A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre aos Sábados, às 08h00, no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

sexta-feira, 18 de março de 2011

O Que é Mente Atenta


Por Thich Nhat Hanh

Nós praticamos mente atenta para realizarmos a liberação, paz e alegria na vida cotidiana. Liberação e felicidade estão ligadas entre si; se há liberação, há felicidade, e quanto maior a liberação, maior a felicidade. Se há liberação, paz e alegria existem no momento presente. Não precisamos esperar quinze anos para realizá-las. Elas estão disponíveis assim que iniciamos a prática. Por mais que estes elementos possam ser modestos, eles formam a base para maior liberação, paz e alegria no futuro.
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Praticar meditação é olhar profundamente a fim de enxergar profundamente a essência das coisas. Com percepção e compreensão, podemos realizar nossa liberação, paz e alegria. A nossa raiva, ansioedade e medo são as cordas que nos amarram ao sofrimento. Se queremos nos libertar delas, devemos observar sua natureza, que é a ignorância, a falta de uma clara compreensão. Quando interpretamos equivocadamente um amigo, podemos sentir raiva dele e, por causa disso, podemos sofrer. Quando olhamos mais profundamente, entretanto, para o que aconteceu, podemos esclarecer a incompreensão. Quando compreendemos a outra pessoa e sua situação, o nosso sofrimento desaparece e a paz e a alegria afloram. O primeiro passo é a consciência do objeto e, o segundo passo é olhar profundamento para o objeto colocado sob a luz. Por consequinte, mente atenta significa consciência e tambám significa olhar profundamente.
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A palavra Pali sati (sânscrito: smrti) significa “parar e manter consciência do objeto” . A palavra Pali vipassana (Sânscrito: vipashyana) significa “penetrar no objeto para observá-lo”. Enquanto estamos completamente cônscios e observando profundamente um objeto, a ligação entre o sujeito que observa e o objeto observado, gradualmente, dissolve-se: sujeito e objeto tornam-se um. Está é a essência da meditação. Somente quando penetramos um objeto e nos tronamos um com ele é que podemos compreender. Não é suficiente ficar do lado de fora e observar o objeto. É por isso que o Sutra Sobre os Quatro Estabelecimentos da Mente Atenta lembra-nos de estarmos conscientes “do corpo no corpo”, “das sensações nas sensações”, “da mente na mente” e “dos objetos da mente nos objetos da mente”.
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O Buda proferiu o Sutra Sobre os Quatro Estabelecimentos da Mente Atenta para uma audiência de monges e monjas. Isso não quer dizer, contudo, que a prática de mente atenta no âmbito dos quatro estabelecimentos seja limita a monjas e monges. Qualquer um pode praticar mente atenta. Se monges e monjas podem praticar mente atenta andando, estando de pé, deitados e sentados, então, leigos e leigas também podem. Há alguém que não ande, fique em pé, deite e sente diariamente? O mais importante é entender a base fundamental da prática e aplicá-la na vida cotidiana, mesmo que nossas vidas sejam diferentes do modo como Buda e seus monges e monjas viviam a vinte e cinco séculos.
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Ao lermos o Sutra Sobre os Quatro Estabelecimentos da Mente Atenta, devemos ter o olhar de uma pessoa de hoje e descobrir meios apropriados de praticar baseados nos ensinamentos do Sutra.
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Mente atenta é sempre mente atenta a algo. Há quatro áreas de mente atenta, quatro áreas onde a mente atenta deve penetrar a fim de sermos protegidos, nutrirmos alegria, transformarmos a dor e para que a visão possa ser obtida. Esses quatro estabelecimentos, ou fundamentos, são: corpo, sensações, mente e objetos da mente.
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O Primeiro Estabelecimento é o estabelecimento da mente atenta ao corpo no corpo. Isso significa que quando você conduz a mente atenta para o seu corpo, a mente se torna o corpo. A mente atenta não é o observador externo. Ela se torna o corpo e o corpo se torna mente atenta. Quando a mãe abraça a criança ela se torna a criança, e a criança se torna a mãe. Na verdadeira meditação, o sujeito e o objeto da meditação não existem mais com entidades separadas; tal distinção é removida quando você gera energia da mente atenta e abraça a sua respiração e seu corpo, isso é a mente atenta ao corpo no corpo. A mente atenta não é um observador externo, ela é o corpo. O corpo torna-se objeto e o sujeito da mente atenta ao mesmo tempo.
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É como quando cientistas nucleares dizem que, para entender uma partícula elementar e realmente entrar no mundo do infinitamente pequeno, você precisa tornar-se um participante e não mais um mero observador. Na Índia, eles usam o exemplo do grão de sal que deseja saber quão salgado é o oceano. Como pode um grão de sal vir a saber isso? O único modo é pular dentro do oceano... assim o entendimento será completo; a separação entre o objeto do conhecimento e o sujeito do conhecimento não mais existe. Atualmente, os cientistas nucleares começaram a perceber isso. É por tal razão que eles dizem que, para realmente entender o mundo da partícula elementar, você tem de deixar de ser um observador para tornar-se um participante.
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O Segundo Estabelecimento da Mente Atenta diz respeito às sensações. O Terceiro Estabelecimento da Mente Atenta diz respeito à mente, mais exatamente às formações mentais. No Sutra Sobre a Plena Consciência da Respiração, o Buda nos oferece quatro exercícios respiratórios para tomar conta de cada um destes campos da nossa mente atenta.
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O Quarto Estabelecimento da Mente Atenta é o reino da percepção. No sutra, isso é referido como sendo “os objetos da mente”, mas podemos entender isso como percepção. O Buda também propôs quatro exercícios respiratórios conscientes para a contemplação dos objetos da mente nos objetos da mente, de modo que possamos penetrar, abraçar e olhar profundamente para dentro do objeto da nossa percepção. Realizar isso nos dá a visão que irá nos libertar da nossa ilusão e do nosso sofrimento.
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Montanhas, rios, pássaros, o céu azul, casas, fontes, crianças, animais – tudo é o objeto da nossa percepção. E nós temos quatro exercícios de respiração consciente a fim de auxiliar-nos a inquirir sobre a verdadeira natureza de todas estas coisas, incluindo a nós mesmos. O corpo também é um objeto da mente, assim com os sentimentos e as formações mentais. Sempre podemos inquirir a cerca da natureza do nosso corpo, dos nossos sentimentos ou da nossa mente, assim como sobre nossa percepção e outras coisas. Se olhamos profundamente para o corpo no corpo, ele se torna um objeto da mente. Quando estamos olhando os sentimentos, então eles são objeto da mente. Quando estamos observando a mente, ele se torna o objeto da mente. Todos os estabelecimentos da mente atenta são de fato, objetos da mente.
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Um monge, certa vez perguntu-me como a mente pode ser um objeto da mente. Eu disse que se tomarmos os nossos dois dedos e esfregarmos um contra o outro, então o corpo estará em contato com o corpo. Com a mente ocorre o mesmo. Quando olhamos dentro do nosso corpo, nosso corpo é o objeto da nossa mente. Quando olhamos dentro da forma a forma é objeto da mente. Quando olhamos dentro das formações mentais, elas são objeto da mente. Assim podemos ver que o campo de objetos da mente é muito vasto. A divisão, porém, em quatro estabelecimentos é uma ferramenta conveniente para ajudar-nos a aprender como praticar a mente atenta.
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Se você aspira ao estudo da meditação, este Sutra sobre os Quatro Estabelecimentos da Mente Atenta é parte da sua formação. Este é um dos Sutras que você mantém sob o seu travesseiro, sempre com você.
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Extraído do livro Transformação e Cura; escrito por Thich Nhat Hanh, editora Bodigaya.

quinta-feira, 17 de março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

Amongst White Clouds (Entre Nubes Blancas)


Entre Nuvens Brancas é um documentário sobre a relação entre estudantes e mestres que vivem em refúgio em meio a serra de Zhongnan na China. Uma viajem formidável a tradição oculta dos monges eremitas do budismo chines. Estas montanhas possuem a fama de terem sido a casa de ermitões desde a época do Imperador Amarillo, cerca de cinco mil anos atrás.

domingo, 13 de março de 2011

Interser


Por Thich Nhat Hanh
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"Se você for poeta, verá nitidamente uma nuvem passeando nesta folha de papel. Sem a nuvem, não há chuva. Sem a chuva, as árvores não crescem. Sem as árvores, não se pode produzir este papel. A nuvem é essencial para a existência do papel. Se a nuvem não está aqui, a folha de papel também não está. Portanto, podemos dizer que a nuvem e o papel intersão.
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Interser é uma palavra que ainda não se encontra no dicionário, mas se combinarmos o radical inter com o verbo ser, teremos um novo verbo: interser. Se examinarmos esta folha com maior profundidade, poderemos ver nela o sol. Sem o sol, não há floresta. Na verdade, sem o sol não há vida. Sabemos, assim, que o sol também está nesta folha de papel. O papel e o sol intersão.
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E se prosseguirmos em nosso exame, veremos o lenhador que cortou a árvore e a levou à fábrica para ser transformada em papel. E vemos o trigo. Sabemos que o lenhador não pode existir sem seu pão de cada dia. Portanto o trigo que se transforma em pão também está nesta folha de papel. O pai e a mãe do lenhador também estão aqui. Quando olhamos desta forma, vemos que, sem todas estas coisas, esta folha de papel não teria condições de existir.
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Ao olharmos ainda mais fundo, vemos também a nós mesmos nesta folha de papel. Isso não é difícil porque, quando observamos algum objeto, ele faz parte de nossa percepção. Sua mente está aqui, assim como a minha. É possível, portanto, afirmar que tudo está aqui nesta folha de papel. Não conseguimos indicar uma coisa que não esteja nela- o tempo, o espaço, o sol, a nuvem, o rio, o calor. Tudo coexiste nesta folha de papel.
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É por isso que para mim a palavra interser deveria ser dicionarizada. Ser é interser. Não podemos simplesmente ser sozinhos e isolados. Temos de interser com tudo o mais. Esta folha de papel é, porque tudo o mais é. Imagine que tentemos devolver um dos elementos à sua origem. Imagine tentarmos devolver a luz do sol ao sol.
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Você acha que a folha de papel ainda seria possível? Não, sem o sol, nada pode existir. Se devolvermos o lenhador a sua mãe, tampouco teremos a folha de papel. O fato é que esta folha de papel é composta apenas de elementos não papel. Se devolvermos estes elementos a suas origens, não haverá papel algum. Sem estes elementos não papel, como a mente, o lenhador, o sol e assim por diante, não haverá papel. Por mais fina que esta folha seja, tudo o que há no universo está nela.”
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Thich Nhat Hanh
Extraído do livro Paz a cada passo: como manter a mente desperta em seu dia-a-dia

Palestra em São Francisco de Paula/RS


Palestra no Espaço Holístico Solar
Você não pode perder!!!

Tema: O Dammapada – O Nobre Caminho do Darma do Buda

Palestrante: Rev. Bhante Sunantho, Monge da Escola Theravada (Tailândia e Malásia), autor de diversos artigos da revista Bodigaya e tradutor do livro “O Dhammapada – O Nobre Caminho do Darma do Buda”.
Participação Ênio Burgos (médico, físico, escritor e fundador da Editora Bodigaya e da Associação Meditar).

Data: 21 de março de 2011
Horário: 19 horas
Local: Espaço Holístico Solar
Investimento: 5,00 reais e 1 Kg de alimento não perecível
Fone: (54) 3244-2289
Email: espacosolar@gmail.com
http://www.espacosolar.com.br/
http://www.bodigaya.com.br/

Obs.: Haverá exposição dos livros da Editora Bodigaya.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Meditação no Parque e Sessão Pipoca Zen (Sáb e Dom)


Queridos amigos, irmãos e irmãs,
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lembramos a todos que no próximo final de semana haverá prática de meditação andando no Parque Mãe Bonifácia (Sábado) e Sessão Pipoca Zen (Domingo). Veja detalhes abaixo. Destacamos que as atividades são gratuitas e aberta a todos os interessados. Sejam bem vindos!
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Dia 12.03 (Sábado) - "Meditação no Parque: paz a cada passo"
Local: Parque Mãe Bonifácia
Horário: 08:00h
Ponto de encontro: entrada principal (estacionamento alternativo - de pedrinhas!)
Lembrete: Levar guarda-chuva! Se chover, meditaremos normalmente.
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Dia 13.03 (Domingo) - Sessão Pipoca Zen
Local: Academia Ligia Prieto
Horário: 16:30h
Filme: La Belle Verte
"Queridos, vamos combinar assim, quem puder leva um quitute para compartilharmos durante o filme."
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Assista ao trailer do filme na mensagem seguinte do blog.
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Informações:
Ligia - 3052-6634
Ivan - 9202-9925

La Belle Verte Trailer

quinta-feira, 3 de março de 2011

Agenda de Atividades - Março 2011


Queridos amigos, irmãos e irmãs,

informamos que não haverá prática de meditação na terça-feira de carnaval, dia 08.03.11. Confira abaixo a programação para o mês de março, destaque especial para Sessão Pipoca Zen e a Meditação no Parque: paz a cada passo.

Lembramos a todos que as atividades são gratuitas e abertas aos interessados. Sejam bem-vindos!

03.03 (5a feira) - Grupo de estudo sistematizado dos ensinamentos do budismo - às 20:00

05.03 (Sábado) - Meditação e leitura - às 08:00 08.03 (3a feira) - recesso de carnaval

10.03 (5a feira) - Grupo de estudo sistematizado dos ensinamentos do budismo - às 20:00

12.03 (Sábado) - Meditação no Parque: paz a cada passo - às 08:00
Local: Parque Mãe Bonifácia
Ponto de encontro: entrada principal, estacionamento alternativo - de predrinhas!

13.03 (Domingo) - Sessão Pipoca Zen - às 16:30
Filme: La Belle Verte
"Um Vazio, dois pipoca, três estouros... e uma bacia de contentamento"

15.03 (3a feira) - Meditação e leitua - às 20:00

17.03 (5a feira) - Grupo de estudo sistematizado dos ensinamentos do budismo - às 20:00

19.03 (Sábado) - Meditação e leitura - às 08:00

22.03 (3a feira) - Meditação e leitua - às 20:00

24.03 (5a feira) - Grupo de estudo sistematizado dos ensinamentos do budismo - às 20:00

26.03 (Sábado) - Meditação e leitura - às 08:00

31.03 (3a feira) - Meditação e leitua - às 20:00

Associação Meditar de Cuiabá se reúne na Academia Ligia Prieto, localizada na rua Ministro João Alberto, n. 137 - Araés - Cuiabá/MT.

Informações:
Ligia - 3052-6634
Ivan - 9202-7041

terça-feira, 1 de março de 2011

A Arte de viver em Plena Consciência


Por Thich Nhat Hanh

A natureza é nossa mãe. Por vivermos isolados dela, adoecemos. Alguns de nós vivem em caixas chamadas apartamentos, bem no alto, longe do chão. À nossa volta só cimento, metal e objetos de dureza semelhante. Nossos dedos não tem oportunidade de tocar o solo; já não plantamos mais alface. Por estarmos tão distantes da nossa Mãe Terra, adoecemos. É por isso que precisamos sair para voltar ao seio da natureza. Isso é muito importante. Nós e nossos filhos deveríamos voltar a ter contato com a Mãe Terra. Em muitas cidades não conseguimos ver árvores - a cor verde se encontra inteiramente fora de nosso campo visual.
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Um dia imaginei uma cidade em que restasse apenas uma árvore. A árvore ainda era bonita, mas muito solitária, cercada de prédios, no centro da cidade. Muitas pessoas adoeciam, e a maioria dos médicos não sabia como tratar a doença. Um médico muito bom, no entanto, conhecia as causas da doença e dava a seguinte receita para cada paciente. "Todos os dias, pegue o ônibus e vá ao centro da cidade para olhar para a árvore. À medida em que você for se aproximando dela, pratique a inspiração e a expiração e , quando chegar até ela, abrace-a, inspirando e expirando por quinze minutos, enquanto olha para a árvore tão verde e sente o cheiro de sua casca tão perfumada. Se fizer isso, em algumas semanas estará se sentindo muito melhor".
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As pessoas começaram a melhorar, mas logo havia tanta gente querendo chegar até a árvore que as filas se estendiam por quilômetros. Sabe-se que as pessoas, hoje em dia, não são muito pacientes. Esperar três ou quatro horas para abraçar a árvore era demais, e o povo se rebelou. Organizaram manifestações com o objetivo de criar uma nova lei que permitisse a cada pessoa um abraço de cinco minutos, mas é claro que isso reduziu o efeito da cura. E logo em seguida, o tempo foi limitado a um minuto, perdendo-se assim a oportunidade de cura através da Mãe.
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Nós podemos estar nessa situação muito em breve se não agirmos de forma consciente. Temos que estar com a mente alerta em tudo que fizermos se quisermos salvar nossa Mãe Terra, a nós mesmos e a nossos filhos. Por exemplo, ao olharmos nosso lixo, podemos ver alface, pepinos, tomates e flores. Quando jogamos no lixo uma casca de banana, temos consciência de que se trata de uma casca de banana que estamos jogando fora e que se transformará numa flor ou num legume em breve. É exatamente essa a prática da meditação.
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Quando jogamos um saco plástico no lixo, sabemos que ele é diferente de uma casca de banana. Ele levará muito tempo para se transformar numa flor. " Ao jogar um saco plástico no lixo, sei que estou jogando um saco plástico no lixo". Essa percepção, por si só, já nos ajuda a proteger a Terra, a criar a paz e a cuidar da vida no momento presente e no futuro. Se tivermos a mente alerta, tentaremos naturalmente usar menos sacos plásticos. Esse é um ato de paz, uma forma básica de ação pela paz.
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Quando jogamos uma fralda plástica descartável no lixo, sabemos que ela leva muito mais tempo para se transformar numa flor, uns quatrocentos anos mais. Tendo conhecimento de que o uso dessas fraldas não contribui para a paz, procuramos outros meios para cuidar do nosso filhinho. Praticando a respiração e contemplando nosso corpo, nossos sentimentos, nossa mente e objetos, estamos praticando a paz no momento presente. Isso é viver em plena consciência.
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O lixo nuclear é o pior tipo de lixo. Ele leva cerca de 250.000 anos para se transformar em flores. Quarenta dos cinquenta estados norte-americanos já estão poluídos pelo lixo nuclear. Estamos tornando a Terra um lugar impossível para a vida por muitas e muitas gerações. Se vivermos o momento presente com a mente alerta, saberemos o que fazer e o que não fazer, e tentaremos agir contribuindo para a paz.
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Texto extraido do livro Paz a cada Passo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Agenda de Atividades


Queridos amigos, irmãos e irmãs no caminho da paz,

destacamos abaixo agenda de atividades da Associação Meditar de Cuiabá. Informamos que a programação é gratuita e aberta a todos os interessados. Sejam muito bem-vindos.

3a feira
20 h - Meditação e estudo

5a feira
20 h - Estudo sistematizado

Sábado
08 h - Meditação e estudo

Segundo Sábado do mês
"Meditação no Parque: paz a cada passo" - 08 h
Local: Parque Mãe Bonifácia (entrada principal - estacionamento de pedrinhas)

Domingo
"Um Vazio, dois pipoca, três estouros... e uma bacia de contentamento"
Sessão Pipoca Zen - data informada no site (préviamente)

Informações:
(65) 9202-9925 - Ivan
(65) 3052-6634 - Ligia

Local: Academia Ligia Prieto Rua Ministro João Alberto, nº 137 - Araés
(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O que nos aproxima, salta aos olhos


Por Ivan Deus Ribas

O ano começa e recebo com indescritível alegria a informação de que sua Santidade o Dalai Lama confirmou sua presença no mês de setembro em nosso país. Independentemente de credo, a figura sorridente do maior representante de uma das maiores religiões do mundo, considerada a quinta em número de praticantes, sem dúvida alguma é marcante e inspiradora.

Recentemente li em uma pesquisa feita pelo IBOPE, que 18% dos brasileiros que se dizem pertencentes a uma religião afirmam possuir simpatia pelo Budismo. Tal percentual é considerável se pensarmos que existem cerca de 250 mil praticantes e o resultado demonstrar que 20 milhões de pessoas se declaram simpatizantes por esta religião no Brasil.

O Buda, como foi chamado Sidarta Gautama após alcançar a iluminação, afirmava não ter criado nenhum conhecimento novo mas, apenas, ter percebido algo que já existia. Sempre quando questionado sobre qual o melhor caminho a ser seguido, essa ou aquela religião, dizia que devemos seguir nossos corações. Assim igualmente, Jesus Cristo, que jamais afirmou pertencer a uma religião ou mesmo ser fundador, ensinou com profunda sabedoria o caminho do amar.
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Se analisarmos a origem da palavra religião, veremos que sua raiz deriva do latim religare que, por sua vez, significa religar, re-conectar a algo, a Deus, ao Divino. Assim, percebemos que reside nesta palavra o papel, a função, que deve possuir qualquer instituição que assim se denomine, qual seja, o de atuar como condutora, auxiliando os indivíduos a se re-conectarem com o legítimo existente dentro de si e em todo o universo.

Neste sentido, pertencer a essa ou aquela religião não deve representar um fim, mas o meio pelo qual exercito o amor e os valores essenciais e tão prementes nos dias de hoje, capazes de transformar o mundo.

Para tanto, seja qual for o caminho que escolhermos professar é importante que prestemos a atenção em nossos corações. Seja através de Jesus, Buda, Krishna, Maomé e tantos outros Mestres, nas palavras de um amigo, “o que nos é comum, que nos aproxima, salta aos olhos”*.

Ivan Deus Ribas é bacharel em direito, integrante da Associação Meditar, poeta, músico e compositor, além de amigo de todos os seres!

*Trecho final retirado do livro Autoencontro, Vida em Pleno Contentamento, autor Ênio Burgos, editora Bodigaya.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Dalai Lama: Entrevista para a Globo News

Mente vazia mente tranquila

Por Monja Coen

Alguns dizem que é preciso esvaziar a mente. Eu pergunto: como esvaziar o que já está vazio?

Há uma história Zen muito interessante. Certo dia um jovem aspirante pediu ao Mestre Zen que aquietasse sua mente. O Mestre disse:

—“Traga sua mente aqui, entregue-a a mim e eu a aquietarei.”

O jovem saiu procurando pela mente. Onde estaria? Seria pensamentos, memórias? Seria silëncios e quietude? Seria sonhos e pesadelos? Seria feita de palavras, conceitos? Seria apenas a massa encefálica, a matéria? O jovem pensava e não pensava. Cada vez que acreditava ter apanhado a mente, percebia que ela fugia, que já estava em outro pensamento, em outra idéia. Que o próprio conceito se desfazia. Cansado, voltou a procurar o Mestre e disse:

—“Senhor, é impossível apanhar a mente.”

O Mestre disse com alegria:

—“Pois então, já está aquietada.”

O jovem se reverenciou em profunda gratidão, pois pela primeira vez compreendia, que a mente não é algo fixo e constante, mas flui com o fluir da vida, sem que possa jamais se fixar quer em inquietude ou em silêncio, quer em alegria ou tisteza, quer em iluminação ou delusão.

Outra história do século VII na China foi a seguinte: o abade de um grande mosteiro pediu a seus monges que fizessem um poema no qual expressassem sua compreensão dos ensinamentos de Buda. O Chefe dos Monges, muito querido e respeitado pelos seus mais de mil companheiros, escreveu solenemente:

“O corpo é a árvore Bodhi*,
A mente é como um espelho brilhante
Cuide para mante-la sempre limpa
Não permitindo que o pó se assente”

Um jovem semi-alfabetizado, que ajudava separando a palha do arroz viu o poema na parede, pediu que alguém o lessse e exclamou:

—“Não é isso”

e pediu a um monge letrado que escrevesse seu poema:

“O corpo não é a árvore Bodhi
A mente não é como um espelho brilhante
Se não há nada desde o princípio
Onde o pó se assenta?”

Este segundo poema reflete a essência dos ensinamentos do Sexto Ancestral da China, o Venerável Mestre Hui-neng e do Zen.

A prática da meditação do Zazen não é para polir o espírito, não é para limpar a mente, não é para esvaziar nada. É tornar-se uno com nosssa essência verdadeira, com aquele Eu imenso que contem todos os sentimentos, emoções, percepções, formações mentais, consciência e a forma física.

Retornar à verdade e ao caminho é retornar à vida. Assim falamos em renascer. Deixar morrer idéias abstratas e fantasiosas sobre estar separado do tudo e dos outros e perceber a sabedoria suprema presente em todos os seres, vivenciá-la, tornar-se uno com todos os Budas e Ancestrais do Darma.

Basta perceber que nada é fixo, nada permanente – isto é o vazio. A mente vazia é aberta e flexível. Chora e ri. Pensa e não pensa. Não precisa ser esvaziada – já é vazia. Sendo vazia é clara e iluminada, em constante atividade e transformação.

Apenas escolha com o que alimentá-la. Você mesma(o) é o programa e o programador, o computador e seus acessórios. Cuide-se bem.

Mãos em prece
Monja Coen

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Retiro de Meditação - Associação Meditar/RS


"Compreendendo e Transformando o Carma"
Segundo a Visão do Budismo Theravada, a escola dos mais antigos mestres budistas

Orientação:
Rev. Bhante Sunantho, monge da Escola Theravada (Tailândia e Malásia - a mais próxima dos ensinamentos originais do Buda), autor de vários artigos da Revista Bodigaya e tradutor do livro "Dhammapada - O Nobre Caminho do Darma do Buda".

Participação especial: Dr. Enio Burgos, médico, físico, escritor, criador e fundador da Editora Bodigaya e da Associação Meditar.

Breve Sumário dos Temas:
1) O que é, e como funciona, o Carma.
2) Carma pessoal e coletivo.
3) Dominando o Carma, a mente e a vida.
4) Os Seis Reinos da Existência (A Roda da Vida).
5) Inciação ao Budismo Theravada e a Tomada de Refúgio nas Três Jóias.

Data: 19 e 20 de março de 2011. Sábado e Domingo.
As atividades inciam às 09h de sábado e encerram às 18h do domingo.
Local: Casa de Retiros Nossa Senhora Divina Providência
Endereço: Rodovia Coronel Martins Acrisio Prates, 215 - Bairro Fiúza - Viamão/RS
Investimento: R$200,00 por pessoa (até 10 de março, após R$ 250,00). Valor já inclui alimentação e hospedagem.

Incrições podem ser feitas através do email: bodigaya@bodigaya.com.br

Obs.: Vagas Limitadas.
1. Não é necessário requisito prévio. Levar almofada e tapete para meditação. As pessoas que não puderem sentar em almofadas, poderão sentar em cadeiras.
2. O tema 5 é facultativo. Aqueles que assim desejarem se tornarão formalmente praticantes budistas, discípulos/alunos membros da Sangha Theravada do Brasil sob orientação contínua do Rev. Bhante Sunantho.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

EU MAIOR - entrevista com Kaká Werá

Grupo de estudo dos ensinamentos do budismo

Associação Meditar de Cuiabá

Queridos amigos, informamos a todos que estaremos promovendo um grupo de estudo dos ensinamentos do budismo. O estudo abordará conceitos essenciais, como: as Quatro Nobres Verdades, o Nobre Caminho Óctuplo, além do Sutra Sobre os Quatro Estabelecimentos da Mente Atenta (Satipatthana Sutra).

Os encontros ocorrerão sempre as quintas-feiras, as 20:00, com duração de 1:30 h (uma hora e trinta minutos), distribuídos em meditação e leitura. O início do primeiro módulo está programado para o dia 17 de fevereiro de 2011.

O objetivo de formar esse grupo de estudo sistematizado, é para que possamos aprofundar a prática da meditação, bem como da plena atenção no aqui e agora.

Todos os amigos e amigas da Associação Meditar, bem como todos os interessados estão convidados à participar!
As inscrição poderão ser feitas através dos emails abaixo, por telefone ou pessoalmente na Academia Ligia Prieto.

Maiores informações:
Ligia - (65)3052.6634
email: ligiaprieto@ig.com.br
Ivan - (65)9202.9925
email: ivandeusribas@brturbo.com.br

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

"Meditação no Parque: paz a cada passo" - 12.02 (Sábado)


Queridos amigos,

neste sábado, 12.02.2011, haverá prática de meditação andando no parque Mãe Bonifácia. O início da caminhada será as 08 h (pontualmente), com previsão de término as 09 h.

Local: Parque Mãe Bonifácia
Horário: 08:00 (pontualmente)
Ponto de encontro: entrada principal (estacionamento de pedrinhas)
Percurso: trilha interativa - 40 min.
Atenção: Se chover, haverá prática normalmente. Então, recomendamos que levem guarda-chuva!

** A atividade é gratuita e aberta a todos os interessados! Sejam bem vindos!

Muita paz.

Informações:
Ligia - (65) 3052-6634
Ivan - (65) 9202-9925

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Aceite a si mesmo


Palestra proferida por Phap Dung, monge sênior de Thich Nhat Hanh


Manifestações

Buda disse que sofrimento é uma Nobre Verdade. É algo nobre. E temos tanto medo de sofrer, estamos desejando tanto ser feliz, porque não nos conhecemos, desconhecemos nossa alegria, desconhecemos nossa tristeza. Temos somente idéias sobre elas, não as conhecemos realmente. Você apenas tem idéias sobre si mesmo; você não se conhece realmente. Você pode dizer que infelicidade, sofrimento, é também um tipo de felicidade, pois tem a capacidade de lhe ensinar, de lhe ajudar a compreender o verdadeiro valor da vida, o verdadeiro valor da felicidade, o verdadeiro valor do amor, o verdadeiro valor da paciência, o seu verdadeiro valor. Se não consegue sentar-se com o seu sofrimento, você ainda não conhece a si mesmo. Você não sabe quem você é. Você não sabe quem você é. Você ainda não compreendeu a primeira Nobre Verdade ensinada por Buda, nosso professor.

Eu gostaria de desenhar nossa mente [Desenha um círculo] Esta é a nossa mente. Sabemos que a nossa mente tem, pelo menos, dois níveis. [Ele divide o círculo em dois níveis: superior e inferior] Então sua mente tem dois níveis. Um nível é o nível das manifestações e um nível nós o chamamos de nível raiz ou consciência raiz, mulavijñana, a consciência raiz. E neste nível, você tem muitos tipos de sementes. A semente da raiva, a semente do amor, a semente da depressão, a semente da esperança, a semente da alegria, a semente das mágoas, a semente da felicidade - felicidade é uma semente - a semente da infelicidade, a semente da dúvida. Isto é o seu eu. Você tem tudo. Você tem tudo.

E de tempos em tempos a semente se manifesta neste nível como uma flor, como por exemplo, o sentimento de alegria. O amor pode se manifestar. A raiva pode se manifestar. Praticar é ser capaz de reconhecer estas manifestações, que as chamamos de formações mentais... Quando um sentimento feliz está presente no nível superior o chamamos de formação mental. Quando retorna, o chamamos de semente.

Onde você pode se encontrar? Você pode se encontrar nas suas formações mentais. O erro que cometemos é pensar “eu conheço minhas formações mentais”, “eu conheço minha raiva”. De fato, sua raiva quando está se manifestando no nível superior é sempre uma nova manifestação. Não se esqueça disto. Algumas pessoas dizem “nunca mais vou ficar com raiva; agora estou praticando muito bem e nunca mais ficarei com raiva”. Eu penso que estas pessoas não são boas praticantes. Não acho que sejam bons praticantes. É melhor dizer “toda vez que a minha raiva está se manifestando eu consigo reconhecê-la”. É muito melhor! Soa muito melhor, porque você não vive em ignorância.

Não pense que raiva é algo negativo. Quando a pessoa diz “nunca mais ficarei enervado”, isso mostra que àquela pessoa acredita que a raiva é algo negativo. “Eu pratico tão bem, então sorrio todo dia, sou muito feliz. Nunca estou furioso, portanto sou um bom praticante.” Isto é uma idéia que você tem de si mesmo. O seu eu não é assim. Você é uma manifestação, e sua raiva é uma manifestação. Sua raiva só é destrutiva, só é perigosa quando você não a enxerga. Ela só consegue ser destrutiva quando você não compreende sua raiva e não se compreende. Você não enxerga sua raiva porque você não se aceita, não se conhece. Você não tem compreensão de si mesmo. Você quer excluir a raiva de dentro de si.

Desta forma, você não quer que aquilo esteja ali. [Ele apaga o desenho da flor representando a raiva] Mas o que você desconhece é que ela está sempre lá embaixo, quer você queira ou não. Ela sempre está lá na sua consciência raiz, você não consegue excluí-la do nível da consciência raiz. Normalmente as pessoas, não praticantes, pensam em si mesmas como sendo apenas este nível [o superior] e fazem uma discriminação: “Ok, eu quero amor, quero esperança; eu não quero raiva, depressão.” Elas excluem a outra metade delas mesmas. Porque pensam “isto sou eu, e quero excluir o que é negativo e manter o que é positivo.”

Então, mesmo que seu amigo diga “você está furiosa”, você diz “não estou furiosa”, porque não quer aceitar aquilo. Pois acredita que consegue excluir a raiva. O fato, a verdade é que você não consegue excluí-la. Você pode ignorar a manifestação, mas não consegue excluí-la. E se você ignora uma manifestação, isto não é inteligente. Não é inteligente. Quando você ignora uma manifestação, ignora a si mesmo, e vive em ignorância. Você não se vê. Você também está se discriminando. É muito doloroso discriminar-se. Você sabe o quão doloroso é quando as pessoas lhe discriminam? Mas a dor mais profunda ocorre quando você discrimina a si mesmo.

Esta é a sua maior dor. Este é o seu maior sofrimento, quando discrimina a si mesmo. Fazemos isto por acreditar que podemos excluir as manifestações. Isto não é verdade. Você não quer olhar para ela, mas ela ainda está lá. Você não quer que se manifeste, mas ela continua se manifestando - quer você queira ou não, ela continua se manifestando, pois esta lá como semente na consciência raiz.

Portanto, o primeiro erro que cometemos é discriminarmos nós mesmos, por acreditar que somos apenas a consciência manifesta. Somos mais do que a consciência manifesta. Somos também a consciência raiz. Quando você cuida bem da flor, você cuida bem da terra. Quando você cuida bem da terra, você cuida bem da flor. Quando a raiva está se manifestando ela está lhe dizendo algo. Cuidar bem da sua raiva, cuidar bem da flor é remover a sua tendência de discriminar a si mesmo.

E você aceita e diz: “estou furioso e sofro; o sofrimento está se manifestando”. Sentimento desagradável e alegre está se manifestando com sua raiva... tudo bem, estar ali... e, ao mesmo tempo, com a sua raiva. E você consegue reconhecer sua raiva e consegue reconhecer seu sentimento de infelicidade. Não pense que você já se conhece. Não pense isto. Você reconhece isto e aprende a compreendê-lo. A primeira Nobre Verdade é sofrimento, e não pense que é negativa, porque é uma Nobre Verdade. Se fosse negativa como poderia ser chamada de “nobre”?

A segunda Nobre Verdade costumávamos dizer que é a causa do sofrimento, a causa do seu sofrimento. Eu gostaria de chamar a segunda Nobre Verdade “a raiz do sofrimento”; a raiz. Estudando a primeira Nobre Verdade, reconhecendo, aceitando, aprendendo com a raiva, você consegue ver a raiz; e pode entender seu sofrimento. Você consegue compreendê-lo. O primeiro passo, portanto, é reconhecer. O segundo passo é compreender. Quando você reconhece algo tem a chance de compreender aquilo. Você pode entender muitas coisas a partir da sua raiva. Pode ver que ela tem suas raízes lá em baixo. Assim você pára de se culpar. É apenas uma manifestação. Isso é tudo. E mais ainda: é uma bela manifestação.

Sentimento de infelicidade é apenas uma manifestação. É só isso. Mas, além disso, é uma linda manifestação. O que nós também podemos compreender estudando as manifestações e suas raízes é que a discriminação entre muitos tipos de energias só é possível no nível superior; não é possível no nível inferior, no nível raiz. No nível raiz você não consegue distinguir as coisas nitidamente assim, de forma imediata, como está desenhado. Quando cuidamos bem do sentimento de infelicidade, e quando este retorna ao nível raiz, ele tem a capacidade de nutrir o sentimento feliz e retornar de novo na forma de sentimento feliz.

O erro que cometemos é acreditar que quando a energia da raiva está se manifestando e volta a ser semente, ela fica como semente de raiva para sempre. Este é um erro que costumamos cometer – algo do tipo. Isto é produto da nossa discriminação. Neste nível [inferior] as coisas trabalham juntas. Apóiam-se mutuamente. Quando você cuida bem da sua raiva, está cuidando bem também do seu amor. A partir da sua raiva você pode aprofundar o seu amor. Então neste nível, no nível raiz, com compreensão, você vê as coisas trabalhando umas com as outras. Raiva e amor se apóiam, eles trabalham um para o outro. Cuidar bem da sua infelicidade também é cuidar bem da sua felicidade.

Então não é inteligente ignorar o que você chama de manifestações negativas. Se ignorar sua raiva, você se ignora. Se ignorar a sua raiva você ignora o seu amor. Então, onde você pode se achar? Você pode se encontrar na sua consciência, na sua consciência raiz. Você é como uma mãe que consegue abraçar todos os filhos dela, e olha para a manifestação no momento em que ela vem da consciência raiz. É uma manifestação que vem da sua consciência raiz. Mesmo que seja sua raiva, que seja o seu sofrimento, ela é ainda uma manifestação da minha consciência raiz. Ainda sou eu.

Onde você pode se encontrar? Você pode se encontrar na sua consciência raiz. Na consciência raiz você é extremamente rico. Você é muito encantador. [Sino] Se você se conhece, sente-se em casa consigo mesmo, dentro de si. Sentindo-se em casa, você não mais buscará por outra coisa externa que você não tem, porque na consciência raiz você é a Mãe Terra. Você tem tudo. E de tempos em tempos a Mãe Terra lhe oferece lindas manifestações.

Você é uma linda manifestação. Toda manhã, ao se acordar, não se esqueça de se olhar no espelho para se deleitar consigo mesmo. Você é uma linda manifestação. Você continua manifesto até o último instante da sua vida. Todo instante é uma linda manifestação. Mesmo se tiver algum sofrimento, você continua sendo uma linda manifestação da consciência raiz. Todos os seus filhos são lindas manifestações suas. Se você ouve a minha palestra de Dharma e olha mais profundamente, vê que esta é uma nova manifestação de Thây e é uma manifestação totalmente nova. É uma manifestação totalmente nova. Não é a mesma, mas vem da raiz. E você também é uma manifestação de Thây.

Você tem tudo dentro de si. Tudo o que você reconhece em Thây pode reconhecer em você. Isto significa se encontrar na consciência raiz. E nunca pense “somente Thây tem isso, eu não tenho”. Porque pratico, sei que também tenho, e sei que meus irmãos e irmãs também têm. As manifestações deles são apenas outras formas de manifestações. Mas esta é a beleza da vida. Você é uma linda manifestação. Todo dia você se torna uma pessoa inteiramente nova. Aprenda a se conhecer, volte para dentro de si e se descubra, descubra o seu verdadeiro lar, descubra o paraíso dentro de si. Existe um paraíso dentro de você. Mesmo se você encontrar a manifestação do sofrimento, da raiva, este ainda é um paraíso.

De fato, um paraíso só é paraíso quando tem sofrimento, infelicidade e raiva dentro dele. Pare de se discriminar. Esta é a dor mais profunda que você pode experimentar: discriminar-se. Discriminação contra si mesmo é a base para você discriminar outras pessoas. No momento em que você para de discriminar-se, neste momento você para de discriminar as outras pessoas que realmente lhe entristecem. Existe um lar verdadeiro dentro de você, um lar verdadeiro. Feche todas as outras portas. Praticar é deixar só uma porta aberta: a porta que lhe ajuda a voltar-se para dentro de si, para se conhecer.

Você experimenta um tipo profundo de felicidade dentro de si. E ninguém pode fazer isto por você, só você pode. Ninguém pode ajudá-lo a atingir a iluminação. A iluminação precisa ser realizada por você. “Ser iluminado” significa saber quem você é; saber o seu verdadeiro valor. Ser iluminado também significa saber o valor das pessoas que vivem conosco, saber o valor da vida, ver a beleza da vida. Isto é ser iluminado: ver a beleza da vida. Ver quão bela a vida é. A vida é bela para nós desfrutarmos cada instante, em tempos bons e também em tempos ruins. Abra somente uma porta. Feche todas as demais. Abra somente uma porta, a porta que lhe guia no caminho de descobrir quem você é; até você encontrar um lar verdadeiro dentro de si, onde você possa se sentir em casa. Existe um lindo lar, um lar maravilhoso dentro de você esperando que você retorne para desfrutá-lo. Mas só você pode fazer isto. Às vezes você não precisa de nenhuma técnica. Volte para descobrir quão belo, quão maravilhoso você é. Este é o nosso convite. Obrigado.

(Palestra proferida pelo Mestre Pháp Dung, no dia 18 de dezembro de 2008 em Upper Hamlet, Plum Village)
(Traduzido por Maria Goretti)

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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ensinamentos: Bondade e Compaixão


Esta noite, gostaria de falar a vocês sobre a importância da bondade e da compaixão. Ao discutir esses temas, não me vejo como budista, Dalai Lama ou tibetano, mas sim como um ser humano e espero que vocês, no auditório, pensem em si mesmos dessa maneira. Não como americanos, ocidentais ou membros de um determinado grupo, pois essas condições são secundárias. Se interagirmos como seres humanos, podemos chegar a esse nível. Caso eu diga "sou monge" ou "sou budista", as afirmações serão, em comparação com a minha natureza de ser humano, temporárias. Ser humano é básico. Uma vez nascido assim, não se poderá mudar até a morte. Outras condições, ser ou não instruído, rico ou pobre, são secundárias.

Hoje, enfrentamos muitos problemas. Alguns são criados essencialmente por nós mesmos, com base em diferenças de ideologia, religião, raça, situação econômica ou outros fatores. Chegou, portanto, o momento de pensarmos em níveis mais profundos. Em nível humano, condição essa que deveremos apreciar e respeitar em todos os que nos cercam. Devemos construir relacionamentos baseados na confiança mútua, na compreensão, no respeito e na solidariedade, independentemente de diferenças culturais, filosóficas ou religiosas.

Todos os seres humanos são iguais. Feitos de carne, ossos e sangue. Todos queremos a felicidade e evitar o sofrimento e temos direito a isso. Em outras palavras, é importante compreender a nossa igualdade. Pertencemos todos a uma família humana. O fato de brigarmos uns com os outros deve-se a razões secundárias, e todas essas discussões são inúteis. Infelizmente, durante muitos séculos, os seres humanos usaram todos os métodos para ferir uns aos outros. Muitas coisas terríveis aconteceram, resultando em mais problemas, mais sofrimento e desconfiança. E, consequentemente, em mais divisões.

O mundo hoje está cada vez menor em vários aspectos, particularmente o econômico. Os países estão mais próximos e interdependentes e, nesse quadro, torna-se necessário, pensar mais em nível humano do que em termos do que nos divide. Assim, falo a vocês apenas como um ser humano e espero, sinceramente, que vocês estejam escutando com o pensamento: "Sou um ser humano e estou ouvindo outro ser humano falar".

Todos queremos a felicidade; nas cidades, no campo, mesmo em lugares remotos, as pessoas trabalham com o objetivo de alcançá-la, entretanto, devemos ter em mente que viver a vida superficialmente não solucionará os problemas maiores.

Há muitas crises e medos à nossa volta. Por meio do grande desenvolvimento da ciência e da tecnologia, atingimos um estado avançado de progresso material, que é necessário. Não podemos, no entanto, comparar o progresso externo com nosso progresso interior. As pessoas queixam-se do declínio da moralidade e do aumento da criminalidade, mas esses problemas não serão resolvidos, se não procurarmos desenvolver nosso interior.

No passado remoto, se houvesse uma guerra, os efeitos seriam geograficamente limitados, porém hoje, em função do progresso, o potencial de destruição ultrapassou o concebível. No ano passado estive em Hiroshima, no Japão. Mesmo tendo informações a respeito da explosão nuclear lá ocorrida, era muito diferente estar no local, ver com meus próprios olhos e encontrar pessoas que realmente sofreram com aqueles acontecimentos. Fiquei profundamente emocionado. Uma arma terrível tinha sido usada. Embora possamos considerar alguém como inimigo, temos de levar em conta que essa pessoa é um ser humano e que tem direito a ser feliz. Olhando para Hiroshima e refletindo a respeito, fiquei ainda mais convencido de que a raiva e o ódio não são meios para solucionar problemas.

A raiva não pode ser superada pela raiva. Quando uma pessoa tiver um comportamento agressivo com você e a sua reação for semelhante, o resultado será desastroso. Ao contrário, se você puder se controlar e tomar atitudes opostas "compaixão, tolerância e paciência", não só se manterá em paz, como a raiva do outro diminuirá gradativamente. Do mesmo modo, problemas mundiais não podem ser solucionados pela raiva ou pelo ódio. Sentimentos como esses devem ser enfrentados com amor, compaixão e pura bondade.

Pensem em todas as terríveis armas que existem, mas que, por si mesmas, não podem iniciar uma guerra. Por trás do gatilho há um dedo, movido pelo pensamento, não por sua própria força. A responsabilidade permanece em nossa mente, de onde se comandam as ações. Portanto, controlar em primeiro lugar a mente é muito importante. Não estou falando de meditação profunda, mas apenas de cultivar menos raiva e mais respeito aos direitos do outro. Ter uma compreensão mais clara da nossa igualdade como seres humanos.

Ninguém quer a raiva, ninguém quer a intranqüilidade, mas por causa da ignorância somos acometidos por sentimentos como esses. A raiva nos faz perder uma das melhores qualidades humanas, o poder de discernimento. Temos um cérebro bem desenvolvido, coisa que outros mamíferos não têm. Esse órgão nos permite julgar o que é certo e o que é errado. Não apenas em termos atuais, mas em projeções para daqui dez, vinte ou mesmo cem anos. Sem nenhum tipo de pré-cognição, podemos utilizar nosso bom senso para determinar o certo e o errado. Imaginar as causas e seus possíveis efeitos. Contudo, se nossa mente estiver ocupada pela raiva, perderemos o poder de discernimento e nos tornaremos mentalmente incompletos. Devemos salvaguardar essa capacidade e, para tanto, temos de criar uma companhia de seguros interna: autodisciplina, autoconsciência e uma clara compreensão das desvantagens da raiva e dos efeitos positivos da bondade. Se refletirmos a respeito dessas questões com freqüência, podemos incorporar a idéia e, então, controlar a mente.

Por exemplo: pode ser que você seja uma pessoa que se irrita facilmente com pequenas coisas. Com desenvolvida compreensão e conscientização, isso pode ser controlado. Se você fica geralmente zangado por dez minutos, tente reduzi-los para oito. Na semana seguinte, reduza para cinco e, no próximo mês, para dois. Depois, passe para zero. É assim que desenvolvemos e treinamos nossa mente. É o que penso e também o que pratico.

É perfeitamente claro que todos necessitam de paz interior, que só pode ser alcançada por meio da bondade, do amor e da compaixão. O resultado é uma família em paz, felicidade entre pais e filhos, menos brigas entre casais. Em uma nação, essa atitude pode criar unidade, harmonia e cooperação com saudável motivação. Em nível internacional, precisamos de confiança e respeito mútuos, discussões francas e amistosas, com motivações sinceras e um esforço conjunto no sentido de resolver problemas. Tudo isso é possível.

Precisamos, porém, mudar interiormente. Nossos líderes têm feito o melhor que podem para resolver nossos problemas, mas, quando um é resolvido, surge outro. Tenta-se solucionar este, surge mais um em outro lugar. Chegou o momento então de tentar uma abordagem diferente.

É certamente difícil realizar um movimento mundial pela paz de espírito, mas é a única alternativa. Caso houvesse outro método mais fácil e prático, seria melhor, porém não há. Se com armas pudéssemos chegar à paz duradoura, muito bem. Transformaríamos todas as fábricas em produtoras de armamentos. Gastaríamos todos os dólares necessários, se conseguíssemos a definitiva paz, mas tal é impossível.

As armas não permanecem empilhadas. Uma vez desenvolvidas, alguém irá usá-las. O resultado é a morte de criaturas inocentes. Portanto, a única maneira de atingirmos uma paz mundial duradoura é por meio da transformação interior. E, mesmo que essa transformação não ocorra durante esta vida, a tentativa terá sido válida. Outros seres humanos virão; a próxima geração e as seguintes. E o progresso pode continuar. Sinto que, apesar das dificuldades práticas, e, mesmo correndo o risco de que tal visão seja considerada pouco realista, vale a pena o esforço. Assim, aonde quer que eu vá, expresso essas idéias e sinto-me muito motivado porque mais pessoas têm sido receptivas a elas.

Cada um de nós é responsável por toda a humanidade. Chegou a hora de pensarmos nas outras pessoas como verdadeiros irmãos e irmãs e nos preocuparmos com seu bem-estar. Mesmo que você não possa se sacrificar inteiramente, não deverá esquecer-se das dificuldades dos outros. Temos de pensar mais sobre o futuro em benefício de toda a humanidade. Se você tentar dominar seus sentimentos egoístas e desenvolver mais bondade e compaixão, em última análise, você é quem irá sair beneficiado. É o que chamo de egoísmo sábio. Pessoas egoístas tolas só pensam em si mesmas, e o resultado é negativo. Egoístas sábios pensam nos outros, ajudam da melhor forma e também colhem os benefícios. Essa é minha simples religião. Não há necessidade de templos ou de filosofias complicadas. Nosso próprio cérebro, nosso coração são nossos templos. A filosofia é a bondade.

(Texto extraído da obra A Policy of Kindness, Snow Lion Publications, 1990.)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Poema Zen


Por Hozumi Gensho Rôshi
.
Hino sobre a Vida

A paz não é feita através da teoria.
Muitas pessoas morreram na guerra.
Este pesar, esta dor, ainda podem ser sentidos.
Não importa o quão alto se chore,
Deste modo a paz não pode ser alcançada.
As flores do campo e os pequenos insetos têm vida.
Cada vida tem de ser respeitada,
De onde mais viria a paz?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Prática Semanal - 01.02 (terça-feira)


Queridos amigos, irmãos e irmãs,

lembramos a todos que amanhã, 01.02.11 (terça-feira), haverá prática de meditação na Academia Ligia Prieto. Destacamos que as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados. Assim, sejam todos bem-vindos, bienvenidos, welcome, namastê, haribool, gasshô!

Meditação e leitura - 20:00 (pontualmente)

Recomendamos roupas leves.

Informações:
(65)3052-6634 - Ligia
(65)9202-9925 - Ivan

Meditation on Rain

domingo, 30 de janeiro de 2011

Momento presente, momento maravilhoso



Em nossa sociedade atarefada, é uma grande ventura respirar conscientemente de vez em quando. Podemos praticar a respiração consciente não só sentados na sala de meditação, mas também enquanto trabalhamos no escritório ou em casa, enquanto dirigimos, ou quando estamos sentados no ônibus, onde quer que estejamos, a qualquer hora do dia.

Há uma infinidade de exercícios que podem nos ajudar a respirar conscientemente. Além do simples "Inspirando-Expirando", podemos recitar em silêncio estas quatro linhas enquanto inspiramos e expiramos:Inspirando, acalmo meu corpo.

Expirando, sorrio.
Pousado no momento presente, sei que este é um momento maravilhoso.

"Inspirando, acalmo meu corpo." Recitar essa frase é como beber um copo de limonada gelada num dia de calor - dá para se sentir o frescor invadindo o corpo. Quando eu inspiro e digo esse verso, chego a sentir minha respiração acalmando meu corpo e minha mente."Expirando, sorrio." Você sabe que um sorriso pode relaxar centenas de músculos no seu rosto. Sorrir é um sinal de que se tem domínio sobre si mesmo.

"Pousado no momento presente." Enquanto estou sentado aqui, não penso em mais nada. Estou sentado aqui e sei exatamente onde estou.

"Sei que este é um momento maravilhoso." É uma alegria estar sentado, em conforto e segurança, e voltar para a respiração, para o sorriso, para a verdadeira natureza do eu. Nosso compromisso com a vida é no momento presente. Se não tivermos paz e alegria agora, quando as teremos? Amanhã, depois de amanhã? O que nos impede de sermos felizes neste exato momento? Enquanto prosseguimos com nossa respiração, podemos dizer simplesmente, "Acalmo, Sorrio, Momento presente, Momento maravilhoso.

"Esse exercício não é só para os iniciantes. Muitos de nós que praticamos a meditação e a respiração consciente há quarenta ou cinquenta anos continuamos a praticar dessa forma, porque esse tipo de exercício é muito importante e muito fácil.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Grupo de Estudo do Budismo - Inscreva-se


Associação Meditar de Cuiabá

Queridos amigos, informamos a todos que estaremos promovendo um grupo de estudo sistematizado dos ensinamentos budistas. O estudo estará organizado em cinco módulos, que abordaram conceitos essenciais do budismo, dentre eles: as quatro nobres verdades, o nobre caminho óctuplo, além do sutra sobre os quatro estabelecimentos da mente atenta (Satipatthana Sutra).

Os encontros ocorrerão sempre as quintas-feiras, as 20:00, com duração de 1:30 h (uma hora e trinta minutos), distribuídos em meditação e leitura. O início do primeiro módulo está programado para o dia 17 de fevereiro de 2011.

O objetivo de formar esse grupo de estudo sistematizado, é para que possamos aprofundar a prática da meditação, bem como da plena atenção no aqui e agora.

Todos os amigos e amigas da Associação Meditar, bem como todos os interessados estão convidados à participar, devendo efetuar sua inscrição por email, telefone ou pessoalmente na Academia Ligia Prieto.

Maiores informações:

Ligia - (65)3052.6634
email: ligiaprieto@ig.com.br
Ivan - (65)9202.9925

Prática Semanal - 29.01 (Sábado)


Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,

lembramos a todos que neste sábado, 29.01.11, haverá prática de meditação na Academia Ligia Prieto. Início as 8 h (pontualmente), com término previsto para as 9 h, podendo se prolongar um pouco mais em virtude da atmosfera de pleno contantamento. Destacamos ainda, que as práticas são abertas, sem contra indicações e/ou pré-requisitos. Sejam todos bem-vindos!

Mãos unidas em prece.

Informações:
Ligia (65) 3052-6634
Ivan (65) 9202-9925

Local:
Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, nº 137, Araés, Cuiabá-MT
(próximo a TVCA, e ao lado da Escola Jardim Moitará)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

EU MAIOR - entrevista com Monja Coen



Trechos da entrevista com Monja Coen. Documentário EU MAIOR, sobre autoconhecimento e busca da felicidade.

www.eumaior.com.br

domingo, 23 de janeiro de 2011

Aprendendo a lidar com a raiva


Por Thich Nhat Hanh

Como salvar a sua casa

Quando alguém diz ou faz alguma coisa que nos deixa com raiva, nós sofremos. Temos a tendência de dizer ou fazer de volta alguma coisa que também provoque sofrimento na outra pessoa, na esperança de assim sofrermos menos. Pensamos: Quero punir você, quero fazer você sofrer porque você me fez sofrer. E quando eu perceber que você está sofrendo bastante, eu me sentirei melhor.”

São muitos os que acreditam nessa prática infantil. O que acontece é que, quando você faz o outro também sofrer, ele tentará sentir alívio fazendo você sofrer mais ainda. Cria-se assim um processo progressivo do sofrimento de ambas as partes. Na verdade, as duas pessoas necessitam de compaixão e ajuda. Nenhuma das duas precisa ser punida.

Quando você sentir raiva, volte-se para dentro de si mesmo e cuide dela o melhor que puder. E quando alguém fizer você sofrer, cuide do seu sofrimento e da sua raiva. Não diga nem faça nada. Qualquer coisa que você diga quando está com raiva pode causar ainda mais dano ao relacionamento. No entanto, a maioria de nós não faz isso. Em vez de nos voltarmos para dentro de nós e cuidarmos da raiva, queremos ir atrás da outra pessoa para puni-la.

Se sua casa estiver pegando fogo, a coisa mais urgente que você tem a fazer é tentar apagar o incêndio e não correr atrás da pessoa que o provocou. Esta não seria uma atitude sábia. Da mesma maneira, quando você sente raiva, se continuar a discutir com a outra pessoa, se tentar puni-la, você estará agindo exatamente como aquele que corre atrás do criminoso enquanto as chamas estão devorando a casa dele.

O Buda nos deu instrumentos extremamente eficazes para apagar o fogo que arde dentro de nós: o método da respiração consciente, o método do andar consciente, o método de abraçar nossa raiva, o método de examinar profundamente a natureza das nossas percepções e o método de observar profundamente a outra pessoa para compreender que ela também sofre muito e precisa de ajuda. Esses métodos são muito práticos e procedem diretamente do Buda.

Inspirar conscientemente é saber que o ar está entrando no corpo e expirar conscientemente é saber que o corpo está permutando ar. Assim, você fica em contato com o ar e com o seu corpo, e como sua mente está atenta a tudo isso, você fica em contato com ela também. Basta apenas uma única respiração consciente para voltar a ter contato com você e com tudo em torno, e três respirações conscientes para manter esse contato.

Quando estiver andando de um lado para outro da sala, ou de um prédio para outro, permaneça consciente do contato dos seus pés com o solo e do contato do ar à medida que ele entra e sai do seu corpo. Procure descobrir o número de passos que você pode dar com conforto enquanto inspira e quantos você pode dar enquanto solta o ar dos pulmões. Enquanto inspirar, você pode dizer mentalmente "entrando", e quando expirar, "soltando". Desta forma você estará praticando a meditação sempre que andar e, com isso, poderá transformar a vida do dia-a-dia.

Não basta ler livros a respeito de diferentes tradições espirituais ou realizar seus rituais. O importante é praticar os ensinamentos dessas tradições, porque são eles que podem nos transformar, não importa a religião ou tradição espiritual a que pertencemos. Se você procurar praticar aquilo que estou lhe ensinando, deixará de ser um mar de fogo e se tornará um lago refrescante. Seu sofrimento vai diminuir e você se tornará uma fonte de alegria e felicidade para muitas pessoas à sua volta.

Sempre que surgir a raiva, pegue um espelho e olhe para seu reflexo. Quando você sente raiva, centenas de músculos do seu rosto ficam muito tensos e você deixa de ser uma pessoa bonita. Sua face parece uma bomba prestes a explodir. Olhe para alguém que está com raiva. Quando nota a tensão nessa pessoa, você leva um susto. A bomba dentro dela pode explodir a qualquer minuto. Por isso, é muito útil olhar para nós mesmos nos momentos em que estamos com raiva. Este é o sino destinado a alertar a mente, pois, quando você se vê dessa maneira, sente vontade de fazer alguma coisa para se modificar. Você sabe o que precisa fazer para melhorar sua aparência. Não são necessários cosméticos, basta respirar profunda e tranqüilamente, relaxar e sorrir conscientemente. Se você conseguir fazer isso uma ou duas vezes, sua aparência ficará mais bonita. Olhe-se simplesmente no espelho, inspire com calma, solte o ar sorrindo e você sentirá um grande bem-estar.

Como já disse, a raiva é um fenômeno psicológico, mas está estreitamente ligada a elementos biológicos e bioquímicos. Ela faz os músculos ficarem tensos, mas quando você sorri abertamente começa a relaxar e a raiva diminui. O sorriso permite que a energia da plena consciência nasça em você, deixando-o abraçar a raiva.

Antigamente, os servos dos reis e das rainhas sempre tinham consigo um espelho para verificarem sua aparência quando o monarca recebia um visitante. Experimente fazer isso. Carregue com você um espelho e mire-se nele para ver qual o seu estado. Depois de inspirar e expirar algumas vezes, sorrindo para si mesmo, a tensão será substituída pelo alívio.

A raiva é como um bebê que grita, sofre e chora. Ele precisa que a mãe o abrace. Você é a mãe do seu bebê - a sua raiva. No momento em que começa a praticar a respiração consciente, você possui a energia de uma mãe para embalar e abraçar o bebê. Abraçar a raiva, inspirar e soltar o ar já é suficiente. O bebê sentirá um alívio imediato.

Todas as plantas são nutridas pela luz do sol, e todas são sensíveis a ela. Qualquer vegetação que é abraçada pela luz do sol passa por uma transformação. De manhã, as flores ainda não se abriram, mas, quando o sol aparece, sua luz abraça as flores e tenta penetrá-las. A luz do sol é formada por minúsculas partículas chamadas fótons. Estes penetram gradualmente na flor, um por um, até que muitos conseguem chegar do lado de dentro. A flor então deixa de resistir e se abre para a luz do sol.

Do mesmo modo, todas a formações mentais e fisiológicas existentes em nós são sensíveis à plena consciência. Se esta estiver presente, abraçando seu corpo, ele se transformará. Se a plena consciência estiver presente, abraçando sua raiva ou seu desespero, estes também serão transformados. De acordo com o Buda e segundo a nossa experiência, qualquer coisa que receba o abraço da plena consciência passará por uma transformação.

A raiva é como uma flor. No início, você pode não compreender a natureza da sua raiva ou por que ela se manifestou. Mas, se você souber como abraçá-la com a energia da plena consciência, ela começará a se abrir. Para gerar a energia da plena consciência e abraçar a raiva, você pode ficar na posição sentada, acompanhando mentalmente sua respiração, ou praticar a meditação andando e concentrando-se em cada passo. Depois de dez ou vinte minutos, a raiva terá se aberto para você e, de repente, você verá sua verdadeira natureza. Ela pode ter surgido apenas por causa de uma percepção errada ou da falta de habilidade de alguém que não tinha a intenção de lhe causar sofrimento.

Para que a flor da raiva se abra, você precisa manter a plena consciência durante um certo período de tempo. É como quando se cozinha batatas: você coloca as batatas na panela, tampa a panela e a põe no fogo. Mesmo que a chama esteja muito alta, se você desligar o fogo passados cinco minutos, as batatas não estarão cozidas. Você precisa manter o fogo aceso pelo menos durante quinze ou vinte minutos para as batatas cozinharem. Depois disso, você destampa a panela e sente o delicioso aroma das batatas cozidas. A raiva é assim. Ela precisa ser cozida. No início, ela está crua. Você não pode comer batatas cruas. É muito difícil gostar da raiva, mas, se você souber cuidar dela, souber cozinhá-la, a energia negativa da raiva se transformará na energia positiva do entendimento e da compaixão.

Você é capaz de fazer isso. Não é algo que somente um Grande Ser possa fazer. Você também pode. Você é capaz de transformar o lixo da raiva na flor da compaixão. Muitos conseguem fazer isso em apenas quinze minutos. O segredo é continuar a prática da respiração consciente, a prática do andar consciente, gerando a energia da plena consciência a fim de abraçar a raiva.

Abrace a raiva com bastante ternura. Ela não é sua inimiga, ela é seu bebê. Ela é como seu estômago ou seu pulmão. Quando tem algum problema no pulmão ou no estômago, você não pensa em jogar o órgão fora. O mesmo acontece com relação à raiva. Você a aceita porque sabe que pode cuidar dela. Você é capaz de transformá-la numa energia positiva. O jardineiro orgânico não pensa em jogar fora o lixo. Ele sabe que precisa do lixo, pois é capaz de transformá-lo em adubo composto, para que este possa novamente se transformar em alface, pepino, rabanete e flores. Ao praticar os ensinamentos, você é uma espécie de jardineiro, um jardineiro orgânico.

Tanto a raiva quanto o amor possuem uma natureza orgânica, o que significa que ambos podem mudar. O amor pode se transformar em ódio. Você sabe muito bem disso. Muitos de nós começamos os relacionamentos com um amor muito intenso. Tão intenso que acreditamos que não conseguiremos sobreviver sem nosso parceiro. No entanto, se não estivermos plenamente conscientes, um ou dois anos são suficientes para que o amor se transforme em ódio. Então, na presença do nosso parceiro, nós nos sentimos muito mal. Viver juntos se torna impossível, e a única saída passa a ser o divórcio. O amor se transformou em ódio, nossa flor virou lixo. Mas, com a energia da plena consciência, você pode olhar para o lixo e afirmar: "Não estou com medo. Sou capaz de transformar o lixo novamente em amor."

Se você enxergar em si mesmo os elementos do lixo, como o medo, o desespero e o ódio, não entre em pânico. Na qualidade de um bom jardineiro orgânico, de uma pessoa que pratica bem os ensinamentos, você tem condições de enfrentar essa situação: "Reconheço que existe lixo em mim. Vou transformar esse lixo num adubo composto capaz de fazer meu amor reaparecer."

Aqueles que têm confiança na prática da plena consciência não pensam em fugir de um relacionamento difícil. Quando você conhece e pratica as técnicas da respiração consciente, do andar consciente, do sentar consciente e do comer consciente, você consegue gerar a energia da plena consciência e abraçar sua raiva ou seu desespero. O simples fato de você acolhê-los e abraçá-los já lhe trará alívio. Depois, sem afrouxar o abraço, você pode se dedicar à prática de examinar profundamente a natureza da sua raiva. A prática, portanto, encerra duas fases. A primeira envolve o abraçar e o reconhecer: "Minha querida raiva, sei que você está presente, estou cuidando muito bem de você." A segunda fase consiste em contemplar profundamente a natureza da sua raiva para ver como ela surgiu.

Você precisa ser como a mãe que presta atenção ao choro do bebê. Se a mãe está trabalhando na cozinha e ouve o bebê chorar, ela pára qualquer coisa que esteja fazendo e corre para confortar seu filho. Ela pode estar preparando uma ótima sopa, mas nada é mais importante do que o sofrimento do bebê. O surgimento da mãe no quarto do bebê é como a luz do Sol, porque ela está repleta do calor do amor, do cuidado e da ternura. A primeira coisa que ela faz é pegar o bebê e abraçá-lo com carinho. Quando a mãe abraça o bebê, sua energia penetra nele e o acalma. É exatamente isso que você precisa aprender a fazer quando a raiva começar a se manifestar. Você tem que abandonar tudo que estiver fazendo, porque a tarefa mais importante que você tem diante de si é se voltar para dentro e tomar conta do seu bebê, a raiva. Nada é mais urgente do que cuidar bem do seu neném.

Você se lembra que, quando era criança e tinha febre, mesmo que lhe dessem aspirina ou algum outro remédio, você só se sentia melhor quando sua mãe punha a mão na sua testa escaldante? A sensação era tão boa! A mão dela parecia a mão de uma deusa. Quando ela o tocava, você sentia um grande frescor, amor e compaixão entrando no seu corpo. A mão da sua mãe é a sua própria mão. A mão dela ainda estará viva na sua se você souber como inspirar e expirar, se você ficar plenamente consciente. Depois, ao tocar sua testa com sua própria mão, você perceberá que a mão da sua mãe ainda está presente, tocando sua testa. Você receberá a mesma energia de amor e ternura.

A mãe segura de forma consciente o bebê, totalmente concentrada nele. O bebê sente um certo alívio porque está sendo abraçado com ternura pela mãe, como a flor que é envolvida pela luz do sol. Ela abraça o bebê não apenas porque o ama, mas também para descobrir o que há de errado com ele. Como ela é uma verdadeira mãe, extremamente talentosa, consegue descobrir rapidamente o problema do neném. Ela é especialista em bebês.

Na qualidade de praticantes dos ensinamentos, temos que ser especialistas em raiva. Temos que cuidar da nossa raiva e praticar até compreender a sua origem e o seu funcionamento. Ao abraçar conscientemente o bebê, a mãe descobre a causa do sofrimento dele e fica muito mais fácil para ela corrigir a situação. Se o bebê está com febre, ela lhe dará um remédio para baixar a febre. Se estiver com fome, ela o alimentará, e se a fralda estiver molhada, ela a trocará.

Como praticantes, é exatamente isso que fazemos. Abraçamos conscientemente nosso bebê - a raiva - para obtermos alívio. Continuamos a praticar a respiração consciente e o andar consciente, como uma canção de ninar para a nossa raiva. A energia da plena consciência penetra na energia da raiva, exatamente como a energia da mãe penetra na energia do bebê. Não existe nenhuma diferença. Se você souber sorrir, praticar a respiração consciente e a meditação, concentrando-se nos seus passos, é certo que sentirá alívio em cinco, dez ou quinze minutos.

No momento em que você sente raiva, você tem a tendência de acreditar que seu sentimento foi criado por outra pessoa. Você culpa esta pessoa por todo o seu sofrimento. Mas, ao fazer um exame profundo, você talvez perceba que a semente da raiva que existe em você é a principal causa do seu sofrimento. Muitas outras pessoas, quando confrontadas com a mesma situação, não ficariam com a raiva com que você fica. Elas ouvem as mesmas palavras, presenciam a mesma situação, mas são capazes de permanecer mais calmas, sem se deixarem afetar tanto pelas circunstâncias. Por que você se enraivece com tanta facilidade? Talvez isso aconteça porque a semente da raiva é muito forte, e como você não praticou os métodos destinados a cuidar bem da raiva, a semente dela pode ter sido regada no passado com excessiva freqüência.

(Do livro “Aprendendo a lidar com a raiva” - Thich Nhat Than)
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Primeira Prática do Ano - 2011

Queridos amigos, irmãos e irmãs no darma,
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É com grande alegria que damos início as atividades de 2011 da Associação Meditar de Cuiabá.
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Assim, convidamos a todos para primeira prática do ano, que acontecerá amanhã, dia 22 de janeiro, sábado, as 08:00 h. Término previsto para as 09 h.
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As atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados. Sejam todos bem-vindos.
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Local: Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, n. 137 - Araés
(próximo a Tv Centro América; e, ao lado da Escola Jardim Moitará)
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Informações:
Ligia - (65) 3052-6634
Ivan - (65) 9202-9925

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Poesia



Se...

Se, ao final desta existência,
alguma ansiedade me restar
e conseguir me perturbar;
se eu me debater aflito
no conflito, na discórdia…

Se ainda ocultar verdades
para ocultar-me,
para ofuscar-me com fantasias por mim criadas…

Se restar abatimento e revolta
pelo que não consegui
possuir, fazer, dizer e mesmo ser…

Se eu retiver um pouco mais
do pouco que é necessário
e persistir indiferente ao grande pranto do mundo…

Se algum ressentimento,
algum ferimento
impedir-me do imenso alí¬vio
que é o irrestritamente perdoar,
e, mais ainda,
se ainda não souber sinceramente orar
por quem me agrediu e injustiçou…

Se continuar a mediocremente
denunciar o cisco no olho do outro
sem conseguir vencer a treva e a trave
em meu próprio…

Se seguir protestando
reclamando, contestando,
exigindo que o mundo mude
sem qualquer esforço para mudar eu…

Se, indigente da incondicional alegria interior,
em queixas, ais, e lamúrias,
persistir a buscar consolo, conforto, simpatia
para a minha ainda imperiosa angústia…

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medí¬ocres que o mundo vende…

Se insistir ainda que o mundo silencie
para que possa embeber-me de silêncio,
sem saber realizá-lo em mim…

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construí¬das com os materiais
grosseiros e frágeis
que o mundo empresta,
e eu neles ainda acredito…
apagar

Se, imprudente e cegamente,
continuar desejando
adquirir,
multiplicar,
e reter
valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
na ânsia de ser feliz…

Se, ainda presa do grande embuste,
insistir e persistir iludido
com a importância que me dou…

Se, ao fim de meus dias,
continuar
sem escutar, sem entender, sem atender,
sem realizar o Cristo, que,
dentro de mim,
Eu sou,
terei me perdido na multidão abortada
dos perdulários dos divinos talentos,
os talentos que a Vida
a todos confia,
e serei um fraco a mais,
um traidor da própria vida,
da Vida que investe em mim,
que de mim espera
e que se vê frustrada
diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
terei parasitado a vida
e inutilmente ocupado
o tempo
e o espaço
de Deus.
Terei meramente sido vencido
pelo fim,
sem ter atingido a Meta.
(Autor: José Hermógenes)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Agenda de Atividades - 2011


Queridos amigos, irmãos e irmãs no caminho da paz,

destacamos abaixo agenda de atividades da Associação Meditar de Cuiabá. Informamos que a programação é gratuita e aberta a todos os interessados. Sejam muito bem-vindos.

3a feira
20 h - Meditação e estudo

Sábado
08 h - Meditação e estudo

Segundo Sábado do mês
"Meditação no Parque: paz a cada passo" - 08 h
Local: Parque Mãe Bonifácia (entrada principal - estacionamento de pedrinhas)

Domingo
"Um Vazio, dois pipoca, três estouros... e uma bacia de contentamento"
Sessão Pipoca Zen - data informada no site (préviamente)

Informações:
(65) 9202-9925 - Ivan
(65) 3052-6634 - Ligia

Local: Academia Ligia Prieto Rua Ministro João Alberto, nº 137 - Araés
(próximo a TVCA e ao lado da Escola Jardim Moitará)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Por um ano-novo mais Zen

Entrevista concedida pela Monja Coen Sensei a Natália Garcia, especial para o iG São Paulo
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Quando cheguei ao templo da Monja Coen, na zona oeste de São Paulo, fui recebida por sua assistente, que me mostrou a sala de meditação. Sentada no tatame, tentei revisar as minhas anotações antes que a entrevista começasse, mas um latido forte de cachorro roubou minha concentração. Ele estava preso atrás de uma grade, e eu podia ver os primeiros degraus de uma escada – foi por ela que Coen desceu para me receber. "Mas com esses latidos como é que a gente vai conseguir gravar a entrevista?", disse ela, sorrindo. A monja me perguntou se eu tinha medo de cachorro, eu disse que não. Soltou Godolfredo, um labrador de quatro anos, para ver se ele corria para fora e se acalmava. Mas o bicho nos surpreendeu: correu sim, mas em minha direção, e mordeu o meu rosto.
Entrevista? Que nada. O sangue que escorria foi lavado rapidamente no banheiro. Ela me colocou em seu carro e fomos direto para o hospital mais próximo, no qual passamos algumas horas juntas. E foi nesse contexto tenso, capaz de tirar qualquer dona de um cão agressor do sério, que a atitude zen dessa mulher se destacou. Na prática, a monja atesta sua teoria.
"Sobre o que mesmo era nossa entrevista?", ela perguntou durante o trajeto. Expliquei que seria uma matéria com dicas para um ano-novo mais zen. Antes de começar a discorrer sobre o tema, ela me contou que o ano-novo possui um significado bem diferente em países do hemisfério norte. Lá, ele é uma preparação para o fim do inverno e chegada da primavera, é o fim da ausência de vida e o renascimento da natureza, nas flores, frutos e animais. Por esse motivo, é tradição japonesa realizar uma faxina em casa no período, como forma de renovação. No Brasil, mesmo com o ano-novo sendo recebido em outro contexto – afinal, estamos no auge do verão – o espírito de renovação também é comum. Sempre queremos dias melhores, diferentes aqueles deixados para trás.
Para Coen, o primeiro passo em busca de um ano-novo realmente satisfatório tem a ver com definir o que você quer. Imagine uma situação fantasiosa: se um gênio da lâmpada aparecesse hoje na sua frente, o que pediria para ele? Pense rápido, e se não conseguir responder, então é hora de parar e refletir. Depois volte para realidade e pondere o alcançável e praticável. "Muitas vezes, as pessoas se propõem metas absurdas e difíceis de cumprir", diz ela, que destaca a importância de viver todos os dias com presença, fazendo cada coisa de uma vez. Por exemplo: "se estou trabalhando, devo estar inteiro em minhas atividades, se estou em casa, não devo ficar pensando no que preciso fazer no dia seguinte".
E foi com essa presença que a monja conduziu o seu carro até o hospital. Mesmo diante de um trajeto tumultuado (com trânsito, buzinas e sangue escapando do curativo), ela seguiu leve o suficiente para se encantar com as crianças que andavam pela rua. No pronto-socorro, enquanto esperávamos pelo atendimento, inventou um jogo que distraía a mente: tentava adivinhar as doenças de cada paciente, como era a relação dos médicos entre si, em qual sala me atenderiam, nada escapava de seu olhar atento – a sala, ao menos, ela acertou.
Quando finalmente fui atendida, o médico me explicou que não deveríamos ter feito um curativo, já que ele retém umidade. Monja Coen, que tinha entrado no consultório comigo, sorriu demonstrando estar satisfeita por ter aprendido uma coisa nova. Eis a diferença entre perfeccionismo e excelência. Segundo ela, o perfeccionista é aquele que, diante de um resultado insatisfatório de seu trabalho, fica incomodado ou irado com os próprios erros. Excelência, no entanto, é saber que você deu o seu melhor e ter a consciência de suas falhas, de seus erros, procurando sempre melhorar. Ela avisa que é com esse espírito, o da excelência, que devemos encarar 2011.


Mais equilíbrio e paz no dia a dia

A prática meditativa que os zen budistas adotam para desenvolver o autoconhecimento é o zazen. O exercício consiste em sentar-se com a coluna ereta, de frente para a parede (sem estímulos visuais), com consciência em todo o corpo (até as mãos e a língua possuem uma postura correta) para, então, observar-se de fora. "É aí que percebemos as origens das nossas emoções, que nos entendemos melhor", explica Monja Coen. Há algumas dicas práticas para aumentar nossa presença em tudo o que fazemos, são elas:
- A cada hora do dia, pare e faça uma respiração consciente. Pare tudo, feche os olhos, inspire pelo nariz, sinta o ar entrando, preenchendo os pulmões, purificando seu corpo, expire aos poucos, sem pressa, até esvaziar todo o pulmão, sinta o prazer proporcionado por essa respiração, e então volte ao que estava fazendo.
- A mente atormentada por pensamentos pode ser acalmada. Ao andar, por exemplo, imagine "pé direito, pé esquerdo". Se for tomar um chá, pense "estou pegando a xícara, que está quente, o chá tem cheiro de camomila, vou encostar a xícara na boca, gosto da textura da porcelana", e assim por diante.