A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

(Atenção!!! - Em Julho, no período de recesso, estaremos com outro local de prática! O endereço é na Rua Professora Neuza Lula Rodrigues, n. 150, Casa 11 - Resid. Canachuê - B. Jardim Santa Amália.) Sempre aos sábados, das 07h às 08h! Informações: (65) 9.8143-4379 - Ivan.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Agenda de Atividades! Participe!!!

Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

destacamos abaixo a agenda de atividades da Associação Meditar de Cuiabá.

3a feira
- 19h - Tai Chi Chuan
- 20h - Meditação e estudo

Sábado - 08h - Meditação e estudo
.
Segundo Sábado do mês - "Meditação no Parque: paz a cada passo" - 8h
(local: Parque Mãe Bonifácia; entrada principal, estacionamento de pedrinhas!)

Domingo - Sessão Pipoca Zen - data préviamente informada no blog

Destacamos ainda que as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados.

Local:
Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, n. 137 - Araés
(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

Informações:
Ivan - 9202-9925
Ligia - 3052-6634

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Importância da Meditação


Se nós enquanto membros da raça humana praticarmos meditação, poderemos transcender nosso medo, desespero e esquecimento. Meditação não é uma escapatória. É a coragem de olhar para a realidade com plena consciência e concentração. Meditação é essencial para nossa sobrevivência, nossa paz, nossa proteção.


- Thich Nhat Hanh (Do livro "The World We Have")

Sobre o caminho


Os desafios às vezes parecerão insuperáveis e o fracasso inevitável. Nesses momentos, você precisará de uma comunidade para ajudá-lo a se expor repetidamente à aniquilação, de forma que aquilo que é indestrutível dentro de você aflore. Dando um passo de cada vez, você poderá atingir objetivos que pensou serem inalcançáveis. Ou talvez não. Mas, mesmo que você falhe, seu compromisso com o "sucesso além do sucesso" produzirá assombrosas mudanças que você, nesse momento, nem imagina. Como disse um colega, ninguém que embarca nessa jornada permanece o mesmo. O que quer que aconteça, você mudará para sempre.
Esse caminho não tem retorno e nunca termina. Não há onde chegar, nenhum objetivo final a conquistar; apenas limites mais e mais elevados do espírito humano. Sempre que acho que já tenho as respostas e que estou finalmente no controle, um desafio que excede minha capacidade de resposta me deixa mais humilde. Entretanto encontrei paz e satisfação no "sucesso além do sucesso". Estou certo de que sempre é possível assumir responsabilidades, agir com integridade e expressar meus valores transcendentes por meios habilidosos. Não restam dúvidas ou lugares onde se esconder. O "sucesso além do sucesso" é minha responsabilização incondicional. Às vezes desejo poder voltar: culpar os outros, sentir me vítima, dar-me ao luxo de usar padrões inconscientes. Mas não há caminho de volta. A conscientização é irreversível. Uma vez que você começe a enxergar, poderá se fingir de cego. Poderá enganar os outros, mas não será capaz de enganar-se.
-Fred Kofman

A Importância da Sangha


"A criação de Sanghas é crucial. Se você está sem uma Sangha você perde sua prática logo. Na nossa tradição dizemos que sem uma Sangha você é como um tigre que deixou a montanha e se foi."


- Thich Naht Hanh

(Sangha - comunidade de praticantes)

domingo, 24 de outubro de 2010

Ontem não é igual a hoje


Quando o olhar da mente é límpido, vemos tudo como realmente é, de modo natural. Mas assim que os olhos se distraem com objetos externos, não vemos mais. Perdemos a capacidade de ver corretamente. Sons e imagens nos atacam, nos arrastam, nos puxam. Coisas que deveríamos ver, não vemos. Coisas que deveríamos ouvir, não ouvimos. Não é assim?


Se escutarmos o rio sem atenção, a água que corre parece ter um ritmo constante e ininterrupto. Entretanto, nenhuma gota d'água passa duas vezes sobre a mesma pedra. Não é nunca a mesma gota que forma o leito do rio ou o murmúrio da correnteza. A imutabilidade é apenas uma ilusão dos olhos e dos ouvidos humanos. Uma vez que tenha passado, a água não corre nunca mais no mesmo ponto do rio.A vida humana não é diferente. Acreditar que ontem é igual a hoje é resultado de nossa ignorância e insensibilidade. São nossas mentes e nossos olhos deludidos que vêem o passado igual ao presente. Os olhos iluminados vêem claramente a imagem das coisas em eterno movimento e reconhecem que um instante é diferente de qualquer outro.

Shundo Aoyama Roshi
(Texto publicado no blog: http://sangavirtual.blogspot.com/)

sábado, 23 de outubro de 2010

Videofórum: "As religiões do mundo e a ética global"


As religiões do mundo e a ética global
Por Ivan Deus Ribas*

Este é o primeiro texto que escrevo para o site do respeitável Centro Burnier Fé e Justiça, onde, inicialmente, quero registrar meu sentimento de gratidão e dizer que a palavra respeitável usada acima é dita em profundidade, por reconhecer o trabalho desenvolvido por cada um dos seus colaboradores, pautados na solidariedade, no esforço sincero de desenvolver e resgatar o que há de melhor no ser humano.

Participei no início do mês de maio e até meados de agosto, deste ano, como estudante e palestrante, do I VideoFórum: “As religiões do mundo e a ética global”, evento que foi realizado pelo Centro Burnier com o apoio da Unisinos – Universidade do Vale dos Sinos/RS -, e em alinho com a proposta das Nações Unidas e a Declaração Universal das Religiões do Mundo, que tem como meta fundamental aproximar as diferentes crenças existentes no nosso planeta e promover o diálogo inter-religioso, a fim de construir a paz entre as religiões.

Ao todo foram nove módulos, onde diferentes correntes religiosas foram apresentadas e estudadas, dentre elas: o Cristianismo, o Islamismo, o Judaísmo, as Religiões Chinesas, o Budismo, o Hinduísmo, as Religiões Tribais, Afro-brasileiras e Indígenas –, cada uma apresentada em um documentário do teólogo alemão Hans Küng, exceto as duas últimas que entraram na pauta por iniciativa local, em reconhecimento as raízes regionais e próprias do nosso país. Estiveram presentes diferentes lideranças, religiosas ou não, praticantes, professores, profissionais de diversas áreas, estudantes e interessados, com o intuito de conhecer, de trocar impressões, de dialogar, de repensar.

A cada encontro, uma vitória, uma conquista individual e coletiva, onde pré-conceitos, dúvidas, misticismos ou, ainda, puro desconhecimento iam dando espaço para a amizade, para o respeito, para o semelhante, para o outro – diferente de mim – mas que, igualmente, anseia por entendimento, por paz, por compreensão.

Ao final da “novena”, como foi carinhosamente chamado pelos participantes, a sensação foi de satisfação, muito embora saibamos que estamos apenas engatinhando, no que se refere ao diálogo inter-religioso, mas que, ainda assim, foi possível perceber que existem diferenças sim entre as religiões mas que, em síntese, estas “diferenças” são muito menores diante das semelhanças, que são muito maiores em significado. O que realmente aproxima, e que é sutil, “invisível” aos olhos, é imensamente mais profundo, sendo dito de diferentes maneiras, com a capacidade de unir, de agregar, de superar máculas, de perdoar, isso sim, de fato, é comum a todos os seres, muito além das denominações religiosas que possamos professar ou praticar, o amor, inegavelmente, é elo fecundo que reside em nossos corações.

É esse sentimento que sustenta e possibilita que pessoas como os amigos e missionários do Centro Burnier empreendam ações que vão além do universo pessoal, no intuito de promover o bem, procurando despertar na sociedade um olhar mais humano, independente da religião, por isso acho digno de atribuir a palavra “respeitável”. O meu sentimento de gratidão também reside no fato que de alguma maneira a ação promovida por eles permite que eu possa exercitar o melhor de mim, no caminho da verdade. Meu muito obrigado.
Mãos unidas em prece.

Dedico este pequeno texto aos inúmeros seres que respiram comigo e que dividem a dádiva da vida. Muita paz.

* Ivan Deus Ribas é estudante de Direito e membro da Associação Meditar de Cuiabá
Texto publica no site: http://www.centroburnier.com.br/

ASSOCIAÇÃO MEDITAR E ECOVILA KARAGUATÁ/RS


QUERIDOS AMIGOS E AMIGAS, AQUI VAI MAIS UM CONVITE PARA NOS ENCONTRARMOS, ONDE COMPARTILHAREMOS SABERES, TRILHAS, SILENCIOS, FAZERES, SOL E CHUVA!
ABRAÇOS!
Gloria, Aquiles,Yan e Gabriel

- VENHA VIVENCIAR UM DIA DE MENTE ATENTA -

Estamos iniciando um grupo de prática e estudo da mente atenta!
Início: "SÁBADO, 30 DE OUTUBRO DE 2010
Horário: das 8 às 18 hs.
Local: ESPAÇO KARAGUATÁ
Linha Ficht - Rio Pardinho. Santa Cruz do Sul/RS.

Informações: (51) 9962-9349 # 9964-3099 # 9955-3829.
Mais informações sobre como chegar, no site www.ecovilakaraguata.co.cc/com.
Inscrição: Envie um email para ecovilakaraguata@yahoo.com.br, informando nome e telefone. As vagas são limitadas. Dispomos de algumas acomodações coletivas para quem quiser pernoitar. Quem tiver, trazer sua almofada de meditação, uma manta e repelente (quem achar necessário).
Investimento: Contribuição solidária!
**QUEM QUISER TRAZER ALIMENTOS, FRUTAS, BOLOS OU QUALQUER QUITUTE PARA COMPARTILHAR SERÁ MARAVILHOSO!**

QUE TODOS OS SERES SEJAM FELIZES
QUE TODOS OS SERES SEJAM LIVRES
QUE TODOS OS SERES VIVAM EM PAZ

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Agenda Mensal


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

destacamos abaixo agenda de atividades da Associação Meditar de Cuiabá. Informamos ainda, que a programação é gratuita e aberta a todos os interessados, sem qualquer contra-indicação e/ou pré-requisito. Sejam muito bem-vindos. Paz a cada passo!

3a feira
- 19 h - Tai Chi Chuan
- 20 h - Meditação e estudo

Sábado - 08 h - Meditação e estudo

Segundo Sábado do mês - "Meditação no Parque: paz a cada passo" - 08 h

Domingo - Sessão Pipoca Zen - data informada no site (préviamente)

Informações:
(65) 3052-6634 - Ligia
(65) 9202-9925 - Ivan

Local: Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, nº 137 - Araés
(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Verdade Relativa e a Verdade Absoluta


Por Thich Nhat Hanh


No Dhammachakka Pavattana Sutta, o Buddha ensina as quatro nobres verdades sobre a existência do sofrimento, sua origem e cessação, e sobre o caminho. Mas, no Sutra do Coração, o bodhisattva Avalokiteshvara nos diz que não existe o sofrimento, nem causa, nem cessação, nem caminho. Será que isso é uma contradição? Não. O Buddha está falando em termos da verdade relativa, e Avalokiteshvara transmite seus ensinamentos em termos da verdade absoluta. Quando diz que não existe sofrimento, ele quer dizer que o sofrimento é composto inteiramente por coisas que não são sofrimento. Se você sofre ou não, isso vai depender de muitas coisas. O ar frio pode doer quando não usamos roupas quentes mas, com as roupas adequadas, o ar frio pode ser uma bênção. O sofrimento não é algo objetivo. Ele depende da forma como percebemos as coisas. Existem coisas que causam sofrimento a uma pessoa, mas não a outras, assim como existem coisas que causam alegria a alguns e não a outros. As quatro nobres verdades foram apresentadas pelo Buddha como algo relativo, que ajuda a pessoa a atravessar a porta inicial e a começar a praticar, mas não representam seus ensinamentos mais profundos. Olhando através do ponto de vista da interdependência, sempre podemos reconciliar as duas verdades [relativa e absoluta]. Quando vemos, entendemos e tocamos a natureza da interdependência, vemos o Buddha. [...]

Quando Avalokiteshvara declara que os olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente são vazios, isso quer dizer que eles não podem ser considerados qualquer coisa por si mesmos. Não-eu [ou vazio, vacuidade] quer dizer que você é feito de elementos que não são você. [...] As três qualidades do Dharma são as chaves de que dispomos para abrir as três portas da liberação — a vacuidade (sânsc. shunyata), a ausência de imagens (sânsc. animitta) e a ausência de objetivo (sânsc. apranihita). Todas as escolas do buddhismo aceitam o ensinamento das três portas da liberação. Essas três portas às vezes são chamadas de três concentrações. Quando passamos por essas portas, adquirimos a concentração e nos libertamos do medo, da confusão e da tristeza. [...]O vazio sempre significa vazio de alguma coisa. O copo está vazio de água e a tigela está vazia de sopa. Nós estamos vazios de um "eu" independente e separado. Não podemos existir sozinhos. Só podemos existir em inter-relação com tudo o mais que existe no cosmos. A prática consiste em incentivar a compreensão do vazio durante todo o tempo. Aonde quer que vamos, entramos em contato com o vazio que existem em tudo. Olhamos para a mesa, o céu azul, o nosso amigo, a montanha, o rio, a raiva e a felicidade, entendendo que tudo isso está vazio de um "eu" independente e separado. Quando contemplamos essas coisas em profundidade, vemos a natureza interdependente de tudo que existe. O vazio não significa, em absoluto, não-existência. Significa origem dependente, impermanência e não-eu.

Quando ouvimos falar de vazio, ficamos assustados. Mas depois de praticar por algum tempo, entendemos que as coisas realmente existem, mas de um modo diferente do que pensávamos. O vazio é o caminho do meio entre a existência e a não-existência. A flor não se torna vazia quando murcha e morre, mas sempre foi vazia em sua essência. Está vazia de um eu independente e separado.
(Thich Nhat Hanh. The heart of the Buddha's teaching - transforming suffering into peace, joy, and liberation:the four noble truths, the noble eightfold path and other basic Buddhist teachings. Broadway Books: New York, 1999.)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Contemplando o vazio


Em uma janela do tempo
Contemplo o vazio
Sentado, observo
Respiro...

Abraço o contraditório
Me encontro, em mim
Vejo amarras, sinto impressões
Respiro...

Percebo em um instante,
de maneira "mágica"...
Que o vazio é cheio
Que a fôrma não faz a forma...

Caem antigas ilusões
As novas já não me arrastam mais
Enxergo com os olhos de dentro
Mente e coração, agora, unidos...

Por mais que passem as emoções
Apenas contemplo
Não atribuo serem boas ou ruins
Nem reajo com indiferença ou aversão...

Naturalmente, seguem com o curso do rio
Em uma respiração
Desatam-se os nós...
(Ivan Deus Ribas)

Prática Semanal - 16.10 (Sábado)


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

lembramos a todos que neste sábado, 16.10.10, haverá prática de meditação na Academia Ligia Prieto. Início as 8 h (pontualmente), com término previsto para as 9 h, podendo se prolongar um pouco mais em virtude da atmosfera de pleno contantamento. Destacamos ainda, que as práticas são abertas, sem contra indicações e/ou pré-requisitos. Sejam todos bem-vindos!

Mãos unidas em prece.

Informações:
Ligia (65) 3052-6634
Ivan (65) 9202-9925

Local: Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, nº 137, Araés, Cuiabá-MT
(próximo a TVCA, e ao lado da Escola Jardim Moitará)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Os Direitos do Homem no Liminar do Séc. XXI


A amplitude do movimento contra as violações dos direitos humanos é muito estimulante. Não só dá uma perspectiva de alívio a muitos que sofrem, como também é um indício do desenvolvimento e progresso da humanidade. A preocupação com os direitos humanos e o esforço para mantê-los representam um grande serviço às gerações presentes e futuras. Desde que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi promulgada há cinqüenta anos, as pessoas começaram a compreender a grande importância e o valor dos direitos do homem.

Perspectivas de um Monge Budista
Embora não seja perito nesse campo, para um monge budista como eu, os direitos de cada ser humano é um bem muito precioso e imprescindível. Segundo a crença budista, todo ser senciente possui um fundamento de natureza pura em sua essência, não poluído por distorções mentais. Referimo-nos à essa essência como a semente da Iluminação, em que todos os seres são capazes de alcançar a perfeição e, dada a natureza pura da mente, acreditamos que todos os aspectos negativos possam ser eliminados do espírito. Assim sendo, quando nossa atitude mental é positiva, as ações negativas do corpo e da palavra deixam de existir automaticamente. Como todos os seres sencientes encerram esse potencial, todos são iguais. Todos têm direito de ser feliz e superar o sofrimento. O próprio Buda disse que em sua Ordem, nem raça nem classe social são importantes. O importante é a prática de se viver a vida eticamente.
Enquanto praticantes budistas, tentamos acima de tudo aprimorar nossa conduta no cotidiano. Somente a partir desse aprimoramento, conseguiremos desenvolver as práticas do treino mental e da sabedoria. Na minha prática diária de monge budista, tenho de observar muitas regras, mas o fundamental em todas é o profundo respeito e preocupação pelos direitos do próximo. Os votos feitos por monges e monjas ordenados incluem não tirar a vida de outros seres, não roubar suas posses e assim por diante. São princípios profundamente enraizados no respeito aos direitos do próximo. É por essa razão que muitas vezes descrevo a essência do budismo da seguinte maneira: se puder, ajude a outros seres sencientes; se não puder, ao menos abstenha-se de lhes fazer mal. Além de revelar um profundo respeito pelas pessoas, essa também é uma forma de respeitar a própria vida e mostrar preocupação pelo bem-estar geral.
Apesar de ser muito importante respeitar os direitos dos outros, muitas vezes agimos de forma contrária e o motivo principal é nossa falta de amor e compaixão. A questão das violações dos direitos humanos e a preocupação pelos direitos das pessoas estão intimamente ligadas à prática da compaixão, do amor e do perdão no nosso cotidiano. Quando se fala de amor e compaixão, as pessoas geralmente relacionam estas qualidades às práticas religiosas, o que não é necessariamente o caso. É fundamental que reconheçamos a importância da compaixão e do amor nas relações entre os seres sencientes em geral e os seres humanos em particular.
Todos nós, desde a mais tenra idade à velhice, apreciamos a ajuda e o carinho que as pessoas nos dispensam. Infelizmente, no decorrer de nossa vida, à medida que nos tornamos independentes, muitas vezes negligenciamos o valor do carinho e da compaixão. Visto que nossa vida se inicia e termina com a necessidade inerente de afeto, não seria muito melhor praticarmos a compaixão e o amor ao próximo enquanto podemos?
Só conquistamos amigos verdadeiros quando exprimimos sentimentos sinceros, respeito pelo próximo e preocupação pelos seus direitos. É fácil vivenciar esses sentimentos no nosso dia a dia. Não é necessário ler complicados tratados filosóficos a respeito, pois no cotidiano essa experiência é uma realidade. A prática da compaixão, da sinceridade e do amor é fonte inesgotável de felicidade e satisfação. Ao desenvolvermos uma atitude altruísta, desenvolvemos automaticamente a preocupação pelo sofrimento alheio e, ao mesmo tempo, a determinação de fazer algo para proteger seus direitos e nos interessar por sua sorte.

A Universalidade dos Direitos Humanos
Os direitos humanos são de interesse universal porque ansiar pela liberdade, igualdade e dignidade é inerente à natureza dos seres humanos e todos têm direito a essas qualidades. Queiramos ou não, nascemos neste mundo fazendo parte de uma grande família: ricos ou pobres, instruídos ou não, advindos de nações, ideologias e credos distintos ou não, em última análise, cada um de nós é apenas um ser humano como qualquer outro. Todos desejamos a felicidade e nenhum de nós quer sofrer.
Se concordamos que todos têm o mesmo direito à paz e à felicidade, não será nossa responsabilidade ajudar aos mais necessitados? Aspirar à democracia e ao respeito pelos direitos humanos básicos é tão importante para os povos da África e da Ásia, como para os da Europa ou das Américas. Contudo, são justamente os povos cujos direitos humanos foram tolhidos que têm menos possibilidade de se manifestar. A responsabilidade recai sobre os que usufruem de tais liberdades, como nós.
As violações aos direitos humanos muitas vezes dirigem-se aos membros mais talentosos, dedicados e criativos da sociedade. Em conseqüência, o desenvolvimento político, social, cultural e econômico de uma sociedade fica comprometido pelas violações aos seus direitos. Por isso, salvaguardar os direitos e liberdades de cada um é uma questão extremamente importante, tanto para as pessoas cujos direitos foram suprimidos quanto para o desenvolvimento da sociedade como um todo.
Alguns governos entendem que os padrões de direitos humanos, descritos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, são os advogados pelo Ocidente e não se aplicam aos países da Ásia ou a outras partes do Terceiro Mundo, em função de diferenças culturais e modelos de desenvolvimento sócio-econômico distintos. Não partilho desse ponto de vista e tenho certeza que a maioria das pessoas também não. Creio que os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos constituem uma espécie de lei natural que deveria ser seguida por todos os povos e governos.
Além do mais, não vejo qualquer contradição entre a necessidade de desenvolvimento econômico e a necessidade de se respeitar os direitos humanos. O direito à liberdade de expressão e à uma sociedade livre é essencial ao desenvolvimento econômico de qualquer nação. No Tibete, por exemplo, há inúmeros casos de políticas econômicas inadequadas que permanecem, embora não tenham surtido efeito, porque o cidadão comum ou o funcionário público não pode se manifestar contra tais medidas.
A grande diversidade de culturas e religiões existentes no mundo deveria servir para preservar os direitos humanos fundamentais de todas as comunidades internacionais. Nessa diversidade, há princípios básicos que unem todos os seres humanos e nos tornam membros de uma mesma família. Contudo, a manutenção de tradições culturais e religiosas não deve jamais ser usada como justificativa para violações aos direitos humanos. A discriminação racial, contra mulheres ou minorias pode ser tradição de algumas sociedades, mas se for incongruente com direitos humanos universalmente reconhecidos, esse tipo de comportamento deve ser mudado. O princípio universal de igualdade entre todos os seres humanos deve ter precedência.
-
A Necessidade da Responsabilidade Universal
O mundo está se tornando cada vez mais interdependente e é por isso que acredito firmemente na necessidade de desenvolver-se a responsabilidade universal. Precisamos pensar em termos globais, pois as conseqüências de medidas adotadas por um determinado país, hoje, ultrapassam fronteiras. A aceitação de padrões universais, como os descritos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Convenção Internacional sobre os Direitos Humanos, é primordial no mundo atual, cada vez menor. O respeito pelo direitos fundamentais do ser humano não é apenas um objetivo a ser atingido. É antes o alicerce indispensável a qualquer sociedade.
As barreiras artificiais que separavam nações e povos ruíram em tempos recentes. O sucesso dos movimentos populares no desmantelamento da separação entre os países do Leste e do Ocidente, que polarizou o mundo durante décadas, constituiu-se motivo de grande confiança e expectativa. Contudo, permanece ainda um enorme abismo no coração da nossa família humana. Refiro-me à divisão dos países do Norte e do Sul. Todos aqueles comprometidos com os princípios básicos de igualdade, que são o cerne dos direitos humanos, não podem ignorar as grandes disparidades econômicas existentes no mundo de hoje. Não se trata apenas de afirmar que todos os seres humanos têm direito a usufruir da mesma dignidade. Há de se traduzir as palavras em ações. Temos a responsabilidade de buscar alternativas para alcançar uma distribuição mais igualitária dos recursos mundiais.
Temos testemunhado um movimento popular fantástico em prol dos direitos humanos e das liberdades democráticas no mundo. Este movimento deve tornar-se cada vez mais forte, para que não haja governo ou exército capaz de suprimi-lo. É muito natural e justo que nações, povos e indivíduos exijam respeito aos seus direitos e liberdades, e que lutem para erradicar a repressão, o racismo, a exploração econômica, a ocupação militar e as várias formas de colonialismo e dominação estrangeira. Os governos em geral deveriam dar apoio prático a essas reivindicações, ao invés de apenas as apoiarem verbalmente.
Acredito que a falta de compreensão quanto à verdadeira natureza da felicidade é a principal razão das pessoas infligirem sofrimento a outras. Alguns indivíduos acham que só podem alcançar a felicidade causando sofrimento ou que sua própria felicidade é tão importante, que a dor causada aos outros é insignificante. Esta é uma visão extremamente estreita da vida, já que ninguém pode efetivamente beneficiar-se com o sofrimento alheio. Ainda que haja um ganho imediato às custas dessa dor, ele é passageiro. A longo prazo, causar sofrimento ao próximo e usurpar seu direito à paz e felicidade geram ansiedade, medo e desconfiança. O cultivo do amor e da compaixão ao próximo é essencial para criarmos um mundo melhor e mais pacífico. Para tal, é necessário desenvolvermos uma preocupação genuína por nossos irmãos e irmãs menos afortunados. Temos a obrigação moral de auxiliar e dar apoio incontestável a todas as pessoas privadas de exercer seus direitos e liberdades, que muitos de nós têm garantidos.
Ao nos aproximarmos do fim do presente milênio, percebemos que o mundo está se tornando uma grande comunidade. Juntos, confrontamo-nos com graves problemas, tais como superpopulação, escassez dos recursos naturais e uma crise ambiental sem precedentes, que ameaçam os alicerces de nossa própria existência neste planeta. Os direitos humanos, a proteção ao meio ambiente e maior igualdade social e econômica são fatores interligados. Acredito que para enfrentarem os desafios de nosso tempo, os seres humanos deverão desenvolver um sentido maior de responsabilidade universal. Cada um de nós deve aprender a trabalhar não somente em benefício de si próprio, sua família ou nação, mas em prol da humanidade como um todo. A responsabilidade universal é a chave para a sobrevivência do Homem e é a melhor garantia para a manutenção dos direitos humanos e da paz mundial.
(Discurso de Sua Santidade o Dalai Lama na Reunião de Paris da UNESCO, durante a comemoração do 50º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem.)

Meditação Budista estudada cientificamente

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Meditação no Parque: paz a cada passo - 09.10 (Sáb)


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

convidamos a todos para participarem no próximo sábado, 09.10, da prática de meditação andando -"Meditação no Parque: paz a cada passo", apartir das 8 h (pontualmente), no parque Mãe Bonifácia.

Ponto de encontro: Entrada principal (estacionamento de pedrinhas)
Percurso: Trilha interativa (40min.)
Recomendação: Levem água e guarda-chuva!

Destacamos que esta atividade é gratuita e aberta a todos os interessados! Sejam todos bem-vindos, benvenidos, namastê, gasshô, haribol!


** Atenção: Se estiver chovendo, meditaremos normalmente. Sugerimos que levem guarda-chuva!

Muita paz!

Que todos os seres possam se beneficiar!
Informações:
Ligia - (65)3052-6634
Ivan - (65)9202-9925

O papel das igrejas e religiões na defesa ambiental


Em entrevista, Leonardo Boff fala do papel de igrejas e religiões na defesa ambiental

Em entrevista da Campanha Primavera para Vida 2010 (PPV-2010) o teólogo Leonardo Boff fala da necessidade de ampliarmos o entendimento dos direitos para que a humanidade supere o antropocentrismo e entenda o direito para além de si mesma. Boff destaca, entre outras coisas, o modelo de relação para com a natureza e a Mãe Terra.

Enfatiza que as lideranças religiosas e ecumênicas devem inserir em suas celebrações e levar aos seus fiéis os ritos e os elementos da natureza. "As religiões mais que falar de natureza deveriam se habituar em falar de criação. Criação remete ao Criador. O ato de criação não ocorreu no passado primordial. Ele está ocorrendo a cada momento. Se Deus não continuar dizendo "faça-se a luz", "surjam as águas, os animas e as plantas e fundamentalmente ser humano" tudo voltaria ao nada. Assistimos a todo instante o milagre da criação e a emergência do céu e da Terra".

A entrevista é de Gustavo Vieira, jornalista CESE e reproduzida por Adital, 01-10-2010.

Eis a entrevista.

As ações de assistência aos mais necessitados sempre foram presentes nas entidades religiosas ou ecumênicas. A que o senhor atribui a tendência recente destas entidades usarem o tema ambiental para a defesa dos direitos humanos?

Cresce a consciência de que todos somos ecointerdependentes, todos fazemos parte da natureza. Uma violência contra a natureza, como o desmatamento de uma região ou a excessiva utilização de agrotóxicos envenenando o nível freático das águas é entendida como uma injustiça ecológica, contra a natureza que, por sua vez gera uma injustiça social, pois prejudica as pessoas relacionadas com esta natureza. Com o desmatamento, elas possuem menos água, o clima é afetado e os agrotóxicos tornam a água contaminada. Então a concepção dos direitos deve ser ampliada, para superar o antropocentrismo, como se somente o ser humano fosse sujeito de direitos. Todos os seres vivos tem valor intrínseco, devem ser respeitados, convivem conosco e por isso são portadores de direitos. Nós somos seus representantes e guardiães e juntos formamos a democracia ampliada, de cunho sóciocósmico.

Os estudos indicam que os mais pobres serão os mais afetados pelas catástrofes oriundas das mudanças no clima. Qual deve ser na opinião do senhor a prioridade das políticas públicas para evitar o aumento da miséria por este motivo?

Precisamos questionar o modelo de relação para com a natureza e para com a Mãe Terra. A modernidade entende a Terra como uma realidade bruta, sem inteligência, um baú de recursos a serem explorados e uma caixa de lixo onde jogamos nossos dejetos. A compreensão mais contemporânea, fruto das ciências da Terra e da vida e também da astrofísica, entende a Terra com um superorganismo que se autorregula e que combina o físico, o químico, o biológico de tal maneira que se torna sempre apta a manter e a reproduzir a vida. Esta Terra é viva, foi chamada de Gaia e pelas tradições da humanidade de Mãe Terra. Por uma decisão da ONU de 22 de abril de 2008 o dia da Terra passou a ser o dia da Mãe Terra. Terra a gente pode comprar, vender, usar. Mãe a gente não vende, não compra nem maltrata, mas cuida e venera.

O processo dominante de produção supõe o domínio da natureza, a superutilização de seus bens e serviços até a sua exaustão (veja-se o petróleo, o gás, o carvão etc.) em benefício da acumulação que beneficia pequena porção da humanidade e deixa à margem as grandes maiorias condenadas a serem "óleo queimado" do processo produtivo. Esse tipo de relação que se funda no poder enquanto dominação do outro, das classes, dos povos e da natureza, provocou a crise do aquecimento global e a espantosa injustiça planetária. Entregue à sua própria voracidade, este sistema pode levar a humanidade a um impasse e, talvez, a uma catástrofe ecológica e humanitária sem precedentes na história. Ou nós mudamos de paradigma de produção e de consumo ou corremos o risco de desaparecer como espécie. Então as políticas públicas devem começar por criar esta nova consciência e ensaiar um outro trato da natureza que se faça em sinergia com seus ciclos e com as capacidades de cada região.

Na sua opinião, como a conduta ética do indivíduo pode ajudar o amenizar o sofrimento das pessoas pelas injustiças ambientais a que estamos todos sujeitos?

O problema é global e por isso afeta a todos e a cada um. Cada um deve fazer a sua revolução molecular. Quer dizer, começar as modificações consigo mesmo, respeitando as águas, as plantas, realizando os famosos três erres: reduzir, reutilizar e reciclar. Se não podemos mudar o mundo, podemos sempre mudar este pedaço de mundo que sou eu mesmo. Se a grande maoria se dispuser a isso, assistiremos a emergência de uma nova consciência com práticas mais benevolentes para com a natureza e com uma opção de viver uma simplicidade voluntária. Constataremos que podemos ser mais com menos. Todos ganharão porque se sentirão incluídos e não vítimas de um processo altamente egoísta, excludente e hostil à vida.

Você arriscaria uma nova redação dos dez mandamentos ou dos 7 pecados capitais à luz dos eventos climáticos atuais ou a sua abrangência ainda hoje é completa e atual na sua forma original?

Tenho medo de mandamentos, pois funcionam como superegos castradores. Acredito em valores que são coletivamente assumidos, internalizados e vividos como o cuidado para com todas as coisas, a responsabilidade coletiva pelo futuro comum, a compaixão para com todos os que sofrem, humanos e outros seres da natureza, o respeito irrestrito a cada ser, pois ele tem direito de existir e de continuar conosco, a cooperação de todos com todos de sorte que triunfe o ganha-ganha e não o ganha-perde, cultivo de valores intangíveis ou espirituais como a solidariedade, o amor, o perdão, o companheirismo, a abertura ao diferente, o diálogo aberto com todos e a capacidade de renúncia em benefício do bem comum. Creio que este paradigma poderá gestar outro tipo de civilização no qual não seja tão difícil ser humano e amar.

Qual é o papel, na sua opinião, que as instituições religiosas ou ecumênicas poderiam assumir para a busca de um novo acordo climático global pelos instrumentos da ONU?

As religiões, pela abrangência que objetivamente possuem, possuem uma alta missão pedagógica. Elas ensinam a respeitar e a venerar e a pôr limites ao nosso desejo ilimitado. A elas cabe a missão de educar as pessoas para não respeitarem somente os textos sagrados e os lugares de veneração, mas a defender, respeitar a cada ser pois ele saiu da mão de Deus e revela possibilidades escondidas e realizadas do processo de evolução. É o respeito e a veneração que impõem limites à voracidade do poder e que obrigam a ciência a ser feita com consciência e a servir mais à vida que ao mercado. Por outro lado as ciências ajudam as religiões a superarem seu fundamentalismo de imaginarem que somente cada uma delas possui a verdade e é portadora da revelação divina. A verdade é como o sol, ilumina a todos e todos estamos em busca de uma verdade mais plena. Por isso as religiões podem ser fontes de paz e não de conflitos. Devem estar unidas a serviço da vida e da garantia de que ainda podemos ter futuro.

Qual deve ser em síntese a mensagem que as lideranças religiosas e ecumênicas devem levar aos seus fiéis sobre a justiça ambiental em seus rituais e liturgias?

As religiões, as igrejas e os muitos caminhos espirituais devem inserir em suas celebrações e ritos os elementos da natureza, pois todos dependemos deles. Eles são portadores de vida e por isso todos devem manter com eles uma relação de respeito e de gratidão. As religiões mais que falar de natureza deveriam se habituar em falar de criação. Criação remete ao Criador. O ato de criação não ocorreu no passado primordial. Ele está ocorrendo a cada momento. Se Deus não continuar dizendo "faça-se a luz", "surjam as águas, os animas e as plantas e fundamentalmente ser humano" tudo voltaria ao nada. Assistimos a todo instante o milagre da criação e a emergência do céu e da Terra. Tudo isso leva a uma atitude gratidão, de veneração e de júbilo. Em nós surge a consciência ética de cuidarmos desta herança sagrada que Deus nos confiou e que o universo nos entrega dia a dia. Transformar tais idéias em experiências e atitudes faria com que a natureza fosse mais preservada e cuidada.

Que espaço para uma mudança de paradigma político em torno da justiça ambiental você enxerga para o Brasil na próxima década considerando o cenário político-eleitoral atual?

Em termos geoecológicos o Brasil é um país decisivo para o equilíbrio do planeta Terra que com o aquecimento global entrou num processo de caos. Os eventos extremos mostram que a Terra perdeu seu equilíbrio e só encontrará outro subindo de temperatura. Esta elevação poderá fazer com que o caos se mostre destrutivo e muitas espécies não consigam de adaptar e venham a desaparecer. Regiões inteiras do planeta se tornarão inóspitas para milhões de pessoas. Estão previstos para os próximos anos cerca de 100-150 milhões de refugiados climáticos. Isso ocasionará um problema político mundial de grave consequências. Por sua natureza, o caos é criativo e generativo, quer dizer, provoca a eclosão de uma nova ordem.

O Brasil é a potência das águas, possui as maiores florestas úmidas do mundo, o maior estoque de terras agricultáveis e o leque mais diversificado de alternativas energéticas. Ele será decisivo para o novo equilíbrio da Terra. Tirando Marina Silva, constato que lamentavelmente nossos atuais governantes não possuem consciência da importância do Brasil e não mostram um acúmulo de consciência necessário para estarem à altura dos desafios mundiais. É uma pena que raia à irresponsabilidade à alienação. Desta vez não podemos falhar ou chegar tarde, pois o tempo do relógio corre contra nós. Caso contrário iremos ao encontro da escuridão.

Qual é o papel do Brasil neste contexto global que o senhor imagina mais relevante do ponto de vista da transformação dos paradigmas econômicos e políticos atuais para os de uma nova sociedade com menos carbono?

O problema não é uma sociedade com menos carbono, mas uma sociedade que muda sua relação para com a Terra e a natureza, agindo em sinergia e não em exploração, respeitando os limites e as capacidades de cada ecossistema, atendendo as demandas das atuais gerações e abertos às demandas das futuras. O decisivo é dar o seguinte passo: passar de uma sociedade industrialista que estressa a natureza e cria injustiças sociais para uma sociedade de sustentação de toda a vida, a humana e as demais formas de vida, produzindo o suficiente decente para todos e não para a acumulação e para os ganhos do mercado. Essa mudança paradigmática temos que fazê-la, senão a Terra poderá continuar mas sem nós.

Qual é a sua expectativa na transformação da Campanha Primavera para Vida em uma campanha nacional nesta décima edição?

Eu espero que seja suscitado espírito de solidariedade para com aqueles irmãos e irmãs que mais precisam, que sejamos movidos por um profundo sentimento de humanidade, sentido a dor dos outros, ajudando a aliviá-la e, sobretudo, criar uma corrente de entreajuda, de cooperação, de verdadeira irmandade, incluindo a natureza, quer dizer, a qualidade de vida das pessoas, a água que bebem, o esgoto tratado, o ar puro que respiram, as relações sociais e de vizinhança menos tensas e com mais motivos para viver e conviver. Sozinhos, não conseguimos tudo isso, mas com a graça do Espírito que nunca nos falta poderemos dar passos decisivos rumo a este sonho. Devemos pensar como Fernando Pessoa, o grande poeta português: "Quero ver uma Terra que ainda nunca existiu". Então será uma civilização biocentrada, a "Terra da Boa Esperança". O Brasil tem condições de ser o antecipador deste sonho possível e desta utopia necessária.


Entrevista publicada no site: http://www.ihu.unisinos.br/index.php