A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre aos Sábados, às 08h00, no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Meditar


Por Ivan Deus Ribas

Vivemos em uma sociedade cada vez mais atarefada, onde falta tempo para tudo, inclusive para nós. Nesse sentido, voltar-se para si e parar para ouvir nosso coração, pode representar uma revolução, um momento único.

Existe uma história no Zen que compara o nosso estado mental com a de um cavaleiro que sentado sobre um animal em disparada é indagado sobre onde está indo, e responde: “Não sei. Pergunte ao cavalo!”. Assim, da mesma forma, nossa mente incerta vagueia sobre o que é realmente importante para sermos felizes.

Existem na atualidade estudos que demonstram, por meio de ressonância magnética, que a meditação traz efetiva melhoria nas funções cerebrais. E que a sua prática diária pode reduzir sintomas como da esclerose múltipla, pressão arterial, depressão, estress, entre outras doenças.

Determinadas pesquisas apontam inclusive que certas práticas de meditação são capazes de promover excelentes resultados em pacientes com distúrbios mentais, considerados graves. A prática com foco na compaixão, por exemplo, realizada entre dois grupos de pacientes depressivos, evidenciou uma curva extremamente positiva naqueles que a realizaram, diferentemente dos que não meditaram.

A meditação é uma arte milenar e, embora tenha no budismo grande representação, pode ser encontrada em várias outras religiões, significando, similarmente, aquietar-se, a fim de proporcionar o contato com o sagrado presente dentro de nós.

Enfim, de um modo geral, o que se percebe, é que reservar um momento do dia para cuidar da nossa mente, do nosso coração, representa além dos benefícios à saúde, um momento para cultivarmos valores universais, como: amor, respeito, tolerância, simplicidade, união, paz e tantos outros, que são, verdadeiramente, alicerce para a felicidade que almejamos.

Ivan Deus Ribas, um dos amigos da Associação Meditar.

www.associacaomeditardecuiaba.blogspot.com

www.associacaomeditar.org

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Idéias como obstáculos à verdadeira felicidade

O grande silêncio e a paz interior

Prof. Fernando Altemeyer Junior

O Grande Silêncio é o nome de um documentário de 160 minutos, lançado em 2005, que retrata a vida da comunidade dos monges cartuxos em Isère, França, produzido por Phillipe Gröning. É uma meditação silenciosa sobre a vida monástica. Sem música à exceção dos cânticos do mosteiro, sem entrevistas ou quaisquer comentários. Evoca a passagem do tempo, das estações, o dia dos monges e as orações. É um filme sobre a presença do absoluto na vida de homens que dedicam a sua existência a Deus, no grande silêncio. O próprio cineasta diz que saiu mudado depois dos seis meses vividos no mosteiro. Que acontece quando mergulhamos no silêncio? O que muda em nós?

O silêncio como experiência e lugar de encontro é algo de revolucionário, e nunca reacionário. É preciso silenciar para ouvir. É preciso silenciar para recuperar a saúde física e mental. O mundo anda doente, pois vive um exagero de decibéis que ensurdecem e atordoam. Apatia ou resignação são os sinais da alienação de onde estamos e de quem somos. Isso tudo é fruto do barulho e da dispersão. A pessoa silenciosa ou taciturna é alguém que está além ou aquém das palavras. Tem um fio de prumo sobre sua cabeça. É alguém que vive em paz e transmite paz em palavras e atitudes. Dizem os árabes em um famoso ditado: "não abra a boca se o que tens a dizer não for mais belo que o silêncio". Essa é a mesma percepção de São Bento ao afirmar em sua Regra aos monges que: "... raras vezes se deve conceder, até aos discípulos mais perfeitos, licença para entreterem conversações, embora sobre assuntos bons, santos e edificantes, tão importante é o silêncio; porquanto está escrito: Falando muito não evitarás o pecado (Pr 10,19). E em outro lugar: A morte e a vida estão em poder da língua (Pr 18,21) (Regra de São Bento, capítulo VI, O espírito de Silêncio)".

Se lembrarmos das vidas de quatro personagens das religiões, vemos que se apresentaram como homens de Deus vivenciando largos momentos de fecundo silêncio e se puseram a falar o que lhes fora revelado no silêncio. Do judaísmo, Moisés e profetas como Oséias ou Elias fizeram a experiência do silêncio. No mundo islâmico, o profeta Muhammad nas grutas da Arábia Saudita ouve a fala do arcanjo Gabriel. No budismo os mestres espirituais, das escolas da China e do zen-budismo japonês encontraram o caminho da sabedoria. O próprio Jesus Cristo, filho de Deus Altíssimo é um primoroso exemplo de quem soube viver o silêncio em frequentes, longas e profundas experiências de oração, como descritas pelos evangelistas (Lc 6,12; Mt 14,23; Mc 1,35; Jo 17).

O silêncio está vinculado à proximidade do mistério e da intimidade com Deus. As coisas mais íntimas são sempre pronunciadas aos sussurros e murmúrios. Talvez seja por essa razão que o salmista diga na versão hebraica: "O louvor, para Vós, ó Deus, é silêncio (Salmo 65,2)". A louvação mais alta e mais verdadeira acontece quando suprimimos ou esgotamos as palavras. Penetramos o vasto universo do recolhimento interior e da contemplação de tudo o que existe. Nesse lugar e espaço de silêncio é que o Espírito pode fazer ressoar a Palavra Eterna e nos despertar de um sono que nos dispersava ou escondia nossa essência interior e a conexão com Deus.

Um caminho promissor que se abre, depois de um grande silêncio, é o caminho da oração. O monge João Cassiano (360-435) afirma de maneira sucinta: "é perfeita oração aquela onde o que está orando não se lembra de que orando está" ou ainda que a boa oração seja breve e silenciosa e manifeste-se por uma tensão ardente da alma, por um transbordar inefável do coração e por um entusiasmo insaciável do espírito (João Cassiano, Da oração, Vozes, 2008, p. 97). A prece cristã é um movimento interior que se realiza em etapas sucessivas e complementares: em um primeiro momento é sempre uma inspiração advinda do coração e da vida. Depois se torna respiração e conexão com a transcendência feita em um exercício leve e ao mesmo tempo vigoroso. Depois vem a transpiração e a expiração em que nos apresentamos para Deus com nossos anseios, dificuldades, necessidades e palavras para enfim atingirmos o ápice do caminho que é a surpresa que emudece e extasia. Nesse momento ouvimos as melodias celestes e os sons inefáveis que plenificam e reverberam em nosso coração e em nossa vida.

A oração cristã parte e nos leva ao silêncio. Santo Agostinho dizia que a oração é puro silêncio (Santo Agostinho, O Mestre XII, 39). Não é posse de Deus, mas um estar em Cristo para viver no seu Espírito e segundo as suas palavras. A oração cristã é a fé que fala. Não é um estar em si somente, embora necessite de um momento introspectivo. Não é um estilo meditativo, ainda que não se realize sem um caráter reflexivo e atento aos sinais que nos chegam pelos sentidos e pelo corpo. Não é só intelectual e cerebral, ainda que não possamos dizer que se reduza ao irracional ou inconsciente. Passa por momentos de duvidas e de incertezas, vividos como aridez e ausência de iluminação. É necessário que aconteça a abertura para a fidelidade que confia na esperança. E esse portal pessoal poderá abrir-nos ao Outro, aos outros e à natureza.

O silêncio é um estado de espírito bem como uma profunda atividade de amor. Caminhar de forma progressiva na escola do silêncio pede que estejamos sintonizados com Deus e sua revelação. Esse percurso é difícil, mas realizável. Foi chamado pelos místicos como o ascetismo do silêncio. Existem obstáculos no caminho que devem ser identificados. Estão fora e dentro de cada um de nós. Os obstáculos externos são aqueles superficiais que nos desviam do reto caminho. São como ruídos que prejudicam o foco e a comunicação verdadeira. Distraem e enervam, levando-nos ao estresse ou à repressão de medos e fantasmas. Exigem um olhar arguto e persistência mesmo depois de quedas. Os internos são aqueles obscuros e muitas vezes desconhecidos. É preciso contar com a graça de Deus para enfrentá-los e resistir. Exigem conversão e misericórdia, pois o silêncio interior favorece a comunicação e sua identidade veraz. Vencidos os obstáculos podemos penetrar em um estado agudo de felicidade, tal como o silêncio foi definido por Clarice Lispector. Dizia a poetisa: "Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras".

A Igreja cristã sempre cultivou o silêncio e faz recomendações constantes para que cuidemos dele em nossas celebrações e na vida cotidiana de nossos fieis. Assim a introdução geral da Liturgia das Horas proposta pelo Papa Paulo VI, em 01/11/1970 orienta que: "Nas ações litúrgicas deve-se procurar em geral que se guarde também, há seu tempo, um silêncio sagrado (SC 30); por isso, haja ocasião de silêncio também na celebração da Liturgia das Horas. Por conseguinte, se parecer oportuno e prudente, para facilitar a plena ressonância da voz do Espírito Santo nos corações e unir mais estreitamente a oração pessoal com a Palavra de Deus e com a voz pública da Igreja, pode-se intercalar uma pausa de silêncio, após cada salmo, depois de repetida sua antífona, de acordo com antiga tradição, sobretudo se depois do silêncio se acrescentar a coleta do salmo; ou também após as leituras tanto breves como longas, antes ou depois do responsório (Liturgia das Horas, CNBB, 1984, n. 201 e 202, p.56)".

O silêncio sempre foi muito apreciado pelos monges cenobitas ou pelos anacoretas (eremitas), não porque tivesse valor em si mesmo, mas porque permite uma abertura para a plenitude que se esconde por detrás das palavras. O silêncio amado e buscado pelos monges e pelos místicos é feito de preparação e de expectativa. É um reconhecimento explícito de que somos incapazes de falar sobre o que é fundamental ou dramático. O povo simples sempre diz quando está diante de uma grande felicidade ou diante de uma grande perda ou fraqueza: não tenho palavras para explicar ou dizer. Quando alguém fala de algo que mudou sua vida fala das espumas, mas nunca das correntes submarinas. Fala do que sentiu, mas pouco pode dizer do que de fato viveu. O não dito é muito mais poderoso que a palavra. Assim quando precisamos estar com alguém que tem uma grande dor, as palavras desvanecem e se atrofiam. O melhor é calar para compreender. O silêncio, nestes momentos, exprime melhor a adoração, o abandono e o fascinante que cada ser humano busca ardentemente. E nesta "noite do Espírito", que é hora de amor, decisiva e irrevogável, perceberemos que não fomos nem seremos abandonados. Descobriremos que "depois da hora do meu amor, envolta no Vosso silêncio, chegará o dia do Vosso amor, a visão beatífica. Por consequência, agora que não sei quando chegará a minha hora, nem sequer se ela já começou, preciso esperar no limiar do Vosso santuário e do meu; preciso libertar este lugar dos ruídos do mundo (Karl Rahner, Apelos ao Deus do silêncio, Lisboa: Ed. Paulistas, 1968, p. 40)".

Em todos os povos e culturas o tema do silêncio como porta para Deus, se fez presente. O poeta, músico e filosofo indiano Rabindranath Tagore (1861-1941), ganhador do prêmio Nobel da literatura em 1913, tornou-se mundialmente famoso por seu livro Oferenda Lírica. Nele temos um belo poema sobre o silêncio que preenche o coração: "Se não falas, como vou encher o meu coração com o teu silêncio, e aguentá-lo. Ficarei quieto, esperando, como a noite em sua vigília estrelada, com a cabeça pacientemente inclinada. A manhã certamente virá, a escuridão se dissipará, e a tua voz se derramará em torrentes douradas por todo o céu. Então as tuas palavras voarão em canções de cada ninho dos meus pássaros e as tuas melodias brotarão em flores por todos os recantos da minha floresta (Gitanjali, Paulus, 1991, p. 19)".

Os monges do Oriente propuseram um caminho de oração fascinante chamado de hesicasmo, que é um estado de silêncio orante. O hesicasta é alguém que vive um estado de silêncio interior acompanhado pela memória constante de Deus. Isso exigirá uma qualidade fundamental que é a pureza de coração (Como água na fonte, Monges beneditinos camaldolenses, Loyola, 2009, p.187). Um dos maiores místicos da Igreja grega, São Simeão, o novo teólogo (949-1022) do mosteiro de Mamas, recomendava: "Sente-se sozinho e em silêncio. Incline a cabeça, feche os olhos, respire suavemente e imagine que está olhando para dentro do seu coração. Faça sua mente, ou seja, seus pensamentos, passar da sua cabeça ao seu coração. Respire e diga: Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim! Pronuncie essas palavras em voz baixa, movendo suavemente os lábios, ou pronuncie-as, simplesmente, em espírito. Tente afastar todos os outros pensamentos. Esteja tranquilo, seja paciente e repita essa frase tanto quanto puder (Relatos de um peregrino russo, Vozes, 2008, p. 42)".

Uma religiosa carmelita de Paris, irmã Maria-Amada de Jesus (1839-1874), compreendeu claramente o papel central que o silêncio interior deve exercer em nossas vidas para a vida feliz e íntegra. Ela dizia que a vida interior pode ser resumida em uma só palavra: silêncio! E ainda falar pouco às criaturas e muito a Deus, pois o silêncio com Ele é um silêncio da eternidade, da plena união da alma com Deus. Ela divide os degraus dessa subida espiritual em doze, que podem ser comparados aos dozes graus de humildade da regra de São Bento. Aqui estão esses passos pedagógicos de uma vida silenciosa: 1. Silêncio das palavras; 2. Silêncio de movimentos ou ações; 3. Silêncio da imaginação; 4. Silêncio da memória; 5. Silêncio diante das criaturas; 6. Silêncio do coração e dos sentimentos; 7. Silêncio da humildade ou do amor-próprio; 8. Silêncio da inteligência; 9. Silêncio do julgamento; 10. Silêncio da vontade; 11. Silêncio consigo mesmo; 12. Silêncio com Deus!

Cultivando o grande silêncio ouviremos o vento tocando rochedos, o mar atingindo a praia, pássaros cantando maravilhosas melodias, crianças balbuciando, amigos celebrando, pobres pedindo amor, doentes sofrendo, florestas crescendo e, sobretudo seremos capazes de escutar a voz interior proclamando que o amor de Deus existe em nós, suave e inefável. Na voz da monja Maria-Amada de Jesus, poderemos então dizer: "Eu sou semelhante a um pequeno grão de areia, que espera na praia a onda que o fará mergulhar no oceano".

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Agenda da Semana


Queridos amigos e amigas,

informamos que a prática de meditação e estudo que acontece as terças-feiras está com novo horário, sendo, agora, as 20:00. Destacamos ainda, que as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados.

Terça-feira - 20:00

Sábado - 08 h (Especialmente no Dia 11.02 - Meditação no Parque: paz a cada passo)
Loca: Parque Mãe Bonifácia
Ponto de encontro: entrada principal, no estacionamento de pedrinhas
Obs.: Em caso de chuva meditaremos normalmente, portanto, levem guarda-chuva!

Informações:
Ligia (65) 3052-6634
Ivan (65) 8143-4379

domingo, 29 de janeiro de 2012

Meditação no Parque: paz a cada passo


Queridos amigos e amigas, irmãos e irmãs,

é com grande alegria que informamos que estaremos retornando com a prática de meditação andando no parque Mãe Bonifácia. Neste ano o projeto "Meditação Andando: paz a cada passo", acontecerá sempre no 2o (segundo) sábado de cada mês, com início às 08 h (pontualmente). Destacamos que esta atividade é aberta a todos os interessados.

Local: Parque Mãe Bonifácia
Horário: 08:00
Dia: 11.02.12
Ponto de encontro: entrada principal (estacionamento de pedrinhas)
Percurso: trilha interativa - 40 min.
Atenção: Se chover, haverá prática normalmente. Então, recomendamos, levem guarda-chuva!

** A atividade é gratuita e aberta a todos os interessados!

Muita paz.

Informações:
Ligia - (65) 3052-6634
Ivan - (65) 8143-4379

A Meditação Andando


Por Thich Nhat Hanh

A meditação andando pode ser agradável. Caminhando lentamente, sozinhos ou com amigos, se possível num belo local. A meditação andando tem como verdadeiro objetivo o prazer em caminhar — anda-se não para se chegar a algum lugar, mas só pelo andar. O propósito é o de se estar no momento presente, tendo plena consciência da respiração e da caminhada, e de apreciar cada passo. Para isso, devemos nos livrar de todas as preocupações e ansiedades, não pensar no futuro, nem no passado, só vivendo o momento presente. Podemos andar de mãos dadas com uma criança. Caminhamos passo a passo como se fôssemos os seres mais felizes da Terra.Embora andemos o tempo todo, nosso andar se assemelha mais a uma corrida. Quando caminhamos assim, imprimimos ansiedade e tristeza na Terra. É preciso que andemos de forma tal que só deixamos paz e serenidade sobre a Terra. Podemos todos fazer isso desde que o desejemos muito. Qualquer criança consegue fazê-lo. Se podemos dar um passo assim, poderemos dar dois, três, quatro e cinco. Quando formos capazes de dar um passo cheio de paz e felicidade, estaremos trabalhando pela causa da paz e da felicidade de toda a humanidade. A meditação andando é uma prática maravilhosa.Quando fazemos meditação andando ao ar livre, caminhamos um pouco mais devagar do que nosso ritmo normal e coordenamos nossa respiração com nossos passos. Por exemplo, podemos dar três passos para cada inspiração e três passos para cada expiração. Podemos, então, dizer, "Inspirando, inspirando, inspirando. Expirando, expirando, expirando." Dizer "Inspirando" serve para nos ajudar a identificar a inspiração. Sempre que chamamos algo pelo seu próprio nome, estamos tornando-o mais real, como quando dizemos o nome de um amigo.Se os seus pulmões preferem quatro passos em vez de três, dê-lhes quatro passos, por favor. Se eles querem apenas dois, dê-lhe dois. A duração da sua inspiração e da sua expiração não tem de ser a mesma. É possível, por exemplo, que você dê três passos ao inspirar e quatro ao expirar. Se você se sentir feliz, sereno e alegre enquanto caminha, é porque está se exercitando corretamente.Esteja atento para o contato entre os seus pés e a Terra. Caminhe como se estivesse beijando a Terra com os pés. Já prejudicamos muito a Terra. Agora é a hora de cuidarmos bem dela. Trazemos nossa paz e nossa serenidade à superfície da Terra e compartilhamos a lição do amor. É tendo isso em mente que caminhamos. De quando em quando, ao ver algo bonito, podemos querer parar para contemplação — de uma árvore, uma flor, crianças brincando. Enquanto olhamos, continuamos atentos à nossa respiração, para não sermos enredados por nossos pensamentos e assim perdermos a beleza da flor. Quando quisermos voltar a nadar, é só começar de novo. Cada passo que dermos criará uma brisa fresca, renovando nosso corpo e nossa mente. Cada passo fará uma flor se abrir aos nossos pés. Isso só é possível se não pensarmos no futuro nem no passado, se soubermos que a vida só pode ser encontrada no momento presente.

A Arte de Viver em Plena Consciência


Por Thich Nhat Hanh

A natureza é nossa mãe. Por vivermos isolados dela, adoecemos. Alguns de nós vivem em caixas chamadas apartamentos, bem no alto, longe do chão. À nossa volta só cimento, metal e objetos de dureza semelhante. Nossos dedos não tem oportunidade de tocar o solo; já não plantamos mais alface. Por estarmos tão distantes da nossa Mãe Terra, adoecemos. É por isso que precisamos sair para voltar ao seio da natureza. Isso é muito importante. Nós e nossos filhos deveríamos voltar a ter contato com a Mãe Terra. Em muitas cidades não conseguimos ver árvores - a cor verde se encontra inteiramente de nosso campo visual.

Um dia imaginei uma cidade em que restasse apenas uma árvore. A árvore ainda era bonita, mas muito solitária, cercada de prédios, no centro da cidade. Muitas pessoas adoeciam, e a maioria dos médicos não sabia como tratar a doença. Um médico muito bom, no entanto, conhecia as causas da doença e dava a seguinte receita para cada paciente. "Todos os dias, pegue o ônibus e vá ao centro da cidade para olhar para a árvore. À medida em que você for se aproximando dela, pratique a inspiração e a expiração e , quando chegar até ela, abrace-a, inspirando e expirando pr quinze minutos, enquanto olha para a árvore tão verde e sente o cheiro de sua casca tão perfumada. Se fizer isso, em algumas semanas estará se sentindo muito melhor".

As pessoas começaram a melhorar, mas logo havia tanta gente querendo chegar até a árvore que as filas se estendiam por quilômetros. Sabe-se que as pessoas, hoje em dia, não são muito pacientes. Esperar três ou quatro horas para abraçar a árvore era demais, e o povo se rebelou. Organizaram manifestações com o objetivo de criar uma nova lei que permitisse a cada pessoa um abraço de cinco minutos, mas é claro que isso reduziu o efeito da cura. E logo em seguida, o tempo foi limitado a um minuto, perdendo-se assim a oportunidade de cura através da Mãe. Nós podemos estar nessa situação muito em breve se não agirmos de forma consciente. Temos que estar com a mente alerta em tudo que fizermos se quisermos salvar nossa Mãe Terra, a nós mesmos e a nossos filhos. Por exemplo, ao olharmos nosso lixo, podemos ver alface, pepinos, tomates e flores. Quando jogamos no lixo uma casca de banana, temos consciência de que se trata de uma casca de banana que estamos jogando fora e que se transformará numa flor ou num legume em breve. É exatamente essa a prática da meditação.

Quando jogamos um saco plástico no lixo, sabemos que ele é diferente de uma casca de banana. Ele levará muito tempo para se transformar numa flor. " Ao jogar um saco plástico no lixo, sei que estou jogando um saco plástico no lixo". Essa percepção, por si só, já nos ajuda a proteger a Terra, a criar a paz e a cuidar da vida no momento presente e no futuro. Se tivermos a mente alerta, tentaremos naturalmente usar menos sacos plásticos. Esse é um ato de paz, uma forma básica de ação pela paz.

Quando jogamos uma fralda plástica descartável no lixo,sabemos que ela leva muito mais tempo para se transformar numa flor, uns quatrocentos anos mais. Tendo conhecimento de que o uso dessas fraldas não contribui para a paz, procuramos outros meios para cuidar do nosso filhinho. Praticando a respiração e contemplando nosso corpo, nossos sentimentos, nossa mente e objetos, estamos praticando a paz no momento presente. Isso e viver em plena consciência.

O lixo nuclear é o pior tipo de lixo. Ele leva cerca de 250.000 anos para se transformar em flores. Quarenta dos cinquenta estados norte-americanos já estão poluídos pelo lixo nuclear. estamos tornando a Terra um lugar impossível para a vida por muitas e muitas gerações. Se vivermos o momento presente com a mente alerta, saberemos o que fazer e o que não fazer, e tentaremos agir contribuindo para a paz.

(Extraído do livro: Paz a cada passo)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Ameixas e passarinhos


Por Paulo Wagner Oliveira

Aqueles dias foram marcados pela ansiedade, não sei se devido o excesso de café ou a urgência dos compromissos que me envolviam, os pensamentos vinham como turbilhão, tudo parecia tão automático que às vezes tinha que voltar em casa para saber se realmente tinha fechado devidamente o portão. Mas naquela manhã nublada a alegria dos passarinhos, propiciada pela chegada das chuvas de dezembro, instalou em mim um estado inexplicável que me fez sentir, como nunca, a doçura da ameixa que acabara de levar a boca - o paraíso estava ali bem em frente de mim e eu não percebera – que milagre era saborear compassadamente cada fio daquela polpa macia que contrastava perfeitamente com azedinho leve da casca.

Comecei a pensar que antes daquela ameixa estar ali, ela tinha se feito flor e crescera devagar sol a sol, lua a lua, sob os cuidados de alguém que com paciência esperou seu crescimento e o dia da colheita, e que, apesar de única, ela era o resultado da conjunção de todos os elementos: o fogo, a terra, a água e o ar estavam ali como o tenro fruto de uma alquimia inigualável e simples.

Há algum tempo um amigo havia me dito que Deus está nos detalhes, mas nunca pensei que a simples alegria dos passarinhos com a chegada das chuvas e aquela humilde ameixa que chegara a minha mesa, fosse capaz de revelar a grandeza que existe nas coisas simples. Daquele dia em diante passei a olhar tudo a minha volta com mais atenção e descobri que o tão falado Reino de Deus é algo tão simples, próximo e óbvio que termina por passar despercebido aos olhos apressados do dia a dia.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Agenda Semanal


Queridos amigos, irmãos e irmãs,

lembramos a todos que nesta semana haverá prática de meditação. Destacamos que as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados. Assim, sejam todos bem-vindos, bienvenidos, welcome, namastê, haribool, gasshô!

3ª feira - Meditação e leitura - 19:00

Sábado
- Meditação e leitura - 08:00

Recomendamos roupas leves.

Informações:
(65)3052-6634 - Ligia
(65)8143-4379 - Ivan

Quando a vida se torna oração


Texto de Shinkai

Depois de alguns anos de vai não vai, este ano finalmente fui com Coen Sensei e monge Yuho para o retiro de Nazaré UNILUZ.

Nazaré é uma comunidade onde as pessoas praticam todos os dias a convivência, a meditação, as artes, o pão, o servir.

Logo que chegamos para a primeira reunião entre os praticantes, tanto dos residentes como dos inscritos para nosso retiro, já se percebia a amorosidade e eficácia no tratamento e na atitude daqueles que nos proporcionariam durante todo o retiro tudo que fosse necessário para que nossa prática se tornasse a mais harmoniosa possível.

Depois dessa reunião inicial, silêncio. Três lindos dias de silêncio e zazen. Foi onde comecei a perceber que a própria vida pode tornar-se oração.

Revezamos-nos, Monge Yuho e eu nos trabalhos de jisha (assistente) de Coen Sensei, de shinrei, de tocar os sinos. Nunca antes tinha percebido com tanta intensidade a beleza dessas funções, a oportunidade maravilhosa que estas práticas proporcionam para servir a nossa Mestra Coen Sensei, àquelas pessoas tão abnegadas, convictas e determinadas a irem até o final do retiro, mesmo com seu corpo, mente, plexo, doendo e servirmos a nós mesmos.

No primeiro dia que fui shinrei (despertar os praticantes às 5h20m tocando um pequeno sino) pude sentir toda a energia do amanhecer, do despertar: como num renascimento contínuo cheio de alegria e gratidão. Despertar. Todos que ali estávamos. De quarto em quarto, de caminho em caminho, de uma construção a outra.

Coen Sensei com sua incrível rapidez sem pressa nenhuma, ali estava no raiar do dia para o Yoga, com todos nós, junto, presente, sempre, em todas as ocasiões. Fortalecendo cada coração, orientando a prática de todos, com sua presença estimulante e sincera.

Depois do Yoga, o primeiro zazen do dia, com dia clareando, os pássaros cantando, a vela e o incenso queimando. Silêncio. Alegria.

Uma enorme mesa para as refeições. Mãos em prece. Todos sentando juntos, comendo juntos, terminando juntos. Lavamos nossos pratos, xícaras, talheres. E a grande mesa em ordem outra vez para a próxima refeição.

Compartilhando com os residentes da Comunidade UNILUZ a meditação no jardim, em sua sala com vários círculos de almofadas, com a sanga em harmonia.

No toque do último sino, anunciando o último zazen do dia. Com o corpo cansado, mas o coração leve, hora de dormir até novamente a chegada do shinrei avisando que chegou a hora de despertar.

Choveu muito, fez sol, frio, calor, vento. Dentro e fora de nós. E nos tornamos por três dias o caminho. Tornamos-nos oração.

Quantas vezes pedimos aos Budas e Bodisatwas por nós, por nossa vida, por nossas resoluções de problemas difíceis. Fazemos oração todos os dias. Pedimos pela paz mundial, pela cessão do sofrimento, pela não violência.

Mas descobri nestes três dias de retiro e silêncio que podemos fazer de nossa vida a oração que fazemos, que podemos nos tornar oração e silêncio. O próprio servir.

*Texto extraído do site: http://www.monjacoen.com.br/inicio

sábado, 7 de janeiro de 2012

Agenda 2012 - Retorno das Atividades


Queridos amigos e amigas,

é com plena atenção e contentamento que informamos que no próximo dia 09.01.12 (terça-feira) estaremos reiniciando as atividades de estudo e prática de meditação. Destacamos que este grupo é aberto a todos os interessados, sem qualquer custo ou pré-requisito para participar.

Informamos ainda, que retornaremos com a meditação aos sábados, das 08:00 as 09:00, sendo igualmente aberto a todos os velhos e novos amigos e amigas.

Agenda:

Terça-feira - 19:00 (meditação e estudo)

Sábado - 08:00 (meditação estudo)

Desde já um grande abraço a todos.

Muita paz.

Informações:
Ivan - (65) 8143-4379
Ligia - (65) 3052-6634

Local: Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, 137 - Araés - Cuiabá/Mato Grosso - Brasil

domingo, 1 de janeiro de 2012

A paz é o caminho


Não há um caminho para a paz. A paz é o caminho.
Não há um caminho para a liberdade. A liberdade é o caminho.
Não há um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

A paz está no aqui e agora. A paz é o caminho.
Em cada respiração, em cada passo, a paz é o caminho.
Quando eu acordo, está bem ali esperando. A paz é o caminho.
Sorrindo, dizendo, "Pegue minha mão." A paz é o caminho.
"Não me procure no futuro. Você pode me ter exatamente agora, bem aqui."

Eu quero cantar sobre felicidade. A felicidade é o caminho.
Não espere pelo amanhã, criança. A felicidade é hoje.
Felicidade para mim e para você. A felicidade está brilhando através,
brilhando através das nuvens do esquecimento.
Abra as nuvens, e deixe que a felicidade venha.
Você sabe que ela quer, então não fique no caminho.
Deixe a felicidade presente hoje.

Não há um caminho para a paz. A paz é o caminho.
Não há um caminho para a liberdade. A liberdade é o caminho.
Não há um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

Não tem que ir para o céu, agora. Não tem que ir a Terra Pura.
Não tem que ligar a tv, agora. Não tem que ir ver um filme.
Escute aqui, ouça agora: tudo que você tem a fazer é inspirar e expirar,
desfrutar da sua inspiração, desfrutar da sua expiração ... e sorrir.
Sinta seus pulmões. Sinta seu corpo inteiro. Você está vivo, o que é uma bênção!
Não precisa ir às Bahamas. Não precisa tirar férias.
Não precisa comprar um carro novo, agora. Não precisa de um novo parceiro.
Você pode encontrar a felicidade no momento presente.
Se você sair por aí procurando, você só pode perdê-la.
Se você sair por aí procurando, você só pode perdê-la porque ela está aqui para você.
Então pare. Ponha a mão no bolso.
Basta parar. Ponha a mão no bolso.
A felicidade está aqui. A paz é agora. A liberdade é um direito em suas mãos, pois ...

Não há um caminho para a paz. A paz é o caminho.
Não há um caminho para a liberdade. A liberdade é o caminho.
Não há um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

Sinta as solas dos seus pés.
Tudo que você tem a fazer é tocar a terra com todo o seu ser.
Primeiro o pé direito, então o esquerdo. Beije a Mãe Terra. (Yeah)
Beije-a com os pés. Aproveite o seu suporte. Sua força sólida sob você.
Ela está lá para você, agora, sempre te amando.
Eu disse, isto é a paz bem aí. Você não tem nenhum outro lugar.
Inspirando, você dá um passo. Expirando, você dá outro passo, gostando de estar vivo. Sinta a brisa, agora. Sinta a luz do sol.
É tão simples e é gratuito. A paz está aqui para você e para mim.
Por favor, acredite. Você pode tocá-la. Juntos, nós podemos torná-la realidade.

Não há um caminho para a paz. A paz é o caminho.
Não há um caminho para a liberdade. A liberdade é o caminho.
Não há um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

E juntos nós podemos torná-la realidade. Então ...
bata palmas e bata os pés.
Celebre a paz, a liberdade e a felicidade para todos nós, aqui e agora.
Dance ao ritmo da paz.
Cante com a melodia da liberdade.
Ria, oh, ria, ria ao abraçar a felicidade.

Não precisa negar a sua dor e seu sofrimento.
Só não faça isso parte integral da sua casa do amanhã.
Porque a maioria gasta muito tempo vendo o que está errado,
e não nos damos conta que tudo o que precisamos,
já temos.
E há sempre muito mais coisas dando certo do que errado.
No nosso jardim existem muitas árvores em flor.
No entanto, optamos por sentar e chorar ao pé de uma que está morrendo.
Então, se você correr ao redor procurando, você só pode perdê-la.
Se você correr por aí procurando, você só pode perdê-la.
Então, ponha a mão em seu bolso. Você vai encontrá-la onde ela sempre esteve.
É isso mesmo a felicidade no seu bolso, ao espalhar o seu sorriso,
no relaxamento de seus ombros, na sua respiração consciente. Isso é tudo o que precisa, porque...

Não há um caminho para a paz. A paz é o caminho.
Não há um caminho para a liberdade. A liberdade é o caminho.
Não há um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

Não há caminho para a paz. A paz é o caminho.
Liberdade e felicidade, elas são o nosso hoje.
A paz é o caminho. Liberdade e felicidade são o caminho.
A paz é o caminho, a liberdade e a felicidade são o caminho.
Porque não há caminho para a paz. A paz é o caminho.
Não há nenhuma maneira, jeito nenhum para a felicidade. A felicidade é o caminho, o caminho hoje.
Não olhe para a liberdade no futuro. Liberdade é hoje.
Apreciá-la, irmão, agora. Desfrute, irmã, irmã.
Juntos, nós podemos torná-la realidade. Juntos, nós podemos torná-la realidade, agora.
Juntos, podemos fazer isso se tornar verdade ... eu e você, em realidade, realidade.

------
There is no way to peace. Peace is the way.
There is no way to freedom. Freedom is the way.
There is no way to happiness. Happiness is the way.

Peace is in the here and now. Peace is the way.
In every breath, in every step, peace is the way.
When I wake up, it’s right there waiting. Peace is the way.
Smiling, saying, “Take my hand.” Peace is the way.
“Don’t look for me in the future. You can have me right now, right now.”

Chorus

I wanna sing about happiness. Happiness is the way.
Don’t wait for tomorrow, children. Happiness is today.
Happiness for me and you. Happiness is shining right through,
shining right through the clouds of forgetfulness.
Open up them clouds, and let that happiness come through.
You know it wants to, so don’t stand in the way. (hey, hey)
Let happiness be today.

Chorus

Don’t have to go to heaven, now. Don’t have to go the Pure Land.
Don’t have to turn on the tv, now. Don’t have to go see a movie.
Listen here, listen now: all you have to do is breathe in and breathe out,
enjoy your in-breath, enjoy your out-breath… and smile.
Feel your lungs. Feel your whole body. You are alive, what a blessing!
Don’t need to go the Bahamas. Don’t need to take a vacation.
Don’t need to get a new car, now. Don’t need a new partner.
You can find happiness in the present moment.
If you go around lookin’, you just might lose it (ah-hah)
If you go around searchin’, you just might lose it ‘cause it’s right here for you.
So just stop. Put your hand in your pocket.
Just stop. Put your hand in your pocket.
Happiness is right here. Peace is right now. Freedom is right in your hands, ‘cause…

Chorus

Feel the soles of your feet. (2x)
All you have to do is touch the Earth (oh) with all your being.
First the right one, then the left one. Kiss Mother Earth. (yeah)
Kiss her with your feet. Enjoy her support. Her solid strength under you.
She’s there for you, now, always loving you (yeah).
I said, that is peace right there. You don’t have to anywhere else.
Breathing in, you take one step. Breathing out, you take another, enjoying being alive. Feel the breeze, now. Feel the sunshine.
It’s so simple, and it’s free. Peace is here for you and me.
Please believe it. You can touch it. Together, we can make it come true.

Chorus
And together we can make it come true. So…
clap your hands and stomp your feet, hm-mm-mm-yeah (2x)
Celebrate peace, freedom, and happiness for all of us, right here and now.
Dance to the rhythm of peace, downt-downt-downt.
Sing to the tune of freedom, downt-da-downt.
Laugh, oh, laugh, laugh in the embrace of happiness, mm-mm-mm.

Don’t need to deny your pain and your sorrow.
Just don’t build it into your house of tomorrow.
‘Cause most of spend too much time seeing what’s wrong,
and we don’t realize (oh, no) that everything we need,
we already have it (yeah, we do).
And there’s always far more going right than there is going wrong.
In our garden, there are many trees in blossom.
Yet, we choose to sit and cry at the foot of one that’s dyin’.
So, if you run around searchin’, you just might lose it (oh).
If you run around searchin’, you just might lose it.
So, put your hand in your pocket. You’ll find it where it’s always been.
That’s happiness right in your pocket, in the spreading of your smile,
the relaxing of your shoulders, your breathing in awareness. That’s all it takes, ‘cause

Chorus
Yeah, mm-mm-mm.

There is no way to peace. Peace is the way.
Freedom and happiness, they are ours today.
Peace is the way. Freedom and happiness are the way (yeah).
Peace is the way (yeah, yeah) and freedom and happiness are the way.
‘Cause there is no way to peace. Peace is the way.
There is no way, no way to happiness. Happiness is the way, the way today.
Don’t look for freedom in the future. Freedom is today.
Enjoy it, Brother, now. Live it up, Sister, Sister.
Together, we can make it come true. Together, we can make it come true, now.
Together, we can make it come true… me and you, come true, come true.


Para ouvir a música clique aqui .

sábado, 31 de dezembro de 2011

sábado, 24 de dezembro de 2011

A oração do Pai Nosso: um paralelo entre budismo e cristianismo



Por Thich Nhat Hanh


A doutrina da Igreja Ortodoxa afirma claramente que todo ser humano tem a natureza divina de Deus e partilha da bondade divina de Deus. É o mesmo conceito budista sobre a nossa natureza de Buda. Ainda que pareçam diferentes, os ensinamentos cristãos e budistas têm muito em comum.

O canto budista "Teu discípulo se inclina com respeito".

Teu discípulo por várias existências, por muitos kalpas, ficou preso nos obstáculos do carma, ânsia, raiva, arrogância, ignorância, confusão e erros, e hoje, graças ao conhecimento que tem do Buda, reconhece seus erros e começa sinceramente outra vez.

Agora, vejamos a oração do Pai Nosso, uma oração bem conhecida na tradição cristã:

Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.


Se olharmos em maior profundidade, veremos que com esta oração estamos praticando também o estar em contato com a dimensão última. O que estamos procurando? Estamos procurando algo muito grande. Não estamos pedindo a Deus para que o sol brilhe no dia de nosso piquenique. Não estamos pedindo coisinhas, estamos pedindo o reinado de Deus. Nosso primeiro objetivo na oração é o reino de Deus. Vamos examinar cada um dos incisos desta oração.

Pai nosso que estais nos céus.

Nos céus significa "não no mundo histórico e fenomênico. Ainda que Deus esteja em todas as coisas, não podemos compará-lo com as criaturas que vivem sobre a terra, assim como não podemos comparar a água do mar com a onda, porque uma é a natureza última e a outra é o fenômeno. Podemos comparar uma onda com a outra, mas não podemos comparar a água com a onda. Ele é a natureza última, e não há palavras para nomeá-lo ou descrevê-lo. Podemos chamá-lo de Deus, de Alá, o criador, mas são apenas maneiras de chamá-la. Todas essas expressões e idéias são a nossa tentativa infrutífera de definir Deus. Por isso, quer digamos Deus, Dieu (francês), God (inglês), Thuong De (vietnamita), ou Alá, tudo não passa de nomes, e esses nomes não são fortes o suficiente para conter a realidade maravilhosa que é a dimensão última.

Deus não precisa ser famoso na sociedade humana, como um astro de cinema ou um presidente. Deus não é um saquinho de amendoim a ser disputado. E Deus não quer competir conosco para ser mais famoso do que nós. Para estar em contato com a realidade maravilhosa da dimensão última, temos de ir para além do nome, e só então poderemos encontrar sua verdadeira natureza sagrada. O sutra do Caminho da Virtude diz: "O caminho que ainda pode ser discutido não é ainda o verdadeiro caminho eterno. O nome que pode ser chamado não é ainda o verdadeiro nome eterno".

Santificado seja o vosso nome.

Isto se refere ao tipo de nome, ao nome que não pode ser dito, que não pode ser expresso, sobre o qual não se pode deliberar, não se pode falar, e este é o Deus de verdade.

Venha a nós o vosso reino

A palavra "reino", que empregamos na expressão "o reino de Deus", o reino que Deus Pai preside, é tradução da palavra grega basileia, que tem três significados diferentes. O primeiro é "domínio" ou os "domínios", ou seja, o território sobre o qual Deus governa ou exerce seu reinado. O primeiro sentido é do ponto de vista do sinal. O segundo sentido é "real". Significa a natureza do domínio, sua "reinidade". Este domínio tem a natureza da felicidade, da eternidade, da paz e da alegria. Real é a natureza, e domínio é o sinal. Reino é o sinal e "reinidade" é a natureza. A natureza é nirvana, o sinal é o sinal do não-nascimento da não-morte.

Nisto temos as duas coisas: o sinal e a natureza. O terceiro sentido é "reinado", o ato de reinar, que é a maneira como o domínio e a vida neste domínio podem ser descritos. O domínio pertence à ação. Por isso o domínio pertence à dimensão histórica, a realeza pertence à dimensão última e reinado pertence à dimensão da ação.

A dimensão última é o fundamento do ser. A dimensão histórica é o reino de Deus, ou o mundo fenomênico, o mundo do nascimento e da morte. No mundo do nascimento e da morte, há a presença do nirvana. E finalmente, há a dimensão da ação, a função do reino, que é reinar, governar. A terra que Deus Pai governa. Como pode o povo viver nesta terra de maneira a ter paz, alegria e felicidade? Isto é ação. Seja qual for nossa tradição religiosa, quando rezamos nossa prioridade é chegar à dimensão última, à natureza ainda não nascida ou imorredoura da vida - isto é o reino de Deus, isto é Deus.

Quando praticamos a meditação andando ou tomamos uma refeição com mente alerta, queremos que o nirvana esteja presente, queremos que o nirvana venha a nós no momento atual. Os cristãos rezam, cantam salmos e hinos, recebem os sacramentos - tudo isto são orações dirigidas ao desejo Venha a nós o vosso reino, o desejo de que o reino de Deus esteja presente neste exato momento. Se formos capazes de trazer para a dimensão histórica a dimensão última, podemos viver as duas dimensões ao mesmo tempo. Não há razão de não podermos contactar a dimensão última enquanto vivemos na dimensão histórica.

Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu

A natureza não nascida e imorredoura do céu, a felicidade, solidez e a liberdade do céu não estão apenas na dimensão última, mas também na dimensão histórica. Graças às chaves dos Três Selos do Darma, somos capazes de ver que a solidez, a liberdade, o ainda não-nascido e o imorredouro não precisam ser procurados no nirvana, mas podem ser encontrados aqui no mundo do nascimento e da morte; assim na terra como no céu. No Vietnã, um discípulo perguntou a um mestre zen: "Onde devo procurar o ainda não-nascido e o imorredouro?" O mestre respondeu com muita clareza: "Você deve procurar o ainda não-nascido e o imorredouro precisamente no meio do nascimento e da morte". Você deve procurar a água na onda. Está muito claro. Por isso dizemos: "Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu". Este é o maior desejo que temos ao rezar.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Outra maneira de traduzir é: "Dai-nos hoje nosso pão deste dia". Nosso pão deste dia não é o pão de todo dia, mas apenas o pão deste dia. A palavra hoje não é muito boa, mas as palavras deste dia são melhores. Esta frase é uma prática de confiança. Não precisamos pedir nossa comida para amanhã, para depois de amanhã, para o próximo mês e para os próximos anos. Precisamos apenas ter comida para o dia de hoje. Eu quero viver profundamente o momento atual. Isto se parece com o ensinamento de Buda no Coração do Prajnaparamita. "A forma é o vazio", diz Buda, mas isto não é o bastante em si, de modo que temos de acrescentar "... e o vazio é a forma", para então o ensinamento ser completo.

Em nossa vida diária temos muitas ansiedades. Temos nossos desejos e tendemos a querer acumular coisas. Não sabemos que o momento atual é o importante. A vida só pode existir no momento atual. Se nossa intenção é apenas investir no amanhã, então será fácil esquecer completamente as maravilhas da vida no momento atual. Temos de voltar ao momento atual para vivê-lo profunda e convenientemente. Temos de viver de tal forma que o reino de Deus esteja presente aqui e agora. Esta é uma oração que deve ser praticada vinte e quatro horas por dia, porque queremos viver o momento atual profundamente todos os segundos. As palavras da oração não devem ser ditas apenas antes de irmos dormir, devem ser recitadas ao longo de todo o dia.

Já temos condições suficientes para ser felizes hoje. Temos de rezar de tal forma que possamos estar em contato com as condições de felicidade que estão em nós e ao redor de nós. Elas estão todas ali, ao alcance. Não devemos ser gananciosos. Não devemos exigir que a vida continue por centenas e centenas de anos. Como pode a vida continuar por centenas de anos se neste momento atual não somos capazes de estar ativos?

(Do livro “A energia da oração” – Thich Nhat Hanh)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Confraternização e Recesso


Queridos amigos,

para encerramos nossas atividades deste ano, na próxima terça-feira, 06.12.11, iremos fazer um lanchinho de confraternização. Cada um traz uma coisinha gostosa e depois da meditação silenciosa iremos fazer a meditação gostosa!

Espero por vocês.

Beijos

Ligia Prieto

Local: Academia Ligia Prieto
Horário: 19 h
Informações: (65) 3052-6634

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Descobrindo a verdadeira natureza da raiva


Por Thich Nhat Hanh

No momento em que você sente raiva, você tem a tendência de acreditar que seu sentimento foi criado por outra pessoa. Você culpa esta pessoa por todo o seu sofrimento. Mas, ao fazer um exame profundo, você talvez perceba que a semente da raiva que existe em você é a principal causa do seu sofrimento. Muitas outras pessoas, quando confrontadas com a mesma situação, não ficariam com a raiva com que você fica. Elas ouvem as mesmas palavras, presenciam a mesma situação, mas são capazes de permanecer mais calmas, sem se deixarem afetar tanto pelas circunstâncias. Por que você se enraivece com tanta facilidade? Talvez isso aconteça porque a semente da raiva é muito forte, e como você não praticou os métodos destinados a cuidar bem da raiva, a semente dela pode ter sido rega da no passado com excessiva freqüência.

Todos temos uma semente da raiva nas profundezas da nossa consciência. No entanto, em alguns de nós, esta semente é maior do que nossas outras sementes como a do amor e a da compaixão. A semente da raiva pode ser maior por não ter sido cuidada através da nossa prática no passado. Por isso, como já disse, quando começamos a cultivar a energia da plena consciência, a primeira coisa que percebemos com clareza é que a principal causa do nosso sofrimento, da nossa aflição, não é a outra pessoa, e sim a semente da raiva que existe em nós. Nesse momento, paramos de considerar a outra pessoa culpada do nosso sofrimento. Compreendemos que ela é apenas uma causa secundária. Você sente um enorme alívio ao descobrir isso e começa a se sentir muito melhor. Mas a outra pessoa pode ainda estar sofrendo porque não aprendeu a cuidar da própria raiva. Quando isso acontece, está na hora de ajudar o outro.

Quando não sabemos lidar com o nosso sofrimento, deixamos que ele se derrame sobre as pessoas que estão em volta. Quando você sofre, faz com que as pessoas ao seu redor também sofram. Isso é bastante natural. É por esse motivo que temos que aprender a lidar com o nosso sofrimento, para não o espalharmos em torno de nós. Quando você é o chefe da família, por exemplo, você sabe que o bem-estar dos seus familiares é extremamente importante. Como você tem compaixão, não permite que seu sofrimento afete os que estão à sua volta. Você pratica e aprende a lidar com seu sofrimento porque sabe que nem ele nem sua felicidade são uma questão individual.

Quando você está com raiva e não quer lidar com ela, fica sem defesa, sofre, e também faz as pessoas à sua volta sofrerem. Sua primeira reação é achar que a pessoa que causou a raiva merece ser punida. Tem vontade de castigá-la porque ela fez você sofrer. Mas, depois de praticar durante dez ou quinze minutos a respiração, a meditação andando e o olhar consciente, você compreende que ela precisa de ajuda e não de punição. Esta é uma percepção justa. Essa pessoa pode ser alguém muito próximo a você sua esposa, seu marido, algum dos filhos. Se você não ajudá-la, quem o fará?

Depois então de acolher e abraçar a raiva, sentindo-se muito melhor, você nota que a outra pessoa continua a sofrer. Esta percepção gera em você um movimento em direção a ela, num grande desejo de ajudá-la. Trata-se de uma forma completamente diferente de pensar e de sentir, pois o desejo de punir simplesmente desapareceu. A raiva se transformou em compaixão.

A prática da plena consciência nos torna mais atentos e perspicazes. Esta capacidade de discernimento é fruto da prática que pode nos ajudar a perdoar e a amar. Num período de quinze minutos, ou de meia hora no máximo, a prática da plena consciência, da concentração e do discernimento é capaz de libertar você da raiva, enchendo seu ser de amor.

Quando você entende o sofrimento da outra pessoa, você é capaz de transformar seu desejo de punir, passando apenas a querer ajudá-la. Quando isso acontece, você sabe que sua prática teve êxito. Você é um bom jardineiro.

Dentro de cada um de nós existe um jardim, e cada praticante precisa voltar para dentro de si mesmo e cuidar dele. Talvez no passado você tenha se dado conta disso. Agora, então, precisa saber o que está acontecendo no seu jardim e procurar colocar tudo em ordem. Restaure a beleza e restabeleça a harmonia do seu jardim. Muitas pessoas se encantarão com seu jardim se ele for bem cuidado.

Quando éramos crianças, aprendemos a respirar, a andar, sentar, comer e falar. Fizemos tudo isso instintivamente sem pensar. O que eu proponho agora é que tomemos consciência dos nossos atos para renascermos espiritualmente. Para isso, temos que aprender a respirar de novo, de um modo consciente. Aprender a andar de novo, conscientemente. Aprender a ouvir de novo, com consciência e compaixão. Aprender a falar de novo, com a linguagem do amor, para honrar nosso compromisso original. Dizer a nossa verdade, com respeito e suavidade, e acolher a do outro: "Meu amor, estou sofrendo. Estou com raiva. Quero que você saiba disso".

Esta frase expressa a fidelidade ao nosso compromisso. Meu amor, estou fazendo o melhor que posso. Estou cuidando da minha raiva. Para o meu bem e para o seu. Não quero explodir, destruir a mim e a você. Estou fazendo o melhor que posso." Esta lealdade provocará respeito e confiança na outra pessoa. E finalmente diremos: "Meu amor, preciso da sua ajuda." Esta é uma declaração muito poderosa, porque, quando estamos com raiva, geralmente temos a tendência de dizer: "Não preciso de você, não quero te ver pela frente." Se você puder dizer as três frases anteriores com sinceridade, do fundo do coração, o outro passará por uma transformação. Não duvide dos efeitos dessa prática.

Com o seu comportamento, você consegue influenciar a outra pessoa e incentivá-la a começar a praticar. Ela pensará e sentirá: "Meu parceiro está sendo fiel falando a verdade. Ele está de fato tentando fazer o melhor possível. Preciso fazer a mesma coisa." Isso significa que, quando cuidamos bem de nós mesmos, estamos cuidando bem da pessoa que amamos. O amor por nós mesmos é a base da nossa capacidade de amar o outro. Se não cuidamos bem de nós mesmos, se não estamos felizes e tranqüilos, não podemos fazer a felicidade de mais ninguém. Não podemos ajudar nossos seres queridos, não podemos amá-los. Nossa capacidade de amar uma outra pessoa depende totalmente da nossa capacidade de amar e cuidar bem de nós mesmos.

Nossos ferimentos podem ter sido causados pelo nosso pai ou nossa mãe. Eles repassaram o que sofreram quando crianças. Como não sabiam a forma de curar as feridas da infância, eles as transmitiram para nós. Se não soubermos como transformar e curar nossos próprios ferimentos, vamos transmiti-los para nossos filhos e netos. É por isso que temos que voltar à criança ferida que existe dentro de nós para ajudá-la a ficar curada.

Às vezes, essa criança precisa de toda a nossa atenção. Ela pode emergir das profundezas da nossa consciência pedindo atenção. Se você estiver consciente, ouvirá a voz dela pedindo ajuda. Quando isso acontece, é hora de desligar-se de tudo em torno e voltar-se para dentro, acolhendo e abraçando carinhosamente a criança ferida dentro de você. Respire conscientemente dizendo: "Ao inspirar o ar, volto-me para minha criança ferida; ao soltar o ar, cuido amorosamente da minha criança ferida." Você precisa praticar e se voltar para a sua criança ferida todos os dias, abraçando-a com carinho, falando com ela. E você também pode escrever uma carta para ela dizendo que reconhece sua presença e fará tudo que estiver ao seu alcance para curar seus ferimentos.

Quando eu falo que é preciso ouvir com compaixão, talvez vocês pensem que se trata apenas de escutar uma outra pessoa. Mas também precisamos escutar a criança ferida dentro de nós, pois ela está continuamente conosco. E nós podemos curá-la a cada instante, neste exato instante. "Minha querida criança ferida, estou aqui do seu lado e desejo intensamente ouvir você. Por favor, conte-me tudo sobre seu sofrimento, descreva toda a sua dor. Estou aqui, estou realmente escutando." Se você conseguir fazer isso e ouvi-la dessa maneira durante cinco ou dez minutos todos os dias, a cura certamente acontecerá. Quando subir uma bela montanha, convide sua criança interior para acompanhar você. Quando contemplar a beleza de um pôr-do-sol, convide-a para compartilhá-lo com você. Se fizer isso durante algumas semanas ou meses, sua criança ferida ficará curada. A plena consciência é a energia que pode nos ajudar a realizar essa cura.

Um minuto de prática é um minuto em que geramos a energia da plena consciência. Ela não vem de fora e sim de dentro de nós. A energia da plena consciência é a energia que nos ajuda a estar totalmente presentes no aqui e agora. Quando você toma chá com plena consciência, seu corpo e sua mente desfrutam uma perfeita união. Você é real e o chá que bebe também se torna real. Quando sua cabeça está cheia de projetos e preocupações, você não está realmente tomando seu café ou seu chá. Você está bebendo seus projetos e suas preocupações. Você não é real, nem o café ou o chá são verdadeiros. Seu chá ou seu café só podem se revelar como uma realidade total quando você se voltar para o seu eu e estiver plenamente presente, libertando-se do passado, do futuro e das preocupações. Quando você tem consciência de si e do seu momento presente, o chá também se torna real e o encontro entre você e o chá é real.

Existe a meditação do chá que oferece a você e seus amigos a oportunidade de se exercitarem na prática de estar realmente presentes, concentrando-se na xícara de chá e gozando plenamente tudo o que ela tem a oferecer sabor, perfume, calor. Concentrando-se e usufruindo a companhia uns dos outros. A meditação do chá é uma prática destinada a nos libertar. Se você ainda sofre as limitações e perseguições do passado, se ainda tem medo do futuro, se se deixa levar pela ansiedade e pela raiva, você não é uma pessoa livre. Não está totalmente presente no aqui e agora, de modo que a vida não está disponível para você. O chá, a outra pessoa, o céu azul, a flor não estão à sua disposição. Para que você possa realmente viver, para que consiga tocar profundamente a vida, você precisa ser livre. Cultivar a plena consciência ajuda você a se libertar.

A energia da plena consciência é a energia de estar presente. Corpo e mente unidos. Quando pratica a respiração consciente ou o andar consciente, você se liberta do passado, do futuro, dos seus projetos, das suas preocupações, e passa a estar presente e a viver totalmente. A liberdade é a condição fundamental para você tocar a vida, tocar o azul do céu, as árvores, os pássaros, o chá e a outra pessoa. É por isso que a prática da plena consciência é tão importante. E não pense que você precisa treinar durante muitos meses para conseguir fazer. Uma hora de prática por dia ajuda a ser mais consciente.

Exercite-se tomando conscientemente seu chá, seu café, saboreando o gosto, aspirando o perfume, sentindo na mão o calor da xícara, e, durante esse processo, transforme-se numa pessoa livre. Exercite-se para se tornar uma pessoa livre enquanto prepara o café da manhã, ao tomar banho, ao vestir-se. Quando andar pela rua, quando arrumar a casa. Ao acordar, em vez de deixar-se assaltar pelas preocupações, sinta e usufrua a maciez dos lençóis, perceba a claridade que entra pela janela. Qualquer momento do dia é uma oportunidade para você exercitar a plena consciência e gerar essa energia.

"Meu amor, sei que você está aqui e me sinto muito feliz". Através da plena consciência, você é capaz de tomar profundo contato com o que existe no momento presente, inclusive com a pessoa que você ama. O fato de conseguir dizer ao seu ente querido "Meu amor, sei que você está aqui e me sinto muito feliz" demonstra que você é uma pessoa livre. Prova que você tem a mente atenta, que possui a capacidade de valorizar e apreciar o que está acontecendo no momento presente. O que acontece no agora é a vida que pulsa em seu ser e na pessoa que você ama, e que está viva, diante de você.

Quando você abraça a outra pessoa com a energia da plena consciência, olhando para ela e dizendo "Meu amor, acho maravilhoso você estar aqui ao meu lado. Isso me deixa muito feliz", isso causa a sua felicidade e a felicidade do outro, porque ele sente como é real o sentimento que você expressa. É diferente de abraçar automaticamente, dizendo palavras convencionais que não vêm da plena consciência da presença do outro e do valor dessa presença. Quando conseguimos estar plenamente com o outro, a possibilidade de ficarmos com raiva é muito menor. Quando se zangar ou sentir raiva, respire ou ande conscientemente durante dois minutos para se restabelecer no aqui e agora, para viver de novo. A outra pessoa pode estar dominada por preocupações, raiva e ansiedade, mas você pode salvá-la, e salvar-se, através da plena consciência.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Como Meditar


Por Thich Nhat Hanh

É possível obter total descanso numa posição sentada e, por conseguinte atingir maior profundidade na meditação assim dissolver preocupações e problemas que bloqueiam sua mente.

Eu sei que (...) há muitos que podem sentar na posição de lótus completo, o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita e o pé direito apoiado sobre a coxa esquerda. Outros podem sentar em meio lótus, o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita ou o pé direito sobre a coxa esquerda. Na nossa aula de meditação, em Paris há pessoas que não conseguem sentar em nenhuma dessas posições e por isso ensino-lhes a maneira japonesa, ou seja, com os joelhos dobrados e o tronco apoiado sobre ambas as pernas. Pondo alguma espécie de acolchoado sob os pés, a pessoa pode facilmente permanecer nessa posição por hora ou hora e meia.

Mas na verdade qualquer pessoa pode aprender a sentar em meio lótus, ainda que no início possa causar alguma dor. Gradualmente, após algumas semanas de treino, a posição se tornará confortável. No início, enquanto a dor ainda causar muito desconforto, a pessoa, deve alterar a posição das pernas ou a posição de sentar. Para as posturas de lótus completo e meio lótus convém sentar-se sobre uma almofada, de forma a que os dois joelhos se apóiem contra o chão. Os três pontos de apoio dessa posição proporcionam uma grande estabilidade.

Mantenha as costas eretas. Isso é muito importante. O pescoço e a cabeça devem ficar em alinhamento com a coluna. A postura deve ser reta mas não rígida. Mantenha os olhos semi-abertos, focalizados a uns dois metros à sua frente. Mantenha leve sorriso. Agora comece a seguir sua respiração e a relaxar todos os músculos. Concentre-se em manter sua coluna ereta e em seguir sua respiração. Solte-se quanto a tudo mais. Abandone-se inteiramente. Se quiser relaxar os músculos de seu rosto, contraídos pelas preocupações, medo e tristeza, deixe um leve sorriso aflorar em sua face. Quando o leve sorriso surge, todos os músculos faciais começam a relaxar. Quanto mais tempo o leve sorriso for mantido, melhor. É o mesmo sorriso que você vê na face de Buda.

À altura do ventre, pose sua mão esquerda com a palma voltada para cima sobre a palma da mão direita. Solte todos os músculos dos dedos, braços e pernas. Solte-se todo como as plantas aquáticas que flutuam na corrente, enquanto sob a superfície das águas o leito do rio permanece imóvel. Não se prenda a nada a não ser à respiração e ao leve sorriso.

Para os principiantes, convém não ficar sentado além de vinte ou trinta minutos. Durante esse tempo você tem que ser capaz de obter descanso total. A técnica para tal obtenção reside em duas coisas: observar e soltar, observar a respiração e soltar tudo mais. Solte cada músculo de seu corpo. Após uns quinze minutos, uma serenidade profunda poderá ser alcançada, enchendo-o interiormente de paz e contentamento. Mantenha-se nessa quietude.

Algumas pessoas encaram a meditação como uma labuta, desejando que o tempo passe rápido a fim de descansarem depois. Essas pessoas não aprenderam ainda o que é meditar. Se você sentar de forma correta, é possível encontrar total relaxamento e paz, exatamente nessa posição. Geralmente sugiro a essas pessoas que meditem tendo em mente a imagem de um seixo atirado ao rio.

Como usar a imagem do seixo? Sente-se na posição em que melhor se sentir, lótus completo ou meio lótus, com a coluna reta e leve sorriso nos lábios. Respire devagar e profundamente, acompanhando cada respiração, unificando-se com ela. Desligue-se de tudo. Imagine que você é um seixo atirado no rio. O seixo afunda na água, sem nenhum esforço. Desapegado de qualquer coisa, ele lentamente afunda pela mais curta distância, para atingir finalmente o fundo do rio, o ponto de descanso perfeito. Você, praticamente, é como o seixo que, desligando-se de tudo, deixou-se cair no rio. No centro de seu ser está sua respiração. Você não precisa saber quanto tempo leva até que possa alcançar o ponto do perfeito repouso, o leito de areia no fundo das águas.

Quando você se sentir como o seixo que atingiu o fundo do rio, você terá alcançado o ponto em que encontrará seu perfeito repouso. Você não estará mais sendo empurrado ou puxado por nada. Se você não conseguir encontrar paz e contentamento nesses momentos em que está sentado, então o futuro lhe escapará como um rio que passa, você não poderá fazê-lo voltar atrás, e será incapaz de viver o futuro quando ele tiver se transformado em presente. Toda a paz e contentamento possíveis são esses que surgem ao sentar-se. Se você não consegue encontrá-los aí, não os encontrará em nenhum outro lugar. Não persiga seus pensamentos como a sombra que segue seu objeto. Não corra atrás de seus pensamentos. Não adie, seja capaz de encontrar paz e contentamento nesse exato momento em que está sentado.

Esse é o seu tempo, esse lugar em que está senta é o seu lugar. É nesse exato lugar, nesse exato momento, que você pode se tomar um Buda e não sob uma árvore especial em algum longínquo país.

O conforto que lhe proporciona o sentar-se depende de sua assiduidade na prática de manter a mente alerta na sua vida diária. Depende também se você senta ou não de acordo com as instruções. Uma hora de meditação por noite deveria ser organizada em cada comunidade. E às pessoas de fora, que quisessem participar, deveria ser dado o direito de sentarem também.

Alguém poderá perguntar: é então o relaxamento o único objetivo da meditação? Na verdade a meditação vai muito mais além. O relaxamento, entretanto, é necessário como ponto de partida, já que só após obtê-lo é que a pessoa consegue tranqüilizar o coração e clarear a mente. Ter o coração tranqüilo e a mente clara já é avançar bastante no caminho da meditação. Não devemos nos esquecer de que alertar a mente para a respiração é um método maravilhoso que pode ser usado sempre e não apenas no início da prática.

Feliz continuação


Por Thich Nhat Hanh

“Ouça Shariputra, todos os dharmas são marcados com a vacuidade. Eles não podem ser produzidos nem destruídos.” (Sutra do Coração)

Dharmas aqui, significam coisas. Um ser humano é um dharma. Uma árvore é um dharma. Uma nuvem é um dharma. O brilho do sol é um dharma. Tudo que pode ser concebido é um dharma. Portanto, quando dizemos, “Todos os dharmas são marcados com a vacuidade,” estamos dizendo, tudo tem a vacuidade como sua natureza. E é por isso que tudo pode existir. Há muita alegria nessa declaração. Significa que nada pode nascer, nada pode morrer. Avalokita disse algo extremamente importante.

Em cada dia na nossa vida vemos nascimento e morte. Quando uma pessoa nasce, uma certidão de nascimento é impressa para ele. Depois que morre, de forma a enterrá-lo, um certificado de óbito é feito. Essas certidões confirmam a existência do nascimento e da morte. Mas Avalokita disse, “Não, não há nascimento e morte.” Temos que olhar, mais profundamente de forma a ver se essa declaração é verdadeira.

Qual é a data na qual você nasceu, sua data de nascimento? Antes dessa data, você já existia? Você já estava presente antes de nascer? Deixe-me ajudá-lo. Nascer significa que de nada você se tornou algo. Minha pergunta é, antes de nascer, você já estava presente?

Suponha que uma galinha está prestes a colocar um ovo. Antes de ela colocá-lo, você acha que o ovo já estava presente? Sim, é claro. Está dentro dela. Você também estava dentro antes que saísse. Isto significa que antes de nascer, você já existia – dentro de sua mãe. O fato é que se algo já está presente, não necessita nascer. Nascer significa que do nada, você se tornou algo. Se você já é algo, qual o sentido de nascer?

Portanto, o chamado, dia do aniversário é na realidade seu dia de Continuação. Na próxima vez que celebrar, pode dizer, “Feliz dia de Continuação.” Acho que podemos ter uma idéia melhor de quando nascemos. Se voltarmos nove meses antes, para o momento da concepção, teremos uma data melhor para colocar em nossa certidão de nascimento. Na China e também no Vietnã, quando nasce, já se considera que você tenha um ano de idade. Portanto dizemos que nosso início se dá no momento da concepção no útero de nossa mãe, e escrevemos essa data na nossa certidão de nascimento.

Mas a questão permanece: Antes mesmo desta data você existia ou não? Se você disser, “Sim”, acho que está correto. Antes da sua concepção, você já estava presente, talvez metade na sua mãe, metade no seu pai. Porque do nada, não podemos nos tornar algo. Você pode citar uma coisa que uma vez tenha sido nada? Uma nuvem? Você acha que uma nuvem pode nascer do nada? Antes de ser uma nuvem, era água, talvez flutuando em um rio. Ela não era um nada. Você concorda?

Não podemos conceber o nascimento do nada. Há apenas continuação. Por favor, olhar ainda mais para trás e você verá que você não apenas existia no seu pai e mãe, mas também nos seus avôs e avós. Ao olhar mais profundamente, posso ver que numa vida anterior eu era uma nuvem. Isto não é poesia, é ciência.

Porque eu digo que numa vida anterior eu era uma nuvem? Porque eu ainda sou uma nuvem. Sem a nuvem, eu não poderia estar aqui. Eu sou a nuvem, eu sou o rio, e o ar neste exato momento, portanto eu sei que no passado eu fui uma nuvem, um rio e o ar. E eu era uma pedra. Eu era os minerais na água. Isto não é uma questão de crença em reencarnação. Esta é a história da vida na Terra. Fomos gás, brilho do sol, água, fungos e plantas. Fomos seres unicelulares. O Buda disse que em suas vidas passadas ele era uma árvore. Ele foi um peixe, Ele foi um cervo. Estas não são coisas supersticiosas. Todos fomos uma nuvem, um cervo, um pássaro, um peixe e continuamos a ser essas coisas, não apenas em vidas passadas.

E não é apenas assim com o nascimento. Nada pode nascer e também nada pode morrer. Isto foi o que Avalokita disse. Você acha que uma nuvem pode morrer? Morrer significa que de algo você se tornou nada. Você acha que podemos transformar alguma coisa em nada? Vamos voltar à nossa folha de papel. Podemos ter a ilusão que para destruir toda a folha tudo o que temos que fazer é acender um fósforo e queimá-la. Mas se queimarmos uma folha de papel, parte dela se tornará fumaça e a fumaça subirá e continuará a existir.

O calor resultante da queima do papel entrará no cosmos e penetrará nas outras coisas, porque o calor é a vida seguinte do papel. A cinza que é formada se tornará parte do solo e a folha de papel, na sua vida seguinte, poderá ser uma nuvem e uma rosa ao mesmo tempo. Temos que ser muito cuidadosos e atentos de forma a perceber que esta folha de papel nunca nasceu e nunca morrerá. Ela pode passar a ser outras formas de vida, mas não somos capazes de transformar uma folha de papel em nada.

Tudo é assim, mesmo você e eu. Não somos sujeitos ao nascimento e morte. Um mestre Zen poderia dar a seu aluno um tema de meditação como esse, “Como era seu rosto antes que seus pais nascessem?” Este é um convite para ir em uma viagem de forma a se reconhecer. Se você fizer bem feito, poderá ver suas vidas passadas assim como as vidas futuras.

Lembre-se, por favor, que não estamos falando sobre filosofia, estamos falando da realidade. Olhe para a sua mão e se pergunte, “Desde quando minha mão tem estado por aí?” Se eu olhar profundamente para minha mão, poderei ver que ela tem estado por aí há um longo tempo, mais de 300.000 anos. Vejo muitas gerações de ancestrais nela, não apenas no passado mas no momento presente, ainda vivas. Eu sou apenas uma continuação. Eu nunca morri nenhuma vez. Se eu tivesse morrido uma vez ao menos, como minha mão ainda estaria aqui?

O cientista francês Lavoisier disse, “Nada é criado e nada é destruído.” Isto é o mesmo que está no Sutra do Coração. Mesmo os melhores cientistas contemporâneos não podem reduzir algo como uma partícula de poeira ou um elétron a nada. Uma forma de energia pode apenas se tornar outra forma de energia. Uma coisa nunca pode se tornar nada e isso inclui uma partícula de poeira.

Usualmente dizemos que humanos vêm do pó e voltaremos ao pó e isto não soa muito alegre. Não queremos retornar ao pó. Há uma discriminação aqui achando que humanos valem mais e que a poeira não tem valor nenhum. Mas cientistas não sabem ao menos o que é um grão de poeira! Ainda é um mistério. Imagine um átomo desse grão de poeira, com elétrons viajando em torno do núcleo a 180.000 milhas por segundo. É muito excitante. Voltar a ser um grão de poeira será uma aventura muito excitante!

Às vezes temos a impressão que entendemos o que é um grão de poeira. Até mesmo fingimos que entendemos um ser humano – um ser humano que dizemos que voltará a ser um grão de poeira. Como vivemos com uma pessoa por 20 ou 30 anos, temos a impressão que sabemos tudo sobre ela. Portanto, ao dirigir o carro com a pessoa ao nosso lado, pensamos em outras coisas. Não estamos mais interessados nela. Que arrogância! A pessoa sentada ali ao nosso lado é realmente um mistério! Apenas temos a impressão que a conhecemos, mas não sabemos nada ainda.

Se olharmos com os olhos de Avalokita, veremos que mesmo um fio de cabelo da pessoa é o cosmos inteiro. Um fio de cabelo na sua cabeça pode ser uma porta se abrindo para a realidade última. Um grão de poeira pode ser o Reino dos Céus, a Terra Pura. Quando você vir que você, o grão de poeira e todas as coisas intersão, você entenderá que as coisas são dessa forma. Precisamos ser humildes. “Dizer que não sabe é o começo do conhecimento”, é um provérbio chinês.

Um outono, eu estava em um parque, absorvido na contemplação de uma bonita folha muito pequena, na forma de coração. Sua cor era quase vermelha, e estava por pouco pendurada no galho, quase pronta para cair. Eu fiquei um bom tempo com ela e perguntei à folha muitas questões. Eu descobri que a folha tinha sido uma mãe para a árvore. Usualmente pensamos que a árvore é a mãe da folha. A seiva que as raízes captam é apenas água e minerais, e não é boa o suficiente para nutrir a árvore, portanto a árvore distribui a seiva para as folhas. E as folhas assumem a responsabilidade de transformar a seiva bruta na seiva elaborada e com a ajuda do sol e gás, a devolvem de forma a nutrir a árvore. Portanto as folhas são também a mãe da árvore. E como a folha é ligada à árvore por um talo, a comunicação entre elas é fácil de ver.

Não temos mais um talo nos ligando à nossa mãe, mas quando estávamos no seu útero tínhamos um longo talo, um cordão umbilical. O oxigênio e os nutrientes que precisávamos vinham para nós através desse talo. Infelizmente, no dia que chamamos de dia do aniversário, ele foi cortado e recebemos a ilusão que éramos independentes. Isto é um erro. Continuamos a depender de nossa mãe por um longo tempo, e temos muitas outras mães também. A Terra é nossa mãe. Temos muitos grandes talos nos ligando à nossa mãe Terra.

Há um talo nos ligando com a nuvem. Se não houvesse nuvem, não haveria água para bebermos. Somos feitos de pelo menos setenta porcento de água e o talo entre a nuvem e nós está realmente presente. Há também a mesma situação com o rio, a floresta, o lenhador e o fazendeiro. Há centenas de milhares de talos nos ligando a tudo no cosmos de forma que possamos existir. Você vê a ligação entre você e eu? Se você não estiver aí, eu não estaria aqui. Isto é certo. Se você não vê isso ainda, olhe mais profundamente e tenho certeza que verá. Como disse, não é filosofia. Você realmente tem que ver.

Eu perguntei para a folha se ela tinha medo porque era outono e as outras folhas estavamm caindo. A folha me disse, “Não. Durante toda a primavera e verão eu estava viva. Trabalhei duro e ajudei a nutrir a árvore, e muito de mim está na árvore. Por favor, não diga que eu sou apenas esta forma, porque a forma da folha é apenas uma pequena parte de mim. Eu sou a árvore inteira. Sei que já estou dentro da árvore e quando eu for de volta ao solo, continuarei a nutrir a árvore. É por isso que não me preocupo. Assim que eu deixar o galho e flutuar ao solo, acenarei para a árvore e direi a ela, `Te verei novamente em muito em breve`” .

Logo eu vi um tipo de sabedoria muito parecido com a contida no Sutra do Coração. Você tem que ver a vida. Não deveria dizer a vida da folha, deveria apenas falar na vida na folha, na vida na árvore. Minha vida é apenas Vida, e você pode vê-la em mim e na árvore. Naquele dia havia um vento soprando e depois de um tempo via a folha deixar o galho e flutuar para o solo, dançando alegremente, porque enquanto flutuava olhava para si mesmo já na árvore. Ela estava muito feliz. Curvei minha cabeça e sabia que havia muito a aprender da folha porque ela não tinha medo – ela sabia que nada pode nascer e nada pode morrer.

(...) Amanhã eu continuarei a ser. Mas você terá que ser muito atencioso para me ver. Eu serei uma flor ou uma folha. Eu estarei nessas formas e direi alô para você. Se você tiver atenção suficiente me reconhecerá e poderá me cumprimentar. Eu ficarei muito feliz.

(Do livro “The heart of undestanding” – Thich Nhat Hanh)