"Nenhum homem pode pacificar o mundo inteiro, mas cada um pode pacificar a si mesmo." Enio Burgos
A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.
A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.
Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.
A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre aos Sábados, às 08h00, no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.
A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.
Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.
A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre aos Sábados, às 08h00, no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Livro do mês - Março
Detalhes
“Se você for um poeta, verá claramente que há uma nuvem
flutuando nesta folha de papel. Sem uma nuvem, não haverá chuva; sem
chuva, as árvores não podem crescer e, sem árvores, não podemos fazer
papel. (...) Se olharmos mais profundamente ainda, poderemos ver os
raios do sol, o lenhador que cortou a árvore, o trigo que o alimentou na
forma de pão e o pai e a mãe do lenhador. Sem todas estas coisas, esta
folha de papel não pode existir. Na verdade, não podemos apontar para
nada que não esteja aqui – o tempo, o espaço, a terra, a chuva, os
minerais e o solo, os raios de sol, a nuvem, o rio, o calor e a mente.
Todas as coisas coexistem nesta folha de papel. Assim podemos afirmar
que a nuvem e a folha de papel "intersão". Nós não podemos ser apenas
nós mesmos; nós temos de interser com todas as demais coisas."
O "Sutra do Coração" ou "Prajnaparamita Sutra"* é considerado a
essência do ensinamento budista. Ele é recitado diariamente nos templos
Mahayana e centros de prática ao redor do mundo inteiro. Esta tradução e
comentários são fruto de mais de 40 anos de prática e estudo monástico.
Em seu inigualável estilo suave e lúcido, Thich Nhat Hanh desvenda,
neste livro único e histórico, o coração da compreensão da
espiritualidade e de uma vida verdadeiramente desperta e significativa.
"Thich Nhat Hanh nos mostra a interconexão entre a nossa paz pessoal, íntima, e a paz na Terra."
S.S. Dalai Lama *
* O Sutra está incluído no livro traduzido para o português,
juntamente com o poderoso mantra transmitido por Avalokitesvara (O Buda
da Compaixão).
segunda-feira, 24 de março de 2014
Liberte-se do apego - Thich Nhat Hanh
Diferentes Tipos de Amor
O Rei Pasenadi olhou para o Buda. Ele ficou impressionado. O Buda falou com voz calma e quieta e o que disse foi ao mesmo tempo simples e profundo. O rei sentiu que podia confiar no Buda e então perguntou o que o estava angustiando.
“Mestre Gautama, há pessoas que dizem que você aconselha às pessoas a não amarem. Eles dizem que quanto mais uma pessoa ama, mas sofrerá e se desesperará. Posso ver alguma verdade nessa afirmativa, mas não consigo encontrar paz com ela. Sem amor, a vida pareceria vazia de significado. Por favor, me ajude a resolver isso.”
O Buda olhou para o rei de forma acolhedora. “Majestade sua questão é muito boa, e muitos podem se beneficiar dela. Há muitos tipos de amor. Deveríamos examinar em detalhes a natureza de cada tipo de amor. A vida tem grande necessidade da presença de amor, mas não do tipo de amor que é baseado na luxúria, paixão, apego, discriminação e preconceito. Majestade há outro tipo de amor, extremamente necessário, que consiste de bondade amorosa e compaixão, ou maitri ekaruna.”
“Usualmente quando as pessoas falam de amor eles se referem apenas ao amor que existe entre pais e filhos, maridos e esposas, membros da família, casta ou país. Devido à natureza deste amor depender do conceito de ‘eu’ e ‘meu’, ele permanece misturado com apego e discriminação. As pessoas querem apenas amar seus pais, esposos, filhos, netos, seus parentes e compatriotas. Como são capturados pelo apego, eles se preocupam com acidentes que podem acontecer a seus amados mesmo antes deles ocorrerem. Quando esses acidentes ocorrem, eles sofrem terrivelmente. O amor que é baseado na discriminação produz preconceito. As pessoas se tornam indiferentes ou mesmo hostis àqueles fora de seu círculo de amor. Apego e discriminação são fontes de sofrimento para nós mesmos e para os outros. Majestade, o amor pelo qual todos os seres estão verdadeiramente famintos é a bondade amorosa e a compaixão. “
“Maitri é o amor que tem a capacidade de levar felicidade para outro.Karuna é o amor que tem a capacidade de remover o sofrimento do outro. Maitri e karuna não exigem nada em troca. Bondade amorosa e compaixão não estão limitadas aos pais, esposos, filhos, parentes, membros da casta e compatriotas. Eles se estendem a todas as pessoas e todos os seres. Em maitri e karuna não há discriminação, não há ‘meu’ e ‘não meu’. E como não há discriminação, não há apego. Maitri e karunatrazem felicidade e aliviam o sofrimento. Eles não causam sofrimento ou desespero. Sem eles, a vida seria vazia de significado, como você disse. Com bondade amorosa e compaixão, a vida é preenchida de paz, alegria, e contentamento. Majestade, você é o dirigente de todo um país. Todas as pessoas se beneficiariam de sua prática de bondade amorosa e compaixão.”
O rei inclinou sua cabeça pensando. Ele olhou ao Buda e perguntou, “Eu tenho uma família para cuidar e um país para dirigir. Se eu não amasse minha família e povo, como poderia cuidar deles? Por favor, esclareça para mim.”
“Naturalmente você deve amar sua própria família e povo. Mas seu amor pode também se estender para além de sua família e povo. Você ama e cuida do príncipe e da princesa, mas isso não o impede de amar e cuidar de outros jovens no reino. Se puder amar todos os jovens, seu amor atual, que é limitado, se tornará um amor inclusivo e todos os jovens do reino serão seus filhos. Isto é o que significa ter um coração de compaixão. Não é apenas um ideal. É algo que pode ser realizado, especialmente por alguém como você que tem tantos meios a disposição.”
“Mas e sobre os jovens dos outros reinos?”
“Nada o impede de amar os jovens de outros reinos como se fossem seus filhos mesmo que eles não habitem sob sua jurisdição. Apenas porque alguém ama seu povo não é razão para não amar povos de outros reinos.”
“Mas como posso mostrar meu amor por eles se não estão sob minha jurisdição?”
O Buda olhou para o rei. “A prosperidade e segurança de uma nação não deveria depender da pobreza e insegurança das outras nações. Majestade, paz duradoura e prosperidade são apenas possíveis quando as nações se juntam em um comprometimento comum para procurar o bem estar de todos. Se você quer que Kosara realmente desfrute de paz e que os jovens do seu reino não percam a vida nos campos de batalha, você deve ajudar aos outros reinos a achar paz. As políticas externas e econômicas devem seguir o caminho da compaixão para a paz verdadeira ser possível. Ao mesmo tempo, enquanto você ama e cuida de seu próprio reino, você pode amar outros reinos como Magadha, Kasi, Videha, Sakya e Lokya.”
“Majestade, ano passado eu visitei minha família no reino de Sakya. Eu descansei muitos dias em Arannakutika aos pés do Himalaya. Lá eu fiquei muito tempo refletindo sobre uma política baseada na não-violência. Eu vi que nações podem de fato desfrutar de paz e segurança sem ter que recorrer a métodos violentos tais como prisões e execuções. Eu falei dessas coisas ao meu pai, rei Suddhodana. Agora eu aproveito essa oportunidade para dividir as mesmas idéias com você. Um dirigente que nutre sua compaixão não precisa depender de meios violentos.”
O rei exclamou, “Maravilhoso! Verdadeiramente maravilhoso! Suas palavras são as mais inspiradoras! Você verdadeiramente é o iluminado! Eu prometo refletir em tudo o que disse hoje. Eu penetrarei em suas palavras, que contêm muita sabedoria. Mas por agora, por favor, permita-me perguntar uma questão simples. Ordinariamente, amor realmente contém elementos de discriminação, desejo e apego. De acordo com você, este tipo de amor cria preocupação, sofrimento e desespero. Como pode alguém amar sem desejo e apego? Como posso evitar criar preocupação e sofrimento no amor que sinto pelos meus filhos?”
O Buda respondeu, “Nós precisamos olhar para a verdadeira natureza de nosso amor. Nosso amor deveria trazer paz e felicidade aos que amamos. Se nosso amor é baseado em um desejo egoísta de possuir outros, não seremos capazes de levar até eles paz e felicidade. Ao contrário, nosso amor os fará se sentirem em uma armadilha. Tal amor não é mais que uma prisão. Se as pessoas que amamos são incapazes de serem felizes devido ao nosso amor, eles acharão uma maneira de se libertar. Não aceitarão a prisão do nosso amor. Gradualmente o amor entre nós se tornará raiva e ódio.”
“Majestade, você ouviu a tragédia que aconteceu dez dias atrás em Savatthi devido ao amor egoísta? A mãe sentiu que tinha sido abandonada pelo seu filho quando ele se apaixonou e casou. Ao invés de se sentir como se houvesse ganho uma filha, ela apenas sentiu que havia perdido seu filho e se sentiu traída por ele. Por isso, seu amor se tornou ódio e ela pos veneno na comida do jovem casal matando ambos.”
“Majestade, de acordo com o Caminho da Iluminação, amor não pode existir sem entendimento. Amor é Entendimento. Se você não pode entender, não pode amar. Maridos e esposas que não se entendem, não se amam. Irmãos e irmãs que não se entendem, não se amam. Pais e filhos que não podem se entender, não podem se amar. Se você quer que seus amados sejam felizes, você deve aprender a entender seus sofrimentos e suas aspirações. Quando você entende, saberá como aliviar seus sofrimentos e como ajudá-los a tornar realidade suas aspirações. Isto é verdadeiro amor. Se você quer apenas que seus amados sigam suas próprias idéias e ignora suas necessidades, não é um verdadeiro amor. É apenas desejo de possuir o outro e uma tentativa de atender às suas próprias necessidades, que não podem ser preenchidas deste modo.”
“Majestade, o povo de Kosala tem sofrimentos e aspirações. Se você não puder entender esses sofrimentos e aspirações, não será capaz de verdadeiramente amá-los. Todos os oficiais de sua corte têm sofrimentos e aspirações. Entenda esses sofrimentos e aspirações e descobrirá como ser capaz de dar-lhes felicidade. Graças a isto, eles se manterão leais a você por toda vida. A rainha, o príncipe e a princesa têm seus próprios sofrimentos e aspirações. Se você puder entendê-los, será capaz de trazer-lhes felicidade Quando cada pessoa desfruta de felicidade, paz e alegria, você mesmo conhecerá felicidade, paz e alegria. Este é o significado do amor de acordo com o Caminho da Iluminação.”
O rei Pasenadi estava profundamente emocionado. Nenhum outro mestre espiritual ou padre brâmane alguma vez abriu a porta de seu coração e permitiu a ele entender as coisas tão profundamente. A presença deste mestre, ele pensou, era de grande valor ao país. Ele queria ser um estudante do Buda. Depois de um momento de silêncio, ele olhou ao Buda e disse, “Eu te agradeço por jogar tanta luz sobre essas questões para mim. Mas há uma coisa que permanece ainda me aborrecendo. Você disse que o amor baseado no apego e desejo cria sofrimento e desespero, enquanto o amor baseado na compaixão traz apenas paz e felicidade. Mas ainda assim eu vejo que o amor baseado no caminho da compaixão mesmo não sendo egoísta ainda pode trazer dor e sofrimento. Eu amo meu povo. Quando eles sofrem devido a algum desastre natural como um tufão ou enchente, eu sofro também. Eu tenho certeza que se passa o mesmo com você. Certamente você sofre quando você vê alguém doente ou morrendo.”
“Sua questão é muito boa. Graças a esta pergunta você poderá entender mais profundamente a natureza da compaixão. Primeiramente, você deveria saber que o sofrimento causado por um amor baseado no desejo e no apego é milhares de vezes maior que o sofrimento que resulta da compaixão. É necessário distinguir entre os dois tipos de sofrimento – um que é inteiramente inútil e serve apenas para perturbar nossa mente e corpo e o outro que nutre a capacidade de cuidar e a responsabilidade. O amor baseado na compaixão pode prover a energia necessária para responder aos sofrimentos dos outros. O amor baseado no apego e desejo pode apenas criar ansiedade e mais sofrimento. Compaixão provê o combustível para ações que ajudam e para o serviço. Grande rei, compaixão é extremante necessária. A dor que resulta da compaixão pode ser uma dor útil. Se você não pode sentir a dor da outra pessoa, não é realmente humano.”
“Compaixão é o fruto do entendimento. Praticar o Caminho da Consciência é perceber a verdadeira face da vida. Esta verdadeira face é impermanência. Tudo é impermanente e sem um eu separado. Tudo deve um dia se extinguir. Um dia seu próprio corpo se extinguirá. Quando uma pessoa vê dentro da natureza impermanente de todas as coisas, seu modo de olhar se torna calmo e sereno. A presença da impermanência não perturba seu coração e mente. E, portanto os sentimentos de dor que resultam da compaixão não carregam a amarga e pesada natureza que outros tipos de sofrimento fazem. Pelo contrário, compaixão dá a pessoa grande força. Grande rei, hoje você ouviu algumas doutrinas básicas do Caminho da Libertação.”
(Do livro “Old Path White Clouds” sobre a vida do Buda – Thich Nhat Hanh)
(Traduzido por Leonardo Dobbin)
Fonte:Sangha Virtual Estudos Budistas
Tradição do Ven. Thich Nhat Hanh
O Rei Pasenadi olhou para o Buda. Ele ficou impressionado. O Buda falou com voz calma e quieta e o que disse foi ao mesmo tempo simples e profundo. O rei sentiu que podia confiar no Buda e então perguntou o que o estava angustiando.
“Mestre Gautama, há pessoas que dizem que você aconselha às pessoas a não amarem. Eles dizem que quanto mais uma pessoa ama, mas sofrerá e se desesperará. Posso ver alguma verdade nessa afirmativa, mas não consigo encontrar paz com ela. Sem amor, a vida pareceria vazia de significado. Por favor, me ajude a resolver isso.”
O Buda olhou para o rei de forma acolhedora. “Majestade sua questão é muito boa, e muitos podem se beneficiar dela. Há muitos tipos de amor. Deveríamos examinar em detalhes a natureza de cada tipo de amor. A vida tem grande necessidade da presença de amor, mas não do tipo de amor que é baseado na luxúria, paixão, apego, discriminação e preconceito. Majestade há outro tipo de amor, extremamente necessário, que consiste de bondade amorosa e compaixão, ou maitri ekaruna.”
“Usualmente quando as pessoas falam de amor eles se referem apenas ao amor que existe entre pais e filhos, maridos e esposas, membros da família, casta ou país. Devido à natureza deste amor depender do conceito de ‘eu’ e ‘meu’, ele permanece misturado com apego e discriminação. As pessoas querem apenas amar seus pais, esposos, filhos, netos, seus parentes e compatriotas. Como são capturados pelo apego, eles se preocupam com acidentes que podem acontecer a seus amados mesmo antes deles ocorrerem. Quando esses acidentes ocorrem, eles sofrem terrivelmente. O amor que é baseado na discriminação produz preconceito. As pessoas se tornam indiferentes ou mesmo hostis àqueles fora de seu círculo de amor. Apego e discriminação são fontes de sofrimento para nós mesmos e para os outros. Majestade, o amor pelo qual todos os seres estão verdadeiramente famintos é a bondade amorosa e a compaixão. “
“Maitri é o amor que tem a capacidade de levar felicidade para outro.Karuna é o amor que tem a capacidade de remover o sofrimento do outro. Maitri e karuna não exigem nada em troca. Bondade amorosa e compaixão não estão limitadas aos pais, esposos, filhos, parentes, membros da casta e compatriotas. Eles se estendem a todas as pessoas e todos os seres. Em maitri e karuna não há discriminação, não há ‘meu’ e ‘não meu’. E como não há discriminação, não há apego. Maitri e karunatrazem felicidade e aliviam o sofrimento. Eles não causam sofrimento ou desespero. Sem eles, a vida seria vazia de significado, como você disse. Com bondade amorosa e compaixão, a vida é preenchida de paz, alegria, e contentamento. Majestade, você é o dirigente de todo um país. Todas as pessoas se beneficiariam de sua prática de bondade amorosa e compaixão.”
O rei inclinou sua cabeça pensando. Ele olhou ao Buda e perguntou, “Eu tenho uma família para cuidar e um país para dirigir. Se eu não amasse minha família e povo, como poderia cuidar deles? Por favor, esclareça para mim.”
“Naturalmente você deve amar sua própria família e povo. Mas seu amor pode também se estender para além de sua família e povo. Você ama e cuida do príncipe e da princesa, mas isso não o impede de amar e cuidar de outros jovens no reino. Se puder amar todos os jovens, seu amor atual, que é limitado, se tornará um amor inclusivo e todos os jovens do reino serão seus filhos. Isto é o que significa ter um coração de compaixão. Não é apenas um ideal. É algo que pode ser realizado, especialmente por alguém como você que tem tantos meios a disposição.”
“Mas e sobre os jovens dos outros reinos?”
“Nada o impede de amar os jovens de outros reinos como se fossem seus filhos mesmo que eles não habitem sob sua jurisdição. Apenas porque alguém ama seu povo não é razão para não amar povos de outros reinos.”
“Mas como posso mostrar meu amor por eles se não estão sob minha jurisdição?”
O Buda olhou para o rei. “A prosperidade e segurança de uma nação não deveria depender da pobreza e insegurança das outras nações. Majestade, paz duradoura e prosperidade são apenas possíveis quando as nações se juntam em um comprometimento comum para procurar o bem estar de todos. Se você quer que Kosara realmente desfrute de paz e que os jovens do seu reino não percam a vida nos campos de batalha, você deve ajudar aos outros reinos a achar paz. As políticas externas e econômicas devem seguir o caminho da compaixão para a paz verdadeira ser possível. Ao mesmo tempo, enquanto você ama e cuida de seu próprio reino, você pode amar outros reinos como Magadha, Kasi, Videha, Sakya e Lokya.”
“Majestade, ano passado eu visitei minha família no reino de Sakya. Eu descansei muitos dias em Arannakutika aos pés do Himalaya. Lá eu fiquei muito tempo refletindo sobre uma política baseada na não-violência. Eu vi que nações podem de fato desfrutar de paz e segurança sem ter que recorrer a métodos violentos tais como prisões e execuções. Eu falei dessas coisas ao meu pai, rei Suddhodana. Agora eu aproveito essa oportunidade para dividir as mesmas idéias com você. Um dirigente que nutre sua compaixão não precisa depender de meios violentos.”
O rei exclamou, “Maravilhoso! Verdadeiramente maravilhoso! Suas palavras são as mais inspiradoras! Você verdadeiramente é o iluminado! Eu prometo refletir em tudo o que disse hoje. Eu penetrarei em suas palavras, que contêm muita sabedoria. Mas por agora, por favor, permita-me perguntar uma questão simples. Ordinariamente, amor realmente contém elementos de discriminação, desejo e apego. De acordo com você, este tipo de amor cria preocupação, sofrimento e desespero. Como pode alguém amar sem desejo e apego? Como posso evitar criar preocupação e sofrimento no amor que sinto pelos meus filhos?”
O Buda respondeu, “Nós precisamos olhar para a verdadeira natureza de nosso amor. Nosso amor deveria trazer paz e felicidade aos que amamos. Se nosso amor é baseado em um desejo egoísta de possuir outros, não seremos capazes de levar até eles paz e felicidade. Ao contrário, nosso amor os fará se sentirem em uma armadilha. Tal amor não é mais que uma prisão. Se as pessoas que amamos são incapazes de serem felizes devido ao nosso amor, eles acharão uma maneira de se libertar. Não aceitarão a prisão do nosso amor. Gradualmente o amor entre nós se tornará raiva e ódio.”
“Majestade, você ouviu a tragédia que aconteceu dez dias atrás em Savatthi devido ao amor egoísta? A mãe sentiu que tinha sido abandonada pelo seu filho quando ele se apaixonou e casou. Ao invés de se sentir como se houvesse ganho uma filha, ela apenas sentiu que havia perdido seu filho e se sentiu traída por ele. Por isso, seu amor se tornou ódio e ela pos veneno na comida do jovem casal matando ambos.”
“Majestade, de acordo com o Caminho da Iluminação, amor não pode existir sem entendimento. Amor é Entendimento. Se você não pode entender, não pode amar. Maridos e esposas que não se entendem, não se amam. Irmãos e irmãs que não se entendem, não se amam. Pais e filhos que não podem se entender, não podem se amar. Se você quer que seus amados sejam felizes, você deve aprender a entender seus sofrimentos e suas aspirações. Quando você entende, saberá como aliviar seus sofrimentos e como ajudá-los a tornar realidade suas aspirações. Isto é verdadeiro amor. Se você quer apenas que seus amados sigam suas próprias idéias e ignora suas necessidades, não é um verdadeiro amor. É apenas desejo de possuir o outro e uma tentativa de atender às suas próprias necessidades, que não podem ser preenchidas deste modo.”
“Majestade, o povo de Kosala tem sofrimentos e aspirações. Se você não puder entender esses sofrimentos e aspirações, não será capaz de verdadeiramente amá-los. Todos os oficiais de sua corte têm sofrimentos e aspirações. Entenda esses sofrimentos e aspirações e descobrirá como ser capaz de dar-lhes felicidade. Graças a isto, eles se manterão leais a você por toda vida. A rainha, o príncipe e a princesa têm seus próprios sofrimentos e aspirações. Se você puder entendê-los, será capaz de trazer-lhes felicidade Quando cada pessoa desfruta de felicidade, paz e alegria, você mesmo conhecerá felicidade, paz e alegria. Este é o significado do amor de acordo com o Caminho da Iluminação.”
O rei Pasenadi estava profundamente emocionado. Nenhum outro mestre espiritual ou padre brâmane alguma vez abriu a porta de seu coração e permitiu a ele entender as coisas tão profundamente. A presença deste mestre, ele pensou, era de grande valor ao país. Ele queria ser um estudante do Buda. Depois de um momento de silêncio, ele olhou ao Buda e disse, “Eu te agradeço por jogar tanta luz sobre essas questões para mim. Mas há uma coisa que permanece ainda me aborrecendo. Você disse que o amor baseado no apego e desejo cria sofrimento e desespero, enquanto o amor baseado na compaixão traz apenas paz e felicidade. Mas ainda assim eu vejo que o amor baseado no caminho da compaixão mesmo não sendo egoísta ainda pode trazer dor e sofrimento. Eu amo meu povo. Quando eles sofrem devido a algum desastre natural como um tufão ou enchente, eu sofro também. Eu tenho certeza que se passa o mesmo com você. Certamente você sofre quando você vê alguém doente ou morrendo.”
“Sua questão é muito boa. Graças a esta pergunta você poderá entender mais profundamente a natureza da compaixão. Primeiramente, você deveria saber que o sofrimento causado por um amor baseado no desejo e no apego é milhares de vezes maior que o sofrimento que resulta da compaixão. É necessário distinguir entre os dois tipos de sofrimento – um que é inteiramente inútil e serve apenas para perturbar nossa mente e corpo e o outro que nutre a capacidade de cuidar e a responsabilidade. O amor baseado na compaixão pode prover a energia necessária para responder aos sofrimentos dos outros. O amor baseado no apego e desejo pode apenas criar ansiedade e mais sofrimento. Compaixão provê o combustível para ações que ajudam e para o serviço. Grande rei, compaixão é extremante necessária. A dor que resulta da compaixão pode ser uma dor útil. Se você não pode sentir a dor da outra pessoa, não é realmente humano.”
“Compaixão é o fruto do entendimento. Praticar o Caminho da Consciência é perceber a verdadeira face da vida. Esta verdadeira face é impermanência. Tudo é impermanente e sem um eu separado. Tudo deve um dia se extinguir. Um dia seu próprio corpo se extinguirá. Quando uma pessoa vê dentro da natureza impermanente de todas as coisas, seu modo de olhar se torna calmo e sereno. A presença da impermanência não perturba seu coração e mente. E, portanto os sentimentos de dor que resultam da compaixão não carregam a amarga e pesada natureza que outros tipos de sofrimento fazem. Pelo contrário, compaixão dá a pessoa grande força. Grande rei, hoje você ouviu algumas doutrinas básicas do Caminho da Libertação.”
(Do livro “Old Path White Clouds” sobre a vida do Buda – Thich Nhat Hanh)
(Traduzido por Leonardo Dobbin)
Fonte:Sangha Virtual Estudos Budistas
Tradição do Ven. Thich Nhat Hanh
Você tem um desafio? Aceite-o... - Prof. Hermógenes
Você tem um desafio? Aceite-o, enfrente-o, aproveite-o para sua evolução!
Aceite sua situação difícil não como uma desgraça, ou como algo que vai destruí-lo, mas como condição para desenvolver suas potencialidades.
É com fogo e martelada que um pedaço de ferro bruto é transformado num objeto de beleza ou utilidade...
A falta de pernas faz nascer asas no verdadeiro homem...
A violência da poda torna a árvore ainda mais bonita e vitalizada...
A terra cujo lombo é rasgado pelas pás do arado ganha fertilidade...
Assim é com o ser humano, os desafios da desventura podem amadurecer a personalidade...
As lágrimas que derramamos na dor não são de lastimar, pois enriquecem os dias de experiência!
Quero que me apresentem alguém que se aperfeiçoou, se fortaleceu em obras, fez-se herói, santo ou sábio através do prazer e na ausência da dor.
Prof. José Hermógenes
Aceite sua situação difícil não como uma desgraça, ou como algo que vai destruí-lo, mas como condição para desenvolver suas potencialidades.
É com fogo e martelada que um pedaço de ferro bruto é transformado num objeto de beleza ou utilidade...
A falta de pernas faz nascer asas no verdadeiro homem...
A violência da poda torna a árvore ainda mais bonita e vitalizada...
A terra cujo lombo é rasgado pelas pás do arado ganha fertilidade...
Assim é com o ser humano, os desafios da desventura podem amadurecer a personalidade...
As lágrimas que derramamos na dor não são de lastimar, pois enriquecem os dias de experiência!
Quero que me apresentem alguém que se aperfeiçoou, se fortaleceu em obras, fez-se herói, santo ou sábio através do prazer e na ausência da dor.
Prof. José Hermógenes
...o amor é a única coisa que poderá salvar o homem... - Krishnamurti
"O problema por conseguinte, é este: para que o homem possa
transformar-se radicalmente, fundamentalmente, torna-se necessária uma
mutação nas próprias células cerebrais de sua mente.
Dizem-nos que devemos mudar, que devemos agir, que devemos transformar nossa mente, nosso coração, tornar-nos uma coisa totalmente diferente.
Isso vem sendo pregado há milhares de anos por homens muito sérios, muito ardorosos, e também por charlatães interessados em explorar o povo.
Mas, agora, chegamos ao ponto em que não há mais tempo a perder.
Compreendei isto por favor.
Não dispomos de tempo para efetuar gradualmente tal transformação.
Os intelectuais de todo o mundo estão reconhecendo que o homem se acha à beira de um abismo, na iminência de destruir a si próprio.
Nem religiões, nem deuses, nem salvadores, nem mestres, nem as lenga-lengas dos gurus, poderão impedi-los.
Dizem os intelectuais ser necessário inventar uma nova droga, uma 'pílula dourada' capaz de produzir uma completa transformação química; e os cientistas provavelmente descobrirão esta droga.
Não sei se estais bem a par dessas coisas.
Ora conquanto o organismo físico seja um produto bioquímico, pode uma droga, uma superdroga fazer-vos amar, tornar-vos bondosos, generosos, delicados, não violentos?
Não o creio; nenhum preparado químico pode fazer os homens amarem-se uns aos outros.
O amor não é um produto do pensamento; também não é cultivável, como a flor que cultivamos em nosso jardim.
O amor não pode ser comprado numa drogaria, e o amor é a única coisa que poderá salvar o homem - e não os artifícios das religiões, nem seus ritos, nem todos os exércitos do mundo.
Podemos fugir, assistindo a concertos, visitando museus, entregando-nos a divertimentos de toda ordem - debalde! - porque o homem se acha hoje em dia em presença de um tremendo problema: se tem a possibilidade de transformar-se radicalmente, de efetuar uma total mutação de sua consciência, não amanhã, nem daqui a alguns anos, mas agora!
Eis o problema principal: se o homem, em qualquer país que viva, com todas as suas belezas naturais, é capaz de operar uma mutação radical em seu interior, imediatamente.
E não podeis resolvê-lo com vossas crenças, vossas ideologias, vossos deuses, salvadores, sacerdotes e rituais.
Essas coisas já não tem o menor significado."
Jiddu Krishnamurti
Dizem-nos que devemos mudar, que devemos agir, que devemos transformar nossa mente, nosso coração, tornar-nos uma coisa totalmente diferente.
Isso vem sendo pregado há milhares de anos por homens muito sérios, muito ardorosos, e também por charlatães interessados em explorar o povo.
Mas, agora, chegamos ao ponto em que não há mais tempo a perder.
Compreendei isto por favor.
Não dispomos de tempo para efetuar gradualmente tal transformação.
Os intelectuais de todo o mundo estão reconhecendo que o homem se acha à beira de um abismo, na iminência de destruir a si próprio.
Nem religiões, nem deuses, nem salvadores, nem mestres, nem as lenga-lengas dos gurus, poderão impedi-los.
Dizem os intelectuais ser necessário inventar uma nova droga, uma 'pílula dourada' capaz de produzir uma completa transformação química; e os cientistas provavelmente descobrirão esta droga.
Não sei se estais bem a par dessas coisas.
Ora conquanto o organismo físico seja um produto bioquímico, pode uma droga, uma superdroga fazer-vos amar, tornar-vos bondosos, generosos, delicados, não violentos?
Não o creio; nenhum preparado químico pode fazer os homens amarem-se uns aos outros.
O amor não é um produto do pensamento; também não é cultivável, como a flor que cultivamos em nosso jardim.
O amor não pode ser comprado numa drogaria, e o amor é a única coisa que poderá salvar o homem - e não os artifícios das religiões, nem seus ritos, nem todos os exércitos do mundo.
Podemos fugir, assistindo a concertos, visitando museus, entregando-nos a divertimentos de toda ordem - debalde! - porque o homem se acha hoje em dia em presença de um tremendo problema: se tem a possibilidade de transformar-se radicalmente, de efetuar uma total mutação de sua consciência, não amanhã, nem daqui a alguns anos, mas agora!
Eis o problema principal: se o homem, em qualquer país que viva, com todas as suas belezas naturais, é capaz de operar uma mutação radical em seu interior, imediatamente.
E não podeis resolvê-lo com vossas crenças, vossas ideologias, vossos deuses, salvadores, sacerdotes e rituais.
Essas coisas já não tem o menor significado."
Jiddu Krishnamurti
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Aniversário de 4 anos do blog!!!! Uma homenagem a nós, a vida!
Queridos amigos, hoje o blog da Associação Meditar de Cuiabá completa 4
anos, são quase 40 mil queridas visitas. Assim, atendendo um pedido da
Aninha (que disse para frisar isso) compartilho um dos textos publicado
no ano de 2011. Esse em especial, escrito por mim para transbordar a
emoção de ser pai. Sincero obrigado a todos e todas, amigos e amigas da
Associação Meditar, e da vida. Muita paz. Visitem: http://www.associacaomeditardecuiaba.blogspot.com.br/
Nossos filhos: verdadeiros diamantes
Por Ivan Deus Ribas
A vida se revela uma extraordinária experiência para aqueles que já foram pais ou que estão vivendo a paternidade. Somente estes, talvez, possam compreender o que quero dizer. Recentemente recebi em meus braços minha filha, uma menina que nasceu revelando a mim uma nova maneira de amar.
Mamãe e eu, dois pais que não conheciam na prática o que representava isso, se extasiam a cada descoberta. A maternidade não apenas revolucionou nossas vidas, mas preencheu nossos corações, fazendo-nos repensar o quanto de humano, de instinto, de espiritualidade reside em nós.
Passei a enxergar de maneira nítida que recebemos ao longo de nossas vidas inúmeras oportunidades, que são colocadas em nossas mãos como verdadeiras jóias preciosas, capazes de resignificar nossa visão de mundo.
Sobre isso, apenas para ilustrar, lembro da estória de um pescador que saiu pela madrugada, após desistir de dormir. Ele levantou de sua cama, calçou as suas botas, pegou os seus apetrechos de pesca e seguiu para o rio, mesmo sabendo que ainda restava muito tempo para o amanhecer.
Caminhava lentamente, com certo sentimento de perda, um vazio inexplicável que a muito o acompanhava, que aos poucos, a cada passo que dava, ia deixando para trás, passando a se envolver pelos sons da natureza, os grilos e outros pequenos bichos que se faziam perceber. Assim chegou à margem do rio, onde costumava sempre pescar. Olhava em volta, tudo escuro. Apenas o correr das águas, a lua e as estrelas.
De repente, ao tentar se acomodar melhor sobre o local em que estava sentando, esbarrou em um pequeno saquinho cheio de pedrinhas. Como não tinha nada para fazer, decidiu brincar, começou a lançar uma a uma na água. Jogava, tentando ver quantas vezes pulava sobre a superfície do rio.
E, assim, foi lançando uma atrás da outra, umas rebatiam duas ou três vezes, indo pouco a pouco esvaziando aquele saquinho. Aquela brincadeira lembrava os tempos de criança. Realmente aquilo o descontraiu.
Não obstante, quando se preparava para lançar a última pedra, o sol começou a nascer.
Preparou-se, pegou com todo cuidado a pedrinha, ajeitou-a em sua mão, inclinou o seu corpo, mediu a distância do lance, dobrou levemente as pernas. E, quando ia arremessar, estancou. Naquele momento, se deu conta de que havia jogado quase todas as pedras, mas não tinha ainda olhado para elas.
O pescador decidiu então, curioso, ver que pedra era aquela, com a qual tinha brincado a noite toda. Foi então que colocou sobre a palma da sua mão e aguardou até que o primeiro raio de sol brilhasse. Mais que depressa, um pequeno feixe de luz incidiu sobre ela e, para sua surpresa, se dividiu em sete cores. Foi quando percebeu que não eram pedrinhas comuns, mas, sim, diamantes!
Refletindo sobre esta pequena estória, podemos ver o pescador como nós, enquanto indivíduos, enquanto humanidade; os diamantes, as pedrinhas, são as oportunidades, os inúmeros milagres que se operam diariamente para que estejamos vivos. A luz do sol representa a tomada de consciência, que ilumina, acabando com a escuridão.
Pergunto-me, se talvez não estejamos como o pescador que caminha pela noite, inseguro, sem termos dimensão das maravilhas que nos cercam cotidianamente, e que, sem perceber, desperdiçamos sem aproveitá-las.
O ar que respiramos, a água que bebemos, o alimento que ingerimos. Se pararmos para pensar por um instante, vamos reconhecer o milagre que se opera bem diante de nossos olhos. O pão que comemos é formado pelo sol, pela chuva, pelo ar, pelos sais minerais, pelos trabalhadores. Sem o sol, sem a chuva, sem a terra, sem os trabalhadores, não haveria pão. Nas palavras de um monge, chamado Thich Nhat Hanh, nós intersomos.
Cada ser vivo é parte essencial para o nosso desabrochar, para o nosso crescimento, para que passemos a enxergar as pedras preciosas. Ser pai ou ser mãe, portanto, é um presente, onde aprendemos a aprender, onde, diariamente, temos a missão de cuidar do melhor em nós, de ajudar estes pequenos seres a descobrir o mundo com olhos despertos.
Ivan Deus Ribas é pai, bacharel em direito e um dos amigos da Associação Meditar de Cuiabá
Nossos filhos: verdadeiros diamantes
Por Ivan Deus Ribas
A vida se revela uma extraordinária experiência para aqueles que já foram pais ou que estão vivendo a paternidade. Somente estes, talvez, possam compreender o que quero dizer. Recentemente recebi em meus braços minha filha, uma menina que nasceu revelando a mim uma nova maneira de amar.
Mamãe e eu, dois pais que não conheciam na prática o que representava isso, se extasiam a cada descoberta. A maternidade não apenas revolucionou nossas vidas, mas preencheu nossos corações, fazendo-nos repensar o quanto de humano, de instinto, de espiritualidade reside em nós.
Passei a enxergar de maneira nítida que recebemos ao longo de nossas vidas inúmeras oportunidades, que são colocadas em nossas mãos como verdadeiras jóias preciosas, capazes de resignificar nossa visão de mundo.
Sobre isso, apenas para ilustrar, lembro da estória de um pescador que saiu pela madrugada, após desistir de dormir. Ele levantou de sua cama, calçou as suas botas, pegou os seus apetrechos de pesca e seguiu para o rio, mesmo sabendo que ainda restava muito tempo para o amanhecer.
Caminhava lentamente, com certo sentimento de perda, um vazio inexplicável que a muito o acompanhava, que aos poucos, a cada passo que dava, ia deixando para trás, passando a se envolver pelos sons da natureza, os grilos e outros pequenos bichos que se faziam perceber. Assim chegou à margem do rio, onde costumava sempre pescar. Olhava em volta, tudo escuro. Apenas o correr das águas, a lua e as estrelas.
De repente, ao tentar se acomodar melhor sobre o local em que estava sentando, esbarrou em um pequeno saquinho cheio de pedrinhas. Como não tinha nada para fazer, decidiu brincar, começou a lançar uma a uma na água. Jogava, tentando ver quantas vezes pulava sobre a superfície do rio.
E, assim, foi lançando uma atrás da outra, umas rebatiam duas ou três vezes, indo pouco a pouco esvaziando aquele saquinho. Aquela brincadeira lembrava os tempos de criança. Realmente aquilo o descontraiu.
Não obstante, quando se preparava para lançar a última pedra, o sol começou a nascer.
Preparou-se, pegou com todo cuidado a pedrinha, ajeitou-a em sua mão, inclinou o seu corpo, mediu a distância do lance, dobrou levemente as pernas. E, quando ia arremessar, estancou. Naquele momento, se deu conta de que havia jogado quase todas as pedras, mas não tinha ainda olhado para elas.
O pescador decidiu então, curioso, ver que pedra era aquela, com a qual tinha brincado a noite toda. Foi então que colocou sobre a palma da sua mão e aguardou até que o primeiro raio de sol brilhasse. Mais que depressa, um pequeno feixe de luz incidiu sobre ela e, para sua surpresa, se dividiu em sete cores. Foi quando percebeu que não eram pedrinhas comuns, mas, sim, diamantes!
Refletindo sobre esta pequena estória, podemos ver o pescador como nós, enquanto indivíduos, enquanto humanidade; os diamantes, as pedrinhas, são as oportunidades, os inúmeros milagres que se operam diariamente para que estejamos vivos. A luz do sol representa a tomada de consciência, que ilumina, acabando com a escuridão.
Pergunto-me, se talvez não estejamos como o pescador que caminha pela noite, inseguro, sem termos dimensão das maravilhas que nos cercam cotidianamente, e que, sem perceber, desperdiçamos sem aproveitá-las.
O ar que respiramos, a água que bebemos, o alimento que ingerimos. Se pararmos para pensar por um instante, vamos reconhecer o milagre que se opera bem diante de nossos olhos. O pão que comemos é formado pelo sol, pela chuva, pelo ar, pelos sais minerais, pelos trabalhadores. Sem o sol, sem a chuva, sem a terra, sem os trabalhadores, não haveria pão. Nas palavras de um monge, chamado Thich Nhat Hanh, nós intersomos.
Cada ser vivo é parte essencial para o nosso desabrochar, para o nosso crescimento, para que passemos a enxergar as pedras preciosas. Ser pai ou ser mãe, portanto, é um presente, onde aprendemos a aprender, onde, diariamente, temos a missão de cuidar do melhor em nós, de ajudar estes pequenos seres a descobrir o mundo com olhos despertos.
Ivan Deus Ribas é pai, bacharel em direito e um dos amigos da Associação Meditar de Cuiabá
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Informe - Agenda de Atividades
Queridos
amigos,
infelizmente
nossos encontros de sábado não poderão mais ocorrer porque as pessoas
responsáveis por estes dias não terão mais disponibilidade de tempo. Nossos
encontros de terças continuam as 20hs. Aguardo vocês então na terça para
praticarmos juntos.
Gasho.
Ligia
Prieto
Livro do Mês - Fevereiro
Detalhes
Nesta preciosa biografia do Professor Hermógenes,
além dos momentos mais marcantes, encontramos detalhes de sua vida nunca antes
revelados. Suas principais influências, estudos, dificuldades de vida e busca espiritual,
são apresentados por um dos seus alunos mais próximos. Foram seis anos de
entrevistas ao lado do mestre e intensas pesquisas para conseguir realizá-la.
Trata-se de uma obra de referência, servindo de inspiração para todas as
pessoas interessadas em aprofundar a sua própria evolução, especialmente em
termos da saúde física, mental e espiritual, através do exemplo deste
extraordinário iogue brasileiro.
Esta obra
apresenta mais de 30 páginas com fotografias em cores de momentos
marcantes da vida do Professor Hermógenes.
“O Professor Hermógenes se fez um anjo bom da
cultura brasileira. Um homem de Deus. Um Homem espiritual. Em contato com ele
sentimos sua irradiação e somos convidados a buscar a fonte dentro de nós
mesmos e beber dessa fonte benfazeja.” – Leonardo Boff, teólogo, pensador e escritor
brasileiro.
Informações em: http://bodigaya.com.br/index.php/
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