A Associação Meditar é uma sociedade civil sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne as 4ª feiras - 20 h - e aos sábados - 8 h - para meditar e estudar na Academia Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sempre Zen, de Charlotte Joko Beck



- Faleceu na data de ontem (15 de junho) a grande professora do Zen, Charlotte Joko Beck. –

Nascida em 1917, iniciou a sua prática do Zen com Hakuyu Taizan Maezumi Roshi, de quem recebeu a Transmissão do Darma.

O texto abaixo é de autoria desta grande mestra. Que todos os seres possam se beneficiar.

Iniciando a prática zen

Minha cadela não se preocupa com o significado da vida. Ela pode se preocupar em receber ou não a refeição pela manhã, mas não se senta preocupada em conseguir ou não a realização, a libertação, a iluminação. Desde que receba um pouco de comida e afeto, a vida lhe corre bem. Porém nós, seres humanos, não somos como os cães. Temos mentes centradas em si mesmas que nos remetem a muitos problemas. Se não entendermos o equívoco em nossa forma de pensar, nossa autopercepção, que é nossa maior bênção, torna-se também nossa perdição.
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Todos nós acreditamos que, em certa medida, a vida é difícil, intrigante e opressiva. Mesmo quando tudo corre bem, como acontece por certo tempo, preocupamo-nos que ela não se mantenha assim. Dependendo de nossa história pessoal, chegamos à idade adulta tendo muitos sentimentos desencontrados a respeito da vida. Se eu lhes dissesse que sua vida já é perfeita, completa e inteira exatamente do jeito que está, vocês pensariam que estou maluca. Ninguém acredita que sua vida é perfeita.
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No entanto, existe no íntimo de cada um uma dimensão que sabe que somos ilimitados, infinitos. Vemo-nos presos à contradição de encontrar a vida em meio a um quebracabeça muito desconcertante, capaz de nos causar muitos sofrimentos; ao mesmo tempo, temos uma vaga consciência da natureza ilimitada, infinita da vida. Desta maneira, começamos a procurar uma resposta a esse enigma.
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A primeira forma de procurar é buscar soluções fora de nós mesmos. No começo, pode acontecer num nível bastante comum. Existem muitas pessoas no mundo que acreditam que se tivessem um carro maior, uma casa mais bonita, férias melhores, um patrão mais compreensivo, ou um parceiro mais interessante, suas vidas seriam muito melhores. Não há quem não pense assim. Lentamente, vamos descartando os "se ao menos", essas coisas que nos fariam viver melhor. "Se ao menos eu tivesse isto, isso ou aquilo, então minha vida seria outra."
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Na prática, todos estão com alguns desses "se ao menos", na cabeça em algum momento, contudo aos poucos essas idéias vão se desgastando. Primeiro, as mais grosseiras. Depois nossa busca dirige-se a níveis mais sutis. Por fim, na procura pelo elemento externo a nós mesmos que, em nossa expectativa, irá nos completar, voltamo-nos para uma disciplina espiritual. Infelizmente, nossa tendência é considerar com a perspectiva anterior essa nova possibilidade.
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Muitas das pessoas que buscam o Zen Center não crêem que a resposta esteja num Cadillac mais novo, mas em alcançar a iluminação. Conseguiram um novo recurso, um novo "se ao menos". "Se ao menos eu tivesse condição de entender do que se trata a compreensão, seria feliz." "Se ao menos eu tivesse uma pequena experiência de iluminação, seria feliz." Ao iniciarmos uma prática como o zen, trazemos nossas noções habituais de estar chegando em algum lugar, de alcançar alguma coisa -no caso, a iluminação - podendo a partir de então comer todos os docinhos que antes nos tinham sido proibidos.
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oda a nossa vida consiste neste pequeno indivíduo, olhando à sua volta em busca de objetos. No entanto, se você olha algo que é limitado -como o são o corpo e a mente -e procura alguma coisa fora de si, esta coisa torna-se um objeto e também deve ser limitado. Assim, existe alguma coisa limitada procurando algo limitado e, no final, só fica maior aquela velha loucura que o vem tornando uma- pessoa tão infeliz.
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Todos passam anos a fio consolidando uma visão condicionada da vida. Existe o "eu" e existe essa "coisa" aí adiante que ou me fere ou me agrada. Nossa tendência é levar a vida de modo a tentar evitar tudo o que nos magoe ou nos desagrade, reparando nos objetos, nas pessoas ou situações que, a nosso ver, parecem nos proporcionar dor ou prazer; evitaremos uns e perseguiremos outros. Sem exceção, todos nós fazemos isso. Mantemo-nos distantes de nossa vida, olhando-a, analisandoa, julgando-a, buscando respostas para perguntas como "O que ganho com isso? Vou ter prazer ou conforto, ou será preciso que eu fuja?". Fazemos esse questionamento de manhã à noite.
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Por trás de nossas fachadas agradáveis e amistosas ferve um constrangimento considerável. Se eu pudesse raspar o verniz e ir um pouco mais fundo do que a superfície de qualquer pessoa, encontraria medo, dor e uma ansiedade desvairada. Todos temos métodos para encobrir tais sentimentos. Comemos demais, bebemos demais, trabalhamos demais; assistimos à televisão demais. Estamos sempre fazendo algo para encobrir nossa ansiedade existencial básica. Algumas pessoas vivem dessa forma até o final de seus dias. Essa situação piora conforme o tempo vai passando. 0 que talvez não seja tão ruim quando você tem 25 anos parecerá terrível quando chegar aos cinqüenta.
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Todos conhecemos aquelas pessoas que já morreram e se esqueceram de deitar-se; elas têm uma mentalidade tão contraída em seus pontos de vista limitados, que a convivência é muito penosa tanto para quem está à sua volta como para elas mesmas. A flexibilidade, a alegria e o fluir da vida já se foram. Essa possibilidade tão sombria ameaça a todos nós a menos que acordemos para o fato de ser necessário trabalhar nossa própria vida, praticar. É preciso que enxerguemos a miragem de que existe um "eu" destacado de um "aquilo".
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Nossa prática consiste em anular essa distância. Apenas no momento em que nós e os objetos nos tornarmos um, é que poderemos enxergar o que é nossa vida. A iluminação não é algo que se atinge. É a ausência de alguma coisa. A vida inteira, a pessoa vai atrás de algo, perseguindo suas metas. A iluminação está em deixar tudo isso de lado. Entretanto, falar sobre ela não adianta muito. A prática precisa ser executada por cada um. Não há o que a substitua. Podemos ler a seu respeito durante mil anos e não adiantará de nada para nós. É preciso que todos nós pratiquemos, e temos de fazer com todo nosso empenho pelo resto da vida. O que de fato queremos é uma vida natural.
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Nossas vidas são tão artificiais que realizar uma prática como a do zen, no começo, é bastante difícil. Porém, assim que começarmos a vislumbrar que o problema da vida não é algo externo a nós, teremos começado a percorrer o caminho. Quando o despertar se inicia, quando começamos a perceber que a vida pode ser mais aberta e alegre do que até então pensáramos ser possível, queremos praticar. Entramos numa disciplina como a prática zen para podermos aprender a viver de modo lúcido. O zen tem quase mil anos e seus defeitos já foram corrigidos; embora não seja fácil, não é insano. É sensato e muito prático. Diz respeito à vida cotidiana. Refere-se a trabalhar melhor no escritório, a criar melhor as crianças, e estabelecer relacionamentos melhores.
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Levar uma vida mais lúcida e satisfatória deve decorrer de uma prática equilibrada e lúcida. O que desejamos fazer é encontrar uma maneira de trabalhar com a insanidade elementar que existe em função de nossa cegueira. É preciso coragem para se sentar bem. O zen não é uma disciplina para todos. Precisamos estar dispostos afazer algo que não é fácil. Se o fizermos com paciência e perseverança, com a orientação de um bom instrutor, então, aos poucos, nossa vida irá se aquietar, ficar mais equilibrada. Nossas emoções não serão mais tão dominadoras.
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Enquanto sentamos, descobrimos que a primeira coisa, a mais elementar, para trabalhar, é nossa mente caótica, ocupada. Estamos todos enredados num pensar frenético e o problema da prática está em começar a trazer esse pensamento para a claridade e o equilíbrio. Quando a mente fica limpa, clara, equilibrada, e não mais prisioneira dos objetos, então poderá haver uma abertura e, por um instante, nos , daremos conta de quem somos, na verdade. Contudo, sentar não é algo que praticamos durante um ou dois anos com a idéia de dominar a questão. Sentar é algo que praticamos a vida inteira. Não há limites para a abertura possível ao ser humano. Eventualmente percebemos que somos a base ilimitada e incontida do universo.
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Para o resto da vida, nossa incumbência será abrirmo-nos cada vez mais a essa imensidão e expressá-la. Quanto maior for nosso contato com essa realidade, mais aumentará nossa compaixão pelos outros, maiores serão as alterações em nossa vida cotidiana. Viveremos, trabalharemos e nos relacionaremos de modo diferente com as pessoas. O zen é um estudo para a vida toda. Não é só sentar-se numa almofada durante trinta ou quarenta minutos diários. Toda nossa vida torna-se uma prática, vinte e quatro horas por dia. Gostaria agora de responder a algumas perguntas sobre a prática do zen e sua relação com a vida pessoal.
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ALUNO: Você poderia falar mais a respeito de nos desapegarmos dos pensamentos que nos ocorrem durante a meditação?
JOKO: Não acho que nos desapeguemos das coisas; creio que o que mais fazemos é desgastá-las. Se começamos a forçar nossas mentes para fazerem as coisas, estaremos exatamente de volta ao dualismo do qual tentamos nos livrar. O melhor meio de nos desapegar é notar os pensamentos quando aparecerem e reconhecê-los. "Ah, é, estou de novo pensando", sem julgá-los, e então retornar à nítida experiência do momento presente. Sejam apenas pacientes. Teríamos de fazer isso dez mil vezes, mas o valor de nossa prática é o retorno constante da mente para o presente, inúmeras vezes seguidas.
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Não procurem aqueles lugares maravilhosos, onde os pensamentos não ocorrerão. Uma vez que os pensamentos basicamente não são reais, em algum momento começarão a ficar obscuros e menos imperativos, e acabaremos percebendo que existem momentos em que desaparecem, porque vemos que não são reais. Já irão sumir com o tempo, sem que saibamos de maneira exata como aconteceu. Aqueles pensamentos são nossas tentativas de nos proteger.
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Ninguém quer, de fato, deixá-los de lado; são aquilo a que estamos apegados. Com o tempo, o meio de acabarmos enxergando sua irrealidade está em apenas deixar correr o filme. Depois de o assistirmos umas quinhentas vezes, sem dúvida, ele acaba se tornando monótono!
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Há duas espécies de pensamento. Não há nada de errado em pensar no sentido que denomino "pensamento técnico". Precisamos pensar afim de andar daqui até o canto, para assar um bolo ou resolver um problema de Física. Esse uso da mente é correto. Não é nem real, tampouco irreal; é só o que é. Porém, opiniões, julgamentos, lembranças, devaneios a respeito do futuro, 90% dos pensamentos que giram em nossa mente não têm qualquer realidade essencial. Do nascimento até a morte, a menos que despertemos, desperdiçamos quase toda a nossa vida em função deles.
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A parte horrível do sentar (e, acreditem, é horrível) está em começarmos a ver o que de fato se passa em nossa mente. É chocante para todo mundo. Vemos que somos violentos, preconceituosos e egoístas. Somos tudo isso porque uma vida condicionada, com base em falsos pensamentos, levou-nos a esse estado. Os seres humanos são essencialmente bons, gentis e compadecidos, mas é preciso um grande esforço de escavação para extrair essa jóia das entranhas de nosso ser.
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ALUNO: Você disse que conforme o tempo passa, os reveses, os transtornos começam a se reduzir, até que por fim se esgotam?
JOKO: Não estou querendo dizer que não haverá transtornos. O que desejo falar é que, quando ficamos aborrecidos, não permanecemos apegados a esse estado. Se sentimos raiva, só ficamos com raiva por um instante. Pode ser que os outros nem se dêem conta disso. É tudo. Não há o apego à raiva, à sedução mental de manter-se nesse estado. Não estou também afirmando que os anos de prática terminarão fazendo de nós zumbis. Pelo contrário, teremos emoções realmente mais genuínas, sentiremos mais as pessoas. Só não ficaremos mais tão enredados nas malhas de nossos estados interiores.
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ALUNO: Você poderia comentar a respeito de nosso trabalho cotidiano como parte da prática?
JOKO: O trabalho é a melhor parte da prática e do treino zen. Independente de qual seja o trabalho, deverá ser feito com esforço e total atenção àquilo que tivermos bem à nossa frente. Se estamos limpando o fogão, deveríamos estar totalmente envolvidos nesse mister, e ao mesmo tempo ter consciência de pensamentos que o interrompem. "Odeio limpar fogões. Amoníaco fede! Aliás, quem gosta de limpar fogão? Depois de tudo que estudei, não deveria estar fazendo isso!"

terça-feira, 14 de junho de 2011

Poema


Oração do Pão
Para Camila oliveira

Te dou este pão
de todo o meu coração
Com o amor que há em mim
Com centeio e gergelim

Que ele traga pro olhar a doçura
Para a mesa fartura
Para os tempos difíceis
O conforto das boas lembranças
E uma fatia diária de esperança

Te dou este pão
amassado no calor das mãos
com o que de bom vive comigo
com paciência, linhaça e trigo
que ele seja o alimento
dos simples e sagrados momentos
de diálogo e reconciliação

Reparte este pão
com os que vivem contigo
com os estranhos, com os amigos
com tua filha, com teu marido
um pão ainda quentinho
com sabor de castanha e carinho
um pão, um pão, um pão
que faça bem ao coração

Paulo Wagner / B. do Garças 03/10/08

Prática Semanal - Terça-feira (14.06)


Queridos amigos, irmãos e irmãs,

lembramos a todos que hoje, 14.06.11 (terça-feira), haverá prática de meditação na Academia Ligia Prieto. Destacamos que as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados. Assim, sejam todos bem-vindos, bienvenidos, welcome, namastê, haribool, gasshô!

Meditação silenciosa e leitura - 19:00(pontualmente)

Local: Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, n.137 - Araés
próxima a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

Informações:
(65)3052-6634 - Ligia
(65)9202-9925 - Ivan

domingo, 12 de junho de 2011

The Life of The Buddha - BBC - Parte 1


Documentário realizado pela BBC sobre a vida de Buda.
Este é o primeiro de cinco videos, que podem ser acessados ao final, bastando clicar no link correspondente a sequência do mesmo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Nosso Filhos: verdadeiros diamantes



Por Ivan Deus Ribas

A vida se revela uma extraordinária experiência para aqueles que já foram pais ou que estão vivendo a paternidade. Somente estes, talvez, possam compreender o que quero dizer. Recentemente recebi em meus braços minha filha, uma menina que nasceu revelando a mim uma nova maneira de amar.

Mamãe e eu, dois pais que não conheciam na prática o que representava isso, se extasiam a cada descoberta. A maternidade não apenas revolucionou nossas vidas, mas preencheu nossos corações, fazendo-nos repensar o quanto de humano, de instinto, de espiritualidade reside em nós.

Passei a enxergar de maneira nítida que recebemos ao longo de nossas vidas inúmeras oportunidades, que são colocadas em nossas mãos como verdadeiras jóias preciosas, capazes de resignificar nossa visão de mundo.

Sobre isso, apenas para ilustrar, lembro da estória de um pescador que saiu pela madrugada, após desistir de dormir. Ele levantou de sua cama, calçou as suas botas, pegou os seus apetrechos de pesca e seguiu para o rio, mesmo sabendo que ainda restava muito tempo para o amanhecer.

Caminhava lentamente, com certo sentimento de perda, um vazio inexplicável que a muito o acompanhava, que aos poucos, a cada passo que dava, ia deixando para trás, passando a se envolver pelos sons da natureza, os grilos e outros pequenos bichos que se faziam perceber. Assim chegou à margem do rio, onde costumava sempre pescar. Olhava em volta, tudo escuro. Apenas o correr das águas, a lua e as estrelas.

De repente, ao tentar se acomodar melhor sobre o local em que estava sentando, esbarrou em um pequeno saquinho cheio de pedrinhas. Como não tinha nada para fazer, decidiu brincar, começou a lançar uma a uma na água. Jogava, tentando ver quantas vezes pulava sobre a superfície do rio.

E, assim, foi lançando uma atrás da outra, umas rebatiam duas ou três vezes, indo pouco a pouco esvaziando aquele saquinho. Aquela brincadeira lembrava os tempos de criança. Realmente aquilo o descontraiu.

Não obstante, quando se preparava para lançar a última pedra, o sol começou a nascer.

Preparou-se, pegou com todo cuidado a pedrinha, ajeitou-a em sua mão, inclinou o seu corpo, mediu a distância do lance, dobrou levemente as pernas. E, quando ia arremessar, estancou. Naquele momento, se deu conta de que havia jogado quase todas as pedras, mas não tinha ainda olhado para elas.

O pescador decidiu então, curioso, ver que pedra era aquela, com a qual tinha brincado a noite toda. Foi então que colocou sobre a palma da sua mão e aguardou até que o primeiro raio de sol brilhasse. Mais que depressa, um pequeno feixe de luz incidiu sobre ela e, para sua surpresa, se dividiu em sete cores. Foi quando percebeu que não eram pedrinhas comuns, mas, sim, diamantes!

Refletindo sobre esta pequena estória, podemos ver o pescador como nós, enquanto indivíduos, enquanto humanidade; os diamantes, as pedrinhas, são as oportunidades, os inúmeros milagres que se operam diariamente para que estejamos vivos. A luz do sol representa a tomada de consciência, que ilumina, acabando com a escuridão.

Pergunto-me, se talvez não estejamos como o pescador que caminha pela noite, inseguro, sem termos dimensão das maravilhas que nos cercam cotidianamente, e que, sem perceber, desperdiçamos sem aproveitá-las.

O ar que respiramos, a água que bebemos, o alimento que ingerimos. Se pararmos para pensar por um instante, vamos reconhecer o milagre que se opera bem diante de nossos olhos. O pão que comemos é formado pelo sol, pela chuva, pelo ar, pelos sais minerais, pelos trabalhadores. Sem o sol, sem a chuva, sem a terra, sem os trabalhadores, não haveria pão. Nas palavras de um monge, chamado Thich Nhat Hanh, nós intersomos.

Cada ser vivo é parte essencial para o nosso desabrochar, para o nosso crescimento, para que passemos a enxergar as pedras preciosas. Ser pai ou ser mãe, portanto, é um presente, onde aprendemos a aprender, onde, diariamente, temos a missão de cuidar do melhor em nós, de ajudar estes pequenos seres a descobrir o mundo com olhos despertos.

Ivan Deus Ribas é pai, bacharel em direito e um dos amigos da Associação Meditar de Cuiabá

domingo, 5 de junho de 2011

Retorno das Atividades - Prática Semanal



Queridos amigos, irmãos e irmãs,

é com grande alegria que informamos o retorno das atividades presenciais da Associação Meditar de Cuiabá.

Assim, confira abaixo o dia e o horário da prática de meditação:

3a Feira - das 19:00 as 20:00 h

Lembramos a todos que a associação é formada por amigos, pessoas que almejam aprender e desenvolver a prática da meditação.

A atividade é gratuita e aberta a todos os interessados. Sejam bem vindos.


Informações:

Ligia - (65) 3052-6634

Ivan - (65) 9202-9925

Local: Academia Ligia Prieto

Rua Ministro João Alberto, n. 137 - Araés - Cuiabá-MT

(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

As Três Jóias



Por Thich Nhat Hanh

A raiz da palavra buddha significa despertar, tomar conhecimento, compreender. E aquele que desperta e compreende é chamado de Buda. Simplesmente isso! A capacidade de despertar, de compreender e amar é chamada de natureza de Buda. Quando os budistas dizem: eu me refugio em Buda, eles estão confiando na sua própria capacidade de compreender, tornar-se despertos. No budismo existem 3 jóias preciosas: Buda, aquele que está desperto; Dharma, o caminho da compreensão e do amor; Sangha, a comunidade que vive em consciência e harmonia. As três são interligadas, e às vezes é difícil distinguir uma da outra. Todos nós temos a capacidade de despertar, compreender e amar. Assim, em nós mesmos encontramos Buda e também Dharma e Sangha. Buda foi aquele que desenvolveu seu entendimento e amor ao mais alto nível.

Compreensão e amor não são duas coisas, mas uma só. Para desenvolver a compreensão é necessário que se exercite olhar para todos os seres vivos com olhos de compaixão. Quando você compreende, você ama; e quando você ama, age naturalmente, de tal forma que alivia o sofrimento alheio.

Aquele que está desperto, que sabe, que compreende, é chamado de buda. Ele existe em todos nós. Podemos nos tornar despertos, compreensivos e também amorosos.

Há 2.500 anos atrás existiu uma pessoa que praticou isso de tal forma que seu entendimento e amor tornaram-se perfeitos, e todos no mundo reconheceram isso. Seu nome era Siddhartha. Ele era muito jovem ainda quando começou a ver que a vida contém muito sofrimento; que as pessoas não amam umas às outras; não se compreendem suficientemente. Deixou então o seu lar e foi para a floresta praticar meditação, respiração e sorriso. Ele se tornou monge e praticou a fim de desenvolver seu despertar, sua compreensão e amor no mais alto nível.

Quando dizemos: Eu me refugio em Buda, deveríamos entender também: Buda se refugia em mim; porque sem a segunda parte, a primeira não é completa. Buda necessita de nós para que o despertar, o amor e a compreensão possam se tornar reais e não meros conceitos. Essas coisas devem ter efeitos concretos na vida. Sempre que eu digo: Eu me refugio em Buda, ouço: Buda se refugia em mim. Nossa tarefa é muito importante: realizar o estado desperto, realizar a compaixão, realizar o entendimento.

Todos nós somos Budas, porque só através de nós é que a compreensão e o amor se tornam tangíveis e efetivos.

Buddhakaya em sânscrito significa corpo de Buda. Para o budismo ser real é necessário que haja um buddhakaya, ou seja, uma personificação da atividade desperta. De outra forma o budismo é apenas uma palavra. Shakyamuni Buda era um buddhakaya. Ao realizar o ato de despertar, compreender e amar cada um de nós é buddhakaya.

A Segunda jóia é o Dharma, isto é, o que Buda ensinou. É o caminho da compreensão e amor: como entender, como amar, como transformar essas coisas numa realidade. Antes de morrer, Buda disse aos seus discípulos: "Meus caros, meu corpo físico não estará mais aqui amanhã, mas o corpo do meu ensinamento estará sempre aqui para ajudá-los. Considerem-no como seu mestre, um mestre que jamais se separa de vocês.

Esse foi o nascimento do Dharmakaya. O Dharma tem um corpo, o corpo dos ensinamentos ou o corpo do Caminho. Dharmakaya significa apenas Os Ensinamentos de Buda, a forma de realizar a compreensão e o amor.

Qualquer coisa pode ajudar a despertar a natureza búdica. Quando estou só e algum pássaro me chama, retorno a mim mesmo, respiro e sorrio e, às vezes, ele volta a me chamar. Então sorrio e respondo: - Já estou ouvindo-o. Não só os sons como também as paisagens podem relembrá-los de retornarem a si mesmos. Ao abrir a janela de manhã e ver a luz inundar o ambiente, você pode reconhecer isso como a voz do Dharma, e isso se torna parte do Dharmakaya. Essa é a razão por que as pessoas despertas vêem a manifestação do Dharma em todas as coisas. Num seixo, num bambu, no choro de uma criança, qualquer coisa pode ser a voz do Dharma chamando. Nós devíamos ser capazes de praticar dessa forma.

Um mestre também é parte do Dhamakaya, porque ele ou ela nos ajuda a despertar. Sua aparência, sua forma de viver o dia-a-dia, sua forma de lidar com as pessoas, animais, plantas, nos ajudam a atingir o entendimento e o amor em nossa vida. O Dharmakaya não é expresso só por palavras, por sons. Pode expressar-se simplesmente sendo. Às vezes ajudamos mais quando não fazemos nada do que quando fazemos muito. Chamamos isso de não-ação. Esse é também um dos aspectos do Dharmakaya: sem falar, sem ensinar, apenas sendo.

Sangha é a comunidade que vive consciente e em harmonia. Sanghakaya é um novo termo em sânscrito.

A Sangha também precisa de um corpo. Quando você está com sua família e pratica a respiração e o sorriso, reconhecendo o corpo de Buda em você e em seus filhos, então sua família se torna Sangha. Um amigo, nossos filhos, nosso irmão ou irmã, nosso lar, as árvores do nosso pátio, tudo isso pode ser parte do nosso Sanghakaya.

A prática do budismo, a prática da meditação é para a pessoa se tornar serena, compreensiva e amorosa.

Desta forma trabalhamos pela paz de nossa família, de nossa sociedade. Se olharmos mais de perto, veremos que As Três Jóias são, na verdade, uma. Em cada uma delas as outras duas estão presentes. Em Buda existe o estado búdico, existe o corpo de Buda. Em Buda existe o corpo do Dharma, porque sem este ele não poderia se tornar Buda. Em Buda está o corpo da Sangha, porque ele fez seu jejum junto à árvore Bodhi, a outras árvores e pássaros da região. Num centro de meditação temos um corpo de Sangha, Sanghakaya, porque ali é praticada a compreensão, a compaixão. Assim, o corpo do Dharma, o Caminho e os Ensinamentos estão presentes. Mas os ensinamentos não podem tornar-se uma realidade sem a vida e o corpo nossos. De forma que Buddhakaya também está presente. Se Buda e Dharma não estiverem presentes, não existe Sangha. Sem você, Buda não é uma realidade, mas apenas uma idéia.

Sem você, o Dharma não pode ser praticado. Precisa de alguém para poder ser praticado. A Sangha não pode existir sem cada um de vocês. Por isso, quando dizemos: Eu me refugio em Buda, ouvimos também: Buda se refugia em mim. Eu me refugio no Dharma.

O Dharma se refugia em mim. Eu me refugio na Sangha. A Sangha se refugia em mim.

Retirado do livro: "Caminhos para a paz interior", de Thich Nhat Hanh.