A Associação Meditar é uma sociedade civil sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne as 4ª feiras - 20 h - e aos sábados - 8 h - para meditar e estudar na Academia Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

domingo, 18 de julho de 2010

As Seis Portas da Ação (6/6) - Thich Nhat Hanh







Sabedoria



O Sutra Prajña-paramita descreve a perfeição da sabedoria, prajña-paramita, como "as asas de um pássaro pode levar você para bem longe". É a fundação e a chave para a realização de todas as paramitas. Com este tipo de compreensão podemos praticar a doação, a plena consciência, a inclusividade, diligência e a meditação de maneira perfeita. Sem prajña-paramita, a perfeição das outras paramitas é impossível - sem asas você não pode ir longe.
No último capítulo aprendemos como a compreensão está presente na prática da meditação. Praticamos dhyana para produzir o insight da impermanência e do não eu na nossa vida cotidiana. Impermanência e não eu pertencem à dimensão histórica da realidade. Tudo é impermanente, tudo é sem uma existência separada. É somente quando tocamos profundamente a impermanência e o não eu, características da dimensão histórica, que somos capazes de tocar a dimensão última, o nirvana. Assim, quando a nossa prática de dhyana é informada por prajña conseguimos tocar o nirvana no interior da impermanência e do não eu. Nós nos damos conta de que não existe separação entre a dimensão histórica e a dimensão última. Isto é prajñaparamita.
A prática da inclusividade significa que você tem a capacidade de aceitar e abarcar tudo - incluindo doenças, velhice e morte. Quando você traz o elemento de prajña para sua vida diária, mantendo o insight da impermanência e do não eu vivos em cada momento, você consegue tocar a base última do não nascimento e da não morte. Que é o mesmo que tocar o nirvana. E quando você consegue tocar a dimensão última, torna-se muito fácil aceitar e abraçar o nascimento e a morte, manifestação e não manifestação. É impossível praticar a inclusividade sem prajña, insight sobre a dimensão última, nirvana. Uma criança não fica triste quando um arranjo particular de cores e padrões no caleidoscópio desaparece, por que ela sabe que outra manifestação maravilhosa irá aparecer. Impermanência e não eu são simplesmente as voltas do caleidoscópio, onde uma manifestação logo abre caminho a outra.
Quando trouxermos prajña-paramita para a nossa prática de outras paramitas, então poderemos realmente aperfeiçoá-las. Teremos levado os ensinamentos dos bodhisattvas do Sutra do Lótus para o nosso dia-a-dia. A perfeição de dana é dar de maneira completamente livre da noção de que existe uma separação entre o doador, o objeto e recebedor. Esta é uma prática muito profunda, e prajña está na sua base. Dar perfeitamente, dana-paramita, pode acontecer somente sobre o solo da perfeita compreensão, prajña-paramita.
Podemos trazer o elemento de prajña para qualquer prática, como reverenciar. A tradição budista tem este belo gatha: "Aquele que reverencia e aquele que é reverenciado são perfeitamente vazios". Como podemos entender isso? Sabemos que o Buda é feito de elementos não Buda, incluindo nós mesmos. E você é feito de elementos não você, incluindo o elemento Buda. Este insight acerca da natureza do vazio e a natureza vazia do Buda é prajna. Com esta compreensão poderemos remover as fronteiras entre aquele que reverencia e aquele que é reverenciado. Quando reverencia aquele que é a imagem da perfeição, o absoluto, o Buda, você se vê refletido e consegue reconhecer esta perfeição última em você mesmo. Não existe separação entre você e o objeto de sua reverência, e então você experimenta uma grande conexão com o Buda interior. Se você permanecer inteiramente você e o Buda permancer inteiramente o Buda, um profundo contato e uma profunda comunicação entre vocês não será possível.
Compreender o vazio das coisas desta maneira é prajña-paramita, perfeita sabedoria e é a base da nossa prática de reverenciar ou de qualquer outra prática nossa. Quando realizamos a perfeita compreensão na nossa prática das paramitas, então descobriremos que já somos livres. Compreendendo que o nascimento e a morte são apenas um jogo, um jogo de esconde-esconde entre a dimensão histórica e a dimensão última, tornamo-nos completamente livre do medo. Através do Sutra do Lótus, vemos a possibilidade da compreensão perfeita. Podemos entrar no Grande Veículo do bodhisattvas e, junto com todos os seres vivos cruzar rumo à margem da libertação.

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