A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre aos Sábados, às 08h00, no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sintonia entre visão e ação - 2/5


Por Lama Padma Samten

A noção de mandala vem da compreensão de que construímos as realidades que nos circundam e que, quando construímos as realidades, nos construímos junto. Vemos que se trata de um processo inseparável, coemergente.
Ao construirmos mundos favoráveis e manifestações de sabedoria, nossa ação positiva se torna natural, desobstruída, compassiva e amorosa. A partir disso, o caminho espiritual com foco no controle das ações de corpo, fala e mente é substituído pela compreensão de que devemos observar e dirigir a forma pela qual nos construímos junto com os mundos. Construindo o mundo a partir da lucidez, teremos o corpo, a fala e a mente lúcidos.
Se construirmos o mundo a partir da ignorância, os impulsos de corpo, fala e mente surgirão dessa visão de mundo equivocada que desenvolvemos. Podemos ouvir as palavras de mestres espirituais e tentar seguir seus conselhos de como utilizar o corpo, a fala e a mente, mas tudo vai parecer muito artificial. Isso porque a sabedoria natural que estaremos usando vai brotar da compreensão que temos do mundo. Da compreensão equivocada de mundo não brota nada além de impulsos equivocados.
Mesmo cientes de que os mestres estão corretos, se não desenvolvermos a visão dos mestres, a nossa ação será contraditória e não veremos solução, nunca teremos descanso, estaremos sempre em conflito interno, nunca teremos um comportamento não-repressivo. Estaremos sempre fazendo esforços para seguir os conselhos dos mestres.
O aspecto do esforço é dramático. De tanto nos esforçarmos, um dia cansamos; quando chegamos nesse ponto, a queda é rápida, e dizemos: "Desisto. Se a espiritualidade fosse natural, eu andaria de forma naturalmente lúcida e válida. No entanto, tudo isso me parece artificial". Parece artificial porque precisamos de esforço constante, nunca encontramos um ponto de equilíbrio, precisamos constantemente relembrar o que ouvimos. De tanto esforço, terminamos desistindo.
Equivocadamente, podemos acreditar que a realidade convencional é muito poderosa, muito abrangente. Podemos pensar que, mesmo construindo uma realidade mais elevada, o que existe mesmo é a realidade convencional de dificuldades e sofrimento. Acabamos por desistir de tentar melhorar a nós mesmos e o mundo.
O caminho de tentar alterar o comportamento pode ser muito penoso, muito lento e, principalmente, de resultados incertos. Se a pessoa alterar o comportamento sem alterar a visão, é certo que mais adiante cairá novamente. O aspecto cíclico é um processo natural da vida, passamos por altos e baixos. Apenas a partir das mandalas de sabedoria teremos efetivamente a visão que permite a ação sem esforço. A visão surge sem esforço porque dentro de uma mandala de sabedoria não lutamos contra nós mesmos, mas vemos e agimos naturalmente. O caminho espiritual se manifesta sem conflitos internos.
Ao se começar pelo treinamento e pelo enquadramento a regras, compromissos e ações, surgem a repressão interna e a disciplina externa. O conflito torna-se inevitável, e o esforço será incessante, desgastante. Temos ações coerentes com nossa visão. Se formos treinados para ações que não estão harmonizadas com nossa visão de mundo, essas ações não terão força.
Eu pude observar meninos que aprendem a tocar violino em instituições para menores infratores. Aprender música é maravilhoso. Mas, quando os meninos saem da instituição, o violino torna-se inútil para eles. Muito frequentemente eles retornam à visão que os levou a praticar as ações que os conduziram à instituição. Mesmo tocando violino, as visões que eles têm do mundo, da família e do bairro não mudaram. Dentro da sua realidade, dentro de sua forma de olhar o mundo, dentro de sua mandala limitada, vender drogas naturalmente faz muito mais sentido do que tocar violino.
Assim, é essencial gerarmos uma visão de mundo para que as ações surjam de forma natural, sem esforço e sem contradições. As visões de mundo, que podem ser geradas individual e socialmente, potencializam as ações.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Budismo e cultura de paz - 1/5

Por Lama Padma Samten

Sua Santidade o Dalai Lama costuma resumir a filosofia budista em uma frase: "Faça o bem sempre que possível; se não puder fazer o bem, tente não fazer o mal". Uma das especialidades do budismo é a noção de que o mundo que nos circunda é inseparável de nós mesmos. Assim, se fazemos o bem para os demais seres e para o ambiente, estamos cuidando de nosso próprio bem. Se causamos mal aos outros e ao ambiente, estamos causando mal a nós mesmos. Todos estão ligados uns aos outros, todos dependem uns dos outros.
O conceito de interdependência budista também sustenta que nós – e tudo o que nos circunda – não temos a solidez que julgamos possuir. Atribuímos identidades e qualidades a tudo e a todos (inclusive a nós mesmos) a partir de uma visão limitada por um padrão binário de gostar e não gostar, querer e não querer.
A palavra para os mundos que surgem inseparáveis das nossas mentes é "mandala". Mandala não se refere apenas a um mundo material, mas à experiência desse mundo, ao observador, aos limites cognitivos, às energias de ação, às emoções e ao corpo.
Cada mandala surge inseparável de um tipo correspondente de inteligência viva e ativa. Essas inteligências são transcendentes, não pessoais, não corruptíveis e livres do tempo. Incessantemente disponíveis, podem ser reconhecidas e acessadas sem esforço ou luta a qualquer momento. A meta budista é sair das mandalas limitadas e chegar às mandalas de sabedoria, isentas do padrão binário de gostar e não gostar.
Todos os seres aspiram felicidade e proteção frente ao sofrimento. Nossos pais nos ensinam habilidades para nos aproximarmos da felicidade e nos protegermos. Nossos pais, professores e mestres nos ensinam também a disciplina, e com isso ampliamos nossa capacidade de atingir metas difíceis, atravessar ambientes perturbadores e exigentes e suportar as adversidades momentâneas na busca de realizações maiores.
O budismo nos ensina a capacidade de reconhecer mundos puros e inteligências puras, de tal modo que, instalados na experiência desses ambientes puros, as ações positivas sejam naturalmente realizadas sem esforço e sem contradição. Esses mundos puros são as mandalas de sabedoria.
Quando nos inserimos em uma mandala de sabedoria, adquirimos condições de realmente fazer o que é melhor para nós, para os outros, para a humanidade e o ambiente. Somos capazes de viver o amor e a compaixão com alegria e equanimidade, sem nos deixarmos abater pelas dificuldades que apareçam. O mundo ao nosso redor continua o mesmo, mas nós mudamos nosso olhar, e isso muda tudo. Quanto mais pura e mais ampla a mandala, maior a nossa liberdade e capacidade de gerar o bem. Além da inserção pessoal em mandalas de sabedoria, nós, como agentes da cultura de paz, vamos trabalhar para que os outros também possam fazer o mesmo, possam migrar para mandalas mais amplas.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Poema: Vazio


Por Lilian Kushi

Presencio,
sem querer,
os últimos momentos
de uma libélula
que entrou por minha janela...

Primeiro a vejo
voando pra cá e pra lá,
procurando não sei o quê;
depois a encontro
irremediavelmente
desacordada
no tapete da sala...

Suas asas tão transparentes,
antes tão agitadas,
agora dormem para sempre...

E algo em mim
se move no lugar
dela.

Algo que vai além da minha mente.
Algo de imenso valor,
de imensa importância,
chamado simplesmente
Vida:

sinônimo de
mudança,
de Inconstância!

Nunca saberei
quanto tempo ainda terei...
Nem quanto tempo
terão os que eu amo,
os que me cercam...
pequenos ou
grandes,
velhos ou jovens,
belos,
saudáveis-ou não...

Quem partirá primeiro?
Como, por quê, pra onde???

E é o Vazio que, inteiro,
me responde!!!

O Vazio silencioso
que ronda tudo e todos...

O Vazio do qual tento me esconder;
que tento,
em vão,
preencher-com milhares de coisas
que invento que tenho pra fazer...

O Vazio em que não consigo
sequer me olhar, me ver,
me adentrar,
me reconhecer,
me perder e
me encontrar...

O Vazio repleto de espaço
que se encontra dentro de mim
e em meu entorno;
dentro e ao redor de cada célula que me compõe...
o Vazio sem nenhum significado,
sem nenhuma forma,
idéia ou identidade:

o Vazio que eu chamo de Infinito e de Eternidade!

O Vazio no qual me crio!
No qual me deito,
me deixo,
me desfaço-
e recrio de novo,
e desfaço de novo,
continuamente...todos os dias.

E no qual se cria minha alma,
bem junto da poesia.

O Vazio da Divina Presença,
do Divino Presente,
do Divino Poeta,
do Divino Sem Começo
e Sem Fim-
Do Divino Eu Sou-
do Divino Aqui e Agora
sem mim.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os Sinos da Plena Consciência


Thich Nhat Hanh
(Capítulo do livro de Thich Nhat Hanh "The World We Have",tradução de Samuel Cavalcante)

Os sinos da plena consciência estão soando. Em toda a Terra, estamos experimentando inundações, secas e grandes incêndios naturais. O gelo está derretendo no Ártico e os furacões e ondas de calor estão matando milhares. As florestas estão desaparacendo rapidamente, os desertos estão se expandindo, espécies estão se extinguindo todos os dias e, mesmo assim, continuamos a consumir ignorando esses sinos que estão soando.

Todos nós sabemos que o nosso lindo planeta verde está em perigo. Nossa maneira de caminhar na Terra exerce uma grande influência nos animais e nas plantas. Mesmo assim, agimos como se nossas vidas cotidianas não tivessem nada a ver com as condições do mundo. Estamos como sonâmbulos, sem saber o que estamos fazendo ou para onde estamos indo. Se podemos acordar ou não vai depender de podermos caminhar com plena consciência sobre nossa Mãe Terra. O futuro de toda a vida, incluindo a nossa própria depende dos nossos passos vigilantes. Temos que ouvir os sinos da plena consciência que estão soando por toda a terra. Temos que começar a aprender a viver de um modo que o futuro seja possível para nossos filhos e netos.

Tenho sentado com o Buda por um longo tempo e o tenho consultado sobre o aquecimento global, e o seu ensinamento é bastante claro. Se continuarmos a viver como temos vivido até agora, consumindo sem pensar no futuro, destruindo nossas florestas e emitindo quantidades perigosas de dióxido de carbono, então mudanças climáticas devastadoras serão inevitáveis. Muito do nosso ecossistema será destruido. O nível do mar se elevará e cidades costeiras serão inundadas, forçando a saída de milhões de refugiados, criando guerras e epidemias de doenças doenças infecciosas.

Precisamos de um tipo de despertar coletivo. Entre nós, existem homens e mulheres que estão atentos, mas isso não é o suficiente; a maioria das pessoas está dormindo. Construímos um sistema que não podemos controlar. Ele se impôs a nós e nos tornamos seus escravos e vítimas. Para a maioria de nós que deseja ter uma casa, um carro, uma geladeira, uma televisão etc, precisamos sacrificar, em troca, nosso tempo e nossas vidas. Vivemos sob constante pressão do tempo. Antigamente, poderiamos dedicar três horas para tomar uma xícara de chá, desfrutando da companhia dos amigos em uma atmosfera serena e espiritual. Podíamos organizar festas para celebrar o desabrochar de uma orquídea em nosso jardim. Mas hoje não podemos mais fazer tais coisas. Dizemos que tempo é dinheiro. Criamos uma sociedade na qual os ricos se tornam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e na qual ficamos tão emaranhados em nossos próprios problemas imediatos que não temos mais condições de estar atentos ao que está acontecendo com o resto da família humana em nosso planeta terra. Na minha mente eu vejo um grupo de galinhas numa gaiola disputando um punhado de grãos, sem se darem conta de que em poucas horas irão todas ser mortas.

Os povos da China, Índia, Vietnã e outros países em desenvolvimento ainda estão sonhando o “sonho americano”, como se esse sonho fosse o objetivo absoluto da humanidade – todo mundo tem que ter um carro, uma conta bancária, um celular, uma televisão, só para si. Em vinte e cinco anos a população da China será de 1,5 bilhões de pessoas e se cada uma quiser dirigir seu próprio carro, ela precisará de 99 milhões de barris de petróleo por dia. Mas o mudo só produz 84 milhões de barris por dia. Então, o sonho americano não é possível para os povos da China, Índia ou Vietnã. O sonho americano não é mais possível nem mesmo para os próprios americanos. Não podemos continuar a viver dessa maneira. Não é uma economia sustentável.

Temos que ter um outro sonho, o sonho da fraternidade, da bondade amorosa e da solidariedade. Este sonho é possível aqui e agora. Temos o Dharma, temos os meios e temos sabedoria suficiente para sermos capazes de vivermos esse sonho. A plena consciência é o coração do despertar, da iluminação. Praticamos a respiração consciente para sermos capazes de estar aqui no momento presente de modo a reconhecer o que está acontecendo em nós e em torno de nós. Se o que está acontecendo dentro de nós é desespero, temos que reconhecê-lo e agir imediatamente. Talvez a gente não queira se confrontar com essa formação mental, mas é uma realidade, e temos que reconhecê-la para podermos transformá-la.

Não precisamos afundar no desespero por causa do aquecimento global; podemos agir. Só assinarmos uma petição, um abaixo-assinado, não vai ajudar muito. Ação urgente tem que ser feita nos níveis individual e coletivo. Todos nós temos um grande desejo de sermos capazes de viver em paz e em uma sociedade ambientalmente sustentável. O que a maioria de nós ainda não tem são maneiras concretas de fazer do nosso compromisso de viver de forma sustentável uma realidade de nossa vida no dia-a-dia. Não nos organizamos para tal. Não podemos apenas culpar os governos e as corporações da indústria química que poluem nossa água de beber, pela violência em nossos bairros, pela guerra que destrói tantas vidas. Já é tempo de cada um de nós acordar e tomar uma atitude em nossas próprias vidas.

Nós testemunhamos a violência, a corrupção e a destruição à nossa volta. Todos sabemos que as leis que temos não são fortes o bastante para controlar a superstição, a crueldade e os abusos de poder que vemos diariamente. Somente a fé e a determinação podem impedir que caiamos em um profundo desespero.

O budismo é a mais forte forma de humanismo que temos. Ele nos ajuda a aprender a viver com responsabilidade, solidariedade e amor. Cada praticante budista deveria ser um protetor do meio ambiente. Temos o poder de decidir o destino de nosso planeta. Se acordamos para nossa situação, haverá uma mudança na nossa consciência coletiva. Temos que fazer algo para despertar as pessoas. Temos que ajudar o Buda a despertar as pessoas que estão vivendo em um sonho.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Agenda Mensal


Queridos amigos, irmãos e irmãs no caminho da vida,

destacamos abaixo a agenda de atividades da Associação Meditar de Cuiabá. Informamos que a programação é gratuita e aberta a todos os interessados. Sejam muito bem-vindos. Paz a cada passo!

3a feira - 19 h - Tai Chi Chuan - 20 h - Meditação e estudo

Sábado - 08 h - Meditação e estudo

Segundo Sábado do mês - "Meditação no Parque: paz a cada passo" - 08 h
Domingo - Sessão Pipoca Zen - data informada no site (préviamente)

Informações:
(65) 3052-6634 - Ligia
(65) 9202-9925 - Ivan

Local: Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, nº 137 - Araés
(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Para descansar a alma


Monja Coen Sensei

Arranje um cantinho sossegado e uma almofada gostosa. Acenda um incenso de sândalo. Sente-se com as costas bem retas. Coloque as mãos sobre os joelhos, com as palmas para cima e balance o corpo lentamente da esquerda para a direita, de movimentos maiores a movimentos menores, como um pêndulo, até encontrar o centro de equilíbrio do corpo.
Pare aí. Inspire profundamente e solte o ar lenta e completamente pela boca. Relaxe os ombros. Inspire novamente e solte o ar pela boca. Então cerre os lábios, coloque a ponta da língua no céu da boca e respire pelas narinas. Mantenha os olhos entreabertos, apenas pousados a sua frente.
Ouça todos os sons. Sinta todas as fragrâncias. Perceba o ar, a temperatura em sua pele. Você está pensando? Ou não está pensando? Verifique sua postura. Costas eretas. Cabeça como se um fio puxasse para o céu. Pernas firmes pela força da gravidade. Não julgue. Nem certo nem errado, nem bonito nem feio. Seja. Apenas sentar. Intersendo com tudo que existe. Que bom estar viva. Este instante aqui e agora é o céu e a terra. Isso é tudo. Tudo é nada.

sábado, 13 de novembro de 2010

Sangha de Estudos do Zen em Joinville/SC


Medicina Interior
Palestra e prática com Ênio Burgos
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Dia 20.11 - "Mente, Corpo e Saúde"
Horário: 15:30 às 18:00
Aberta ao público
Colaboração sugerida - R$10,00 (dez reais)
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Dia 21.11 - "Medicina Interior"
Horário: 07:00 às 17:00
Aberta aos inscritos previamente no sábado (20.11)
Informações e inscrições: zenjoinville@gmail.com
Valor R$50,00 (cinquenta reais)
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*Toda contribuição será doada à Associação Meditar para construção do Centro Meditar Montanha da Borboleta Azul.
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Facilitador: Dr. Ênio Burgos, médico, físico, escritor e tradutor do Mestre zen Thich Nhat Hanh no Brasil. É fundador da Associação Meditar e da Editora Bodigaya.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Meditação no Parque: paz a cada passo - 13.11 (Sáb)


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

convidamos a todos para participarem no próximo sábado, 13.11, da prática de meditação andando - "Meditação no Parque: paz a cada passo", apartir das 8 h(pontualmente), no parque Mãe Bonifácia.

Ponto de encontro: Entrada principal (estacionamento de pedrinhas)
Percurso: Trilha interativa (40min.)
Recomendação: Levem água!

Destacamos que esta atividade é gratuita e aberta a todos os interessados!

** Atenção: Se estiver chovendo, meditaremos normalmente. Sugerimos que levem guarda-chuva!

Muita paz!

Que todos os seres possam se beneficiar!

Informações:
Ivan - (65)9202-9925
Ligia - (65)3052-6634

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Prática Semanal - 09.11 (terça-feira)

Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

lembramos a todos que amanhã, 09.11.10 (terça-feira), haverá prática de meditação e Thai Chi Chuan, na Academia Ligia Prieto. Destacamos que as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados. Assim, sejam todos bem-vindos, bienvenidos, welcome, namastê, haribool, gasshô! Muita paz e sanidade!

Thai Chi Chuan - 19:00
Meditação - 20:00
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Recomendamos roupas leves.
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Informações:
(65)3052-6634 - Ligia
(65)9202-9925 - Ivan

ViaZen de Porto Alegre/RS


Desenvolvimento de Liderança pelo Autoconhecimento

Evento especial com a Monja Coen Sensei
Dia: 25/11
Das 08h às 12h
Local:
Auditório do Banco Central do Brasil (BCB)
Rua Sete de Setembro, 586 - Centro de Porto Alegre/RS
Estacionamento: ao lado por R$ 10,00

domingo, 7 de novembro de 2010

Budismo e Ciência


Thich Nhat Hanh


Um dia um grupo de jovens de Kalama veio visitar o Buda enquanto ele estava naquela área. Eles perguntaram, “Querido professor, muitos professores vieram aqui e cada um deles defende que seu ensinamento é a verdade, é o absoluto. Cada um diz que deveríamos segui-los e não seguir a outro professor. Qual é a sua idéia?” O Buda disse: “Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso disse. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo.”

O que o Buda disse é verdadeiramente científico. O budismo não pode ser descrito como ciência, mas tem o espírito científico.

Como cientista, depois de algum tempo pesquisando e fazendo vários experimentos, você descobre algo. Feita a descoberta, você tem que publicar o que descobriu, porque acredita que descobriu a verdade, uma verdade científica. Depois de ter publicado seu achado em uma revista científica, outras pessoas irão olhar para ele e haverá um número muito pequeno de especialistas no seu campo de pesquisa que irão determinar se seu achado é verdade ou não. Para fazer isso, eles irão testar por eles mesmos. Eles não podem apenas dizer que o que você disse é verdade porque eles são especialistas naquele campo. Eles têm que provar com sua própria experiência. A grande maioria das pessoas que não é especialista no campo, apenas acredita, porque não temos meios de testar a descoberta de forma a verificar a verdade. Temos que acreditar em um número muito pequeno de cientistas daquele campo de atuação.

No domínio da ciência há muitas crenças. Acreditamos no que os especialistas dizem sem testarmos por nós mesmos. Mesmo assim, tendo sido provado que era a verdade, dez ou vinte anos depois uma nova verdade é considerada superior, mais profunda, mais verdadeira que a verdade anterior. E novamente haverá um punhado de especialistas que tentarão confirmar e nós, a maioria, vamos seguir. Neste caminho nos comportamos como pessoas religiosas, mesmo no domínio da ciência.

E sobre a prática do budismo? No budismo, o objeto de nossos estudos é a mente e como ela se relaciona com o sofrimento e a felicidade. Não estamos tão preocupados com a mesa ou a nuvem, com o átomo ou as estrelas. Mas estamos preocupados com o sofrimento e felicidade. Não somos filósofos. Não especulamos sobre felicidade e sofrimento. Queremos realmente observar nosso sofrimento, observar nossa felicidade. Queremos achar uma solução. Queremos nos liberar do sofrimento. Queremos trazer felicidade verdadeira. E esse é o trabalho real que não pode ser feito apenas falando.

Quando você senta em meditação, segue sua respiração e gera a energia da plena consciência e concentração, tem os instrumentos para trabalhar. Pode reconhecer e abraçar seu sofrimento. Pode cultivar o tipo de sabedoria que pode ajudar a desintegrar o sofrimento. Você pode fazer isso no espírito empírico – você realmente entra nele, e não apenas fala sobre ele. Seu sofrimento é a realidade e você o reconhece. Você entra nele, analisa e usa sua plena consciência, concentração e insight de forma a transformá-lo. É como um cientista usando seus instrumentos de forma a olhar profundamente na natureza do que está lá. E depois de usar o método de transformação e cura, você pode querer compartilhar isso com seus alunos ou amigos.

Há bons praticantes de meditação que tem mais ou menos o mesmo tipo de experiências. Eles tentam verificar e experimentar o mesmo tipo de coisa. Se eles forem bem sucedidos, podem dizer: “O que você nos disse é verdade. Eu tive a mesma experiência.” Mas muitas pessoas em volta apenas acreditam, sem ter a experiência. Portanto não há grande diferença entre ciência e budismo. Muitos budistas apenas acreditam. Há apenas um punhado de nós que podem testemunhar a verdade que foi descoberta.

Budismo às vezes descreve a mente e às vezes o mundo, mas essa descrição não é pelo prazer da descrição. A descrição objetiva a prática. Se você aprender sobre a mente é porque quer praticar bem. Não é porque quer uma bela doutrina sobre a mente. Se você falar sobre impermanência e não-eu não é pelo prazer de descrever a realidade como sendo impermanente e livre de um eu separado. Essa descrição é um instrumento que o ajuda a se liberar, porque a verdade da impermanência e não-eu podem te ajudar a superar seu desespero, seu medo e assim por diante. Portanto há uma diferença.

Quando um cientista estuda uma partícula, tem que usar instrumentos, aceleradores de partícula e outros, mas ele tem que usar a mente também. A maioria dos cientistas fica fora da partícula como um observador, e a partícula se torna o objeto da observação. Mas na experimentação dos praticantes budistas, você não fica fora como um observador. Não pode se estabelecer como observador. Tem que se tornar participante, porque o bloco de sofrimento que você experimenta não é o objeto de sua observação. É você. Você é o bloco de sofrimento. É por isso que o Buda disse para se praticar a contemplação do corpo no corpo, contemplação dos sentimentos nos sentimentos. Não é possível ficar de fora, em pé, observando. Você tem que se tornar uno com o objeto que observa. Esta é a diferença entre ciência e budismo, e os cientistas modernos começaram a ver isso.

O físico britânico David Bohm disse que de forma a realmente entender o átomo você teria que parar de ser apenas um observador. Deveria começar a ser um participante. Isto é muito próximo da disciplina da meditação.

A esquerda política acredita na ciência, no liberalismo, na razão. Eles lutam com todas as forças contra o fundamentalismo e o dogmatismo, mas ainda sofrem muito. Eles não têm força suficiente. Politicamente falando eles perderam a eleição. Como eles apóiam a ciência e a liberdade de pensamento, são anti-dogmáticos, sim, mas isto ainda não é suficiente. Eles não estão aptos a trazer a dimensão espiritual para dentro das suas vida. É possível ter dimensão espiritual na nossa vida diária, na nossa política, na nossa vida econômica, sem sermos capturados pelo fundamentalismo?

O Buda provou que era liberal, mas ele era profundamente espiritual. É por isso que ao falar em evolução biológica você tem que falar em evolução cultural, evolução espiritual, que tem o poder de nos liberar do dogmatismo e do fundamentalismo. A questão é como a ciência e a meditação podem dar as mãos de forma a ir em frente ao futuro, para nossa liberação. Esta é uma questão de nosso tempo.

Em agosto de 2006, teremos um retiro sobre a Mente e a Neurociência, e teremos uma chance de tocar nesse problema. Budismo às vezes parece uma religião, mas não é verdadeiramente uma religião. Às vezes parece ciência, mas não é ciência, por que estamos preocupados com a realidade última. Nós gostamos de fazer perguntas, mas também queremos nos transformar, nos curar. Há dentro do budismo uma tremenda fonte de sabedoria e experiência passada pelo Buda através de muitas gerações de praticantes. Podemos aprender muito de suas experiências de forma que possamos por nossa vez nos transformar e ajudar a curar e transformar o mundo.

(Transcrito de um Dharma Talk de Thich Nhat Hanh em um retiro para cientistas em 17 de novembro de 2005 em Plum Village)
Caso queira obter esse texto em formato Word
clique aqui

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nada a fazer, nenhum lugar para ir


Thich Nhat Hanh

Pergunta: Eu me sinto culpado quando não estou ocupado. Está tudo bem em não fazer nada?

Thay: Na nossa sociedade, estamos inclinados a ver o “fazer nada” como algo negativo, mesmo maligno. Mas quando nos perdemos de nós mesmos em atividades, diminuímos a qualidade do nosso ser. Fazemos a nós mesmos um desserviço. É importante nos preservar para manter o nosso frescor, bom humor, nossa alegria e compaixão. No budismo cultivamos a “falta de objetivos” e de fato na tradição budista a pessoa ideal, ou arhat ou um bodisatva, é uma pessoa sem negócios (businessless), alguém que não tem lugar para ir nem nada a fazer.

As pessoas deveriam aprender como apenas estar presente, não fazendo nada. Tente passar um dia fazendo nada; chamamos isto um “dia da preguiça”. Para muitos de nós que estamos acostumados a correr disto para aquilo, um dia da preguiça é na verdade um trabalho muito difícil! Não é fácil apenas estar. Se você pode estar feliz, relaxado e sorrindo quando não está fazendo nada, você é muito forte. Não fazer nada resulta em qualidade de ser, o que é muito importante. Portanto não fazer nada, na verdade é fazer algo. Por favor, escreva e exiba em sua casa: Não fazer nada é fazer algo.

Pergunta: Meu desejo por conquistas levou a muito sofrimento. Não importa o que eu faça, nunca sinto que é suficiente. Como posso fazer as pazes comigo mesmo?

Thay: A qualidade da sua ação depende da qualidade de seu ser. Suponha que você está desejoso por oferecer felicidade, fazer alguém feliz. Esta é uma coisa boa a fazer. Mas se você não está feliz, então não pode fazer isso. Para fazer outra pessoa feliz, você tem que estar feliz. Portanto há uma ligação entre fazer e ser. Se você não for bem sucedido em ser, não pode ser bem sucedido no fazer. Se você não sente que está no caminho certo, a felicidade não será possível. Isto é verdade para todos; se você não sabe onde está indo, você sofre. É muito importante perceber seu caminho e ver seu verdadeiro modo de ser.

Felicidade significa sentir que você está no verdadeiro caminho a cada momento. Não precisa chegar ao fim do caminho para ser feliz. O caminho correto se refere a modos muito concretos de você viver sua vida a cada momento. No budismo, falamos do Nobre Caminho Óctuplo: Visão Correta, Pensamento Correto, Fala Correta, Ação Correta, Modo de Vida Correto, Esforço Correto, Atenção Plena Correta e Concentração Correta. É possível para nós viver o Nobre Caminho Óctuplo a cada momento de nossas vidas diárias. Isto não apenas nos faz feliz, mas também àqueles ao nosso redor. Se você praticar o caminho, se tornará muito agradável, com muito frescor e muito compassivo.

Olhe para a árvore no quintal da frente. A árvore parece não estar fazendo nada. Fica parada ali, vigorosa, fresca e bonita e todos se beneficiam disto. Isto é um milagre do ser. Se uma árvore fosse menos que uma árvore, todos nós estaríamos com problemas. Mas se uma árvore é apenas uma árvore real, então há esperança e alegria. É por isso que se você puder ser você mesmo, isto já é uma ação. Ação é baseada na não-ação; ação é ser.

Há pessoas que fazem muito, mas que causam muitos problemas. Quanto mais tentam ajudar, mais problemas criam mesmo se têm as melhores intenções. Elas não são pacíficas, elas não são felizes. É melhor não tentar tão duramente, mas apenas “ser”. Então a paz e a compaixão serão possíveis em cada momento. Com base nisso, tudo que você disser ou fizer somente poderão ser úteis.

Se você pode fazer alguém sofrer menos, se você pode fazê-los felizes, se sentirá recompensado e receberá muita felicidade. Sentir que você é útil, que pode ajudar à sociedade: isto é felicidade. Quando você tem um caminho e você desfruta de cada passo no seu caminho, já é alguém, não precisa se tornar outra pessoa.

No budismo, temos a prática de apranihita, não ter objetivos. Se você põe em sua frente um objetivo, estará correndo por toda a sua vida e a felicidade nunca será possível. Felicidade é possível apenas quando você para de correr e desfruta do momento presente e de quem você é. Não é necessário ser outra pessoa; você já é uma maravilha da vida.

Pergunta: Quando estou fazendo uma coisa, minha mente vagueia para a próxima coisa ou volta para a última coisa. O que posso fazer para parar de sempre pensar sobre o caminho não tomado?

Quando você recebe muitas cartas, tem que decidir qual ler primeiro. Talvez haja duas cartas que você queira ler que perecem igualmente importantes. Mesmo assim, você tem que tomar uma decisão; tem que escolher uma para pegar primeiro. Depois de tomar a decisão fique com ela.

Quando você está cruzando uma ponte, não pense na ponte que você não está cruzando. Você no futuro terá que cruzá-la, mas somente depois de cruzar esta primeiro. Esta é nossa prática. O advogado pensa apenas no cliente que ele está no momento, não o cliente que está vindo em seguida. O médico apenas pensa no paciente a sua frente. Isto é concentração, plena atenção, uma mente que aponta para um só lugar. Se você não treinou sua capacidade de trazer toda a sua atenção para apenas um objeto, então haverá dispersão e perturbação. Você tem que estar cem por cento no aqui e agora.

Pergunta: Como posso incorporar a prática da plena atenção e viver no momento presente e ao mesmo tempo fazer planos para minha vida?

Thay: A prática da plena atenção não nos proíbe de planejar nosso futuro. É melhor não nos perdermos na incerteza e medo sobre o futuro, mas se estamos verdadeiramente estabelecidos no momento presente, podemos trazer o futuro para o aqui e agora e fazer planos.

Não estamos perdendo o momento presente quando pensamos sobre o futuro. Na verdade, o momento presente contém ambos o passado e o futuro. O único material de que o futuro é feito é do presente. Se você sabe como lidar com o presente da melhor maneira que pode, isto é tudo que pode fazer pelo futuro. Lidar com o momento presente com toda a sua atenção, toda sua inteligência já é construir o futuro.

Pergunta: Como podemos praticar consistentemente a plena consciência em um mundo que parece exigir corrida e pressa aonde quer que vamos? É possível ser plenamente consciente de estar ocupado e plenamente consciente de estar com pressa?

Thay: Iniciantes acham a plena atenção fácil quando eles a fazem lentamente. Mas se sua plena consciência é mais avançada, você pode fazer as coisas mais rapidamente. Apenas tenha certeza que você está sendo consciente. Você pode andar conscientemente, mas também pode correr conscientemente. É uma questão de planejamento. Deveria se tornar um hábito planejar de tal modo que tenhamos muito tempo para fazer cada coisa e não tenhamos que correr.

Suponha que você tenha que estar no aeroporto às 10 horas. Tente planejar de forma que você tenha muito tempo. Se possível adicione outra hora de forma a ter o prazer de fazer meditação caminhando no aeroporto. Quando dirigir, ao invés de pensar sobre seu destino, aproveite cada momento enquanto dirige. Quando fizer seu café da manhã, transforme a sua preparação em uma sessão de meditação, uma prática de plena consciência. Tente não pensar sobre o que você vai fazer depois do café da manhã. Aproveite cada momento e você trará alegria para toda a família. O segredo é habitar no aqui e agora e ser feliz a cada momento.

É claro, todos temos muito a fazer. Mesmo monges e monjas têm muitas coisas a fazer. Mas aprendemos a fazê-las com alegria e a não considerar as coisas que fazemos como trabalho. Esta é uma arte para ser cultivada e cada um de nós pode fazer isto. Se soubermos como consumir menos, não teremos que trabalhar tão duramente, não precisaremos de um salário maior e um carro mais caro para sermos felizes. Se soubermos a arte de viver de forma simples, então teremos muito mais tempo para viver nossas vidas de forma feliz e ajudar outras pessoas.

(Thich Nhat Hanh – do livro “Answers from the heart”)
(Traduzido por Leonardo Dobbin)
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Passageiro


Despido das vestes que não escolhi
Dos gestos que não são meus
Tento ser o que de essencial existe em mim
Sou todos e nem um
Sou o vazio que persiste
sou o discurso sem palavras ou intenções
o abraço eterno entre a origem e o fim

sou a verdade que de tão incerta
vive procurando razão
no que sempre será vivo enigma
ou obscuro objeto
que nunca estará seguro
entre os dedos da mão

sou o que vai aos extremos
para descobrir o repouso
que sempre esteve no meio do caminho
sou a certeza de que tudo passa
as obras, as intenções, Romas, Manhattans
e outras Babilônias.

(Autor: Paulo Wagner Moura de Oliveira)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

56a Feira do Livro de Porto Alegre/RS


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

informamos que a editora Bodigaya estará presente na 56a Feira do Livro de Porto Alegre -RS.

Especialmente no dia 06.11, às 14:00, haverá a palestra:
"O Dhammapada, O Nobre Caminho do Darma do Buda"; ed. Bodigaya.
Participantes: Reverendo Sunan Bhante Sunantho e Ênio Burgos
Local: Sala dos Jacarandás - Memorial do RS - Área Geral
Lançamanento do livro - 15:30.

Estão todos convidados!

Informações:

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Agenda de Atividades! Participe!!!

Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

destacamos abaixo a agenda de atividades da Associação Meditar de Cuiabá.

3a feira
- 19h - Tai Chi Chuan
- 20h - Meditação e estudo

Sábado - 08h - Meditação e estudo
.
Segundo Sábado do mês - "Meditação no Parque: paz a cada passo" - 8h
(local: Parque Mãe Bonifácia; entrada principal, estacionamento de pedrinhas!)

Domingo - Sessão Pipoca Zen - data préviamente informada no blog

Destacamos ainda que as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados.

Local:
Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, n. 137 - Araés
(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

Informações:
Ivan - 9202-9925
Ligia - 3052-6634

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Importância da Meditação


Se nós enquanto membros da raça humana praticarmos meditação, poderemos transcender nosso medo, desespero e esquecimento. Meditação não é uma escapatória. É a coragem de olhar para a realidade com plena consciência e concentração. Meditação é essencial para nossa sobrevivência, nossa paz, nossa proteção.


- Thich Nhat Hanh (Do livro "The World We Have")

Sobre o caminho


Os desafios às vezes parecerão insuperáveis e o fracasso inevitável. Nesses momentos, você precisará de uma comunidade para ajudá-lo a se expor repetidamente à aniquilação, de forma que aquilo que é indestrutível dentro de você aflore. Dando um passo de cada vez, você poderá atingir objetivos que pensou serem inalcançáveis. Ou talvez não. Mas, mesmo que você falhe, seu compromisso com o "sucesso além do sucesso" produzirá assombrosas mudanças que você, nesse momento, nem imagina. Como disse um colega, ninguém que embarca nessa jornada permanece o mesmo. O que quer que aconteça, você mudará para sempre.
Esse caminho não tem retorno e nunca termina. Não há onde chegar, nenhum objetivo final a conquistar; apenas limites mais e mais elevados do espírito humano. Sempre que acho que já tenho as respostas e que estou finalmente no controle, um desafio que excede minha capacidade de resposta me deixa mais humilde. Entretanto encontrei paz e satisfação no "sucesso além do sucesso". Estou certo de que sempre é possível assumir responsabilidades, agir com integridade e expressar meus valores transcendentes por meios habilidosos. Não restam dúvidas ou lugares onde se esconder. O "sucesso além do sucesso" é minha responsabilização incondicional. Às vezes desejo poder voltar: culpar os outros, sentir me vítima, dar-me ao luxo de usar padrões inconscientes. Mas não há caminho de volta. A conscientização é irreversível. Uma vez que você começe a enxergar, poderá se fingir de cego. Poderá enganar os outros, mas não será capaz de enganar-se.
-Fred Kofman

A Importância da Sangha


"A criação de Sanghas é crucial. Se você está sem uma Sangha você perde sua prática logo. Na nossa tradição dizemos que sem uma Sangha você é como um tigre que deixou a montanha e se foi."


- Thich Naht Hanh

(Sangha - comunidade de praticantes)

domingo, 24 de outubro de 2010

Ontem não é igual a hoje


Quando o olhar da mente é límpido, vemos tudo como realmente é, de modo natural. Mas assim que os olhos se distraem com objetos externos, não vemos mais. Perdemos a capacidade de ver corretamente. Sons e imagens nos atacam, nos arrastam, nos puxam. Coisas que deveríamos ver, não vemos. Coisas que deveríamos ouvir, não ouvimos. Não é assim?


Se escutarmos o rio sem atenção, a água que corre parece ter um ritmo constante e ininterrupto. Entretanto, nenhuma gota d'água passa duas vezes sobre a mesma pedra. Não é nunca a mesma gota que forma o leito do rio ou o murmúrio da correnteza. A imutabilidade é apenas uma ilusão dos olhos e dos ouvidos humanos. Uma vez que tenha passado, a água não corre nunca mais no mesmo ponto do rio.A vida humana não é diferente. Acreditar que ontem é igual a hoje é resultado de nossa ignorância e insensibilidade. São nossas mentes e nossos olhos deludidos que vêem o passado igual ao presente. Os olhos iluminados vêem claramente a imagem das coisas em eterno movimento e reconhecem que um instante é diferente de qualquer outro.

Shundo Aoyama Roshi
(Texto publicado no blog: http://sangavirtual.blogspot.com/)

sábado, 23 de outubro de 2010

Videofórum: "As religiões do mundo e a ética global"


As religiões do mundo e a ética global
Por Ivan Deus Ribas*

Este é o primeiro texto que escrevo para o site do respeitável Centro Burnier Fé e Justiça, onde, inicialmente, quero registrar meu sentimento de gratidão e dizer que a palavra respeitável usada acima é dita em profundidade, por reconhecer o trabalho desenvolvido por cada um dos seus colaboradores, pautados na solidariedade, no esforço sincero de desenvolver e resgatar o que há de melhor no ser humano.

Participei no início do mês de maio e até meados de agosto, deste ano, como estudante e palestrante, do I VideoFórum: “As religiões do mundo e a ética global”, evento que foi realizado pelo Centro Burnier com o apoio da Unisinos – Universidade do Vale dos Sinos/RS -, e em alinho com a proposta das Nações Unidas e a Declaração Universal das Religiões do Mundo, que tem como meta fundamental aproximar as diferentes crenças existentes no nosso planeta e promover o diálogo inter-religioso, a fim de construir a paz entre as religiões.

Ao todo foram nove módulos, onde diferentes correntes religiosas foram apresentadas e estudadas, dentre elas: o Cristianismo, o Islamismo, o Judaísmo, as Religiões Chinesas, o Budismo, o Hinduísmo, as Religiões Tribais, Afro-brasileiras e Indígenas –, cada uma apresentada em um documentário do teólogo alemão Hans Küng, exceto as duas últimas que entraram na pauta por iniciativa local, em reconhecimento as raízes regionais e próprias do nosso país. Estiveram presentes diferentes lideranças, religiosas ou não, praticantes, professores, profissionais de diversas áreas, estudantes e interessados, com o intuito de conhecer, de trocar impressões, de dialogar, de repensar.

A cada encontro, uma vitória, uma conquista individual e coletiva, onde pré-conceitos, dúvidas, misticismos ou, ainda, puro desconhecimento iam dando espaço para a amizade, para o respeito, para o semelhante, para o outro – diferente de mim – mas que, igualmente, anseia por entendimento, por paz, por compreensão.

Ao final da “novena”, como foi carinhosamente chamado pelos participantes, a sensação foi de satisfação, muito embora saibamos que estamos apenas engatinhando, no que se refere ao diálogo inter-religioso, mas que, ainda assim, foi possível perceber que existem diferenças sim entre as religiões mas que, em síntese, estas “diferenças” são muito menores diante das semelhanças, que são muito maiores em significado. O que realmente aproxima, e que é sutil, “invisível” aos olhos, é imensamente mais profundo, sendo dito de diferentes maneiras, com a capacidade de unir, de agregar, de superar máculas, de perdoar, isso sim, de fato, é comum a todos os seres, muito além das denominações religiosas que possamos professar ou praticar, o amor, inegavelmente, é elo fecundo que reside em nossos corações.

É esse sentimento que sustenta e possibilita que pessoas como os amigos e missionários do Centro Burnier empreendam ações que vão além do universo pessoal, no intuito de promover o bem, procurando despertar na sociedade um olhar mais humano, independente da religião, por isso acho digno de atribuir a palavra “respeitável”. O meu sentimento de gratidão também reside no fato que de alguma maneira a ação promovida por eles permite que eu possa exercitar o melhor de mim, no caminho da verdade. Meu muito obrigado.
Mãos unidas em prece.

Dedico este pequeno texto aos inúmeros seres que respiram comigo e que dividem a dádiva da vida. Muita paz.

* Ivan Deus Ribas é estudante de Direito e membro da Associação Meditar de Cuiabá
Texto publica no site: http://www.centroburnier.com.br/

ASSOCIAÇÃO MEDITAR E ECOVILA KARAGUATÁ/RS


QUERIDOS AMIGOS E AMIGAS, AQUI VAI MAIS UM CONVITE PARA NOS ENCONTRARMOS, ONDE COMPARTILHAREMOS SABERES, TRILHAS, SILENCIOS, FAZERES, SOL E CHUVA!
ABRAÇOS!
Gloria, Aquiles,Yan e Gabriel

- VENHA VIVENCIAR UM DIA DE MENTE ATENTA -

Estamos iniciando um grupo de prática e estudo da mente atenta!
Início: "SÁBADO, 30 DE OUTUBRO DE 2010
Horário: das 8 às 18 hs.
Local: ESPAÇO KARAGUATÁ
Linha Ficht - Rio Pardinho. Santa Cruz do Sul/RS.

Informações: (51) 9962-9349 # 9964-3099 # 9955-3829.
Mais informações sobre como chegar, no site www.ecovilakaraguata.co.cc/com.
Inscrição: Envie um email para ecovilakaraguata@yahoo.com.br, informando nome e telefone. As vagas são limitadas. Dispomos de algumas acomodações coletivas para quem quiser pernoitar. Quem tiver, trazer sua almofada de meditação, uma manta e repelente (quem achar necessário).
Investimento: Contribuição solidária!
**QUEM QUISER TRAZER ALIMENTOS, FRUTAS, BOLOS OU QUALQUER QUITUTE PARA COMPARTILHAR SERÁ MARAVILHOSO!**

QUE TODOS OS SERES SEJAM FELIZES
QUE TODOS OS SERES SEJAM LIVRES
QUE TODOS OS SERES VIVAM EM PAZ

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Agenda Mensal


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

destacamos abaixo agenda de atividades da Associação Meditar de Cuiabá. Informamos ainda, que a programação é gratuita e aberta a todos os interessados, sem qualquer contra-indicação e/ou pré-requisito. Sejam muito bem-vindos. Paz a cada passo!

3a feira
- 19 h - Tai Chi Chuan
- 20 h - Meditação e estudo

Sábado - 08 h - Meditação e estudo

Segundo Sábado do mês - "Meditação no Parque: paz a cada passo" - 08 h

Domingo - Sessão Pipoca Zen - data informada no site (préviamente)

Informações:
(65) 3052-6634 - Ligia
(65) 9202-9925 - Ivan

Local: Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, nº 137 - Araés
(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Verdade Relativa e a Verdade Absoluta


Por Thich Nhat Hanh


No Dhammachakka Pavattana Sutta, o Buddha ensina as quatro nobres verdades sobre a existência do sofrimento, sua origem e cessação, e sobre o caminho. Mas, no Sutra do Coração, o bodhisattva Avalokiteshvara nos diz que não existe o sofrimento, nem causa, nem cessação, nem caminho. Será que isso é uma contradição? Não. O Buddha está falando em termos da verdade relativa, e Avalokiteshvara transmite seus ensinamentos em termos da verdade absoluta. Quando diz que não existe sofrimento, ele quer dizer que o sofrimento é composto inteiramente por coisas que não são sofrimento. Se você sofre ou não, isso vai depender de muitas coisas. O ar frio pode doer quando não usamos roupas quentes mas, com as roupas adequadas, o ar frio pode ser uma bênção. O sofrimento não é algo objetivo. Ele depende da forma como percebemos as coisas. Existem coisas que causam sofrimento a uma pessoa, mas não a outras, assim como existem coisas que causam alegria a alguns e não a outros. As quatro nobres verdades foram apresentadas pelo Buddha como algo relativo, que ajuda a pessoa a atravessar a porta inicial e a começar a praticar, mas não representam seus ensinamentos mais profundos. Olhando através do ponto de vista da interdependência, sempre podemos reconciliar as duas verdades [relativa e absoluta]. Quando vemos, entendemos e tocamos a natureza da interdependência, vemos o Buddha. [...]

Quando Avalokiteshvara declara que os olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente são vazios, isso quer dizer que eles não podem ser considerados qualquer coisa por si mesmos. Não-eu [ou vazio, vacuidade] quer dizer que você é feito de elementos que não são você. [...] As três qualidades do Dharma são as chaves de que dispomos para abrir as três portas da liberação — a vacuidade (sânsc. shunyata), a ausência de imagens (sânsc. animitta) e a ausência de objetivo (sânsc. apranihita). Todas as escolas do buddhismo aceitam o ensinamento das três portas da liberação. Essas três portas às vezes são chamadas de três concentrações. Quando passamos por essas portas, adquirimos a concentração e nos libertamos do medo, da confusão e da tristeza. [...]O vazio sempre significa vazio de alguma coisa. O copo está vazio de água e a tigela está vazia de sopa. Nós estamos vazios de um "eu" independente e separado. Não podemos existir sozinhos. Só podemos existir em inter-relação com tudo o mais que existe no cosmos. A prática consiste em incentivar a compreensão do vazio durante todo o tempo. Aonde quer que vamos, entramos em contato com o vazio que existem em tudo. Olhamos para a mesa, o céu azul, o nosso amigo, a montanha, o rio, a raiva e a felicidade, entendendo que tudo isso está vazio de um "eu" independente e separado. Quando contemplamos essas coisas em profundidade, vemos a natureza interdependente de tudo que existe. O vazio não significa, em absoluto, não-existência. Significa origem dependente, impermanência e não-eu.

Quando ouvimos falar de vazio, ficamos assustados. Mas depois de praticar por algum tempo, entendemos que as coisas realmente existem, mas de um modo diferente do que pensávamos. O vazio é o caminho do meio entre a existência e a não-existência. A flor não se torna vazia quando murcha e morre, mas sempre foi vazia em sua essência. Está vazia de um eu independente e separado.
(Thich Nhat Hanh. The heart of the Buddha's teaching - transforming suffering into peace, joy, and liberation:the four noble truths, the noble eightfold path and other basic Buddhist teachings. Broadway Books: New York, 1999.)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Contemplando o vazio


Em uma janela do tempo
Contemplo o vazio
Sentado, observo
Respiro...

Abraço o contraditório
Me encontro, em mim
Vejo amarras, sinto impressões
Respiro...

Percebo em um instante,
de maneira "mágica"...
Que o vazio é cheio
Que a fôrma não faz a forma...

Caem antigas ilusões
As novas já não me arrastam mais
Enxergo com os olhos de dentro
Mente e coração, agora, unidos...

Por mais que passem as emoções
Apenas contemplo
Não atribuo serem boas ou ruins
Nem reajo com indiferença ou aversão...

Naturalmente, seguem com o curso do rio
Em uma respiração
Desatam-se os nós...
(Ivan Deus Ribas)

Prática Semanal - 16.10 (Sábado)


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

lembramos a todos que neste sábado, 16.10.10, haverá prática de meditação na Academia Ligia Prieto. Início as 8 h (pontualmente), com término previsto para as 9 h, podendo se prolongar um pouco mais em virtude da atmosfera de pleno contantamento. Destacamos ainda, que as práticas são abertas, sem contra indicações e/ou pré-requisitos. Sejam todos bem-vindos!

Mãos unidas em prece.

Informações:
Ligia (65) 3052-6634
Ivan (65) 9202-9925

Local: Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, nº 137, Araés, Cuiabá-MT
(próximo a TVCA, e ao lado da Escola Jardim Moitará)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Os Direitos do Homem no Liminar do Séc. XXI


A amplitude do movimento contra as violações dos direitos humanos é muito estimulante. Não só dá uma perspectiva de alívio a muitos que sofrem, como também é um indício do desenvolvimento e progresso da humanidade. A preocupação com os direitos humanos e o esforço para mantê-los representam um grande serviço às gerações presentes e futuras. Desde que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi promulgada há cinqüenta anos, as pessoas começaram a compreender a grande importância e o valor dos direitos do homem.

Perspectivas de um Monge Budista
Embora não seja perito nesse campo, para um monge budista como eu, os direitos de cada ser humano é um bem muito precioso e imprescindível. Segundo a crença budista, todo ser senciente possui um fundamento de natureza pura em sua essência, não poluído por distorções mentais. Referimo-nos à essa essência como a semente da Iluminação, em que todos os seres são capazes de alcançar a perfeição e, dada a natureza pura da mente, acreditamos que todos os aspectos negativos possam ser eliminados do espírito. Assim sendo, quando nossa atitude mental é positiva, as ações negativas do corpo e da palavra deixam de existir automaticamente. Como todos os seres sencientes encerram esse potencial, todos são iguais. Todos têm direito de ser feliz e superar o sofrimento. O próprio Buda disse que em sua Ordem, nem raça nem classe social são importantes. O importante é a prática de se viver a vida eticamente.
Enquanto praticantes budistas, tentamos acima de tudo aprimorar nossa conduta no cotidiano. Somente a partir desse aprimoramento, conseguiremos desenvolver as práticas do treino mental e da sabedoria. Na minha prática diária de monge budista, tenho de observar muitas regras, mas o fundamental em todas é o profundo respeito e preocupação pelos direitos do próximo. Os votos feitos por monges e monjas ordenados incluem não tirar a vida de outros seres, não roubar suas posses e assim por diante. São princípios profundamente enraizados no respeito aos direitos do próximo. É por essa razão que muitas vezes descrevo a essência do budismo da seguinte maneira: se puder, ajude a outros seres sencientes; se não puder, ao menos abstenha-se de lhes fazer mal. Além de revelar um profundo respeito pelas pessoas, essa também é uma forma de respeitar a própria vida e mostrar preocupação pelo bem-estar geral.
Apesar de ser muito importante respeitar os direitos dos outros, muitas vezes agimos de forma contrária e o motivo principal é nossa falta de amor e compaixão. A questão das violações dos direitos humanos e a preocupação pelos direitos das pessoas estão intimamente ligadas à prática da compaixão, do amor e do perdão no nosso cotidiano. Quando se fala de amor e compaixão, as pessoas geralmente relacionam estas qualidades às práticas religiosas, o que não é necessariamente o caso. É fundamental que reconheçamos a importância da compaixão e do amor nas relações entre os seres sencientes em geral e os seres humanos em particular.
Todos nós, desde a mais tenra idade à velhice, apreciamos a ajuda e o carinho que as pessoas nos dispensam. Infelizmente, no decorrer de nossa vida, à medida que nos tornamos independentes, muitas vezes negligenciamos o valor do carinho e da compaixão. Visto que nossa vida se inicia e termina com a necessidade inerente de afeto, não seria muito melhor praticarmos a compaixão e o amor ao próximo enquanto podemos?
Só conquistamos amigos verdadeiros quando exprimimos sentimentos sinceros, respeito pelo próximo e preocupação pelos seus direitos. É fácil vivenciar esses sentimentos no nosso dia a dia. Não é necessário ler complicados tratados filosóficos a respeito, pois no cotidiano essa experiência é uma realidade. A prática da compaixão, da sinceridade e do amor é fonte inesgotável de felicidade e satisfação. Ao desenvolvermos uma atitude altruísta, desenvolvemos automaticamente a preocupação pelo sofrimento alheio e, ao mesmo tempo, a determinação de fazer algo para proteger seus direitos e nos interessar por sua sorte.

A Universalidade dos Direitos Humanos
Os direitos humanos são de interesse universal porque ansiar pela liberdade, igualdade e dignidade é inerente à natureza dos seres humanos e todos têm direito a essas qualidades. Queiramos ou não, nascemos neste mundo fazendo parte de uma grande família: ricos ou pobres, instruídos ou não, advindos de nações, ideologias e credos distintos ou não, em última análise, cada um de nós é apenas um ser humano como qualquer outro. Todos desejamos a felicidade e nenhum de nós quer sofrer.
Se concordamos que todos têm o mesmo direito à paz e à felicidade, não será nossa responsabilidade ajudar aos mais necessitados? Aspirar à democracia e ao respeito pelos direitos humanos básicos é tão importante para os povos da África e da Ásia, como para os da Europa ou das Américas. Contudo, são justamente os povos cujos direitos humanos foram tolhidos que têm menos possibilidade de se manifestar. A responsabilidade recai sobre os que usufruem de tais liberdades, como nós.
As violações aos direitos humanos muitas vezes dirigem-se aos membros mais talentosos, dedicados e criativos da sociedade. Em conseqüência, o desenvolvimento político, social, cultural e econômico de uma sociedade fica comprometido pelas violações aos seus direitos. Por isso, salvaguardar os direitos e liberdades de cada um é uma questão extremamente importante, tanto para as pessoas cujos direitos foram suprimidos quanto para o desenvolvimento da sociedade como um todo.
Alguns governos entendem que os padrões de direitos humanos, descritos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, são os advogados pelo Ocidente e não se aplicam aos países da Ásia ou a outras partes do Terceiro Mundo, em função de diferenças culturais e modelos de desenvolvimento sócio-econômico distintos. Não partilho desse ponto de vista e tenho certeza que a maioria das pessoas também não. Creio que os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos constituem uma espécie de lei natural que deveria ser seguida por todos os povos e governos.
Além do mais, não vejo qualquer contradição entre a necessidade de desenvolvimento econômico e a necessidade de se respeitar os direitos humanos. O direito à liberdade de expressão e à uma sociedade livre é essencial ao desenvolvimento econômico de qualquer nação. No Tibete, por exemplo, há inúmeros casos de políticas econômicas inadequadas que permanecem, embora não tenham surtido efeito, porque o cidadão comum ou o funcionário público não pode se manifestar contra tais medidas.
A grande diversidade de culturas e religiões existentes no mundo deveria servir para preservar os direitos humanos fundamentais de todas as comunidades internacionais. Nessa diversidade, há princípios básicos que unem todos os seres humanos e nos tornam membros de uma mesma família. Contudo, a manutenção de tradições culturais e religiosas não deve jamais ser usada como justificativa para violações aos direitos humanos. A discriminação racial, contra mulheres ou minorias pode ser tradição de algumas sociedades, mas se for incongruente com direitos humanos universalmente reconhecidos, esse tipo de comportamento deve ser mudado. O princípio universal de igualdade entre todos os seres humanos deve ter precedência.
-
A Necessidade da Responsabilidade Universal
O mundo está se tornando cada vez mais interdependente e é por isso que acredito firmemente na necessidade de desenvolver-se a responsabilidade universal. Precisamos pensar em termos globais, pois as conseqüências de medidas adotadas por um determinado país, hoje, ultrapassam fronteiras. A aceitação de padrões universais, como os descritos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Convenção Internacional sobre os Direitos Humanos, é primordial no mundo atual, cada vez menor. O respeito pelo direitos fundamentais do ser humano não é apenas um objetivo a ser atingido. É antes o alicerce indispensável a qualquer sociedade.
As barreiras artificiais que separavam nações e povos ruíram em tempos recentes. O sucesso dos movimentos populares no desmantelamento da separação entre os países do Leste e do Ocidente, que polarizou o mundo durante décadas, constituiu-se motivo de grande confiança e expectativa. Contudo, permanece ainda um enorme abismo no coração da nossa família humana. Refiro-me à divisão dos países do Norte e do Sul. Todos aqueles comprometidos com os princípios básicos de igualdade, que são o cerne dos direitos humanos, não podem ignorar as grandes disparidades econômicas existentes no mundo de hoje. Não se trata apenas de afirmar que todos os seres humanos têm direito a usufruir da mesma dignidade. Há de se traduzir as palavras em ações. Temos a responsabilidade de buscar alternativas para alcançar uma distribuição mais igualitária dos recursos mundiais.
Temos testemunhado um movimento popular fantástico em prol dos direitos humanos e das liberdades democráticas no mundo. Este movimento deve tornar-se cada vez mais forte, para que não haja governo ou exército capaz de suprimi-lo. É muito natural e justo que nações, povos e indivíduos exijam respeito aos seus direitos e liberdades, e que lutem para erradicar a repressão, o racismo, a exploração econômica, a ocupação militar e as várias formas de colonialismo e dominação estrangeira. Os governos em geral deveriam dar apoio prático a essas reivindicações, ao invés de apenas as apoiarem verbalmente.
Acredito que a falta de compreensão quanto à verdadeira natureza da felicidade é a principal razão das pessoas infligirem sofrimento a outras. Alguns indivíduos acham que só podem alcançar a felicidade causando sofrimento ou que sua própria felicidade é tão importante, que a dor causada aos outros é insignificante. Esta é uma visão extremamente estreita da vida, já que ninguém pode efetivamente beneficiar-se com o sofrimento alheio. Ainda que haja um ganho imediato às custas dessa dor, ele é passageiro. A longo prazo, causar sofrimento ao próximo e usurpar seu direito à paz e felicidade geram ansiedade, medo e desconfiança. O cultivo do amor e da compaixão ao próximo é essencial para criarmos um mundo melhor e mais pacífico. Para tal, é necessário desenvolvermos uma preocupação genuína por nossos irmãos e irmãs menos afortunados. Temos a obrigação moral de auxiliar e dar apoio incontestável a todas as pessoas privadas de exercer seus direitos e liberdades, que muitos de nós têm garantidos.
Ao nos aproximarmos do fim do presente milênio, percebemos que o mundo está se tornando uma grande comunidade. Juntos, confrontamo-nos com graves problemas, tais como superpopulação, escassez dos recursos naturais e uma crise ambiental sem precedentes, que ameaçam os alicerces de nossa própria existência neste planeta. Os direitos humanos, a proteção ao meio ambiente e maior igualdade social e econômica são fatores interligados. Acredito que para enfrentarem os desafios de nosso tempo, os seres humanos deverão desenvolver um sentido maior de responsabilidade universal. Cada um de nós deve aprender a trabalhar não somente em benefício de si próprio, sua família ou nação, mas em prol da humanidade como um todo. A responsabilidade universal é a chave para a sobrevivência do Homem e é a melhor garantia para a manutenção dos direitos humanos e da paz mundial.
(Discurso de Sua Santidade o Dalai Lama na Reunião de Paris da UNESCO, durante a comemoração do 50º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem.)

Meditação Budista estudada cientificamente

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Meditação no Parque: paz a cada passo - 09.10 (Sáb)


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

convidamos a todos para participarem no próximo sábado, 09.10, da prática de meditação andando -"Meditação no Parque: paz a cada passo", apartir das 8 h (pontualmente), no parque Mãe Bonifácia.

Ponto de encontro: Entrada principal (estacionamento de pedrinhas)
Percurso: Trilha interativa (40min.)
Recomendação: Levem água e guarda-chuva!

Destacamos que esta atividade é gratuita e aberta a todos os interessados! Sejam todos bem-vindos, benvenidos, namastê, gasshô, haribol!


** Atenção: Se estiver chovendo, meditaremos normalmente. Sugerimos que levem guarda-chuva!

Muita paz!

Que todos os seres possam se beneficiar!
Informações:
Ligia - (65)3052-6634
Ivan - (65)9202-9925

O papel das igrejas e religiões na defesa ambiental


Em entrevista, Leonardo Boff fala do papel de igrejas e religiões na defesa ambiental

Em entrevista da Campanha Primavera para Vida 2010 (PPV-2010) o teólogo Leonardo Boff fala da necessidade de ampliarmos o entendimento dos direitos para que a humanidade supere o antropocentrismo e entenda o direito para além de si mesma. Boff destaca, entre outras coisas, o modelo de relação para com a natureza e a Mãe Terra.

Enfatiza que as lideranças religiosas e ecumênicas devem inserir em suas celebrações e levar aos seus fiéis os ritos e os elementos da natureza. "As religiões mais que falar de natureza deveriam se habituar em falar de criação. Criação remete ao Criador. O ato de criação não ocorreu no passado primordial. Ele está ocorrendo a cada momento. Se Deus não continuar dizendo "faça-se a luz", "surjam as águas, os animas e as plantas e fundamentalmente ser humano" tudo voltaria ao nada. Assistimos a todo instante o milagre da criação e a emergência do céu e da Terra".

A entrevista é de Gustavo Vieira, jornalista CESE e reproduzida por Adital, 01-10-2010.

Eis a entrevista.

As ações de assistência aos mais necessitados sempre foram presentes nas entidades religiosas ou ecumênicas. A que o senhor atribui a tendência recente destas entidades usarem o tema ambiental para a defesa dos direitos humanos?

Cresce a consciência de que todos somos ecointerdependentes, todos fazemos parte da natureza. Uma violência contra a natureza, como o desmatamento de uma região ou a excessiva utilização de agrotóxicos envenenando o nível freático das águas é entendida como uma injustiça ecológica, contra a natureza que, por sua vez gera uma injustiça social, pois prejudica as pessoas relacionadas com esta natureza. Com o desmatamento, elas possuem menos água, o clima é afetado e os agrotóxicos tornam a água contaminada. Então a concepção dos direitos deve ser ampliada, para superar o antropocentrismo, como se somente o ser humano fosse sujeito de direitos. Todos os seres vivos tem valor intrínseco, devem ser respeitados, convivem conosco e por isso são portadores de direitos. Nós somos seus representantes e guardiães e juntos formamos a democracia ampliada, de cunho sóciocósmico.

Os estudos indicam que os mais pobres serão os mais afetados pelas catástrofes oriundas das mudanças no clima. Qual deve ser na opinião do senhor a prioridade das políticas públicas para evitar o aumento da miséria por este motivo?

Precisamos questionar o modelo de relação para com a natureza e para com a Mãe Terra. A modernidade entende a Terra como uma realidade bruta, sem inteligência, um baú de recursos a serem explorados e uma caixa de lixo onde jogamos nossos dejetos. A compreensão mais contemporânea, fruto das ciências da Terra e da vida e também da astrofísica, entende a Terra com um superorganismo que se autorregula e que combina o físico, o químico, o biológico de tal maneira que se torna sempre apta a manter e a reproduzir a vida. Esta Terra é viva, foi chamada de Gaia e pelas tradições da humanidade de Mãe Terra. Por uma decisão da ONU de 22 de abril de 2008 o dia da Terra passou a ser o dia da Mãe Terra. Terra a gente pode comprar, vender, usar. Mãe a gente não vende, não compra nem maltrata, mas cuida e venera.

O processo dominante de produção supõe o domínio da natureza, a superutilização de seus bens e serviços até a sua exaustão (veja-se o petróleo, o gás, o carvão etc.) em benefício da acumulação que beneficia pequena porção da humanidade e deixa à margem as grandes maiorias condenadas a serem "óleo queimado" do processo produtivo. Esse tipo de relação que se funda no poder enquanto dominação do outro, das classes, dos povos e da natureza, provocou a crise do aquecimento global e a espantosa injustiça planetária. Entregue à sua própria voracidade, este sistema pode levar a humanidade a um impasse e, talvez, a uma catástrofe ecológica e humanitária sem precedentes na história. Ou nós mudamos de paradigma de produção e de consumo ou corremos o risco de desaparecer como espécie. Então as políticas públicas devem começar por criar esta nova consciência e ensaiar um outro trato da natureza que se faça em sinergia com seus ciclos e com as capacidades de cada região.

Na sua opinião, como a conduta ética do indivíduo pode ajudar o amenizar o sofrimento das pessoas pelas injustiças ambientais a que estamos todos sujeitos?

O problema é global e por isso afeta a todos e a cada um. Cada um deve fazer a sua revolução molecular. Quer dizer, começar as modificações consigo mesmo, respeitando as águas, as plantas, realizando os famosos três erres: reduzir, reutilizar e reciclar. Se não podemos mudar o mundo, podemos sempre mudar este pedaço de mundo que sou eu mesmo. Se a grande maoria se dispuser a isso, assistiremos a emergência de uma nova consciência com práticas mais benevolentes para com a natureza e com uma opção de viver uma simplicidade voluntária. Constataremos que podemos ser mais com menos. Todos ganharão porque se sentirão incluídos e não vítimas de um processo altamente egoísta, excludente e hostil à vida.

Você arriscaria uma nova redação dos dez mandamentos ou dos 7 pecados capitais à luz dos eventos climáticos atuais ou a sua abrangência ainda hoje é completa e atual na sua forma original?

Tenho medo de mandamentos, pois funcionam como superegos castradores. Acredito em valores que são coletivamente assumidos, internalizados e vividos como o cuidado para com todas as coisas, a responsabilidade coletiva pelo futuro comum, a compaixão para com todos os que sofrem, humanos e outros seres da natureza, o respeito irrestrito a cada ser, pois ele tem direito de existir e de continuar conosco, a cooperação de todos com todos de sorte que triunfe o ganha-ganha e não o ganha-perde, cultivo de valores intangíveis ou espirituais como a solidariedade, o amor, o perdão, o companheirismo, a abertura ao diferente, o diálogo aberto com todos e a capacidade de renúncia em benefício do bem comum. Creio que este paradigma poderá gestar outro tipo de civilização no qual não seja tão difícil ser humano e amar.

Qual é o papel, na sua opinião, que as instituições religiosas ou ecumênicas poderiam assumir para a busca de um novo acordo climático global pelos instrumentos da ONU?

As religiões, pela abrangência que objetivamente possuem, possuem uma alta missão pedagógica. Elas ensinam a respeitar e a venerar e a pôr limites ao nosso desejo ilimitado. A elas cabe a missão de educar as pessoas para não respeitarem somente os textos sagrados e os lugares de veneração, mas a defender, respeitar a cada ser pois ele saiu da mão de Deus e revela possibilidades escondidas e realizadas do processo de evolução. É o respeito e a veneração que impõem limites à voracidade do poder e que obrigam a ciência a ser feita com consciência e a servir mais à vida que ao mercado. Por outro lado as ciências ajudam as religiões a superarem seu fundamentalismo de imaginarem que somente cada uma delas possui a verdade e é portadora da revelação divina. A verdade é como o sol, ilumina a todos e todos estamos em busca de uma verdade mais plena. Por isso as religiões podem ser fontes de paz e não de conflitos. Devem estar unidas a serviço da vida e da garantia de que ainda podemos ter futuro.

Qual deve ser em síntese a mensagem que as lideranças religiosas e ecumênicas devem levar aos seus fiéis sobre a justiça ambiental em seus rituais e liturgias?

As religiões, as igrejas e os muitos caminhos espirituais devem inserir em suas celebrações e ritos os elementos da natureza, pois todos dependemos deles. Eles são portadores de vida e por isso todos devem manter com eles uma relação de respeito e de gratidão. As religiões mais que falar de natureza deveriam se habituar em falar de criação. Criação remete ao Criador. O ato de criação não ocorreu no passado primordial. Ele está ocorrendo a cada momento. Se Deus não continuar dizendo "faça-se a luz", "surjam as águas, os animas e as plantas e fundamentalmente ser humano" tudo voltaria ao nada. Assistimos a todo instante o milagre da criação e a emergência do céu e da Terra. Tudo isso leva a uma atitude gratidão, de veneração e de júbilo. Em nós surge a consciência ética de cuidarmos desta herança sagrada que Deus nos confiou e que o universo nos entrega dia a dia. Transformar tais idéias em experiências e atitudes faria com que a natureza fosse mais preservada e cuidada.

Que espaço para uma mudança de paradigma político em torno da justiça ambiental você enxerga para o Brasil na próxima década considerando o cenário político-eleitoral atual?

Em termos geoecológicos o Brasil é um país decisivo para o equilíbrio do planeta Terra que com o aquecimento global entrou num processo de caos. Os eventos extremos mostram que a Terra perdeu seu equilíbrio e só encontrará outro subindo de temperatura. Esta elevação poderá fazer com que o caos se mostre destrutivo e muitas espécies não consigam de adaptar e venham a desaparecer. Regiões inteiras do planeta se tornarão inóspitas para milhões de pessoas. Estão previstos para os próximos anos cerca de 100-150 milhões de refugiados climáticos. Isso ocasionará um problema político mundial de grave consequências. Por sua natureza, o caos é criativo e generativo, quer dizer, provoca a eclosão de uma nova ordem.

O Brasil é a potência das águas, possui as maiores florestas úmidas do mundo, o maior estoque de terras agricultáveis e o leque mais diversificado de alternativas energéticas. Ele será decisivo para o novo equilíbrio da Terra. Tirando Marina Silva, constato que lamentavelmente nossos atuais governantes não possuem consciência da importância do Brasil e não mostram um acúmulo de consciência necessário para estarem à altura dos desafios mundiais. É uma pena que raia à irresponsabilidade à alienação. Desta vez não podemos falhar ou chegar tarde, pois o tempo do relógio corre contra nós. Caso contrário iremos ao encontro da escuridão.

Qual é o papel do Brasil neste contexto global que o senhor imagina mais relevante do ponto de vista da transformação dos paradigmas econômicos e políticos atuais para os de uma nova sociedade com menos carbono?

O problema não é uma sociedade com menos carbono, mas uma sociedade que muda sua relação para com a Terra e a natureza, agindo em sinergia e não em exploração, respeitando os limites e as capacidades de cada ecossistema, atendendo as demandas das atuais gerações e abertos às demandas das futuras. O decisivo é dar o seguinte passo: passar de uma sociedade industrialista que estressa a natureza e cria injustiças sociais para uma sociedade de sustentação de toda a vida, a humana e as demais formas de vida, produzindo o suficiente decente para todos e não para a acumulação e para os ganhos do mercado. Essa mudança paradigmática temos que fazê-la, senão a Terra poderá continuar mas sem nós.

Qual é a sua expectativa na transformação da Campanha Primavera para Vida em uma campanha nacional nesta décima edição?

Eu espero que seja suscitado espírito de solidariedade para com aqueles irmãos e irmãs que mais precisam, que sejamos movidos por um profundo sentimento de humanidade, sentido a dor dos outros, ajudando a aliviá-la e, sobretudo, criar uma corrente de entreajuda, de cooperação, de verdadeira irmandade, incluindo a natureza, quer dizer, a qualidade de vida das pessoas, a água que bebem, o esgoto tratado, o ar puro que respiram, as relações sociais e de vizinhança menos tensas e com mais motivos para viver e conviver. Sozinhos, não conseguimos tudo isso, mas com a graça do Espírito que nunca nos falta poderemos dar passos decisivos rumo a este sonho. Devemos pensar como Fernando Pessoa, o grande poeta português: "Quero ver uma Terra que ainda nunca existiu". Então será uma civilização biocentrada, a "Terra da Boa Esperança". O Brasil tem condições de ser o antecipador deste sonho possível e desta utopia necessária.


Entrevista publicada no site: http://www.ihu.unisinos.br/index.php