A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

(Atenção!!! - Em Julho, no período de recesso, estaremos com outro local de prática! O endereço é na Rua Professora Neuza Lula Rodrigues, n. 150, Casa 11 - Resid. Canachuê - B. Jardim Santa Amália.) Sempre aos sábados, das 07h às 08h! Informações: (65) 9.8143-4379 - Ivan.

sábado, 10 de julho de 2010

As Seis Portas da Ação (4/6)



Diligência

A próxima paramita, virya, é muito frequentemente mal interpretada. Trazer a qualidade da diligência para a nossa prática não quer dizer que tenhamos que se esforçar ao extremo e sofrer bastante. Muitas pessoas pensam que ser um praticante diligente significa ter que praticar meditação sentada por uma ou duas horas ou ter que se sentar o dia inteiro até que sinta dor pelo corpo e pense que isso é bom. Você é capaz de dar duro e, assim, sente-se como um herói. Você pode suportar a dor em seu corpo e em sua mente. Você conseguiu. Sobreviveu a um retiro.
Isto não é a prática de virya. Você não precisa sofrer para progredir na prática. A verdadeira diligência, a energia e o esforço saudáveis na nossa prática, nasce da alegria. O ponto principal da prática não é criar mais sofrimento, mas trazer o bem estar, a transformação e a cura. Não estamos praticando somente para atingir um estado melhor no futuro, mas para entrar em contato com a alegria e a paz disponíveis já, em cada momento. Se você praticar com a atitude correta, você se aliviará do sofrimento imediatamente.
Quando você respira, senta, caminha e observa com plena consciência, você se concentra e com esta concentração você consegue observar profundamente e tocar as maravilhas da vida que estão ao seu redor. O resultado é imediato. Ao inspirar, você é capaz de abraçar a sua dor, sua tristeza, e trazer alívio imediato. Se você continuar a praticar dessa maneira, você continuará a sentir um grande alívio, transformação e alegria. A plena consciência traz muitos tipos de benefícios. Se o objeto de sua plena consciência é algo agradável, sua alegria aumentará. Se o objeto de sua plena consciência for a dor, ela lhe trará alívio. Plena consciência sempre traz consigo a concentração e quando você vive concentrado você consegue ver profundamente no coração da realidade.
O ensinamento sobre a diligência é esclarecido quando tratamos dos Quatro Esforços Corretos. Estas são quatro práticas que nos ajudam a evitar novas situações de sofrimento e a transformar a sofrimento que temos. De acordo com a psicologia budista, nossa consciência tem a consciência armazenadora na sua base e a consciência mental no nível mais elevado. Na consciência armazenadora existem muitas sementes, saudáveis e não saudáveis. Estas sementes são o resultado das nossas ações passadas e elas podem se manifestar ou permanecer adormecidas, dependendo de como cuidamos delas.
Assim, a primeira das quatro práticas da diligência é não plantar novas sementes negativas em nossa consciência. Se a semente de um ato não saudável do corpo, da fala ou da mente não tiver sido ainda plantada em você. Não plante. Por exemplo, se você não tem a semente de usufruir das drogas, do álcool ou de outras coisas que perturbam sua saúde e sua estabilidade física e mental, então não se exponha a situações nas quais esta semente possa ser plantada na sua consciência. Este é o primeiro elemento da diligência e temos de usar nossa inteligência e compreensão para praticá-lo.
A segunda prática da diligência diz respeito ao que fazer com as sementes negativas que já temos. Isto implica em arranjar sua vida diária de modo a que tais sementes não tenham chance de se manifestar e crescer. Temos que praticar uma maneira de viver que não alimente as sementes de raiva, desespero e apego em nós, todos os dias. Criar um ambiente são, saudável para nós e nossas crianças é uma grande tarefa. Temos que criar comunidades onde possamos estar em contato com as maravilhas da vida e onde sejamos rodeados por outros que praticam o viver plenamente consciente, para que as sementes negativas que estão em nós e nossos filhos não sejam irrigadas todos os dias.
Por vinte anos eu tenho falado acerca da necessidade de criar comunidades de resistência, comunidades de vida consciente que ofereçam uma alternativa aos modos de vida doentios e destrutivos nas quais tantas pessoas estão engajados.
Estamos sendo constantemente expostos a coisas negativas na sociedade, agredidos dia e noite pelo que vemos e ouvimos. As sementes negativas em nós são aguadas todos os dias e continuam a crescer. É por isso que é tão importante refletir sobre como organizarmos nossas famílias e comunidades para que elas sejam protegidas da constante invasão e agressão do apego, da hostilidade e ilusão. Se não nos protegermos da influência desses venenos, não conseguiremos ajudar e proteger outros, incluindo nossos próprios filhos e pessoas amadas.
A segunda prática inclui não permitir que as sementes negativas em nós sejam aguadas e se manifestem no nível da consciência mental. Quando elas se manifestam nesse nível, sua base é reforçada. Uma semente que é simplesmente mantida em nossa consciência armazenadora por um longo período, se tornará gradualmente mais fraca. Mas se tiver a chance de se manifestar em nossa consciência mental, então ela continuará a crescer desde a base. Então, temos de praticar diligentemente para não aguar as sementes negativas do desespero, raiva, apego etc.
A terceira prática da diligência é irrigar as sementes positivas que já estão depositadas na nossa consciência armazenadora. Se essas boas sementes ainda não se manifestaram, praticamos para ajudá-las a se manifestar. Se elas já se manifestaram tentaremos mantê-las o máximo possível na nossa consciência mental. Repetindo, nosso ambiente é muito importante. Quando nos cercamos de bons amigos, bons irmãos de Dharma e irmãs, eles podem nos ajudar a entrar em contato com as sementes positivas em nossa consciência armazenadora, a irrigá-las e manifestá-las.
Como isso funciona? Suponha que você comece a sentir com raiva; ao invés de se deixar consumir por essa emoção você ouve uma palestra de Dharma ou conversa com um de seus irmãos ou irmãs de Dharma. Isso pode evitar que a semente de raiva se manifeste completamente e, assim, você pode, ao invés, manifestar bondade amorosa. É como trocar de canal de televisão. Se você encontra o canal correto, você recebe uma boa imagem; e toda a vez que você vê uma imagem negativa, você muda de canal. Nossa consciência também funciona assim. Existem milhares de canais em nossa consciência e está nas nossas mãos escolher o canal correto, o canal do Buda e dos bodhisattvas, ao invés do canal dos fantasmas famintos.
A quarta prática da diligência é manter as sementes positivas que se manifestaram para que continuem a se fortalecer e crescer. Quanto mais segurarmos essas sementes na nossa consciência mental, mais fortes elas cresceram na base, na nossa consciência armazenadora. Elas são como convidados maravilhosos que queremos hospedar em nossa consciência armazenadora para que elas tenham a oportunidade de crescer na base. Isso é chamado de transformação na base. E ao mesmo tempo que as sementes saudáveis continuam a crescer, as sementes doentias continuam a se enfraquecer.
Diligência requer compreensão e outras paramitas para poder ser praticada melhor, de uma maneira mais efetiva. A prática de shila, dos treinamentos da plena consciência, é um bom método para criar ambientes saudáveis para nós, nossa família e nossa comunidade, e assim possamos praticar a diligência. Podemos conseguir um bocado de alegria praticando as outras paramitas, ainda que muitos de nós pensem que virya-paramita tem que ser difícil .Assim praticamos duramente, acreditando que esta é a melhor e a mais rigorosa maneira de praticar, mas nossa prática é sem alegria e sofremos. Praticar a diligência dessa maneira não irá nos trazer bons resultados, não importa o quanto dermos duro. É por isso que nossa prática deve ser informada por prajna, compreensão. Com os elementos da compreensão nossa prática trará bastante alívio e alegria rapidamente, será de cura e transformação e isso encorajará você a ser mais diligente na sua prática.

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