A Associação Meditar é uma sociedade civil sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne as 4ª feiras - 20 h - e aos sábados - 8 h - para meditar e estudar na Academia Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Prática Semanal


Queridos amigos e amigas da sangha,

lembramos a todos que haverá prática de meditação amanhã - sábado -, 01.05.10, apartir das 08:00 h., no Espaço Ligia Prieto. Término previsto para as 09:15.

Recomendamos aos iniciantes o uso de roupas leves.

Mãos unidas em prece.

Gasshô.

Ivan.


Informações (65)3052-6634 (65)9202-9925

VideoFórum "As Religiões do Mundo e a ética global


“As religiões do mundo e a ética global”. Tratar desse tema é a proposta do videofórum que, dentro da perspectiva do ecumenismo e da campanha mundial pela paz, irá exibir, às quintas-feiras, de 6 de maio a 8 de julho, em Cuiabá, documentários sobre nove religiões, seguidos de debate, com a participação de representantes das religiões que serão abordadas. As exibições e os debates serão no Colégio Isaac Newton (CIN), do bairro Baú, das 19h às 21 horas, com entrada franca. Emissão de certificado pela UNISINOS/RS. Critério: 75% de presença.
O videofórum está sendo organizado pelo Centro Burnier Fé e Justiça (CBFJ), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil em Mato Grosso (Conic-MT), o Centro de Estudos Bíblicos em Mato Grosso (CEBI-MT), além dos movimentos Círculo da Paz e Um Grito pela Paz.
O projeto nasceu em Tübingen, na Alemanha, a partir da obra "Projeto de ética mundial", de 1990, de autoria do teólogo suíço Hans Küng, um dos mais renomados professores universitários da cena intelectual alemã. Os documentários a serem exibidos são de autoria dele, exceto dois sobre Religiões afro-brasileiras e Religiões indígenas de Mato Grosso, porque esses temas foram acrescentados à programação, para complementá-la com abordagens também regionais.
O videofórum está em sintonia com o programa da Fundação Ética Mundial no Brasil, do Instituto Humanitas-Unisinos e da Fundação Ética Mundial (Stiftung Weltethos, no alemão), cujo um dos objetivos é a promoção de eventos voltados ao diálogo intercultural, inter-religioso e interconfessional, além de atividades formativas e de encontro intercultural e inter-religioso.
A base programática do trabalho da Fundação é a Declaração sobre ética universal, assinada pelos membros do Parlamento das Religiões do Mundo, em 1993, em Chicago, Estados Unidos.
Por meio da declaração, representantes de todas as religiões alcançaram um acordo sobre princípios para uma ética global e se comprometeram com quatro diretrizes irrevogáveis, que se concretizam por meio de:
• Compromisso com uma cultura da não-violência e do respeito à vida
• Compromisso com uma cultura da solidariedade e uma ordem econômica justa
• Compromisso com uma cultura da tolerância e uma vida de autenticidade
• Compromisso com uma cultura da igualdade de direitos e do companheirismo entre homens e mulheres

Programação
06 de maio - exibição do documentário: Judaísmo, de Hans Küng.
13 de maio - exibição do documentário: Cristianismo, de Hans Küng.
20 de maio - exibição do documentário: Islamismo, de Hans Küng.
27 de maio - exibição do documentário: Religiões chinesas, de Hans Küng.
10 de junho - exibição do documentário: Budismo, de Hans Küng.
17 de junho - exibição do documentário: Hinduísmo, de Hans Küng.
24 de junho - exibição do documentário: Religiões tribais, de Hans Küng.
01 de julho - exibição do documentário: Religiões afro-brasileiras.
08 de julho - exibição do documentário: Religiões indígenas - Mato Grosso.

- Veja aqui o Projeto na íntegra
- Faça aqui a sua Inscrição

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Prática Semanal - 4ª Feira_Vesak


Queridos amigos e amigas da sangha,

lembramos a todos que hoje haverá prática de meditação, as 20:00, no Espaço Ligia Prieto. Faremos uma prática especial em dedicação ao Vesak.


Data: 28.04.2010

Horário: 20:00

Local: Espaço Ligia Prieto.


Término previsto para as 21:15. Recomendamos aos iniciantes o uso de roupas leves.

Mãos unidas em prece.

Gasshô.

Ivan. Informações (65)3052-6634 (65)9202-9925

Vesak_Prática Semanal


Nessa semana sugerimos que você se delicie com esse texto de Thich Nhat Hanh retirado de seu romance sobre a vida do Buda. Nele Sidarta ensina para crianças logo após sua iluminação sob a árvore Bodhi.


O texto fala de uma forma extremamente simples e direta sobre um dos fundamentos de nossa prática: viver em atenção plena. Thay também mostra o porquê de se buscar a atenção plena em cada momento da vida. Nesse mês do Vesak aproveite para ter um contato direto com o Buda histórico.


Sidarta quietamente fez um gesto para que as crianças sentassem e disse: “Vocês todas são crianças inteligentes e eu estou certo que serão capazes de entender e praticar as coisas que eu partilharei com vocês. O Grande Caminho que eu descobri é profundo e sutil, mas qualquer um desejando aplicar seu coração e mente pode entendê-lo e segui-lo.”

“Quando você, criança, descasca uma tangerina, pode comê-la com consciência ou sem consciência. O que significa comer uma tangerina com consciência? Quando você está comendo uma tangerina está consciente que está comendo uma tangerina. Você experimenta totalmente sua adorável fragrância e gosto doce. Quando você descasca a tangerina, sabe que está descascando a tangerina; quando remove um gomo e o coloca em sua boca, sabe que está removendo um gomo e o colocando na boca. Quando experimenta sua adorável fragrância e gosto doce, está consciente que está experimentando seu gosto doce e adorável fragrância.”

“A tangerina que Nandabala me ofereceu tem nove gomos. Eu comi cada gomo em plena consciência e vi o quão preciosos e maravilhosos eram. Eu não esqueci a tangerina, e portanto a tangerina era real, a pessoa comendo a tangerina era real. Isto é que é comer uma tangerina de forma consciente.”

“Crianças o que significa comer uma tangerina sem plena consciência? Quando você está comendo uma tangerina, não sabe que está comendo uma tangerina. Não experimenta a adorável fragrância e o gosto doce da tangerina. Quando você descasca a tangerina, não sabe que está descascando uma tangerina. Quando remove um gomo e põe na sua boca, não sabe que está removendo um gomo e o colocando em sua boca. Quando sente o cheiro da fragrância ou o gosto de uma tangerina, não sabe que está sentindo o cheiro da fragrância ou o gosto da tangerina. Ao comer uma tangerina deste modo, você não pode apreciar sua preciosa e maravilhosa natureza. Se você não está consciente que está comendo uma tangerina, a tangerina não é real. Se a tangerina não é real, a pessoa que a está comendo também não é real. Crianças, isto é comer uma tangerina sem plena consciência.”

“Crianças, comer uma tangerina em plena consciência significa que enquanto você come está verdadeiramente em contato com ela. Sua mente não está correndo atrás dos pensamentos de ontem ou de amanhã, mas está habitando totalmente no momento presente. A tangerina está verdadeiramente presente. Vivendo com plena consciência da mente significa morar no momento presente, sua mente e corpo habitando realmente no aqui e agora.”

“Uma pessoa que pratica a plena atenção pode ver coisas na tangerina que outros não são capazes de ver. Uma pessoa consciente pode ver a árvore de tangerina, o florescer da tangerina na primavera, os raios de sol e chuva que nutriram a tangerina. Olhando profundamente, a pessoa pode ver dez mil coisas que fizeram a tangerina possível. Olhando para a tangerina, uma pessoa que pratica plena atenção pode ver as maravilhas do universo e como todas as coisas interagem umas com as outras. “

“Crianças, nossa vida diária é justamente como a tangerina. Como a tangerina é dividida em gomos, cada dia é dividido em 24 h. Uma hora é como um gomo da tangerina. Viver todas as 24hs do dia é como comer todos os gomos da tangerina. O caminho que eu encontrei, é o caminho de viver cada hora do dia em plena atenção, mente e corpo sempre habitando no momento presente. O oposto é viver no esquecimento, não saber que estamos vivos. Não experimentamos totalmente a vida porque nossa mente e corpo não estão habitando no aqui e agora.”

Gautama olhou para Sujata e disse seu nome.

“Sim, Mestre?” Sujata juntou as palmas das mãos.

“Você acha que uma pessoa que vive em plena atenção fará muitos erros ou poucos?”

“Respeitável Mestre, uma pessoa que vive em plena atenção fará menos erros. Minha mãe sempre me diz que uma menina deveria prestar atenção à maneira como anda, fica em pé, fala, ri e trabalha de forma a evitar pensamentos, palavras e ações que possam causar lamento para ela mesma e para os outros.”

“Isso mesmo, Sujata. Uma pessoa que vive em plena atenção sabe o que está pensando, dizendo e fazendo. Tal pessoa pode evitar pensamentos, palavras e ações que causam sofrimento para ela mesma e para os outros.”

“Crianças, viver em plena atenção significa viver no momento presente. Uma pessoa é consciente do que está acontecendo dentro dela e ao seu redor. A pessoa está em contato direto com a vida. Se a pessoa continua a viver desse modo, será capaz de profundamente entender a si mesma e ao que está a sua volta. Entendimento leva à tolerância e ao amor. Quando todos os seres se entenderem, eles se aceitarão e se amarão. Então não haverá tanto sofrimento no mundo. O que você pensa Svasti? As pessoas podem amar se elas são incapazes de se entender?”

“Respeitável Mestre, sem entendimento, o amor é bem difícil. Me lembra algo que aconteceu com minha irmã Bhima. Uma vez ela chorou a noite toda até que minha irmã Bala perdeu a paciência e deu umas palmadas nela. Isso apenas fez Bhima chorar mais. Eu peguei Bhima e percebi que ela estava com febre. Tinha certeza que sua cabeça deveria estar doendo por causa da febre. Chamei Bala e disse a ela que colocasse a mão na testa de Bhima. Quando ela fez isso entendeu de uma vez porque Bhima estava chorando.Seu olhos amoleceram e ela pegou Bhima nos seus braços e cantou para ela com amor. Bhima parou de chorar mesmo ainda com febre. Respeitável mestre, penso que isto aconteceu porque Bala entendeu o porque de Bhima estar chateada. E assim penso que sem entendimento, o amor não é possível.”

“Isso mesmo Svasti! O amor só é possível quando há entendimento. E somente com amor pode haver aceitação. Pratiquem viver em plena atenção crianças e vocês aprofundarão seu entendimento. Serão capazes de entender a vocês mesmos, às outras pessoas e todas as coisas. E vocês terão corações de amor. Este é o caminho que eu descobri.”

Svasti juntou as palmas das mãos. “Respeitável Mestre, podemos chamar este caminho do ‘Caminho da Plena Atenção’?”

Sidarta sorriu “Claro. Podemos chamá-lo de o Caminho da Plena Atenção. Eu gosto muito. O Caminho da Plena Atenção leva ao perfeito Despertar.”

Sujata juntou as palmas das mãos e pediu permissão para falar. “Você é aquele que despertou, aquele que mostra como viver em plena atenção. Podemos chama-lo de ‘O Desperto’?”

Sidarta fez que sim com a cabeça. “Isto me agradaria muito.”

Os olhos de Sujata brilharam. Ela continuou “Desperto em Magadhi é pronunciado como budh. Uma pessoa desperta deveria ser chamada Buda em Magadhi. Podemos chamá-lo de Buda?”

Sidarta fez que sim com a cabeça. Todas as crianças estavam extasiadas. Nalaka, um menino de 14 anos, o mais velho do grupo falou: “Respeitável Buda, estamos muito felizes de receber seus ensinamentos sobre o Caminho da Plena Atenção. Sujata me disse como você meditou sobre esta árvore nos últimos 6 meses e como na última noite obteve o Grande Despertar. Respeitável Buda, esta árvore é a mais bonita da floresta. Podemos chama-la de ‘Árvore do Despertar’, a ‘Árvore Bodhi’? A palavra bodhi divide a mesma raiz da palavra Buda e também significa despertar.”

Gautama fez que sim com a cabeça. Ele também estava deleitado. Ele não tinha adivinhado que durante seu encontro com as crianças o caminho e mesmo a grande árvore receberiam nomes especiais.

(Traduzido do livro “Old Path White Clouds” sobre a vida do Buda – Thich Nhat Hanh)

domingo, 25 de abril de 2010

Quem é o Buda?


Thich Nhat Hanh

Alguns anos atrás, eu visitei uma vila na Índia chamada Uruvela. Dois mil e seiscentos anos atrás, um homem chamado Sidarta morou perto dessa vila. Sidarta é o homem que depois ficou conhecido como o Buda.

A vila de Uruvela ainda é muito parecida com aquela época. Não há edifícios, supermercados e auto-estradas. É muito agradável. As crianças também não mudaram. Quando Sidarta morou aqui, crianças dessa vila se tornaram seus amigos e levavam para ele comida e presentes simples.

Há um rio que corre perto da vila. É onde Sidarta costumava tomar banho. Uma grama chamada “kusa” ainda cresce nas margens do rio. É o mesmo tipo de grama que uma das crianças deu a Sidarta para usar como almofada para sentar. Eu andei ao longo do rio e cortei um pouco dessa grama e trouxe para casa comigo.

No outro lado do rio há uma floresta. Foi lá que Sidarta sentou em meditação embaixo de uma árvore chamada “árvore Bodhi”. Foi embaixo dessa árvore que ele se tornou o Buda.

Um Buda é qualquer um que é desperto – que é consciente de tudo que acontece dentro e em volta dele e que entende e ama profundamente. Sidarta se tornou um ser totalmente desperto – um Buda. Ele é o Buda que aceitamos como nosso professor. Ele disse que cada um de nós tem uma semente de despertar dentro de nós e que todos nós somos futuros Budas.

Um estudante meu quando era muito jovem lutava com a questão: quem é o Buda? O nome do estudante era Hu e esta é a sua história.

Quando Hu tinha 6 ou 7 anos, ele perguntou a seu pai e mãe se ele podia se tornar um monge. Hu adorava ir ao templo budista. Ele costumava ir lá com seus pais nos dias de lua nova e de lua cheia para oferecer flores, bananas, mangas e todo tipo de frutas exóticas para a Buda.

No templo, Hu era sempre tratado com gentileza. Quando as pessoas vinham ao templo, pareciam mais relaxados e amistosos. Hu também estava consciente que o monge chefe gostava dele. Ele dava banana e manga a Hu cada vez que ele vinha. Era por isso que Hu amava ir ao templo.

Um dia ele disse, “Mamãe, quero me tornar um monge e morar no templo.” Eu acho que ele queria se tornar um monge porque ele gostava de comer bananas. Não o culpo. No Vietnã, há muitos tipos de bananas que são tão boas...

Mesmo sendo jovem, seu pai e mãe decidiram deixá-lo ir ao templo como noviço. O monge chefe deu a Hu um minúsculo robe marrom para vestir. No seu novo e bonito robe, ele parecia um monge bebê.

Quando se tornou um monge, Hu acreditava que o Buda amava bananas, mangas e tangerinas porque sempre que as pessoas vinham ao templo eles traziam bananas, mangas, tangerinas e outras frutas, e as colocavam na frente do Buda. Na pequena cabeça de Hu aquilo só podia significar que o Buda gostava muito daquela fruta.

Uma noite, ele esperou no templo até que todos os visitantes tivessem ido para casa. Ele parou quieto fora da entrada da sala do Buda. Ele verificou para ter certeza que ninguém mais estava por perto. Então ele espiou a sala do Buda. A estátua do Buda era tão grande como uma pessoa real. Na cabeça jovem de Hu, a estátua era o Buda.

Hu imaginava que o Buda sentava muito parado durante todo o dia, e quando a sala estava vazia, ele alcançava uma banana. Hu esperou e observou, esperando ver o Buda pegar uma das bananas empilhadas a sua frente. Esperou por muito tempo, mas não viu o Buda pegar a banana. Ele estava frustrado. Não podia entender porque o Buda não comia nenhuma das bananas que as pessoas levavam a ele.

Ele não ousava perguntar ao monge chefe, porque estava com medo que o monge pensasse que ele era bobo. Na verdade, constantemente nos sentimos assim. Não ousamos fazer perguntas porque temos medo de sermos chamados de bobos. O mesmo era verdade para Hu. E porque não ousava perguntar, ele estava confuso. Acho que eu teria buscado alguém para perguntar. Mas Hu não perguntou a ninguém.

Quando ficou mais velho, um dia lhe ocorreu que a estátua do Buda não era o Buda. Que conquista! Esta realização o fez muito feliz. Mas então uma nova questão surgiu. “Se o Buda não está aqui, então aonde ele está? Se o Buda não está no templo, onde está o Buda?” Cada dia ele via pessoas virem ao templo e reverenciar a estátua do Buda. Mas onde estava o Buda?

No Vietnã, pessoas que praticam a tradição do budismo Terra Pura acreditam que os Budas ficam na Terra Pura, na direção do Oeste. Um dia, Hu ouviu alguém dizer que a Terra Pura era a casa dos Budas. Isto fez Hu acreditar que o Buda estava na Terra Pura, o que o deixou muito triste. Porque, ele quis saber, o Buda escolheu viver tão longe das pessoas? Portanto isto criou outra pergunta em sua mente.

Eu conheci Hu quanto ele tinha 14 anos, e ainda estava querendo saber sobre isso. Eu expliquei a ele que o Buda não está longe da gente. Eu disse a ele que o Buda está dentro de cada um de nós. Ser um Buda é ser consciente do que está dentro de nós e a nossa volta em cada momento. Buda é o amor e o entendimento que cada um carrega no seu coração. Isto fez Hu feliz.

Quando Hu cresceu, ele se tornou diretor da Escola de Serviço Social do Vietnã. Ele treinou monges e monjas, homens e mulheres jovens, a ajudar a construir vilas que foram bombardeadas durante a guerra do Vietnã.

Em qualquer lugar que você veja amor e entendimento, há o Buda. Todos podem ser Buda. Não imagine que o Buda é uma estátua ou alguém com um halo elegante sobre sua cabeça ou usa robe amarelo. Um Buda é uma pessoa que está consciente sobre o que está acontecendo dentro de si e a sua volta e tem muito entendimento e compaixão. Seja o Buda homem ou mulher, jovem ou não, ele é sempre agradável e refrescante.

(Traduzido Do livro A Pebble for your pocket – para crianças de 6 a 12 anos – Thich Nhat Hanh)

sábado, 24 de abril de 2010

Budismo com compromisso


Thich Nhat Hanh


Meditar não significa sair da sociedade, nem fugir da sociedade; significa preparar-se para uma reentrada na sociedade. Chamamos isso de buddhismo com compromisso. Quando vamos a um centro de meditação, talvez tenhamos a impressão de deixar tudo para trás: família, sociedade e todas as complicações implicadas nelas, indo como indivíduo para praticar e buscar a paz. Em si isso já é uma ilusão, porque no buddhismo não existe o conceito de indivíduo.
Do mesmo modo que um pedaço de papel é a combinação ou fruto de muitos elementos que não são papel, o indivíduo é feito de elementos que não são indivíduos. Se você é poeta, vê claramente que existe uma nuvem flutuando dentro desta folha de papel. Sem uma nuvem não há água; sem água, as árvores não conseguem crescer; e sem árvores não se pode fazer papel. Por isso a nuvem está aqui. A existência desta página depende da existência de uma nuvem. Papel e nuvem estão muito próximos. Vamos pensar em outras coisas, por exemplo a luz do sol. A luz do sol é muito importante porque a floresta não consegue crescer sem a luz do sol e nós, seres humanos, não conseguimos crescer sem a luz do sol. Sendo assim, o lenhador precisa da luz do sol para cortar a árvore e a árvore precisa da luz do sol para ser árvore. Portanto você pode ver a luz do sol nesta folha de papel. E se olhar com mais profundidade, com olhos de bodhisattva, com olhos de quem está desperto, não verá apenas a nuvem e a luz do sol no papel, verá tudo: o trigo que se transformou em pão para o lenhador, o pai do lenhador, tudo está nesta folha de papel.
O Avatamsaka Sutra nos diz que não é possível indicar uma coisa que não tenha relação com esta folha de papel. Por isso dizemos que "uma folha de papel é formada por elementos que não são papel". A nuvem é um elemento que não é papel. A floresta é um elemento que não é papel. A luz do sol é um elemento que não é papel. O papel é fruto de todos os elementos que não são papel, a tal ponto que, se devolvermos os elementos que não são papel às respectivas origens, isto é, a nuvem, ao céu, a luz do sol ao sol, o lenhador ao pai do lenhador, o papel fica vazio. Vazio de quê? Vazio de um eu separado. O papel foi feito de todos os elementos que não formam o eu do papel, elementos que não são papel; e se todos esses elementos que não são papel forem retirados, o papel fica de fato vazio, vazio de um eu independente. Neste sentido, vazio significa que o papel está cheio de tudo, do cosmo inteiro. A presença desta folha de papel minúscula prova a presença do cosmo inteiro. Da mesma maneira, o indivíduo é formado por elementos que não são indivíduos. Como você pode esperar deixar tudo para trás quando vai a um centro de meditação? O tipo de sofrimento que você carrega no coração é a própria sociedade. Você leva isso consigo, você leva a sociedade consigo. Leva-nos todos consigo. Quando você medita, não é só para si mesmo; você faz isso para a sociedade toda. Você procura soluções para seus problemas não só por você, procura por todos nós.
Normalmente as folhas são consideradas filhas da árvore. De fato, são filhas da árvore, nascidas da árvore, mas também são a mãe da árvore. As folhas combinam seiva bruta, água e minerais com a luz do sol e com gás e se transformam numa seiva variegada que consegue alimentar a árvore. Dessa maneira, as folhas se tornam a mãe da árvore. Todos nós somos filhos da sociedade, mas também somos mães. Temos de alimentar a sociedade. Se formos erradicados da sociedade, não vamos conseguir transformá-la num lugar mais habitável para nós e para nossos filhos. Estamos ligados à arvore por um pecíolo. O pecíolo é muito importante.
Venho trabalhando com jardinagem há muitos anos em nossa comunidade e sei que às vezes é difícil transplantar mudas. Algumas plantas não se deixam transplantar com facilidade, por isso usamos um tipo de hormônio de legumes para ajudá-las a formar raízes no solo com mais facilidade. Fico imaginando se não existe uma espécie de pó, algo passível de ser encontrado na prática da meditação para ajudar as pessoas que foram desarraigadas a se enraizar de novo na sociedade. Meditar não é fugir da sociedade. Meditar é equipar-se com a capacidade de reintegrar-se na sociedade, para que a folha alimente a árvore.
(O Pequeno Buda. São Paulo: Siciliano, 1994. Pág. 215-216.)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Prática Semanal


Queridos amigos e amigas da sangha,

lembramos a todos que haverá prática de meditação no próximo sábado, 24.04.10, apartir das 08:00 da manhã, no Espaço Ligia Prieto. Término previsto para as 09:15. Recomendamos aos iniciantes o uso de roupas leves.

Mãos unidas em prece.

Gasshô.

Ivan. Informações (65)3052-6634 (65)9202-9925

Sessão Pipoca

"Um vazio, dois pipoca, três estouros e uma bacia de contentamento!" (autor desconhecido)
A primeira Sessão Pipoca da Associação Meditar de Cuiabá, foi um sucesso!!! Com direito a bacias de contentamento e a deliciosos copos de suco.
Agradecemos a todos!
Mãos unidas em prece.
Gasshô.
Ivan.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sessão Pipoca


"Um Vazio, dois pipoca, três estouros e uma bacia de contentamento!!!" (Autor desconhecido)


Querida Sangha,

Convidamos a todos para participar da Sessão Pipoca Zen, que acontecerá amanhã, 21.04.2010, na Acadêmia Ligia Prieto, início as 17:00. Teremos suco e uma "bacia de contentamento". A exibição acontecerá na sala de meditação em meio as almofadas. Destacamos ainda, que não há custos e que está aberto a todos, podendo levar amigos e parentes.


Detalhes:

Filme: Un Buda (O Buda)
Sinópse - Jovem vive numa cidade grande e luta para fugir de sua profunda necessidade espiritual: a auto-descoberta. Perdas, desilusões e tragédias o levam a severas práticas espirituais, abandonando completamente sua vida e afetando profundamente o mundo das pessoas que o rodeiam. Seu irmão, professor universitário de Filosofia, e sua noiva, atriz e filha de uma empresária do ramo televisivo, são os interlocutores de sua exótica viagem em busca por seu mestre em um templo zen nas montanhas.
Mais informações:
(65) 3052-6634

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Verdade Relativa e a Verdade Absoluta

Thich Nhat Hanh

No Dhammachakka Pavattana Sutta, o Buddha ensina as quatro nobres verdades sobre a existência do sofrimento, sua origem e cessação, e sobre o caminho. Mas, no Sutra do Coração, o bodhisattva Avalokiteshvara nos diz que não existe o sofrimento, nem causa, nem cessação, nem caminho. Será que isso é uma contradição? Não. O Buddha está falando em termos da verdade relativa, e Avalokiteshvara transmite seus ensinamentos em termos da verdade absoluta. Quando diz que não existe sofrimento, ele quer dizer que o sofrimento é composto inteiramente por coisas que não são sofrimento. Se você sofre ou não, isso vai depender de muitas coisas. O ar frio pode doer quando não usamos roupas quentes mas, com as roupas adequadas, o ar frio pode ser uma bênção. O sofrimento não é algo objetivo. Ele depende da forma como percebemos as coisas. Existem coisas que causam sofrimento a uma pessoa, mas não a outras, assim como existem coisas que causam alegria a alguns e não a outros. As quatro nobres verdades foram apresentadas pelo Buddha como algo relativo, que ajuda a pessoa a atravessar a porta inicial e a começar a praticar, mas não representam seus ensinamentos mais profundos. Olhando através do ponto de vista da interdependência, sempre podemos reconciliar as duas verdades [relativa e absoluta]. Quando vemos, entendemos e tocamos a natureza da interdependência, vemos o Buddha. [...]Quando Avalokiteshvara declara que os olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente são vazios, isso quer dizer que eles não podem ser considerados qualquer coisa por si mesmos. Não-eu [ou vazio, vacuidade] quer dizer que você é feito de elementos que não são você. [...] As três qualidades do Dharma são as chaves de que dispomos para abrir as três portas da liberação — a vacuidade (sânsc. shunyata), a ausência de imagens (sânsc. animitta) e a ausência de objetivo (sânsc. apranihita). Todas as escolas do buddhismo aceitam o ensinamento das três portas da liberação. Essas três portas às vezes são chamadas de três concentrações. Quando passamos por essas portas, adquirimos a concentração e nos libertamos do medo, da confusão e da tristeza. [...]O vazio sempre significa vazio de alguma coisa. O copo está vazio de água e a tigela está vazia de sopa. Nós estamos vazios de um "eu" independente e separado. Não podemos existir sozinhos. Só podemos existir em inter-relação com tudo o mais que existe no cosmos. A prática consiste em incentivar a compreensão do vazio durante todo o tempo. Aonde quer que vamos, entramos em contato com o vazio que existem em tudo. Olhamos para a mesa, o céu azul, o nosso amigo, a montanha, o rio, a raiva e a felicidade, entendendo que tudo isso está vazio de um "eu" independente e separado. Quando contemplamos essas coisas em profundidade, vemos a natureza interdependente de tudo que existe. O vazio não significa, em absoluto, não-existência. Significa origem dependente, impermanência e não-eu.Quando ouvimos falar de vazio, ficamos assustados. Mas depois de praticar por algum tempo, entendemos que as coisas realmente existem, mas de um modo diferente do que pensávamos. O vazio é o caminho do meio entre a existência e a não-existência. A flor não se torna vazia quando murcha e morre, mas sempre foi vazia em sua essência. Está vazia de um eu independente e separado.
(Thich Nhat Hanh. The heart of the Buddha's teaching - transforming suffering into peace, joy, and liberation:the four noble truths, the noble eightfold path and other basic Buddhist teachings. Broadway Books: New York, 1999.)

sábado, 17 de abril de 2010

Meditação no Parque: paz a cada passo



A Associação Meditar de Cuiabá, esteve reunida neste final de semana - 3º Sábado do mês -, no Parque Mãe Bonifácia, por um motivo muito especial. Foi dado início a mais nova atividade do grupo, que se destina a todos os frequentadores e interessados em meditar.

Com o objetivo de divulgar a prática da meditação, de congregar os praticantes, de promover a paz, a valorização da natureza, a contemplação e o amor por tudo que nos cerca, além de oportunizar as pazes com a nossa grande mãe terra, o projeto "Meditação no Parque: paz a cada passo", deu o seu primeiro e singelo passo. Esperamos que a "fila" cresça, cresça muito, que novos amigos venham participar.

Que possamos, juntos, realizar a paz, a sanidade e o contentamento, alcançando, assim, a todos que aqui e agora caminham sobre a estrada da vida.

Muita paz.

Mãos unidas em prece.

Gasshô.

Ivan.

*Agradecimento especial ao amigo Ênio Burgos, fundador da Associação Meditar, que de alguma forma lançou esta semente em um momento de inspiração, e que tornou possível, direta ou indiretamente, que isto pudesse se tornar realidade. Obrigado em nome de todos da Associação Meditar de Cuiabá.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Meditação no Parque: paz a cada passo.


Queridos amigos e amigas da sangha,

Lembramos a todos que neste sábado, 17.04.2010, no Parque Mãe Bonifácia, as 08:00 h da manhã, haverá a primeira "Meditação no Parque: paz a cada passo". Contamos com a presença de todos!

O que?
Meditação no Parque: paz a cada passo.

Onde?
Parque Mãe Bonifácia.

Quando?
17.04.2010, as 08:00 da manhã.

Ponto de Encontro?
Entrada principal, no estacionamento alternativo (de pedrinhas)

Informações com Ligia ou Ivan.
Tel. 3052-6634 # 9202-9925

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Meditação Andando


Thich Nhat Hanh

Quando foi desafiado por Mara - que personifica o ilusório - Buda tocou a terra com a mão direita e disse "Tendo a terra por testemunha, ficarei sentado aqui, em estado de meditação, até que experimente o verdadeiro despertar". Diante disso, Mara desapareceu.

Às vezes, nós também somos visitados por Mara - quando sentimos irritação, insegurança, raiva ou infelicidade. Quando isto acontecer, toque o chão firmemente com seus pés. Pratique a meditação andando. A Terra, nossa mãe, está cheia de amor por nós. Se estivermos sofrendo, ela irá nos proteger, alimentando-nos com suas belas árvores, ervas e flores.

domingo, 11 de abril de 2010

Informe da Semana


Queridos amigos (as) da Associação Meditar de Cuiabá,

é com imensa alegria que informamos que no próximo sábado, 17.04.2010, haverá a primeira prática de meditação andando, que estamos chamando de "Meditação no Parque: Paz a cada passo", no Parque Mãe Bonifácia, as 08:00 da manhã, na entrada principal. Queremos fazer deste momento, um encontro que oportunize um abraço sincero a Mãe Terra, as coisas verdadeiras e plenas que residem em cada um de nós. Estaremos dando o primeiro passo para uma caminhada que acontecerá, durante este semestre, sempre no 3º Sábado de cada mês. Aguardamos vocês.

Um grande abraço.

Mãos unidas em prece.

Gasshô.

Ivan.

Informações:

(65)3052-6634

(65)9202-9925

Meditação Andando


Thich Nhat Hanh


A meditação andando pode ser agradável. Caminhando lentamente, sozinhos ou com amigos, se possível num belo local. A meditação andando tem como verdadeiro objetivo o prazer em caminhar — anda-se não para se chegar a algum lugar, mas só pelo andar. O propósito é o de se estar no momento presente, tendo plena consciência da respiração e da caminhada, e de apreciar cada passo. Para isso, devemos nos livrar de todas as preocupações e ansiedades, não pensar no futuro, nem no passado, só vivendo o momento presente. Podemos andar de mãos dadas com uma criança. Caminhamos passo a passo como se fôssemos os seres mais felizes da Terra.Embora andemos o tempo todo, nosso andar se assemelha mais a uma corrida. Quando caminhamos assim, imprimimos ansiedade e tristeza na Terra. É preciso que andemos de forma tal que só deixamos paz e serenidade sobre a Terra. Podemos todos fazer isso desde que o desejemos muito. Qualquer criança consegue fazê-lo. Se podemos dar um passo assim, poderemos dar dois, três, quatro e cinco. Quando formos capazes de dar um passo cheio de paz e felicidade, estaremos trabalhando pela causa da paz e da felicidade de toda a humanidade. A meditação andando é uma prática maravilhosa.Quando fazemos meditação andando ao ar livre, caminhamos um pouco mais devagar do que nosso ritmo normal e coordenamos nossa respiração com nossos passos. Por exemplo, podemos dar três passos para cada inspiração e três passos para cada expiração. Podemos, então, dizer, "Inspirando, inspirando, inspirando. Expirando, expirando, expirando." Dizer "Inspirando" serve para nos ajudar a identificar a inspiração. Sempre que chamamos algo pelo seu próprio nome, estamos tornando-o mais real, como quando dizemos o nome de um amigo.Se os seus pulmões preferem quatro passos em vez de três, dê-lhes quatro passos, por favor. Se eles querem apenas dois, dê-lhe dois. A duração da sua inspiração e da sua expiração não tem de ser a mesma. É possível, por exemplo, que você dê três passos ao inspirar e quatro ao expirar. Se você se sentir feliz, sereno e alegre enquanto caminha, é porque está se exercitando corretamente.Esteja atento para o contato entre os seus pés e a Terra. Caminhe como se estivesse beijando a Terra com os pés. Já prejudicamos muito a Terra. Agora é a hora de cuidarmos bem dela. Trazemos nossa paz e nossa serenidade à superfície da Terra e compartilhamos a lição do amor. É tendo isso em mente que caminhamos. De quando em quando, ao ver algo bonito, podemos querer parar para contemplação — de uma árvore, uma flor, crianças brincando. Enquanto olhamos, continuamos atentos à nossa respiração, para não sermos enredados por nossos pensamentos e assim perdermos a beleza da flor. Quando quisermos voltar a nadar, é só começar de novo. Cada passo que dermos criará uma brisa fresca, renovando nosso corpo e nossa mente. Cada passo fará uma flor se abrir aos nossos pés. Isso só é possível se não pensarmos no futuro nem no passado, se soubermos que a vida só pode ser encontrada no momento presente.

O que é a Cultura de Paz


Monja Coen Sensei

O que a minha instituição está fazendo pela paz

Quando assinamos no ano passado o Manifesto 2000 por uma Cultura de Paz e Não Violência estávamos aceitando a definição dada pela UNESCO para uma Cultura de Paz, ou seja, o comprometimento de promover e vivenciar o respeito a vida e dignidade de cada pessoa sem discriminação ou preconceito, a rejeição de qualquer forma de violência, o compartilhar de tempo e recursos com generosidade a fim de terminar com a exclusão, a injustiça e a opressão política e econômica, desenvolver a liberdade de expressão e diversidade cultural através do diálogo e da compreensão do pluralismo, manter um consumo responsável respeitando todas as formas de vida e contribuir para o desenvolvimento da minha comunidade, área, país e planeta.
A Educação deve ser orientada para a Cultura da Paz, desde e principalmente dos níveis elementares. Para tanto, professores precisam de reciclagem adequada, bem como a formação de novos professores deve ser feita levando-se em conta esses valores.
A saúde do planeta - tanto dos seres humanos como da natureza - deve ser cuidada, de maneira a jamais violentar a vida.
A Segurança deve estar voltada para maiores oportunidades de empregos, maior justiça social com maior inclusão e nunca em mais armamentos. Devemos nos desarmar tanto física como psicologicamente, a fim de encontrarmos um nível de segurança superior, onde as causas das violências são extirpadas - não apenas seus efeitos.
Procurar desenvolver a Mídia da Paz - com jornalistas, intelectuais, publicitários, artistas, promotores de eventos conscientes da influencia das palavras, sons e imagens nos seres humanos e em todos os seres.
Para que a Cultura da Paz seja estabelecida teremos de preparar pessoas e equipes que possam atuar na comunidade, nas mais diversas áreas, a fim de educar para a Paz.
Temos de encorajar os que desenvolvem trabalhos, estudos, obras relacionadas com a Cultura da Paz.
A minha instituição, que está sendo fundada no momento, a Comunidade Zen Budista, tem se mostrado participante e atuante nos encontros inter-religiosos por uma Cultura de Paz aqui em São Paulo e no Rio de Janeiro, tendo nos tornado membros da United Religions Initiative, URI, que promove a Paz em esfera internacional. Temos feito divulgação na imprensa escrita, falada e televisada sobre a importância do estabelecimento da Paz e da não violência ativa. Temos feito cursos, palestras e participado da organização de programas de bairro para a Educação Ambiental e resgate dos seres humanos nas ruas bem como a instalação de uma escola de informática e grupos de meditação no Carandiru em SP.
Internacionalmente, a tradição Soto Zen, da qual a Comunidade Zen Budista se ramifica, tem atuado em vários paises de forma educacional ou de assistência social, com voluntários e profissionais. Nos Estados Unidos, foi recentemente criada a Zen Peacemaker Order - instituição voltada para cultivar a Paz lembrando-nos a todos que somos testemunhas responsáveis pelo estado do mundo atual. Este só se transformará quando cada um de nós se transformar em verdadeira Paz, carinho e cuidado pela Terra e pela Vida.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Prática Semanal


Queridos amigos e amigas da sangha,

lembramos a todos que haverá prática de meditação no próximo sábado, 10.04.10, apartir das 08:00 da manhã, no Espaço Ligia Prieto. Término previsto para as 09:15. Recomendamos aos iniciantes o uso de roupas leves.

Mãos unidas em prece.

Gasshô.

Ivan.
Informações (65)3052-6634 (65)9202-9925

Como dar Vida às Nossas Vidas


As Transformações Começam Conosco

Há um antigo ditado japonês:
"Se houver relacionamento, faço; se não houver relacionamento, saio".
Um Mestre Zen, no final do século passado, fez a seguinte alteração:
"Havendo relacionamento, faço; não havendo, crio relacionamento".

Essa mudança de paradigma é extremamente importante. Devemos também lembrar que criar um relacionamento não significa, necessariamente, obter resultados imediatos, embora muitas vezes estes ocorram.

Novos relacionamentos em padrões antigos perdem seu significado. Precisamos criar relacionamentos a partir de novas maneiras de nos relacionar, de ver o mundo, de ser, de inter ser. Essa nova maneira pode, inclusive, recarregar de energia positiva antigos relacionamentos.

Para descobrirmos novas maneiras precisamos, primeiramente desenvolver a capacidade de perceber como estão nossos relacionamentos atuais.

Observe e considere meticulosamente a si mesmo. Perceba como está se relacionando em casa, na rua, no trabalho, no lazer. Perceba como respira, como anda, como toca nos objetos, como usa sua voz, como são seus gestos e como são seus pensamentos e os não pensamentos. Esse observar não deve ser limitante, constrangedor, confinador.

Apenas observe. Como você se relaciona com o meio ambiente, biodiversidade, reciclagem, justiça social, melhor qualidade de vida, guerras, violência, terror, paz, harmonia, respeito, garantia dos Direitos Humanos? Como você e o seu logos se relacionam entre si e em relação aos projetos de sucesso, de lucro, de desenvolvimento e progresso de sua organização?

Como está se relacionando com o mais íntimo de si mesmo, com a essência da Vida, com o Sagrado?

Será que é capaz de ver, ouvir, sentir e perceber a rede de inter relacionamentos de que é feita a vida? Percebe e leva em consideração, na tomada de decisões, a interdependência?

Tanto individualmente, como no coletivo, nossa participação e compreensão como estão? Será que estamos conscientemente vivendo nossas vidas e direcionando nossos pensamentos, ações e palavras para o sentido de mudança que queremos e sonhamos?

Mahatma Gandhi disse: "Temos de ser a transformação que queremos no mundo".

Geralmente pensamos no mundo como alguma coisa distante e separada de nós, mas nós somos a vida do universo em constante movimento. Podemos até dizer que o mundo somos nós. Nossa vida forma o mundo, é o mundo, não apenas está no mundo. Inclui todas as formas de vida e seus derivados e nos inclui neste instante, instante após instante. Há um monge chinês do século VII, Gensha Shibi , que dizia : "O Universo é uma jóia arredondada. Somos a vida desse universo em constante transformação. Nada vem de fora, nada sai para fora".

De momento a momento tudo está mudando, nós fazemos parte dessa mudança e podemos escolher, discernir qual o caminho que queremos dar a esse constante transformar. É por isso que digo que a transformação começa em nós. Na verdade vai além de apenas começar. É em nós. Nossa capacidade humana de inteligência e compreensão nos permite fazer escolhas. E o que estamos escolhendo?

Outra frase de Mahatma Gandhi:

"Quando uma pessoa dá um passo em direção à Paz, toda a humanidade avança um passo em direção à Paz"

A minha decisão, a sua decisão pode transformar ou influenciar a direção da mudança.

Há um sutra budista que descreve o mundo como uma rede de inter relacionamentos. Como se fosse uma imensa teia de raios luminosos e em cada intersecção uma jóia capaz de receber essa luz e emitir raios em todas as direções. Qualquer pequena mudança afeta o todo. Cada ser que se transforme em um ser de paz, de harmonia, de ternura, carinho e respeito pela vida em todas as suas formas estará sendo uma mudança viva e influenciando tudo e todos.

Qual o primeiro passo? Conhecer a si mesmo. Conhecer nossos mecanismos. O que nos afeta, nos incomoda? O que nos alegra? O que nos irrita? Como transformar a raiva em compaixão? Como transformar o desafio em competição leal, justa, empreendedora, enriquecedora? Sem nos preocuparmos com os créditos, se formos capazes de fazer o bem, não fazer o mal, fazer o bem aos outros estaremos transformando nossos lares, nossas amizades, nosso ambiente de trabalho, nossas organizações, nossas cidades, estados, países, nações, mundo... e a nós mesmos... no florescimento da Cultura da Paz.

"Estudar o Caminho de Buda é estudar a si mesmo. Estudar a si mesmo é esquecer-se de si mesmo. Esquecer-se de si mesmo é ser iluminado por tudo que existe. Transcender corpo e mente seu e dos outros. Nenhum traço de iluminação permanece e a Iluminação é colocada à disposição de todos os seres." (Mestre Zen Eihei Dogen - 1200-1253)

É importantíssimo que iniciemos este "estudar a si mesmo", já. Cada um de nós que perceber seu próprio mecanismo ficará em controle desse mecanismo e não mais à mercê de seus sentimentos e emoções, desejos e frustrações, puxado, empurrado, espremido e puxando, empurrando, espremendo - envenenados pela ganância, raiva e ignorância.

Imagine um mundo aonde podemos brilhar uns para os outros, sem ódios, mas com carinhoso respeito e terna compreensão. Percebendo nossas diferenças, aceitando a diversidade da vida e juntando nossas capacidades tanto intelectuais como físicas na construção desse verdadeiro Céu, Paraíso, Terra Pura, Shambala de que falam as religiões, todas elas.

Cabe a nós, a cada um de nós criar esse relacionamento de carinho com a vida, de ternura com todos os seres, de compreensão, de sabedoria e compaixão para percebermos o Caminho Iluminado e o Nirvana permeando toda a existência.
Isso é dar vida à nossa própria vida

Monja Coen Sensei

terça-feira, 6 de abril de 2010

A verdadeira felicidade vem da mente atenta


Thich Nhat Hanh

Como podemos aprender a prática da inexistência do eu? Quando você aprende algo pela primeira vez, você usa a sua consciência mental para compreender. E depois de algum tempo aquilo se torna um hábito, e a sua consciência mental não tem mais que estar consciente. Existe um processo de criar hábitos, uma tendência a automatizar tudo e usar a nossa consciência armazenadora; de modo que, mesmo que você não preste atenção ao que está fazendo, você pode fazer aquilo corretamente, como andar. Quando você anda, sua mente pode estar totalmente absorvida em pensamentos sobre outras coisas, e, no entanto, a consciência visual colabora com a consciência armazenadora o suficiente para que você evite acidentes.

Nós usamos este processo de levar a informação para dentro da consciência armazenadora para criar hábitos. Se você opera excessivamente com sua consciência mental, envelhece rapidamente. Suas preocupações, o seu pensamento, o seu planejamento e a sua reflexão requerem muita energia. Uma pessoa chamada Wuzisi na China antiga passou somente uma noite se preocupando e se amedrontando, e pela manhã todos os cabelos da cabeça dele tinham ficado brancos. Não faça isto! Não use a sua consciência mental em demasia; ela consome muita energia sua. É melhor ser do que pensar.

Isto não significa que perdemos nossa consciência plena, mas sim que a nossa consciência plena se torna um hábito que conseguimos praticar sem esforço. A consciência mental é o nível no qual conseguimos nos treinar no hábito da atenção plena, e então esta se infiltrará na consciência armazenadora criando um padrão de atenção plena naquele nível. A mente atenta tem a capacidade de estimular o cérebro, de engajar de uma maneira nova com o que estamos percebendo, de forma que não estamos apenas operando no piloto automático. É possível re-programar a nossa consciência armazenadora para que responda com atenção plena e não descuidadamente? É possível instilar em nossa consciência armazenadora o hábito da felicidade?

Para fazer isto, precisamos aprender a lição do viver consciente com os nossos corpos e com a nossa consciência armazenadora, ao invés de com a nossa consciência mental. A lição que estamos aprendendo é que temos que tratar nosso corpo como consciência. A prática tem que envolver o nosso corpo nela. Você não pode praticar apenas com sua mente, porque o seu corpo é um aspecto da sua consciência e sua consciência é uma parte do seu corpo.

Quando a nossa consciência armazenadora e a nossa consciência sensorial (que poderia também ser chamada de consciência corporal) estão em harmonia, nós acharemos mais fácil cultivar o hábito da felicidade. Quando somos apenas iniciantes na prática e ouvimos o sino temos que fazer um esforço para concentrar, para curtir o sino, para praticar a respiração consciente e nos acalmar. Nós usamos muita energia. Mas depois de praticar por seis meses, um ano ou dois, isto acontecerá naturalmente e a mente não terá que intervir. O sino vai diretamente à consciência armazenadora através da consciência auditiva, e a resposta se torna natural. Nós não temos mais que fazer um esforço ou usar muita energia como fazíamos no início. É assim que a prática pode se tornar um hábito. Quando a prática tiver se tornado um hábito, nós não temos que despender um esforço demasiado a nível de consciência mental. Isto mostra que a boa prática consegue transformar hábitos antigos que não estão mais nos servindo. A boa prática também pode criar bons hábitos. Chegará um tempo em que não temos mais que usar a consciência mental para tomar decisões – apenas praticamos naturalmente. Muitos de nós não precisamos tomar uma decisão para praticar a respiração consciente. Quando ouvimos o sino, praticamos a respiração consciente naturalmente, e nos deleitamos com ela. Deste modo, quando se tornou um hábito, um comportamento é menos dispendioso.

Consciência plena é uma prática de deleite, e não para criar mais privações em nossa vida. A prática não é um trabalho pesado, é uma causa de alegria. E alegria pode se tornar um hábito. Alguns de nós temos o hábito do sofrimento. Outros entre nós têm cultivado o hábito de sorrir e ser feliz. A capacidade de ser feliz é a melhor coisa que podemos cultivar. Então, por favor, deleitem-se em sentar e caminhar por vocês, por nossos ancestrais, por nossos parentes, amigos e as pessoas que amamos, e àqueles que são chamados de inimigos. Andar como um Buda – esta é a sua prática. Não precisamos aprender e compreender todos os sutras, todos os ensinamentos escritos do Buda, para sermos capazes de andar como um Buda. Não. Só precisamos de nossos dois pés e a nossa consciência. Podemos beber o nosso chá conscientemente, escovar nossos dentes conscientemente, nós podemos respirar conscientemente, dar um passo conscientemente. E isto pode se feito com muita alegria e sem qualquer luta ou esforço. É uma questão de deleite.

A verdadeira felicidade vem da mente atenta. A mente atenta nos ajuda a reconhecer as muitas condições de felicidade que estão disponíveis no aqui e agora. A concentração nos ajuda a entrar em contato mais profundamente com estas condições. Com suficiente atenção e concentração, o insight surge. Com insight profundo, estamos livres de percepções errôneas e conseguimos manter nossa liberdade por muito tempo. Com insight profundo, não nos enraivamos mais, não nos desesperamos mais, e podemos desfrutar cada momento de vida.

Existem àqueles entre nós que necessitam de certa dose de sofrimento para ser capaz de reconhecer a felicidade. Quando você de fato sofreu, compreende que o não-sofrimento é maravilhoso. Mas existem àqueles entre nós que não necessitam sofrer e, mesmo assim, ainda têm a capacidade de saber que o não-sofrimento é felicidade, é maravilhoso. Com consciência plena, tornamos-nos conscientes do sofrimento que está acontecendo a nossa volta. Existem muitos que não conseguem se sentar desta forma, com calma e segurança. Uma bomba ou foguete poderiam cair sobre eles a qualquer momento, como por exemplo, no Oriente Médio ou Iraque. O que eles querem é paz. O que eles querem é a cessação da matança. Mas eles não a têm. Tem muitos de nós que têm a chance de se sentar assim com muito mais segurança - nós que moramos numa situação onde inexiste este tipo de sofrimento. Mas não parece que apreciamos isto.

A mente atenta nos ajuda a estar ciente do que está acontecendo a nossa volta, e de repente sabemos como apreciar as condições de paz e felicidade que estão disponíveis no aqui e agora. Não temos que ir a outro lugar para compreender o sofrimento. Precisamos apenas estar plenamente atentos. Você pode estar onde quer que esteja, e a consciência plena lhe ajuda a tocar o sofrimento do mundo e a compreender que muitas condições de felicidade existem para você. Você pode se sentir suficientemente seguro, feliz, alegre e poderoso para mudar a situação a sua volta.

O sentimento de desespero é o pior sentimento que pode acontecer a um ser vivo. Quando você se desespera, você quer se matar ou matar alguém para expressar a sua raiva. Existem tantas pessoas que estão prontas a morrer para punir os outros; elas têm sofrido tanto. Como seria possível oferecer a eles uma gota do néctar da compaixão? Como seria possível fazer com que uma gota daquele néctar caísse dentro do coração delas que está cheio de raiva e desespero? Cada um de nós praticantes da mente atenta é capaz de entrar em contato com as maravilhas da vida que são nutritivas e saudáveis, e também com o sofrimento, de forma que nosso coração se enche de compaixão e nos tornamos um instrumento do bodisatva Avalokiteshvara, o bodisatva da compaixão. É sempre possível para nós sermos algo, fazermos algo parecido com Avalokita, levando o néctar da compaixão a uma situação de desespero.

(Do livro Buddha Mind, Buddha Body: Walking toward Enlightenment, de Thich Nhat Hanh)
(Tradução para o português: Tâm Vân Lang)
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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Meditação na Alimentação

Thich Nhat Hanh

Este pedaço de pão é um embaixador do cosmos inteiro.
Comer uma refeição juntos é uma prática meditativa. Devemos tentar oferecer nossa presença para cada refeição. Podemos começar a praticar já no momento em que nos servimos, refletindo sobre quantos elementos, como a chuva, o sol, a terra, o ar e amor se reuniram para constituir essa refeição. De fato, através da comida podemos ver que o universo inteiro está sustentando nossa existência.
Ficamos conscientes de toda a comunidade enquanto nos servimos e devemos pegar apenas aquela quantidade que é necessária para nós. Antes de comer, convidamos o sino a soar por três vezes, desfrutamos da nossa respiração e praticamos as seguintes cinco contemplações:
- Esta comida é uma dádiva da terra, do céu, de numerosos seres vivos e de muito trabalho duro;- Que possamos comer com plena consciência e gratidão para que mereçamos receber o alimento em nosso corpo;
- Que possamos reconhecer e transformar nossas formações mentais não-saudáveis, especialmente nossa avidez, e aprendamos a comer com moderação;
- Que possamos manter viva a nossa solidariedade comendo de modo a reduzir o sofrimento dos seres vivos, proteger nosso planeta e impedir o processo de aquecimento global;
- Aceitamos esta comida como uma maneira de nutrir nossa fraternidade, fortalecer nossa comunidade (Sangha) e alimentar o nosso ideal de servir a todos os seres.
Devemos comer com calma, mastigando bem cada porção, no mínimo 30 vezes, até que a comida se liquefaça. Fazer isso ajuda o nosso processo digestivo. Vamos aproveitar cada pedaço de nossa comida e a presença de nossos irmãos e irmãs de dharma à nossa volta. Vamos nos estabelecer no momento presente, comendo de tal forma que a solidez, a alegria e a paz sejam possíveis durante a refeição.
Ao comermos em silêncio, a comida se torna real com a nossa plena consciência e ficamos totalmente atentos ao processo de nutrição acontecendo. Para aprofundar nossa prática de comer com plena consciência e alimentar a atmosfera de paz, permanecemos sentados durante o período de silêncio. Depois de vinte minutos de silêncio, convidamos o sino a tocar novamente duas vezes. Nesse momento, podemos conversar algo saudável como nossos amigos e começar a nos levantar da mesa.
Ao finalizar a refeição, dedicamos alguns momentos para tomarmos consciência de que acabamos de comer, de que o nosso prato está vazio e de que nossa fome está saciada. Assim, enchemo-nos de gratidão ao percebermos como somos afortunados por termos uma refeição para comer, sentimento que nos apóia no nosso caminho de amor e sabedoria.

sábado, 3 de abril de 2010

Coração da Compreensão


Thich Nhat Hanh

"Num dia de outono, eu estava num parque absorto numa contemplação de uma folha muito pequena, mas muito bonita, com a forma de um coração. Sua coloração era quase vermelha e ela estava mal dependurada no galho, quase pronta para cair. Eu passei um longo tempo com ela, e fiz a ela um porção de perguntas. Eu descobri que a folha tinha sido uma mãe para a árvore. Geralmente, nós imaginamos que a árvore é a mãe e que as folhas são com que filhos, porém enquanto olhava para a folha eu vi que ela é também uma mãe para a árvore. A seiva que as raízes absorvem constitui-se apenas de água e minerais, não suficientemente boas para nutrir a árvore, assim ela distribui a seiva para as folhas. E as folhas assumem a responsabilidade de transformar esta seiva bruta em seiva elaborada e, com a ajuda do sol e do ar, remetê-la de volta para a nutrição da árvore. Portanto, as folhas são também uma mãe para a árvore. E como a folha está ligada à árvore através de uma haste, a comunicação entre elas é fácil de ver."


(Coração da Compreensão, da Ed. Bodigaya, p.41)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Parar, Acalmar-se, Descansar e Curar-se


Thich Nhat Hanh

Existe uma história zen sobre um homem e um cavalo. O cavalo está galopando rapidamente, e parece que o homem que cavalga se dirige a algum lugar importante. Outro homem, em pé ao lado da estrada, grita: "Aonde você está indo?" e o homem a cavalo responde: "Não sei. Pergunte ao cavalo!" Esta é a nossa história. Estamos todos sobre um cavalo, não sabemos aonde vamos e não conseguimos parar. O cavalo é a força de nossos hábitos que nos puxa, e somos impotentes diante dela. Estamos sempre correndo, e isso já se tornou um hábito. Estamos acostumados a lutar o tempo todo, até mesmo durante o sono. Estamos em guerra com nós mesmos, e é fácil declarar guerra aos outros também.
Precisamos aprender a arte de fazer cessar — parar nosso pensamento, a força de nossos hábitos, nossa desatenção, bem como as emoções intensas que nos regem. Quando uma emoção nos assola, ela se assemelha a uma tempestade, que leva consigo a nossa paz. Nós ligamos a TV e depois a desligamos, pegamos um livro e depois o deixamos de lado. O que podemos fazer para interromper este estado de agitação? Como podemos fazer cessar o medo, o desespero, a raiva e os desejos? É simples. Podemos fazer isso através da prática da respiração consciente, do caminhar consciente, do sorriso consciente e da contemplação profunda — para sermos capazes de compreender. Quando prestamos atenção e entramos em contato com o momento presente, os frutos que colhemos são a compreensão, a aceitação, o amor e o desejo de aliviar o sofrimento e fazer brotar a alegria.
Mas a força do hábito costuma ser mais forte do que nossa vontade. Dizemos e fazemos coisas que não queremos e depois nos arrependemos. Causamos sofrimento a nós mesmos e aos outros, e de forma geral produzimos grande quantidade de destruição. Podemos ter a firme intenção de nunca mais fazer isso, mas sempre acabamos fazendo de novo. Por quê? Porque a força do hábito (vashana) acaba vencendo e nos levando de roldão. Precisamos da energia da atenção plena para perceber quando o hábito nos arrasta, e fazer cessar esse comportamento destrutivo. Com atenção plena, temos a capacidade de reconhecer a força do hábito a cada vez que ela se manifesta. "Alô força do hábito, sei que você está aí!" Nessa altura, se conseguirmos simplesmente sorrir, o hábito perderá grande parte de sua força. A atenção plena é a energia que nos permite reconhecer a força do hábito e impedi-la de nos dominar.
Por outro lado, o esquecimento ou negligência é o oposto.
Tomamos uma xícara de chá sem sequer perceber o que estamos fazendo. Sentamo-nos com a pessoa que amamos mas não percebemos que a pessoa está ali. Andamos sem realmente estar andando. Estamos sempre em outro lugar, pensando no passado ou no futuro. O cavalo dos nossos hábitos nos conduz, e somos prisioneiros dele. Precisamos deter este cavalo e resgatar nossa liberdade. Precisamos irradiar a luz da atenção plena em tudo o que fizermos, para que a escuridão do esquecimento desapareça. A primeira função da meditação — shamatha — é fazer parar.
A segunda função da shamatha é acalmar. Quando sofremos uma emoção forte, sabemos que talvez seja perigoso agir sob sua influência, mas não temos força nem clareza suficientes para nos abstermos. Precisamos aprender a arte de respirar, de inspirar e expirar, parando tudo o que estamos fazendo e acalmando nossas emoções. Precisamos aprender a nos tornar mais estáveis e firmes, como se fôssemos um carvalho, e não nos deixar arrastar pela tempestade de um lado para outro. O Buddha ensinou uma variedade de técnicas para nos ajudar a acalmar corpo e mente, e considerar a situação presente em toda a sua profundidade. Essas técnicas podem ser resumidas em cinco estágios:
1 Reconhecimento: se estamos zangados, dizemos "reconheço que a raiva está dentro de mim".
2 Aceitação: quando estamos zangados, não negamos a raiva. Aceitamos aquilo que está presente em nós.
3 Acolher: abraçamos a raiva como faz uma mãe com o filho que chora. Nossa atenção plena acolhe a emoção, e só isso já é capaz de acalmar a raiva e a nós mesmos.
4 Olhar em profundidade: quando nos acalmamos o suficiente, conseguimos observar profundamente para entender o que provocou a raiva, ou seja, o que está fazendo o bebê chorar.
5 Insight: o fruto do olhar profundo é a compreensão das causas e condições, tanto primárias quanto secundárias, que provocaram a raiva e fizeram nosso bebê chorar. Talvez ele esteja com fome. Talvez o alfinete da fralda o esteja machucando. Talvez nossa raiva tenha surgido quando um amigo nos falou em um tom ofensivo, mas de repente nos lembramos de que essa pessoa não está bem hoje porque seu pai está muito doente. Continuamos a refletir dessa forma até compreendermos a causa de nosso atual sofrimento. A compreensão nos dirá o que fazer ou não fazer para mudar a situação.
Depois de nos acalmarmos, a terceira função da shamatha é o repouso. Suponha que alguém nas margens de um rio joga uma pedra para o ar e a pedra cai no rio. A pedra afunda lentamente e chega ao fundo do rio sem esforço algum. Depois que a pedra chega ao fundo do rio, ela descansa, deixando que a água passe por ela. Quando sentamos para meditar podemos nos permitir repousar da mesma forma que essa pedra. Podemos nos deixar afundar naturalmente, na posição sentada — repousando, sem fazer esforço. Temos que aprender a arte de repousar, permitindo que nosso corpo e nossa mente descansem. Se tivermos feridas em nosso corpo e em nossa mente precisamos repousar para que elas possam por si só se curar.O ato de se acalmar produz o repouso, e o descanso é um pré-requisito para a cura. Quando os animais selvagens estão feridos, eles procuram um lugar escondido para deitar, e descansam completamente por muitos dias. Não pensam em comida nem em mais nada. Apenas descansam, e com isso obtêm a cura de que precisam. Quando nós seres humanos ficamos doentes, nos preocupamos o tempo todo. Procuramos médicos e remédios, mas não paramos. Mesmo quando vamos para a praia ou para as montanhas com a intenção de descansar, não chegamos realmente a repousar, e voltamos mais cansados do que partimos. Temos que aprender a repousar. A posição deitada não é a única posição de descanso que existe. Podemos descansar muito bem durante meditações sentados ou caminhando. A meditação não deve ser um trabalho árduo. Simplesmente permita que seu corpo e sua mente descansem, como o animal no mato. Não lute. Não há necessidade de fazer nada nem realizar nada. Eu estou escrevendo um livro, mas não estou lutando. Estou descansando. Por favor, leiam este livro de uma forma alegre e relaxante. O Buddha disse: "Meu Dharma é a prática do não-fazer."1 Pratiquem de uma forma que não seja cansativa, mas que seja capaz de proporcionar descanso ao corpo, às emoções e à consciência. Nosso corpo e mente sabem curar a si mesmos se lhes dermos uma oportunidade para isso.
Parar, acalmar-se e descansar são pré-requisitos para a cura. Se não conseguirmos parar, nosso ritmo de destruição simplesmente vai prosseguir. O mundo precisa imensamente de cura. Os indivíduos, comunidades e países estão cada vez mais necessitados de cura.
(Thich Nhat Hanh. The heart of the Buddha's teaching - transforming suffering into peace, joy, and liberation:the four noble truths, the noble eightfold path and other basic Buddhist teachings. Broadway Books: New York, 1999.)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Prática Semanal


Queridos amigos e amigas da sangha,

lembramos a todos que haverá prática de meditação no próximo sábado, 03.04.10, apartir das 08:00 da manhã, no Espaço Ligia Prieto. Término previsto para as 09:15. Recomendamos aos iniciantes o uso de roupas leves.

Mãos unidas em prece.

Gasshô.

Ivan.

Informações (65)3052-6634 (65)9202-9925