A Associação Meditar é uma sociedade civil sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne as 4ª feiras - 20 h - e aos sábados - 8 h - para meditar e estudar na Academia Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Contribuições Budistas para a Construção de uma Sociedade Justa




Todos sabemos que a construção de uma sociedade justa, democrática e civil não depende apenas daquilo que fazemos mas, acima de tudo, daquilo que somos. Temos que ser a própria mudança antes que possamos fazer mudanças em nossa sociedade. Estar em paz é a base para gerar paz. Sem transformação e cura pessoais não seremos suficientemente calmos e compassivos para usar a fala amorosa e a escuta profunda, e nossos esforços não ajudarão a mudar nossa sociedade. Assim, nossa prática pessoal e a prática de nossa sangha são essenciais para a mudança que queremos ver no mundo.

As raízes da guerra e do conflito estão dentro de nós. Temos que reconhecer as aflições dentro de nós, abraçá-las e transformá-las: raiva, ódio, discriminação, orgulho, desespero. A prática consiste em olhar profundamente suas raízes, compreendê-las e aprender a transformá-las. Precisamos dar ouvidos ao nosso próprio sofrimento e ao sofrimento de nossa família, comunidade e nação. Devemos ser capazes de ajudar uns aos outros a reconhecermos que essas aflições existem em cada um de nós e que ao longo de nossas vidas temos permitido o desenvolvimento dessas aflições.

Assim, cada um de nós deve assumir o compromisso de não regar as sementes de violência, ódio, discriminação e desespero que estão em nós. Em nossos relacionamentos com nossos cônjuges, ou entre pai e filho, mãe e filha, irmão e irmã, precisamos ajudar uns aos outros na prática, aprendendo sempre a ouvir o outro com compaixão, sempre utilizando a fala amorosa para ajudá-lo a reconhecer as aflições que carrega dentro de si. Também devemos usar a fala amorosa para regar as sementes de compreensão, compaixão, alegria e irmandade inerentes ao outro. Devemos nos ajudar para que possamos trazer a cura a nossas relações pessoais antes que possamos ajudar a curar a humanidade e a Terra. A cura é possível através de cada respiração, cada passo, cada pensamento, cada palavra e através dos atos mais simples, como sorrir para alguém.

A Terra está padecendo, nossa sociedade está padecendo e há tanto desespero e violência. Práticas budistas, como o Pensamento Correto (ou seja, pensar com base na não-discriminação, compaixão e compreensão), Fala Correta, Ação Correta e Modo de Vida Correto são cruciais para a cura de que todos necessitamos. Os jovens devem aprender a praticar o Nobre Caminho Óctuplo em suas famílias e nas escolas. As negociações de paz terão êxito apenas se ambas as partes em conflito tiverem compreensão mútua e souberem como fazer uso da escuta profunda e da fala amorosa. E este tipo de treinamento deve começar nos níveis mais básicos da educação. É isto que entendemos por educação da paz e é a forma de sairmos da guerra e da violência.

O Manifesto de 2000 da UNESCO contém 6 pontos e equivale à prática dos Cinco Treinamentos da Plena Consciência. Tanto os seis pontos quanto os Cinco Treinamentos abordam as questões de paz e justiça social no nível mais fundamental. Na tradição budista, após receber os Cinco Treinamentos da Plena Consciência, a pessoa que os tomou deve recitá-los a cada duas semanas e participar de sessões de estudo e discussões do Dharma para entrar mais a fundo em seus significados e para descobrir melhores formas de colocá-los em prática na vida diária, tanto na família como na sociedade.

Os Cinco Treinamentos nos ajudam a viver com mais simplicidade, dando-nos o tempo e a energia necessários para proteger a vida e ajudar aqueles que precisam realmente de nós. É possível ser feliz com uma vida simples, com tempo para tomarmos conta de nós mesmos, de nossa família, daqueles que sofrem e, ao mesmo tempo, promovermos uma justiça social maior. Muitos de nós correm atrás da fama, do poder, do sexo e do dinheiro durante toda a vida, mas mesmo aqueles que têm essas 4 coisas em abundância continuarão sofrendo muito se não tiverem compreensão e amor.

Quando praticamos o segundo treinamento da generosidade para oferecermos nosso tempo, energia e recursos materiais àqueles que necessitam realmente deles, nossa vida torna-se repleta de significado e realização. O Budismo e a prática dos Cinco Treinamentos têm muitos meios para levar mais justiça e compaixão à sociedade. Com plena consciência, compaixão e compreensão dentro de nós, agimos naturalmente, levando a cura a nossas relações, comunidade e sociedade. Devemos estar cientes das situações de injustiça, como desigualdade entre gêneros e a exclusão da mulher, a opressão de minorias, a exploração das crianças e dos pobres.

Há muitas formas de falarmos sobre injustiça e de chamarmos a atenção daqueles que sofrem e não são ouvidos. Podemos organizar passeatas para promover a paz, pois cada passo é um movimento em direção à paz. Não se trata de uma demonstração ou de um protesto, mas sim de uma verdadeira manifestação de paz, de irmandade. Podemos escrever declarações de amor a nossos políticos e representantes. Nossa sangha de Plum Village ofereceu retiros de plena consciência para policiais, membros do Congresso dos EUA, artistas e cineastas, ambientalistas, psicoterapeutas, líderes do comércio, assim como israelenses e palestinos. Os Cinco Treinamentos Budistas da Plena Consciência e os seis pontos do Manifesto de 2000 são a verdadeira prática da compreensão e do amor. São o caminho para uma sociedade justa.

O Budismo Engajado é o primeiro de todos os tipos de Budismo praticado ao longo de todo o dia, ininterruptamente, vivendo em plena consciência e concentração quando caminhamos, dirigimos, cozinhamos, vamos ao banheiro, etc. O Budismo Engajado também é a nossa prática dos Cinco Treinamentos da Plena Consciência dentro de nosso ambiente social. Praticamos a compreensão e o amor em nossa família, escola, local de trabalho, hospital, prisão, fábrica, exército, prefeitura e governo. Não precisamos usar termos budistas para trazer a prática à nossa vida diária.

A presença de plena consciência, concentração e insight, o espírito do interser, a não-discriminação, compreensão e compaixão são a própria presença do Budismo. Não temos que converter as pessoas ao Budismo, mas podemos inspirá-las a viver e trabalhar de acordo com este caminho nobre. Podemos encontrar felicidade no desenvolvimento da compreensão e da compaixão. Nosso índice para medir a felicidade, o sucesso e o progresso de nossa nação não deve ser o Produto Interno Bruto ou nosso poder aquisitivo, mas sim nosso nível de compreensão e compaixão.

Os quatro Brahmaviharas (bondade amorosa, compaixão, alegria e equanimidade) são energias ilimitadas que podem ser desenvolvidas para nossa felicidade e para a felicidade do mundo. Essas energias jamais ocorrem em excesso. A prática da produção e do consumo conscientes (o Quinto Treinamento da Plena Consciência) garante que sempre seguiremos o caminho do desenvolvimento sustentável. A verdadeira felicidade deve ser a base de nossas políticas de produção, consumo e desenvolvimento.

Nossa sabedoria é o interser, a Visão Correta Budista do mundo, no sentido de que tudo depende de todo o resto para se manifestar. Se outras espécies não podem sobreviver, então os humanos também não sobreviverão. Proteger o ambiente é proteger a nós mesmos. Não somos apenas nosso corpo e espírito, somos também nosso ambiente. Nosso ambiente é a retribuição de nossa ação coletiva (karma). Viver com simplicidade, desenvolver a compreensão e o amor, cuidar de nosso ambiente, assumir um compromisso em prol do desenvolvimento sustentável - em outras palavras, seguir o caminho do Buda.

Texto extraído do blog: http://www.sangavirtual.blogspot.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário