A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre aos Sábados, às 08h00, no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Livro do Mês - Fevereiro

Detalhes

“Se você for um poeta, verá claramente que há uma nuvem flutuando nesta folha de papel. Sem uma nuvem, não haverá chuva; sem chuva, as árvores não podem crescer e, sem árvores, não podemos fazer papel. (...) Se olharmos mais profundamente ainda, poderemos ver os raios do sol, o lenhador que cortou a árvore, o trigo que o alimentou na forma de pão e o pai e a mãe do lenhador. Sem todas estas coisas, esta folha de papel não pode existir. Na verdade, não podemos apontar para nada que não esteja aqui – o tempo, o espaço, a terra, a chuva, os minerais e o solo, os raios de sol, a nuvem, o rio, o calor e a mente. Todas as coisas coexistem nesta folha de papel. Assim podemos afirmar que a nuvem e a folha de papel "intersão". Nós não podemos ser apenas nós mesmos; nós temos de interser com todas as demais coisas."
O "Sutra do Coração" ou "Prajnaparamita Sutra"* é considerado a essência do ensinamento budista. Ele é recitado diariamente nos templos Mahayana e centros de prática ao redor do mundo inteiro. Esta tradução e comentários são fruto de mais de 40 anos de prática e estudo monástico. Em seu inigualável estilo suave e lúcido, Thich Nhat Hanh desvenda, neste livro único e histórico, o coração da compreensão da espiritualidade e de uma vida verdadeiramente desperta e significativa.
"Thich Nhat Hanh nos mostra a interconexão entre a nossa paz pessoal, íntima, e a paz na Terra."
S.S. Dalai Lama *

* O Sutra está incluído no livro traduzido para o português, juntamente com o poderoso mantra transmitido por Avalokitesvara (O Buda da Compaixão).

Outras informações e adquirir: http://www.bodigaya.com.br/index.php/


EU MAIOR - entrevista com Mário Sérgio Cortella

Ensinamento para as crianças


Sidarta quietamente fez um gesto para que as crianças sentassem e disse: “Vocês todas são crianças inteligentes e eu estou certo que serão capazes de entender e praticar as coisas que eu partilharei com vocês. O Grande Caminho que eu descobri é profundo e sutil, mas qualquer um desejando aplicar seu coração e mente pode entendê-lo e segui-lo.”

“Quando você, criança, descasca uma tangerina, pode comê-la com consciência ou sem consciência. O que significa comer uma tangerina com consciência? Quando você está comendo uma tangerina está consciente que está comendo uma tangerina. Você experimenta totalmente sua adorável fragrância e gosto doce. Quando você descasca a tangerina, sabe que está descascando a tangerina; quando remove um gomo e o coloca em sua boca, sabe que está removendo um gomo e o colocando na boca. Quando experimenta sua adorável fragrância e gosto doce, está consciente que está experimentando seu gosto doce e adorável fragrância.”

“A tangerina que Nandabala me ofereceu tem nove gomos. Eu comi cada gomo em plena consciência e vi o quão preciosos e maravilhosos eram. Eu não esqueci a tangerina, e portanto a tangerina era real, a pessoa comendo a tangerina era real. Isto é que é comer uma tangerina de forma consciente.”

“Crianças o que significa comer uma tangerina sem plena consciência? Quando você está comendo uma tangerina, não sabe que está comendo uma tangerina. Não experimenta a adorável fragrância e o gosto doce da tangerina. Quando você descasca a tangerina, não sabe que está descascando uma tangerina. Quando remove um gomo e põe na sua boca, não sabe que está removendo um gomo e o colocando em sua boca. Quando sente o cheiro da fragrância ou o gosto de uma tangerina, não sabe que está sentindo o cheiro da fragrância ou o gosto da tangerina. Ao comer uma tangerina deste modo, você não pode apreciar sua preciosa e maravilhosa natureza. Se você não está consciente que está comendo uma tangerina, a tangerina não é real. Se a tangerina não é real, a pessoa que a está comendo também não é real. Crianças, isto é comer uma tangerina sem plena consciência.”

“Crianças, comer uma tangerina em plena consciência significa que enquanto você come está verdadeiramente em contato com ela. Sua mente não está correndo atrás dos pensamentos de ontem ou de amanhã, mas está habitando totalmente no momento presente. A tangerina está verdadeiramente presente. Vivendo com plena consciência da mente significa morar no momento presente, sua mente e corpo habitando realmente no aqui e agora.”

“Uma pessoa que pratica a plena atenção pode ver coisas na tangerina que outros não são capazes de ver. Uma pessoa consciente pode ver a árvore de tangerina, o florescer da tangerina na primavera, os raios de sol e chuva que nutriram a tangerina. Olhando profundamente, a pessoa pode ver dez mil coisas que fizeram a tangerina possível. Olhando para a tangerina, uma pessoa que pratica plena atenção pode ver as maravilhas do universo e como todas as coisas interagem umas com as outras. “

“Crianças, nossa vida diária é justamente como a tangerina. Como a tangerina é dividida em gomos, cada dia é dividido em 24 h. Uma hora é como um gomo da tangerina. Viver todas as 24hs do dia é como comer todos os gomos da tangerina. O caminho que eu encontrei, é o caminho de viver cada hora do dia em plena atenção, mente e corpo sempre habitando no momento presente. O oposto é viver no esquecimento, não saber que estamos vivos. Não experimentamos totalmente a vida porque nossa mente e corpo não estão habitando no aqui e agora.”

Gautama olhou para Sujata e disse seu nome.

“Sim, Mestre?” Sujata juntou as palmas das mãos.

“Você acha que uma pessoa que vive em plena atenção fará muitos erros ou poucos?”

“Respeitável Mestre, uma pessoa que vive em plena atenção fará menos erros. Minha mãe sempre me diz que uma menina deveria prestar atenção à maneira como anda, fica em pé, fala, ri e trabalha de forma a evitar pensamentos, palavras e ações que possam causar lamento para ela mesma e para os outros.”

“Isso mesmo, Sujata. Uma pessoa que vive em plena atenção sabe o que está pensando, dizendo e fazendo. Tal pessoa pode evitar pensamentos, palavras e ações que causam sofrimento para ela mesma e para os outros.”

“Crianças, viver em plena atenção significa viver no momento presente. Uma pessoa é consciente do que está acontecendo dentro dela e ao seu redor. A pessoa está em contato direto com a vida. Se a pessoa continua a viver desse modo, será capaz de profundamente entender a si mesma e ao que está a sua volta. Entendimento leva à tolerância e ao amor. Quando todos os seres se entenderem, eles se aceitarão e se amarão. Então não haverá tanto sofrimento no mundo. O que você pensa Svasti? As pessoas podem amar se elas são incapazes de se entender?”

“Respeitável Mestre, sem entendimento, o amor é bem difícil. Me lembra algo que aconteceu com minha irmã Bhima. Uma vez ela chorou a noite toda até que minha irmã Bala perdeu a paciência e deu umas palmadas nela. Isso apenas fez Bhima chorar mais. Eu peguei Bhima e percebi que ela estava com febre. Tinha certeza que sua cabeça deveria estar doendo por causa da febre. Chamei Bala e disse a ela que colocasse a mão na testa de Bhima. Quando ela fez isso entendeu de uma vez porque Bhima estava chorando.Seu olhos amoleceram e ela pegou Bhima nos seus braços e cantou para ela com amor. Bhima parou de chorar mesmo ainda com febre. Respeitável mestre, penso que isto aconteceu porque Bala entendeu o porque de Bhima estar chateada. E assim penso que sem entendimento, o amor não é possível.”

“Isso mesmo Svasti! O amor só é possível quando há entendimento. E somente com amor pode haver aceitação. Pratiquem viver em plena atenção crianças e vocês aprofundarão seu entendimento. Serão capazes de entender a vocês mesmos, às outras pessoas e todas as coisas. E vocês terão corações de amor. Este é o caminho que eu descobri.”

Svasti juntou as palmas das mãos. “Respeitável Mestre, podemos chamar este caminho do ‘Caminho da Plena Atenção’?”

Sidarta sorriu “Claro. Podemos chamá-lo de o Caminho da Plena Atenção. Eu gosto muito. O Caminho da Plena Atenção leva ao perfeito Despertar.”

Sujata juntou as palmas das mãos e pediu permissão para falar. “Você é aquele que despertou, aquele que mostra como viver em plena atenção. Podemos chama-lo de ‘O Desperto’?”

Sidarta fez que sim com a cabeça. “Isto me agradaria muito.”

Os olhos de Sujata brilharam. Ela continuou “Desperto em Magadhi é pronunciado como budh. Uma pessoa desperta deveria ser chamada Buda em Magadhi. Podemos chamá-lo de Buda?”

Sidarta fez que sim com a cabeça. Todas as crianças estavam extasiadas. Nalaka, um menino de 14 anos, o mais velho do grupo falou: “Respeitável Buda, estamos muito felizes de receber seus ensinamentos sobre o Caminho da Plena Atenção. Sujata me disse como você meditou sobre esta árvore nos últimos 6 meses e como na última noite obteve o Grande Despertar. Respeitável Buda, esta árvore é a mais bonita da floresta. Podemos chama-la de ‘Árvore do Despertar’, a ‘Árvore Bodhi’? A palavra bodhi divide a mesma raiz da palavra Buda e também significa despertar.”

Gautama fez que sim com a cabeça. Ele também estava deleitado. Ele não tinha adivinhado que durante seu encontro com as crianças o caminho e mesmo a grande árvore receberiam nomes especiais.

(Traduzido do livro “Old Path White Clouds” sobre a vida do Buda – Thich Nhat Hanh)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Livro do Mês - Janeiro

Guia da Prática de Meditação e Mente Atenta (Mindfulness) - Enio Burgos

Detalhes

A ciência vem comprovando a ampla gama de benefícios que a meditação traz aos seus adeptos. Redução do estresse e da depressão, incremento da produtividade e eficiência, melhora da concentração e do humor, prevenção e cura de doenças ou maior equilíbrio da saúde, estão entre os frutos desta prática milenar.
A mais sublime consequência da meditação, porém, traduz-se através da paz emocional, dos vislumbres de compreensão, do desenvolvimento da sabedoria e, sobretudo, do chamado “estado desperto” alcançado por seu intermédio. O ápice da evolução interior do ser humano, portanto, estaria intimamente associado à constante consecução da prática da meditação. Nesse sentido, nas palavras dos grandes sábios budistas, ela é denominada de “A Grande Mãe dos Budas de todos os tempos”.
“O Guia da Prática de Meditação e Mente Atenta (Mindfulness)” desvenda o caminho da meditação conforme palmilhado por todos os mestres da humanidade. Nesta obraextremamente oportuna, fundamentada em ensinamentos universais, aprendemos a acessar a essência natural da mente, repleta de harmonia, bem-estar e felicidade. 
Meditação silenciosa, caminhando, com canto de mantras, sorrindo, abraçando, bem como a maravilhosa prática de Mente Atenta ou Mindfulness, a qual nos instiga a “viver o momento presente”, são explicadas em detalhes, tornando tais atividades acessíveis a todos os interessados, quer sejam iniciantes ou veteranos.  

“O banho purifica o corpo. A meditação purifica a mente. Quando uma pessoa atinge esse estado de integridade, de inteireza mente-corpo-coração juntos no momento presente, ela se conecta a todos os seres... ela restabelece, conscientemente, uma real irmandade cósmica, desde os átomos até as galáxias.” – Dr. Enio Burgos.

  Livro adotado pela Associação Meditar: www.associacaomeditar.org

Os meios são o fim

Tempos atrás nós discutimos sobre meios e fins e aprendemos que na prática do Budismo não há nenhuma distinção entre meios e fins, e que os meios deveriam ser considerados como os fins por si mesmos. Esta é uma prática muito intensa e nós deveríamos nos apoiar no Sangha para fazer isto.

Quando você vai para o Salão de Buda ou para o Salão de Dharma sabe que tem algo a fazer lá: meditação sentada, ouvir uma palestra de Dharma ou limpar o salão, mas ir para lá também é uma prática. É solicitado que vocês limpem o salão de meditação com consciência, é esperado que vocês se sentem belamente enquanto escutam a uma palestra de Dharma, é esperado que vocês se concentrem, estejam atentos durante sua meditação sentada, e assim a prática acontece no salão de meditação, mas deveríamos saber que a prática também acontece durante sua caminhada até ali.

Eis por que deveríamos tentar estar praticando durante o tempo em que caminhamos para o salão de meditação, e se você for bem sucedido em todo passo que você der, a meditação sentada, a palestra de Dharma ou a limpeza do salão de meditação serão também um sucesso.  Como temos o hábito de fazer as coisas sem eficiência, tendemos a negligenciar, menosprezar o valor dos meios.

Nesta época no Outono, eu normalmente limpo as folhas do eremitério. Eu faço isto a cada três dias mais ou menos e uso um ancinho. Eu sei que limpar as folhas significa ter um caminho limpo para caminhar, fazer meditação caminhando e assim por diante. Eu corro diariamente pelo menos duas vezes - eu pratico a meditação correndo e limpo as folhas deste modo, conscientemente. Limpar as folhas não significa apenas ter um caminho limpo para correr ou caminhar, mas também significa simplesmente gostar de limpar as folhas. Assim, eu seguro o ancinho de tal modo que possa estar contente e sólido durante o tempo de usar o ancinho. E todo movimento que faço, quero fazê-lo como um ato de iluminação, um ato de alegria, um ato de paz, assim eu não tenho pressa, porque vejo que o ato de limpar é tão maravilhoso quanto ter um caminho limpo. Eu não estaria satisfeito com menos do que isso. Todo golpe que eu dou deve trazer alegria, solidez e liberdade para mim. Devo ser completamente eu mesmo durante o ato de limpar as folhas, e limpar as folhas, deste modo não será mais um meio para se chegar a um fim chamado "ter um caminho limpo".

E você não precisa esperar por muito tempo; se puder dar um golpe assim, um movimento assim, investindo completamente você mesmo no ato de limpar as folhas, então imediatamente será recompensado. Essa é uma obra de arte perfeita que você faz porque cada movimento é uma obra de arte.

O mesmo é verdade quando você pratica a caminhada. Cada passo que dá deveria ser uma obra de arte perfeita, cada passo pode lhe trazer solidez, soberania, pois você não caminha como um escravo, caminha como uma pessoa livre. Caminha como um Buda porque quis ser um discípulo, uma filha ou um filho do Iluminado. Você quer ser a sua continuação, eis por que é capaz de dar um passo com soberania, estando completamente no controle si mesmo. Você está completamente presente no aqui e agora, e desfruta daquele passo. Assim, a meditação andando não é chegar ao salão de meditação. Chegar ao salão de meditação é o que você quer, mas você quer mais do que isso, porque alcança o salão de meditação várias vezes ao dia e às vezes dez ou vinte chegadas como esta não fazem nenhuma diferença. Assim, um passo é o bastante para você chegar. Eu cheguei! Com um passo.

Essa é a nossa prática, mas há uma energia de hábito que lhe impede de fazer assim. Você está acostumado a correr por acreditar que a felicidade não é possível aqui e agora, a felicidade só é possível no futuro. Este tipo de convicção, este tipo de energia de hábito tem estado presente por muito tempo, transmitido por muitas gerações de antepassados e vir à Plum Village é ter uma chance de perceber isto; que você é governado por sua energia de hábito, pela tendência de correr todo o tempo. Você não é capaz de estar no aqui e no agora para tocar as maravilhas da vida que estão disponíveis.

Nós temos muitas chances para praticar. Sabemos que lavamos roupas, lavamos pratos, varremos o solo, cuidamos do jardim, há muitas coisas que vocês podem fazer, mas não façam isto do modo como fazem isto no mundo. Façam como uma prática, uma boa prática, e vocês serão recompensados imediatamente, saberão que estão lidando com sua energia de hábito. A energia de hábito nos diz: "rápido, rápido, vá, rápido, rápido, termine logo! O prazo final está próximo!", mas a prática está lhe dizendo o oposto: "não corra, desfrute, o aqui e o agora é a única coisa que você possui, a felicidade não pode ser possível fora do aqui e do agora", assim você tem duas coisas que contradizem uma à outra. Eis por que a palavra "treinamento" significa superar a energia de hábito lentamente e cultivar outra energia de hábito, que é boa. A energia de hábito que você quer cultivar é a capacidade de estar no aqui e agora, e viver todos os momentos de sua vida diária profundamente. Limpe as folhas, desfrute! Faça o café da manhã! Desfrute completamente deste ato de arte culinária. Lave os pratos! Desfrute completamente o ato de lavá-los.

Diariamente no Mosteiro eu lavo os pratos, diariamente eu fervo o arroz e cuido das flores, das plantas, e minha prática é de desfrutar todos os minutos enquanto estou fazendo estas coisas. Sim, escrever um poema é maravilhoso, escrever um artigo é maravilhoso, dar uma palestra de Dharma é maravilhoso, mas é igualmente maravilhoso cuidar do arbusto, cuidar das plantas, lavar os pratos e assim por diante. Por ser muito enriquecedor, muito recompensador, isto pode trazer muita paz, alegria e solidez para você.

Nós sabemos que a felicidade não seria possível se não tivéssemos nenhuma estabilidade e solidez, porque sem o solo da estabilidade e solidez nenhuma paz real, nenhuma felicidade real poderia ser possível. Eis porque aprender a limpar as folhas, aprender a varrer o solo, aprender a lavar os pratos é muito importante. Não diga que a meditação sentada é mais importante ou que a meditação caminhando é mais importante, ou ouvir uma palestra de Dharma é mais importante. Você escuta a palestra de Dharma para poder limpar as folhas. Você escuta a palestra de Dharma para poder lavar os pratos, corretamente e sabendo desfrutar isto.

Em Plum Village nós temos a vantagem de ter muitos irmãos e irmãs que fazem o mesmo e quando vemos um deles praticando nos sentimos apoiados. Eles não fazem nada demais. Eles apenas praticam, não dizem nada a nós; eles simplesmente fazem. E quando nós os vemos agir, temos uma chance de nos voltar para nós mesmos e fazer isto também.

A comunidade de prática é um grande presente, como o raio de sol. Muitos franceses talvez tenham um dia de sol hoje mas talvez porque muitos não tenham a capacidade de habitar no aqui e agora, o raio de sol não significa muito para eles. Mas se você sabe como inspirar e ficar consciente do raio de sol, terá um tipo diferente de sol. O sol existe para você mas não para esses que estão tão ocupados, e que perdem tanto tempo nas suas preocupações, no passado, no futuro. Pressupomos que a lua exista para todos mas há alguns de nós que jamais vêem a lua, nunca obtêm algo da lua, nunca desfrutam a lua.

Nós vivemos juntos em Plum Village durante uma semana, durante um mês ou três meses, durante um ano, e praticamos juntos. Existem alguns de nós que estão bastante contentes, contudo existem alguns de nós que não estão tão contentes; o mesmo ambiente, a mesmo Sangha, a mesma prática e ainda assim recebemos diferentemente o volume de felicidade, paz, estabilidade e alegria. E o que faz esta diferença? A diferença é nossa capacidade de pôr em prática o ensinamento que nos é dado. O Buda foi bastante claro nisto, a vida só está disponível no aqui e agora, com todas suas maravilhas. Se você continuar correndo, estas maravilhas da vida não serão suas. Assim, pare! Sorria ao sol, sorria à lua, sorria para seus irmãos ou irmãs e especialmente, sorria para você.

Reconheça que você está presente. Você precisa ser nutrido pela paz, pela alegria. Você tem se privado destes elementos. É você mesmo que se privou da paz, alegria, nutrição e cura. Agora o Dharma existe para lhe ajudar a parar este curso de vida. Olhe-se, sorria para você, seja amável com você, trate-se com a prática. Aprenda a caminhar, aprenda como respirar e sorrir, aprenda a limpar as folhas no jardim do pátio. É muito importante. O Reino de Deus, a Terra do Buda está aqui mesmo para você tocar.

Se você observou os monges e as monjas, se os observou em Plum Village, notará que enquanto eles caminham não falam, quando falam eles param para falar e escutar, e depois de falar e escutar, eles retornam ao seu andar. Por que eles fazem assim? Porque quando eles falam e escutam, querem investir 100% de si no ato de falar e escutar. Eis porque eles não falam enquanto estão caminhando; eles querem investir 100% de si no ato de andar. Eles querem dar passos reais, passos que podem trazer estabilidade para eles, solidez, liberdade porque sabem que a estabilidade, a solidez é o solo da felicidade, assim eles caminham para ao mesmo tempo cultivar e desfrutar disto.

Eis porque, se você vier a Plum Village e seguir este tipo de exemplo, se unirá à prática. Não falar durante o caminhar não é uma regra porque nós não queremos ser vítimas de regras, não queremos absolutamente nenhuma regra, simplesmente queremos praticar. Se não falamos, é porque queremos praticar. Não é que falar seja um crime. Mas se você falar durante a prática, estará destruindo-a.

Nos ensinamentos do Buda, estar preso a regras é algo que vocês não são encorajados a fazer. Deveríamos olhar para isto como uma prática e não como regras, como os dez preceitos do noviciado que nós temos aqui e que vocês ouviram ontem. Eles não são regras para o noviço. Elas não existem para restringir a liberdade e a felicidade dele. Elas existem para ajudá-lo a levar uma vida de noviço feliz. Porque estes preceitos devem ser considerados como sendo a prática da consciência plena e se vocês praticarem adequadamente preservarão sua liberdade, sua beleza, sua felicidade. Se vocês pensam que estas dez coisas são regras às quais tem que se submeter, tem que se render, vocês não entenderam, vocês não perceberam o sentido real; eis porque o Buda disse: não seja escravo de regras e rituais. Rituais e regras, nós não precisamos deles; precisamos apenas da prática.

Quando entramos no salão de Dharma todo o mundo se levanta e une as palmas. Isso não é uma regra, é a prática. Quando o professor entra no salão, não é afetado pelo respeito que é mostrado a ele. Ele também pratica caminhando, conscientemente, a prática do andar atento é a sua prática. Andar conscientemente é a sua prática, e o levantar-se, respirar e mostrar respeito são as práticas de vocês. Estas duas coisas são igualmente importantes. E se vocês olharem isto como um ritual, estarão errados. Se olharem isto como uma regra, estarão errados, vocês devem ver isto como sua prática, e a boa prática sempre pode ser reconhecida. Quando o professor caminha, ele deveria ser uma pessoa livre, não é afetado pelo orgulho, complexo de arrogância, esta é sua prática. Sua prática é ser respeitoso com o professor, gostar de se levantar desta forma, inspirar, expirar, sorrir e tocar as muitas gerações de professores na história. Quando você está em contato com seu professor, você está em contato com o professor de seu professor, o professor de sua professora, e você está em contato com muitas gerações de professores, está em contato com o Buda, portanto esta é sua prática.

Eis porque você não reclama que deve se levantar muito cedo e que o professor está caminhando muito lentamente. O professor vive a prática dele e você a sua, todo o mundo está usufruindo disto, e você saberá se sua prática está correta ou não. Você sabe por si se a prática o está fazendo feliz, calmo, sólido. Você sabe que o professor cuida da prática dele e você da sua, e nós não deveríamos olhar isto como uma regra ou um ritual, caso contrário, estaremos presos a formas de rituais e regras, e o Buda é contra rituais, meros rituais e regras.

Quando você segura um copo de água e a bebe conscientemente, o ato é tão bonito e se parece com um ritual, certo? Mas aquele que está segurando o copo e está bebendo não tem qualquer intenção de fazer disto um ritual, uma performance. Ele simplesmente gosta de segurar o copo e beber. Mas porque a plena consciência está lá, muito profunda, muito forte, assim o ato se parece um ritual, mas não é ritual, é a prática.

Quando você se curva assim e sente que sua mente e seu corpo estão unidos em concentração, em plena consciência, e sente que está totalmente presente orientado para algo bom, verdadeiro e bonito, a natureza da iluminação, a natureza do despertar em si, você recebe algo, usufrui disto e não pensa nisto como um ritual. Mas se você faz isto como uma máquina e quando vê pessoas simplesmente as imita sem entender, isso é um ritual, é uma coisa ridícula de fazer, completamente vazia. Este tipo de ritual está completamente vazio e nós não deveríamos fazer assim.

Assim em grandes retiros na América Norte temos sempre pessoas novas, às vezes 50 ou 60% das pessoas que se juntam ao retiro são pessoas novas e elas ficam envergonhadas, elas pensam nisto como um ritual, elas não estão confortáveis. Eis porque eu sempre começo dizendo, se curvar ou não se curvar, esta não é a questão! Curvar-se é um ritual, assim não fique preso pelo ritual. Prática. Se você pensar que fazer isto lhe trará concentração, insight e reverência, isso então irá lhe fazer bem, isso o fará feliz e então você fará isto e estará livre de rituais, livre de regras.

Assim os dez preceitos do noviciado são práticas que se direcionam para ajudar o noviço a ser livre, estar contente, ser sólido e se você considerar os preceitos como algo que limita sua liberdade, está errado, estará preso a rituais, será preso a regras e isso é contra o espírito budista.

(Discussão de Dharma ministrada por Thich Nhat Hanh em Plum Village em 5 de dezembro de 1999)
(Transcrito e editado por Carol Fegan, Chan An Cu, Traduzido ao Português por Claudio Miklos)

sábado, 29 de novembro de 2014

Leoni e Herbert Vianna - Canção pra quando você voltar (DVD)

Feliz Continuação

Por Thich Nhat Hanh

“Ouça Shariputra, todos os dharmas são marcados com a vacuidade. Eles não podem ser produzidos nem destruídos.” (Sutra do Coração)

Dharmas aqui, significam coisas. Um ser humano é um dharma. Uma árvore é um dharma. Uma nuvem é um dharma. O brilho do sol é um dharma. Tudo que pode ser concebido é um dharma. Portanto, quando dizemos, “Todos os dharmas são marcados com a vacuidade,” estamos dizendo, tudo tem a vacuidade como sua natureza. E é por isso que tudo pode existir. Há muita alegria nessa declaração. Significa que nada pode nascer, nada pode morrer. Avalokita disse algo extremamente importante.

Em cada dia na nossa vida vemos nascimento e morte. Quando uma pessoa nasce, uma certidão de nascimento é impressa para ele. Depois que morre, de forma a enterrá-lo, um certificado de óbito é feito. Essas certidões confirmam a existência do nascimento e da morte. Mas Avalokita disse, “Não, não há nascimento e morte.” Temos que olhar, mais profundamente de forma a ver se essa declaração é verdadeira.

Qual é a data na qual você nasceu, sua data de nascimento? Antes dessa data, você já existia? Você já estava presente antes de nascer? Deixe-me ajudá-lo. Nascer significa que de nada você se tornou algo. Minha pergunta é, antes de  nascer, você já estava presente?

Suponha que uma galinha está prestes a colocar um ovo. Antes de ela colocá-lo, você acha que o ovo já estava presente? Sim, é claro. Está dentro dela. Você também estava dentro antes que saísse. Isto significa que antes de nascer, você já existia – dentro de sua mãe. O fato é que se algo já está presente, não necessita nascer. Nascer significa que do nada, você se tornou algo. Se você já é algo, qual o sentido de nascer?

Portanto, o chamado, dia do aniversário é na realidade seu dia de Continuação. Na próxima vez que celebrar, pode dizer, “Feliz dia de Continuação.” Acho que podemos ter uma idéia melhor de quando nascemos. Se voltarmos nove meses antes, para o momento da concepção, teremos uma data melhor para colocar em nossa certidão de nascimento. Na China e também no Vietnã, quando nasce, já se considera que você tenha um ano de idade. Portanto dizemos que nosso início se dá no momento da concepção no útero de nossa mãe, e escrevemos essa data na nossa certidão de nascimento.

Mas a questão permanece: Antes mesmo desta data você existia ou não? Se você disser, “Sim”, acho que está correto. Antes da sua concepção, você já estava presente, talvez metade na sua mãe, metade no seu pai. Porque do nada, não podemos nos tornar algo. Você pode citar uma coisa que uma vez tenha sido nada? Uma nuvem? Você acha que uma nuvem pode nascer do nada? Antes de ser uma nuvem, era água, talvez flutuando em um rio. Ela não era um nada. Você concorda?

Não podemos conceber o nascimento do nada. Há apenas continuação. Por favor, olhar ainda mais para trás e você verá que você não apenas existia no seu pai e mãe, mas também nos seus avôs e avós. Ao olhar mais profundamente, posso ver que numa vida anterior eu era uma nuvem. Isto não é poesia, é ciência.

Porque eu digo que numa vida anterior eu era uma nuvem? Porque eu ainda sou uma nuvem. Sem a nuvem, eu não poderia estar aqui. Eu sou a nuvem, eu sou o rio, e o ar neste exato momento, portanto eu sei que no passado eu fui uma nuvem, um rio e o ar. E eu era uma pedra. Eu era os minerais na água. Isto não é uma questão de crença em reencarnação. Esta é a história da vida na Terra. Fomos gás, brilho do sol, água, fungos e plantas. Fomos seres unicelulares. O Buda disse que em suas vidas passadas ele era uma árvore. Ele foi um peixe, Ele foi um cervo. Estas não são coisas supersticiosas. Todos fomos uma nuvem, um cervo, um pássaro, um peixe e continuamos a ser essas coisas, não apenas em vidas passadas.

E não é apenas assim com o nascimento. Nada pode nascer e também nada pode morrer. Isto foi o que Avalokita disse. Você acha que uma nuvem pode morrer? Morrer significa que de algo você se tornou nada. Você acha que podemos transformar alguma coisa em nada? Vamos voltar à nossa folha de papel. Podemos ter a ilusão que para destruir toda a folha tudo o que temos que fazer é acender um fósforo e queimá-la. Mas se queimarmos uma folha de papel, parte dela se tornará fumaça e a fumaça subirá e continuará a existir.

O calor resultante da queima do papel entrará no cosmos e penetrará nas outras coisas, porque o calor é a vida seguinte do papel. A cinza que é formada se tornará parte do solo e a folha de papel, na sua vida seguinte, poderá ser uma nuvem e uma rosa ao mesmo tempo. Temos que ser muito cuidadosos e atentos de forma a perceber que esta folha de papel nunca nasceu e nunca morrerá. Ela pode passar a ser outras formas de vida, mas não somos capazes de transformar uma folha de papel em nada.

Tudo é assim, mesmo você e eu. Não somos sujeitos ao nascimento e morte. Um mestre Zen poderia dar a seu aluno um tema de meditação como esse, “Como era seu rosto antes que seus pais nascessem?” Este é um convite para ir em uma viagem de forma a se reconhecer. Se você fizer bem feito, poderá ver suas vidas passadas assim como as vidas futuras.

Lembre-se, por favor, que não estamos falando sobre filosofia, estamos falando da realidade. Olhe para a sua mão e se pergunte, “Desde quando minha mão tem estado por aí?” Se eu olhar profundamente para minha mão, poderei ver que ela tem estado por aí há um longo tempo, mais de 300.000 anos. Vejo muitas gerações de ancestrais nela, não apenas no passado mas no momento presente, ainda vivas. Eu sou apenas uma continuação. Eu nunca morri nenhuma vez. Se eu tivesse morrido uma vez ao menos, como minha mão ainda estaria aqui?

O cientista francês Lavoisier disse, “Nada é criado e nada é destruído.” Isto é o mesmo que está no Sutra do Coração. Mesmo os melhores cientistas contemporâneos não podem reduzir algo como uma partícula de poeira ou um elétron a nada. Uma forma de energia pode apenas se tornar outra forma de energia. Uma coisa nunca pode se tornar nada e isso inclui uma partícula de poeira.

Usualmente dizemos que humanos vêm do pó e voltaremos ao pó e isto não soa muito alegre. Não queremos retornar ao pó. Há uma discriminação aqui achando que humanos valem mais e que a poeira não tem valor nenhum. Mas cientistas não sabem ao menos o que é um grão de poeira! Ainda é um mistério. Imagine um átomo desse grão de poeira, com elétrons viajando em torno do núcleo a 180.000 milhas por segundo. É muito excitante. Voltar a ser um grão de poeira será uma aventura muito excitante!

Às vezes temos a impressão que entendemos o que é um grão de poeira. Até mesmo fingimos que entendemos um ser humano – um ser humano que dizemos que voltará a ser um grão de poeira. Como vivemos com uma pessoa por 20 ou 30 anos, temos a impressão que sabemos tudo sobre ela. Portanto, ao dirigir o carro com a pessoa ao nosso lado, pensamos em outras coisas. Não estamos mais interessados nela. Que arrogância! A pessoa sentada ali ao nosso lado é realmente um mistério! Apenas temos a impressão que a conhecemos, mas não sabemos nada ainda.

Se olharmos com os olhos de Avalokita, veremos que mesmo um fio de cabelo da pessoa é o cosmos inteiro. Um fio de cabelo na sua cabeça pode ser uma porta se abrindo para a realidade última. Um grão de poeira pode ser o Reino dos Céus, a Terra Pura. Quando você vir que você, o grão de poeira e todas as coisas intersão, você entenderá que as coisas são dessa forma. Precisamos ser humildes. “Dizer que não sabe é o começo do conhecimento”, é um provérbio chinês.

Um outono, eu estava em um parque, absorvido na contemplação de uma  bonita folha muito pequena, na forma de coração. Sua cor era quase vermelha, e estava por pouco pendurada no galho, quase pronta para cair. Eu fiquei um bom tempo com ela e perguntei à folha muitas questões. Eu descobri que a folha tinha sido uma mãe para a árvore. Usualmente pensamos que a árvore é a mãe da folha. A seiva que as raízes captam é apenas água e minerais, e não é boa o suficiente para nutrir a árvore, portanto a árvore distribui a seiva para as folhas. E as folhas assumem a responsabilidade de transformar a seiva bruta na seiva elaborada e com a ajuda do sol e gás, a devolvem de forma a nutrir a árvore. Portanto as folhas são também a mãe da árvore. E como a folha é ligada à árvore por um talo, a comunicação entre elas é fácil de ver.

Não temos mais um talo nos ligando à nossa mãe, mas quando estávamos no seu útero tínhamos um longo talo, um cordão umbilical. O oxigênio e os nutrientes que precisávamos vinham para nós através desse talo. Infelizmente, no dia que chamamos de dia do aniversário, ele foi cortado e recebemos a ilusão que éramos independentes. Isto é um erro. Continuamos a depender de nossa mãe por um longo tempo, e temos muitas outras mães também. A Terra é nossa mãe. Temos muitos grandes talos nos ligando à nossa mãe Terra.

Há um talo nos ligando com a nuvem. Se não houvesse nuvem, não haveria água para bebermos. Somos feitos de pelo menos setenta porcento de água e o talo entre a nuvem e nós está realmente presente. Há também a mesma situação com o rio, a floresta, o lenhador e o fazendeiro. Há centenas de milhares de talos nos ligando a tudo no cosmos de forma que possamos existir. Você vê a ligação entre você e eu? Se você não estiver aí, eu não estaria aqui. Isto é certo. Se você não vê isso ainda, olhe mais profundamente e tenho certeza que verá. Como disse, não é filosofia. Você realmente tem que ver.

Eu perguntei para a folha se ela tinha medo porque era outono e as outras folhas estavamm caindo. A folha me disse, “Não. Durante toda a primavera e verão eu estava viva. Trabalhei duro e ajudei a nutrir a árvore, e muito de mim está na árvore. Por favor, não diga que eu sou apenas esta forma, porque a forma da folha é apenas uma pequena parte de mim. Eu sou a árvore inteira. Sei que já estou dentro da árvore e quando eu for de volta ao solo, continuarei a nutrir a árvore. É por isso que não me preocupo. Assim que eu deixar o galho e flutuar ao solo, acenarei para a árvore e direi a ela, `Te verei novamente em muito em breve`” .

Logo eu vi um tipo de sabedoria muito parecido com a contida no Sutra do Coração. Você tem que ver a vida. Não deveria dizer a vida da folha, deveria apenas falar na vida na folha, na vida na árvore. Minha vida é apenas Vida, e você pode vê-la em mim e na árvore. Naquele dia havia um vento soprando e depois de um tempo via a folha deixar o galho e flutuar para o solo, dançando alegremente, porque enquanto flutuava olhava para si mesmo já na árvore. Ela estava muito feliz. Curvei minha cabeça e sabia que havia muito a aprender da folha porque ela não tinha medo – ela sabia que nada pode nascer e nada pode morrer.

(...) Amanhã eu continuarei a ser. Mas você terá que ser muito atencioso para me ver. Eu serei uma flor ou uma folha. Eu estarei nessas formas e direi alô para você. Se você tiver atenção suficiente me reconhecerá e poderá me cumprimentar. Eu ficarei muito feliz.

(Do livro “The heart of undestanding” – Thich Nhat Hanh)
(Traduzido por Leonardo Dobbin)
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