualquer um pode praticar mente atenta. Se monges e monjas podem praticar mente atenta andando, estando de pé, deitados e sentados, então, leigos e leigas também podem. Há alguém que não ande, fique em pé, deite e sente diariamente? O mais importante é entender a base fundamental da prática e aplicá-la na vida cotidiana, mesmo que nossas vidas sejam diferentes do modo como Buda e seus monges e monjas viviam a vinte e cinco séculos.
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Ao lermos o Sutra Sobre os Quatro Estabelecimentos da Mente Atenta, devemos ter o olhar de uma pessoa de hoje e descobrir meios apropriados de praticar baseados nos ensinamentos do Sutra.
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Mente atenta é sempre mente atenta a algo. Há quatro áreas de mente atenta, quatro áreas onde a mente atenta deve penetrar a fim de sermos protegidos, nutrirmos alegria, transformarmos a dor e para que a visão possa ser obtida. Esses quatro estabelecimentos, ou fundamentos, são: corpo, sensações, mente e objetos da mente.
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O Primeiro Estabelecimento é o estabelecimento da mente atenta ao corpo no corpo. Isso significa que quando você conduz a mente atenta para o seu corpo, a mente se torna o corpo. A mente atenta não é o observador externo. Ela se torna o corpo e o corpo se torna mente atenta. Quando a mãe abraça a criança ela se torna a criança, e a criança se torna a mãe. Na verdadeira meditação, o sujeito e o objeto da meditação não existem mais com entidades separadas; tal distinção é removida quando você gera energia da mente atenta e abraça a sua respiração e seu corpo, isso é a mente atenta ao corpo no corpo. A mente atenta não é um observador externo, ela é o corpo. O corpo torna-se objeto e o sujeito da mente atenta ao mesmo tempo.
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É como quando cientistas nucleares dizem que, para entender uma partícula elementar e realmente entrar no mundo do infinitamente pequeno, você precisa tornar-se um participante e não mais um mero observador. Na Índia, eles usam o exemplo do grão de sal que deseja saber quão salgado é o oceano. Como pode um grão de sal vir a saber isso? O único modo é pular dentro do oceano... assim o entendimento será completo; a separação entre o objeto do conhecimento e o sujeito do conhecimento não mais existe. Atualmente, os cientistas nucleares começaram a perceber isso. É por tal razão que eles dizem que, para realmente entender o mundo da partícula elementar, você tem de deixar de ser um observador para tornar-se um participante.
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O Segundo Estabelecimento da Mente Atenta diz respeito às sensações. O Terceiro Estabelecimento da Mente Atenta diz respeito à mente, mais exatamente às formações mentais. No Sutra Sobre a Plena Consciência da Respiração, o Buda nos oferece quatro exercícios respiratórios para tomar conta de cada um destes campos da nossa mente atenta.
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O Quarto Estabelecimento da Mente Atenta é o reino da percepção. No sutra, isso é referido como sendo “os objetos da mente”, mas podemos entender isso como percepção. O Buda também propôs quatro exercícios respiratórios conscientes para a contemplação dos objetos da mente nos objetos da mente, de modo que possamos penetrar, abraçar e olhar profundamente para dentro do objeto da nossa percepção. Realizar isso nos dá a visão que irá nos libertar da nossa ilusão e do nosso sofrimento.
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Montanhas, rios, pássaros, o céu azul, casas, fontes, crianças, animais – tudo é o objeto da nossa percepção. E nós temos quatro exercícios de respiração consciente a fim de auxiliar-nos a inquirir sobre a verdadeira natureza de todas estas coisas, incluindo a nós mesmos. O corpo também é um objeto da mente, assim com os sentimentos e as formações mentais. Sempre podemos inquirir a cerca da natureza do nosso corpo, dos nossos sentimentos ou da nossa mente, assim como sobre nossa percepção e outras coisas. Se olhamos profundamente para o corpo no corpo, ele se torna um objeto da mente. Quando estamos olhando os sentimentos, então eles são objeto da mente. Quando estamos observando a mente, ele se torna o objeto da mente. Todos os estabelecimentos da mente atenta são de fato, objetos da mente.
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Um monge, certa vez perguntu-me como a mente pode ser um objeto da mente. Eu disse que se tomarmos os nossos dois dedos e esfregarmos um contra o outro, então o corpo estará em contato com o corpo. Com a mente ocorre o mesmo. Quando olhamos dentro do nosso corpo, nosso corpo é o objeto da nossa mente. Quando olhamos dentro da forma a forma é objeto da mente. Quando olhamos dentro das formações mentais, elas são objeto da mente. Assim podemos ver que o campo de objetos da mente é muito vasto. A divisão, porém, em quatro estabelecimentos é uma ferramenta conveniente para ajudar-nos a aprender como praticar a mente atenta.
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Se você aspira ao estudo da meditação, este Sutra sobre os Quatro Estabelecimentos da Mente Atenta é parte da sua formação. Este é um dos Sutras que você mantém sob o seu travesseiro, sempre com você.
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Extraído do livro Transformação e Cura; escrito por Thich Nhat Hanh, editora Bodigaya.

quinta-feira, 17 de março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

Amongst White Clouds (Entre Nubes Blancas)


Entre Nuvens Brancas é um documentário sobre a relação entre estudantes e mestres que vivem em refúgio em meio a serra de Zhongnan na China. Uma viajem formidável a tradição oculta dos monges eremitas do budismo chines. Estas montanhas possuem a fama de terem sido a casa de ermitões desde a época do Imperador Amarillo, cerca de cinco mil anos atrás.

domingo, 13 de março de 2011

Interser


Por Thich Nhat Hanh
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"Se você for poeta, verá nitidamente uma nuvem passeando nesta folha de papel. Sem a nuvem, não há chuva. Sem a chuva, as árvores não crescem. Sem as árvores, não se pode produzir este papel. A nuvem é essencial para a existência do papel. Se a nuvem não está aqui, a folha de papel também não está. Portanto, podemos dizer que a nuvem e o papel intersão.
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Interser é uma palavra que ainda não se encontra no dicionário, mas se combinarmos o radical inter com o verbo ser, teremos um novo verbo: interser. Se examinarmos esta folha com maior profundidade, poderemos ver nela o sol. Sem o sol, não há floresta. Na verdade, sem o sol não há vida. Sabemos, assim, que o sol também está nesta folha de papel. O papel e o sol intersão.
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E se prosseguirmos em nosso exame, veremos o lenhador que cortou a árvore e a levou à fábrica para ser transformada em papel. E vemos o trigo. Sabemos que o lenhador não pode existir sem seu pão de cada dia. Portanto o trigo que se transforma em pão também está nesta folha de papel. O pai e a mãe do lenhador também estão aqui. Quando olhamos desta forma, vemos que, sem todas estas coisas, esta folha de papel não teria condições de existir.
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Ao olharmos ainda mais fundo, vemos também a nós mesmos nesta folha de papel. Isso não é difícil porque, quando observamos algum objeto, ele faz parte de nossa percepção. Sua mente está aqui, assim como a minha. É possível, portanto, afirmar que tudo está aqui nesta folha de papel. Não conseguimos indicar uma coisa que não esteja nela- o tempo, o espaço, o sol, a nuvem, o rio, o calor. Tudo coexiste nesta folha de papel.
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É por isso que para mim a palavra interser deveria ser dicionarizada. Ser é interser. Não podemos simplesmente ser sozinhos e isolados. Temos de interser com tudo o mais. Esta folha de papel é, porque tudo o mais é. Imagine que tentemos devolver um dos elementos à sua origem. Imagine tentarmos devolver a luz do sol ao sol.
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Você acha que a folha de papel ainda seria possível? Não, sem o sol, nada pode existir. Se devolvermos o lenhador a sua mãe, tampouco teremos a folha de papel. O fato é que esta folha de papel é composta apenas de elementos não papel. Se devolvermos estes elementos a suas origens, não haverá papel algum. Sem estes elementos não papel, como a mente, o lenhador, o sol e assim por diante, não haverá papel. Por mais fina que esta folha seja, tudo o que há no universo está nela.”
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Thich Nhat Hanh
Extraído do livro Paz a cada passo: como manter a mente desperta em seu dia-a-dia

Palestra em São Francisco de Paula/RS


Palestra no Espaço Holístico Solar
Você não pode perder!!!

Tema: O Dammapada – O Nobre Caminho do Darma do Buda

Palestrante: Rev. Bhante Sunantho, Monge da Escola Theravada (Tailândia e Malásia), autor de diversos artigos da revista Bodigaya e tradutor do livro “O Dhammapada – O Nobre Caminho do Darma do Buda”.
Participação Ênio Burgos (médico, físico, escritor e fundador da Editora Bodigaya e da Associação Meditar).

Data: 21 de março de 2011
Horário: 19 horas
Local: Espaço Holístico Solar
Investimento: 5,00 reais e 1 Kg de alimento não perecível
Fone: (54) 3244-2289
Email: espacosolar@gmail.com
http://www.espacosolar.com.br/
http://www.bodigaya.com.br/

Obs.: Haverá exposição dos livros da Editora Bodigaya.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Meditação no Parque e Sessão Pipoca Zen (Sáb e Dom)


Queridos amigos, irmãos e irmãs,
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lembramos a todos que no próximo final de semana haverá prática de meditação andando no Parque Mãe Bonifácia (Sábado) e Sessão Pipoca Zen (Domingo). Veja detalhes abaixo. Destacamos que as atividades são gratuitas e aberta a todos os interessados. Sejam bem vindos!
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Dia 12.03 (Sábado) - "Meditação no Parque: paz a cada passo"
Local: Parque Mãe Bonifácia
Horário: 08:00h
Ponto de encontro: entrada principal (estacionamento alternativo - de pedrinhas!)
Lembrete: Levar guarda-chuva! Se chover, meditaremos normalmente.
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Dia 13.03 (Domingo) - Sessão Pipoca Zen
Local: Academia Ligia Prieto
Horário: 16:30h
Filme: La Belle Verte
"Queridos, vamos combinar assim, quem puder leva um quitute para compartilharmos durante o filme."
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Assista ao trailer do filme na mensagem seguinte do blog.
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Informações:
Ligia - 3052-6634
Ivan - 9202-9925

La Belle Verte Trailer

quinta-feira, 3 de março de 2011

Agenda de Atividades - Março 2011


Queridos amigos, irmãos e irmãs,

informamos que não haverá prática de meditação na terça-feira de carnaval, dia 08.03.11. Confira abaixo a programação para o mês de março, destaque especial para Sessão Pipoca Zen e a Meditação no Parque: paz a cada passo.

Lembramos a todos que as atividades são gratuitas e abertas aos interessados. Sejam bem-vindos!

03.03 (5a feira) - Grupo de estudo sistematizado dos ensinamentos do budismo - às 20:00

05.03 (Sábado) - Meditação e leitura - às 08:00 08.03 (3a feira) - recesso de carnaval

10.03 (5a feira) - Grupo de estudo sistematizado dos ensinamentos do budismo - às 20:00

12.03 (Sábado) - Meditação no Parque: paz a cada passo - às 08:00
Local: Parque Mãe Bonifácia
Ponto de encontro: entrada principal, estacionamento alternativo - de predrinhas!

13.03 (Domingo) - Sessão Pipoca Zen - às 16:30
Filme: La Belle Verte
"Um Vazio, dois pipoca, três estouros... e uma bacia de contentamento"

15.03 (3a feira) - Meditação e leitua - às 20:00

17.03 (5a feira) - Grupo de estudo sistematizado dos ensinamentos do budismo - às 20:00

19.03 (Sábado) - Meditação e leitura - às 08:00

22.03 (3a feira) - Meditação e leitua - às 20:00

24.03 (5a feira) - Grupo de estudo sistematizado dos ensinamentos do budismo - às 20:00

26.03 (Sábado) - Meditação e leitura - às 08:00

31.03 (3a feira) - Meditação e leitua - às 20:00

Associação Meditar de Cuiabá se reúne na Academia Ligia Prieto, localizada na rua Ministro João Alberto, n. 137 - Araés - Cuiabá/MT.

Informações:
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terça-feira, 1 de março de 2011

A Arte de viver em Plena Consciência


Por Thich Nhat Hanh

A natureza é nossa mãe. Por vivermos isolados dela, adoecemos. Alguns de nós vivem em caixas chamadas apartamentos, bem no alto, longe do chão. À nossa volta só cimento, metal e objetos de dureza semelhante. Nossos dedos não tem oportunidade de tocar o solo; já não plantamos mais alface. Por estarmos tão distantes da nossa Mãe Terra, adoecemos. É por isso que precisamos sair para voltar ao seio da natureza. Isso é muito importante. Nós e nossos filhos deveríamos voltar a ter contato com a Mãe Terra. Em muitas cidades não conseguimos ver árvores - a cor verde se encontra inteiramente fora de nosso campo visual.
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Um dia imaginei uma cidade em que restasse apenas uma árvore. A árvore ainda era bonita, mas muito solitária, cercada de prédios, no centro da cidade. Muitas pessoas adoeciam, e a maioria dos médicos não sabia como tratar a doença. Um médico muito bom, no entanto, conhecia as causas da doença e dava a seguinte receita para cada paciente. "Todos os dias, pegue o ônibus e vá ao centro da cidade para olhar para a árvore. À medida em que você for se aproximando dela, pratique a inspiração e a expiração e , quando chegar até ela, abrace-a, inspirando e expirando por quinze minutos, enquanto olha para a árvore tão verde e sente o cheiro de sua casca tão perfumada. Se fizer isso, em algumas semanas estará se sentindo muito melhor".
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As pessoas começaram a melhorar, mas logo havia tanta gente querendo chegar até a árvore que as filas se estendiam por quilômetros. Sabe-se que as pessoas, hoje em dia, não são muito pacientes. Esperar três ou quatro horas para abraçar a árvore era demais, e o povo se rebelou. Organizaram manifestações com o objetivo de criar uma nova lei que permitisse a cada pessoa um abraço de cinco minutos, mas é claro que isso reduziu o efeito da cura. E logo em seguida, o tempo foi limitado a um minuto, perdendo-se assim a oportunidade de cura através da Mãe.
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Nós podemos estar nessa situação muito em breve se não agirmos de forma consciente. Temos que estar com a mente alerta em tudo que fizermos se quisermos salvar nossa Mãe Terra, a nós mesmos e a nossos filhos. Por exemplo, ao olharmos nosso lixo, podemos ver alface, pepinos, tomates e flores. Quando jogamos no lixo uma casca de banana, temos consciência de que se trata de uma casca de banana que estamos jogando fora e que se transformará numa flor ou num legume em breve. É exatamente essa a prática da meditação.
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Quando jogamos um saco plástico no lixo, sabemos que ele é diferente de uma casca de banana. Ele levará muito tempo para se transformar numa flor. " Ao jogar um saco plástico no lixo, sei que estou jogando um saco plástico no lixo". Essa percepção, por si só, já nos ajuda a proteger a Terra, a criar a paz e a cuidar da vida no momento presente e no futuro. Se tivermos a mente alerta, tentaremos naturalmente usar menos sacos plásticos. Esse é um ato de paz, uma forma básica de ação pela paz.
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Quando jogamos uma fralda plástica descartável no lixo, sabemos que ela leva muito mais tempo para se transformar numa flor, uns quatrocentos anos mais. Tendo conhecimento de que o uso dessas fraldas não contribui para a paz, procuramos outros meios para cuidar do nosso filhinho. Praticando a respiração e contemplando nosso corpo, nossos sentimentos, nossa mente e objetos, estamos praticando a paz no momento presente. Isso é viver em plena consciência.
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O lixo nuclear é o pior tipo de lixo. Ele leva cerca de 250.000 anos para se transformar em flores. Quarenta dos cinquenta estados norte-americanos já estão poluídos pelo lixo nuclear. Estamos tornando a Terra um lugar impossível para a vida por muitas e muitas gerações. Se vivermos o momento presente com a mente alerta, saberemos o que fazer e o que não fazer, e tentaremos agir contribuindo para a paz.
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Texto extraido do livro Paz a cada Passo.