A Associação Meditar é uma sociedade civil sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne as 4ª feiras - 20 h - e aos sábados - 8 h - para meditar e estudar na Academia Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Videofórum "As religiões do mundo e a ética global"


8º ENCONTRO Religiões Afro-brasileiras – Resistência do povo negro na fé


Muitas das pessoas presentes no 8º encontro do videofórum “As religiões do mundo e a ética global”, realizado na última quinta-feira, dia 1 de julho, em Cuiabá, sobre as Religiões Afro-brasileiras, desconheciam que a palavra macumba não tem raiz africana, mas sim indígena e significa, simplesmente, rezar.
Foi uma noite para quebrar preconceitos e obter informações novas e mais precisas sobre o que seja o candomblé, a umbanda e outras religiões brasileiras, com raiz africana.
Uma outra informação surpreendente é que em Cuiabá há 380 templos de candomblé, escondidos em fundos de quintal, reclusos por conta do preconceito nas casas dos babalorixás, que são os líderes espirituais dos terreiros.
Religiões afro-brasileiras são, de fato, sinônimo de resistência. “Com as famílias destroçadas, por conta do tráfico de escravos que separava pai e mãe de filhos, o que os negros fizeram? Reconstruíram essas famílias na fé. É por isso que babalorixá significa papai e as outras figuras religiosas também têm significados familiares: mamãe, filho mais novo, filho mais velho e outras. O terreiro torna-se, portanto, o espaço de reconstrução da vida.
O documentário exibido, “Mojubá”, que significa “meus respeitos”, tratou ainda do viés histórico e antropológico dessas religiões, mostrou terreiros de reza para desmistificá-los, deu voz a pesquisadores e estudiosos do tema.
O babalorixá João Bosco, professor de História e educador, estando no momento gerente de Diversidade Étnico-racial, Direitos Humanos em Educação, Gênero e Sexualidade da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), convidado da noite, explicou que o sincretismo religioso, que abraça negros, indígenas e portugueses, norteou por séculos a construção da fé brasileira com raiz africana. É impossível influenciar, como fizeram os portugueses, sem serem também influenciados pelos negros e índios. No camdomblé, os vestidos do tipo bolo de noiva das baiana é figurino europeu. Já o bate cabeça no altar católico, em respeito aos santos, é um comportamento tipicamente africano. E a macumba, como já dito, vem dos índios, que rezavam em torno de uma árvore com esse nome. Os portugueses queriam uma América católica, mas aqui já haviam índios, com suas crenças, e, além dos índios, para cá foram arrastados, acorrentados, os africanos, que também trouxeram consigo suas crenças, no imaginário e no coração. É por isso que lhes arrancaram a pátria, o nome e sobrenome, a família e os títulos, mas não o seu Deus.
A Bahia é um espaço onde essa mistura sincrética se dá com naturalidade. As pessoas entram em igrejas e terreiros, num movimento ecumênico. Os santos católicos encontram simulacros no candomblé e outras religiões afro-brasileiras. Mas, para João Bosco, o candomblé contemporâneo não aceita mais essa correlação entre igrejas. Segundo ele, essa foi uma forma de resistir ao preconceito. “Mas não precisamos mais disso. Já podemos conquistar o nosso direito de ter nossa religião, sem medo”.
As religiões afro-brasileiras são monoteístas, buscam no transe o encontro com o divino e imolam animais para alimentar as energias cósmicas.
Como religiões tão cheias de simbolismo podem ter resistido por tantos séculos na reclusão? Bosco diz que isso vem do governo imperial, que já fazia de tudo para não deixar que o povo africano se aglutinasse. Então, começa daí uma campanha que ainda perdura, segundo ele, para demonizar as crenças brasileiras de raiz africana. Em 1822, com a proclamação da independência formal do Brasil, acreditava-se que isso poderia mudar, mas na Constituição de 1824, pilar sobre a qual aquela nova liberdade alçava vôos, em seu artigo quinto já trazia uma afronta contraditória. Só a religião católica era permitida no Brasil; todas as outras estavam proibidas.
Além do Estado e das leis, para Bosco, a família também repete preconceitos, assim como a escola e os meios de comunicação. “Estava assistindo à minissérie ‘Na Forma da Lei’, na rede Globo, semana passada e ouvi assim: o bandido mais perigoso do episódio se chama Exu Caveira. Olha o nome! Mas Exu não é isso que falam por aí e que está em nosso imaginário. Exu é o sangue que corre nas veias, o dinamismo, a alegria de viver, o ato sexual, o ser que vai nascer”, explica Bosco.
Há muita diversidade dentro das religiões afro-brasileiras. Bosco explicou que o candomblé, por exemplo, entende que há apenas uma vida e após a morte vamos nos encontrar um dublê da gente mesmo, o egun (alma). Voltamos então a ser molécula. O que populares chamam de alma penada são almas com dificuldade para reencontrar seu dublê. Há rituais no candomblé justamente para encaminhá-las. Já em outras crenças, como a Umbanda, acredita-se em reencarnação e outras vidas.
As religiões afro-brasileiras não são proselitistas. Bablorixás não saem às ruas em busca de fiéis, mas acreditam que, mais dia, menos dia, quem tem que se aproximar vai chegando e encontrando sua casa, seu quintal, seu terreiro, até que receba o pleno e afetivo abraço de Xango. Muito axé!
O próximo e último encontro do videofórum será na próxima quinta-feira, das 19 às 21h, no Colégio CIN, próximo à Clínica Femina. Entrada aberta.
O videofórum é realizado pelo Centro Burnier Fé e Justiça, em parceria com o Instituto Humanitas Unisinos (IHU), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) e o movimento Círculo da Paz, e está dentro da proposta de diálogo entre as religiões em favor da cultura mundial da paz.

Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa do Centro Burnier Fé e Justiça
(65) 9922-9445
(65) 3023-2959

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