A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre aos Sábados, às 08h00, no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Andar com os pés de Buda

 
Por Thich Nhat Hanh
 
É possível andar com os pés de Buda. Nossos pés, fortalecidos pela energia da consciência plena, se tornam os pés de Buda. Você não pode dizer “eu não consigo andar com os pés de Buda, eu não os tenho.” Isto não é verdade. Os seus pés são os pés de Buda, e é você quem decide se quer realmente usá-los. Se você levar a energia da atenção plena para seus pés, os seus pés se tornam os pés de Buda e você anda por ele. E isto não requer algum tipo de fé cega. Isto é tão claro. Se você está habitado pela energia da consciência plena, você está agindo como um Buda, você está falando como um Buda, você está pensando como um Buda. Isto é a budeidade em você. Isto é algo que você pode experimentar; não é uma teoria.
 
A prática do sentar em paz e a prática do caminhar em paz é muito básica em Plum Village. Nós aprendemos a sentar de tal modo que a paz seja possível durante todo o tempo sentado. Aprendemos a caminhar de tal modo que durante todo o tempo de caminhada exista paz. E confiamos em nossa atenção, em nossa concentração para tanto. Também nos beneficiamos da energia coletiva da mente atenta da Sanga para fazer isto. Se tivermos êxito em um dia, podemos ter êxito outro dia e assim por diante. Temos que estar determinados a ter sucesso na prática.
 
Se durante a meditação caminhando formos, por exemplo, capturados por um pensamento: o que temos que fazer quando formos para casa, perdemos a caminhada, perdemos a oportunidade. Estamos andando com a Sanga, mas não estamos lá. Não somos capazes de nos estabelecer no aqui e agora, e, portanto, não podemos dar um passo feliz, em paz. Ou, se estivermos preocupados com algo, se estivermos enraivecidos com alguém, não somos capazes de dar passos pacíficos e perdemos tudo.
 
Sabemos que podemos não estar livres enquanto caminhamos. E caminhar é uma prática que nos liberta. Deveríamos andar como uma pessoa livre. Liberdade torna a paz possível, para que a felicidade esteja conosco. Temos que investir cem por cento em nós mesmos a cada passo para nos tornarmos livres. Se, enquanto estivermos andando, formos capturados e surgir um sentimento de raiva, ou preocupações, ou pensamentos do passado ou do futuro, de outros lugares, nós não estamos livres.
 
Não estamos realmente andando com a Sanga porque estamos em outro lugar. Isto é um desperdício. Inspirando, podemos estar cientes disto: Eu não estou realmente aqui, e me arrependerei disso depois. Estou tendo a oportunidade, mas não estou tocando as condições de felicidade que repousa no aqui e agora. Sou capaz de ser livre? Sou capaz de ser a paz neste exato lugar e agora? Perguntamos. Desafiamo-nos.
 
Por que se você não for livre, se não conseguir ser livre agora, não poderá ser livre depois. Portanto você tem que estar determinado a ser livre neste exato lugar e momento. Embora a formação mental da preocupação ou raiva surja muito fortemente, sabemos que existe profundamente dentro de nós a semente de liberdade, a semente da paz, e devemos fazer algo para que estas sementes se manifestem. Não somos apenas a preocupação, a raiva dentro de nós, somos mais do que a nossa preocupação, e a nossa raiva. E cada pessoa tem que encontrar caminhos efetivos de se libertar.
 
Quando temos insight, somos capazes de ver a verdadeira natureza da impermanência. Geralmente, tentamos tão fortemente fazer com que as coisas sejam estáveis em nossa vida que a idéia de impermanência provoca ansiedade. Mas se contemplarmos profundamente a natureza da impermanência, podemos na realidade achá-la muito confortante.
 
Quando você dá um passo, você pode visualizar que sua mãe está dando aquele passo com você. Isto não é algo difícil porque você sabe que os seus pés são uma continuação dos pés de sua mãe. Na medida em que praticamos a contemplação profunda, vemos a presença de nossa mãe em cada célula do nosso corpo. Nosso corpo também é uma continuação do corpo de nossa mãe. Quando você dá um passo, você pode dizer: “Mãe, ande comigo.” E subitamente você sente sua mãe dentro de você andando com você. Você pode notar que, durante a vida dela, ela não teve muita chance de andar no aqui e agora e tocar o chão como você. Então subitamente nasce a compaixão, nasce o amor. E isto se dá porque você consegue ver sua mãe andando com você – não como algo imaginado, mas como uma realidade. Você pode convidar o seu pai a andar com você. Você pode querer convidar as pessoas que você ama a andar com você no aqui e agora. Você pode convidá-los e caminhar com eles sem eles precisarem estar fisicamente presentes.
 
Nós continuamos nossos ancestrais, nossos ancestrais estão totalmente presentes em cada célula do nosso corpo. Então quando damos um passo em paz e sabemos que todos os nossos ancestrais estão dando aquele passo conosco, milhões de pés estão fazendo o mesmo movimento. Com técnicas de vídeo você consegue criar àquele tipo de imagem. Milhares de pés estão dando um passo juntos. E é claro que sua mente consegue fazer isto. A sua mente consegue ver milhares de milhões de pés dos seus ancestrais dando um passo junto com você. Esta prática, usando visualização, vai quebrar a idéia, o sentimento, que você é um eu separado. Você anda e, no entanto, eles andam.
 
Buda nos ofereceu muitas práticas para que possamos ser nós mesmos. O insight da impermanência é um dos instrumentos que dispomos. O insight da inexistência do eu, outro. Apesar de tudo, a pessoa de quem estamos com raiva, seja nosso filho, seja nossa filha, seja nosso companheiro, a felicidade dele ou dela é nossa própria felicidade. Se àquela pessoa não estiver feliz, eu não conseguirei estar feliz. Eu não quero ser desamável com ele ou ela. Portanto, eu devo ser pacífico, eu devo ser feliz, porque ficando com raiva eu não me ajudo, e não ajudo a ele ou ela. Se eu sofrer, não há como ele ou ela ser feliz. Ele não é um eu separado e eu não sou um eu separado; nós interexistimos. Quando você usa o instrumento da inexistência do eu e toca a natureza da interexistência, subitamente você supera sua raiva e você é capaz de dar um passo pacífico e feliz.
 
Se você está andando com os pés de Buda, você está andando no céu, você está andando na Terra Pura a cada passo. A prática de Plum Village é caminhar na Terra Pura de Buda todo dia. Toda vez que você se move, os seus pés tocam a Terra Pura de Buda. Isto está escrito em um dos nossos cânticos diários: Cada passo me ajuda a tocar a Terra Pura. Esta é a prática. Outro verso: Eu me comprometo a tocar a Terra Pura a cada passo que dou. Estes cânticos não é uma oração a mais, mas sim um guia, um lembrete de prática. Você pode fazer isto; você sabe que consegue fazê-lo. Com consciência plena, você se torna atento de seus passos e toca a Terra Pura com todas as suas maravilhas. Um passo como este gera liberdade, alegria e cura.
 
Todos nós sabemos que a meditação caminhando é para curtirmos caminhar no Reino de Deus, na Terra Pura de Buda, e andando deste jeito pode transformar, pode curar, pode gerar muito amor interno. Andamos não apenas por nós mesmos, andamos por nossos pais, nossos ancestrais e por àqueles que estão sofrendo no mundo. A Terra Pura é algo que carregamos conosco em qualquer lugar que vamos – uma Terra Pura portátil. Esta é a melhor coisa que você pode oferecer às pessoas que você encontra. Oferecer a elas nada menos que a Terra Pura ou o Reino de Deus. Você é um (a) bodisatva, este é o tipo de presente que vale à pena preparar para as pessoas à sua volta.
 
Cerca de um milhão e quinhentos mil anos atrás, os humanos começaram a ficar em pé sobre os próprios pés e as mãos deles foram liberadas. Uma vez que as mãos estavam libertas, o cérebro começou a crescer muito rapidamente. A natureza búdica é inerente ao homem primitivo, embora Buda só tenha aparecido na Terra há dois mil e seiscentos anos atrás. Aprendemos com dele que outros Budas apareceram antes dele, como Buda Dipankara e Buda Kashyapa. Existe uma raça de seres humanos que são capazes de gerar a energia da consciência plena o dia todo. E nós pertencemos a esta raça: “homo sapiens consciente”.
 
Todos nós pertencemos à família de Buda, porque somos capazes de gerar a energia da consciência plena que habita em nós vinte e quatro horas por dia. Budas são àquelas criaturas que vivem plenamente conscientes vinte quatro horas por dia. No início nos tornamos um (a) Buda por meio-expediente, e na medida em que continuamos a praticar nos tornamos Budas por tempo integral. Aprendemos a não discriminar porque compreendemos que cada pessoa possui a semente da natureza búdica. Todos os que não são Buda têm a natureza de Buda. É por isso que estamos livres de discriminação racial.
 
E nossa prática é ajudar a natureza de Buda a se manifestar em tantas pessoas quanto possível, porque o despertar coletivo é a única coisa que pode nos retirar desta situação difícil presente. Após a iluminação, Buda já sabia que ele tinha que compartilhar a prática com os outros. Buda significa “uma pessoa desperta”, uma pessoa consciente. Durante os seus quarenta e cinco anos de clérigo, Buda sempre tentou ajudar outras pessoas a despertarem, a serem plenamente conscientes. Ele sempre ensinou que o caminho da consciência plena, concentração e insight é o caminho da libertação, o caminho da felicidade.
 
(Do livro Buddha Mind, Buddha Body: Walking toward Enlightenment, de Thich Nhat Hanh)
(Tradução para o português: Tâm Vân Lang)
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Encontro com Thich Nhat Hanh 1.mov


domingo, 28 de julho de 2013

Site da Associação Meditar

Enio Burgos

Aos queridos amigo(as),

É com imensa alegria que, após muitos anos, finalmente entra no ar o site da Associação Meditar. Ainda está em obras, mas é o início de um instrumento voltado à promoção da prática e do encontro entre os praticantes. Por favor, visitem, divulguem, etc., se assim acharem por bem. Muito obrigado a todos aqueles que, de algum modo, nos auxiliaram a dar mais este pequeno e importante passo da Associação Meditar.

www.associacaomeditar.org

Homenagem ao Papa e a todos os cristãos - James Taylor

Torne-se mestre de sua mente




Trecho escrito por S.S. o Dalai Lama

“Hoje, enfrentamos muitos problemas. Alguns criados por nós em conseqüência de diferenças ideológicas, religiosas, raciais, econômicas. Entretanto, chegou o momento de pensarmos em um nível mais profundo, em nível humano, e a partir daí apreciar e respeitar essa mesma condição nos outros seres humanos. Devemos construir relacionamentos mais próximos, de confiança mútua, compreensão e ajuda. Todos queremos a felicidade e evitar o sofrimento. Todos temos o mesmo direito de ser felizes, e aí reside a nossa igualdade fundamental. Não é necessário seguir filosofias complicadas. Nosso próprio cérebro, nosso próprio coração é o nosso templo. A filosofia é a bondade.”
 
Dalai Lama

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Ustad Bismillah Khan - Raga Durga

Cãopanheirismo - Acolher, sempre e indistintamente!! - Curitiba/PR


Notícia do Blog Animal, via Gazeta do Povo/PR.
 
Para alegrar os corações de quem adora animais, tenho duas ótimas notícias. A primeira é que desde o começo da semana os moradores de rua que têm cães também podem levá-los aos abrigos. Até agora o que está recebendo animais é o do bairro Rebouças, que fica na Rua Plínio Tourinho. Segundo a prefeitura, a ideia surgiu porque muitos desabrigados desistiam de ir por não poderem levar os cães.

A outra notícia é que hoje vai acontecer um mutirão organizado pelo grupo de protetoras da Cãopanheiro. Elas vão reunir os interessados em ajudar os moradores de rua e seus cães (ou gatos) com cobertas e comida. Quem quiser participar, é só ir à Rua Marchal Hermes, no Centro Cívico, às 20h. A ideia é levar ração, bolachas, café, leite, chocolate quente (as bebidas devem ser levadas dentro de garrafa térmica) e cobertores (vale papelão e jornal).

Quem não puder participar e sair pelas ruas atrás de animais que estejam passando frio, pode deixar doação em dois endereços: Rua Brasílio Itibirê, 3727, e Marechal Hermes, 748 (esse é o endereço de uma das protetoras, a Fabiana. É só entregar na portaria no nome dela).

Publicação extraída do site: http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/blog-animal/

segunda-feira, 22 de julho de 2013

FUKANZAZENGI

Regras universais do Zazen

(Manual de meditação do mestre Eihei Dogen - Japão, 1200 - 1253 dC)

Agora, quando procuramos a fonte do Caminho, descobrimos que é universal e absoluta. Torna-se desnecessário distinguir entre prática e iluminação. O ensinamento supremo é livre, então por que deveríamos estudar os meios de atingi-lo? Sem dúvida, o Caminho está bem longe da delusão. Por que, então, preocupar-se com os meios de eliminá-la?

O Caminho está completamente presente onde você está, então qual a necessidade de prática e de iluminação? Contudo, se no início houver a menor diferença entre você e o Caminho, o resultado será uma separação maior do que aquela entre o céu e a terra.

Se surgir o menor pensamento dualista, você perderá sua mente-Buda. Por exemplo, algumas pessoas se orgulham de sua compreensão, e acreditam que estão ricamente dotadas com a sabedoria de Buda. Crêem que já alcançaram o Caminho, iluminaram suas mentes e conquistaram o poder de tocar os céus. Imaginam que estão andando no reino da iluminação. Mas o fato é que quase perderam o Caminho absoluto, que está além da própria iluminação.

Ainda se vêem as marcas daquele que por seis anos sentou-se erecto e se ouvem os ecos do Monte Shaolim onde por nove anos sentou-se de face para a parede aquele que transmitiu o selo da mente. Já que estes antigos sábios eram tão diligentes, como podem os praticantes dos dias atuais deixar de praticar zazen? Devemos parar de correr atrás de palavras e de letras e aprendermos a nos retirar e refletir sobre nós mesmos. Quando assim fazemos, nosso corpo e mente são naturalmente transcendidos, e nossa natureza-Buda original se manifesta. Se almejarmos realizar a sabedoria de Buda, devemos começar a praticar imediatamente.

Para fazer zazen, é desejável um local tranqüilo. Devemos ser moderados no comer e no beber, abandonando todo relacionamento deludido. Deixando tudo de lado, não pensemos nem no bem, nem no mal, nem no certo, nem no errado. Assim, tendo cessado a agitação da mente, abandonamos até mesmo a idéia de nos tornar Buda. Isto é verdadeiro não só para o zazen, mas para todas as nossas ações cotidianas, sem apego ao sentar ou ao deitar.

Geralmente, colocamos um acolchoado quadrado no chão, onde vamos sentar, e sobre ele uma almofada redonda. Podemos sentar na posição de lótus ou na de meio lótus. Na primeira, colocamos o pé direito sobre a coxa esquerda, e em seguida o pé esquerdo sobre a coxa direita. Na segunda, apenas colocamos o pé esquerdo sobre a coxa direita. As roupas devem ser folgadas, mas bem arrumadas. Em seguida, colocamos o dorso da mão direita sobre o pé esquerdo e o dorso da mão esquerda sobre a palma direita, com as pontas dos polegares se tocando levemente. Devemos nos sentar perfeitamente eretos, nem inclinados à direita, nem à esquerda, nem para frente, nem para trás. As orelhas devem estar alinhadas com os ombros e o nariz alinhado com o umbigo. A ponta da língua deve ser colocada no palato, os lábios e dentes devem ficar fechados. Mantendo os olhos entreabertos, respiramos suavemente pelas narinas. Finalmente, tendo regulado o corpo e a mente fazemos uma respiração profunda, movendo nosso corpo para a esquerda e para a direita e então, devemos ficar imóveis, sentados tão firmes quanto uma rocha. Existe o pensar, existe o não pensar e existe o inconcebível. Esta é a verdadeira base do zazen.

Zazen não é meditação passo a passo. É o portal do Darma da agradável tranqüilidade, é a prática e a realização da Iluminação, é tornar-se o "koan". A verdade aparece, não mais havendo delusão. Se compreendermos isto, estaremos completamente livres, como um dragão na água, ou um tigre recostado na montanha. O Darma Correto surge naturalmente e ficamos completamente livres de todo cansaço e confusão.

Ao terminarmos o zazen, devemos mover o corpo devagar e nos levantar com calma. Não devemos nos mover bruscamente.

Pela virtude do zazen, é possível transcender a diferença entre o comum e o sagrado e obter a capacidade de morrer sentado ou de pé. Além do mais, é impossível para nossa mente discriminatória compreender como os Budas e Ancestrais do Darma comunicaram a essência do Zen a seus discípulos, com o levantar de um dedo, com uma vara, jogando uma agulha ou batendo com o martelo de madeira; ou como eles transmitiram a iluminação com o levantar de um hossu, de um punho, de um bastão ou com um grito.

Tampouco, este assunto pode ser compreendido através de poderes sobrenaturais ou de uma visão dualista de prática e iluminação. Zazen é a prática além dos mundos subjetivos e objetivos, além do pensamento discriminatório. Assim, nenhuma discriminação deverá ser feita entre o inteligente e o não-inteligente. Praticar o Caminho com todo o respeito é, em si mesmo, iluminação. Não existe separação entre a prática e a iluminação, ou entre o zazen e a vida cotidiana.

Os Budas e Ancestrais do Darma, tanto neste país, quanto na Índia e na China, todos preservaram cuidadosamente a mente-Buda e incentivaram assiduamente o treinamento Zen. Devemos, pois, nos dedicar exclusivamente, e sermos completamente absorvidos pela prática do zazen. Apesar da divulgação de inúmeras maneiras de se compreender o Budismo, devemos praticar somente o zazen. Não há motivo para abandonarmos nosso assento de meditação e fazermos viagens inúteis a outros países. Se nosso primeiro passo for errado, inevitavelmente tropeçaremos.

Já tivemos a boa fortuna de nascer com um corpo precioso, então, não devemos desperdiçar nosso tempo à toa. Agora que sabemos qual é a coisa mais importante no Budismo, como podemos ficar satisfeitos com o mundo transitório? Nossos corpos são como o orvalho sobre a relva, e nossas vidas como o clarão de um raio, que desaparece num instante.

Sinceros praticantes Zen, não se espantem com o Verdadeiro Dragão, nem gastem muito tempo inutilmente apalpando apenas uma pequena parte do elefante. Dediquem seus esforços ao caminho que leva diretamente à natureza-Buda. Respeitem aqueles que alcançaram o conhecimento completo, que estão sem intenção de intenção.

Tornem-se um com a sabedoria dos Budas e assim, sucessores legítimos da iluminação dos Ancestrais. Praticando desta maneira, certamente serão capazes de compreender tudo isto. Então, a casa do tesouro naturalmente se abrirá e vocês poderão se servir à vontade.

Tradução: Monja Coen Sensei, www.monjacoen.com.br

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Retiro da Primavera - Cuiabá/MT


é com alegria que informamos da possibilidade da realização de um retiro nos dias 7 e 8 de setembro com a orientação do Dr. Enio Burgos. 


Para isso, precisaremos da reunião de esforços de todos os interessados, que deverão confirmar e pagar pelo retiro até o dia 10 de agosto, impreterivelmente.  

O valor da inscrição é R$ 150,00 (cento e cinquenta reais). 

Como todos sabem a Associação Meditar é uma entidade civil sem fins lucrativos, razão que impende sabermos com certeza o número de participantes, antes de assumirmos as despesas inerentes ao encontro.

Para maiores informações e inscrição:

Ligia – (65) 3052-6634

Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, 137 – Araés

domingo, 14 de julho de 2013

Conhece-te a Ti Mesmo

 

Por J. Krishnamurti, tal como impresso na revista The Herald of Star no número de Maio de 1925


Penso que não existe tema mais interessante ou mais prometedor, ou de forma alguma mais excitante, do que o estudo de nós mesmos. Aos 15 ou 16 anos, estamos submersos em nós mesmos. Não há nada que nos interesse tanto. Depois apaixonamo-nos por alguém; mas ainda assim estamos extasiados com nós próprios. Há, descobrimos, muito mais inteligência no estudo de nós mesmos, e muito pouco pensamento dedicado aos outros. E de bom grado damos a uma quiromante 15 rupias para ela nos contar tudo sobre nós. E sentimo-nos bastante confortáveis com o pensamento de que iremos ser grandes um dia – sem, aparentemente, ter que lutar por essa grandeza. Existe apenas um tema que nos atrai e esse somos nós mesmos. Discutimo-nos, e de uma forma aprobatória consideramos como nos comportar, de que modo desenvolvermo-nos, e por aí em diante.

Parece-me que se pensarmos inteiramente deste ponto de vista, deste ponto que unicamente nos interessa a nós, não entenderemos porque é que existimos, ou porque qualquer coisa neste mundo, de todo, existe. Claro que é verdade que primeiro temos de nos compreender a nós mesmos antes de querer descobrir seja o que for sobre a vida em geral. Filosofia, religião e outros temas não possuem real valor, real controlo sobre um indivíduo, ou apenas têm uma pequena influência, quando somente apontam como podemos escapar a certas coisas, como evitar o mal, e por ai fora. Mas aqueles de nós que são membros da Star, ou pertencem a tais organizações, deverão ter a ideia de um plano definido que está a desenvolver-se.

Estamos em posição de examinar as coisas que nos são mais valiosas – coisas que produzem em nós o desejo de evoluir. Em todos nós existe o desejo de descobrir por nós mesmos até onde podemos compreender quem somos e o que nos afecta. A pessoa comum está de longe mais interessada nela mesma do que em qualquer outra. Luxúria, conforto, felicidade, tudo tem que apoiar os seus fins. Quando tudo foi feito para a satisfazer então somente pensa nos outros. Quando eu tiver comido e dormido o suficiente, voltar-me-ei para pensar nos outros. Esta é a visão comum. Se tiveste amor em abundância, ou felicidade, és levado a pensar no outro.

Mas para alcançar essa felicidade, devemos descobrir até onde nos encaixamos num plano definido. Devemos estar cientes de que há um plano em que cada um de nós tem um papel a representar, e devemos possuir a determinação na qual agiremos, com a qual deveremos criar o ambiente no qual caberemos – ou não; e se estivermos dispostos a procurar com a atitude correcta deveremos ser capazes de descobrir até onde nos encaixaremos nesse plano. Para mim, posso imaginar que os deuses eleitos disseram que Krishna deverá encaixar-se num certo plano estabelecido, e que o quer que seja que ele faça, não terá valor, e enquanto encaixar nesse plano, Krishna crescerá e será feliz. Eu estava interessado e observava-me a mim mesmo, e podia ver de ano para ano uma mudança definida, uma orientação definida, uma transformação definida e podia ver qual era o meu definido papel. E assim cada um de nós deverá descobrir que caminho percorrer e qual a especialidade a ter.

Acontece frequentemente que a maioria de nós está disposta a subir até ao altar e verter a nossa devoção. A devoção existe, em diversos graus, na maioria de nós, mas não pode nem deve satisfazer-nos. Se eu fosse ter com a Dr.ª Besant e lhe disesse: “Estou disposto a servi-la em qualquer das minhas capacidades. Estou disposto a sacrificar tudo e o meu único desejo é trabalhar para obter conforto, independência, e por aí fora,” ela diria, “Oh, muito bem; que capacidades trazes contigo. De que modo queres prestar serviço ao Mestre?” A devoção deve ter um escape na actividade física; e desta forma se tivermos de determinar qual o papel que cada um de nós tem de representar, antes de nos oferecermos, devemos descobrir quais as capacidades que temos. Quando para um Teósofo ou um membro da Star ou qualquer outro, o chamamento aparece como “sacrifica tudo e vem ao Mestre,” não é suficiente pedir ao Mestre que aceite somente a nossa devoção; devemos dar-lhe qualquer coisa que lhe permita guiar-nos. Por outras palavras, devemos trazer perante o Mestre certas capacidades e não aparecer apenas de mãos vazias. Se eu puder chegar junto do Mestre e dizer “Eu posso fazer isto ou aquilo, eu posso escrever ou pintar ou compor música ou representar,” Ele dirá: “Muito bem, esse é o teu caminho. Vai e procura, descobre quais são os teus talentos, e logo que os encontres, saberás como sofrer e servir.” Pois existem muito poucos que realmente conseguem dizer, “Eu posso fazer isto; ao longo desta linha reside o meu sacrifício ao serviço do Mestre.” Consideramos que nos sacrificámos quando terminamos sem algo do qual podemos facilmente abrir mão.

Se eu tivesse imaginado algo em particular que o Mestre quisesse realizado, eu tratá-lo-ia de outro modo. E se eu precisasse de riquezas, tê-las-ia acumulado, não para mim, mas para o Mestre, e ao acumula-las, saberia que tinha que me sacrificar, e tinha que suportar enormes sofrimentos e mal-entendidos. Mas é a atitude que conta. Estamos com medo de que as nossas capacidades não nos guiem pelo caminho que nos foi preparado. Assim temos que descobrir antes de servir realmente, de que maneira cada um de nós pode servi-Lo, de que modo podemos oferecer o nosso sacrifício, e ao descobrir qual o nosso caminho deveremos descobrir a qual tipo pertencemos, se ao tipo que vai para o mundo e se desenvolve no mundo, por assim dizer, ou é deixado numa estufa e evolui, como uma planta, igualmente cheio de força. Há pessoas que trabalham no mundo por vários anos, que trabalham e fazem de tudo sem descobrir qual o propósito da vida. Descobrem o seu propósito por acaso, mas acumularam tanto do que o mundo tem para dar que ao entrarem em contacto com as realidades espirituais abrem mão de tudo o que adquiriram, enquanto aqueles que cresceram numa estufa separados do mundo alcançam o objectivo por outro caminho.

Portanto tal não tem importância desde que tenhamos aprendido o que ambas as guerras de identidade podem oferecer, e não até então estarão aptos a servir o mundo. Imaginem apenas uma pessoa que é criada, diga-se, num templo onde é reprimida, onde desenvolve complexos. Assim que essa pessoa sai lá para fora para o mundo, tem a melhor das diversões; e é o mesmo com a pessoa que trabalha cá fora no mundo. Não podemos evoluir ao longo de uma linha definida. Devemos evoluir em todas as direcções e até lá não ajudamos e só atrapalharemos.

Tal como eu conheço o meu próprio caminho, também cada um de nós deverá descobrir o seu caminho e até essa descoberta ser feita não devemos estar prontos ou aptos para servir o Mestre. Aqueles de nós que têm imaginação, que em certo grau têm a capacidade de tomar uma visão impessoal da vida, podem descobrir isto. Mas a maioria de nós não têm o desejo de servir, nem o desejo de alcançar o seu caminho ou objectivo.

O nosso problema é que tal como no mundo exterior, temos os nossos direitos adquiridos. E desde que exista o elemento de egoísmo, não descobriremos o caminho. Cada um de nós quer que o Mestre desça até si; mas o que não aprendemos foi que, mesmo como imaginamos, se Ele descesse das nuvens, seríamos incapazes de O servir, porque não nos equipámos para Lhe prestar serviço.

Devemos descobrir de que maneira podemos servir, e isso implica a completa violação de nós mesmos, das nossas relações, etc. Não é que não tenhamos o desejo, nem a nostalgia que as grandes pessoas têm; mas em nós não é constante. Não existe aquela pressão contínua que nos mantêm a andar, a andar, a andar. Significa verdadeiro sacrifício, significa subjugar-nos em tudo e não deixar o ego (a personalidade, o eu) ficar-se por cima. Então deixaremos de distorcer as coisas para que se encaixem nos nossos preconceitos, mas compreendê-las-emos de um modo total; por outras palavras, tornam-se realmente simples.

Devemos ter a coragem e determinação para desistir; e quando subimos e atingimos uma certa distância, descobrimos o quanto de tolos somos ao lutar pelo que é tão trivial, tão simples. Existem tantos temas com os quais lutamos de uma forma tão complicada; mas se nós apenas nos deixássemos expandir um pouco, todos estes temas se tornavam simples, todas as complicações desapareceriam. Mas requer que nos observemos constantemente, que estejamos atentos para ver se estamos a fazer a coisa certa ou a coisa errada.

Cada um de nós sabe destas coisas de fio a pavio, e mesmo assim se o Mestre chegasse e perguntasse o que cada um de nós soube fazer, de que modo agimos na sua ausência, de que modo cumprimos o nosso papel, quais seriam as nossas respostas? É surpreendente como não conseguimos mudar, como devíamos, tal e qual uma flor. A nossa crença embora forte, não é a crença de um homem que age com uma determinação fixa. Essas são, no entanto, as pessoas que o Mestre quer ao Seu serviço, e não somente aquelas que são apenas devotas, sem que essa devoção as conduza à acção. Se nós conseguirmos pôr de lado a nossa própria evolução, e trabalhar e esquecermo-nos de nós mesmos no trabalho, então seremos verdadeiramente servis e aproximar-nos-emos do Mestre. Pode ser que eu seja jovem, que eu não tenha sofrido como os mais velhos já sofreram, mas se o sofrimento pode desalentar o entusiasmo então mais vale não tê-lo. Mas o que foi que nos ensinou o sofrimento?

Como disse no início, não existe nada tão absorvente como o estudo de nós mesmos. Esse é o único assunto sobre o qual vale a pena pensar; porque significa mudança. Não existe ninguém para forçar os mais velhos, e portanto ficam cristalizados. O que interessa é descobrir o que podemos fazer e até onde nos podemos sacrificar; quanta é a nossa força e quais as nossas capacidades. Quando vemos pessoas numa atitude de reverência, penso frequentemente no que terão feito por via do sacrifício.

Nos anos que estão para vir, ou temos que nos adaptar rapidamente à corrente em mudança, ou sair completamente dela. Quando definitivamente agarrarmos um vislumbre do Plano, por mais passageiro que seja, e sabendo que devemos continuar, simplesmente continuaremos, porque é muito mais divertido do que somente marcar o tempo. O que interessa é termos de fazer qualquer coisa para mudar. A velhice não significa que não podemos mudar. Por outro lado, é mais fácil para os mais velhos, porque eles já tiveram a experiência, e o sofrimento; no entanto continuam do mesmo velho modo de perpétua negligência. Se querem ganhar dinheiro, vão e ganhem milhões, e dêem-nos ao Mestre, e podem fazê-lo se tiverem a atitude correcta. E é o mesmo com tudo o resto que queiram fazer – escrever á maquina, estenografar ou qualquer outra coisa que desejem que seja o vosso serviço para o Mestre. A atitude é o que conta e quando chegarem lá todo o resto se seguirá

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Poesia de Vinícius de Moraes


São Francisco

Lá vai São Francisco

Pelo caminho

De pé descalço

Tão pobrezinho

Dormindo à noite

Junto ao moinho

Bebendo a água

Do ribeirinho.

Lá vai São Francisco

De pé no chão

Levando nada

No seu surrão

Dizendo ao vento

Bom-dia, amigo

Dizendo ao fogo

Saúde, irmão.

Lá vai São Francisco

Pelo caminho

Levando ao colo

Jesuscristinho

Fazendo festa

No menininho

Contando histórias

Pros passarinhos.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Palestar da Monja Coen Sensei na Amcham

 
Equipe, time, grupo, comunidade. A palavra não importa, o que vale é saber que abandonar a postura individualista é uma das formas mais eficientes de encontrar o equilíbrio no ambiente de trabalho. É o que ensina a monja zen budista Coen Sensei, missionária da tradição Soto Shu - Zen Budismo japonesa, para quem o sucesso da empresa e dos profissionais e fruto da colaboração.
 
"Quem quer sobreviver na corporação, precisa fazer amigos, porque [os colegas de trabalho] são pessoas com quem convivemos mais tempo do que com a própria família", defende ela. "O que ainda existe no nosso mundo corporativo é a competição, que causa muito desconforto e muito estresse. Somos times, equipes, e não um agregado de pessoas individualistas que se sobressaem umas às outras."
 
A monja Coen participou do comitê aberto de Secretariado Executivo, realizado na Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (16/01), e conversou com a reportagem do site antes da palestra. O tema: como ampliar o horizonte corporativo. Para ela, a grande mudança visa a transformar o olhar individual para o pensamento sobre o "nós" e não somente sobre o "eu". "Se não sei me relacionar bem com a minha equipe, como é que ela vai funcionar?", questiona.
 

Mudança de vida

 
Nascida em São Paulo de uma família de não japoneses, Cláudia Dias de Souza, de 65 anos, foi ordenada monja em 1983 – quando foi batizada com o nome Coen. Ela fazia intercâmbio nos Estados Unidos quando passou a meditar frequentemente e buscar mais conhecimento sobre a filosofia zen. Nesta época, ela diz que abandonou um emprego de jornalista em São Paulo para virar secretária de um banco em Los Angeles (Estados Unidos). Daí vem sua experiência com o mundo corporativo.
 
Nos anos 1980, passou 12 anos no Convento Zen Budista de Nagoia (Japão), entre os quais esteve em uma ordem mendicante. De volta ao Brasil em 1995, ela foi a primeira mulher e primeira não japonesa a assumir a presidência da Federação de Seitas Budistas do Brasil. Em 2001, fundou o próprio templo, a Comunidade Zen Budista.
 
"O zen budismo serve para todos", explica ela. Na empresa, chefes e equipes poderiam aprender a se integrar mais, porque um depende do outro. "Não existe uma chefia sem subordinados. E estes, se não tiverem um bom líder, não vão funcionar. É como uma orquestra em que todo mundo tem que estar afinado", reflete.
 

Respiração e meditação

 
A monja diz que em momentos de estresse no trabalho, se não dá para superar todas as situações adversas, é possível ao menos controlar as reações de raiva, cansaço e irritação. "A reação é algo que sai quase naturalmente. Trabalhar o emocional permite transformar o que seria a raiva em compaixão, em compreensão", analisa.
 
O trabalho é baseado na respiração, diz. "A coisa mais simples que existe é perceber que todas as nossas emoções passam por um processo respiratório. Ao controlar a respiração, é possível ver quando algo nos tira do sério. Em vez de surtar e criar uma situação desagradável à equipe, observe como está a respiração e trabalhe para que ela esteja equilibrada."
 
"Não é fácil! Muitas pessoas nos tiram desse centro de equilíbrio, mas é preciso encontrá-lo novamente", diz. "Perceba que quando temos tristezas ficamos com o corpo arqueado. Quando ficamos com raiva, o diafragma fica contraído e a respiração, presa."
 
A lição prática, seguida pela plateia do comitê, consiste em sentar-se com a coluna ereta, com os ossos do quadril no meio da cadeira. Mãos sobrepostas sobre o colo e cabeça erguida, a respiração deve ser lenta de forma a preencher todo o pulmão e, ao soltá-la, esvaziar o peito quase por completo. O pensamento deve buscar sentir o ar preencher o corpo e renovar a energia. Depois do exercício, se o corpo ainda não tiver voltado ao estado de tranquilidade, pelo menos o estresse vai estar mais distante.
 
Extraído do site: http://www.monjacoen.com.br/

Os 14 Treinamentos da Mente Atenta ou Atenção Plena


Por Thich Nhat Hanh

Os Quatorze Treinamentos da Atenção Plena são a própria essência da Ordem do Interser. Eles são a luz da tocha em nosso caminho, o barco que nos leva, o mestre que nos guia. Eles nos permitem tocar a natureza de interser em tudo o que é, e ver que a nossa felicidade não está separada da felicidade dos outros. Interser não é uma teoria, é uma realidade que pode ser diretamente experimentado por cada um de nós a qualquer momento. Os Quatorze Treinamentos da Atenção Plena nos ajuda a cultivar a concentração e o insight que nos liberta do medo e da ilusão de um eu separado.

O Primeiro Treinamento da Atenção Plena: Abertura

Conscientes do sofrimento criado pelo fanatismo e intolerância, nós nos determinamos a não idolatrarmos ou nos apegarmos a nenhum doutrina, teoria ou ideologia, nem mesmo às budistas. Somos comprometidos a ver os ensinamentos Budistas como meios de guia que nos ajudam a aprender a olhar profundamente e a desenvolver compreensão e compaixão. Não são doutrinas pelas quais se deve combater, matar ou morrer. Entendemos que o fanatismo em suas várias formas é o resultado de perceber as coisas de uma maneira dualista e discriminativa. Nos treinaremos a olhar para tudo com abertura e o insight do interser para transformar o dogmatismo e a violência em nós mesmos e no mundo.

O Segundo Treinamento da Atenção Plena: Desapego a Opiniões

Conscientes do sofrimento criado pelo apego a opiniões e percepções erradas, estamos determinados a evitar sermos tacanhos e atados às opiniões que temos hoje. Somos comprometidos a aprender e a praticar o desapego das visões e a ser abertos para as percepções e as experiências dos outros para que possamos nos beneficiar da sabedoria coletiva. O insight é revelado através da prática de ouvir compassivamente, olhar profundamente e soltar as noções ao invés de acumular conhecimento intelectual. Temos ciência que o conhecimento que temos neste momento não é imutável nem a verdade absoluta. A verdade é encontrada na vida, e nós observaremos a vida dentro de nós e ao nosso redor em cada momento, prontos a aprender ao longo de nossas vidas.

O Terceiro Treinamento da Atenção Plena: Liberdade de Pensamento

Cientes do sofrimento trazido quando impomos nossa visão aos outros, estamos determinados a não forçar outros, nem mesmo nossos filhos, seja por que maneira for — tais como autoridade, ameaça, dinheiro, propaganda ou doutrinamento — a adotar nossas visões. Estamos comprometidos a respeitar os direitos dos outros de serem diferentes, de escolherem em que acreditar e como decidir. Entretanto, iremos aprender a ajudar os outros a se desapegar e transformar a visão limitada por meio de um discurso amoroso e um diálogo compassivo.

O Quarto Treinamento da Atenção Plena: Consciência do Sofrimento

Cientes de que olhar profundamente para nosso próprio sofrimento pode nos ajudar a cultivar entendimento e compaixão, estamos determinados a voltar para nossa própria casa, a reconhecer, aceitar, abraçar e ouvir nosso próprio sofrimento com a energia da atenção plena. Faremos nosso melhor para não fugirmos de nosso próprio sofrimento ou encobri-lo através do consumo mas sim praticar a respiração e a caminhada conscientes, para observar profundamente as raízes do nosso sofrimento. Sabemos que só podemos encontrar o caminho para a transformação do sofrimento quando entendemos as raízes de sofrimento. Uma vez que entendamos as raízes do nosso próprio sofrimento, seremos capazes de entender o sofrimento dos outros. Estamos comprometidos a encontrar maneiras, incluindo contato pessoal ou usando telefone, meios eletrônicos, audiovisuais e outros para estarmos com aqueles que sofrem, para que possamos ajudá-los a transformar seus sofrimentos em compaixão, paz e alegria.

O Quinto Treinamento da Atenção Plena: Viver com Saúde e Compaixão

Cientes de que a felicidade está enraizada na paz, solidariedade, liberdade e compaixão, estamos determinados a não acumular patrimônio enquanto milhões estão com fome ou morrendo, nem ter como objetivo de nossas vidas a fama, o lucro, a riqueza ou o prazer sensual, que pode trazer muito sofrimento e desespero. Praticaremos o olhar profundo no modo como nutrimos nosso corpo e nossa mente com alimentos saudáveis, impressões dos sentidos, vontade e consciência. Estamos comprometidos a não apostar ou usar álcool, drogas ou quaisquer outros produtos que tragam toxinas para o nosso corpo ou para o corpo coletivo e à consciência tais como certos websites, jogos eletrônicos, programas de TV, filmes, revistas, livros e conversas. Vamos consumir de um modo que preserve a compaixão, a paz, a alegria, o bem estar em nossos corpos e consciências e nos corpos de consciências de nossas famílias, nossa sociedade e a Terra.

O Sexto Treinamento da Atenção Plena: Cuidando da Raiva

Cientes de que a raiva bloqueia a comunicação e cria sofrimento; estamos comprometidos a cuidar de nossa energia de raiva quando ela aparece, a reconhecer e a transformar as sementes da raiva que repousam profundamente em nossas consciências. Quando a raiva se manifestar, estamos determinados a não fazer ou dizer nada, mas praticar a respiração consciente ou a caminhada consciente para reconhecer, abraçar e olhar profundamente para nossa raiva. Sabemos que as raízes da raiva não estão fora de nós mesmos mas que podem ser encontradas em nossas percepções erradas e falta de entendimento do sofrimento em nós mesmos e na outra pessoa. Ao contemplar a impermanência, seremos capazes de olhar com os olhos da compaixão para nós mesmos e para aqueles que pensamos ser as causas da nossa raiva, e reconhecer a preciosidade de nossos relacionamentos. Praticaremos a Correta Diligência para nutrir nossa capacidade de entendimento, amor, alegria e inclusão, gradualmente transformando nossa raiva, violência, medo e ajudando os outros a fazerem o mesmo.

O Sétimo Treinamento da Atenção Plena: Vivendo Felizes no Momento Presente

Cientes de que a vida está disponível apenas no momento presente, estamos comprometidos a treinar a nós mesmos para viver profundamente cada momento da vida diária. Tentaremos não nos perder na dispersão ou ser carregados por arrependimentos do passado, preocupações sobre o futuro, vicios, raiva ou inveja no presente. Praticaremos a atenção plena à respiração para estarmos conscientes do que está acontecendo aqui e agora. Estamos determinados a aprender a arte da vida consciente tocando elementos novos, curativos e maravilhosos que estão dentro de nós e ao nosso redor, em todas as situações. Assim, seremos capazes de cultivar as sementes da alegria, da paz, do amor, e do entendimento em nós mesmos, facilitando assim o trabalho de transformação e cura da nossa consciência. Estamos cientes de que a felicidade depende primariamente da nossa atitude mental e não de condições externas, e que podemos viver felizes no momento presente simplesmente lembrando de que já temos condições mais do que suficientes para sermos felizes.

O Oitavo Treinamento da Atenção Plena: Comunidade e Comunicação Verdadeiras

Cientes de que a falta de comunicação sempre traz separação e sofrimento, estamos comprometidos a treinar a prática de ouvir compassivamente e de falar amorosamente. Sabendo que a comunidade verdadeira está fundamentada na inclusão e na prática concreta da harmonia de visões, pensamento e fala, praticaremos o compartilhamento do nosso entendimento e de nossas experiências com os integrantes da nossa comunidade para chegarmos a um insight coletivo. Estamos determinados a aprender a ouvir profundamente sem julgar ou reagir, e a conter palavras que possam criar discórdia ou causar o rompimento da comunidade. Quando as dificuldades surgirem, vamos nos manter em nossa Sanga e praticar o olhar profundo a nós mesmos e ao outro para reconhecermos todas as causas e condições, incluindo nossas próprias energias do hábito, que trouxeram as dificuldades. Assumiremos a responsabilidade por todas as maneiras pelas quais podemos ter contribuído para o conflito e manteremos a comunicação aberta. Não nos comportaremos como vítimas mas seremos ativos na busca de maneiras para reconciliar e resolver todos os conflitos, mesmos os pequenos.

O Nono Treinamento da Atenção Plena: Fala Verdadeira e Amorosa

Cientes de que as palavras podem criar felicidade ou sofrimento, estamos comprometidos a aprender a falar sincera, amorosa e construtivamente. Usaremos apenas palavras que inspirem alegria, confiança e esperança assim como as que promovam reconciliação e paz, em nós mesmos e entre as pessoas. Falaremos e ouviremos de uma maneira que possa nos ajudar e ajudar os outros a transformar o sofrimento e ver uma maneira de sair de situações difíceis. Estamos determinados e não dizer inverdades por interesse pessoal ou para impressionar as pessoas, nem proferir palavras que possam causar divisão ou ódio. Protegeremos a alegria e a harmonia de nossa Sanga contendo a fala sobre defeitos de outras pessoas em sua ausência e sempre nos questionando se nossas percepções estão corretas. Falaremos apenas com a intenção de entender e ajudar a transformar a situação. Não espalharemos rumores nem criticaremos ou condenaremos coisas sobre as quais não temos certeza. Daremos nosso melhor para denunciar situações de injustiça, mesmo em situações que possam nos trazer dificuldades ou ameaçar nossa segurança.

O Décimo Treinamento da Atenção Plena: Protegendo e Nutrindo a Sangha

Cientes de que a essência e o objetivo de uma Sanga é a prática do entendimento e da compaixão, estamos determinados a não usar a comunidade budista para o poder ou lucro pessoal ou para transformar nossa comunidade em um instrumento político. Entretanto, como membros de uma comunidade espiritual, devemos nos posicionar claramente contra a opressão e a injustiça. Devemos nos esforçar para mudar a situação, sem tomar partido em um conflito. Estamos comprometidos a olhar com os olhos do “interser” e aprender a ver a nós mesmos e os outros como células de um corpo de Sanga. Como uma verdadeira célula num corpo de Sanga, gerando atenção plena, concentração e insight para nutrir a nós mesmos e à comunidade inteira, cada um de nós é ao mesmo tempo uma célula no corpo do Buda. Promoveremos ativamente a fraternidade, fluida como um rio, e praticaremos o desenvolvimento dos três poderes reais – amor, compreensão e a superação das aflições – para realizar o despertar coletivo.

O Décimo Primeiro Treinamento da Atenção Plena: Vida Correta

Cientes de que grandes violências e injustiças têm sido feitas ao nosso meio-ambiente e sociedade, estamos comprometidos a não viver com uma vocação que é prejudicial aos humanos ou à natureza. Daremos nosso melhor para escolher um estilo de vida que contribua para o bem-estar de todas as espécies na Terra e ajude a realizar nosso ideal de compreensão e compaixão. Cientes das realidades econômicas, políticas e sociais em todo o mundo, assim como de nossas inter-relações com o ecossistema, estamos determinados a nos comportar responsavelmente como consumidores e cidadãos. Não investiremos nem compraremos de empresas que contribuam para o esgotamento dos nossos recursos naturais, que prejudiquem a Terra ou que privem os outros de uma chance de viver.

O Décimo Segundo Treinamento da Atenção Plena: Reverência pela Vida

Cientes de que muito sofrimento é causado pela guerra e conflito, estamos determinados a cultivar a não-violência, a compaixão e o insight do interser em nossas vidas diárias, e a promover a paz, a educação, a meditação da atenção plena, e reconciliação em nossos famílias, comunidades, grupos étnicos e religiosos, nações e no mundo. Estamos comprometidos a não matar e a não deixar que outros matem. Não apoiaremos nenhum ato de matança no mundo, em nosso pensamento ou em nosso modo de vida. Praticaremos diligentemente o olhar profundo para nossa Sanga para descobrir melhores maneiras de proteger a vida, prevenir a guerra e construir a paz.

O Décimo Terceiro Treinamento da Atenção Plena: Generosidade

Cientes do sofrimento causado pela exploração, injustiça social, roubo e opressão, estamos comprometidos a cultivar a generosidade em nossa maneira de pensar, falar e agir. Aprenderemos melhores maneiras de trabalhar pelo bem-estar das pessoas, animais, plantas e minerais e praticar a generosidade compartilhando nosso tempo, energia e recursos materiais com aqueles que necessitam. Estamos determinados a não roubar e não possuir nada que deveria pertencer a outros. Respeitaremos a propriedade dos outros, mas tentaremos evitar que lucrem com o sofrimento humano e com o sofrimento de outros seres.

O Décimo Quarto Treinamento da Atenção Plena: Conduta Correta

Cientes de que o desejo sexual não é amor e que relações sexuais motivadas por desejo não podem dissipar o sentimento de solidão mas que criam mais sofrimento, frustração e isolamento, estamos determinados a não nos empenharmos em relações sexuais sem mútuo entendimento, amor e um compromisso profundo de longo termo feito com nossas famílias e amigos. Vendo que o corpo e a mente são um, estamos comprometidos a aprender as maneiras apropriadas para cuidar de nossa energia sexual e cultivar a bondade amorosa, compaixão, alegria e inclusão para nossa própria felicidade e felicidade dos outros. Precisamos estar atentos ao sofrimento futuro que pode ser causado por relações sexuais. Sabemos que para preservar a nossa própria felicidade e a dos outros, precisamos respeitar os direitos e compromissos conosco e com os outros. Faremos tudo que pudermos para proteger as crianças de abusos sexuais e para proteger os casais e famílias de perderem-se em má conduta sexual. Trataremos nossos corpos com compaixão e respeito. Estamos determinados a olhar profundamente dentro dos Quatro Nutrimentos e a aprender maneiras de preservar e canalizar nossas energias vitais (sexual, respiração, espírito) para a realização de nosso ideal bodisatva. Seremos totalmente conscientes da responsabilidade de trazer novas vidas a este mundo e meditaremos sobre seus ambientes futuros.