A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

(Atenção!!! - Em Julho, no período de recesso, estaremos com outro local de prática! O endereço é na Rua Professora Neuza Lula Rodrigues, n. 150, Casa 11 - Resid. Canachuê - B. Jardim Santa Amália.) Sempre aos sábados, das 07h às 08h! Informações: (65) 9.8143-4379 - Ivan.

domingo, 12 de outubro de 2014

Ensinamento para crianças

Sidarta quietamente fez um gesto para que as crianças sentassem e disse: “Vocês todas são crianças inteligentes e eu estou certo que serão capazes de entender e praticar as coisas que eu partilharei com vocês. O Grande Caminho que eu descobri é profundo e sutil, mas qualquer um desejando aplicar seu coração e mente pode entendê-lo e segui-lo.”

“Quando você, criança, descasca uma tangerina, pode comê-la com consciência ou sem consciência. O que significa comer uma tangerina com consciência? Quando você está comendo uma tangerina está consciente que está comendo uma tangerina. Você experimenta totalmente sua adorável fragrância e gosto doce. Quando você descasca a tangerina, sabe que está descascando a tangerina; quando remove um gomo e o coloca em sua boca, sabe que está removendo um gomo e o colocando na boca. Quando experimenta sua adorável fragrância e gosto doce, está consciente que está experimentando seu gosto doce e adorável fragrância.”

“A tangerina que Nandabala me ofereceu tem nove gomos. Eu comi cada gomo em plena consciência e vi o quão preciosos e maravilhosos eram. Eu não esqueci a tangerina, e portanto a tangerina era real, a pessoa comendo a tangerina era real. Isto é que é comer uma tangerina de forma consciente.”

“Crianças o que significa comer uma tangerina sem plena consciência? Quando você está comendo uma tangerina, não sabe que está comendo uma tangerina. Não experimenta a adorável fragrância e o gosto doce da tangerina. Quando você descasca a tangerina, não sabe que está descascando uma tangerina. Quando remove um gomo e põe na sua boca, não sabe que está removendo um gomo e o colocando em sua boca. Quando sente o cheiro da fragrância ou o gosto de uma tangerina, não sabe que está sentindo o cheiro da fragrância ou o gosto da tangerina. Ao comer uma tangerina deste modo, você não pode apreciar sua preciosa e maravilhosa natureza. Se você não está consciente que está comendo uma tangerina, a tangerina não é real. Se a tangerina não é real, a pessoa que a está comendo também não é real. Crianças, isto é comer uma tangerina sem plena consciência.”

“Crianças, comer uma tangerina em plena consciência significa que enquanto você come está verdadeiramente em contato com ela. Sua mente não está correndo atrás dos pensamentos de ontem ou de amanhã, mas está habitando totalmente no momento presente. A tangerina está verdadeiramente presente. Vivendo com plena consciência da mente significa morar no momento presente, sua mente e corpo habitando realmente no aqui e agora.”

“Uma pessoa que pratica a plena atenção pode ver coisas na tangerina que outros não são capazes de ver. Uma pessoa consciente pode ver a árvore de tangerina, o florescer da tangerina na primavera, os raios de sol e chuva que nutriram a tangerina. Olhando profundamente, a pessoa pode ver dez mil coisas que fizeram a tangerina possível. Olhando para a tangerina, uma pessoa que pratica plena atenção pode ver as maravilhas do universo e como todas as coisas interagem umas com as outras. “

“Crianças, nossa vida diária é justamente como a tangerina. Como a tangerina é dividida em gomos, cada dia é dividido em 24 h. Uma hora é como um gomo da tangerina. Viver todas as 24hs do dia é como comer todos os gomos da tangerina. O caminho que eu encontrei, é o caminho de viver cada hora do dia em plena atenção, mente e corpo sempre habitando no momento presente. O oposto é viver no esquecimento, não saber que estamos vivos. Não experimentamos totalmente a vida porque nossa mente e corpo não estão habitando no aqui e agora.”

Gautama olhou para Sujata e disse seu nome.

“Sim, Mestre?” Sujata juntou as palmas das mãos.

“Você acha que uma pessoa que vive em plena atenção fará muitos erros ou poucos?”

“Respeitável Mestre, uma pessoa que vive em plena atenção fará menos erros. Minha mãe sempre me diz que uma menina deveria prestar atenção à maneira como anda, fica em pé, fala, ri e trabalha de forma a evitar pensamentos, palavras e ações que possam causar lamento para ela mesma e para os outros.”

“Isso mesmo, Sujata. Uma pessoa que vive em plena atenção sabe o que está pensando, dizendo e fazendo. Tal pessoa pode evitar pensamentos, palavras e ações que causam sofrimento para ela mesma e para os outros.”

“Crianças, viver em plena atenção significa viver no momento presente. Uma pessoa é consciente do que está acontecendo dentro dela e ao seu redor. A pessoa está em contato direto com a vida. Se a pessoa continua a viver desse modo, será capaz de profundamente entender a si mesma e ao que está a sua volta. Entendimento leva à tolerância e ao amor. Quando todos os seres se entenderem, eles se aceitarão e se amarão. Então não haverá tanto sofrimento no mundo. O que você pensa Svasti? As pessoas podem amar se elas são incapazes de se entender?”

“Respeitável Mestre, sem entendimento, o amor é bem difícil. Me lembra algo que aconteceu com minha irmã Bhima. Uma vez ela chorou a noite toda até que minha irmã Bala perdeu a paciência e deu umas palmadas nela. Isso apenas fez Bhima chorar mais. Eu peguei Bhima e percebi que ela estava com febre. Tinha certeza que sua cabeça deveria estar doendo por causa da febre. Chamei Bala e disse a ela que colocasse a mão na testa de Bhima. Quando ela fez isso entendeu de uma vez porque Bhima estava chorando.Seu olhos amoleceram e ela pegou Bhima nos seus braços e cantou para ela com amor. Bhima parou de chorar mesmo ainda com febre. Respeitável mestre, penso que isto aconteceu porque Bala entendeu o porque de Bhima estar chateada. E assim penso que sem entendimento, o amor não é possível.”

“Isso mesmo Svasti! O amor só é possível quando há entendimento. E somente com amor pode haver aceitação. Pratiquem viver em plena atenção crianças e vocês aprofundarão seu entendimento. Serão capazes de entender a vocês mesmos, às outras pessoas e todas as coisas. E vocês terão corações de amor. Este é o caminho que eu descobri.”

Svasti juntou as palmas das mãos. “Respeitável Mestre, podemos chamar este caminho do ‘Caminho da Plena Atenção’?”

Sidarta sorriu “Claro. Podemos chamá-lo de o Caminho da Plena Atenção. Eu gosto muito. O Caminho da Plena Atenção leva ao perfeito Despertar.”

Sujata juntou as palmas das mãos e pediu permissão para falar. “Você é aquele que despertou, aquele que mostra como viver em plena atenção. Podemos chama-lo de ‘O Desperto’?”

Sidarta fez que sim com a cabeça. “Isto me agradaria muito.”

Os olhos de Sujata brilharam. Ela continuou “Desperto em Magadhi é pronunciado como budh. Uma pessoa desperta deveria ser chamada Buda em Magadhi. Podemos chamá-lo de Buda?”

Sidarta fez que sim com a cabeça. Todas as crianças estavam extasiadas. Nalaka, um menino de 14 anos, o mais velho do grupo falou: “Respeitável Buda, estamos muito felizes de receber seus ensinamentos sobre o Caminho da Plena Atenção. Sujata me disse como você meditou sobre esta árvore nos últimos 6 meses e como na última noite obteve o Grande Despertar. Respeitável Buda, esta árvore é a mais bonita da floresta. Podemos chama-la de ‘Árvore do Despertar’, a ‘Árvore Bodhi’? A palavra bodhi divide a mesma raiz da palavra Buda e também significa despertar.”

Gautama fez que sim com a cabeça. Ele também estava deleitado. Ele não tinha adivinhado que durante seu encontro com as crianças o caminho e mesmo a grande árvore receberiam nomes especiais.

(Traduzido do livro “Old Path White Clouds” sobre a vida do Buda – Thich Nhat Hanh)


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