A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

(Atenção!!! - Em Julho, no período de recesso, estaremos com outro local de prática! O endereço é na Rua Professora Neuza Lula Rodrigues, n. 150, Casa 11 - Resid. Canachuê - B. Jardim Santa Amália.) Sempre aos sábados, das 07h às 08h! Informações: (65) 9.8143-4379 - Ivan.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Lucidez nas Relações | Sobre a Essência #3 | Monja Coen

Aviso Importante


Queridos amigos, velhos e novos praticantes, irmãos e irmãs,

encerrado o período de férias retorno às minhas atividades regulares, o que impossibilita manter o dia e horário de prática.

De qualquer maneira, estarei alimentando as informações e texto aqui em nossa página - nosso blog -, bem como respondendo as mensagens e ligações como de costume. 

Assim que tivermos nova agenda e local para meditarmos, aviso prontamente.

Um grande abraço a todos.

Mãos unidas sempre.

Ivan 


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Pão quente! Pré-venda!

Descrição

ATENÇÃO: LIVRO EM VENDA ANTECIPADA
(Preço promocional: De R$ 79,00 por R$ 69,00!)

Acesse o site da Bodigaya e obtenha mais informações: http://bodigaya.com.br/

ENTREGA PREVISTA PARA NOVEMBRO 2017. Garanta seu exemplar!
Título: A Infinita Jornada da Consciência
Autor: Dr. Ênio Burgos
Página 274:
"A Infinita Jornada da Consciência propõem uma profunda e lúcida reflexão acerca do sentido da vida e da morte segundo a tradição budista. Ela descreve, com detalhes surpreendentes, os chamados “Seis Bardos” ou Estágios Intermediários da Consciência (o Bardo do Viver, o Bardodo Sonhar, o Bardo da Meditação, o Bardo da Clara Luz, O Bardo Alucinado e o Bardo do Renascimento) revelando o caminho pelo qual a mente faz a travessia de vida em vida e como se remanifesta nos Seis Reinos de Samsara.
O âmago desta obra não se esgota na mera descrição dos estágios de consciência que o ser humano pode alcançar e, portanto, evidenciando em que ponto da nossa própria caminhada interior nos encontramos, mas em propor um mapa elucidativo e decisivo a fim de que possamos, além de compreender melhor os problemas que enfrentamos, se for o caso, considerarmos uma real mudança de rumo em nossas vidas. Trata-se de uma rara ferramenta de transformação pessoal cuja repercussão ultrapassa as fronteiras desta vida.
Entre os tópicos ensinados pelo autor constam também os “Doze Elos da Originação Interdependente”, a estrutura ou arquitetura da mente e seu modo de operação, bem como uma visão clara e resumida do “Caminho do Bodisatva”.
Uma obra absolutamente indispensável para todos os buscadores espirituais ou, como diz o próprio autor, para todos aqueles “intrépidos exploradores da íngreme montanha da consciência”.

“Por onde quer que pisem os meus pés
Seja qual for o mundo em que renasça
Ou em qual corpo me remanifeste
Sob quaisquer circunstâncias, puras ou impuras,
Sob quaisquer condições, boas ou más,
Ainda que habite reinos de escuridão e desgraça,
Possa jamais o meu coração esquecer-se do Darma
E que minha mente Dele jamais se afaste
A fim de que o brilho da consciência, da virtude e da verdade
Sempre resplandesçam por onde quer que eu passe.” – Dr. Enio Burgos

O autor: Ênio Burgos nasceu em Porto Alegre, RS, em 1962. Médico, físico, compositor e escritor, é autor dos livros: “Medicina Interior, a medicina do coração e da mente”, “O Buda nos Jardins de Jetavana”, “A Lamparina Inexaurível – O Sutra Oculto de Vimalakirti”, “Guia da Prática de Meditação e Mente Atenta (Mindfulness)”, “Escolhendo o Amanhã” e “Autoencontro”, entre outros. Discípulo e divulgador do mestre Zen-budista Thich Nhat Hanh, é tradutor e editor das principais obras deste autor, tais como: “Velho Caminho, Nuvens Brancas”, considerada a melhor biografia do Buda Sakiamuni já escrita; “Ação Pacífica, Coração Aberto – As Lições do Sutra do Lótus”; “O Coração da Compreensão” e “Transformação e Cura”. Traduziu também “A Bússola do Zen”, do hilariante mestre Zen-coreano Seung Sanh, além de diversas outras obras de referência e aprofundamento de estudos sobre o Darma, especialmente os Tratados de Buda Maitreya, de Venerável Thrangu Rimpochê, considerados textos sagrados do Budismo Tibetano. Orientador e praticante de meditação há mais de vinte e cinco anos, fundou a Editora Bodigaya e a Associação Meditar, entidades criadas com o propósito de difundir ensinamentos universais libertadores e pacificadores, bem como a prática da meditação e da mente atenta. Facilitador da Unipaz é palestrante e orientador de práticas nos retiros promovidos periodicamente pela Associação Meditar.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Agenda de Prática

Queridos amigos, irmãos e irmãs,

destacamos abaixo o dia e horário da nossa prática.

Vale destacar que as atividades promovidas pela associação são sempre gratuitas e abertas a todos os interessados. 

Para tanto, sejam bem-vindos, bienvenidos, welcome, namastê, haribool, gasshô!

Sábado - Meditação e estudo - das 07:00 ás 08:00.

Endereço: Rua Professora Neuza Lula Rodrigues, n. 150, Casa 11 - Residencial Canachuê. Bairro Jardim Santa Amália. (atrás do Circulo Militar, próximo ao Colégio Aplicação e enfrente da Dom Camilo Pizzaria)

Recomendamos roupas leves.

Informações:
(65) 9.8143-4379 - Ivan (whatsapp)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Inauguramos a sede da Associação Meditar em Rolantes


SONHO REALIZADO!!
Depois de muito trabalho, finalmente o sonho de construir a sede da Associação Meditar junto à natureza mais bela do Rio Grande do Sul se realizou! 

No final de semana de 10 de março, nosso querido Enio Burgos abriu as portas da Associação Meditar Rolantes aos seus convidados e parceiros da prática da mente atenta.
Foram três dias de um clima de muita paz, harmonia, alegria, além de muita conversa boa e prática de meditação.
Também reservamos um tempinho para colocar a mão na massa. Teve mutirão para limpeza das áreas externas, capinagem e claro, para cozinhar uma comidinha vegetariana deliciosa sob comando da talentosa Dilani.
Todas as atividades foram realizadas com a mente muito atenta, com muita risada e com direito a cantoria.
O lugar é deslumbrante. A integração com a natureza é indescritível. O som das duas maravilhosas cachoeiras, carinhosamente apelidadas pelo Enio de cachoeiras gêmeas, foi a trilha sonora das práticas de meditação silenciosa.

Nos finais da tarde as rodas de prosa regadas a muito chimarrão fizeram parte da rotina do encontro.

E ninguém sentiu falta do celular. Ficamos três dias totalmente desconectados e nos demos conta de como é legal uma prosa descontraída no bom e velho estilo, olho no olho.

Esse é o espírito da mente atenta. Estarmos conscientes e integrados uns aos outros e a tudo o que a natureza nos oferece.
Esse foi o primeiro de muitos encontros que acontecerão neste espaço mais do que especial. E que venham os próximos! 

Recesso e Novo Local de Prática


Bom dia a todos os interessados, amigos e amigas!

A Associação Meditar de Cuiabá está com novo local de prática (provisoriamente).

Nesse período de recesso - "férias de julho" - nossos encontros ocorrerão na minha casa, localizada no endereço abaixo. 

Estão todos convidados! 

Horário: das 07:00 às 08:00;

Dia: Sábado;

Local: Rua Professora Neuza Lula Rodrigues, n. 150, casa 11 - Residencial Canachuê - Bairro Jardim Santa Amália. (próximo ao Colégio Aplicação e enfrente Pizzaria Dom Camilo)

Solicito por gentileza que tragam suas almofadas de meditação, se possível!

Desde já obrigado. Muita paz.  

Mais informações: 
(65) 9.8143-4379 (whatsapp) - Ivan



segunda-feira, 20 de março de 2017

Voltar-se para si


Frequentemente nos sentimos cansados e tudo que fazemos e dizemos parece sair errado e criando desentendimentos. Podemos pensar, "Hoje não é meu dia". Nessas ocasiões é melhor simplesmente retornar ao nosso corpo, cortar todo o contato, e fechar as portas de nossos sentidos.

Seguindo nossa respiração, podemos juntar nossa mente, nosso corpo e respiração e eles se tornarão um só. Teremos um sentimento acolhedor, como se sentássemos perto da lareira enquanto o vento e a chuva estão agitando lá fora.

Este método pode ser praticado em qualquer lugar em qualquer hora, não apenas na sala de meditação. Nós voltamos a ficar em contato conosco mesmos e nos fazemos inteiros de novo.

- Thich Nhat Hanh

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017


Bem-vindos, bienvenidos, welcome, namastê, haribool, gasshô!


Queridos amigos, irmãos e irmãs,

destacamos abaixo o dia e horário de nossas práticas.

4ª feira - às 20:00 - Meditação e leitura

Sábado - às 08:00 - Meditação e leitura

Vale destacar que as atividades promovidas pela associação são sempre gratuitas e abertas a todos os interessados. 

Recomendamos roupas leves.

Informações:

(65)3052-6634 - Ligia
(65)98143-4379 - Ivan 

Queridos amigos, irmãos e irmãs, saúdo a todos com imensa alegria. Quero externar meu contentamento pelas inúmeras visitas, aos leitores de toda parte do país e do mundo, aos inscritos do blog. 

Ao longo desses anos venho tentando manter a periodicidade das publicações na página virtual da Associação Meditar de Cuiabá, o que não é sempre possível, como veem. Entretanto, quero propor aos companheiros de senda, amigos e interessados, para que ajudem com a manutenção do mesmo, enviando artigos sobre temas afins, como meditação, sustentabilidade, autoencontro, poesia, ética, budismo, inter-religiosidade, mente atenta e tantos outros assuntos, que  permita-nos adentrar à vida com mais amor e dedicação. 

Os textos podem ser encaminhados ao meu email prof.ivan.jus@gmail.com, que serão publicados quinzenalmente e por ordem de chegada.

Quero desejar a todos um 2017 de trabalho em todos os sentidos, bem como de colheita, e que esta seja farta, amorosa e próspera.

Um grande abraço, e que todos os seres possam se beneficiar.

Mãos unidas!

Ivan.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Abraçando a Raiva

Por Thich Nhat Hanh

Plena consciência é a capacidade de saber o que está acontecendo em cada momento, e plena consciência da raiva é ser capaz de reconhecer quando a raiva se manifestou. Se deixarmos nossa raiva sozinha, causará estrago para nosso corpo, para nossa mente e talvez para o nosso entorno. Podemos praticar a plena consciência da raiva dizendo para nós mesmos: “Inspirando, sei que a raiva está em mim. Expirando, eu sorrio para minha raiva, eu abraço minha raiva.”

A plena consciência reconhece que a raiva é raiva. Reconhecer e abraçar a raiva é uma arte, é a prática. Usualmente, lutamos contra a raiva que surge em nós. Mas na prática budista, não lutamos contra nossa raiva, nós a abraçamos tenramente.

Imagine uma mãe que está trabalhando na cozinha e ouve seu bebê chorar. Ela o ama, portanto solta o que quer que esteja na sua mão e vai ao quarto dele. Antes mesmo de saber o que está errado, ela pega o bebê e o segura tenramente em seus braços. Apenas segurá-lo carinhosamente pode ser suficiente para trazer alivio à criança e diminuir seu choro. Se a mãe continuar a segurá-lo com plena consciência, ela descobrirá o que está errado. Ele pode estar com fome, pode estar com febre, ou sua fralda pode estar apertada demais. Através da prática da plena consciência podemos abraçar nossa raiva e pacientemente descobrir porque ela surgiu.

Se a mãe descobre que seu filho está com fome, ela lhe dá leite; se a fralda está muito apertada, ela afrouxa. Portanto ao abraçar nossa raiva com carinho, podemos aliviá-la através da respiração consciente e da caminhada consciente.

Quando a energia da raiva começa a emergir, precisamos da prática da plena consciência. Podemos pensar que para liberar nossa raiva temos que fazer algo imediatamente para confrontar a pessoa que pensamos que está nos fazendo sofrer. Ao invés disso, podemos respirar e dizer: “Inspirando, sei que a raiva se manifestou em mim. Expirando, tomarei muito cuidado com a energia da raiva em mim.”

Podemos pensar que dizer ou fazer algo muito forte para punir a outra pessoa é o caminho para encontrar alívio. Mas isto apenas irá escalar o sofrimento. A outra pessoa sofrerá mais, e ela irá buscar alívio nos punindo de volta.

Se alguém nos faz sofrer, é porque esta pessoa também está sofrendo. Alguém que não sabe lidar com seu sofrimento permitirá que ele vaze, e nos tornaremos vítimas do seu sofrimento. Sabemos que alguém que sofre tanto assim precisa de ajuda e não punição. Quando começamos a ver isso, a compaixão nasce, e não sofremos mais. Compaixão é o antídoto para a raiva. Uma vez que estamos motivados pelo desejo de ajudar a outra pessoa a sofrer menos, estamos livres de nossa raiva.

Às vezes é importante comunicar nosso sofrimento para a outra pessoa. Podemos fazer isso usando a prática do “Começar de Novo”. Sentamos juntos em um momento onde possamos estar plenamente presentes. Há três estágios: no primeiro nós “regamos as flores” da outra pessoa, sinceramente expressando nossa apreciação pelas suas boas qualidades. No segundo expressamos lamento por qualquer coisa que vemos que possamos ter feito para contribuir para o conflito. No terceiro, expressamos nosso sofrimento sem culpa ou julgamento.

Quando expressamos nosso ferimento, há três frases importantes que os ensinamentos budistas sugerem. Estas frases são o antídoto para o sofrimento. A primeira é, “Querido, eu estou com raiva. Eu estou sofrendo e quero que você saiba.”. A segunda é “Querido, eu estou fazendo o melhor que posso”. A terceira é “Por favor, ajude-me”.

Quando dizemos a primeira frase - “Querido, eu estou com raiva. Eu estou sofrendo e quero que você saiba disso.” - estamos sendo abertos e dividindo o que está acontecendo conosco. É importante que não neguemos nossa própria raiva e sofrimento. Às vezes sofremos por causa da outra pessoa, e quando ela vem e pergunta, “Querido, você está bem, está com raiva de mim?” dizemos “Eu estou bem, porque estaria com raiva?”. Ou quando a outra pessoa põe a mão no nosso ombro, tentamos evitar seu toque e dizemos, ”deixe-me só, não me toque!”. Estas são formas de punir alguém, queremos dizer a esta pessoa que podemos sobreviver muito bem sozinhos.

Portanto, ao invés disso, é muito importante ser direto. Podemos também querer adicionar, “Eu não sei por que você disse tal coisa para mim, por que fez tal coisa para mim. Por favor, explique.” A coisa importante é dizer para a outra pessoa que estamos com raiva e que estamos sofrendo. Se pudermos escrever esta sentença, já sofreremos menos. É um milagre.

A segunda frase é ainda menor, “Eu estou fazendo o melhor que posso”. Isto significa que estamos praticando a respiração consciente e a caminhada consciente e tomando conta de nossa raiva. Portanto a segunda sentença é um convite indireto para a outra pessoa fazer o mesmo, voltar para reexaminar a situação, e ver o que ela possa ter feito que tenha contribuído para o conflito.

Às vezes não queremos fazer o outro sofrer. Apenas somos inábeis. Temos que aprender a falar em termos de mais ou menos hábeis ao invés de termos como bom ou mau, certo ou errado. Na tradição budista falamos de estados inábeis da mente, como a raiva ou medo.

A última sentença é “Por favor, ajude-me”.  Quando somos capazes de escrever a terceira frase, nosso sofrimento se dissipa. Mesmo se a outra pessoa ainda não leu a mensagem, já nos sentimos muito melhor. Reconhecemos nossa interdependência, não somos capturados pelo orgulho. No verdadeiro amor não há lugar para orgulho. Sabemos que precisamos da outra pessoa para nos ajudar a sair da nossa situação.

Tenho muitos amigos que pegam um pedaço de papel do tamanho de um cartão de crédito, escrevem essas três frases e guardam na carteira. Cada vez que a raiva vem, eles pegam o “cartão”, lêem enquanto inspiram e expiram, e então eles sabem exatamente o que fazer.

Quando o nosso amado nos fere, ficamos com raiva e sofremos. Estamos na margem do sofrimento. Como somos bodisatvas, queremos atravessar para a margem da paz. Não dizemos, “Outra margem, por favor, venha de forma que eu possa pisar em você.” Não, temos que atravessar! E entendimento, prajñaparamita, é uma das maneiras de atravessar. Quando entendemos a outra pessoa, vemos seu sofrimento e também que ela não sabe lidar com este sofrimento. Ela sofre, portanto faz a si mesmo e aos que estão a sua volta sofrerem. Quando somos capazes de olhar com olhos de entendimento como estes, de repente estamos na outra margem. Este entendimento traz a outra margem imediatamente.

O Buda disse que há muitas maneiras de lidar com sua raiva, e uma maneira é praticar a paramita chamada dana, que significa doação. Você dá um presente para a pessoa que você está sentindo raiva. Usualmente quando estamos com raiva de alguém, queremos puni-la. Mas o Buda nos aconselha a fazer o oposto. Faça algo que a faça feliz. Ofereça algo para ela, e de repente sua raiva desaparecerá e você se encontrará na outra margem. Você pode querer tentar isto. Você sabe de que seu amada gosta, portanto compre um lindo presente e esconda em algum lugar. E um dia quando ficar com raiva dela, lembre-se do conselho do Buda e ofereça o presente para ela. Então ambos estarão na outra margem imediatamente.

A outra pessoa precisa de amor, e se pudermos prover isso para ela, através do entendimento, nossa raiva se dissolverá. O tempo que leva para atravessar para a outra margem pode ser muito curto. É um milagre! Como um bodisatva, queremos apenas dar. E estamos dispostos a dar qualquer coisa que pudermos.

As coisas mais valiosas para dar são entendimento e compaixão. Todos no mundo anseiam por entendimento, compaixão e amor. Como um bodisatva, como um praticante, podemos produzir entendimento e compaixão. Quando olharmos profundamente para a situação, não culparemos mais, sentiremos compaixão.

(Do livro “Together we are one”– Thich Nhat Hanh)
(Traduzido por Leonardo Dobbin)

terça-feira, 22 de março de 2016

Carta Aberta ao ano de 2016

         
 

Queridos amigos, irmãos e irmãs, saúdo a todos com imensa alegria. Quero externar meu contentamento pelas inúmeras visitas, aos leitores de toda parte do país e do mundo, aos inscritos do blog. 

Ao longo desses anos venho tentando manter a periodicidade das publicações na página virtual da Associação Meditar de Cuiabá, o que não é sempre possível, como veem. Entretanto, quero propor aos companheiros de senda, amigos e interessados, para que ajudem com a manutenção do mesmo, enviando artigos sobre temas afins, como meditação, sustentabilidade, autoencontro, poesia, ética, budismo, inter-religiosidade, mente atenta e tantos outros assuntos, que  permita-nos adentrar à vida com mais amor e dedicação. 

Os textos podem ser encaminhados ao meu email prof.ivan.jus@gmail.com, que serão publicados quinzenalmente e por ordem de chegada.

Quero desejar a todos um 2016 de trabalho em todos os sentidos, bem como de colheita, e que esta seja farta, amorosa e próspera.

Um grande abraço, e que todos os seres possam se beneficiar.

Mãos unidas!

Ivan.

terça-feira, 12 de maio de 2015

A Medicina do Coração - Enio Burgos - Palestra Audio

Por que orar?

 
Por Thich Nhat Hanh
 
Às vezes, a oração é bem-sucedida e, por vezes, não é. Talvez tenhamos de fazer mais perguntas. A questão que se pode fazer é: Por que a oração é bem sucedida em alguns momentos e não em outros?

Nós sabemos que quando queremos usar nosso telefone, ele precisa ter um fio e tem de haver electricidade neste o fio. A oração funciona da mesma maneira. Se a nossa oração não tem a energia da fé, compaixão e amor, é como tentar usar um telefone quando não há energia elétrica no fio. O simples fato de que nós oramos não conduz a um resultado.

Existe uma maneira de rezar que garanta resultados satisfatórios? Se alguém tivesse tal método, as pessoas ficariam felizes em comprá-lo a um preço elevado, mas até agora ninguém encontrou um.

Nós não sabemos por que a oração é eficaz em alguns momentos e não outros, mas tirando esta questão, outra surge: Se Deus ou qualquer outro poder fora de nós mesmos em que acreditamos já determinou que as coisas deveriam ser de certa forma, então qual é a razão de rezar? Algumas pessoas de fé diriam que, se Deus quer alguma coisa, então a vontade de Deus já está sendo feita.  Qual é o ponto de rezar se tudo já está pré-determinado? Se uma pessoa em uma determinada idade sofre de câncer, por que que devemos orar para a saúde dessa pessoa? Rezar não seria um desperdício de tempo?

Para os budistas, esta mesma questão se coloca em relação ao karma. Se alguém realizou ações prejudiciais no passado, e, em seguida, algum tempo depois, fica doente, alguns diriam que este é apenas um exemplo do karma funcionando; como pode a nossa oração mudar alguma coisa? Se o nosso karma é tal, então como pode o resultado do nosso karma ser mudado? O que chamamos de "vontade de Deus" no cristianismo é equivalente ao que chamamos de "retribuição do karma" no budismo.

Portanto, se um ser espiritual fez as coisas do jeito que são, por que orar? Nós poderíamos responder com outra pergunta: Por que não orar? No budismo, aprendemos que tudo é impermanente, o que significa que tudo pode mudar. Hoje estamos em boa saúde e amanhã estamos com problemas de saúde. Hoje estamos doentes e amanhã a nossa saúde pode voltar. Tudo vai de acordo com a lei de causa e efeito. Portanto, se temos uma nova energia, uma nova visão, uma nova fé, somos capazes de abrir uma nova etapa na vida do nosso corpo e da nossa mente.

Quando nos sentamos para a prática de unificação do nosso corpo e nossa mente, e trazemos a nossa energia de amor para a nossa avó, para uma irmã mais velha, ou um irmão mais novo, então nós estamos produzindo uma nova energia. Essa energia imediatamente abre o nosso coração. Quando temos o néctar da compaixão e estabelecemos a comunicação entre a pessoa que está orando e aquele para quem a oração está sendo dirigida, então, a distância entre Plum Village e Hanói não tem qualquer significado. Esta ligação não pode ser estimada ou descrita em palavras; tempo e espaço não podem apresentar quaisquer obstáculos.

Nós e Deus não somos duas existências separadas; portanto, a vontade de Deus é também a nossa própria vontade. Se queremos mudar, então Deus não irá nos impedir de mudar. O poeta Nguyen Du colocou desta maneira:

Quando necessário, os céus não vão ficar no caminho dos seres humanos.
Os resultados das ações passadas podem ser levantados,
Causas e condições futuras podem ser criadas.

A verdadeira questão é: queremos mudar ou não? Queremos continuar a manter a atração do sofrimento e deixar nossas mentes passearem em sonhos? Se em seu coração você quer mudar, então qualquer que seja o ser espiritual em que você acredita, ele também ficará feliz em você mudar.

Famílias funcionam da mesma maneira; nenhuma pessoa é completamente separada. Se o filho ou a filha mudam, então o pai e a mãe também vão mudar. Se a energia surge do filho ou da filha e os efeitos da mudança surgem neles em primeiro lugar, em seguida, isto também irá produzir uma mudança no coração do pai e da mãe algum tempo depois. As famílias não são feitas de entidades completamente separadas.

Mesmo que Deus tenha predisposto que as coisas para que sejam de certa forma, ainda podemos mudar porque, como diz a Bíblia, "somos filhos de Deus" (I João 3: 2). Qual é a relação entre o criador e a criatura? Um deles tem a capacidade de criar e o outro é o que é criado. Se eles estão ligados um ao outro, então podemos falar deles como sujeito e objeto. Se eles não estivessem conectados um ao outro, como podemos chamá-los de sujeito e objeto?

O sujeito que cria é Deus; o objeto criado é o universo em que vivemos. Entre o sujeito e o objeto, há uma estreita relação, assim como há uma estreita relação entre esquerda e direita, noite e dia, a satisfação e a fome; assim como, de acordo com a lei da reflexão, aquele que percebe e o que é percebido têm uma ligação muito próxima. Quando o ângulo de incidência muda, do ângulo de reflexão mudará imediatamente. O que chamamos a vontade de Deus está ligada à nossa própria vontade. É por isso que a retribuição de nossas ações passadas pode ser alterada.

(Do livro de Thich Nhat Hanh - "The energy of prayer” - Tradução Leonardo Dobbin)
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Você se conhece?


Por Monja Coen Sensei
 
É preciso cuidado. Buda dizia que a mente humana deve ser mais temida do que cobras venenosas e assaltantes vingadores

O carnaval passou, mas ainda continua.

Há carros alegóricos desfilando pelas ruas, com policiais e bandidos, traficantes e perdidos.

Há fantasias remendadas de plumas e brilhos nas pessoas que se emplumam para defender o indefensável.

O roto fala do rasgado.

Imaginam façanhas que se tornam vergonhosas artimanhas.

Acham-se salvadores da pátria. Mas é a pátria que nos salva a todos.

Hitler se achava um homem bom — queria a pureza da raça. Exterminador brutal, representante de uma grande parte da sociedade de sua época. Vergonha.

E muitos se calaram. Porque "não era comigo". Até que venham bater à sua porta e, então, será tarde demais.

Os homens de barbas e capuzes negros que degolam e queimam pessoas em nome da fé e do estado — será que eles se consideram errados? Será que se acham salvadores do mundo? Quebrando obras de arte, patrimônio da humanidade?

É preciso cuidado.

Cuidado de cuidar com respeito e dignidade.

Buda dizia que a mente humana deve ser mais temida do que cobras venenosas e assaltantes vingadores. 

Você observa sua própria mente? Você se conhece e reconhece as manobras da politicagem mental, física e social?

É preciso acordar, despertar. Compreender as razões pelas quais as notícias nos são passadas. Regionais, nacionais, internacionais.

Há tanta gente boa no mundo.

Há tantos projetos que deram certo, que dão certo e nunca sabemos.

Escondido o bem, o mal se revela vitorioso.

Cada pessoa procurando pelos erros e faltas alheios. Nos telhados de vidro. No grande telhado de vidro que nos cobre a todos, em todo o planeta. Jogamos fezes e lixo para o alto, caem sobre nós mesmos.

Mas há flores e fragrâncias.

Há idosos e crianças felizes.

Há pessoas comprando nas lojas alimentos, roupas, automóveis, flores, presentes, encantamentos. Há quem não apertou o gatilho.

Há o policial que ajudou o bebê a nascer e impediu um crime. Você sabia que a polícia existe para nos proteger?

Alguém noticiou as boas ações dos bombeiros, dos militares, dos policiais, dos políticos, dos líderes, dos professores, dos médicos, dos religiosos, das mulheres, dos homens, das crianças, dos adolescentes, dos idosos?

Gente. Somos gente e somos bons. Podemos ficar envenenados pela ganância, raiva e ignorância. Por outro lado, podemos nos curar com a compreensão clara e o discernimento correto.

Queremos o bem, o bem de todos os seres. Logo, temos de incluir e de nos unir — não para impedir, atrapalhar, ferir, queimar, mas para construir uma realidade que mostre todas as suas faces.

Sem fantasias, sem máscaras.

O carnaval passou.

Vamos deixar passar o carro fantasmagórico dos ódios e rancores.

Vamos cantar a possibilidade de cuidar e reparar sem parar o fluxo contínuo e puro das ações que beneficiem todos os seres.

Mãos em prece.

Texto da Monja Coen publicado no jornal O Globo de 05/03/2015.
Extraído do site: http://www.monjacoen.com.br/ 

Livro do Mês - Maio

O Caminho pelo qual pensamentos e emoções causam as doenças e as dificuldades da vida.
"Medicina Interior, A Medicina do Coração e da Mente" detalha todos os aspectos do caminho através do qual pensamentos e emoções causam as doenças e as dificuldades da vida.

As pessoas sabem que, amiúde, fortes emoções resultam no desequilíbrio da saúde física e mental. A base deste desequilíbrio, assim como a causa deste fenômeno são esclarecidas nesta obra fascinante. Ela descreve não apenas como os diferentes tipos de pensamentos e emoções atuam sobre o nosso organismo, elucidando o modo como a mente determina as escolhas e as experiências de vida, mas também como o nosso perfil mental (apegado, aversivo, indiferente, ciumento, orgulhoso, etc.) determina até mesmo a forma que nosso corpo irá assumir ao longo da sua existência.
Este livro funciona como um espelho onde vemos refletidas as sutilezas da nossa mente e as consequências do nosso estado mental sobre a nossa saúde física e psíquica. Nele, vemos como transformar pensamentos e emoções em saúde, paz, sabedoria e plenitude de vida.

Prescrevendo "remédios" ou antídotos absolutamente sutis e práticas curativas de meditação e mente atenta, podemos aprender a transformar e curar hábitos mentais negativos, alcançando um estado de maior compreensão, harmonia e felicidade.

Dotado de uma visão livre, independente de escolas, linhagens ou tradições religiosas, o Dr. Enio Burgos, além de médico e físico, tem-se destacado como pacifista, poeta, compositor e difusor de ensinamentos absolutamente universais. Facilitador da Unipaz, vem orientando inúmeras pessoas na prática de meditação e da mente atenta ao longo dos últimos vinte e cinco anos. Com o objetivo de difundir a meditação e a mente atenta, fundou a Associação Meditar, entidade voltada ao ensino da meditação e da mente atenta, tendo disseminado locais de estudo e prática por várias cidades do país. Dentre seus livros, o "Medicina Interior, A Medicina do Coração e da Mente" destaca-se pela profundidade e abrangência dos temas, sendo cada vez mais recomendado e lido tanto por profissionais da saúde, tais como médicos, terapeutas e psicólogos, como também pelo público em geral. 
"Dr. Enio Burgos é uma das principais referências da espiritualidade universalista." - Irmão Vítor Caruso Júnior, discípulo ordenado por Thich Nhat Hanh, fundador do Espaço Hermógenes e do Ciência Meditativa. Curitiba - PR

Terceira Edição revisada e ampliada pelo autor.
Capa Dura, 344 páginas, formato 16 x 23 cm. 

Mais informações: http://bodigaya.com.br/index.php/

quarta-feira, 8 de abril de 2015

EU MAIOR entrevista com Professor Hermógenes



Esse vídeo é postado em homenagem ao mestre Hermógenes.

Mãos unidas em prece.

Gassho.

Monja Coen responde sobre a morte

P - Há realmente a necessidade de uma preparação para a morte tendo como foco os doentes terminais e seus familiares?
MC - Sim e não.
De certa forma estamos todos preparados para morrer e para aceitar a morte. Faz parte de nosso processo natural. Entretanto, quanto estamos afastadas, afastados de nossa essência verdadeira?
Queremos o impossível. Nos apegamos ao que é transitório e passageiro. Criamos sofrimentos em cima de sofrimentos. Portanto se faz necessário trazer de volta a consciência de que podemos morrer bem. Por boa morte quero dizer uma morte consciente de estar morrendo e sem deixar remorsos.
É preciso lembrar aqueles que são muito apegados às formas e sons materiais, que tudo isto é passageiro, mas permanece em nós a vida dos que se vão, em nossas vidas.

P - Há uma seqüência ou uma lógica de fases do enfrentamento da morte/luto?
MC - Parece haver, dependendo evidentemente das situações. Mortes súbitas, causadas por desastres, crimes, guerras podem ter uma sequência de raiva e culpa pela incapacidade de evitá-la, tristeza e finalmente aceitação.
Contam os sutras que certa feita uma senhora desesperada carregava seu bebê morto em seus braços e pediu a ele que devolvesse a vida a seu filhinho. Buda disse que o faria se ela trouxesse a ele três sementes de sesame de uma casa onde a morte não houvesse entrado. Cheia de esperança a mãe começou a percorrer o vilarejo. E logo percebeu, que a morte havia entrado em todas as casas. Assim foi capaz de aceitar a morte de seu filho.

P - Cada pessoa tem um jeito particular de encarar a morte e o luto ou há atitudes comuns a todos, independente de sexo, idade...
MC - Somos semelhantes e não iguais. Assim sendo cada um de nós tem um relacionamento diferente com a morte e este relacionamento também se modifica conforme a situação. Alguém que esteja sofrendo muito diz que quer morrer. Assim que o sofrimento passe não se apressa mais em morrer. Todos nós, homens e mulheres, crianças e adultos, jovens e idosos, carregamos em nós o instinto da vida e o instinto da morte. Isso é comum. Como que somos educados para a morte - isso é particular, diferente, conforme culturas, etnias, e mesmo famílias ou grupos sociais.

P - Qual o significado da morte para o Budismo? Acredita-se em uma outra vida após a morte? Há linhas diferentes dentro do Budismo?
MC - "A vida é um processo em si mesma. A morte é um processo em si mesma. Assim como a cinza não volta a ser lenha, a morte não volta a ser vida." Essas palavras foram escritas pelo Mestre Zen Eihei Dogen Daiosho, fundador da tradição Soto Zen Budista no Japão do século XIII.
Há várioas linhas budistas - desde as que crêem na reencarnação como as que negam alguma coisa eterna e permanente que pudesse reencarnar.
Nada é fixo ou permanente. A vida é transitória e a morte é transitória.

P - Como a morte é encarada por seus seguidores?
MC - Eu não sei. Poderia falar de alguns alunos, algumas alunas, algumas pessoas. Um idoso, com quase noventa anos, durante o enterro de sua irmã, me confessou: "todos dizem que foi uma boa morte, pois morreu dormindo. Eu quero ver a morte. Quero morrer acordado, consciente. É a grande aventura de minha vida."

P - Para o Budismo morre é apenas um momento de transição ou é um ponto final?
MC - Não há ponto final. Não há ponto inicial. Há o Interser.
Se acreditamos na Lei da Causalidade, a morte não anula todas as causas e condições criadas durante a vida. Cada instante de vida é transição.
Como dizia nosso poeta paulistano, Cassiano Ricardo, "cada instante de vida não é mais, é sempre menos. Desde o instante em que se nasce, já se começa a morrr". Cada célula viva, cada molécula, cada partícula e sub partícula - tudo está em constante movimento e transformação. Onde começa a vida? Onde termina? Nem mesmo a Biologia moderna consegue definir. Somos vida e somos morte.

P - Como lidar com o sentimento de culpa e revolta com a perda de um filho? E dos pais? Quais as diferenças e semelhanças sob o ponto de vista do Budismo?
MC - Tudo que começa, termina. A vida é um processo terminal. Morrem bebês, morrem idosos. Meu mestre, Yogo Suigan Roshi, costumava dizer às pessoas "seja qual for a idade em que morrerem - já era tempo. Geralmente as pessoas dizem isso quando alguém morre com mais de noventa anos. Eu digo a qualquer idade."
Não podemos controlar nem a vida nem a morte. É preciso ter humildade e fazer sempre o que for mais adequado ás circunstâncias. Assim não há culpa. Assim não há revolta. Há tristeza, há saudade, há ternura. Não devemos cultivar vinganças, rancores, revoltas, culpas. Se formos éticos, éticas e cultivarmos as virtudes aceitamos a realidade e ao mesmo tempo nos tornamos transformadores, transformadoras da realidade através de nossos gestos, pensamentos e palavras.

P - Segue rituais antes e depois da morte ? Quais?
MC - Sim. No Zen Budismo da Soto Shu, ordem à qual pertenço, oramos pelas pessoas doentes, oramos pelos moribundos, oramos pelos mortos. Oramos no travesseiro onde morreram, oramos ao prepará-los para o caixão, para o velório. Oramos no velório, oramos no crematório, oramos no enterro, oramos depois do enterro, das cinzas. Oramos nos sétimos dias. Sete vezes sete. Quarenta e nove dias. Tempo em que se completa um ciclo de vida-morte. Então outro ciclo se inicia. Como ondas no mar são nossas vidas. Mas tudo é água. Causas e condições formam as ondas e cada onda é responsável e coadjuvante de outras ondas. Incessante e luminoso processo de vida,de morte, de vida, de morte, devida...

P - Como ajudar uma criança a enfrentar a proximidade da morte? O que dizer? E um adolescente?
MC - Que a flor fenece, que tudo se transforma, que morrer é bom, que todos nossos ancestrais já morreram.
Que não é preciso ter medo, mas ir, ir, sempre ir com alegria para a luz infinita, sem se lastimar, pois viveu o que tinha a ser vivido - e o que é uma vida, em meio a tantas vidas?
É preciso tirar o estigma da morte - nossa amiga e companheira, que nos acolhe, sem distinção, sem discriminação. E´é secreta, misteriosa.

P - É mais fácil aceitar a morte de idosos? É verdade que o paciente sempre sabe que irá morrer?
MC - De certa forma todos sabemos o que está acontecendo com nosso corpo, pois somos este corpo.
A questão é que nos enganamos ou gostamos de ser enganados. Claro que é mais fácil aceitar a morte de idosos - como se houvessem, com o longo tempo de vida, "aproveitado a vida". Entretanto temos um sutra que diz valer mais viver um dia corretamente do que cem anos em ilusão.
Não é o tempo (conforme nós o compreendemos) que torna a morte melhor ou pior. É a qualidade da vida que vivemos e a qualidade da morte que morremos.

P - Até que ponto vale investir na extensão da vida sem qualidade em casos terminais? É preciso viver a doença e a morte com dignidade? Como a religião e a fé contribuem para isso?
MC - Cada religião e cada grupo tem pareceres diferentes sobre casos terminais. Tenho uma amiga, a Dra. Glória Brunetti do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, com um projeto maravilhoso de construir um centro para pacientes terminais. Pacientes pobres, carentes. Porque pobres ou ricos, todos temos o direito de morrer com dignidade. Ela ainda encontra muita dificuldade em conseguir realizar seu projeto. As pessoas pensam apenas em encontrar remédios e curas para doenças. Mas a vida é um processo terminal e precisamos morrer bem, bem cuidados, bem amados, bem tratados.
Há várias pesquisas sobre a força da oração, da meditação nos processos de cura e de morte. Ajudam sim. Mas há também os ateus, as atéias, que morrem bem. Não é apenas a religião institucionalizada. É a espiritualidade e a confiança em si e na própria vida, na própria morte. Quem até hoje deixou de morrer?

P - No passado a morte envolvia maior proximidade/envolvimento da família, acontecia geralmente em casa. Hoje há um maior distanciamento, em geral acontece nos hospitais. É uma forma mais fácil de enfrentá-la?
MC - É uma forma asséptica e distante. Não queremos lidar com a dor. Nos hospitais o local para onde são levados os mortos é pequeno e escondido, nos fundos. Ninguém quer falar muito sobre os que morreram, como se fosse feio, como se fosse uma perda. Por que não temos locais lindos e públicos para acolher os mortos, para lamentar sim essa despedida, mas para reafirmar a vida em nossas vidas.
Antigamente e ainda nos locais carentes e simples, as pessoas morrem em casa, cercados de seus parentes, amigos. Pode ser mais agradável. Ou não? Será que no momento da morte isso importa muito? Talvez não. Mas, importa antes. E talvez importe muito para os que ficam - saber que cuidaram, que acompanharam, que compreenderam seus últimos desejos, que perceberam os sinais da morte e que fecharam seus olhos, amarraram seu maxilar e cobriram seu corpo de flores, amores.
Rituais são importantes para nós humanos. Rituais de passagem. Nós gostamos de fazê-los. Por que evitá-los? Talvez as doenças contagiosas tenham dado origem ao que temos hoje em dia. Também as dificuldades de alguém morrer em casa e a necessidade legal da verificação da morte do Instituto Médico Legal. O que é interessante é procurar manter a ternura, mesmo nas instituições hospitalares.
Muitos já fazem isso. Muitos ainda carecem disso.

P - A nossa dificuldade de aceitar a morte hoje dificulta seu enfrentamento?
MC - Independentemente de aceitarmos ou não, a morte é.
Não precisa ser enfrentada, precisa ser experimentada. E apenas a experiência da morte pode nos dizer o que é morrer.

P - Há uma tendência para os próximos anos diminuir a negação da morte? Por quê?
MC - Porque percebemos que a morte é necessária, é importante e não é má. Todos morreremos. Há um obstetra, que também é pastor, que costuma dizer ao fazer um parto "sei que nasceu e sei que morrerá, posso apenas orar por aquilo que fará durante sua vida"

P - É possível ensinar sobre como encarar a morte? Fale da sua experiência com pacientes oncológicos e terminais.
MC - É preciso falar da morte. Algumas pacientes e alguns pacientes não querem falar sobre a morte. Querem se auto-enganar, que vão se recuperar. Mas, sabem que não.
É uma oportunidade preciosa poder rever sua própria vida e saber se compreender, se amar e se perdoar. A si mesma e aos outros. Todas as experiências de nossa vida e de nossa morte são a tapeçaria do universo - hoje até chamado de multiverso. Múltiplos universos convergentes e divergentes.
É preciso fazer o arrependimento. Temos um verso:
"Todo o carma prejudicial alguma vez cometido por mim
Devido á minha ganância, raiva e ignorância
Nascido de meu corpo, boca e mente
Agora, de tudo, eu me arrependo"
Este arrependimento, quase como um "mea culpa" cristão, purifica, liberta, transforma.
Arrepender-se é esforçar-se por se transformar. Nesta vida e em vidas subseqüentes a esta. Que possamos sempre nos refugiar nas Três Jóias: Buda, Darma e Sanga.
Buda - a pessoa iluminada, sábia, que tudo compreende e atua adequadamente a cada circunstância para minimizar a dor e o sofrimento do mundo - para libertar todos os seres dos medos e sofrimentos
Darma - a lei verdadeira, os ensinamentos superiores que nos levam à libertação
Sanga - a comunidade de praticantes, de seres que se propõem a viver com sabedoria e compaixão, uma vida ética e poder viver e morrer com tranquilidade.
Uma de minhas alunas, paciente oncológica terminal, só morreu depois que eu a visitei e murmurei em seus ouvidos o poema do arrependimento e o refúgio nos Três Tesouros, acima mencionados.
Parece que precisamos desse ritual, desse conforto, desse carinho.
Alguém que nos acompanhe até o final, acompanhe com respeito, não apenas com lástimas, não com o egocentrismo de "eu estou perdendo alguém", mas sem esse "eu", apenas acompanhar e se despedir.
Quando Xaquiamuni Buda estava morrendo, aos oitenta anos de idade, doente, disse a seus alunos e suas alunas:
"Não se lamentem. Tudo que começa termina. Não é meu corpo que vocês amam, mas o Darma, a Lei Verdadeira - esta sim, que liberta e salva.
Assim sendo, façam do Darma o seu Mestre e eu viverei para sempre."
(Parinirvana Sutra)

Mãos em prece,
 
Monja Coen.