A Associação Meditar é uma sociedade civil sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne as 4ª feiras - 20 h - e aos sábados - 8 h - para meditar e estudar na Academia Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

domingo, 16 de maio de 2010

Angulimala Sutta


Angulimala Sutta
Traduzido do Pali para o inglês originalmente por Bhikkhu Nanamoli, editado e revisado por Bhikkhu Boddhi

Somente para distribuição gratuita como um presente do Dhamma
1. Assim ouvi. Em certa ocasião o Abençoado estava vivendo em Savathi, no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika.
2. Agora, naquela ocasião havia no reino do rei Pasenadi de Kosala um bandido chamado Angulimala que era um assassino, com as mãos tingidas de sangue, habituado a golpes e violência, impiedoso com os seres vivos. Vilarejos, cidades e distritos haviam sido destruídos por ele. Ele estava constantemente matando pessoas e usava os dedos delas em um colar.
3. Então, quando havia amanhecido, o Abençoado se vestiu e tomando a sua tigela e manto externo, foi para Savathi para a coleta de alimentos. Depois de haver perambulado em Savathi coletando alimentos ele retornou e após a sua refeição arrumou o seu local de descanso e tomando a tigela e o manto externo saiu pela estrada que levava para onde estava Angulimala. Pastores e camponeses que passavam vendo que o Abençoado caminhava na direção que levava para onde estava Angulimala lhe diziam: "Não siga por essa estrada recluso. Nessa estrada se encontra o bandido Angulimala que é um assassino, com as mãos tingidas de sangue, habituado a golpes e violência, impiedoso com os seres vivos. Vilarejos, cidades e distritos foram destruídos por ele. Ele está constantemente matando pessoas e usa os dedos delas em um colar. Homens em grupos de dez, vinte, trinta e até quarenta seguiram por esta estrada e assim mesmo foram vítimas de Angulimala". Quando isso havia sido dito, o Abençoado seguiu em silêncio.
Por uma segunda vez...Por uma terceira vez os pastores e camponeses disseram isso ao Abençoado, mas ainda assim o Abençoado seguiu em silêncio.
4. O bandido Angulimala viu o Abençoado se aproximando à distância. Quando ele o viu, pensou: "É fantástico, é maravilhoso! Pessoas em grupos de dez, vinte, trinta e até quarenta seguiram por esta estrada e assim mesmo foram minhas vítimas. E agora esse recluso vem sozinho, sem companhia, como se empurrado pela fé. Porque eu não deveria matar esse recluso?" Angulimala então tomou a sua espada e escudo, afivelou o seu arco e a aljava e seguiu o Abençoado de perto.
5. Então o Abençoado realizou tamanha façanha com os seus poderes paranormais que o bandido Angulimala, embora caminhasse tão rápido quanto pudesse, não conseguia alcançar o Abençoado que caminhava em seu passo normal. Então o bandido Angulimala pensou: "É fantástico, é maravilhoso! Antes eu conseguia alcançar e agarrar até mesmo o elefante mais rápido; eu conseguia alcançar e agarrar até mesmo o cavalo mais rápido; eu conseguia alcançar e agarrar até mesmo a carruagem mais rápida; eu conseguia alcançar e agarrar até mesmo o cervo mais rápido; mas agora, embora esteja caminhando o mais rápido que possa, não consigo alcançar esse recluso que está caminhando em seu passo normal!" Ele parou e chamou o Abençoado: "Pare, recluso! Pare, recluso!"
"Eu parei, Angulimala, pare você também."
Então o bandido Angulimala pensou: "Esses reclusos, filhos dos Sakyas, falam a verdade, afirmam a verdade; mas embora esse recluso ainda esteja caminhando, ele diz: 'Eu parei, Angulimala, pare você também.' E se eu questionasse esse recluso."
6. Então o bandido Angulimala se dirigiu ao Abençoado em versos da seguinte forma:

"Enquanto caminha, recluso, você diz que parou;
Mas agora, quando eu parei, você diz que não parei.
Eu lhe pergunto agora, Ó recluso, qual o significado:
Como pode ser que você tenha parado e eu não tenha?"

"Angulimala, eu parei para sempre,
Eu me abstenho da violência para com os seres vivos;
Mas você não tem nenhum refreamento em relação àquilo que tem vida:
Essa é a razão porque eu parei e você não."

"Ó, até que enfim este recluso, um sábio venerado,
Veio para esta grande floresta por minha razão.
Ouvindo os seus versos com o ensinamento do Dhamma,
Eu de fato renunciarei ao mal para sempre".

Assim dizendo, o bandido tomou a sua espada e armas
E as arremessou em uma cova num abismo;
O bandido venerou os pés do Abençoado,
E depois ali pediu sua admissão na vida santa.

O Iluminado, o Sábio da Grande Compaixão,
O Mestre do mundo com [todos] os seus deuses,
Dirigiu-se a ele com estas palavras, "Venha, bhikkhu".
E assim foi como ele se tornou um bhikkhu.

7. Então o Abençoado iniciou a caminhada de regresso a Savathi com Angulimala como seu acompanhante. Caminhando em etapas eles acabaram por chegar em Savathi e lá se estabeleceram no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika.
8. Agora naquela ocasião uma grande multidão havia se aglomerado nos portões do palácio do rei Pasenadi, barulhenta e ruidosa, gritando: "Senhor, o bandido Angulimala encontra-se no seu reino; ele é um assassino, com as mãos tingidas de sangue, habituado a golpes e violência, impiedoso com os seres vivos. Vilarejos, cidades e distritos foram destruídos por ele. Ele está constantemente matando pessoas e usa os dedos delas em um colar! O rei precisa acabar com ele!"
9. Então no meio do dia o rei Pasenadi de Kosala saiu de Savathi com um grupo de 500 cavaleiros em direção ao parque. Ele foi até onde a estrada permitia ir com a sua carruagem e depois desmontou e seguiu a pé até onde estava o Abençoado. Depois de saudar o Abençoado ele sentou-se a um lado e o Abençoado lhe disse: "O que há, grande rei? O rei Seniya Bimbisara de Magadha o estará atacando ou os Licchavis de Vesali ou outros reis hostis?"
10. "Venerável senhor, o rei Seniya Bimbisara de Magadha ou os Licchavis de Vesali ou outros reis hostis não estão me atacando. Mas há um bandido no meu reino chamado Angulimala, ele é um assassino, com as mãos tingidas de sangue, habituado a golpes e violência, impiedoso com os seres vivos. Vilarejos, cidades e distritos foram destruídos por ele. Ele está constantemente matando pessoas e usa os dedos delas em um colar. Eu nunca serei capaz de acabar com ele, venerável senhor."
11. "Grande rei, suponha que você visse que Angulimala raspou o seu cabelo e barba, vestiu os mantos amarelos e seguiu a vida santa; que ele está se abstendo de matar seres vivos, de tomar aquilo que não é dado e da linguagem falsa; que ele se abstém de comer à noite, come somente uma vez ao dia, é celibatário, virtuoso, com bom caráter. Se você o visse assim, como o trataria?"
"Venerável senhor, nós o homenagearíamos, ou nos levantaríamos, ou o convidaríamos para que ele se sentasse; ou o convidaríamos para que aceitasse mantos, alimentos, um lugar para descanso ou medicamentos; ou nós lhe proveríamos guarda, defesa e proteção sob a lei. Mas, venerável senhor, ele é um homem sem moral, mau caráter. Como poderia ter tal virtude e contenção?"
12. Agora, naquela ocasião o venerável Angulimala estava sentado não muito distante do Abençoado. Então o Abençoado estendeu o seu braço direito e disse ao rei Pasenadi de Kosala: "Grande rei, este é Angulimala."
Então o rei Pasenadi ficou com medo, alarmado e aterrorizado. Sabendo disso, o Abençoado lhe disse: "Não tema, grande rei, não tema. Não há nada a temer da parte dele."
Então o medo, alarme e terror do rei diminuiram. Ele foi até o venerável Angulimala e lhe disse: "Venerável senhor, você é realmente Angulimala?"
Sim, grande rei."
"Venerável senhor, de que família é o seu pai? De que família é a sua mãe?"
"Meu pai é um Gagga, grande rei; minha mãe é uma Mantani."
"Que o nobre senhor Gagga Mantaniputta descanse satisfeito. Eu irei prover mantos, alimentos, um lugar para descanso e medicamentos para o nobre senhor Gagga Mantaniputta."
13. Agora naquela ocasião o venerável Angulimala vivia na floresta, coletava alimentos, vestia mantos feitos com trapos e se restringia a três mantos. Ele respondeu; "Já é o suficiente, grande rei, meus três mantos estão completos.'
O rei Pasenadi então voltou para o Abençoado e após saudá-lo, sentou-se a um lado e disse: "É fantástico, venerável senhor, é maravilhoso como o Abençoado doma os indomados, traz paz para os perturbados e conduz ao Nibbana aqueles que ainda não alcançaram o Nibbana. Venerável senhor, nós mesmos não pudemos domá-lo com a força e armas e no entanto o Abençoado o domou sem força e sem armas. E agora, venerável senhor, nós partiremos. Estamos muito ocupados e temos muito que fazer."
"Agora é o momento, grande rei, para fazer o que você considera ser adequado."
Então o rei Pasenadi de Kosala levantou-se do seu assento e após homenagear o Abençoado, mantendo-o à sua direita, partiu.
14. Então, quando havia amanhecido, o venerável Angulimala se vestiu e tomando a sua tigela e manto externo, foi para Savathi para a coleta de alimentos. Enquanto ele perambulava de casa em casa em Savathi, ele viu uma certa mulher dando a luz a uma criança deformada. Vendo isso, ele pensou: "Como os seres sofrem! De fato, como os seres sofrem!"
Depois de haver perambulado em Savathi coletando alimentos ele retornou e após a sua refeição ele foi até o Abençoado e depois de homenageá-lo ele sentou-se a um lado e disse: "Venerável senhor, pela manhã me vesti e tomando a minha tigela e manto externo, fui para Savathi para a coleta de alimentos. Enquanto perambulava de casa em casa em Savathi, vi uma certa mulher dar à luz a uma criança defeituosa. Vendo isso, pensei: "Como os seres sofrem! De fato, como os seres sofrem!"
15. "Nesse caso, Angulimala, vá para Savathi e diga para aquela mulher: "Irmã, desde que nasci, não me recordo de intencionalmente haver privado da vida um ser vivo. Por essa verdade, que você fique bem e a sua criança fique bem!"
"Venerável senhor, não estaria eu contando uma mentira deliberada, pois intencionalmente privei da vida muitos seres vivos?"
"Então, Agulimala, vá para Savathi e diga para aquela mulher: "Irmã, desde que nasci com o nobre nascimento, não me recordo de intencionalmente haver privado da vida um ser vivo. Por essa verdade, que você fique bem e a sua criança fique bem!"
"Sim, venerável senhor", o venerável Angulimala respondeu e tendo ido até Savathi disse para aquela mulher: "Irmã, desde quando nasci com o nobre nascimento, não me recordo de intencionalmente haver privado da vida um ser vivo. Por essa verdade, que você fique bem e a sua criança fique bem!" Então a mulher e a criança melhoraram.
16. Depois de não muito tempo, permanecendo só, retirado, diligente, ardente e decidido, o venerável Angulimala, realizando por si mesmo com o conhecimento direto, aqui e agora entrou e permaneceu no que é o objetivo supremo da vida santa pelo qual com razão membros de um clã adotam a vida santa. Ele soube que:"O nascimento está destruído, a vida santa foi vivida, o que devia ser feito foi feito, não há mais vir a ser em nenhum estado". E o venerável Angulimala se converteu em um dos arahants.
17. Então, quando havia amanhecido, o venerável Angulimala se vestiu e tomando a sua tigela e manto externo, foi para Savathi para a coleta de alimentos. Agora naquela ocasião alguém jogou um torrão de terra e atingiu o corpo do venerável Angulimala, outra pessoa jogou um pau e atingiu o seu corpo e outra pessoa jogou um pedaço de cerâmica e atingiu o seu corpo. Então, com o sangue jorrando da sua cabeça cortada, com a sua tigela quebrada e com o seu manto externo rasgado, o venerável Angulimala foi atá o Abençoado. O Abençoado o viu chegando à distância e lhe disse: "Agüente, brâmane! Agüente, brâmane! Você está experimentando aqui e agora o resultado de ações pelas quais você poderia ser torturado no inferno durante muitos anos, por muitas centenas de anos, por muitos milhares de anos."
18. Então, enquanto o venerável Angulimala estava sozinho em retiro, experimentando o prazer da libertação, ele pronunciou o seguinte:

"Quem antes vivia em negligência
e depois não é mais negligente,
Ele ilumina o mundo
Tal como a lua liberta das nuvens.

Quem inspeciona as más ações que cometeu
Praticando ações benéficas no seu lugar,
Ele ilumina o mundo
Tal como a lua liberta das nuvens.

O jovem bhikkhu que dedica
O seu esforço aos ensinamentos do Buda,
Ele ilumina o mundo
Tal como a lua liberta das nuvens.

Que meus inimigos ouçam um discurso do Dhamma,
Que eles se dediquem aos ensinamentos do Buda,
Que meus inimigos cuidem dessas pessoas de bem
Que conduzem outras a aceitarem o Dhamma.

Que meus inimigos prestem atenção ocasionalmente
E ouçam o Dhamma daqueles que pregam a tolerância,
Daqueles que também falam em favor da bondade,
E que eles sigam esse Dhamma com ações bondosas.

Pois então com certeza , eles não irão desejar causar dano a mim,
Nem pensarão em causar dano a outros seres,
Portanto, aqueles que protegem a todos, fracos ou fortes,
Que eles alcançem a paz insuperável.

Aqueles que fazem canais, conduzem a água,
Arqueiros endireitam as flechas,
Carpinteiros endireitam a madeira,
Mas os homens sábios buscam domar a si mesmos.

Existem alguns que são domados com surras,
Alguns com grilhões e alguns com chicotes;
Mas eu fui domado por alguém só
Que não possui vara ou nenhuma arma.

'Inofensivo' é o nome que tenho,
Embora eu tenha sido perigoso no passado.
O nome que tenho hoje é verdadeiro:
Eu não machuco nenhum ser vivo.

Embora tenha vivido no passado como um bandido
Com o nome de 'Colar de Dedos',
Aquele arrastado pela grande correnteza,
Eu procurei refúgio no Buda.

Embora tivesse no passado as mãos tingidas de sangue
Com o nome de 'Colar de Dedos',
Veja o refúgio que encontrei:
O grilhão de ser/existir foi partido.

Enquanto que muitas ações que pratiquei conduzem
Ao renascimento no inferno,
No entanto o seu resultado já me atingiu agora,
E assim, me alimento livre das minhas dívidas.

Eles são tolos e não possuem noção,
Aqueles que se entregam à negligência,
Mas aqueles com sabedoria protegem a diligência
E a tratam como seu maior bem.

Não abram caminho para a negligência
Nem busquem prazer nos prazeres sensuais,
Mas meditem com diligência
De forma a alcançar a felicidade perfeita.

Dessa forma sejam bem vindos à escolha que fiz
E que ela permaneça assim, pois não foi mal feita;
De todos os Dhammas que são conhecidos
Eu encontrei o melhor.

Dessa forma sejam bem vindos à escolha que fiz
E que ela permaneça assim, pois não foi mal feita;
Eu alcancei o conhecimento tríplice
E fiz tudo o que o Buda ensina."

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