A Associação Meditar é uma sociedade civil com personalidade jurídica, sem fins lucrativos, não religiosa ou doutrinária. O primeiro núcleo surgiu em Porto Alegre-RS, e, atualmente, possui núcleos nas cidades de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Novo Hambugo, Santa Maria, São Francisco de Paula, Capão da Canoa, Florianópolis, Chapecó e Cuiabá.

A Associação Meditar se propõe a: Difundir a prática da meditação; Congregar os praticantes da meditação; Coletar e divulgar os benefícios à saúde física e mental promovidos pela prática adequada da meditação; Criar, apoiar e promover a difusão de locais adequados para a prática de meditação (Núcleo ou Centros Meditar) no Brasil e no exterior; inclusive, com sedes rurais para abrigar seus membros em vida comunitária voltada à meditação, ao estudo, ao trabalho natural na terra, à contemplação da natureza.

Dedica-se a orientar a iniciação e o desenvolvimento das pessoas (empresa, escolas, associações) na meditação de forma clara, simples, objetiva e segura; Promover cursos, palestras, workshops, retiros e atividades voltadas à prática da meditação; Incentivar e promover a atitude mediativa, altruísta e pacífica, que implique na paz interna e externa, na não-violência, no respeito pela natureza, alimentação natural, bons valores humanos, no conhecimento e na sabedoria.

A Associação Meditar de Cuiabá se reúne sempre aos Sábados, às 08h00, no Espaço Ligia Prieto. Endereço: Rua Min.João Alberto, 137 – Araés - Cuiabá. Informações pelo tel. (65)3052-6634.

domingo, 14 de agosto de 2011

Retiro Medicina Interior - 26, 27 e 28 de Agosto



Queridos amigos, irmãos e irmãs na cultura da paz,

Informamos abaixo a programação do retiro com o Dr. Ênio Burgos, que acontecerá nos dias 26, 27 e 28 de agosto de 2011.

Destacamos que, diferentemente do divulgado anteriomente, o retiro será em Cuiabá, na Academia Ligia Prieto!

Aproveitem, façam suas inscrições! O número de vagas é limitado!!!

Aos participantes, recomendamos a leitura do livro "Medicina Interior, a medicina do coração e da mente"

Retiro Silencioso: “Medicina Interior – A medicina do coração e da mente”
Dias: 26, 27 e 28 de agosto de 2011
Local: Academia Ligia Prieto - CUIABA - MT
Orientador: Ênio Burgos.

Dr. Ênio Burgos é médico, físico e escritor, sendo autor de diversos livros, dentre eles "Medicina Interior, a medicina do coração e da mente". Destacamos ainda o fato de ser tradutor de Thich Nhat Hanh no Brasil.
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Será um retiro onde estaremos aprofundando a prática da meditação (sentada, andando e na alimentação).
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Informações e inscrição:
Academia Ligia Prieto
(65) 3052-6634

Gakudo Yojinshu – Guia para a prática do Caminho



Mestre Dogen Zenji completou este tratado para seus discípulos no templo Kosho-ji, em Uji, cidade próxima a Quioto, em 1234 — sete anos após ter retornado da China.

Em seu primeiro tratado ao voltar da China, o Fukan Zazen-gi (Instruções Gerais sobre a prática de Zazen), a ênfase primária é nas instruções práticas de como fazer zazen.

Gakudo Yojin-shu (Pontos a Observar no Estudo do Caminho Budista) é uma explicação mais rigorosa do espírito no qual não apenas zazen mas todas as ações devem ser realizadas.

Iniciando com uma exortação para despertar a mente-bodai, Mestre Dogen Zenji vai adiante e discute a importância do treinamento com um verdadeiro mestre, além de tópicos sobre a relação entre treinamento e iluminação e o significado da prática de zazen.

Muito embora o conteúdo do Shobogenzo (Olho Tesouro do Verdadeiro Darma) seja filosoficamente mais profundo, o Gakudo Yojinshu é muito estimado como um guia de treinamento na escola Soto Zen por quem está realmente envolvido na prática diária do Caminho.

Entre os numerosos trabalhos de Mestre Dogen Zenji, este em particular merece ser lido repetidamente, conforme haja aprofundamento da própria prática pessoal. Embora relativamente curto, apresenta nada menos do que o mapa da Iluminação. (*)

1. A Necessidade de Despertar para a Mente-Bodai (Mente na qual surge o pensamento, o desejo para a Iluminação. Mente à procura do Caminho de Buda que inclui o voto de beneficiar todos os seres)

A Mente-Bodai é conhecida por muitos nomes, porém todos se referem à única e mesma Mente-Buda. O Venerável Nagarjuna(1) disse:

“A capacidade de ver e compreender claramente o fluir incessante do surgir e desaparecer, reconhecendo a natureza transitória de tudo que existe, penetrando a essência das coisas, é chamada de Mente-Bodai”.

Por que, então, a dependência temporária desta mente é chamada de mente Bodai?

Quando a natureza passageira do mundo é realizada, a mente auto-centrada não surge, nem as idéias de fama e proveito aparecem.

O tempo voa rapidamente. Urge a prática dedicada e enérgica, como para apagar chamas ardentes na própria cabeça.

É preciso refletir sobre a natureza efêmera da vida, precaver-se contra as fraquezas do corpo e manter o mesmo esforço de Xaquiamuni Buda ao levantar Seu pé.(2)

Mesmo que ouça a música melodiosa do deus Kimnara e do pássaro kalavinka,(3) não se apegue — sinta apenas como se fosse a brisa da noite soprando em seus ouvidos. Mesmo que veja uma face tão bela como a de Mao-ch’ang ou de Hsi-shih,(4), pense nela apenas como o orvalho da manhã tocando seus olhos.

Libertação das amarras do som e da forma é estar em harmonia com a essência da mente à procura do Caminho

Desde os tempos mais antigos sempre existiram pessoas que ouviram pouco sobre o verdadeiro budismo e outras que não tiveram muitas oportunidades de ouvir, ler ou mesmo ver as escrituras de Buda. A maioria dessas pessoas, quando cai na armadilha da fama e do lucro, perde a essência do Caminho para sempre. Quão lamentável! Que pena! É preciso compreender bem essa situação.

Mesmo ao ler inúmeros ensinamentos, quer dos meios hábeis ou verdadeiros(5) dos mais excelentes Sutras, ou ao transmitir e receber os ensinamentos esotéricos e exotéricos,(6) se a idéia de obter fama e lucro ainda persistir, isso não pode ser chamado de despertar para a mente Bodai.

Alguns dizem que a mente Bodai é o mais alto e supremo estado de iluminação de Buda, livre de fama e lucro. Outros dizem que ela é aquilo que abrange um bilhão de mundos(7) em um único momento de pensamento, ou que é o ensinamento no qual nenhuma delusão surge. Outros ainda dizem que é a mente que entra diretamente no mundo Buda. Estas pessoas, ainda sem entender o que é a mente Bodai, a desvalorizam e caluniam. Elas estão, na verdade, muito longe do Caminho.

Reflita sobre sua mente comum — como está egoisticamente apegada à fama e ao lucro. Está ela possuída pela essência e aparência dos três mil mundos, em um único momento de pensamento? Terá ela experimentado o ensinamento que não desperta uma única delusão? Não! Essa mente apenas conhece e está mergulhada na delusão por fama e lucro. Não pode ser comparada à mente à procura do Caminho, não é digna de ser chamada de mente Bodai.

Desde tempos muito antigos, tem havido pessoas sábias vivendo de forma comum e utilizando métodos mundanos para atingir a iluminação. Mas não se ativeram à fama ou ao lucro. Nem mesmo se apegavam ao Darma de Buda, quanto menos ao mundo comum.

A mente Bodai é, como foi mencionado anteriormente, aquela que reconhece a impermanência — uma das quatro realizações.(8). É completamente diferente da mente das pessoas confusas.

A mente não surgindo e o aparecimento de um bilhão de mundos são práticas muito boas depois de haver despertado a mente Bodai. “Antes” e “depois” não devem ser confundidos nem invertidos.

Esquecer-se de si por uns momentos e permitir que a mente permaneça tranqüila é a mais verdadeira prática do Caminho. Pode ser chamada do despertar da mente Bodai.

O eu é responsável pelas sessenta e duas opiniões pessoais. Assim, quando começarem a surgir muitas opiniões próprias, apenas faça zazen tranquilamente e as observe aparecendo. No que estão baseadas, tanto dentro como fora de você? Seu corpo, pelos e pele vieram de seus pais. Entretanto, as duas gotas de seus pais, vermelha e branca,(9), são vazias, desde o princípio até o final dos tempos. Aqui não há um eu permanente. O que dizer da mente, pensamento, compreensão e conhecimento? O que, em última instância, são o inalar e o exalar? O que amarra uma vida, o que é tudo isto afinal de contas? Nenhuma parte é o eu. Como ficar apegada a qualquer uma delas? Não há nada a se apegar.

A pessoa que vive em delusão se apega a todas as coisas. A pessoa iluminada se liberta de todo e qualquer apego.

Tentar medir a ilusão do eu onde não há um eu, apegar-se às aparências mundanas, apegar-se às coisas que surgem, onde não há surgimento de nada, é negligenciar a prática do Caminho. Por não conseguir cortar as amarras do mundo, você se afasta do verdadeiro ensinamento e corre atrás do falso. Você se atreve a dizer que não está agindo de maneira equivocada?

2. Ao encontrar o Verdadeiro Darma surge a necessidade do treinamento.

Quando um servo fiel oferece um conselho, pode mudar o pensamento do rei e alterar o curso de uma nação.

Quando um Buda Ancestral oferece um ensinamento, deveria poder alterar o curso da mente dos seres.

Entretanto, apenas reis sábios ouvem os conselhos de seus conselheiros, e apenas praticantes excepcionais ouvem as palavras de Buda.

É impossível cortar as fontes de transmigração sem abandonar a mente deludida. Da mesma forma, quando um rei não presta atenção aos conselhos de seus consultores leais, não mais prevalecerá uma política virtuosa, e ele será incapaz de governar bem o país.

3. A Necessidade de Constantemente Praticar e assim Realizar o Caminho

Pessoas comuns acreditam que os postos de governo podem ser alcançados através de estudos. Xaquiamuni Buda ensina que na prática está a iluminação. Nunca ouvi falar de alguém que tenha se tornado membro do governo sem estudar adequadamente. Nunca ouvi falar de alguém que tenha alcançado a iluminação sem praticar.

Embora seja verdade que existam diferentes métodos de treinamento — iniciados pela fé ou pela compreensão do Darma, com ênfase na realização súbita ou gradual(10) — sempre é necessário praticar para realizar iluminação.

Mesmo que a profundidade e a velocidade de compreensão das pessoas sejam diferentes, a posição governamental é obtida quando há experiência acumulada. Isso não depende de habilidade especial ou sorte.

Se o posto de um governante pudesse ser adquirido sem estudo de governança, quem iria transmitir o método pelo qual os reis antigos puderam governar com sucesso, tanto em tempos de ordem como em momentos de desordem?

Caso a iluminação pudesse ser adquirida sem treinamento, quem poderia compreender os ensinamentos do Tathagata(11), distinguindo, como Ele fez, a relação entre delusão e iluminação? Compreenda que embora pratique no mundo da delusão, a iluminação já está presente. Então, pela primeira vez, você perceberá que barcos e canoas de discursos retóricos são apenas sonhos passados e será capaz de cortar para sempre sua visão antiga, amarrada às vinhas e serpentes das palavras.

Buda não impõe essa visão a você. Ela aparece naturalmente a partir de sua prática no Caminho — a prática convida à iluminação. Seu tesouro natural não vem do exterior. Uma vez que a iluminação é uma com a prática, a ação iluminada não deixa traços. Portanto, quando olhar novamente a prática com olhos iluminados, nenhuma ilusão atingirá seus olhos. Nuvens brancas por dez milhões de ri encobrem o céu.

(NT – assim como é, é. Os olhos iluminados são a prática diária sem atributos extraordinários)

Quando a iluminação está em harmonia com a prática, você não pode pisar nem mesmo em um grão de poeira. Se o fizer, estará tão distante da iluminação quanto o céu está da terra.


Retorne ao seu Eu verdadeiro e vá além do nível Buda.

4. A Necessidade de Praticar os Ensinamentos de Buda Sem Idéia de Ganho

Na prática do Caminho é necessário aceitar os ensinamentos verdadeiros de nossos predecessores, colocando de lado nossas idéias pessoais.

O Caminho não pode ser realizado com a mente ou sem ela. A menos que a mente da prática constante seja uma só com o Caminho, nem o corpo nem a mente conhecerão paz. Quando o corpo e a mente não estão em paz, eles se tornam obstáculos à iluminação.

Como harmonizar a prática constante com o Caminho? Para assim o fazer, a mente não pode estar apegada nem rejeitar nada; necessita estar completamente livre do apego à fama e ao lucro. Ninguém se submete ao treinamento budista para os outros. A mente dos praticantes budistas, como a maioria das pessoas de nossa época, todavia, está longe da compreensão do Caminho. Fazem o que os outros elogiam, mesmo sabendo que é falso. Por outro lado, não praticam o que os outros desdenham, mesmo que saibam ser o verdadeiro Caminho. Quão lamentável!

Reflita tranquilamente se suas palavras e ações estão unidas aos ensinamentos de Buda, ou não. Quem sabe não se envergonhará? Os olhos penetrantes dos Budas Ancestrais incessantemente iluminam todo o universo.

Desde que praticantes budistas não fazem nada para si mesmos, como o poderiam fazer pela fama ou pelo lucro? O Darma de Buda só pode ser praticado pelo Darma de Buda. Não é para impressionar os outros nem para sentir-se bem que os vários Budas demonstram sua profunda compaixão por todos os seres. Assim é a tradição budista. O Darma de Buda pelo Darma de Buda.

Observem como até animais e insetos nutrem seus filhotes, suportando grandes dificuldades, várias adversidades. Os pais não esperam ganhar nada com suas ações, mesmo depois dos filhotes atingirem a maturidade. Embora sejam pequenas criaturas, têm profunda compaixão por seus filhotes.

Assim é a relação da compaixão dos vários Budas por todos os seres. O precioso ensinamento desses vários Budas, todavia, não está limitado somente à sua compaixão: aparecem em incontáveis formas através de todo o universo. Esta é a essência do Darma de Buda.

Nós somos crianças Buda. Por isso seguimos as pegadas dos Budas Ancestrais.

Praticantes! Não pratiquem o Darma de Buda para obter fama ou lucro, nem para obter recompensas ou poderes miraculosos. Simplesmente pratiquem o Darma de Buda pelo Darma de Buda: este é o verdadeiro Caminho.

5. A Necessidade de Encontrar um Verdadeiro Mestre.

Um antigo Ancestral do Darma disse em certa ocasião: “Se a mente à procura de Buda não for verdadeira, toda e qualquer prática resultará em nada”. Esta afirmação sem dúvida alguma continua sendo correta. Mais ainda, a qualidade da prática depende da verdade ou falsidade do mestre.

O praticante pode ser comparado a um pedaço de madeira, e o verdadeiro mestre a um bom carpinteiro. A madeira de melhor qualidade não mostrará seu fino veio a menos que seja trabalhada por um bom carpinteiro. Até mesmo um pedaço de madeira empenada, se trabalhada por um bom carpinteiro, logo mostrará seus esplêndidos méritos.

A verdade ou falsidade da iluminação de um mestre está em direta relação com a verdade ou falsidade da iluminação de seus discípulos. Precisamos compreender isto.

Em nosso país, entretanto, não tem havido verdadeiros mestres desde há muito. Como sabemos disso? Observando suas palavras, assim como podemos descrever a natureza da nascente de um rio, retirando uma concha de água de sua correnteza.

Por séculos, neste país, mestres têm escrito livros, ensinado discípulos e oferecido seus ensinamentos a seres humanos e celestiais. Entretanto suas palavras ainda estavam verdes, imaturas, sem atingirem a profundidade da verdadeira prática, sem terem alcançado a realização da unidade prática-iluminação.

Muito ao contrário, apenas transmitiam palavras, fazendo os outros recitarem nomes e repetirem sons. Dia e noite contavam o tesouro dos outros, sem nunca penetrarem sua própria casa do tesouro.

Esses antigos mestres devem ser responsabilizados pelo atual estado de coisas. Alguns deles ensinavam que a iluminação deveria ser procurada fora da mente, outros que o renascimento em outras terras era o objetivo. Esta é a origem de toda confusão e delusão.

Se não forem seguidas instruções corretas, até mesmo o remédio correto pode piorar a doença. Realmente, tomar um remédio pode ser pior até do que tomar veneno. Desde tempos antigos, não tem havido médicos em nosso país capazes de preparem a receita correta ou de distinguirem entre remédio e veneno. Por esta razão tem sido tão difícil penetrar nascimento-morte e eliminar sofrimento e dor. Como, então, esperar libertação do sofrimento da velhice e da morte?

A culpa desta situação é inteiramente dos mestres, não dos discípulos. Por quê? Porque guiam seus discípulos ao longo dos galhos das árvores, sem penetrarem as raízes. Sem terem compreendido e penetrado o Caminho, se entregam unicamente a suas próprias idéias, arrastando outras pessoas para o mundo da delusão. Como se pode esperar que os discípulos saibam a diferença entre o certo e o errado?

Que tristeza! Neste pequeno e remoto país, o verdadeiro Darma de Buda não se espalhou. Verdadeiros mestres ainda estão por nascer.

Se você deseja estudar o insuperável Caminho de Buda, deverá viajar grandes distâncias e visitar mestres na China Sung — e, estando lá, refletir profundamente sobre o verdadeiro caminho, que está muito distante da mente deludida. Se você for incapaz de encontrar um verdadeiro mestre, é melhor não estudar budismo.

Verdadeiros mestres são aqueles que compreenderam o Darma de Buda e receberam o selo de aprovação de um mestre genuíno. Independe de juventude ou velhice. Não colocam os textos ou a compreensão comum em primeiro lugar. Possuindo extraordinária força e capacidade, livremente penetram os nós do bambu. Sem se prenderem a pontos de vista pessoais e livres de qualquer obsessão, mantêm sabedoria e prática em perfeita harmonia. Essas são as características de um verdadeiro mestre.

6. Conselho para a Prática do Zen

Zazen é de importância vital. Não deve ser negligenciado nem tratado superficialmente.

Na China, há excelentes exemplos de antigos mestres Zen que deceparam braços ou dedos pelo bem da verdade. (12)

Há muito tempo, Xaquiamuni Buda abandonou sua casa e deixou seu país — ambos sinais corretos da verdadeira prática do Caminho.

Hoje em dia há pessoas que dizem que devemos praticar apenas o que é fácil de praticar. Essas palavras estão erradas e muito distantes do Caminho. Se você se dedicar a uma coisa exclusivamente, considerando essa uma forma de treinamento, será impossível até mesmo deitar-se em paz. Se qualquer ação for feita com tédio ou desconforto, tudo se tornará entediante ou desconfortável. Você deve saber: aqueles que gostam das coisas fáceis são, por isso mesmo, indignos da prática do Caminho.

Nosso grande mestre Xaquiamuni só conseguiu alcançar o ensinamento que prevalece no mundo atual após se submeter a severos treinamentos por incontáveis eons no passado. Considerando-se quão dedicado foi o fundador do Budismo, podem seus descendentes deixarem por menos? Aqueles que buscam o Caminho não devem procurar a prática fácil. Quem assim o fizer jamais alcançará o mundo verdadeiro da iluminação ou encontrará a casa do tesouro.

Até mesmo o mais talentoso dos antigos ancestrais disse que o Caminho é difícil de praticar. Você deveria realizar quão profundo e imenso é o Darma de Buda.

Se o Caminho fosse originalmente tão fácil de praticar e entender, os primeiros e talentosos Ancestrais do Darma não teriam acentuado exaustivamente suas dificuldades.

As pessoas de hoje, quando comparadas aos antigos Budas Ancestrais, não são nem mesmo como um fio de pelo em um rebanho de nove vacas! Mesmo fazendo seu melhor, aquilo que consideram o mais árduo, não estão nem mesmo no começo de obterem o fácil treinamento e compreensão dos Budas Ancestrais, pois aos praticantes atuais falta força e conhecimento.

Qual é o ensinamento tão facilmente entendido e praticado que as pessoas de hoje, ingenuamente, tanto apreciam? Não é nem um ensinamento secular nem Budista. É inferior até mesmo às práticas devotadas aos demônios e espíritos do mal, assim como às das religiões não budistas e aos Dois Veículos.(13) Pode-se dizer que é a grande delusão dos homens e mulheres comuns. Embora imaginem ter escapado do mundo delusório, ficaram, ao contrário, meramente sujeitos à transmigração sem fim.

Quebrar os ossos e esmagar a medula é considerado uma prática difícil. No entanto é muito mais difícil controlar a mente. As práticas de prolongadas austeridades e pureza podem ser consideradas difíceis, mas harmonizar as ações físicas é o mais difícil.

Se o esmagamento de ossos valesse alguma coisa, os muitos que enfrentaram esse treinamento no passado deveriam ter alcançado a iluminação, mas de fato apenas alguns poucos conseguiram. Se as práticas de austeridade tivessem algum valor, os muitos que assim procederam desde tempos antigos teriam se tornado iluminados, mas neste caso também, poucos conseguiram. Tudo isso ocorre devido à grande dificuldade de controlar a mente.

No Darma de Buda, uma mente brilhante ou uma compreensão escolástica não têm importância fundamental. O mesmo se dá em relação à mente, consciência discriminatória, pensamento e percepção. Nenhum deles serve para nada, pois o Caminho só pode ser atingido através da harmonização do corpo e da mente.

Xaquiamuni Buda disse: “Girando a correnteza da percepção do som da mente (NT. Percepção do som é Avalokitehsvara Bodisatva, Kannon Bodisatva: quem vê, percebe os sons do mundo) para dentro, abandone o conhecer e o ser conhecido”. Aqui está o significado do que foi dito acima. As duas qualidades de movimento e de não movimento não apareceram de forma alguma. Esta é a verdadeira harmonia.

Se fosse possível penetrar o Caminho baseado em possuir uma mente brilhante e grande conhecimento, o culto Shinshu (Shên-hsiu)(14) teria sido, com certeza, capaz de fazê-lo. Se a origem modesta fosse obstáculo para penetrar no Caminho, como Daikan Eno (Hui-Neng)(15) se tornou um dos Budas Ancestrais chineses? Estes exemplos mostram, claramente que o processo de transmissão do Caminho não depende nem de uma mente brilhante nem de amplos conhecimentos. Ao buscarem o Darma, reflitam sobre si mesmos e treinem diligentemente.

Nem juventude nem idade avançada constituem obstáculos para entrar no Caminho. Joshu (Chao-Chou) (16) tinha mais de sessenta anos quando começou a praticar e ainda assim se tornou proeminente Ancestral do Darma. A princesa Teijo, filha de Cheng,(17) por outro lado, tinha apenas treze anos, mas já alcançara profunda compreensão do Caminho, tanto que se tornou uma das mais preciosas monjas de seu mosteiro. O poder do Darma de Buda se revela de acordo com o esforço realizado e se manifesta diferentemente em relação a ter havido, ou não, treinamento.

Aqueles que se dedicaram longamente ao estudo dos sutras (das escrituras), assim como aqueles versados em estudos seculares deveriam visitar um mosteiro Zen. Há muitos exemplos dos que assim o fizeram. Eshi (Hui-ssu) do monte Nangaku (Nan-Yueh)(18) era um homem inteligente, de muito estudo, e ainda assim se submeteu ao treinamento de Bodidarma. Yoka Dengaku (Hsüan-chüeh do monte Yung-chia) (19) era um grande erudito e, assim mesmo, treinou com Daikan Eno (Ta-chien Hui-nêng).(20)

O esclarecimento do Darma e a realização do Caminho dependem da força adquirida com o treinamento sob orientação de mestres Zen.

Ao visitar um mestre Zen em busca de instruções, ouça seus ensinamentos sem tentar adequá-los a seu ponto de vista — caso contrário, você não entenderá o que ele está dizendo. Purifique seu corpo, mente, olhos e ouvidos e simplesmente ouça sua orientação, sem misturar com outros pensamentos. Unifique corpo e mente e receba o ensinamento do mestre como se água estivesse sendo despejada de um vaso para outro. Procedendo assim, então pela primeira vez você estará pronto para receber o ensinamento.

Atualmente há algumas pessoas tolas que se dedicam a decorarem palavras e frases dos sutras ou se apegam àquilo que ouviram anteriormente. Agindo assim, tentam comparar isso com os ensinamentos de um mestre. Neste caso, entretanto, há apenas seus próprios pontos de vista e palavras de pessoas antigas. Conseqüentemente, as palavras do mestre seguem ignoradas.

Há ainda outros que, atribuindo maior importância ao seu próprio pensar auto-centrado, abrem os sutras e memorizam uma ou duas palavras imaginando que isso seja o Darma de Buda. Mais tarde, ao receberem o ensinamento do Darma de um mestre Zen iluminado, eles o consideram verdadeiro apenas se coincidirem com seus próprios pontos de vista; do contrário, acham que são falsos. Se os ensinamentos que você ouvir de um mestre Zen não coincidirem com suas opiniões, provavelmente é um bom mestre Zen. Se não houver diferenças de opinião no princípio, não será bom. Entretanto, as pessoas incapazes de abandonarem pontos de vista equivocados não podem ascender e retornar ao verdadeiro Caminho. São dignos de pena, pois estarão sujeitas à delusão. Que lamentável!

Praticantes budistas devem entender que o Darma de Buda está além do pensamento, da discriminação, da análise, de profecias e da imaginação, e também da introspecção, da percepção e da compreensão intelectual. Se não fosse assim, como é que, mesmo tendo sido dotado dessas várias faculdades desde o nascimento, você ainda não entendeu o Caminho?

Pensamentos, análises e assim por diante devem ser evitados na prática do Caminho. Embora o pensar e as outras atividades sempre sigam você, se as examinar verificará que sua claridade é como a de um espelho. Reflita e se auto-examine cuidadosamente..(20) O portal da Verdade só é conhecido pelos mestres Zen iluminados e não por estudiosos professores de palavras.

7. A Necessidade do Treinamento Zen na Prática Iluminação Budista.

O Darma de Buda é excelso entre muitos outros caminhos. Por essa razão, muitas pessoas o seguem. Durante a vida do Tathagata havia apenas um ensinamento e um preceptor. O Grande Mestre, sozinho, conduzia todos os seres com sua suprema Sabedoria.

Desde a transmissão inicial do Venerável Makakasho (Mahakashyapa), o Shobogenzo (Olho Tesouro do Verdadeiro Darma) tem sido transmitido por vinte e oito gerações na Índia, por seis gerações na China e por vários Budas Ancestrais das cinco escolas Zen(21), ininterruptamente.

Desde o período de Ryokai ( P’u-t’ung (520-526)), no estado chinês de Liang, todos os indivíduos verdadeiramente superiores, quer sejam monges, reis ou seus auxiliares, têm se refugiado no Zen Budismo.

Na verdade, pessoas capazes de amar a excelência devem amar a excelência. Não se pode amar o dragão, como o fazia Sekko (Yeh-kung).(22)

Em várias localidades ao leste da China, a trama dos estudiosos das escrituras de Buda cobriu mares e permeou as montanhas. No entanto, apesar de permear as montanhas, não contém o coração das nuvens. Embora espalhada sobre os mares, seca o coração das ondas. Os tolos se identificam com esse tipo de Budismo. Ficam fascinados por um olho de peixe — tomando-o por uma pérola — ou tratam como um tesouro raro uma pedra do monte Yen, pensando ser uma jóia preciosa. Muitas pessoas assim caem na armadilha de demônios e se perdem. Que lamentável!

Em locais distantes, os ventos dos ensinamentos falsos sopram livremente, sendo difícil prevalecer o verdadeiro Darma. A China, contudo, já obteve refúgio no verdadeiro Darma de Buda. Por que, então, não se difundiu em nossa terra ou na Coréia? Na Coréia, pelo menos o nome do verdadeiro Darma pode ser ouvido — até isso é impossível em nossa terra. Isto se deve a muitos que, no passado, foram estudar na China e aderiram ao grupo escolástico. Estudiosos que, embora tenham transmitido muitos textos Budistas, esqueceram-se da essência do Darma de Buda. De que vale isso? No final resulta em nada. E tudo porque não conheceram a essência da prática do Caminho. Que lamentável haver trabalhado tão duramente toda uma vida em vão.

Ao cruzar pela primeira vez o portal do budismo e iniciar o estudo do Caminho, ouça simplesmente os ensinamentos de um mestre Zen e pratique de acordo. Você deverá saber o seguinte: o Darma gira o eu e o eu gira o Darma.

Quando o eu gira o Darma, o eu está forte e o Darma fraco. No caso contrário, o Darma é forte e o eu, fraco. Embora esses dois aspectos existam desde muito nos ensinamentos de Buda, só pessoas que receberam a verdadeira transmissão o conhecem. Sem um bom mestre é impossível até mesmo saber o nome desses opostos. Quem não conhece essa chave, como pode praticar o verdadeiro Caminho? Como distinguir o certo do errado?

Quem estuda o Caminho através da prática de zazen transmite o significado desses opostos e não comete erros encontrados em alguns ensinamentos. É impossível compreender o verdadeiro Caminho sem a prática do Zen.

(*) Comentários explicativos do professor Gudo Wafu Nishijima Roshi na tradução conjunta com Chodo Cross – Wildbell Publications do livro Master Dogen’s Shobogenzo

NOTAS

1.(1) Nascido em uma família de Brahmanes, no sul da Índia, no segundo ou terceiro século, tornou-se um dos principais filósofos do Budismo Mahayana, sendo considerado como o Décimo Quarto Ancestral na linhagem da transmissão do Darma. Ele defendia a teoria de que todos os fenômenos são relativos , não tendo uma existência independente.
2.(2) No Budismo Mahayana se acredita que o fundador histórico do Budismo, Xaquiamuni Buda, atravessou inúmeras transmigrações antes de finalmente realizar a iluminação. Também se acredita que antes do Buda histórico houve milhares de pessoas que atingiram nível de Buda - um deles o Buda Pusya. Quando Xaquiamuni Buda, em uma de suas vidas anteriores, encontrou Pusya Buda, para mostrar seu respeito a ele, Xaquiamuni Buda permaneceu com um pé levantado por sete dias e sete noites entoando sutras.
3.(3) Kimnara é um deus indiano da música. Kalavinka é um pássaro mítico indiano de voz encantadora.
4.(4) Duas mulheres consideradas entre as mais belas cortesãs da antiga China.
5.(5) “Ensinamentos verdadeiros” refere-se propriamente aqueles do Saddarma-pundarika. Avatamsaka, e do Mahaparanirvana Sutra e “livros” incluem, todos os outros ensinamentos.
6.(6) Os ensinamentos esotéricos são encontrados nas escolas Shigon japonesa e Tendai. São doutrinas e rituais com grande influência do hinduísmo, que se desenvolveram na Índia durante os séculos sete e oito. Esses ensinamentos, com propriedades mágicas, apenas podem ser revelados àqueles que foram devidamente iniciados. Os ensinamentos exotéricos se referem a todos os outros ensinamentos.
7.(7) Pensava-se que todo o universo, em sua integridade, fosse constituído de um bilhão de mundos.
8.(8) Em inglês insight. De acordo com o Novo Dicionário Aurélio: Compreensão repentina, em geral intuitiva, de suas próprias atitudes e comportamentos, de um problema, de uma situação. Os outros três insights são: (1 ) que o corpo é impuro; (2) que a percepção conduz ao sofrimento; e (3) que a mente é não fixa.9.(9) A gota vermelha representa o óvulo da mãe e a gota branca, o esperma do pai.10.(10) A posição de que a iluminação surge gradualmente como resultado de leituras de sutras e práticas acumuladas era o pensamento da Escola Zen do Norte da China. Esta escola desapareceu e apenas a Escola Zen do Sul, que pregava a realização da iluminação súbita, permaneceu.11.(11) Este é outro nome de Xaquiamuni Buda. Significa uma pessoa que alcançou o ir e vir do Tathagata, o que é, a realidade absoluta que transcende a multiplicidade do mundo dos fenômenos.12.(12) Cortar o braço se refere a Eka (chinês Hui-ko 481-593), o segundo ancestral Zen na China, que cortou seu braço na presença de Bodidarma no templo de Shao-Lin para mostrar o quanto era sincero seu desejo de treinar com aquele mestre. Cortar o dedo refere-se a um dos discípulos de Chu-chi, que demonstrou o sentido do budismo para outras pessoas, apenas imitando o hábito de seu mestre de levantar o dedo. Um dia Chi-chi descobriu o que seu discípulo estava fazendo e cortou o dedo do discípulo para fazê-lo perceber a verdadeira natureza do budismo.13.(13) Ensinamentos dos Sravakas e Pratyebuddhas. Sravakas eram os que se esforçavam em ouvir e compreender os ensinamentos a fim de alcançar a iluminação – tornar-se um Arhat –sem se preocupar em salvar os outros. Pratyekabuddhas são pessoas que alcançaram a iluminação através de estudos independentes, sem orientação de um mestre. Não se preocupavam em salvar os outros.14.(14) Viveu entre 606-712. O fundador da Escola Zen do Norte da China. Foi líder dos discípulos de Hung-jen, (Konin em japonês) o Quinto Ancestral do Darma. Sua compreensão do Caminho era altamente intelectual, o que impedia de realizar a iluminação total.15.(15) Viveu entre 637-712. Foi o sucessor de Hung-jen (Konin em japonês). Iluminou-se durante o trabalho de separar a casca do arroz, quando treinava no Monte Huang-mei.16.(16) Viveu entre 778-897, foi sucessor de Nansen (Nan-ch’uan). Ficou conhecido pelo koan “mu”.17.(17) Nada mais sobre ela é conhecido.18.(18) Viveu entre 514 ou 515 até 577. É considerado o Segundo Ancestral da Escola Chinesa Tendai. Após haver treinado com o mestre Hui-weng, em 570, foi para o Monte Nan-yueh, onde mais tarde morreu. É famoso por ter escrito um número importante de livros sobre o budismo.19.(19) Viveu entre 665-713, é famoso por ter escrito a “Canção da Iluminação” (Cheng-tao-ko).20.(20) Superficialmente, a advertência imediatamente precedente de evitar “pensamento, discriminação e assim por diante, parece ser contraditada aqui. Entretanto, essas duas afirmações não estão realmente em conflito: para “pensamento, e assim por diante”, que é para ser usada em última instância, está baseada como deve ser na prática real, não é o pensamento conceitual, e assim por diante, do anterior. Este é um dos pontos chaves da Soto Zen.21.(21) As vinte e oito gerações na Índia iniciam com o chefe discípulo de Buda, Makakasho (Mahakashyapa) e se extendem a Bodidarma. As seis gerações na China, em ordem cronológica: Bodidarma, Taiso Eka, Kanchi Sosan, Daii Doshin, Daiman Konin, Daikan Eno. Os fundadores das cinco escolas Zen: Yun-men, Wei-yang, Ts’ao-tung, Lin-chi e Fa-yen.22.(22) Fukanzazengi – Recomendações Gerais de Zazen, de Mestre Eihei Dogen23.(23) A capacidade de iluminação presente em todos os seres24.(24) Ser absoluto, além dos conceitos relativos de ser e não ser
25.

Tradução revisada pela Monja Coen em 2009

Bibliografia

Zen Master Dogen -On Introduction with selected Writings - Yuho Yokoi with Daizen Victoria – Weatherhill, New York- Tokyo - 1976

Master Dogens Shobogenzo – Gudo Nishijima & Chodo Cross – Windbell Publications, MA – US 1994

Zen is Eternal Life – Jiyu Kennett Roshi - Shasta Abbey Press – CA US – Fourth edition 1999

Moon in a Dewdrop – writings of Zen Master Dôgen – edited by Kazuaki Yanahashi – North Point Press – San Francisco US 1985

8. A Conduta de Monges e Monjas Zen

O verdadeiro Darma tem sido diretamente transmitido até o presente desde a época dos Budas Ancestrais, através dos vinte e oito Ancestrais do Darma da Índia e dos seis da China, sem que nada fosse acrescentado, nem mesmo um fio de cabelo; sem que nada fosse destruído, nem mesmo uma única partícula de pó.

Com a transmissão da okesa (manto) de Buda para Daikan Eno (Hui-neng), o Darma se espalhou pelos vários mundos. No momento, o tesouro do verdadeiro Darma do Tathagata está florescendo na China.

O Darma não pode ser pego nem mesmo procurado. As pessoas que viram o Caminho esquecem-se até mesmo do conhecimento do Caminho e transcendem a consciência relativa. No nível da visão, o conhecimento perece. No momento da obtenção, a mente é superada.

Daikan Eno (Hui-neng) perdeu sua face enquanto treinava no Monte Obai (Huang-mei). Eka (Hui-ko), o segundo Ancestral da China, mostrou a seriedade de suas intenções cortando fora o próprio braço em frente à caverna de Bodidarma, realizando, através desta ação, a essência do budismo e transformando a mente-delução em iluminação. Depois fez uma profunda e respeitosa reverência em frente a Bodidarma e retornou a sua posição original. Obteve a liberdade vital absoluta, sem ficar nem no corpo nem na mente, completamente livre de procura, de apegos, de estagnações e de limites.

Um monge perguntou à Joshu (Chao-chou), “Cachorro tem Natureza-Buda”?(23) Joshu (Chao-chou) respondeu: “Mu!” (“Wu”).(24) Como agarrar ou medir mu (wu)? Não há onde se agarrar, não há o que pegar.

Entregue-se. Questione-se: O que são corpo e mente? O que vem a ser conduta Zen? O que são nascimento e morte? O que é o Darma de Buda? Quais são as ocupações do mundo? E o que são, essencialmente, montanhas, rios e terra ou seres humanos, animais e casas?

Se continuar a fazer essas perguntas, os dois aspectos — movimento e não movimento — claramente não surgirão. Este não surgir não significa inflexibilidade. Não há nada fixo. Infelizmente, poucas pessoas o percebem e muitas sofrem, deludidas.

Praticantes Zen podem obter a iluminação no processo do estudo e da prática. Portanto, é minha sincera esperança que vocês não parem de treinar mesmo após terem obtido completa iluminação. Esta é realmente minha prece.
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9. A Necessidade de Praticar de Acordo com o Caminho

Pessoas corajosas, que estudam o Caminho, devem primeiramente descobrir se estão olhando na direção certa. Xaquiamuni Buda, capaz de harmonizar e controlar seu corpo, fala e mente, sentou-se em zazen sob a árvore bodai. Subitamente, ao ver a estrela da manhã, se tornou iluminado, realizando o Caminho Supremo, o veículo insuperável. Este caminho de iluminação está muito além dos Sravadas e Pratyekabuddhas. Apenas Budas podem alcançar o estado Buda. A iluminação que Buda alcançou através de seu próprio esforço tem sido transmitida de Buda para Buda sem interrupção até os dias de hoje. Como podem aqueles que alcançaram a iluminação não se tornarem Budas?

Andar o Caminho significa conhecer seu aspecto e sua grande extensão. O Caminho está sob os pés de cada ser. Quando você se torna um com o Caminho, descobre que o Caminho está exatamente onde você está, realizando assim a perfeita iluminação. Entretanto, se sentir orgulho de sua iluminação, mesmo que esta seja muito profunda, se tornará apenas uma iluminação parcial. Assim é a prática do Caminho.

Aqueles que apenas estudam o Caminho não sabem se o Caminho está aberto ou fechado, para onde leva e onde termina. Desejam milagres, resultados visíveis. Quem, entre eles, não está cometendo erros? São como crianças que abandonando tanto o pai como a fortuna do pai e da mãe, fogem de casa. Apesar de terem pai rico e serem filhos únicos, podendo algum dia herdarem tudo, tornam-se mendigos, buscando fortuna em lugares distantes. Este é verdadeiramente o caso.

Estudar o Caminho é se tornar um com o Caminho — esquecer até mesmo qualquer traço de iluminação. Aquele que praticar o Caminho deve em primeiro lugar acreditar nele. Aqueles que crêem no Caminho devem acreditar que têm estado no Caminho desde o princípio: não perdidos, não deludidos, sem pensamentos ilusórios e idéias confusas, sem aumento, decréscimo ou qualquer compreensão enganosa. Assim creia, assim clarifique e assim pratique o Caminho — esta é a essência de estudar o Caminho.

O segundo método de treinamento budista é eliminar a função da consciência discriminativa e afastar-se do caminho da compreensão intelectual. Este é o modo como os noviços devem ser guiados. A partir de então, eles serão capazes de abandonar corpo e mente, libertando-se das idéias de delusão e iluminação.

Em geral existem apenas alguns poucos que acreditam estar no Caminho. Se você apenas acreditar que está verdadeiramente no Caminho, será naturalmente capaz de compreender o seu funcionamento e também o verdadeiro significado de delusão e iluminação. Faça uma tentativa de eliminar a função da consciência discriminatória e então, subitamente, você terá quase realizado o Caminho.

10. A Realização Direta do Caminho

Existem duas maneiras de penetrar corpo-mente. Uma é treinar com um verdadeiro mestre Zen, ouvir seus ensinamentos. A outra é fazer puro Zazen. Ao ouvir os ensinamentos, a mente consciente e discriminatória trabalha, enquanto em Zazen prática é iluminação. Para compreender a Verdade, ambos são necessários.

Todos os seres vivos possuem corpo-mente, mas o comportamento varia: forte ou fraco, corajoso ou covarde. É através de nosso corpo-mente que nos iluminamos — isto é receber o ensinamento.

Não há necessidade de mudar o corpo-mente atual. Apenas siga o Caminho Iluminado de um bom Mestre Zen e receba os ensinamentos diretamente. A isto se chama atingir o alvo diretamente. Não siga seus antigos hábitos nem crie novos hábitos. Simplesmente receba o ensinamento. Quando atingir o alvo completamente, perceberá que não há nenhum novo ninho para se assentar. Apenas a realização direta do Caminho.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Homenagem ao Dalai Lama - 12.08 em São Paulo

* clique na imagem para ampliar

MESA REDONDA:

Padre José Bizon – Presbítero da Arquidiocese de São Paulo
e Diretor da Casa da Reconciliação

Monja Coen - Primaz Fundadora da Comunidade Zen Budista

Prof. Dr. Arthur Shaker – Professor de Ciência da Religião da PUC-SP
e orientador do Centro Buddhista Casa de Dharma

Lama Rinchen Kyenrab – Representante da tradição Sakya Tsarpa
do Budismo Tibetano no Brasil e América Latina

Lia Diskin - Co-Fundadora da Associação Palas Athena

ENTRADA FRANCA

Retiro Medicina Interior - 26, 27 e 28 de Agosto em Cuiabá


Queridos amigos, irmãos e irmãs na humanidade,

Informamos abaixo a programação do retiro com o Dr. Ênio Burgos, que acontecerá nos dias 26, 27 e 28 de agosto de 2011.

Destacamos que, diferentemente do divulgado anteriomente, o retiro será em Cuiabá, na Academia Ligia Prieto!

Aproveitem, façam suas inscrições! O número de vagas é limitado!!!

Aos participantes, recomendamos a leitura do livro "Medicina Interior, a medicina do coração e da mente"

Retiro Silencioso: “Medicina Interior – A medicina do coração e da mente”
Dias: 26, 27 e 28 de agosto de 2011
Local: Academia Ligia Prieto - CUIABA - MT
Orientador: Ênio Burgos.

Dr. Ênio Burgos é médico, físico e escritor, sendo autor de diversos livros, dentre eles "Medicina Interior, a medicina do coração e da mente". Destacamos ainda o fato de ser tradutor de Thich Nhat Hanh no Brasil.
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Será um retiro onde estaremos aprofundando a prática da meditação (sentada, andando e na alimentação).
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Mais informações e inscrição:
Fone: (65) 3052-6634 – Ligia - Academia Ligia Prieto
Conheça o blog da Associação Meditar de Cuiabá!
* http://www.associacaomeditardecuiaba.blogspot.com/ *

sábado, 6 de agosto de 2011

Tal como as folhas, possuímos muitos pés



Por Thich Nhat Hanh

Certo dia de Outono, eu estava num parque, absorto na contemplação de uma minúscula e bonita folha com o feitio de um coração. A sua cor era quase vermelha e mal estava presa ao ramo, prestes a cair. Passei longo tempo com ela e fiz-lhe uma série de perguntas. Descobri que a folha tinha sido uma mãe para a árvore. Normalmente, pensamos que a árvore é a mãe e as folhas são apenas filhas, mas, enquanto a observava, vi que ela era também uma mãe para a árvore. A seiva que as raízes assimilam é apenas constituída por água e minerais, os quais não são suficientes para alimentarem a árvore. Por isso, a árvore distribui a seiva pelas folhas e as folhas transformam a seiva em bruto em seiva refinada e, com a ajuda do Sol e do vapor, devolvem-na à árvore para que ela se alimente. Por conseguinte, as folhas são também uma mãe para a árvore. Uma vez que a folha está ligada à árvore por um pé, a comunicação existente entre ambas é facilmente observável.

Nós já não possuímos um pé a ligar-nos à nossa mãe, mas quando estávamos no seu útero, tínhamos um longo pé: o cordão umbilical. O oxigénio e o alimento de que necessitávamos chegava-nos através desse pé. Porém, no dia em que nascemos, este foi cortado e ficámos com a ilusão de que nos tornáramos independentes. Ora isso não é verdade; continuamos a depender da nossa mãe durante muito tempo e possuímos muitas outras mães também. A Natureza é a nossa mãe. Temos uma grande quantidade de pés que nos ligam à nossa Mãe Natureza. Há pés que nos ligam às nuvens. Se não houver nuvens, não haverá água para bebermos. Somos constituídos por 70% de água no mínimo e o pé que nos liga à nuvem existe realmente. O mesmo acontece no caso do rio, da floresta, do lenhador e do agricultor. Existem centenas de milhares de pés que nos ligam a tudo o que existe no Cosmos, ajudando-nos e tornando possível que existamos. Consegue ver a libação existente entre mini e si? Se você não estiver aí, eu não estou aqui. Isto é mais que certo. Se você ainda não a viu, por favor, observe-a com mais atenção e estou certo de que a verá.

Perguntei à folha se esta estava assustada por ser Outono e as outras folhas estarem a cair. A folha disse-me: «Não. Durante toda a Primavera e todo o Verão estive inteiramente viva. Trabalhei muito para ajudar a alimentar a árvore e agora uma grande porção de mim está na árvore. Não estou limitada a esta forma. Também sou toda a árvore e, quando regressar ao solo, continuarei a alimentar a árvore. Por isso, não me preocupo nada. Quando deixar este ramo e flutuar até ao chão, acenarei à árvore e dir-lhe-ei “Ver-te-ei muito em breve”.»

Nesse dia fazia vento e, passado um bocado, vi a folha deixar o ramo e flutuar até ao solo, dançando alegremente, pois, enquanto flutuava, via-se já ali, na árvore. Estava tão feliz. Curvei a cabeça, com a noção de que tenho muito a aprender com a folha.

Todos estamos ligados uns aos outros

Há milhões de pessoas que assistem a eventos desportivos. Se você adora assistir a um jogo de futebol ou de basebol, provavelmente torce por uma equipa e identifica-se com ela. Pode assistir aos jogos com desespero e com júbilo. Talvez dê um pontapé ou se balance para ajudar a bola a seguir caminho. Se você não tomar um partido, o jogo perde a graça. Nas guerras também tomamos partido, normalmente o do lado que está a ser ameaçado. Os movimentos pela paz nasceram deste sentimento. Zangamo-nos, gritamos, mas raramente nos elevamos acima de tudo isto para observarmos um conflito da mesma forma que uma mãe observa os seus dois filhos à bulha: ela apenas pretende a sua reconciliação.

Existe um ditado vietnamita muito famoso: «Para lutarem uns contra os outros, os pintainhos nascidos da mesma mãe galinha põem cores nos seus rostos.» Pôr cores no nosso próprio rosto significa tornarmo-nos estranhos perante os nossos irmãos e as nossas irmãs. Apenas conseguimos alvejar outras pessoas quando estas são desconhecidas. Os esforços verdadeiros no sentido da reconciliação ocorrem quando vemos à luz da compaixão e esta capacidade surge quando vemos claramente a natureza da interexistência e da interpenetração de todos os seres.

Na nossa vida, podemos ter a sorte de conhecer alguém cujo amor se estende aos animais e às plantas. Podemos também conhecer pessoas que, apesar de viverem numa situação segura, se apercebem de que a fome, a doença e a opressão estão a destruir milhões de pessoas na Terra e que procuram maneiras de ajudar aqueles que sofrem. Não conseguem esquecer os oprimidos, mesmo no meio da pressão das suas próprias vidas. Estas pessoas aperceberam-se, pelo menos até certo ponto, da natureza interdependente da vida. Sabem que a sobrevivência dos países subdesenvolvidos não pode ser separada da sobrevivência dos países materialmente ricos e tecnica¬mente avançados. A pobreza e a opressão trazem a guerra. Nos tempos de hoje, qualquer guerra implica todos os países. O destino de cada país está ligado ao destino de todos os outros.

Quando será que os pintainhos filhos da mesma mãe tirarão as cores dos seus rostos e se reconhecerão como irmãos e irmãs? A única forma de acabar com o perigo é cada um de nós fazer isso e dizer aos outros: «Sou teu irmão», «Sou tua irmã», «A humanidade somos todos nós e a nossa vida é só uma».



Extraído do livro "Paz a cada passo"; de Tich Nhat Hanh.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Qual o seu verdadeiro nome




Por Thich Nhat Hanh

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Quando eu fui exilado na França, aprendi com uma garota de 11 anos que escapava do Vietnã com sua família e outros do “povo do barco” (boat people). Ela foi estuprada por um pirata, bem no seu barco. Seu pai tentou intervir, mas o pirata o jogou no mar. Depois de ser estuprada, ela se jogou no mar e se suicidou. Nós recebemos a notícia deste evento no escritório da nossa Associação Budista em Paris. Eu fiquei tão aborrecido que não conseguia dormir. Eu senti raiva, culpa e desespero.
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Naquela noite na meditação sentada, me vi nascendo como um bebê em uma família de pescadores muito pobres na costa da Tailândia. Meu pai era pescador. Ela não sabia ler, e nunca foi ao templo; nunca recebeu nenhum ensinamento budista ou outro tipo de educação. Os políticos, educadores e assistentes sociais na Tailândia nunca ajudaram meu pai. Minha mãe também era analfabeta e não sabia como criar os filhos. A família do meu pai sempre foi de pescadores pobres há muitas gerações – meu avô e meu bisavô também foram pescadores. E quando eu fiz 13 anos, me tornei também um pescador. Nunca fui a escola e nunca ouvi os ensinamentos do Buda. Nunca me senti amado ou entendido, e vivi na pobreza crônica que passou de uma geração para a seguinte.
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Então um dia outro pescador jovem me disse: “Vamos para o oceano. Há pessoas do “povo do barco” que passam perto daqui e eles frequentemente carregam jóias e ouro, às vezes até dinheiro. Apenas uma viagem e podemos nos libertar da pobreza.” Eu aceitei o convite. Pensei: “precisamos apenas levar um pouco das jóias, não fará nenhum mal e então nos libertaremos da pobreza.” Assim me tornei um pirata. A primeira vez que saímos e nem sabia que tinha me tornado um pirata. Mas uma vez no oceano, eu vi outros piratas estuprando meninas nos barcos. Eu nunca havia tocado numa menina, nunca nem havia segurado as mãos ou saído com uma. Mas no barco havia uma menina muito bonita e não havia policiais para me proibir. Eu via outros fazendo isso e me perguntei: “Porque não deveria provar também? Pode ser minha chance de experimentar o corpo de uma menina.” Portanto eu fiz.
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Se você estivesse no barco e tivesse uma arma, poderia atirar em mim, mas isso não me ajudaria. Ninguém me ensinou como amar, como entender, como ver o sofrimento dos outros. Meu pai e minha mão também não foram ensinados. Eu não sei o que é saudável e o que não é, eu não entendo causa e efeito. Eu estava vivendo na escuridão. Se você tivesse uma arma, poderia atirar em mim e eu morreria. Mas você não seria absolutamente capaz de me ajudar.
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Enquanto eu continuava sentado, vi centenas de bebês nascendo naquela noite na costa da Tailândia sob as mesmas condições, muitos deles meninos. Se os políticos e ministros da Cultura pudessem olhar em profundidade, veriam que em vinte anos aqueles bebês se tornariam piratas. Quando eu pude ver isso, entendi os atos do pirata. Quando me coloquei na situação de nascer em uma família sem instrução e pobre, por gerações, vi que não poderia evitar me tornar um pirata. Quando vi isso, meu ódio desapareceu e eu pude sentir amor pelo pirata.
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Quando vi aqueles bebês nascendo e crescendo sem ajuda, sabia que tinha que fazer algo de forma que eles não se tornassem piratas. A energia do bodisatva, um ser compassivo com amor sem limites, cresceu dentro de mim. Eu não sofria mais. Eu podia abraçar não apenas a menina de 11 anos que havia sido raptada, mas também o pirata.
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Quando você se dirige a mim como “Venerável Nhat Hanh”, eu digo “Sim”. Quando você chama o nome da menina que foi estuprada eu também digo “Sim”. E se você chamar o nome do pirata, também direi, “Sim”. Se eu tivesse nascido naquela área sob aquelas circunstâncias, eu poderia ter sido a menina ou o pirata.
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Eu sou a criança do Congo, todo pele e osso, com minhas duas pernas finas como bambu. E sou também o mercador de armas, vendendo armas mortais para o Congo. Aquelas crianças pobres no Congo não precisam de bombas; precisam de comida. Mas aqui nos Estados Unidos, eu vivo de produzir armas e bombas. Se nós queremos que outros queiram armas e bombas então temos que produzir guerras. Se você chamar o nome da criança do Congo, eu digo “Sim”. Se você chamar o nome daqueles que produzem bombas e armas, eu também digo “Sim”. Quando sou capaz de ver que sou todas essas pessoas, meu ódio não está mais presente, e eu fico determinado a viver de forma que possa ajudar as vítimas, e possa ajudar aqueles que criam guerra e destruição.
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Se não tivermos achado nosso verdadeiro lar será difícil ter um nome verdadeiro. Nosso nome deveria nos dar um sentimento de estar em casa. A sociedade pode nos rotular como franceses ou americanos, ou talvez nos chamar de afro-americano, quer nos sintamos em casa com o nome ou não. Às vezes não estamos confortáveis com nossa cultura, sociedade, igreja e não nos sentimos no nosso lar. Portanto o nome que os outros nos dão não é nosso verdadeiro nome. Mas não podemos achar nosso verdadeiro nome a não ser que tenhamos um lar verdadeiro.
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Além de perguntar sobre nosso verdadeiro lar e nosso verdadeiro nome, podemos também perguntar, “Eu tenho uma verdadeira cor?” Isto também é muito difícil. Às vezes não estamos confortáveis com nossa cor, seja negro, mulato, amarelo ou branco. Podemos ter vergonha da nossa cor por que no passado nossos ancestrais podem ter feito coisas que não temos orgulho. Portanto, mesmo que você tenha uma pele branca, pode não gostar dela. Você pode não gostar de ser chamado de branco.
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Todos devemos ter uma verdadeira cor que seja livre desses tipos de sentimento, desses tipos de complexos. Portanto em termos de geografia, de raça, de cultura, estamos confusos e não sabemos quem somos ou onde nosso verdadeiro lar está. A felicidade verdadeira não pode ser achada a não ser que achemos nosso verdadeiro lar. Para achar nosso verdadeiro lar temos que nos aceitar como somos.
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O Buda viveu em uma sociedade que era muito dividida pelo sistema de castas. Os brâmanes, a casta dos padres, se acreditam superiores. Havia também aqueles fora das castas que viviam na base da sociedade. O Buda sempre falava sobre o sistema de castas, e falava de nobreza em termos de pensamentos, palavras e ações e não em termos de ancestrais ou raça. Nos ensinamentos do Buda, é muito claro que o que determina o valor de uma pessoa não é sua raça ou casta, mas seus pensamentos palavras e ações.
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Não somos nobres por causa da nossa raça, mas pelo nosso modo de pensar, nosso modo de agir e nosso modo de falar. Há muitos que acreditam que são nobres, mas cujas vidas absolutamente não são nobres. Seu modo de pensar, falar e agir é ignóbil, portanto não há nada neles que possa ser chamado de nobre. Há pessoas, não importando o grupo étnico ao qual pertençam, cujo modo de pensar é cheio de entendimento, compaixão e irmandade, cuja maneira de falar é cheia de esperança e confiança, e cujo modo de agir é cheio de compaixão. É fácil ver a nobreza neles.
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De acordo com os ensinamentos do Buda, todos têm a semente da equanimidade e da não discriminação dentro de si. Se formos capazes de tocar esta semente dentro de nós, a sabedoria da não discriminação se manifestará, e não sofreremos ou faremos outros sofrerem.
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Vamos olhar para nosso corpo para outro exemplo. Chamamos uma mão de mão esquerda e a outra de mão direita. Elas são distintas e não fazemos confusão entre elas. Minha mão direita escreveu quase todos os meus poemas. (...) Ainda assim minha mão direita nunca teve complexo de superioridade. Minha mão direita não pensa ou diz coisas como: ”Mão esquerda, você sabe que eu escrevi quase todos os poemas? Você sabe que eu posso fazer caligrafia? Eu posso convidar o som do sino? E você, mão esquerda, não parece ser boa para nada!” Minha mão direita nunca pensa deste modo, nunca tem essa atitude. Minha mão direita nunca é capturada por um complexo de superioridade. Um complexo de superioridade nos faz sofrer. Não é apenas quando temos baixa auto-estima que sofremos, mas quando temos alta auto-estima – o sentimento que somos mais poderosos, mais talentosos, mais importantes – também sofremos.
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Embora minha mão esquerda não tenha escrito poemas ou feito caligrafia, não sofre de nenhum complexo de inferioridade. É maravilhoso. Ela não sofre absolutamente. Não há comparação, não há baixa auto-estima. É por isso que minha mão esquerda é perfeitamente feliz.
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Um dia eu estava tentando pendurar um quadro na parede. Minha mão esquerda estava segurando um prego e minha mão direita um martelo. Neste dia, não sei por que, ao invés de bater no prego, eu bati no meu dedo. Quando acertei o meu dedo, minha mão esquerda sofreu. Imediatamente a mão direita largou o martelo e tomou conta da mão esquerda do modo mais carinhoso, como se estivesse tomando conta de si mesma. Ela não via isso como sua obrigação. Este tipo de coisa aconteceu muito naturalmente; minha mão direita faz coisas para minha mão esquerda como se tivesse fazendo para si mesma.
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O psicólogo Fritz Perls escreveu um poema que dizia: “Você é você, e eu sou eu, e se por acaso nos encontrarmos, será bonito. Senão, não poderemos ser ajudados.” Eu discordo do sentimento por trás desse poema. Minha mão direita não diz: “Eu sou eu e você é você, nós somos mãos diferentes.” Não há esse tipo de pensamento. Minhas duas mãos praticam perfeitamente o ensinamento do Buda de que não há eu separado.
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Minha mão direita considera o sofrimento da mão esquerda como seu próprio sofrimento. É por isso que fez tudo para tomar conta da mão esquerda. Minha mão esquerda não estava com raiva. Ela não disse: “Você, mão direita, me fez injustiça. Dê-me o martelo. Eu quero justiça!” Ela não tinha tais pensamentos. Isto confirma que há uma inerente sabedoria na minha mão esquerda, a sabedoria da não discriminação. Quando temos essa sabedoria, absolutamente não temos que sofrer. A sabedoria da não discriminação em sânscrito é nirvikalpajñana. Vikalpa é discriminação, nirvikalpa e não discriminação e jñana significa sabedoria. Esta sabedoria é inata em todos nós.
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Extraído do livro “Together we are one”– Thich Nhat Hanh; Traduzido por Leonardo Dobbin.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Palavras do Darma - Acessar a Verdade




Buda recomendava que analisassem e refletissem sobre seus ensinamentos, antes de os aceitar.

Ele não queria que as pessoas concordassem cegamente, mas que verificassem em si mesmos se o ensinamento era correto ou não: porque se achar que não é correto, descarte, jogue fora”.
Embora Buda sempre falasse o Darma Verdadeiro, a compreensão das pessoas variava.

Não que uma pessoa seja melhor do que outra. Nossas habilidades são, definitivamente, únicas. Somos semelhantes e ao mesmo tempo, diferentes. Em determinados momentos, devido a causas e condições, nossa capacidade de absorção, de compreensão, varia.

Cada um, cada uma de nós, neste instante, é a manifestação do Darma Correto.
Entretanto, se não houver prática, reflexão, treinamento, não haverá realização. Realização é tornar real. É a ação real, verdadeira, onde se manifestam todas as experiências do passado e todas as possibilidades do futuro.

Monja Coen
Extraído de “Palestra do Darma” na Comunidade Zen Budista – 22/02/2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Retiro "Medicina Interior" - 26, 27 e 28 de Agosto



Queridos amigos, irmãos e irmãs na cultura da paz,

Informamos abaixo a programação do retiro com o Dr. Ênio Burgos, que ocorrerá nos dias 26, 27 e 28 de agosto de 2011.

Destacamos que o número de vagas é limitado, havendo pré-requisito para participação no encontro.

Retiro Silencioso: “Medicina Interior – A medicina do coração e da mente”
Dias: 26, 27 e 28 de agosto de 2011
Local: Chapada dos Guimarães - MT
Orientador: Ênio Burgos; autor do livro Medicina Interior.
Pré-Requisito: Leitura do livro “Medicina Interior, a medicina do coração e da mente”
Observação: Trata-se de um retiro onde estaremos aprofundando a prática da meditação (sentada, andando e na alimentação).

Dr. Ênio Burgos é médico, físico e fundador da Editora Bodigaya e da Associação Meditar, além de escritor e tradutor de Thich Nhat Hanh no Brasil.

Informações e inscrição:
Academia Ligia Prieto
Rua Ministro João Alberto, nº 137 – Araés
Fone: (65) 3052-6634 – Ligia
Mais informações no site da Associação Meditar de Cuiabá:
http://www.associacaomeditardecuiaba.blogspot.com/

sábado, 2 de julho de 2011

IV Visita de SS o Dalai Lama ao Brasil


IV Visita de Sua Santidade
o Dalai Lama ao Brasil


15 a 17 de setembro de 2011
São Paulo, SP

Maiores informações e inscrições a partir de 15 de julho


Dia 15, quinta-feira, das 14h30 às 16h
Palestra de Sua Santidade o Dalai Lama dirigida às lideranças empresariais:
Nova Consciência nos Negócios – Valores para um Mundo Sustentável – Um Movimento de Transformação
Composição da mesa: Dra. Cristiane Bomeny e Dr. Ozires Silva.
Local: Teatro WTC – localizado no São Paulo World Trade Center
Av. das Nações Unidas, 12.551
Ao lado da Ponte Estaiada - Brooklin Novo - São Paulo, SP.

O mundo econômico revela nosso nível de consciência, visto que diante da realidade da interdependência nada se desenvolve ou expressa de maneira isolada. As mudanças das últimas décadas e o conhecimento sobre a dinâmica das forças ambientais requerem uma nova postura, capaz de gerar comprometimento com os princípios da co-responsabilidade. O espírito das novas soluções econômicas assinala a necessidade de uma união entre percepção sistêmica, valores universais e práticas comerciais.

Cristiane Bomeny formou-se em Medicina, em Denver, Colorado, USA, e doutorou-se em Naturopatia, Homeopatia e Interação Medicamentosa, pelo S. College of Naturopathy, Arkansas, USA. Voltada para a pesquisa em prevenção e manutenção da Saúde, desenvolveu uma solução revolucionária, concebida como “Medicina Progressiva”, que resultou na fundação da empresa Geraluz. Possui ampla experiência empresarial no desenvolvimento de projetos e empreendimentos nos Estados Unidos, Brasil, Caribe e Europa. Viveu, estudou e pesquisou suas áreas de interesse na Índia, Nepal e Tailândia.

Ozires Silva iniciou sua carreira como Oficial Aviador da Força Aérea Brasileira e graduou-se em Engenharia Aeronáutica pelo ITA - Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Iniciou projetos de aviões que justificaram a criação da EMBRAER - Empresa Brasileira de Aeronáutica, cuja equipe de constituição liderou. Presidiu a empresa desde sua fundação em 1969 até sua privatização em 1994, participando das iniciativas que a levaram ao seu sucesso no mercado mundial. Foi Presidente da PETROBRAS e da VARIG e Ministro de Estado da Infra-Estrutura. Participa de várias entidades de classe empresariais e preside ou é membro de vários Conselhos de Administração de empresas ou instituições. Tem se dedicado à Educação no Brasil e é Reitor da UNIMONTE.



Dia 16, sexta-feira, das 9h às 15h30
Diálogo de Sua Santidade o Dalai Lama com pesquisadores estrangeiros e brasileiros em torno dos estados de consciência e os conhecimentos a cerca das práticas contemplativas, como a meditação, e seus efeitos no cérebro.
Simpósio Estados de Consciência: Encontro entre o Saber Tradicional e o Científico.
Local: Golden Hall do São Paulo World Trade Center.
Avenida das Nações Unidas, 12.551 - Brooklin Novo - São Paulo, SP


Sessão matutina: Acessando os Estados de Consciência

9h às 9h10 – Sumário e histórico do encontro - Dr. Luiz Eugênio A. M. Mello - Universidade Federal de São Paulo (moderador para a sessão matutina)
9h10 às 9h20 – Apresentação de Sua Santidade o Dalai Lama e conferencistas da manhã - Dr. Luiz Eugênio A. M. Mello
9h20 às 9h35 – Cerimônia de Abertura com a presença do Dr. Claudio Lottenberg - Presidente do Hospital Albert Einstein; Dr. Walter Manna Albertoni - Reitor da Universidade Federal de São Paulo.
9:35 às 9:55 – Estado mínimo de consciência – implicações clínicas - Dra. Caroline Schnakers - University of Liége, Belgium
9h55 às 10h15 – Estado mínimo de consciência – pesquisas com neuroimagem - Dr. Adrian Owen - University of Cambridge, England
10h15 às 11h30 – Estados mínimos e pouco usuais de consciência - Observações de Sua Santidade o Dalai Lama com participação do Geshe Lobsang Tenzin Negi seguidas de diálogo.


Sessão vespertina: Práticas Contemplativas, Cérebro e Emoções

13h30 às 13h40 – Apresentação dos conferencistas da tarde - Dra. Elisa H. Kozasa - Instituto do Cérebro/Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e Universidade Federal de São Paulo (moderadora para a sessão vespertina).
13h40 às 14h00 – Plasticidade cerebral, cognição e emoções - Dr. Edson Amaro - Universidade de São Paulo e Instituto do Cérebro/ Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.
14h00 às 14h20 – Aplicações clínicas de práticas contemplativas - Dra. Tamara Russell - King's College London - England.
14h20 às 14h45 – Práticas contemplativas para o desenvolvimento de emoções positivas - Geshe Lobsang Tenzin Negi
14h45 às 15h30h –Neuroplasticidade e práticas contemplativas – Observações de Sua Santidade o Dalai Lama seguidas de diálogo.


Adrian Owen é neuropsicólogo, com doutorado pelo Instituto de Psiquiatria de Londres. Nos últimos 20 anos seus testes psicológicos tem sido utilizados em mais de 600 publicações científicas sobre doenças neurológicas e psiquiátricas, incluindo Mal de Parkinson, Alzheimer, Depressão, Esquizofrenia, Autismo e outras. Trabalhou no Canadá (Cognitive Neuroscience Unit do Montreal Neurological Institute, McGill University) onde publicou artigos sobre vários temas, principalmente memória operacional. Iniciou o programa de neuroimagem do Cognition and Brain Sciences Unit no Medical Research Council, em Cambridge, onde foi nomeado Diretor Assistente em 2004. Em 2010, mudou-se novamente para o Canadá, onde é responsável pelo Excellence Research Chair in Cognitive Neuroscience and Imaging da Universidade de Western Ontario. Publicou mais de 170 trabalhos científicos, incluindo o primeiro artigo da revista Science mostrando que é possível se comunicar com pessoas em estado minimamente consciente.

Caroline Schnakers é neuropsicóloga, formada pela University of Liège e trabalha com o Coma Science Group desde 2002. Esteve envolvida em validação e treinamento da Escala de Recuperação de Coma na rede Belga para estudo de estado vegetativo e minimamente consciente. Desenvolveu um DVD educativo (disponível sem custos) em como avaliar alterações crônicas de consciência. Ela é especialista em eletrofisiologia e investiga a detecção de sinais de consciência em sobreviventes ao coma. Pós-doutorada pelo JFK Johnson Rehabilitation Institute and New Jersey Neuroscience Institute de Edison , New Jersey, EUA. Faz parte da equipe que investiga técnicas de comunicação com pacientes em estados minimamente conscientes.

Edson Amaro Júnior é graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com especialização em neurorradiologia. Doutor e livre-docente pela mesma instituição. Pós-doutorado no Instituto de Psiquiatria de Londres em técnica de ressonância magnética funcional. Atualmente é coordenador do Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein e coordenador do Grupo de Neuroimagem funcional da FMUSP. É neurorradiologista do Instituto de Radiologia do HC/FMUSP e do Centro Diagnóstico de Imagem do Hospital Israelita Albert Einstein. É autor de mais de 100 artigos científicos, principalmente utilizando imagens de ressonância magnética funcional para estudo cerebral em diversas condições.

Elisa Harumi Kozasa é uma das pioneiras nas pesquisas sobre os efeitos de práticas contemplativas para a saúde no Brasil. É formada em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo. Seus mestrado e doutorado foram realizados no Depto. de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo. Participou como Research Fellow do Mind and Life Summer Research Institute. Em 2006 participou do diálogo com o Dalai Lama sobre Ciência e Espiritualidade. É pesquisadora visitante do Instituto do Cérebro do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e realiza pesquisas no Depto. de Psicobiologia da UNIFESP. É instrutora de Aikido 5º Dan faixa preta. Possui certificação internacional como instrutora do programa Cultivating Emotional Balance, tendo sido treinada por Paul Ekman e Alan Wallace.

Geshe Lobsang Tenzin Negi é professor do Departamento de Religião da Emory University e diretor da parceria Emory–Tibet. É também co-diretor do Robert A. Paul Emory-Tibet Science Initiative. Depois de estudar no Institute of Buddhist Dialectics, obteve o doutorado no Emory Institute of Liberal Arts. Atua como elo entre a Emory e instituições tibetanas de ensino superior, e tem desempenhado papel chave no estabelecimento das filiações entre a Emory University e o Institute of Buddhist Dialectics, a Library of Tibetan Works and Archives, e o Mosteiro Drepung Loseling. Ministra cursos sobre psicologia e filosofia budista, medicina mente/corpo, e a interface entre o pensamento budista e a ciência modera. Ele também conduz uma série de estudos científicos sobre a meditação da compaixão. É fundador e diretor espiritual do Mosteiro Drepung Loseling de Atlanta.

Luiz Eugênio Mello é graduado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (EPM), mestre e doutor em Biologia Molecular pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pós-doutorado em neurofisiologia pela University of California, Los Angeles. Professor Titular de Fisiologia da EPM/UNIFESP. Membro Titular das Academias de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP) e do Brasil (ABC). Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico na classe Grã-Cruz. Especializa-se e atua profissionalmente nas seguintes áreas: neurociências, mecanismos básicos da acupuntura, terapias celulares, epilepsia, doenças neurodegenerativas, gestão de ciência e tecnologia.

Tamara Russell é doutora em Psicologia e Psicóloga Clínica, com mestrado em Neurociência e especialização em Intervenções com Base em Atenção Plena para populações psiquiátricas e saudáveis. É membro da Organizational Cognitive Neuroscience Association e da British Neuroscience Society, co-editora da publicação Methods in Mind (MIT), bem como professora convidada da Psychosis Division do Institute of Psychiatry, King’s College, Londres. Sua pesquisa e atuação profissional envolvem a psicologia clínica, a neurociência e as práticas contemplativas. Ela ministra treinamento sobre as intervenções baseadas na Atenção Plena em entidades públicas e privadas de vários países. Criou o Body in Mind Training, programa implementado especificamente para populações com distúrbios psiquiátricos mais severos. Presta consultoria a escolas que desejam incluir treinamento atencional, emocional e social ao currículo através dos programas MindUp e Roots of Empathy. Desenha e implementa projetos de pesquisa internacionalmente. É instrutora qualificada de artes marciais e Tai Chi, tendo sido premiada em competições internacionais.



Dia 17, sábado, das 9h30 às 11h30
Palestra Pública de Sua Santidade o Dalai Lama dirigida a todos os interessados.
Convivência Responsável e Solidária.
Local: Pavilhão Oeste do Parque das Convenções do Anhembi
Av. Olavo Fontoura 1.209 - entrada pelo portão 38 – São Paulo, SP
Entrada franca (necessária a inscrição prévia)

A forma como vemos o mundo a nosso redor e os outros, o modo como interpretamos as circunstâncias e os eventos que acontecem à nossa volta podem definitivamente afetar a forma como reagimos a esse entorno, ao nosso mundo e a seus problemas. Esta é nossa perspectiva fundamental. E creio que isto se relaciona diretamente com nossa capacidade para superar problemas e cultivar a felicidade. Para fazer frente às transformações do mundo contemporâneo, acredito que os seres humanos terão que desenvolver um maior sentido de responsabilidade universal. Cada um de nós terá de aprender a trabalhar não apenas para si, sua família ou país, mas em benefício de toda a humanidade. A responsabilidade universal é a verdadeira chave para a sobrevivência humana.


Dia 17, sábado, das 13h30 às 15h30
Palestra de Sua Santidade o Dalai Lama baseada em textos tradicionais budistas.
Cultivando Emoções Construtivas
Local: Golden Hall do São Paulo World Trade Center.
Avenida das Nações Unidas, 12.551 - Brooklin Novo - São Paulo, SP

Conforme os ensinamentos budistas, os estados mentais positivos são aqueles que propiciam serenidade, confiança e felicidade. Os negativos, ou destrutivos, provocam perturbações que não atingem apenas a nós, mas igualmente aqueles que estão à nossa volta, tornando-se, na maioria das vezes, fonte de sofrimento desnecessário. Educar-nos a fim de minimizar as emoções destrutivas requer superar comportamentos e padrões de reação automatizados. A implementação de meios hábeis e práticas meditativas para cultivar os antídotos necessários pode reverter os efeitos negativos de nossas reações a eventos inquietantes. A fim de cultivar a compaixão e a sabedoria – meios exemplares do desenvolvimento interior – precisamos determinação e autoconfiança, cujos frutos não apenas beneficiarão a nós, mas igualmente a todos aqueles com quem compartilhamos nossos dias. Não há maior conquista do que uma mente pacificada e um coração apaziguado.



■Organização

Associação Palas Athena


■Co-realização

Urbaniza - Sustainable Solutions for New Econimical Needs
WTC Centro de Convenções
Prefeitura de São Paulo
SPTuris - São Paulo Turismo
Albert Einstein - Sociedade Beneficente Israelita Brasileira


■Apoio

UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo
FMUSP - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
ESPM - Escola Superior de Propaganda e Marketing



■Colaboração

Geraluz



■Instituições Anfitriãs

Associação Brasileira de Cultura Tibetana
Associação Brasileira de Psicologia Transpessoal
Associação Meditar
Associação Terra da Paz
Centro Budista Casa de Dharma
Centro Budista Mandala de Guyasamaja
Centro Budista Tibetano Kagyü Pende Gyamtso
Centro Budista Sakya-Tsarpa Thupten Deckyid Hoedbar
Centro de Dharma Buda da Compaixão
Centro de Dharma Shapa-Kagiu
Centro de Cultura Tibetana
Centro de Estudos Budistas Bodhisatva
Centro de Estudos Budistas Nalanda
Centro Lótus
Centro Sakya
Centro Shiva Lha
Ciência Meditativa
Colegiado Buddhista Brasileiro
Comunidade Internacional Dzogchen Brasil
Comunidade Zen Budista Zendô Brasil
Dharmanet
Editora Bodigaya
Foundation for the Preservation of the Mahayana Tradition
Grupo de Estudos Karma Kagyu
Instituto Nyingma do Brasil
Karma Theksum Chokhorling
Ordem Budista Triratna
Paz a cada Passo
Sangha Plena Consciência
Shambhala Brasil
Shanga Kagen – Sherab Ling
Sociedade Soto Zen do Brasil
Templo Budista Higashi Honganji
Templo Zen Ti
Tergar Meditation Community


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English Version

IV Visit of His Holiness the
Dalai Lama to Brazil


September 15 – 17, 2011
São Paulo, SP

Further information and registration after July 15th


Sept. 15, Thursday, from 14:30 to 16:00
Address of His Holiness the Dalai Lama to business leaders
New Awareness in Business – Values for a Sustainable World – A Movement for Transformation
Hosts: Dra. Cristiane Bomeny e Dr. Ozires Silva.
Venue: WTC Theatre – São Paulo World Trade Center São Paulo
Av. das Nações Unidas, 12.551
Near the Ponte Estaiada - Brooklin Novo - São Paulo, SP.

The business world reflects our state of consciousness for the reality of interdependence does not allow anything to develop or manifest in isolation. The changes of the last decades and the knowledge we have gained about the dynamics of environmental forces require a new attitude, capable of producing commitment with the principles of co responsibility. The spirit of the new economic solutions is marked by the need for unification between systemic outlook, universal values, and commercial practices.

Cristiane Bomeny graduated in Medicine in Denver, Colorado, USA, and obtained a doctorate degree in Naturopathy, Homeopathy and Drug Interactions from S. College of Naturopathy, Arkansas, USA. Focused on research for prevention and maintenance of health, she developed a revolutionary solution named “Progressive Medicine”, which led to the creation of the Geraluz company. Owns ample business experience in the development of projects and companies in U.S.A., Brazil, the Caribbean and Europe. Lived, studied and conducted research in India, Nepal and Thailand.

Ozires Silva started his career as Officer of the Brazilian Air Force, having graduated in aeronautic engineering from ITA - Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Started projecting planes which gave rise to the creation of EMBRAER - Empresa Brasileira de Aeronáutica, having leaded the initial team. Was president of the company from its foundation in 1969 up to its privatization in 1994, having led it to success in the international market. Was president of PETROBRAS and VARIG, and also Minister of Infrastructure of the Brazilian Federal Government. Presides or is member of the board of several companies and administration boards of companies and professional entities. Presently dedicated to Education in Brazil, he and is the dean of UNIMONTE.



Sept. 16, Friday, from 9:00 to 15:30
Dialog between His Holiness the Dalai Lama and local and international researchers on states of consciousness and the effects of contemplative practices, such as meditation, on the brain.
Symposium: States of Consciousness: Ancient Knowledge meets Neuroscience.
Venue: Golden Hall of the São Paulo World Trade Center.
Avenida das Nações Unidas, 12551 - Brooklin Novo - São Paulo, SP


Morning session: Accessing States of Consciousness

9:00 to 9:10 - Summary and background of the meeting – Dr. Luiz Eugênio A. M. Mello - Universidade Federal de São Paulo, Brazil (morning session moderator).
9:10 to 9:20 - Introducing the panelists and His Holiness the Dalai Lama – Dr. Luiz Eugênio A. M. Mello.
9:20 to 9:35 - Opening Ceremony with - Dr. Claudio Lottenberg - President of the Hospital Albert Einstein, Brazil; Dr. Walter Manna Albertoni- Dean of the Universidade Federal de São Paulo, Brazil.
9:35 to 9:55 - Minimally conscious state – clinical implications - Dr. Caroline Schnakers - University of Liége, Belgium.
9:55 to 10:15 - Minimally conscious state - Neuroimaging research - Dr. Adrian Owen - University of Cambridge, England.
10:15 to 11:30 - Minimally and unusual states of consciousness - Remarks by His Holiness the Dalai Lama, with contributions by Geshe Lobsang Tenzin Negi followed by dialog.


Afternoon session: Contemplative Practices, Brain and Emotion

13:30 to 13:40 - Introducing the panelists - Dr. Elisa H. Kozasa- Instituto do Cérebro/ Instituto Israelita de Ensino e Pequisa Albert Einstein and Universidade Federal de São Paulo (afternoon session moderator).
13:40 to 14:00 - Brain plasticity implications in cognition and emotions - Dr. Edson Amaro - Universidade de São Paulo and Instituto do Cérebro/ Instituto Israelita de Ensino e Pequisa Albert Einstein.
14:00 to 14:20 - Clinical applications of contemplative practices - Dr. Tamara Russell - King's College London - England.
14:20 to 14:45 - Contemplative practices for developing positive emotions – Geshe Lobsang Tenzin Negi – Emory University.
14:45 to 15:30 – Brain plasticity and contemplative practices - Remarks by His Holiness the Dalai Lama followed by dialog.


Adrian Owen Psychology B.Sc. (Hons), Department of Psychology, University College London, and Ph.D. Frontostriatal Mechanisms in Planning and Attention Institute of Psychiatry, University of London. Over the last 20 years his psychological tests have been used in over 600 scientific papers published on a number of neurologic and psychiatric diseases such as Parkinson, Alzheimer, Depression, Schizophrenia, and Autism. Worked at the Cognitive Neuroscience Unit of the Montreal Neurological Institute of the McGill University where he published articles on several subjects, and mainly operational memory. Started the Neuroimaging Program of the Cognition and Brain Sciences Unit at the Medical Research Council, Cambridge, where he was Assistant Director. In 2010 he moved back to Canada where he is now Excellence Research Chair in Cognitive Neuroscience and Imaging at the University of Western Ontario. Wrote over 170 scientific articles including the first to appear in Science magazine showing that it is possible to communicate with persons in minimally conscious states.

Caroline Schnakers Bachelor, DEA, and PhD in Psychological Sciences, University of Liège,Belgium. Presently works at the Coma Science Group, Cyclotron Research Center of the University of Liège. Her research has been focused on validation and training on the scale of coma recovery and the study of vegetative and minimally conscious states. She developed an educational DVD (available free of cost) on how to assess chronic consciousness alterations. She specializes in electrophysiology and investigates the detection of conscious signs in coma survivors. Post-doctorate from JFK Johnson Rehabilitation Institute and New Jersey Neuroscience Institute, Edison , New Jersey, U.S.A. She is part of the research team working on techniques for communicating with minimally conscious patients.

Edson Amaro Júnior – Graduation and PhD in Medicine from the Universidade de São Paulo, with specialization in Neuroradiology. He is an associate professor at the same institution. Post-doctorate degree from the Psychiatry Institute, London – functional MRI technique. Presently coordinates the Instituto do Cérebro of the Hospital Albert Einstein, and also coordinates the functional neuroimaging group of the Medicine School of the Universidade de São Paulo. Neuroradiologist of the Instituto de Radiologia of the Hospital das Clínicas (HC/FMUSP) and the Centro Diagnóstico de Imagem of the Albert Einstein Hospital. Author of 100 scientific articles, focused on functional magnetic resonance imaging for studying the brain under several conditions.

Elisa Harumi Kozasa – One of the pioneers in research on the effects of contemplative practices over health in Brazil. She graduated in biology from the Universidade de São Paulo. Her master and doctorate degrees were in psychobiology from the Universidade Federal de São Paulo. Research Fellow of the Mind and Life Summer Research Institute. In 2006 she took part in the dialog with the Dalai Lama on Science and Spirituality. Presently is a visiting researcher at the Instituto do Cérebro of the Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, and researcher at the Department of Psychobiology of the Universidade Federal de São Paulo. Qualified Aikido instructor (5th Dan). Has international certification as instructor for the Program Cultivating Emotional Balance, having been trained by Paul Ekman and Alan Wallace.

Geshe Lobsang Tenzin Negi – Senior lecturer of Emory University's Department of Religion, he directs the Emory-Tibet Partnership and co-directs the Robert A. Paul Emory-Tibet Science Initiative. After studying at the Institute of Buddhist Dialectics, he earned his PhD at Emory's Institute of Liberal Arts. He serves as a liaison between Emory and Tibetan institutions of higher learning and has played a key role in establishing Emory's affiliations with the Institute of Buddhist Dialectics, the Library of Tibetan Works and Archives, and Drepung Loseling Monastery. While teaching courses on Buddhist psychology and philosophy, mind/body medicine, and the interface of Buddhist thought and modern science, he also conducts a number of scientific studies on compassion meditation. He is the founder and spiritual director of Drepung Loseling Monastery in Atlanta

Luiz Eugênio Mello – Graduation in Medicine from Escola Paulista de Medicina (EPM), with master and doctorate degrees in Molecular Biology from Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), and post-doctorate degree in Neurophysiology from the University of California, Los Angeles. Professor of Physiology at the Medical School of the Universidade Federal de São Paulo. Member of the Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP), and Academia de Ciências do Brasil (ABC). Decorated with the Ordem Nacional do Mérito Científico na classe Grã-Cruz. Specializes and worked in the following areas: neuroscience, basic mechanisms of acupuncture, cell therapies, epilepsy, neurodegenerative diseases, and science and technology management.

Tamara Russell – Academic (PhD) and Clinical Psychologist (D.Clin) with a background in Neuroscience (MSc) specializing in mindfulness-based interventions (MBIs) in healthy and psychiatric populations. She is a member of the Organizational Cognitive Neuroscience Association; British Neuroscience Society and co-editor of the MIT press publication “Methods in Mind.” She is an honorary lecturer of the Psychosis Division, Institute of Psychiatry, King’s College London. Her research and clinical work connects clinical psychology, neuroscience and contemplative practice. She runs training and workshops in the private and public sectors nationally and internationally on the delivery of mindfulness based interventions. She is the creator of the “Body in Mind Training” Program specifically designed for use with psychiatric populations at the more severe end of the spectrum. Tamara also consults with schools interested in bringing mindfulness and emotional and social learning into their curriculum via the “MindUp” and “Roots of Empathy” programs. She is an evidence-based practitioner with an established track record in the design and implementation of research projects with national and international research teams. She is a qualified martial arts and Tai Chi instructor, winning medals in national and international competitions.



Sept. 17, Saturday, from 9:30 to 11:30
Public talk of His Holiness the Dalai Lama.
Living Together with Responsibility and Cooperation.
Venue: West Pavillon of the Parque das Convenções do Anhembi
Av. Olavo Fontoura 1209 - gate 38 – São Paulo, SP
Free admittance (with previous registration)

The manner in which we see the world and other persons, in which we interpret circumstances and events happening around us can definitely affect our reactions to these facts and persons, to the world and its problems. This is our fundamental viewpoint. And I believe this is closely related to our capacity of overcoming problems and cultivating happiness. In order to face the challenges of the transformations going on in our world, I believe human beings will have to develop a greater sense of universal responsibility. Each one of us will have to learn to work, not only for oneself, one’s family or country, but for the benefit of humankind as a whole. Universal responsibility is the true key to the survival of our species.


Sept. 17, Saturday, from 13:30 to 15:30
Talk of His Holiness the Dalai Lama based on traditional Buddhist texts.
Cultivating Constructive Emotions.
Venue: Golden Hall of the São Paulo World Trade Center.
Avenida das Nações Unidas, 12551 - Brooklin Novo - São Paulo, SP

According to Buddhist teachings, positive mental states lead to serenity, trust, and happiness. The negative or destructive ones produce disturbances that do not affect only us but also those who are around us, most of the times causing unnecessary suffering. In order to train ourselves to diminish these destructive emotions it is necessary to overcome behaviors and reactive patterns that have become automatic. The implementation of adequate means and contemplative practices to cultivate the necessary antidotes can offset the negative effects of our reactions to disquieting events. To cultivate compassion and wisdom – exemplary means to inner development – we need determination and self confidence, the fruits of which benefit not only ourselves, but equally all of those with whom we share our days. There is no greater accomplishment than a pacified mind and a peaceful heart.



■Organization

Associação Palas Athena


■Sponsors

Urbaniza - Sustainable Solutions for New Econimical Needs
WTC Centro de Convenções
Prefeitura de São Paulo
SPTuris - São Paulo Turismo
Albert Einstein - Sociedade Beneficente Israelita Brasileira


■Support

UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo
FMUSP - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
ESPM - Escola Superior de Propaganda e Marketing



■Cooperation

Geraluz



■Host Institutions

Associação Brasileira de Cultura Tibetana
Associação Brasileira de Psicologia Transpessoal
Associação Meditar
Associação Terra da Paz
Centro Budista Casa de Dharma
Centro Budista Mandala de Guyasamaja
Centro Budista Tibetano Kagyü Pende Gyamtso
Centro Budista Sakya-Tsarpa Thupten Deckyid Hoedbar
Centro de Dharma Buda da Compaixão
Centro de Dharma Shapa-Kagiu
Centro de Cultura Tibetana
Centro de Estudos Budistas Bodhisatva
Centro de Estudos Budistas Nalanda
Centro Lótus
Centro Sakya
Centro Shiva Lha
Ciência Meditativa
Colegiado Buddhista Brasileiro
Comunidade Internacional Dzogchen Brasil
Comunidade Zen Budista Zendô Brasil
Dharmanet
Editora Bodigaya
Foundation for the Preservation of the Mahayana Tradition
Grupo de Estudos Karma Kagyu
Instituto Nyingma do Brasil
Karma Theksum Chokhorling
Ordem Budista Triratna
Paz a cada Passo
Sangha Plena Consciência
Shambhala Brasil
Shanga Kagen – Sherab Ling
Sociedade Soto Zen do Brasil
Templo Budista Higashi Honganji
Templo Zen Ti
Tergar Meditation Community


Informações disponibilizadas através do site: www.dalailama.org.br

sexta-feira, 1 de julho de 2011

IV Visita de SS o Dalai Lama ao Brasil - 2011



Prezados amigos e irmãos no Darma,


Acaba de ser divulgada, via Latin American Tibetan Association a visita de Sua Santidade o Dalai Lama ao México, Argentina e Brasil. Abaixo enviamos o boletim “Notícias Del Tibet”, publicado em espanhol.

Assim sendo, damos início à divulgação do programa que Sua Santidade realizará em São Paulo, cujo detalhamento segue em anexo. Adiantamos também que além do site destinado a promover a visita www.dalailama.org.br, também está sendo construído um blog, que estará disponível a partir do dia 10 de julho.

Felizes e agradecidos pela oportunidade singular que esta visita está oferecendo a todos nós, mesmo a partir do dia de sua concepção, saudamos a todos e a cada um com sentimentos de profundo enlevo.

No Dharma,

Att.

Enio Burgos
www.bodigaya.com.br